4 anos na diocese de Cachoeiro da Itapemirim (Bruno Cadart)

No momento de ir para colocar a disposição a espiritualidade do Padre Chevrier em Madagascar, vocês me pediram de partilhar sobre os 4 anos em Guaçuí, Dores e na diocese, onde vivi desta espiritualidade. Gostei também de encontrar a Igreja do Brasil em outras dioceses, quando ia dar formações do Prado fora da diocese.

O primeiro ponto importante para mim, foi a possibilidade de uma vida fraterna entre padres com o Pe Juarez e Pe Pedro, depois com Pe Genivaldo e Pe Wagner. De maneira habitual na minha vida, sempre busquei esta vida fraterna onde nos ajudamos a rezar, onde partilhamos e damos sinal que Jesus não nos envia sozinhos. Aqui, foi ainda mais importante para mim, para entrar numa outra cultura, numa outra história. Não tenho palavras para agradecer pelo acolhimento que recebi dos padres da equipe de Guaçuí, Celina e Dores, sem esquecer do Pe Olímpio, da confiança de Dom Célio, do caminho com todos vocês. Quero destacar também o trabalho pastoral em comum e os retiros mensais com as irmãs sacramentinas de Bêrgama. Fiquei tão feliz em poder me encontrar todos os meses para fazer retiro na equipe diocesana do Prado e ao nível do estado ou do Brasil. É tão importante poder se ajudar em seguir Cristo mais de perto para os pobres poder conhecê-lo, colocar regularmente óleo na lâmpada.

Cheguei absolutamente decidido a não importar coisas da França mas a entrar no jeito da Igreja de Cachoeiro de Itapemirim anunciar o Evangelho e fiquei encantado com a dinâmica das comunidades de base, dos Círculos Bíblicos. Na realidade, no trabalho na primeira paróquia nos subúrbios pobres de Paris, na minha diocese, tinha adaptado esta riqueza da Igreja da América Latina que descobri enquanto era no seminário. Neste ponto de vista, o Prado não é importação da França, mas possibilidade para cada Igreja, na realidade onde se encontra, de se apoiar entre padres, diáconos, seminaristas, para viver o Evangelho nos agarrando a Cristo, passando horas no Evangelho, colocando o Evangelho nas mãos de todos, em particular dos mais pobres, nos tornando próximos deles. O que gosto nesta espiritualidade e que me fez deixar a minha diocese onde há tantas necessidades, é que é uma espiritualidade diocesana, e uma espiritualidade profundamente eclesial e com uma atenção a toda a vida das pessoas, não só à dimensão religiosa.

Tentei de viver as intuições de Padre Antônio Chevrier neste contexto: ir ao povo, visitar muito e escutar, prestar uma atenção particular aos mais pobres, mais afastados, mas sem rejeitar os mais ricos, bem pelo contrário, dando uma atenção particular a eles. Assim, fundei uma equipe de “empregadores” que refletem sobre a prática deles à luz do Evangelho. Esta equipe nasceu depois de uma carta a um deles que empregava 60 pessoas sem carteira assinada e que transformou a sua prática depois, convidando outros empregadores a vir refletir com ele. As visitas foram muito importantes para me deixar tocar por o que marca a vida das pessoas, tentar me deixar conduzir pelo Espírito Santo, expressão que me motiva mais de que o “planejamento”.

Verifiquei o que se diz com muita força nos Atos dos Apóstolos e que Antônio Chevrier viveu com força: é a palavra de Deus que evangeliza e temos de fazer tudo para ajudar as pessoas a encontrar-se com a pessoa de Cristo na leitura orante e simples do Evangelho. Fiquei encantado de tudo o que descobri, escutando os mais simples, às vezes pessoas iletradas, comentar os Atos dos Apóstolos cada dia, na Escola de Teologia Bíblica após a missa mensal da comunidade. Fiquei impressionado de todos os frutos que fez nascer na vida das pessoas, das comunidades, fazendo surgir também associações de produtores rurais e outras ações na vida de dia a dia.

Se incentivei os Círculos Bíblicos a não proclamar nem a motivação nem as perguntas do Refletindo, é porque faço a experiência que é essencial incentivar as pessoas a encontrar Jesus na palavra sem depender de um comentário, mesmo excelente, e de fazer experiência que elas são capazes de deixar Jesus falar no coração. Tendo sempre essa única pergunta: “Qual é a palavra de vida para ti e como ela dá luz na tua vida e na vida da comunidade”, vi que dava a possibilidade a muitos de se exprimir sem se encontrar orientados por perguntas, deixando o Espírito Santo falar em cada um. Lendo o Evangelho 3 vezes para todos puder ouvir a palavra, guardando silêncio depois da proclamação do Evangelho, colocando um refrão todas as 3 intervenções, ajudou a não fazer da partilha do Evangelho uma conversa, uma partilha de opiniões, ou de um saber intelectual, mas sim uma oração onde o mais pobre consegue a enriquecer os outros. Fizemos dos Círculos Bíblicos a base de toda a vida missionária da paróquia e fiquei encantado quando li os “Atos dos Apóstolos dos 71 Círculos Bíblicos de Dores”.

Chegando em Dores, vindo de outro país, outra cultura, tinha uma convicção: se conseguir a provocar o máximo de pessoas a ler pessoalmente, comunitariamente, diariamente o Evangelho, nesta atitude de discípulo, pondo em prática esta Palavra do jeito delas, a minha presença poderia servir a obra de Deus aqui e sairia enriquecido.

O que me tocou aqui, é a pressão tão forte do pentecostismo incluído dentro da Igreja católica e o seu caráter destrutor, enfraquecendo pessoas já fracas no nível psicológico, trazendo tantas confusões com esta multiplicação de Igrejas.

Em frente de todos os desafios do mundo de hoje, sinto com muita força este chamado do Padre Chevrier:

“Foi meditando na noite de Natal (de 1856) sobre a pobreza de Nosso Senhor e o seu abaixamento entre os homens que resolvi deixar tudo e viver o mais pobremente possível. Eu me dizia: o Filho de Deus desceu à terra para salvar os homens e converter os pecadores. E, no entanto, que vemos? Quantos pecadores há no mundo! Os homens continuam a condenar-se (a viver sem se saber amados por Deus). Então, eu me decidi a seguir mais de perto a nosso Senhor Jesus Cristo para tornar-me mais capaz de trabalhar eficazmente pela salvação das almas e o meu desejo é que vocês também sigam a Jesus mais de perto”.

Se eu feri alguém, porque tenho a paixão de partilhar o que sinto desta urgência para nós nos ajudarmos em viver mais radicalmente o Evangelho neste mundo que precisa desta luz, enquanto tenho consciência forte de quanto estou longe de viver isso, peço perdão. Agradeço a todos vocês por tudo o que recebi de vocês e me confio a sua oração.

Padre Bruno Cadart

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