“FAZER COM O ESPÍRITO DE DEUS” NOS ATOS DOS APOSTOLOS 10 E 11

“Fazer com o Espírito Santo”

Eis uma expressão que nós utilizamos muito no Prado. Como trabalhar para se deixar conduzir com o Espírito Santo? Eis um estudo olhando o que se diz sobre o Espírito Santo no Evangelho de Lucas, e em alguns trechos dos Atos dos Apóstolos

Olhei também em São João, mas não redigi em português. Eis a seguir, antes do resultado do meu estudo, as perguntas que me ajudaram:

« Fazer com o Espírito de Deus »  Contemplado Jesus no Evangelho de São Lucas. 2

“O ministério do Espírito Santo na vida dos pobres” a partir duma contemplação de Atos dos Apóstolos 3 e 4. 9

“Fazer com o Espírito de Deus”  nos Atos dos Apóstolos 10 e 11. 15

Se deixar conduzir pelo Espírito Santo à escola de Paulo. 22

Jesus, aquele sobre o qual repousa o Espírito Santo

  • Lc 3,15-4,30; 10,21 ; 11,13 ; 12,10-12 ; 23,46 ;
  • Contemplando Jesus sobre o qual repousa o Espírito Santo, o que compreendo de « fazer com o Espírito de Deus »?

O Espírito Santo que realiza a encarnação

  • Em Lucas 1 e 2, várias pessoas são movidas pelo Espírito Santo. O que estão fazendo? O que as preparou? Na luz desses dois capítulos como pode ser um “agir com o Espírito de Deus”?

« fazer com o Espírito Santo », a luz das últimas palavras de Jesus

  • Jo 13 até 17 introduzidos por Jo 14,26 et At 1,4,8
  • Quando uma pessoa morre, suas últimas palavras expressam o que foi o centro de sua vida. O que o Cristo nos diz do Espírito que o animou no momento de ir para o Pai? Na luz duma leitura rápida de Jo 13-17, o que pode ser um “agir com o Espírito de Deus”?

A primeira comunidade viva conduzida pelo Espírito Santo

  • At 3 e 4. Olhando a primeira ação dos apóstolos depois de ter recebido o Espírito Santo, como podemos “agir com o Espírito de Deus”, edificar uma Igreja que tem a preocupação de agir com o Espírito de Deus?

Como Pedro se deixou conduzir pelo Espírito Santo para ir para a casa de Cornélio

  • Nos Atos dos Apóstolos, vemos pessoas que procuram discernir com o Espírito Santo, antes de tomar uma decisão. Olhando At 10 e 11, o que permitiu o Pedro “agir com o Espírito de Deus”?

Como São Paulo se deixa converter e, depois conduzir pelo Espírito Santo

  • A experiência de Damasco (At 9). Como São Paulo se encontra antes, durante e depois do encontro de Cristo, da experiência da luz, do Espírito Santo que vem do alto?
  • As outras experiências de São Paulo de se deixar conduzir pelo Espírito Santo: At 22,17; 13,2-4; 16,6-7; 16,9-10; 16,25-26; 17,16; 18,9; 20,22-24; 23,11; 27,23-25; 2 Cor 12,7-9;
  • Se pode buscar também todas as menções do Espírito Santo em São Paulo, em São João


« Fazer com o Espírito de Deus »
Contemplado Jesus no Evangelho de São Lucas

1. Introdução:

Entre os Evangelhos sinópticos, é no Evangelho de São Lucas que se encontra mais menções do Espírito Santo. Se encontra as mesmas do que no Evangelho de São Mateus, e São Marcos, mais todas as indicações do Espírito Santo que age em Zacarias, Isabel, João-Batista e Simeão.

Em São Mateus e São Marcos, há também a pergunta dos fariseus de saber se Jesus age realmente e expulsa os demônios por Beelzebul ou pela ação do Espírito Santo, no caso, o reino de Deus lhes atingiu.

O Espírito Santo é explicitamente mencionado muitas vezes nos quatro primeiros capítulos do Evangelho de São Lucas.

Depois, se encontra em

  • Lc 10,21 : A exultação ao regresso dos 72 que os pobres vivem do Espírito Santo e agem
  • Lc 11,13 : O ensino sobre a oração e a necessidade de pedir o Espírito Santo
  • Lc 12,10: a blasfêmia contro o Espírito Santo
  • Lc 12,12 : A promessa que o Espírito Santo falará no momento das perseguições
  • Lc 23,46 : o espírito entregado ao Pai

2. O Espírito Santo prepara e realiza o mistério da Encarnação

Quando se contempla a ação do Espírito Santo em São Lucas, se vê que ele está totalmente ligado à pessoa de Jesus.

A Conceição de Jesus se faz pela ação do Espírito Santo. O ministério de Jesus começa pela recepção do Espírito Santo no batismo neste momento de expressão dum forte comunhão com o Pai que manifesta o seu amor aos homens.

Quando se fala do Espírito Santo que age noutras pessoas, a sua ação não tem outro objetivo do que preparar ou realizar ou manifestar o mistério da Encarnação, o mistério da Salvação dos homens na pessoa de Jesus.

Isso nos alerta para não reduzir a fé, a vida religiosa, numa ética mesmo boa, numa generosidade, ou numa piedade. Como pedir ao Espírito Santo de nos fazer entrar mais profundamente no encontro pessoal de Cristo, na colaboração à sua salvação?

Se vê que age em várias pessoas nos dois primeiros capítulos do Evangelho de São Lucas para preparar e realizar a vinda do Salvador: Zacarias, Maria, Isabel, João-Batista, Simeão.

Se o Espírito Santo não tem outra ação do que realizar a vinda, a manifestação do Salvador, não poderemos tentar de « fazer com o Espírito de Deus » sem olhar com precisão o que nos é dito de Jesus.

2.1 A ação do Espírito Santo é totalmente ordenada ao plano de salvação de Deus:

2.1.1 para realizá-lo diretamente
  • É o Espírito Santo que, vindo sobre Maria e estendendo a sua sombre sobre ela, realiza diretamente a Encarnação (1,35)
2.1.2 para designar o Salvador: “É Ele!”
  • O anjo anuncia a Zacarias que João-Batista “será cheio do Espírito Santo” (1,11)
  • João-Batista no seio da Isabel (1,41)
  • Isabel encontrando Maria (1,41)
  • No momento do nascimento de João-Batista, Zacarias “cheio do Espírito Santo” profetiza: “Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e libertou o seu povo…” (1,67)
  • Os pastores (se assimilamos a ação dos anjos à ação do Espírito Santo) que adoram e fazem conhecer, e louvam a Deus… (2,17)
  • Simeão: “Agora, Senhor,…” (2,29-32)
2.1.3 para anunciar a realização da salvação no Messias

Aí, podemos ver as menções explicitas do Espírito Santo agindo em tal ou tal pessoa, podemos também contemplar a ação de Deus com seu Espírito Santo que se revela pelos anjos:

  • Anúncio à
  • Zacarias: “A tua mulher vai dar-te um filho…” (1,13)
  • Maria: “Achaste graça diante de Deus. Hás de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus…” (1,30-31)
  • Aos pastores: “vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador…” (2,..)
  • A Simeão: “Tinha-lhe revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ter visto o Messias do Senhor…” (2,26)
  • Anúncio por João-Batista
  • “Vai chegar Quem é mais poderoso do que eu… batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo” (3,16)

3. Jesus e o Espírito Santo

3.1 Na sua Conceição (1,26-38)

  • Concebido pelo Espírito Santo, e, por consequência,
  • Jesus “Deus salva” (1,32)
  • Grande, Filho de Deus, Filho do Altíssimo (1,35)
  • Filho de Davi, Rei dos Judeus, um reino que não terá fim (1,32-33)
  • Santo (1,35)
  • “força de salvação” (1,69)
  • realização da promessa do Pai (1,70)
  • Libertador misericordioso (1,71-75)
  • Que faz entrar os homens num serviço sem temor com santidade e justiça em sua presença todos os seus dias, libertos dos inimigos, entrando no conhecimento da salvação pela remissão dos pecados (1,74-77)
  • Que ilumina os que jazem nas trevas e na sombra da morte e guia os nossos passos no caminho da paz (1,79)

3.2 No seu nascimento (2,1-20)

Não se fala diretamente do Espírito Santo, mas se fala de anjos que colaboram a realização da salvação e podemos assimilar a ação deles à ação do Espírito Santo, e, pelo menos, continuar a contemplar quem é este menino sobre o qual o Espírito Santo repousa.

  • Encarnado, nasce num país, numa história, (2,1-5)
  • Filho de Davi, Salvador, o Cristo-Senhor (2,11)
  • Mas não havia lugar para ele nascer e nasce na pobreza absolute num exodo forçado, numa manjedoura (2,7)
  • No meio dos mais pobres, dos pastores (2,16)
  • Nasce totalmente vulnerável, aceitando de ter de crescer, de se deixar ensinar, de ser totalmente homem

3.3 Na apresentação ao templo (2,22-38)

  • O Espírito Santo é mencionado 3 vezes: se diz que Simeão age em relação com o Espírito Santo:
  • O Espírito Santo estava nele (2,25)
  • Lhe tinha revelado que não veria a morte antes de ver o Cristo do Senhor (2,26)
  • Movido pelo Espírito Santo, veio ao templo encontrar o menino Jesus (2,27)
  • Pois, vale a pena, olhar com precisão o que Simeão diz de Jesus. Ele reconhece nEle:
  • A salvação preparada a face de todos os povos (2,30-31)
  • A luz para iluminar as nações (2,32)
  • A glória do Povo de Deus, de Israel (2,32)
  • Aquele que vai provocar a queda e o soerguimento de muitos em Israel
  • Um sinal de contradição (2,34)
  • Nele, Simeão já percebe a cruz, cruz onde Jesus vai morrer, cruz que vai atingir Maria (2,35)

Não poderemos « fazer com o Espírito de Deus » sem aceitar seguir Jesus e entrar neste mesmo caminho da pobreza, da encarnação, do presépio, da pequenez e também da cruz.

3.4 Na infância e juventude de Jesus (2,39-52)

  • Conduzido pela graça de Deus, pelo Espírito Santo, ele esta crescendo em força, em sabedoria (dons do Espírito Santo) (2,40)
  • Se Jesus é cheio do Espírito Santo, ele tem de crescer nos seus efeitos
  • O Espírito Santo não é mencionado, mas se vê Jesus preocupado de estar na casa do seu Pai (2,49), quer dizer de viver ligado ao seu Pai.

3.5 No batismo: o Espírito Santo desce sobre ele de maneira visível ao olhos dos homens (3,21-22)

  • 3,22: o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma corpórea, como uma pomba, e uma voz veio do Céu: “Tu es o Meu Filho muito amado; em Ti pus todo o Meu enlevo”
  • Espírito que desce sobre Jesus e habita totalmente nele, que entre nele no início da sua missão
  • Espírito no qual se revela o amor do Pai, que pôs nele tudo o seu enlevo
  • Espírito Santo que é comunhão de amor do Pai com o Filho
  • Querer compreender o que é « fazer com o Espírito de Deus » é ser chamado a entrar mais na contemplação do Deus uno e trina
  • Espírito Santo que desce sobre Aquele que se fez totalmente homem, entrando na fila dos pecadores vindos receber o batismo da conversão e que se revela totalmente Deus, filho amado do Pai; aquele que mais uma vez escolhe o caminho da pequenez
  • Há um Único que recebe totalmente o Espírito Santo. É olhando por ele que poderemos “agir com o Espírito de Deus”. Temos de passar horas a contemplá-lo escrutando a Escritura

3.6 Na tentação no deserto (4,1-13)

  • Na expressão de Lucas, o Espírito Santo está onipresente:
  • Jesus, pleno do Espírito Santo voltou do Jordão;
  • era conduzido pelo Espírito Santo
  • através do deserto durante 40 dias… (podemos pensar na coluna de nuvem, de fogo, que acompanhava o Povo de Deus no deserto) (4,1-2)
  • É o Espírito Santo que está de novo mencionado quando Jesus sai do deserto para a Galiléia (4,14)
  • 4,3-4: O Espírito Santo não protege da experiência das tentações, mas não há só as tentações, há o Espírito Santo que pode conduzir, à condição de se deixar conduzir…
  • 4,5-8: Diabo que chama a escapar à condição humana, a transformar as pedras em pão…
  • Espírito que ajuda Jesus a não escapar à condição humana e a se receber do Pai, da palavra de Deus. Isso pode nos alertar em relação à tentação de hoje de buscar a ação do Espírito Santo nos milagres, nas coisas extraordinárias.
  • Espírito Santo que realizou a encarnação e que ajuda Jesus a não sair desta encarnação
  • 4,9-12: Diabo que provoca Jesus à ter tudo o poder sem mais se receber do Pai, que tenta de cortar Jesus da relação de amor com o Pai
  • E Espírito Santo que ajuda mais uma vez Jesus a encontrar na palavra de Deus a força e o caminho para não sair desta relação de amor
  • Espírito Santo que se recebe na escolha da renúncia ao poder, à dominação, a riqueza
  • Diabo que utiliza a palavra de Deus mesma para provocar Jesus a se tornar mestre do Pai, a não mais ser Deus se recebendo do Pai e aceitando a realidade da encarnação
  • Noto que o Espírito Santo conduz no deserto que é no mesmo tempo o lugar do encontro de Deus e da experiência da tentação. O lugar de encontro do Pai é lugar da tentação…

3.7 Na sinagoga de Nazaré (4,14-30)

  • Lc 4,14: “Impelido pelo Espírito, Jesus voltou para a Galiléia e a Sua fama propagou-se por toda a região. Ensinava nas sinagogas e todos o elogiam.”
  • Espírito Santo que lhe conduz em tudo e lhe dá de anunciar a Boa Nova
  • O Espírito Santo está sobre mim para
  • Anunciar a Boa Nova aos pobres
  • Enviou-me a proclamar a libertação aos cativos
  • E, aos cegos, o recobrar da vista;
  • A mandar em liberdade os oprimidos,
  • A proclamar um ano de graça do Senhor.
  • Espírito Santo que se revele sobre ele
  • na prática ordinária da sua fé
  • Na leitura litúrgica da Bíblia
  • Depois, enrolou o livro, entregou-o ao empregado e sentou-se.
  • O Espírito Santo nos dá de passar do livro à Jesus o Verbo de Deus… Ele enrolou o livro e entregou-o ao empregado
  • Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos cravados n’Ele.
  • Fitar os olhos em Jesus… para acolher a palavra de Deus e viver do Espírito Santo, para a palavra se cumprir para nós hoje
  • Começou então a dizer-lhes: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acaba de ouvir.
  • O Espírito Santo que faz que a palavra não é palavra do passado, mas palavra que se realiza hoje, que faz novidade hoje
  • Há tradições que dizem: “Hoje cumpriu-se esta palavra para você que a escutem”
  • É preciso acolher esta palavra para que se cumpra
  • A palavra que se cumpre:
  • A Boa Nova anunciada aos pobres
  • Os cativos libertados
  • Os cegos que vêem… Eu sou a luz do mundo… Quem pensa em ver sem Jesus, sem o Espírito Santo, é cego (cf. Jo 9,41)
  • Os oprimidos são liberados
  • Um ano de graça… de justiça
  • O Espírito Santo mencionado no início do ministério de Jesus, mas é todo o seu ministério que é marcado pelo combate contra o mal pela força do Espírito Santo

3.8 O Espírito Santo que se nota em 5 outros lugares:

  • Lc 10,21 : A exultação ao regresso dos 72 que os pobres vivem do Espírito Santo e agem
  • A fonte da alegria do filho é de ver a realização da promessa do Pai: a boa nova anunciada aos pobres e pelos pobres, de ver o Pai agir pelo seu Espírito Santo, através dos apóstolos
  • Lc 11,13 : O ensino sobre a oração e a necessidade de pedir o Espírito Santo
  • O Espírito Santo que reza em nós e nos dá de chamar Deus Pai (Ro 8,15; Gal 4,6)
  • O Espírito Santo que é objeto da oração
  • Ele que vai glorificar o nome do Pai em nós
  • Ele que vai cumprir a vontade do Pai em nós
  • Ele que vai realizar o dom do Pão de cada dia
  • Ele que vai nos perdoar e nos dar de perdoar
  • Trabalhar muito para receber o Espírito Santo e deixar fazer Deus (Antônio Chevrier)
  • Lc 12,10: a blasfêmia contra o Espírito Santo
  • Aquele que não aceita mais a ação do Espírito Santo se curta da salvação agora
  • Lc 12,12 : A promessa que o Espírito Santo falará no momento das perseguições
  • Mas, para isso, a necessidade de caminhar com Jesus, de estudar Jesus no Evangelho
  • De vigiar e orar para não cair em tentação
  • Lc 23,46 : o espírito entregado ao Pai

3.9 O Espírito Santo carateriza toda a vida, todos os gestos de Jesus

Se Lucas menciona o Espírito Santo no início da vida pública de Jesus e no momento onde ele morre, se vê que é toda a vida de Jesus, todos os seus gestos, todas as suas palavras que manifestam uma vida conduzida com o Espírito Santo.

4. Resumo: « fazer com o Espírito de Deus »

4.1 Jesus e o Espírito Santo

  • Concebido pelo Espírito… pois santo e Filho de Deus
  • Cheio do Espírito Santo… mas deve progredir nos seus efeitos, crescer em sabedoria, em estatura e em graça diante dos homens (2,52)
  • Desce sobre Jesus na forma duma pomba
  • Relação de amor entre o Pai e o Filho muito amado
  • Conduz Jesus
  • No seu encontro com o Pai no deserto
  • No seu combate contra o tentador
  • Na sua missão que é de
  • Anunciar a Boa Nova aos pobres
  • Liberar os cativos, os oprimidos
  • Fazer os cegos recuperar a vista
  • Proclamar um ano de graça do Senhor

4.2 Que se pode dizer do Espírito Santo

  • Age no tempo
  • Passado: releitura de Simeão por exemplo (“os meus olhos viram a tua salvação que preparaste em face de todos os povos” (2,30)
  • Presente: “Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura” (4,21)
  • Futuro: “O Espírito descerá sobre ti” (1,35)
  • A sua ação não é sempre compreensível de maneira imediate.
  • Mesmo Jesus deve progredir (2,52)
  • Maria conservava a lembrança de todos esses fatos em seu coração, buscando a sua significação (2,51)
  • Dificuldade em acreditar de Zacarias e Isabel
  • O Espírito Santo age em concorrência com o diabo (cf as tentações de Jesus)
  • O Espírito Santo é enviado pelo Pai
  • Ele provoca deslocações:
  • Simeão que vem ao templo movido pelo Espírito Santo (2,27)
  • Jesus conduzido pelo Espírito Santo através do deserto (4,1)
  • Jesus conduzido pelo Espírito Santo para a Galiléia (4,14)

4.3 « fazer com o Espírito de Deus »

  • Entrar na história da Salvação, no reconhecimento do Salvador, no seu anúncio, na comunhão entre o Pai e o Filho, no amor do Pai para o Filho e para os homens.
  • Entrar no que faz o Espírito Santo aqui, agora, e no tempo.
  • O Espírito Santo repousa de maneira particular sobre alguns que são ao serviço do projeto de Salvação de Deus para o seu povo:
  • Por eleição gratuita de Deus, se recebe gratuitamente, vem num inesperado de Deus tal como pelos pastores, a escolha de mulheres estéreis e simples, a chamada de velhotes… Deus faz graça
  • Com trabalho da parte deles para se tornar disponíveis: é recebido por pessoas justas, fiéis, que estavam cumprindo a missão recebida, que rezavam.
  • Não se recebe sem combates, sem perseguições
  • Falta de fé de Isabel e Zacarias reduzidos ao silêncio
  • Perseguição de João-Batista e Maria (uma espada traspassará tua alma)
  • Se recebe:
  • em relações humanas
  • Maria e Isabel
  • Isabel e Zacarias
  • Maria e José
  • Maria e os pastores
  • Maria, José e Simeão
  • João-Batista e as multidões
  • Jesus e João-Batista
  • Jesus e os seus pais
  • Jesus e os Judeus do templo, da sinagoga
  • em vocações particulares:
  • Serviço do templo
  • Serviço do profeta
  • Vocação de mãe, de esposa
  • numa religião
  • Apresentação ao templo
  • Leitura da palavra na sinagoga
  • numa sociedade
  • Recenseamento
  • Trabalho de soldado, de publicano, de pastor
  • Produz:
  • O louvor
  • A relação de discípulo
  • A relação de Filho
  • O reconhecimento de Cristo
  • O assusto
  • A rejeição também
  • A obrigação de se determinar
  • Dá uma missão no projeto de salvação de Deus
  • Os pobres têm uma capacidade particular mas não exclusiva em se deixar tocar pelo Espírito de Deus
  • Maria
  • Os pastores
  • João-Batista
  • Os que provocam a exultação de Cristo (10,22)


“O ministério do Espírito Santo na vida dos pobres”
a partir duma contemplação de Atos dos Apóstolos 3 e 4[1]

Como no precedente número, somos convidados a nos preparar pela Assembleia Geral do Prado contemplando “o ministério do Espírito Santo na vida dos pobres”.

Quando queremos compreender “o ministério do Espírito Santo na vida dos pobres”, vale a pena olhar o primeiro ato público dos apóstolos depois de Pentecostes, ato de cura dum paralítico na entrada do templo.

Vale a pena não ler o estudo do Evangelho que Bruno nos partilha aí sem ter primeiro feito o nosso próprio estudo do Evangelho. As seguintes perguntas podem nos ajudar.

– Olhando Atos dos Apóstolos 3 e 4, o que descubro do que é colaborar ao « Ministério do Espírito Santo no meio dos pobres »?

– Quais pontos fundamentais da espiritualidade do Padre Antônio Chevrier posso ver neste texto?

– Quais « palavras da vida » eu guardo?

Num retiro com jovens sobre Atos dos Apóstolos 3 e 4, depois de uma hora de tempo pessoal, uma menina de 17 anos regressou chateada, pensando que uma hora sozinha no texto, na idade deles, era difícil demais:

–     “Não compreendi nada, não achei « palavra da vida »

–     “Nada, nada?”

–     “Nada!”

–     “Nada? Não tem mesmo uma palavra da vida que você possa nos partilhar?

–     “Talvez sim, não sei se me engano, mas, quando Pedro disse: “Olha para nós”, não será que está dizendo: “Olha Jesus em nós?”

Atrás desta revolta aparente, havia uma menina que foi tocada pelo Espírito Santo sem saber identificar o que se passava no seu coração. Ela se tornou responsável pela animação de 100 jovens de 13 anos e dos catequistas. Foi, para ela, um momento fundamental da sua vida, e não posso ler este texto sem pensar nela.

A sua reflexão me faz pensar em todos os lugares onde o Padre Chevrier diz que nós devemos trabalhar a nos tornar “outros Cristos”, que a gente deve poder ver em nós “Jesus Cristo”.

O que fez Pedro e João ter esta audácia foram vários fatores:

O primeiro ponto fundamental é a fé, a consciência que Jesus é vivo hoje, ressuscitado, cujo nome age ainda agora, que o seu Espírito nos conduz e age agora e que temos de nos ajustar ao novo que ele está fazendo, com o seu Espírito Santo, hoje, agora, aqui.

Fé que permite a Pedro e João chamar o coxo a levantar-se (At 3,6)
  • “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu lhe dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levante-te e comece a andar!” (At 3,6)
Consciência da ação de Jesus hoje nos testemunhos de Pedro e João diante do povo, diante dos anciãos (At 3,14-16; At 4,10)
  • “Graças à fé no nome de Jesus, esse Nome acaba de fortalecer este homem que vocês vêem e reconhecem. A fé em Jesus deu saúde perfeita a esse homem que está na presença de todos vocês.” (At 3,14-16)
  • “É pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, aquele que vocês crucificaram e que Deus ressuscitou dos mortos, é pelo seu nome e por nenhum outro, que este homem está curado diante de vocês.” (At 4,10)
Esta consciência que Jesus é ressuscitado e age hoje ainda se manifesta também na oração final (At 4,29-30)
  • “Agora, Senhor, olha as ameaças que fazem e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra. Estende a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus.” (At 4,29-30)
Confiança que mesmo numa situação de morte que dura já há mais de quarenta anos (At 4,22), Jesus pode fazer surgir a vida

A intimidade com ele:

  • todo o tempo onde Pedro e João têm caminhado com Jesus e que se exprime nesta palavra dos Atos dos Apóstolos:
  • “Reconheceram que eles eram companheiros de Jesus” (At 4,13)
  • O conhecimento das escrituras que se nota na pregação de Pedro e que lhe dá o poder de falar em nome de Jesus
  • A oração ritual (eles iam ao Templo) e a oração mais espontânea no encontro do coxo e depois da libertação com a comunidade.

–     Que tempo dedico ao estudo do Evangelho, à oração vivenciada com uma vida realmente comprometida com os mais pobres para entrar nesta intimidade com Jesus?

O fato de tomar o mesmo caminho que Jesus: seguir Jesus ao presépio, à cruz, ao tabernáculo (« Quadra de Saint-Fons »)

  • Consciência que anunciar Jesus é fazer os mesmos atos dele, deixá-lo agir por nós: “Fazei isso em memória de mim”, “Eu vos dei um exemplo, a fim de que assim como eu fiz, façais também” (Jo 13,15 palavra reproduzida acima de cada uma das três paredes da « Quadra de Saint-Fons »)
Caminho da pobreza e dos pobres, do presépio
  • Que teria acontecido se eles tivessem dinheiro? Teriam construído um lar, dado uma pensão, sem entrar nesta relação mais fundamental: encontrar este paralítico em nome de Jesus até salvá-lo, curá-lo, revelá-lo Cristo Ressuscitado, abri-lo ao louvor a Deus.
  • Que teria acontecido, se não tivessem parado com o pobre? O paralítico não seria curado, a boa nova não seria anunciada, Pedro e João não teriam descoberto a realidade da palavra que eles anunciam, a comunidade não poderia anunciar a boa nova do que Jesus faz hoje.
Caminho da cruz
  • Que teria acontecido se tivessem se deixado impressionar pelos chefes?
Caminho da eucaristia (anúncio da ressurreição de Jesus, consciência que ele vive hoje, capacidade de oferecer a vida deles)
  • Que teria acontecido se não tivessem fé na ressurreição de Jesus, no fato de Jesus viver e agir hoje, neles, no paralítico, no povo?

–     Como é que trabalhamos para deixar o Espírito Santo inscrever em nós a « Quadra de Saint-Fons »?

O fato de não tomar o lugar de Cristo. Trabalhar em se tornar “outro Cristo”, não é se confundir com Cristo, é deixar Jesus agir em si, “deixar fazer Deus”, renunciar a si mesmo, ao seu espírito para Ele agir[2]

  • “Israelitas, por que vocês espantam com o que aconteceu? Por que ficam olhando para nós, como se tivéssemos feito esse homem andar com o nosso próprio poder ou piedade? O Deus de Abraão, Isaac e Jacó, o Deus de nossos antepassados glorificou o seu servo Jesus. (…) Graças a fé no nome de Jesus, esse Nome acaba de fortalecer este homem que vocês vêem e reconhecem. A fé em Jesus deu saúde perfeita a esse homem que está na presença de todos vocês.” (At 3,12-16)
  • “Pois fiquem sabendo todos vocês, e também todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, aquele que vocês crucificaram e que Deus ressuscitou dos mortos, é pelo seu nome, e por nenhum outro, que este homem está curado diante de vocês” (At 4,10)

A capacidade de se deixar conduzir pelos acontecimentos e de anunciar ao mesmo tempo o que descobrem

  • Deixaram-se conduzir tanto pelo encontro do coxo, quanto pela reação do povo, a reação dos chefes, o encontro com a comunidade, a descida do Espírito Santo
  • Anunciam e descobrem ao mesmo tempo e, depois, contam o que aconteceu

–     Que tempo tomamos pessoalmente e com outros para fazer esta releitura, condição para entrar neste « Ministério do Espírito Santo no meio dos pobres »?

A impossibilidade de separar oração e caridade. A ligação total entre liturgia e vida

  • Podemos pensar que o costume de ir rezar ajudou Pedro e João a ver o coxo
  • Também, vemos que se não tivessem parado para o coxo, não teriam encontrado Jesus
  • A oração depois da libertação por Pedro e João
  • como celebração do dom de Deus, tanto para curar o paralítico como para testemunhar diante do povo e dos anciãos
  • com lugar para receber o dom do Espírito Santo

A consciência de que são enviados para pregar, curar, anunciar o Ressuscitado… e que o anúncio de Jesus se faz também por atos de salvação. Interpretar depois estes atos. Não anunciar teorias, mas o que vimos e ouvimos. Anunciar em atos.

  • Os apóstolos vivem a palavra de Isaías no início do ministério de Jesus, assim como também todas as palavras de envio em missão de Jesus onde a missão consiste em anunciar a Boa Nova aos pobres, e também curar, libertar, expulsar os demônios, perdoar, batizar, tudo pela força do Espírito Santo
  • Lucas 4,18-20
  • Mateus 10,1; Marcos 6,6-13; 16,15-20; Lucas 9,1-2;

–     Como é que, com as nossas comunidades, temos esta preocupação de não só falar e rezar, mas agir?

–     Onde vemos gestos de salvação a comentar, a por em evidência?

–     Como ajudamos os cristãos a se comprometer na vida social e política, e os ajudamos para fazer o laço com a sua fé?

  • Não se contentam em melhorar a situação do coxo, de o chamar a uma vida boa. Anunciam claramente: “Esse Jesus que vocês mataram, Deus O ressuscitou e nós todos somos testemunhas disso” (At 3,13-15; 4,10)

–     Como vamos até um anúncio explícito da ressurreição de Jesus e chamamos aos sacramentos?

  • “Quanto a nós, não podemos calar sobre o que vimos e ouvimos.” (At 4,20) (tanto o fato da ressurreição de Jesus quanto da ação da fé no seu nome para o paralítico)

O ato da salvação, obra do Espírito Santo

  • A salvação aqui conjuga várias ações do Espírito Santo:
  • Ação em Pedro que olha, para, reza, chama o coxo, pega a sua mão direita (evoca também a criação)
  • Ação no coxo que dê um pulo, fica de pé, começa a andar, pulando e louvando a Deus.
  • Ação do Espírito Santo: “Os pés e os tornozelos ficaram firmes” (At 3,7)
  • Não é assistência exterior, é ressurreição deste homem, reintegração na comunidade. Agora, pode entrar no Templo, passar a porta. Agora não precisa mais pedir esmola, pode andar.
  • É sinal não só para este homem, mas para todo o povo, para toda a comunidade cristã

Anunciar o ressuscitado e chamar à conversão

  • A missão não é transmissão duma moral mas abertura ao encontro do Ressuscitado.
  • Mas o encontro do Ressuscitado chama a entrar na vida de Cristo, a viver uma conversão:

“Portanto, arrependam-se e convertam-se para que os pecados de vocês sejam perdoados. Assim vocês poderão alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor.” (At 3,19)

A ação do apóstolo, não é ação dalguém sozinho. É ação de Pedro e João pelo nome de Jesus, pela força do Espírito Santo, em comunhão com a comunidade cristã

  • A importância da presença de João
  • A releitura com a comunidade no fim: não só se fomos bons ou não, mas que vimos da ação de Jesus Cristo e do seu Espírito Santo?
  • A ação do Espírito Santo nos pés e tornozelos do coxo, na comunidade que reza.

Importância da releitura do que aconteceu a luz da morte e ressurreição de Jesus Cristo, a luz das escrituras e por isso do tempo passado a trabalhar a escritura.

  • Releitura a luz da morte e ressurreição de Jesus: At 3,12-16; At 4,8-12.
  • Releitura a luz das escrituras: At 3,17-24; At 4,24-28.

–     Que tempo tomamos nas nossas comunidades para fazer a releitura da vida à luz da palavra? Não só ver se fomos bons ou não, mas olhar o que fez Jesus, onde o reconhecemos?

–     Para isso, que tempo dedicamos para trabalhar o Evangelho com todos os responsáveis?

A decisão de nada preferir ao amor de Deus e aceitar o caminho da cruz

  • “Estavam irritados porque os apóstolos ensinavam o povo e anunciavam que a ressurreição dos mortos tinha acontecido em Jesus. Levaram Pedro e João e os colocaram na prisão até o dia seguinte, porque já estava anoitecendo.” (At 4,2-3)
  • “O que vamos fazer com esses homens? Eles realizaram um milagre claríssimo, e o fato se tornou de tal modo conhecido por todos os habitantes de Jerusalém, que não podemos negar. Contudo, a fim de que a coisa não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los, para que não falem mais a ninguém a respeito do nome de Jesus.” (…) “Então, insistindo em suas ameaças, deixaram Pedro e João em liberdade, já que não tinham meio de castigá-los por causa do povo.” (At 4,16-17.21)
  • “Julguem vocês mesmo se é justo diante de Deus que obedeçamos a vocês e não a Ele! Quanto a nós, não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos” (At 4,19)

Confiar nos pobres, nos que Jesus escolhe

  • “Eles ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução. Reconheceram que eles eram companheiros de Jesus. No entanto, viam em pé, junto a eles, o homem que tinha sido curado. E não podiam dizer nada em contrário.” (At 4,13-14)

A confirmação pela cura do paralítico e pelo dom do Espírito Santo

Palavras de vida

  • “Olhe para nós!” (Olhe Jesus em nós!”) (At 3,4)
  • “Não tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu lhe dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareu, levante-se e comece a andar!” (At 3,6)
  • “Por que ficam olhando para nós, como se tivéssemos feito esse homem andar com o nosso próprio poder ou piedade?” (At 3,12)
  • “Graças a fé no nome de Jesus, esse Nome acaba de fortalecer este homem” (At 3,16)
  • “Vocês mataram o autor da vida, mas Deus o ressuscitou dos mortos. E disso nós somos testemunhas.” (At 3,15)
  • “Portanto, arrependam-se e convertam-se para que os pecados de vocês sejam perdoados. Assim vocês poderão alcançar o tempo do repouso que vem do Senhor.” (At 3,19)
  • “Com que poder, ou em nome de quem vocês fizeram isso?” (At 4,7)
  • As vezes, não estou bem certo de poder responder: pelo nome de Jesus…
  • “Pois fiquem sabendo todos vocês, e também todo o povo de Israel: é pelo nome de Jesus Cristo, de Nazaré, aquele que vocês crucificaram e que Deus ressuscitou dos mortos, é pelo seu nome, e por nenhum outro, que este homem está curado diante de vocês” (At 4,10)
  • “Jesus é a pedra angular que vocês, construtores, rejeitaram, e que se tornou a pedra angular.” (At 4,11)
  • Como é que nós corremos sempre o risco de rejeitar a pedra angular que é Jesus?
  • “Não existe salvação em nenhum outro (que Jesus), pois debaixo do céu não existe outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos.” (At 4,12)
  • “Eles ficaram admirados ao ver a segurança com que Pedro e João falavam, pois eram pessoas simples e sem instrução.” (At 4,13a)
  • “Reconheceram que eles eram companheiros de Jesus.” (At 4,13b)
  • “Julgai vocês mesmos se é justo diante de Deus que obedeçamos a vocês e não a Ele. Quanto a nós, não podemos calar sobre o que vimos e ouvimos.” (At 4,19-20) (tanto o fato da ressurreição de Jesus mesmo que da ação da fé no seu nome pelo paralítico)
  • “Agora, Senhor

olha as ameaças que fazem

e concede que os teus servos anunciem corajosamente a tua palavra.

Estende a mão

para que se realizem curas, sinais e prodígios

por meio do teu santo servo Jesus.” (At 4,29-30)


“Fazer com o Espírito de Deus”
nos Atos dos Apóstolos 10 e 11

Quando se faz um estudo sobre o Espírito Santo na Bíblia, se encontra várias referências ao Espírito Santo no Evangelho, em particular no Evangelho de São Lucas, e mais particularmente nas narrações da infância de Jesus. Mas o livro des Atos dos Apóstolos é aquele onde o Espírito Santo aparece mais. Este livro conta o início da Igreja, o que fizeram os apóstolos uma vez que Jesus não estava mais diretamente com eles e que ele lhes tinha deixado o seu Espírito. O livro dos Atos pois começa assim:

“Recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e a Samaria, e até os confins da terra.”[3]

Se o Espírito Santo é mencionado muitas vezes (umas cinqüentas vezes) no livro dos Atos, sua ação é mais detalhada na narração do encontro entre Pedro e Cornélio onde se pode ver como um apóstolo discerne para agir com o Espírito Santo.

Neste trecho, se fala de anjos, de vozes, de sonhos, do Espírito Santo que cai sobre pessoas, de “falar em línguas”… Se queremos compreender este texto e ele nos falar hoje, será bom fazer o mais do que possível a ligação entre estas manifestações extraordinárias e o que cada um de nós vive de extraordinário na vida ordinária, a condição de prestar atenção. Estas evocações de anjos, de vozes, são maneiras de dizer experiências fortes que Lucas não sabe bem explicar, experiências que não são reservadas à Igreja de há 2 000 anos, experiências fortes que fazemos, a nossa maneira, hoje.

Vamos olhar os elementos que permitirão a São Pedro de « fazer com o Espírito de Deus ». Poderíamos, da mesma maneira, olhar o que permitiu a Cornélio de se deixar guiar pelo Espírito.

1. A pergunta com a qual se encontra Pedro

Pedro se interroga se deve ou não ir com os pagãos, se deve ou não batizar pessoas que não são judaicas Ele se interroga sobre como viver a missão numa situação nova:

–     Jesus não está mais diretamente com eles;

–     eis que Pedro não está mais em Nazaré ou em Jerusalém entre Judeus, e que ele se interroga: qual atitude adotar em relação com os “não-Judeus”?

Esta pergunta de ir ou não à casa dum não-Judeu vai surgir numa situação concreta: ir ou não na casa de Cornélio.

Para bem compreender a dificuldade, é preciso se lembrar que um Judeu não deve frequentar os pagãos a fim de não perder a sua originalidade: a fé num Deus único, o recuso dos ídolos. Ele deve ainda menos demorar na casa dos pagãos. Temos também de não esquecer a situação da Palestina: o país é ocupado pelos romanos. Pois, não é evidente aceitar ir à casa dum soldado do exército de ocupação.

Portanto, Pedro vai se decidir em ir à casa de Cornélio, e mesmo batizá-lo, porque, disse ele:

“Mas Deus acaba de mostrar-me que a nenhum homem se deve chamar de profano ou impuro.”[4]

“Portanto, se Deus lhes concedeu o mesmo dom do que a nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, quem seria eu para poder impedir a Deus de agir?”[5]

2.         Pontos de referência para « fazer com o Espírito de Deus » a escola de Pedro nos Atos 10 e 11

2.1       Ter consciência que Deus é a obra hoje

Quando Pedro diz: “Deus acaba de mostrar-me…”, ele manifesta com esta expressão que tem consciência que Deus é a obra hoje, que ele age hoje, que ele tem alguma coisa nova a lhe dizer pessoalmente hoje. Esta consciência o torna atento ao que Deus quer fazer com ele agora. Pedro se compreende como bem mais do que alguém que deveria substituir a um Deus que teria agido outrora e que seria ausente hoje, deixando o homem perseguir sozinho a sua obra.

Nós temos aqui a condição essencial para agir com o Espírito Santo: acreditar que Jesus não é só um modelo, alguém que teria agido outrora e que deveríamos imitar agora. Acreditar que ele age hoje no mundo e na sua Igreja. Buscar se ajustar ao que ele quer nos fazer descobrir de novo, saber ver onde ele nos espera, agir com a sua força e não a nossa.

2.2       Ter consciência que Deus faz novidade e espera novidade da nossa parte

A fidelidade ao Espírito Santo provoca a seguir Jesus Cristo que faz novidade hoje, porque o mundo está mudando, porque Cristo ele mesmo nos arrasta sempre mais longe. Ser fiel a Jesus Cristo não é repetir o que sempre tínhamos feito na forma onde o sempre fizemos.

Aqui, Pedro acolhe o fato de não estar mais na situação de se encontrar só entre judeus em Cafarnaum ou em Jerusalém. Ele toma conta da chamada que ele sente a levar a Boa Nova aos confins da terra o que provocará necessariamente adaptações a situações novas, formas novas no jeito de responder fielmente a chamada de Deus.

2.3       Um discernimento que se inscreve numa história para fazer do novo hoje

Quando Pedro exclama-se: “Deus acaba de mostrar-me…”, ele testemunha que alguma coisa de novo aconteceu e que ele toma consciência disso neste instante. Mas esta novidade inscreve-se numa história: já faz um momento que Jesus está formando Pedro, preparando-o a esta tomada de consciência.

Esta preparação fez-se através da formação religiosa recebida na sua família, à abertura a um Deus “Todo Outro”, à espera dum Messias, mas também à atenção para ficar puro e viver toda a sua vida na abertura ao Deus Criador, ao Deus da Promessa.

Esta preparação perseguiu-se no caminho com Cristo, a partir da chamada transmitida pelo André na beira do lago[6], até o dom do Espírito Santo na Pentecostes[7], passando pela escuta da sua pregação, o fato de ser testemunha dos sinais realizados por Jesus. Com os outros discípulos, Pedro recebeu uma formação particular sobre as parábolas[8]

Teve dificuldades em compreender tudo, em particular teve dificuldades em compreender as parábolas sobre o puro e o impuro[9]. Viu Jesus entrar em contato com pessoas consideradas impuras e demorar na casa delas[10]. Todo este itinerário, toda esta formação o tinham amadurecido e intervêm nesta tomada de consciência:

“Mas Deus acaba de mostrar-me que a nenhum homem se deve chamar de profano ou impuro.”

É fazendo a releitura de toda a nossa história pessoal e eclesial, como animada por Cristo que quer nos dirigir, nos formar, que poderemos fazer novidade com o Espírito Santo.

2.4       Agir com o Espírito Santo não é reservado a extraterrestres ou campeões

Ainda que tivesse a sorte de ter vivido com Jesus, Pedro teve dificuldades em compreender Jesus e segui-lo. Ele foi até renegá-lo. Fez também a experiência da oração de Cristo para que, “uma vez regressado, confirmasse os seus irmãos”[11]. « Fazer com o Espírito Santo » não é reservado a campeões ou pessoas perfeitas. É o caminho oferecido àquele que se deixa encontrar por Cristo na sua fraqueza, que aceita cair para ser levantado. Não é um caminho para privilegiados de há 2000 anos. Para eles também, a estrada não era evidente. É um caminho que nos é proposto a nós, os discípulos de hoje.

2.5       Trabalhar em conhecer Jesus Cristo na Escritura para agir com o Espírito Santo

O que vai permitir a Pedro de « fazer com o Espírito Santo », de compreender o que Jesus espera dele neste encontro com Cornélio, é a forte intimidade que tem com Jesus, todo o caminho feito com ele, o conhecimento que ele tem também da Bíblia.

Não sonhemos de ter conosco o espírito de alguém, se passamos nenhum tempo com ele para o conhecer. É toda a importância da chamada repetida do nosso precedente bispo de Créteil:

“Pleiteio para nós voltarmos ao Evangelho,

Ao Evangelho todo simples,

Lido, lido de novo, meditado, rezado, partilhado, vivido,

Pessoalmente e juntos,

Constantemente.[12]

Para aquele que quer « fazer com o Espírito Santo » encontramos de novo aqui toda a importância, do tempo dedicado em ler o Evangelho, das equipes de partilha do Evangelho na medida onde olhamos também como o Evangelho esclarece a nossa vida, das equipes de revisão de vida na medida onde se toma tempo para acolher a palavra de Deus para ela mesma.

2.6       Estar à missão recebida

Quando Pedro faz a experiência deste êxtase, quando surge este encontro que lhe provoca a dizer: “Deus acaba de mostrar-me”, se vê que ele está à missão recebida: “Ir proclamar em todos os lugares que esse Messias que foi crucificado, Deus o ressuscitou, o fez Senhor e Cristo”.[13] Se constata que não está ao aconchego da sua casa, mas que está se deslocando sempre[14] para anunciar a Boa Nova e que faz de novo os gestos de Cristo. Aqui, se encontra em Jope onde veio porque foi chamado por cristãos para ressuscitar uma mulher que era discípula e se chamava Tabhitha.[15]

Mesmo se o Espírito Santo sempre nos surpreende, não sonhemos demais receber as suas chamadas se nós não ficarmos à missão recebida na Igreja e no mundo.

2.7       Rezar para se abrir ao Espírito Santo

Pedro é cheio da preocupação da missão, do envio de Cristo:

“Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos!” [16]

Está preocupado com a questão do anúncio aos que não são Judeus. Já está morando na casa dum curtidor, um artesão que trabalha o couro e que, já, tem uma profissão considerada como impura.

Seguindo Jesus, ele toma o tempo de parar, rezar, e é durante esta oração que acontece o êxtase, que esta convicção se impõe a ele, sem ele perceber imediatamente toda a alcança:

“Ao que Deus purificou, não chames tu de profano!” [17]

2.8       Responder imediatamente e dia após dia à chamada recebida

“Eis dois homens que estão a tua procura. Desce, pois, e vai com eles imediatamente, porque fui eu que os enviei.”[18]

« Fazer com o Espírito Santo », é responder “imediatamente”, sem diferir a resposta, sem colocar prévio.

No entanto, para bem compreender esta indicação que pode parecer irrealizável, é bom distinguir a decisão de fundo de responder, uma decisão que não pode ser diferida, e a forma que tomará a empregada em obra desta decisão, o tempo que será preciso para inscrevê-la na realidade, para ancorar-se e afinar-se.

No Evangelho, se encontra esta mesma insistência sobre o imediato da resposta à chamada de Deus:

“Deixando imediatamente as redes, eles o seguiram” [19]

Isso pode nos parecer insensato e irrealizável. Mas, se olharmos bem o Evangelho, se vê que os apóstolos estão regularmente com as barcas, e isso, até a ressurreição de Cristo, prova que não deixaram tudo duma vez, o que for irresponsável e desencarnado. Porém, quando fazem a releitura da sua vida, têm consciência de se terem encontrados na situação de se decidirem “imediatamente” em seguir Cristo sobre um olhar, sobre uma palavra.

« Fazer com o Espírito de Deus », é não diferir a decisão de fundo de responder positivamente às chamadas percebidas e trabalhar em inscrever esta resposta dia após dia na realidade:

“Se Alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me.” [20]

Esta frase pode nos assustar… Ela pode também nos tranqüilizar: não se age de dar tudo numa vez; se age de dar um pouco de nós mesmos cada dia… não é irrealizável.

2.9       Estar aberto aos acontecimentos

Preparado pelo caminho feito com Jesus, vivendo a missão recebida, aberto ao Espírito pela oração, tendo recebido uma luz, Pedro vai acolher, neste acontecimento deste encontro, uma mensagem do Espírito. Este discernimento não vai ser imediato, tal como o veremos. Mas, neste acontecimento, Pedro está disposto a se abrir ao que o Espírito faz. Quando ele sai para a casa de Cornélio, não sabe o que vai acontecer, o que deverá fazer, dizer, mas parte disposto a escutar a chamada do Espírito Santo.

2.10     Acolher os homens como pessoas enviadas por Deus. Aceitar caminhar com elas, se deixar desviar por elas, morar com elas

Quando Pedro acolhe os enviados de Cornélio, não os acolhe como pessoas que o incomodam mas como pessoas enviadas por Deus.

Teria pois bastante razões de as receber como pessoas que o incomodam:

–     estava rezando;

–     vai ser a hora do almoço e não do acolhimento paroquial;

–     são estrangeiros, enviados por um pagão, alguém que ocupa o seu país;

–     Cornélio não é pobre… não entra na sua atenção prioritária aos mais pobres…

–     não entram no quadro que teria previsto, não vêm num encontro ao qual os teria convidados ou pedir um serviço habitual: não têm vergonha de pedir a Pedro de os seguir para uma cidade que se encontra à dois dias de marcha.

E aí que Pedro os acolhe, que ele aceita os receber, caminhar com eles, se deixar conduzir, ir demorar na casa de Cornélio. Ali, escuta Cornélio contar a sua história, a história de Deus com ele.

Acolher o outro pensando que ele nos é enviado por Deus hoje, correr o risco de caminhar com ele sem ficar exterior, acolhê-lo a partir do que ele diz da sua busca de Deus e não a partir de seus limites, acolhê-lo mesmo quando sua busca é “fora do quadro” em relação com os nossos critérios, o que não significa que vamos responder ao seu pedido sem discernimento, são tantos pontos de referência para « fazer com o Espírito de Deus » e deixar-se surpreender pela novidade que Deus quer nos fazer descobrir.

2.11     Reler e discernir

Depois de ter sentido este êxtase, depois de ter aceitado seguir os enviados de Cornélio e escutado a sua história, o seu pedido à luz do que ele conhece de Jesus, da sua mensagem, Pedro relê este acontecimento, o interpreta e toma uma decisão:

“Dou-me conta em verdade, de que Deus não faz acepção de pessoas, mas que, em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça lhe é agradável.” [21]

O que toca, é a maneira de Pedro de reler este encontro à luz da Palavra que o habita. Se percebe aí a importância do estudo do Evangelho regular e não só sobre uma pergunta precisa para se dispor em « fazer com o Espírito de Deus ». Se constata também que a maneira de Pedro de compreender este acontecimento, este encontro, é de o situar no plano da salvação de Deus. « Fazer com o Espírito de Deus », é situar-se constantemente em relação com o plano de salvação de Deus, com o que fez outrora, o que ele está fazendo hoje, o que ele fará amanhã quando nos tomará com ele no seu reino.

Quando se percebe tudo o debate interior que anima Pedro, quando se relê o que ele conta à comunidade cristã, que se lembra dos debates da primeira comunidade cristã no momento do Encontro de Jerusalém para refletir à prática de Paulo, se vê claramente que « fazer com o Espírito de Deus » não é sinônimo de fazer “sem quadro” e sem tomar em conta as regras religiosas. Não esqueçamos que estas regras têm uma função positiva essencial: permitir à comunidade crente de não perder a fé no meio dos deuses pagãos. Pedro toma uma decisão se deixando empurrar pelo acontecimento mas referindo-se à estas regras compreendidas no seu espírito, a luz da palavra de Jesus e com uma verificação em Igreja do que foi decidido.

2.12 Discernir tomando em conta os sentimentos humanos

Nos elementos que intervêm no discernimento de Pedro, se faz várias vezes alusão aos sentimentos interiores de Pedro:

–     “Desce e vai com eles sem hesitação…” [22]

–        “Por isso, vim sem história, logo que chamado…” [23]

–     A experiência também do Espírito Santo que “cai” sobre a assembléia testemunha dum certo ressentido físico e psicológico; nos encontramos em sentimentos da mesma ordem do que o coração queimando dos discípulos d’Emaüs.

Esta atenção aos sentimentos que nos animam é um elemento importante deste discernimento para « fazer com o Espírito de Deus », mas a condição de ter uma atenção aos elementos mais objetivos evocados antes.

2.13 Não se situar como proprietário do Espírito Santo

Deixando-se conduzir pelo Espírito Santo, Pedro descobre que o Espírito Santo não lhe pertence, que o precedeu no coração de Cornélio, que é a obra bem a fora do círculo dos que acreditam e são reconhecidos como tais.

“Poderia alguém recusar a água do batismo para estes, que receberam o Espírito Santo assim como nós?” [24]

2.14 Verificar em Igreja

Pedro tomou uma decisão. Todo o capítulo 11 nos dá a narração da verificação na Igreja da decisão tomada. Se nota que, o que dá a Pedro de provocar a adesão dos discípulos, não foi um exposto de teorias complexas, mas foi o fato de contar o que aconteceu e de colocar os irmãos diante do que Deus fez, diante do seu próprio caminho de conversão. E todos tranqüilizaram-se e glorificaram a Deus.[25]

Isso confirma a importância dos tempos de releitura em Igreja onde cada um diz o que ele percebeu da obra de Deus e das conversões que isso provocou nele.

3. « Fazer com o Espírito de Deus »… Um combate que nunca é ganho

Se age duma tensão permanente, sabendo que não possuímos o Espírito de Deus, que somos pecadores e vivemos dele de maneira incompleta:

“Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido.”[26]

Agir com o Espírito Santo nunca é adquirido uma vez por todas. Se São Pedro descobriu que Deus não é parcial, que é Deus de todos os homens, nós o veremos depois voltar atrás e ser fortemente interpelado por São Paulo porque ele reduz o dom de Deus e exclui os não-Judeus, ou não come carnes consideradas impuras pelos Judeus. [27]

« Fazer com o Espírito de Deus » não é também uma receita pronta. Não basta ter tomado uma vez a decisão de ultrapassar as prescrições da Lei num caso particular e reproduzir sem outra reflexão esta decisão noutras situações. É para cada nova decisão que será preciso trabalhar para « fazer com o Espírito de Deus », eventualmente através duma prática diferente. É assim que São Paulo, que defendia portanto a liberdade em relação com as antigas prescrições da Lei, convidará os Coríntios a saber evitar as carnes impuras para não se tornarem ocasião de queda para outros. [28]

4. Uma preocupação primordial: crer que Deus age e querer não o impedir de agir

“Portanto, se Deus lhes concedeu o mesmo dom que a nós que cremos no Senhor Jesus Cristo, quem seria eu para poder impedir a Deus de agir?[29]

Agir com o Espírito Santo é fruto de todo um processo, alguma coisa que nunca possuímos e que implica como critério decisivo de não impedir Deus de agir. Se age da orientação de toda uma vida. Há todo um trabalho a fazer para se deixar formar, se dispor à ação do Espírito Santo.

Bruno Cadart,
Páscoa de 2006


Se deixar conduzir pelo Espírito Santo à escola de Paulo

1. A conversão de Paulo sobre a estrada de Damasco (At 8,; 9,1-30)[30]

1. 1 Um acontecimento inesperado mas que ocorre num homem preparado apesar de tudo

Incrível escolha de Deus que vem encontrar aquele que perseguia os cristãos! Podemos notar que o chamado de Deus vem tocar um homem que não era só um perseguidor: era um pesquisador de Deus. Assim como para cada um de nós, é o melhor dele, esta pesquisa de Deus, que se encontra marcada pelo pecado o mais radical, o recuso de Cristo, o recuso de se deixar conduzir, de entrar na sua luz.

Qual é este melhor de nós que Cristo queria tomar na toda a sua luz, converter?

1.2 Uma inversão

1.2.1 Paulo, antes do encontro com Cristo na estrada de Damasco

Paulo é primeiro testemunha passivo do martírio de Estevão[31] que ele aprovou[32]. Ele vai se tornar dirigente de perseguições.

É ao seu pedido que se encontra em missão para Damasco. É dos homens que tem o seu poder e se apoia sobre uma tropa armada.[33] É ele que dirige o seu barco. Ele se encontra sobre a sua própria estrada.

Ele exerce a sua missão para os Judeus da sinagoga que cairiam no que aparece ao Paulo como uma heresia. Paulo tem ideia bem clara de que é a justa religião. É certo com ele próprio. Sabe quem é Deus e quem não é. Impõe a sua visão pela força.

Paulo “respira ameaças de morte contra os discípulos de Cristo”.

1.2.2 Paulo no momento do encontro de Cristo na estrada de Damasco e no momento da imposição das mãos pelo Ananias:

É neste caminho de ódio, de certeza, que ele vai ser desviado, que ele vai perder o domínio dos acontecimentos, para testemunhar, mais tarde, que o que carateriza uma vida com o Espírito de Deus, não é ódio, mas amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio.” (Ga 5,22-23)

Paulo é encontrado por Cristo no momento mais inesperado. Ele se encontra em frente duma luz que não vem mais dele, mas do céu. Fica totalmente embrulhado por uma luz que vem do céu, que evoca a coluna luminosa do Êxodo. Encontrar o Ressuscitado, já é passar da sua própria luz à luz de Deus, se deixar totalmente tomar por esta luz. Antônio Chevrier fala de renunciar ao seu espírito.

Saulo cai no chão. Se encontra na posição daquele que não sabe nada, daquele que nunca acabará com esta pergunta que fica a pergunta da vida de todo aquele que acredita[34]:

“Quem és-tu, Senhor?”

Ele descobre que, em vez de servir Deus, estava perseguindo-lO:

“Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo”

Não vê mais nada, se encontra na escuridão e tem de se deixar conduzir pela mão, tal como uma criança. É provocado à uma experiência de oração.

Vive também uma experiência de ressurreição, e não só de encontro do Ressuscitado, assim como testemunham as expressões: “levanta-te” (verbo que exprime a ressurreição) “três dias sem ver, sem comer nem beber…” (Cf. Experiência dos três dias de Jesus no túmulo antes de ressuscitar)

  • Guardo para mim esta questão: Como encontrar o Ressuscitado sem aceitar de ter de cair para ser erguido?
  • Guardo esta questão para a nossa Igreja de França: como compreender este período de mutação tão forte, de empobrecimento como um caminho obrigatório do encontro do Ressuscitado? (guardo esta reflexão que fazia na França deixando vocês adaptar para o Brasil)

“E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (Jo 12,32)

  • É o Crucificado que ele encontra: “Eu sou Jesus, a quem tu estás perseguindo”… Porque Cristo pode só manifestar o seu amor, o amor do Pai, fazendo-se radicalmente pobre?
  • Por que não podemos ter outro caminho que de ser conduzido à pobreza radical no encontro de Cristo e no anúncio de Cristo?

Paulo faz ao mesmo tempo a experiência de ser iluminado e de se descobrir cego, de precisar recuperar a vista (cf. Jesus na sinagoga: o Espírito Santo está sobre mim para… Lc 4,18-19)

1.2.3 Paulo, depois de ter encontrado Cristo na estrada de Damasco:
  • É ao mesmo tempo totalmente diferente (discípulo de Cristo, perseguido, dando a sua vida para o anúncio da ressurreição de Cristo) e o mesmo (o seu caráter, as suas qualidades, capacidades, não foram modificadas no fundo; mas tudo foi reorientado)
  • Fica ferido pelo pecado (o espinho na carne[35], a divisão com Barnabé[36], o mal que não queria fazer e que ele faz…) e ele tem a consciência que um outro está vivendo nele: “e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim” (Gal 2,20)
  • Ele parece forte, e lhe acontece de duvidar, de ter mesmo a sentença de morte nele[37], de estar cansadíssimo… e ele faz a experiência que a força vem dum Outro.

Paulo recebe uma nova missão que não pediu, para a qual ele não tem autoridade vinda dos homens, que parece em contradição com o seu comportamento anterior, que não é só para os Judeus mas para todas as nações.

Ele deve receber a sua missão não do seu nascimento ou da sua obediência à Lei, mas do seu encontro pessoal com Cristo, do dom do batismo, o mergulho na morte e ressurreição de Cristo, o fato ter sido escolhido, de se ter deixado erguido depois de ter caído.

Não recebe a missão dos homens, mas a chamada de Deus passa pelos homens, pelos sacramentos: os companheiros de arma conduzem-lo pela mão, Ananias acolhe-lo e batiza-lo, Barnabé introduze-lo na presença dos apóstolos, os apóstolos aceitam ele ir com eles, os irmãos conduzem-lo a Cesaréia para ele escapar à perseguição; o dom do batismo, a imposição das mãos e o dom do Espírito.

Não é um “funcionário” que cumpre a sua função, uma função atribuída só pelos homens. É um homem que encontrou Cristo, que encontra-lO, que trabalha em se deixar guiar por Ele, a colaborar com o que Ele faz aqui e agora com ele, noutros.

Mais tarde, receberá “cartas escritas pelo Espírito de Deus no seu coração de apóstolo”.[38]

Ele deve entrar na escolha de Deus:

“Este homem é para mim um instrumento de escol para levar o meu nome diante das nações pagãs, dos reis, e dos filhos de Israel. Eu mesmo lhe mostrarei quanto lhe é preciso sofrer em favor do meu nome.” (At 9,15-16)

Perseguia… será perseguido, terá de sofrer pelo nome de Jesus.[39] Combatia… terá de mudar de armas.[40]

A experiência que fez tem uma dimensão universal (é para a salvação de todas as nações), e é singular: na estrada de Damasco, é chamado pelo seu nome num diálogo com Deus ao qual os seus companheiros ficam estrangeiros.

Encontramos na experiência de Paulo uma semelhança com o caminho de Moisés:

  • Tal como ele, tive de entrar na maneira de Deus de ver e de libertar o seu povo.
  • Tal come ele, fiz a experiência desta iluminação[41], deste dom do Espírito, deste encontro com Deus;
  • Tal como ele, entrou em diálogo com “EU SOU”.
  • Tal como ele, experimentou o fome, a sede, recebeu de maneira nova a Torah para guiar o povo para a Terra Prometida.
  • Encontrar-se-á na mesma dificuldade para que os aos quais estava enviado reconhecerem a autenticidade da aparição que ele teve, a dificuldade também daquele que não sabe falar[42]; terá também a lutar contra os murmúrios do povo que sempre quer voltar para a escravidão não mais dos Egitos, mas da lei, em vez de ir para a libertação pela cruz de Cristo.

Encontramos sobretudo uma identificação muito forte à pessoa de Cristo. Ele cai no chão antes de ser erguido, se encontra na escuridão antes de recuperar a vista pela imposição das mãos e pelo batismo. Conhecerá a perseguição. Com muita pressa, deverá escapar às conspirações dos Judeus contra ele.[43] Observamos com força esta identificação no adeus aos anciãos de Efesus.[44] Se fala da “subida de Paulo para Jerusalém”. Há o anúncio da sua morte, o recuso dos que ele evangelizou de o ver partir, a sua decisão de ir a Jerusalém tal como Jesus que toma resolutamente a estrada para Jerusalém[45]: “Que estais fazendo chorando e afligindo o meu coração? Pois estou pronto, não somente a ser preso, mas até a morrer em Jerusalém, pelo nome do Senhor Jesus”.[46] A multidão reclamará a sua morte[47].

Encontramos constantes do caminho do discípulo que deve aceitar ser escolhido, conduzido por um outro[48], apascentar as ovelhas, entrar numa ligação de amor total com o Mestre, segui-lO até a cruz.

1.2.4 O que aconteceu realmente?

Notamos a dificuldade de Paulo em dar conta da experiência que fez. Aqui se encontra o convite a não se fazer imagem precisa de mais de todos os fenômenos milagrosos na Bíblia, em particular de todas as aparições.

Uma coisa é certa: aconteceu alguma coisa tão real e tão forte que a sua vida foi transformada. Antes, perseguia Jesus; depois, é perseguido para Ele. Mas, quando tente de dizer o que aconteceu exatamente, se torna bem incapaz. Podemos dar conta das consequências numa pessoa dum experiência particular, mas não da realidade desta experiência.

Assim, ele escreve:

“Todavia mencionarei as visões e revelações do Senhor. Conheço um homem em Cristo que, há quatorze anos, foi arrebatado ao terceiro céu – se em seu corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe! E sei que esse homem – se no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus o sabe! – foi arrebatado até o paraíso e ouviu palavras inefáveis, que não é lícito ao homem repetir.”[49]

Esta dificuldade para contar o que aconteceu de maneira objetiva encontra-se ainda nas contradições entre as diversas narrações da conversão de Paulo: no início dos Atos, nos é dito que os companheiros de Paulo na estrada de Damasco ouvem a voz mas não vêm nada[50], enquanto, na narração de Paulo no Sinédrio de Jerusalém, ele diz que os seus companheiros vêm a luz mas não ouvem a vos que lhe falava.[51]

1.3 Paulo encontra o Ressuscitado no seu corpo que é a Igreja

Paulo encontrou o Ressuscitado de maneira pessoal na estrada de Damasco. Ele deve ainda encontrá-lO no seu corpo que é a Igreja. Era, pois, este mesmo Ressuscitado que ele perseguia no seu corpo que é a Igreja. Haverá Ananias, o batismo, a apresentação por Barnabé, o encontro da Igreja de Jerusalém.

Paulo precisa d’Ananias, um homem que teve dificuldades para aceitar a missão que Deus lhe confia para recuperar a vista. A sua experiência do encontro do Ressuscitado vai se apoiar sobre a do Ananias:

“O Senhor disse a Ananias em visão: ‘Ananias!’ Ele respondeu: ‘Estou aqui, Senhor!”

As nossas experiências do encontro do Ressuscitado respondem-se e nutrem-se umas às outras, como os discípulos d’Emaüs que se dizem um pelo outro: “Não ardia o nosso coração…” (Lc 24,32) e eles correram partilhar com os apóstolos a Jerusalém.

Como em todas as narrações de vocação, achamos o “aqui estou!” de Ananias que abre um caminho. Ananias dirá depois a sua surpresa sobre a escolha de Deus mas se deixará conduzir. (At 9,11-17)

Aqui vemos a conversão forte que vive Ananias: encontrar pessoalmente o Ressuscitado no seu coração, e, depois, na escuta do que Deus fez na vida de Saulo, torna-lo irmão e servidor deste Saulo: “Saulo, meu irmão…”

  • O que acontecer
  • Se Ananias não tinha respondido à chamada de Cristo, se se tinha deixado mexer porque Paulo não correspondia de maneira nenhuma as suas esquemas?
  • Se não tinha escutado a narração de Saulo?
  • Se não tinha anunciado a palavra, o que podemos supor ele ter feito?
  • Se não tinha feito a imposição das mãos, ficando num acompanhamento psicológico?

Podemos notar a insistência de Jesus: “Não se contenta de ter aparecido a Saulo na estrada para Damasco; aparece-lhe de novo em visão enquanto, de noite, está rezando. (At 9,12) Abre ainda Saulo à sua luz quando Ananias lhe impõe as mãos. Escamas caiam, como uma cebola, várias escamas a tirar progressivamente, como se nunca se acaba a necessidade de perder escamas para ver claramente.

O critério de acolhimento pela comunidade da autenticidade da sua fé, é primeiro a chamada percebida por Ananias, segundo, de ver Saulo falar com autoridade de Jesus como sendo o Messias.[52]

Mais tarde, ele dirá: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim.”[53]

2. Outros encontros do Ressuscitado na vida de Saulo

Desde a primeira aparição, Paulo recebe a promessa de outros encontros:

“Mas, levanta-te e fica firme em pé, porque este é o motivo por que te apareci: para constituir-te servo e testemunha da visão na qual me viste e daquelas nas quais ainda ter aparecerei.”[54]

Encontramos o caminho de outras pessoas que acreditaram, o do primeiro deles, Abraão: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei.” (Gn 12,1)

Age-se, pois, a partir dum primeiro encontro que guardamos em memória, de estar totalmente atento pelos encontros a seguir, totalmente preocupado em se deixar guiar. Age-se de andar na presença dum Vivo que continua agindo, à escuta da sua palavra, do que Ele nos indica. Age-se adiantar pronto em acolher a novidade que ele faz.

Não é fácil distinguir a experiência do encontro do Ressuscitado e da intervenção do Espírito Santo ou dum mensageiro de Deus. Encontraremos aí os diversos encontros do Ressuscitado ou intervenções divinas que Paulo menciona.

Anunciar a fé não é repetir bela teoria É necessariamente dar conta duma experiência pessoal do encontro do Ressuscitado, é testemunhar de como vejamos homens e mulheres que hoje encontram o Ressuscitado. É ajudá-los em entrar neste encontro, favorecer as condições deste encontro, ajudá-los para interpretar o que lhes acontece.

É frequente dizer que os catecismos não são adaptados, que é preciso inventar outra coisa. Mas, tal como o Padre Chevrier o dizia, o único catecismo que vale, é uma pessoa que se deixa realmente encontrar por Cristo e que testemunha deste encontro.

2.1 Êxtase no templo para deixar Jerusalém e ir a Tarso[55]

A primeira marca dum encontro de Paulo com o Ressuscitado depois do encontro na estrada de Damasco acontece no templo de Jerusalém:

Depois, tendo voltado a Jerusalém, e orando no Templo, sucedeu-me entrar em êxtase. E vi o Senhor que me dizia: “Apressa-te, sai logo de Jerusalém, porque não acolherão o teu testemunho a meu respeito.” Retruquei então: “Mas Senhor, eles sabem que era eu quem andava prendendo e vergastando, de sinagoga em sinagoga, os que criam em ti. E quando derramavam o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu próprio estava presente, apoiando aqueles que o matavam, e mesmo guardando suas vestes.” Ele, contudo, me disse: “Vai, porque é para os gentios, para longe, que eu quero enviar-te”. (At 22,17-21)

Esta êxtase no Templo corresponda, na sua primeira parte, à Isaías 6, na sua última frase, à Jeremias 1. É raro ver esta aparição do Senhor citada. Portanto, é muito significativa e faz aparecer a vocação de Paulo como sendo a síntese da vocação dos dois profetas. Isso foi significado ao Paulo por Cristo que mora no Templo como o verdadeiro Deus.[56]

Lendo estas revelações, podemos acolhê-las para nós.

2.2 Em Antioquia, experiência na oração e no jejum do envio em missão pelo Ressuscitado[57]

“Celebrando eles a liturgia em honra do Senhor e jejuando, disse-lhes o Espírito Santo: “Separai para mim Barnabé e Saulo, para a obra à qual os destinei.”Então, depois de terem jejuado e orado, impuseram-lhes as mãos e despediram-nos. Enviados, pois, pelo Espírito Santo, eles desceram até Selêucia, de onde navegaram para Chipre.”

2.3 Na Ásia e na Bitínia, o Espírito Santo os impediu ir em certos lugares[58]

2.4 Em Trôade, visão dum macedônio chamando ao socorro[59]

Ora, durante a noite, sobreveio a Paulo uma visão. Um macedônio de pé diante dele, fazia-lhe este pedido: “Vem para a Macedônia, e ajuda-nos!” Logo após a visão, procuramos partir para a Macedônia, persuadidos de que Deus nos chamava para anunciar-lhes a Boa Nova.”

2.5 Em Filipe, o terremoto e a libertação milagrosa da prisão enquanto estavam rezando cantando[60]

2.6 Em Atena, a inflamação dentro de Paulo a vista da cidade cheia de ídolos[61]

2.8 Em Corinto, a visão de noite e a chamada a continuar a falar, a não se calar[62]

“Não temas. Continua a falar e não te cales. Eu estou contigo, e ninguém porá a mão sobre ti para fazer-te mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade.”

2.9 Em Mileto, no discurso de adeus aos anciões de Éfeso[63]

“Agora, acorrentado pelo Espírito, dirijo-me a Jerusalém, sem saber o que lá me sucederá. Senão que, de cidade em cidade, o Espírito Santo me adverte dizendo que me aguardam cadeias e tribulações. Mas de forma alguma considero minha vida preciosa a mim mesmo, contanto que leve a bom termo a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus: dar testemunho do Evangelho da graça de Deus.”

2.10 Em Jerusalém, depois Paulo ter testemunhado da sua fé na ressurreição de Cristo diante do Sinédrio, o Senhor lhe dá coragem[64]

Na noite seguinte, aproximou-se dele o Senhor e lhe disse: “Tem confiança! Assim como deste testemunho de mim em Jerusalém, é preciso que testemunhes também em Roma.”

2.11 No barco, na tempestade, um anjo lhe aparece[65]

“Este noite apareceu-me um anjo do Deus ao qual pertenço e a quem adoro, o qual me disse: “Não temas, Paulo. Tu deves comparecer perante César, e Deus te concede a vida de todos os que navegam contigo. Por isso, reanimai-vos amigos! Confio em Deus que as coisas ocorrerão segundo me foi dito.”

2.12 O aguilhão na carne[66]

“Já que essas revelações eram extraordinárias, para eu não me encher de soberba, foi-me dado um aguilhão na carne, um anjo de Satanás para me espancar, a fim de que eu não me encha de soberba. A esse respeito, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Respondeu-me, porém: “Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder.”

 

[1] Este estudo do Evangelho foi redigido para a revista do Prado do Brasil

[2]      Cf « Verdadeiro Discípulo » p. 205-234

[3]      At 1,8

[4]      At 10,28

[5]      At 11,17

[6]      Jo 1,41

[7]      At 2

[8]      Mc 4,34

[9]      Mc 7,14-23 Depois que os fariseus tinham atacado Jesus porque os seus discípulos não se tinham bem purificados, Jesus disse: “Nada há no exterior do homem que, penetrando nele, o possa tornar impuro; mas o que sai do homem, isso é o que o torna impuro.” E, quando ao deixar a multidão, entrou numa casa, seus discípulos o interrogaram sobre a parábola enigmática.

[10]    Zaqueu, o centurião romano, a mulher adultera, as pessoas com demônios, os leprosos e tantas outras pessoas.

[11]    Lc 22,32

[12]    François FRETELLIERE, « A la croisée des chemins », 8/12/1985, supplément à Cap 94 n°275, 8/9/1997, p.12

[13]    At 2,23,24,32

[14]    At 9,32

[15]    At 9,36-43

[16]    Mt 28,19-20

[17]    At 10,15

[18]    At 10,19-20

[19]    Mc 1,18

[20]    Lc 9,23

[21]    At 10,34-35

[22]    At 10,20 et 11,12

[23]    At 10,29

[24]    At 10,47

[25]    At 11,18

[26]    1 Coríntios 13,12

[27]    Galatas 2,11-14

[28]    1 Coríntios 8,9

[29]    At 11,17

[30]    Este encontro está contada por Paulo em Atos dos Apóstolos 22,1-21 e 26,1-32. Saulo evoca várias vezes este encontro nas cartas, em particular quando se encontra em dificuldades.

[31]    At 7,58

[32]    At 8,1

[33]    At  9,; 9,14.

[34]    1 Cor 13,12 : “Agora, vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora, o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido.”

[35]    2 Cor 12,7

[36]    At 15,36-39

[37]    2 Cor 1,9

[38]    2 Cor 3,1-4.

[39]    At 9,3-19.

[40]    2 Cor 10,3-4; Ef 6,10-20.

[41]    At 9,; 2 Cor 2,6-18; 2 Cor 4,3-6.

[42]    2 Cor 10,10 ; 2 Cor 11,6 ; At 20,9.

[43]    At 9,23-25.

[44]    At 20,18-38.

[45]    Lc 9,51.

[46]    At 21,13.

[47]    At 21,36.

[48]    Jo 21,15-19.

[49]    2 Cor 12,1-4.

[50]    At 9,7.

[51]    At 22,9

[52]    At 9,22 ; 9,27

[53]    Gal 2,20

[54]    At 26,16.

[55]    At 22,17

[56]    Nota do Padre Pedro BERTHELON, que foi responsável geral do Prado

[57]    At 13,2-4

[58]    At 16,6-7

[59]    At 16,9-10.

[60]    At 16,25-26

[61]    At 17,16

[62]    At 18,9

[63]    At 20,22-24

[64]    At 23,11

[65]    At 27,23-25

[66]    2 Cor 12,7-9

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