Cartas do Padre Chevrier (fundador da Associação de padres diocesanos do Prado)

À Senhora Anita Fréchet (Tia) 28

À Senhora … (Prima) 28

Ao Senhor Chevrier (Tio) 29

Ao Senhor Chevrier (Pai) 29

Ao Senhor Thévenon-Peigner 30

À Senhora Chevrier (Mãe) 30

Ao Senhor Francisco Convert 33

À senhora Genoux. 38

Ao senhor Paulo du Bourg. 39

Ao senhor Camilo Rambaud. 40

À Senhora… (Tour du Pin) 52

Ao Padre Freyd, Reitor do Seminário Francês, em Roma. 54

Ao Senhor Padre Bernerd. 54

Ao Padre Gourdon. 67

Ao Senhor…… 71

Ao Senhor…… 72

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 73

Ao Senhor Padre Martinet 81

Ao Senhor Padre Dutel 82

Ao grupo dos quatro seminaristas: Broche, Delorme, Duret, Farissier 83

Ao Senhor Padre Ardaine. 114

Ao Senhor Padre…… 115

Ao Senhor Padre Favier 116

A Maurício Daspres e Leão Ferrat, Seminaristas. 116

A Wilhelm Antoni 123

Ao Senhor Padre Marcoux. 124

A… Seminarista. 125

A…    125

A João Cláudio Jaricot Padre. 125

Aos quatro primeiros Padres do Prado : Broche, Delorme, Duret, Farissier 135

Às autoridades eclesiásticas. 141

À Irmã Maria. 145

À Irmã Verônica. 148

À Irmã Teresa Brun. 156

À Irmã Clara. 162

À Irmã Gabriela. 183

À Irmã Isabel 186

À Irmã Hyacinthe. 186

Á Senhora Maria Tripier 187

Às meninas da Primeira Comunhão. 187

À Família Velly. 202

À Senhora Franchet 203

À Senhora Maria…… 231

À Irmã Serafina, Religiosa da Visitação. 232

À Senhora Perraud. 234

À Senhora Grivet 238

À Senhora Tamisier 253

À Senhora de Marguerie. 258

À Senhora Roche. 272

À Senhora Mathieu. 273

À Senhora Fournet 274

À Senhora Guillet 275

À Irmã Maria de São Rafael 275

À Senhora Balmon Ferrière. 276

À Senhora Chambard. 276

À Senhora Gauthier (Senhora Chion) 278

À Senhora…… 278

À Senhora…… 280

À Senhora…… 280

Conselhos breves. 281

Providência do Prado   Obra das Primeiras Comunhões. 284

Ao Senhor Sellier 285

Ao Senhor e Senhora Hallot 285

À Família d’Avout 289

Ao Senhor Revol 291

Ao Senhor e Senhora Servan. 291

Ao Senhor e Senhora Dorier 292

Ao Doutor Dubuisson-Christol 294

À Senhora Félissent 294

À Senhora Legendre. 295

Ao Senhor Ramel 295

Ao Senhor Estêvão Lamy, deputado do Jura. 295

À Senhora Crouzier 297

Ao Senhor Vial 298

À Senhora de Foulquier 298

À família de Murard. 299

Às Senhoras Dussigne. 300

À Senhora Rousset 301

À Irmã…… 302

À Senhora…… 302

À Senhora…… 302

Ao Senhor…… 303

Ao Senhor Jannez. 303

À Senhora Cartier 304

À Senhora Chaine. 304

Ao Doutor Levrat 304

À Senhora…… 305

Beato Antônio Chevrier (1826-1879), padre da diocese de Lyon, fundador do Prado.

No fim de maio de 1850, recém-ordenado padre, atravessou a ponte da Guillotière, a caminho de Santo André, paróquia dos arredores de Lyon a que tinha sido enviado como coadjutor.

Na noite de Natal de 1856, ao meditar no mistério da Encarnação, recebeu luzes que determinariam a orientação da sua vida e do seu ministério no meio dos pobres.

Sentiu-se chamado a unir-se a outros e, mais tarde, a formar colaboradores que tivessem a mesma vocação de participar, pelo Espírito de Deus, na consagração e missão de Jesus Cristo, para anunciar aos pobres a Boa Notícia do Reino e tornar visível no meio deles uma comunidade cristã.

“Vinde, meditaremos juntos estas coisas e as poremos em prática. Jesus será o nosso Mestre. Com Ele tudo se pode compreender, nele tudo se pode unir. Ele é o laço forte e indissolúvel que une os corações verdadeiramente desejosos de O seguir”.

Prefácio No encontro com Cristo, a descoberta da Missão e o chamado para ser Missionário!

Antes de mergulhar na leitura das Cartas do Pe. Antônio Chevrier, convido você para que possa apreciar o testemunho de Dom Dominique You, Bispo da Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia – PA. As páginas por ele escritas, nascem de sua profunda meditação pessoal e das orientações em retiros para jovens, quando costuma apresentar o significado das cartas do Pe. Antônio Chevrier, e me encantam.

Tenho absoluta certeza que muito contribuirão para a leitura e a acolhida da experiência de Deus vivenciada por esse padre diocesano e cujos sinais aparecem nas “Cartas”. O testemunho desse irmão bispo, que conhece bem de perto o lugar onde o Espírito de Deus fez nascer o caminho espiritual do Prado bem como a fonte da inspiração, é de grande valia e fará um bem muito grande a todas as pessoas que desejarem beber da água abundante que jorra da experiência do bem-aventurado filho da diocese de Lyon.

Dom Dominique, Deus o ilumine sempre mais como discípulo missionário de Jesus Cristo no caminho do Presépio, da Cruz e da Eucaristia, servindo como bom Pastor nessa Igreja Particular no sul do Pará, marcada por tantas dores, mas também pela esperança arraigada na vida dos pobres dessa terra.

Na apresentação das Cartas do Pe. Antônio Chevrier para a edição em espanhol de 1996, o então Responsável Geral do Prado, Antônio Bravo, escreve: “A contemplação do mistério da Encarnação, no Natal de 1856, leva-lo-á a viver no dinamismo do Amor, da generosidade de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre, para nos enriquecer com sua pobreza. Jesus Cristo preenche o pensamento, o coração e a ação do pobre da Guillotière. Suas iniciativas para responder às necessidades da Igreja e da época, brotam do conhecimento do Enviado do Pai e da inteligência crente dos pobres, com quem partilha sua vida e destino.” E ainda afirma: “O itinerário do Presépio, da Cruz e da Eucaristia, como base vital de sua existência e de sua atividade sacerdotal, fará dele um sacerdote “pobre, crucificado e doado”.

Ordenado presbítero em 1850, Pe. Antônio Chevrier começa a entrar em contato com a situação de milhares de operários que se concentram nas periferias de Lyon, forçados pela procura de trabalho, numa época em que a industrialização atraia especialmente os que moravam na área rural. Ele vai se dando conta da miséria em que vivem esses filhos de Deus e da distância da Igreja em relação a essas milhares de famílias e pessoas.

A experiência do encontro com Jesus Cristo, a partir da meditação profunda e continuada do Mistério da Encarnação, marca de tal forma a vida desse presbítero diocesano que ele passa a vivenciar o caminho do exercício do ministério ordenado como graça, como dom do Espírito Santo; não para si, mas para a Igreja. Ele passa a assumir o ministério ordenado de modo diferente. A diferença não está em primeiro lugar no realizar as atividades pastorais, mas na motivação que toma conta do seu coração. Por causa de Jesus Cristo, ele encontra razão para entregar toda sua vida à evangelização dos pobres. A convicção de que recebe a missão através do bispo e sua obediência às orientações da diocese não lhe impedem de encontrar na Palavra de Deus as luzes para que, de modo criativo, possa realizar a vontade de Deus. Então, a missão enraizada no mistério da Encarnação e da Páscoa de Jesus Cristo passa a ter um profundo sentido apostólico.

Pe. Antônio Chevrier percebe a importância de maior dedicação à meditação da Palavra de Deus. Quanto mais tempo dedica ao “Estudo do Evangelho”, como costumou chamar, mas sente o chamado para ir ao encontro dos pobres, daqueles que não estavam merecendo a atenção da Igreja e, por isso, estavam afastados. Ir ao encontro dos pobres, estar no meio deles, escutar suas aflições, manifestar-lhes o amor de Jesus Cristo, sua compreensão é o reflexo da mudança que está acontecendo em sua vida.

Em suas Cartas, ele deixa entrever como foi descobrindo que a missão era bem maior. Não bastava a sua presença como presbítero, mesmo com toda dedicação. Era necessário trabalhar na formação de pessoas que sentiam no coração a atração de Deus para seguir Jesus Cristo na missão. Então, dedicou tempo para ir ao encontro dessas pessoas, especialmente entre os pobres, animá-las e formá-las no conhecimento de Jesus Cristo, que, para ele, era a base de toda a formação.

Ele pede a graça de “irmãos” com quem possa partilhar o seguimento a Jesus Cristo em seu sentido apostólico. Na carta ao Pe. Gourdon, datada de 1866, ele escreve: “Venha, meditaremos em conjunto estas coisas e as poremos em prática. Sinto que tenho necessidade de alguém que compreenda o bom Salvador e que o ame. Oh! Não, como dizia na sua carta, não continuaremos sozinhos, seremos dois e Jesus será o nosso mestre; com ele tudo se pode compreender, nele tudo se pode unir, ele é o laço forte e inseparável que une os corações verdadeiramente desejosos de segui-lo. Tomemo-lo conosco, que ele seja o nosso Guia, o nosso Chefe, o nosso Modelo na pobreza, no sacrifício e na caridade.”

Em seu trabalho de formação, o que deseja é colaborar para que cada pessoa seja sinal de Jesus Cristo. Ele bem sabe que esse trabalho é obra do Espírito de Deus. Então, procura estar em sintonia, sob a guia do Espírito Santo, mergulhando sempre no Estudo do Evangelho, para que seu trabalho corresponda à vontade de Deus. Na docilidade ao Espírito, ele vive a missão como obra de Deus. Por isso, se empenha muito, mas com toda humildade.

As correspondências de Pe. Antônio Chevrier nos revelam como, em meio às suas fragilidades, o Espírito de Deus vai trabalhando a vida de um presbítero diocesano para que seja realmente missionário consciente de que a obra de Deus necessita de Santos. Com essa convicção, escreve aos seminaristas em 24 de janeiro de 1872: “Queridos filhos, hoje mais do que nunca, é necessário chegar a ser santos. Só os santos poderão trabalhar eficazmente na conversão dos pecadores. (…) Oh! caros filhos, trabalhai para vos tornardes santos! Não se chaga lá tão rapidamente; é necessário trabalhar muito e desde o início da vida; é uma grande tarefa a realizar, uma meta muito alta a atingir; mas é preciso chegar à santidade para ser bons padres! Um padre que não é santo faz pouca coisa, pouco bem às almas!”

É impressionante encontrar há mais de 150 anos um ministro ordenado que assume a vivência a missionaridade em sua diocese, descobrindo, entre os pobres, o campo de missão como seguimento a Jesus Cristo. É, sem dúvida, uma graça de Deus encontrar, em meio a tantos transtornos causados pela revolução industrial, um discípulo de Jesus Cristo que está atento à finalidade de formar apóstolos pobres para a evangelização dos pobres.

Realmente, o Espírito de Deus sopra onde quer. Numa região industrial, suscita o ardor missionário no coração de um Presbítero diocesano e no sertão do nordeste do Brasil age através de outro presbítero diocesano: Pe. Ibiapina. Ordenou-se com 47 anos de idade. Era um homem inteligente e brilhante. Tinha um passado que lhe tinha dado um amadurecimento humano excepcional, especialmente em virtude de sofrimentos familiares. Fez o curso de direito na Faculdade de Direito do Brasil em Olinda. Um ano após a conclusão do curso, foi nomeado juiz em Quixeramobim (CE). Percebendo que o juiz não tinha liberdade nenhuma e que, de qualquer maneira, os fazendeiros faziam o que queriam com o apoio do governador, Ibiapina assume esse encargo somente durante um ano. Em seguida, foi eleito deputado nacional e foi representar o Ceará no Rio de Janeiro. Completou um mandato de 4 anos e não quis reeleger-se porque viu que, no governo imperial e nas assembleias, a corrupção era total. Voltou para o Recife e abriu um consultório de advocacia. Foi advogado dos pobres. Viveu uma vida de monge leigo. Por sinal, nos primeiros anos, ele teve muito trabalho em Areia, interior da Paraíba.

Essa era a bagagem que trazia quando aproximou-se do Bispo para manifestar-lhe o desejo de ser ordenado padre. Após a sua ordenação, foi nomeado vigário geral e professor no seminário. Ficou poucos anos. Em 1855, declarou-se uma epidemia de cólera no interior de Pernambuco, na região situada entre Caruaru e a Paraíba. Então, Ibiapina renunciou aos cargos que tinha na diocese e disse: o meu lugar é ali no meio desse povo tão abandonado. Foi para lá e nunca mais voltou. O seu lugar estava no meio da pior miséria de um povo que morria de cólera porque não sabiam o que fazer e caiam por falta de conhecimento e de ajuda. Este foi o momento decisivo da sua vida. Ele já tinha mais de 50 anos quando entrou na vida missionária.

Deixou o “conforto” da cidade grande (Recife) e suas atividades intelectuais no seminário para enfrentar as agruras da vida do sertão para manifestar o amor solidário de Jesus Cristo aos pobres que andavam em busca de vida.

Estes e outros sinais da ação do Espírito Santo precisamos acolhê-los. São importantes para a vivência do ministério hoje e, certamente, nos ajudarão a ser mais contemplativos da ação de Deus no mundo de hoje, marcado “pela tendência que privilegia o lucro e estimula a concorrência, a globalização segue uma dinâmica de concentração de poder e riqueza em mãos de poucos. (…) Já não se trata simplesmente do fenômeno da exploração e opressão, mas de algo novo: a exclusão social. Com ela, a pertença à sociedade na qual se vive fica afetada na raiz, pois já não está abaixo, na periferia ou sem poder, mas está fora. Os excluídos não são somente “explorados”, mas “supérfluos” e “descartáveis” (DA 62; 65). Então, mais do que nunca, somos chamados a contemplar os rostos daqueles que sofrem (cf. DA 65).

No Brasil, são muitos os cristãos leigos(as), seminaristas, padres e religiosos que já conhecem alguns escritos do Pe. Chevrier publicados em português; entre estes, o Verdadeiro Discípulo. Há muito tempo, se sentia a necessidade da publicação das Cartas. A bela experiência de como um presbítero diocesano viveu o chamado e a missão em meio aos pobres, encontrada de modo especial nas Cartas, tem sido sempre partilhada nas semanas de espiritualidade organizadas pelo Prado em várias regiões do Brasil.

Os irmãos leigos(as) e religiosos(as) colherão um autêntico acompanhamento espiritual por parte de um pai que não dissimula as exigências da missão junto aos pobres, mas faz a experiência de como o chamado que Jesus nos dirige é uma inesgotável riqueza e uma graça incomparável em relação ao que precisamos renunciar.

Entre seminaristas, encontramos aqueles que se encantam com a vida desse presbítero que descobriu a força do Evangelho e, por amor a Jesus Cristo, foi viver como missionário entre os pobres com a finalidade formar apóstolos para a evangelização dos pobres, anunciando-lhes a vida e a missão de Jesus. Realmente, quando descobrem essa experiência de fé, os seminaristas passam a ser os primeiros beneficiados da graça recebida pelo Padre Chevrier. Eles podem encontrar nesse caminho um rumo seguro para construir e firmarem-se numa formação que não seja enfocada apenas a partir dos estudos acadêmicos, mas a partir do encontro transformador da pessoa com Jesus Cristo, Verbo Encarnado, Missionário do Pai, Crucificado e bom Pão.

Há também diáconos e presbíteros que sentem não só certa curiosidade em conhecer a vida desse presbítero diocesano, seu modo de estudar o Evangelho, mas querem aprofundar o sentido da vocação para assumir o seu sentido missionário estando a serviço da evangelização dos pobres, a partir do conhecimento da Vida e missão de Jesus Cristo. Nesse caminho de fé, os irmãos presbíteros vão encontrar uma oportunidade para “olharem para a fonte”, renovando “o primeiro amor”.

A publicação, que ora vem a público, será ainda de grande proveito para aqueles que já fazem parte da Associação dos Padres do Prado e cuidam de sua formação permanente. Através de diálogos cordiais entre pessoas que buscam encarnar com paixão a santidade de um ministério missionário, aqueles que já fazem parte da família do Prado vão encontrar, de outro modo escrito, tudo que sustenta a doutrina descoberta no “Verdadeiro Discípulo”.

Quero expressar um grande agradecimento ao Pe. Olímpio Sobrinho, toda a coordenação do Prado no Brasil pela iniciativa e outras pessoas que ajudaram para que esta publicação se tornasse possível.

Mais uma vez, escutemos a voz desse presbítero diocesano pastor, escrevendo ao Pe. Gourdon: “Devemos reproduzir em toda a nossa vida a de Jesus Cristo, nosso Modelo: ser pobre como Ele no Presépio, ser crucificado como Ele na cruz para a salvação dos pecadores e ser consumido como Ele no Sacramento da Eucaristia. O padre é como Jesus Cristo um homem despojado, um homem crucificado, um homem consumido; mas para ser consumido pelos fiéis, é preciso ser um bom pão bem cozido pela morte a si mesmo, bem cozido na pobreza, no sofrimento e na morte como o Salvador nosso modelo; e então tudo em nós servirá de alimento aos fiéis, as nossas palavras, os nossos exemplos e nós nos consumiremos como uma mãe se consome para alimentar os seus pequenos filhos”.

Meditemos essa experiência de Deus e peçamos ao Espírito Santo que o testemunho do Pe. Antônio Chevrier seja luz para todos os que vão ler suas cartas, a fim de que estejamos mais convencidos de que, no caminho de discípulos missionários de Jesus Cristo, é de fundamental importância assumir o que encontramos na oração de Jesus: “Esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que enviaste.” (Jo 17,3).

  1. Esmeraldo Barreto de Farias

Bispo Diocesano de Santarém


Introdução O itinerário de um Padre que quis “formar Padres pobres para as paróquias”

A leitura do livro « O Verdadeiro Discípulo » do Padre Antônio Chevrier poderia se comparar com a experiência de uma pessoa que, chegando ao ponto mais alto de um prédio de 29 andares, contempla de cima um extraordinário panorama. Talvez, aquele panorama possa se parecer um pouco com o olhar de Deus, ou melhor, com a visão que os nossos irmãos e irmãs, os Santos e Santas têm, inclinando-se para a nossa terra…

Eu amo “O Verdadeiro Discípulo”. Muitos capítulos conseguem encantar, fascinar o leitor que se entrega de verdade ao estudo, como a uma contemplação demorada. E por isso mesmo, sinto um carinho todo especial pelas “Cartas do Padre Chevrier”. Por elas, ele me toma pela mão, até eu mesmo re-percorrer na sua companhia, todas as etapas que o levaram até este ponto tão alto, através de uma extraordinária ascensão de 29 anos!

O leitor assustado presencia a luta interior que durou ao longo dos 29 anos de vida sacerdotal do Padre Antônio Chevrier. Travou-se uma guerra entre o bem e o mal, a natureza e a graça, a mediocridade e a caridade! Uma disputa cotidiana entre a atração e a resistência na frente do fogo do Espírito que operava no coração desse padre e dos seus mais vários correspondentes.

Às vezes, é como se o Padre mandasse a gente se ajoelhar no antigo confessionário de madeira, na capela do Prado. Em outras vezes, como se nos convidasse para a palestra que ele preparou para os seus filhos seminaristas, estudando em Roma, ou de férias. Às vezes, também, como se, diante de nós, ele repreendesse com vigor suas filhas, as “Irmãs do Prado”. Em outras vezes, ele se faz pequeno e humilde para pedir um emprego em favor de um jovem em situação de risco e que precisa urgentemente de trabalhar. Em outras vezes ainda, o Padre se eleva sobre cumes de contemplação para atrair-nos, junto com os seus amigos mais caros, sedentos de “algo mais” do que as razões de viver que os homens costumem adotar… Em outras vezes enfim, ele confessa sua derrota diante de nós, pelos seus filhos que o abandonaram, deixando-o mais morto do que vivo!

Mas as “Cartas” revelam, sobretudo, uma “História Sagrada”. É o itinerário de um padre entregue ao Espírito. Provavelmente, ele pensava ter descoberto a sua vocação, no dia 25 de maio de 1850, quando o arcebispo de Lyon impôs suas mãos sobre ele. Ou talvez, três dias depois, quando o mesmo arcebispo lhe comunicou a nomeação canônica para a Paróquia Santo André, no bairro periférico da “Guillotière”. Ou ainda, no dia 25 de dezembro de 1856, quando o Menino Jesus do presépio paroquial acendeu no coração do jovem vigário uma convicção que ia se tornar a luz fundamental de sua vida. Porém, não foi nada disso!

A vocação não é uma coisa que cai sobre nós uma vez por todas. Como um amor conjugal, ela é nova a cada manhã, como também “as misericórdias de Deus” que o profeta Jeremias canta, e que “se renovam a cada dia”. Pois, sempre novos são também os obstáculos, as oposições, as contradições. A vocação vem sendo escrita por nós a cada dia, numa cooperação com Deus, bem parecida com aquela que existe entre o pincel e a tinta, até a hora de se revelar uma obra prima capaz de “encontrar graça diante de Deus”!

A correspondência do Padre Chevrier nos coloca na frente de Cristo. Quando o sentimento do sucesso ou o do fracasso poderia fechar-nos sobre nós mesmos, Jesus volta a perguntar-nos, como a Simão-Pedro: “Tu me amas? Seja o Pastor das minhas ovelhas!”

Escutando com o coração estas cartas redigidas com tanto carinho, o leitor pressentirá, por três vezes, esta interrogação que ecoa no mais íntimo da alma de Antônio Chevrier, tão disposto a escutar a Voz interior do Mestre: « Antônio, tu me amas? Seja o Pastor das minhas ovelhas! » Que o mesmo Espírito a faça ecoar em nós também!

1. Não precisamos de homens, mas de religiosos.[1]

Comunhão de almas entre dois apóstolos

A primeira vez que esta interrogação ecoou foi, talvez, no final de um itinerário de quase-dois anos como « Capelão da Cidade do Menino Jesus”. O Padre já deixara o ministério paroquial em Santo André em agosto de 1857. Um horizonte novo tinha se aberto diante dele. No início, ele percebeu com viva esperança esta iniciativa do jovem Camilo Rambaud[2]. Um ministério bem diferente daquele que ele tinha vivenciado em Santo André tornava-se possível.

Uma profunda comunhão nasceu entre o Padre e várias pessoas chamadas de « irmãos” ou “irmãs”, das quais algumas o acompanharão durante a vida toda. Bem rápido, porém, Antônio discerniu também a extraordinária dificuldade de entrar na obra de outra pessoa.

As “Cartas” fazem nos penetrar de maneira surpreendente no diálogo entre Camilo, que foi enviado a Roma par estudar a teologia, e o Padre Chevrier que o representa na “Cidade do Menino Jesus”. É o diálogo de dois cooperadores do coração ardente que fizeram a mesma experiência da dolorosa insuficiência da ação da Igreja para com os pequenos e os humildes.

“Deus precisa de padres pobres e sacrificados. Não quero dizer que nós faremos mais que outros, mas, pelo menos, o faremos pelo desejo e pelo exemplo. Oh! aprenda bem a tornar-se um bom padre, agora é isto que você tem de fazer. (…)Alegro-me antecipadamente ao pensar que poderemos servir Deus juntos”[3].

É bonita a alegria do jovem Padre Chevrier que não tem outro ministério a não ser o de encontrar as palavras de crianças que vão expressar com a maior fidelidade o Mistério de Deus:

“Faço a catequese com muito gosto e agrado, porque tenho tempo de a preparar e de a meditar; a solidão em que me encontro atualmente será de grande proveito para mim. (…) Aqui, estou tranquilo e feliz.”[4]

Através desta alegria sentida na presença das crianças vai também se fortalecendo em Antônio a consciência mais lúcida de um carisma que lhe é dado.

“Agradeço a Deus por me ter feito entender um pouco esta verdade: o meu dever principal é cuidar mais particularmente das crianças da casa. Este dever é também mais importante do que qualquer outro, pois as crianças são também tão filhos de Deus quanto as outras pessoas, e o bem é mais fácil e mais real ao lado delas do que com as outras, e mais adequado, e mais apropriado ao meu caráter, ao meu espírito, do que qualquer outro bem (…) Faça o favor de rezar para que eu possa agir segundo a luz e a graça de Deus”[5].

As semanas passam, e a consciência das limitações pessoais volta para a superfície do coração do Padre. É uma fonte de humildade que gera uma bela comunhão espiritual entre Camilo e Antônio. Entre ambos, reina o “nós”.

“Encontro-me sempre muito abaixo do que devo fazer e sinto mais do que nunca a necessidade do socorro de Deus. Sinto também que conseguirei, se merecer. Peço uma só coisa: não pôr obstáculo à vontade do Senhor. Sim, coragem, trabalhemos para a glória do nosso Mestre comum, tão desconhecido, tão ignorado, tão desprezado. O faremos conhecer por todos os meios. Sinto-me sempre tímido e fraco para cumprir os generosos pensamentos que o Espírito Santo quer realizar. Sinto que precisaria dum chicote para me fazer andar e alguém para me chicotear”[6].

Às vezes, a dureza da tarefa se mostra mais forte. A correspondência torna-se confidência assustadora.

“Tentações me assaltaram e me assaltam ainda. Não pretendo mais que o lugar de engraxador ao canto da rua. Se, antes de me deixar ordenar, tivesse conhecido o que era ser padre, teria recusado esta pesada carga. Mas, hoje, tenho, por assim dizer, a obrigação de a levar, apesar de tudo. Vejo o bem que deveria fazer e não o faço. Sinto que seria preciso ser forte para agradar ao Salvador e realizar com mais frutos este grande ministério e não faço nada. Não tenho coragem de ser um insensato para Jesus o nosso bom Salvador. Na oração, diante da Sagrada Eucaristia, quero fazer muitas coisas e, quando estou agindo, falta-me coragem. Tantas misérias! Reze pelo seu pobre capelão”[7].

“É melhor que eu me vá!”

Quando a consciência torna-se mais lúcida, chega, um dia, a perceber que tantas limitações não são apenas das pessoas, mas também das estruturas que não permitem melhoramento algum.

“A obra da Primeira Comunhão e dos perseverantes não podem caminhar ao lado da Obra da “Cité” (…) elas são obstáculo uma para a outra. A “Cité” é obstáculo para a obra das nossas crianças. A grande razão, é que os Irmãos não podem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Não podem responder aos habitantes da “Cité”, receber os alugueis, fazer a coleta e instruir as crianças. Como se pode fazer o catecismo quando se tem a cabeça cheia de preocupações, inquietudes e outros assuntos? Vejo bem o que o Irmão Paulo fez nesta última série (…) Como inspirar a fé, a piedade, quando somos obrigados a viver continuamente na dissipação duma vida totalmente exterior? (…) é preciso que haja Irmãos que amem estas crianças, que compreendam estas crianças e tenham por elas afeição e dedicação (…) E não convém que estes Irmãos tenham outra coisa para fazer senão cuidar das nossas queridas crianças”[8].

A dor do Padre é inconsolável diante da falta de acolhida das crianças e dos jovens pelo próprio sistema da “Cité do Menino Jesus”. O Padre tem sede de “algo mais” para eles. O carisma que ele sente fervilhar em si fica abafado, pois as estruturas não o deixam se realizar. Que ninguém, porém, se deixe enganar: esta dor não nasce, no coração de Antônio, da busca individualista de uma maior autonomia, ou tampouco, da procura de uma realização pessoal. O que está em jogo aos seus olhos é o não-cumprimento da Vontade de Deus:

“As crianças, como toda a gente, gostam de se sentir em sua casa, gostam que façamos as coisas para elas, gostam de estar sozinhas. Ora, aqui não se pode dizer que elas estão em sua casa; não podem dizer que nos ocupamos apenas delas, quando se veem misturadas com tanta gente. Eu não posso dizer que me ocupo delas quando, a cada instante, tenho que estar com um senhor, uma senhora, com este, ou com aquela que me chama e me vejo obrigado a deixar as crianças pelos mais variados assuntos da “Cité”, ou de fora. Os Irmãos não podem estar com as crianças nos seus jogos, levá-las a passear, apesar de ser tão necessário, porque eles têm que responder a mil outros pedidos que lhes chegam a cada instante. Eu, pela minha parte, junto-me às vezes aos jogos para os animar, mas compreendo que (…) há que ter certas reservas em tudo. É aos Irmãos que compete fazer isso e não a mim, e os Irmãos não têm tempo”[9].

No decorrer desses dias, não será esta pergunta que está torturando o coração do jovem padre: “Antônio, tu me amas? Seja o pastor das minhas ovelhas”? Em 1859, o Padre Chevrier, desvincula-se da “Cité do Menino Jesus”. No dia 10 de dezembro de 1860, ele adquire a sala de baile do Prado para realizar a Obra da Primeira Comunhão.

2. Numa ex-sala de baile chamada “o PRADO”

São poucas as cartas que nos permitem entrar na experiência dos primeiros anos no Prado. Elas são unânimes para expressar a alegria de um sacerdócio ainda novo, e que encontra na nova situação do Padre um caminho de doação sem medida. O trabalho no Prado alterna com retiros de aprofundamento do Evangelho.

“Eu estou muito bem na minha solidão. Trabalho durante o dia a estudar o Evangelho e a santa lei de Deus, a fim de ensiná-lo mais tarde aos outros duma maneira mais perfeita. Só peço uma coisa ao bom Deus, que Ele me dê o seu espírito e que me converta completamente”[10].

“Tenho ainda muita necessidade de tempo para rezar e estudar, porque para chegar a conhecer bem Deus é um estudo tão grande, tão extenso e ao mesmo tempo tão suave que nunca será demais o tempo que lhe dedicamos”[11].

Novamente, as circunstâncias vêm bater na porta do coração do Padre: alguns clérigos lhe pedem que se lance com mais ousadia na criação de um novo jeito de viver o ministério sacerdotal, na fundação de algum instituto! Diante das dificuldades experimentadas na “Cité” e de tudo o que esta ideia significa, Antônio recua e tenta se desculpar…

“Eu não tenho suficiente confiança em mim para ousar fazer coisas que o bom Deus talvez não aprove; para livrá-lo de algum embaraço, não vou eu próprio meter-me, não gosto muito do que provoca oposição, contrariedades da parte da autoridade; não sinto os meus ombros bastante fortes para levar um peso tão grande; de resto os acontecimentos têm um tão mau aspecto, a minha saúde não está muito robusta e acima de tudo não tenho o espírito bastante esclarecido e engenhoso para tomar a meu cuidado tais preocupações; a minha vocação é de preferência estar num pequeno canto desconhecido, ignorado e fazer o trabalho que se apresenta sem ir muito longe”[12].

Transparece, enfim, nas cartas desta época uma profunda exigência que ele cultiva para si: a de dar tudo e se doar. O Padre se esforça por comunicar esta paixão aos seus cooperadores, até serem capazes de vencer as resistências da sua sensibilidade ainda mundana e mais inclinada a escolher as tarefas nobres do que baixas. O Padre é um mestre bondoso, mas é um mestre exigente! As palavras seguintes são dirigidas à senhora Franchet, uma senhora que se tornará uma colaboradora e confidente de muitos anos.

“Pensava que lhe dava uma grande honra convidando-a a vir pentear os meus pequenos pobres. Nosso Senhor disse que quando servimos um pobre O servimos a Ele mesmo; portanto recusou a Nosso Senhor este pequeno serviço que Ele lhe pedia, e privou-se de uma grande graça; fi-lo no seu lugar e senti-me muito feliz por fazer este pequeno ato de caridade, e de futuro não cederei o meu lugar a mais ninguém (…) Sei há muito tempo que é mais fácil pentear as cabeças do que pentear os espíritos, lavar os pés do que lavar as almas”[13].

“Não é bom que o homem esteja só!”

Uma obsessão insistente volta a bater na porta do coração: como esta vida que o Padre leva está sendo para ele causa de tamanha felicidade, enquanto os operários são tão poucos? Como arrastar mais padres neste caminho que se abriu para ele?

“Como serei feliz de poder contribuir para a glória de Jesus pela pobreza e pelo sacrifício; que haja outros Jesus Cristo sobre a terra nos seus padres, e que nós possamos renovar na terra o Presépio, o Calvário e o Sacrário pela prática das virtudes de que Ele nos dá tão belos exemplos”[14].

E seis meses depois,

“O bom Deus me faz compreender que tudo o que se faz é Ele e não eu quem o faz, e eu agradeço-lhe de todo o coração (…) Sou muito infeliz; um pesado fardo sobre os meus ombros, toda esta pobre barraca para dirigir, todas estas crianças para converter; às vezes sinto que os meus ombros dobram e procuro alguém para me ajudar a levar este peso, procuro e não encontro quase ninguém. Os bons operários são raros e deitamos a perder a obra de Deus”[15].

“Vinde e vede! »

Aos poucos, alguns padres do Clero de Lyon começam a se aproximar para darem uma ajuda ocasional ou até regular. Inicia, então, para o Padre Chevrier o trabalho de passar para eles o seu próprio “jeito” de ser e de fazer, uma partilha das suas motivações mais profundas. Tudo o que ele descobriu no decorrer desses primeiros anos de ministério começa assim a se espalhar em conversas e cartas… Naquela época, a aproximação com o Padre Gourdon representa, com certeza, para o Padre Chevrier uma esperança muito grande:

“O belo mistério da Encarnação que tocou o seu coração é verdadeiramente o fundamento do nosso zelo, das nossas ações e um grande motivo para nos humilharmos diante de Deus. Foi este mistério que me levou a pedir a Deus a pobreza e a humildade e que me fez deixar o ministério para praticar a santa pobreza de Nosso Senhor. Desejo e peço todos os dias a Deus que encha os padres do espírito de Jesus Cristo e que nos assemelhemos cada vez mais a Jesus nosso divino Modelo, o grande modelo dos padres. Oh! Se nos parecêssemos com Jesus Cristo nosso Salvador, quanto bem, quantas boas obras se fariam na Santa Igreja de Deus. Convertamo-nos, meu bom irmão; ajude-me a me converter e rezemos juntos para nos tornarmos dignos representantes de Jesus Cristo na terra e dispensadores das suas graças. O padre é um outro Jesus Cristo; isto é tão belo. Reze para que eu o venha a ser de verdade. Sinto que estou tão longe deste belo modelo que às vezes perco a coragem; tão longe da sua pobreza, tão longe da sua morte, tão longe da sua caridade. Reze e peçamos juntos para que nos tornemos semelhantes ao nosso belo Modelo.

Quanto à obra de que me fala, faça o que Nosso Senhor lhe inspirar, mas deixe-se conduzir pelas circunstâncias e não por si mesmo. Deixemos que o bom Deus faça; dei-me conta de que, quando somos nós a fazer, é preciso sempre desfazer e que, quando é o bom Deus a fazer as coisas, tudo sai bem. Assim, se posso dar-lhe um conselho, empreenda a sua obra com a maior humildade; o começo de toda a obra de Deus está no Presépio; as coisas exteriores significam muito pouco; faça o que tem relação com a salvação dos outros, com a glória de Deus antes de tudo. Dê-lhes como único regulamento amar o próximo e sofrer; a primeira regra é a caridade. Comece com pouca gente, uma só pessoa que tenha o espírito de Deus vale mais que cem que constituem somente entraves”[16].

“Há mais de dez anos” confessa Antônio, que ele tem este sonho, e pede a Deus:

“Como o bom Deus tem necessidade de bons padres pobres! É isto o que eu sonho e desejo ardentemente há mais de 10 anos, que haja bons padres nas paróquias, está tudo aqui. O bom padre traz com ele todas as reformas, todas as conversões, tudo o que é necessário para as almas. Dedique-se a este fim principal de ter bons companheiros, padres pobres segundo Deus, e terá tudo o que é necessário, o resto não é nada”[17].

Semana após semana, esta paixão pelo Cristo e pelos pequenos está pegando fogo no coração do Padre Gourdon. É fácil sentir o horizonte que esta transformação provoca em Antônio:

“Fiquei muito feliz com a leitura da sua carta, vi que já não estava sozinho; tenho dois ou três companheiros que veem as coisas do mesmo modo, mas, você sabe, há alguns em relação aos quais o Espírito Santo nos inclina mais”[18].

“Quando estivermos juntos, ensinar-me-á um pouco a amar o nosso bom Mestre e sobretudo a imitá-lo. O assunto das minhas reflexões contínuas é este: Sacerdos alter Christus. Devemos reproduzir em toda a nossa vida a de Jesus Cristo, nosso Modelo, ser pobre como Ele no Presépio, ser crucificado como Ele na cruz para a salvação dos pecadores e ser consumido como Ele no Sacramento da Eucaristia; o padre é como Jesus Cristo um homem despojado, um homem crucificado, um homem consumido, mas para ser consumido pelos fiéis, é preciso ser um bom pão bem cozido pela morte a si mesmo, bem cozido na pobreza, no sofrimento e na morte como o Salvador nosso modelo, e então tudo em nós servirá de alimento aos fiéis, as nossas palavras, os nossos exemplos e nós nos consumiremos como uma mãe se consome para alimentar os seus pequenos filhos. Venha, meditaremos em conjunto estas coisas e as poremos em prática. Sinto que tenho necessidade de alguém que compreenda o bom Salvador e que o ame. Oh! Não, como dizia na sua carta, não continuaremos sozinhos, seremos dois e Jesus será o nosso mestre; com Ele tudo se pode compreender, nele tudo se pode unir, Ele é o laço forte e inseparável que une os corações verdadeiramente desejosos de o seguir. Tomemo-lo conosco, que Ele seja o nosso Guia, o nosso Chefe, o nosso Modelo na pobreza, no sacrifício e na caridade”[19].

Sozinho por obediência

Mas “o Prado assusta os padres” que se aproximam. Depois de dois anos, vem a constatação amarga do Padre Chevrier. Todos os padres simpatizantes se afastaram ou, como o Padre Gourdon, foram afastados pela autoridade hierárquica.

“Se somos obrigados a continuar afastados de corpo, continuemos unidos de espírito e pratiquemos cada um no que está ao nosso alcance a santa pobreza de Nosso Senhor. Devemos respeitar esta decisão do Conselho, ainda que nos pareça estranha, e submeter-nos humildemente. Estes senhores não podem tornar-se o motivo que nos faz agir e não veem tão pouco a necessidade de um novo padre no Prado. Somente por uma circunstância providencial poderemos viver juntos, mas poderá acontecer. Deus é sempre o nosso Mestre, Ele saberá encontrar o meio de reunir tudo quando achar bem. Escrevi ao Padre Merle e não sei o que é feito dele, não voltei a ver o Senhor Lainé; estes frutos ainda não estão maduros; creio que o Prado os assustou um pouco; com efeito não é fácil ver em que se apoiar nesta pobre casinha; na verdade, só o bom Deus a mantém de pé, e a Ele ninguém o vê, apenas se vê um pobre miserável que representa muito mal o lugar de Deus de tal modo que as pessoas são mais tentadas a afastar-se do que a vir.

Ponhamos, portanto, a nossa confiança em Deus somente; por mim, não me atrevo a comprometer ninguém a vir; às vezes tenho tanta vergonha, tanto medo, que nada garante que eu me salve. Ainda ontem, senti-me fortemente tentado a fechar-me no meu pequeno quarto e não mais voltar a aparecer…”[20]

Do mesmo ano de 1865 é esta carta à Sra. Franchet. Ela revela um abismo de solidão e um jugo pesado de interrogações na alma do Padre:

“Durante muitos anos eu dizia ao bom Deus: Meu Deus, se tendes necessidade de um pobre, eis-me aqui, se tendes necessidade de um louco, eis-me aqui, e eu sentia que tinha a graça para fazer tudo o que o bom Deus esperava de mim, e agora que seria necessário agir sou preguiçoso, sou covarde. Oh! se não houver almas que rezem por mim, que me empurrem, estou perdido; se o bom Deus me enviasse um bom companheiro, que compreendesse bem a Obra de Deus, então eu teria mais coragem, mais força, mas sozinho, sempre sozinho, sinto que não tenho força”[21].

Não será esta tristeza interior mais um sinal de insatisfação, através de uma provocação que o próprio Jesus excita no íntimo do Padre? Não é este um jeito de agir bem típico de Jesus quando Ele quer tudo para Si, e para os seus pequenos? “Antônio, tu me amas? Seja o pastor das minhas ovelhas!” A mesma carta mostra, porém, que o Padre não desistiu…

“Ajude-me a fazer o que o bom Deus pede, sobretudo esta Obra de padres pobres para as paróquias. O padre, oh! só o padre pode fazer qualquer coisa. O padre, é tudo… É Jesus Cristo na terra; é preciso que eu seja um outro Jesus Cristo na terra a fim de que aqueles que vierem aqui possam ser também eles mesmos outros Jesus Cristo vivo; só isto pode converter as almas”[22].

Vai começar então um terceiro período desta caminhada desgastante. Ele se deixa reconhecer já nas primeiras semanas de 1866. Os padres não podem ou não querem entrar nesta aventura ousada demais. Chevrier se volta para os seminaristas. Faz anos que ele cuida das sementes que Deus lhe confia. “Se falta a estrada, abra-a!” poderíamos dizer para expressar o que acontece no coração de Antônio.

3. É tão belo um padre santo! Tão grande, tão elevado!

Itinerário de uma paternidade: apontar para o alto!

Com o decorrer dos anos, o Padre conseguiu acompanhar os estudos de vários jovens pobres que manifestavam uma vocação sacerdotal. Em 1865, nasce a Escola Clerical do Prado. Nestes alunos, Padre Chevrier coloca toda a sua esperança. Mas ele sente mais do que nunca que uma preparação específica deve ser proporcionada a estes jovens. Em 1876, os quatro primeiros diáconos do Prado deixam Lyon para estudar em Roma. A formação oferecida nos diferentes seminários não favorece esta opção radical pela Pobreza de Nosso Senhor, nem valoriza tanto esta decisão prioritária de “evangelizar os pequenos e os pobres”[23] . Cabe ao padre do Prado tornar-se o jardineiro das sementes que Deus lhe apresenta. A tarefa é árdua, ele deve ficar de olho para que nenhuma ovelha deixe ser desviada do Caminho.

Em junho de 1877, os quatro primeiros sacerdotes, recém-ordenados, vão voltar de Roma para Lyon, deixados pelo arcebispo aos cuidados do Padre Chevrier. Na reta final, este completa por cartas aquilo que já escreveu para eles no “Verdadeiro Discípulo”. Não deixa de erguer o olhar deles para o alto: para a plenitude da resposta ao chamado!

“Como ficaria feliz de vos ver maduros, como ficaria feliz de vos ver um dia padres santos; quando aparecer diante de Deus, se não tiver outra coisa, terei ao menos esta oferta para lhe fazer: preparei-vos, Senhor, corações de padres que vos amam sinceramente, dedicados à vossa glória, dedicados à vossa Igreja, cheios de caridade pelo próximo; e por vós, talvez que eu próprio possa ser salvo e salvar outros, é tão belo um padre santo! Estive a estudar isto nestes dias, mas é tão belo, tão grande, tão elevado! Quem quiser viver segundo o Evangelho de Jesus Cristo, será muito grande e fará muito bem; coragem, caros filhos, que o bom Mestre vos dê a sua graça, que o bom Mestre vos tome nos seus braços e faça de vós novos apóstolos que inflamem as almas com a caridade divina na Santa pobreza de Nosso Senhor”[24].

Aos olhos de Antônio Chevrier, a plenitude tem um nome e um rosto: Jesus Cristo! E a santidade se chama discipulado missionário!

“Sinto que tenho muitas coisas para vos dizer; tenho muitas coisas para falar convosco sobre Nosso Senhor Jesus Cristo e fazer-vos compreender o que é um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, a fim de que caminheis por esta via verdadeira que glorifica o Mestre. A glória de meu Pai é que vos torneis meus discípulos e que deis muito fruto. Não se dá realmente fruto senão quando se está cheio da vida de Jesus Cristo, que é a caridade”[25].

Sem tirar os pés da lama

“Ser padre” é exatamente juntar estas duas faces da medalha: reproduzir o semblante de Jesus Cristo contemplado no Presépio, no Calvário e no Sacrário, sem deixar de viver no meio do mundo! Sacerdos alter Cristus! O sacerdote, um outro Cristo!

“Como sereis grandes quando fordes padres, mas é preciso ser pequenos ao mesmo tempo para ser verdadeiramente novos Jesus Cristo sobre a terra; lembrai-vos que deveis representar o Presépio, o Calvário e o Sacrário, que estes três sinais devem ser como estigmas que deveis levar continuamente convosco; os últimos sobre a terra, os servos de todos, os escravos dos outros pela caridade, os últimos de todos pela humildade. Como é belo, mas como é difícil. Só o Espírito Santo no-lo pode fazer compreender”[26].

Antônio Chevrier tem os pés na lama, e o coração na Palavra de Deus. Seria impensável que estes sonhos altíssimos não se encarnassem numa prática cotidiana que traz o carimbo do bairro da Guillotière do século 19, marcado pela miséria e pela penetração do materialismo nas camadas populares!

“Nos tempos que correm deveríamos ir catequizar por todo o lado, falar simplesmente e dizer aos homens que há um Deus, porque é necessário voltar às primeiras instruções, dizer aos homens que há um Deus e ensiná-los a amá-lO e a servi-lO. Como é triste, hoje, ver a raiva dos ímpios, o trabalho que fazem todos os dias para destruir nos homens toda a noção de Deus, da sua dignidade e da sua grandeza. Atualmente organizam-se em Lyon conferências públicas (…) para provar aos homens que eles são apenas máquinas, que já não há Deus, que os homens vêm do macaco e de outros animais; é terrível ver a persistência da autoridade atual para desmoralizar o mundo, para materializar as pessoas; onde poderemos chegar se caminharmos sempre por este caminho terrível da incredulidade, da impiedade e da imoralidade. Ah! rezemos, caros filhos, trabalhai, na oração e na humildade, para serdes padres segundo o Senhor, cheios de zelo, de fé e de amor pelos homens…”[27]

Trabalhar para tornarem-se iguais aos pobres! Eis uma aula que, provavelmente, não era muito comum na formação dos seminaristas daquela época!

“Sejamos sempre os pobres do bom Deus, permaneçamos sempre pobres, trabalhemos com os pobres, que a pobreza e a simplicidade sejam sempre o caráter distintivo da nossa vida, e teremos a bênção de Deus e do nosso Pai. Como é bom trabalhar com os pobres, sentimos que eles são os amigos de Deus e que não trabalhamos em vão quando trabalhamos nas suas almas; amai portanto muito os pobres, os pequenos; não trabalheis para vos engrandecer e elevar, mas trabalhai para vos fazerdes pequenos e diminuir de tal modo que sejais iguais aos pobres, para estar com eles, viver com eles, morrer com eles; e não tenhamos medo das censuras que os Judeus faziam a Nosso Senhor: o vosso Mestre anda sempre com os pobres, os publicanos e as pessoas de má vida; é uma censura que nos deve honrar em lugar de nos envergonhar. Nosso Senhor veio procurar os pobres: ‘Misit me evangelizare pauperibus’[28]. Aprendei portanto a amar muito os pobres…”[29]

Na memória viva da graça inicial…

Os conselhos não bastam. O que está em jogo é a Obra de Deus. O Padre deve passar para os “filhotes” a consciência de que essa missão está sendo recebida do próprio Deus, encarnada numa história, destinada a produzir o seu fruto no presente e no futuro. Cabe à memória viva suscitar nos seminaristas que se destinam ao Prado a mesma experiência que o Padre viveu…

“Esta bela festa de Natal onde vemos o Filho de Deus escolher o humilde estábulo para nascer, a fim de nos mostrar o desprendimento de todas as coisas exteriores para nos unirmos só a Ele”[30].

“No dia 10 de Dezembro, (…) há 12 anos, num dia semelhante, tomei posse deste lugar; era o dia da solenidade da Imaculada Conceição e, ao mesmo tempo, o dia de Nossa Senhora de Loreto. Não tendo outro recurso e outro apoio senão a confiança em Deus, convencido de que se desse o pão espiritual às almas, Deus nos daria o pão material; eu tremia todo naquele dia. Deus escondeu-me muitas coisas neste lugar, algumas almas converteram-se, era este todo o meu desejo; trabalhamos muito para isso e pouca obra fizemos. Todavia, no meio de tudo isto, sempre pedi a Deus que fizesse nascer um núcleo de padres, pobres e dedicados, que não tenham outros pensamentos e outros desejos a não ser dar-se para a salvação das almas, para a glória de Deus, vivendo na pobreza e no sacrifício”[31].

… E abertos para o futuro que Deus quiser

Parece que o tempo da seca passou! Candidatos mais numerosos se apresentam para participarem da aventura. O Padre guarda a cabeça fria.

“Se o Espírito Santo o inspirar para nos vir ajudar a realizar este trabalho e a viver em conjunto esta vida, venha e eu bendirei o Senhor consigo; contudo que se faça a santa Vontade de Deus, porque sem o cumprimento desta Vontade não poderemos fazer nada. É por isso que eu não procuro ninguém, não comprometo ninguém a vir para aqui; espero que o bom Deus os envie, e vejo por experiência que aqueles que vêm para aqui, conduzidos pelo seu espírito próprio, ou para encontrar um trabalho, não fazem nada e são entraves em vez de ajudas”[32].

Tudo é Obra de Deus!

Na realidade, o Padre faz uma experiência que Paulo fez antes dele: “Paulo plantou, Apolo regou, mas é Deus quem dá o crescimento!” Ele privilegia o trabalho invisível do Mestre interior. Só acima de um encontro com Cristo Verdade é que alguém pode alicerçar uma existência e lançar as redes para águas profundas.

“Aprendemos muito na oração, e é ao pé do crucifixo que descobrimos os insondáveis mistérios do bom Deus; era aí que os santos iam beber os grandes ensinamentos que depois davam ao mundo, porque Jesus Cristo é a Verdade e é junto dele que encontramos esta verdade que ilumina e que aquece a alma”[33].

Esta parte cabe ao Espírito Santo: Ele é quem a realiza no segredo, e no decorrer dos anos de formação. O Espírito é o aliado invisível do Padre.

“As três Pessoas divinas têm uma operação a fazer em nós, para fazer de nós homens perfeitos: o Pai cria-nos, o Filho mostra-nos a verdade, o caminho, é a nossa luz, mas o Espírito Santo dá-nos o amor, faz-nos amá-lo; e quem ama compreende, quem ama sente, quem ama pode agir. O Espírito Santo acaba portanto o que Jesus Cristo começou. O Pai dá a existência, o Filho revela-nos a nós e mostra-nos Deus e o caminho, e o Espírito Santo faz-nos compreendê-lo e amá-lo. Estas três operações da Santíssima Trindade realizam-se em nós e são todas igualmente necessárias tanto umas como as outras; mas a operação do Espírito Santo é por assim dizer a mais necessária, porque, de que serve ver se não se compreende aquilo que se vê? De que serve ouvir, se não se compreende aquilo que se ouve? De que serve ainda compreender se não se ama? Que possais vós compreender bem esta operação do Espírito Santo em nós, a fim de que lhe possais pedir que aja em vós e não pôr nenhum obstáculo à sua ação”[34].

Eternos noviços do Espírito Santo

A escuta dócil e amorosa do Espírito Santo que fala e trabalha no silêncio interior chama-se de oração: deixar ser transformado por Deus segundo o plano dele sobre nós.

“Aprenda sobretudo a fazer bem a oração; nela aprendemos mais do que nos livros; se a souber fazer, o Espírito Santo lhe ensinará muito. Aprenda sobretudo a ser pobre, mortificado e caridoso. O Presépio, o Calvário, o Sacrário, eis onde é preciso ir todos os dias para aprender a tornar-se um bom padre, um bom catequista”[35].

Sequere-me[36], Siga-me!” As palavras imperativas de Jesus a Pedro, a Tiago, a João e … a Antônio Chevrier devem ecoar de maneira repetida no mais íntimo de cada um dos meninos. Para isso, uma só exigência: que cada qual se torne um coração que escuta!

“Escutai com frequência nas vossas orações, nas vossas meditações, no vosso recolhimento estas palavras do Mestre: “sequere-me, sequere-me”. Estas palavras levaram Pedro, Tiago, Filipe e os outros a seguí-lO, e fizeram deles apóstolos que caminharam tão corajosamente e tão decididamente no caminho da pobreza, do sofrimento e do amor”[37].

Pois, toda esta transformação interior é finalizada pela missão: Seria uma incoerência se tantos anos fossem vivenciados sem ligação com o futuro: a catequese aos pequeninos e humildes, através de uma impregnação dos mistérios em nossos rostos… Aí, a devoção já deixa o lugar para o Mistério…

“O Presépio, o Calvário, o Sacrário, são as nossas três estações para chegar à perfeição da nossa vocação. Que os mistérios de Nosso Senhor sejam tão familiares para si que possa falar deles como de coisa própria, familiar, como as pessoas sabem falar do seu estado, do seu vestuário, dos seus negócios; ao ler, tome por fundamento das suas orações a história do mistério e estude cada palavra, cada ação, cada virtude, e procure impregnar com ela o seu espírito, o seu coração e também a sua maneira de agir. Note as coisas que mais lhe chamam a atenção; assim lembrá-las-á melhor e, mais tarde, ser-lhe-ão úteis. É assim que nos formaremos. Sabe que não devemos pretender chegar a ser grandes sábios e grandes oradores, mas somente bons catequistas. Continue a fazer a Via-Sacra; quando a fizer, não se precipite com o desejo de chegar ao fim, mas se alguma estação lhe agradar, porque o Espírito Santo o ilumina sobre algum aspecto dessa estação, pare aí e saboreie a graça de Deus; aceite a luz que lhe vem; não devemos negligenciar as luzes e as graças do momento, quando elas chegam; se não chegar ao fim, não faz mal: é necessário, antes de tudo, procurar a graça e a luz, e não o grande número de orações”[38].

Discípulos preparados para a Missão

A conversão cotidiana na vida comunitária é o selo de garantia do processo formativo. Não é uma vida comunitária formalista, baseada em princípios e estatutos, mas sempre na doce imitação do Salvador encontrado entre nós, no rosto dos irmãos e do formador!

“Há que fazer com que as nossas faltas nos levem a amar mais a Deus, porque o pecador recebeu mais misericórdia e por isso deve ter mais amor (…) Sim, meu caro filho, eu esqueci tudo, digo-o para consolação do teu coração, e que não haja no teu coração mais nenhum sentimento de tristeza a meu respeito; não somente esqueci, mas dediquei-te uma maior afeição, e alegro-me ao pensar que tudo isto servirá para tornar os nossos laços mais fortes, mais íntimos, mais sentidos e mais duradoiros. Uma mãe não ama mais o filho da sua dor? As lágrimas servem muitas vezes par fecundar o terreno da caridade”[39].

“Coragem pois, caros filhos, não se aborreçam com as pequenas contrariedades que podem vir, é preciso habituarem-se a isso; as humilhações e os sofrimentos é que fazem homens verdadeiros; um homem que não sofreu nada e que não resistiu nada não sabe nada e não é bom para nada. Os que são sempre lisonjeados e venerados, não são mais que patas moles; quanto mais fordes desprezados, esbofeteados, injuriados, humilhados, mais sereis grandes, fortes e bons para o serviço de Deus”[40].

A este preço somente, o Padre Chevrier acredita que os meninos de uma sociedade paganizada são capazes de se entusiasmarem pela santidade!

“Meus caros filhos, é preciso que nos tornemos santos, hoje mais que nunca, só os santos podem trabalhar utilmente para a conversão dos pecadores, para a glória de Deus e para o triunfo da nossa santa Igreja. Oh! Como os santos faziam belas coisas na terra! Como eram agradáveis a Deus e úteis ao próximo! Os santos são a glória de Deus sobre a terra! Eles são a expressão viva da divindade cá em baixo! São a alegria dos anjos e a felicidade dos homens! Um santo é um homem que está unido a Deus, que faz uma só coisa com Ele! Que pede a Deus! Que fala a Deus! E a quem Deus obedece! É um homem que tem todos os poderes de Deus na sua mão! É um homem que move o universo inteiro quando está bem unido ao Mestre que governa todas as coisas. Os santos são os homens mais poderosos da terra! Atraem tudo a eles, porque têm a caridade e a luz de Deus, e a fecundidade do Espírito Santo. Eles têm a riqueza de Deus que distribuem a cada criatura! São os ecônomos do bom Deus na terra! E é preciso, meus caros filhos, que vos torneis santos! É preciso que vos torneis luzes para conduzir os homens no bom caminho! Fogo para aquecer os frios e os gelados! Imagens vivas de Deus sobre a terra para servir de modelo a todos os cristãos! Oh! Caros filhos, trabalhai para vos tornardes santos! Não se chega lá logo; para isso é preciso trabalhar muito tempo, e desde o princípio da vida; é uma grande tarefa para cumprir, uma meta muito alta para atingir! Mas é preciso chegar lá para virdes a ser bons padres! Um padre que não é santo faz pouca coisa, pouco bem às almas! E é preciso que, sobretudo vós, trabalheis cada vez mais para serdes santos! E como, meus filhos? Sobretudo rezando, pedindo-o todos os dias ao grande Santo por excelência que é Jesus Cristo nosso modelo, e que foi santo na terra para nos ensinar a ser santos!”[41]

4. Temos de agir pobremente em tudo[42]

Sem ter consciência, o Padre Chevrier está chegando aos últimos meses da caminhada. Em 1877, a hora da sua partida vem chegando. Os seus filhos mais queridos vão conduzi-lo até o ponto mais alto do amor pela desapropriação de tudo que não é Jesus! O primeiro é o Padre Jaricot, que já foi ordenado em 1869. Ele anuncia seu propósito de deixar o Prado para vida monástica num claustro. O Padre Chevrier tenta fazê-lo refletir, acordar novamente o primeiro amor:

“Os seus pensamentos sobre o sacerdócio são muito verdadeiros. Quantas vezes eu também pensei que faria bem em ir para as esquinas das ruas engraxar sapatos, e que isso seria muito melhor para a minha salvação, e que não me condenaria, nem talvez os outros (…) Mas, meu bom amigo, estando onde estamos, já não é tempo de recuar, é preciso forçar o bom Deus para que nos dê o que nos falta; e depois, o bom Deus tem tanta necessidade de operários que os vai buscar onde pode, e nem sempre os encontra como queria”[43].

“Como é fácil habituar-se à vida burguesa, e como é difícil sair de lá uma vez que se lhe tomou o gosto e se entrou nela. Sinto hoje como será difícil eu destruir tudo o que se meteu na cabeça dos nossos jovens padres e das nossas crianças”[44].

“Consummatum est!”

Na primavera de 1878, o Padre Jaricot se foi para o claustro! Ele que fez parte dos companheiros da primeira hora, espalha agora, sem querer, uma onda de deserção nas tropas do Prado… O medo toma posse dos outros membros. Eles se abrem para o Padre. Falam, à sua vez, de se afastarem do Prado para seguirem outros caminhos… Todos se desculpam por desistir… Para Antônio, é a hora das trevas mais escuras. A hora da Cruz nua! A carta a Jean-Claude Jaricot nº 153, do dia nove de Abril de 1878[45], não pode ser cortada, citada, nem resumida. Ela só pode ser acolhida na oração ao pé do Crucificado.

Mais uma vez, parece que Jesus quis tudo do seu discípulo missionário: “Antônio, tu me amas? Seja o Pastor das minhas ovelhas!” Mais uma vez, o Padre não recuou, e se deitou na Cruz! Foi a Vitória definitiva do Amor na existência de Antônio. Ela o preparava para sua Páscoa, acontecida no dia dois de outubro de 1879. Mais ainda, ela preparava um novo Pentecostes para a Igreja.

5. Qual “a necessidade da época e da Igreja, hoje”?

Seguindo passo a passo, através das suas cartas, todos estes 29 anos da vida sacerdotal do Padre Chevrier, chegamos ao ponto mais alto de sua oferta.

No decorrer dos anos, discernimos pelo menos três experiências dolorosíssimas de fracasso: a primeira decepção diante da impossibilidade de trabalhar no contexto da “Cité do Menino Jesus”, e as duas experiências consecutivas à desistência dos colaboradores e dos filhos espirituais “assustados pelo Prado”. Também nós experimentamos este “susto”: Como pode alguém sentir derrotas sucessivas tão pesadas no seu desejo de servir a Deus com coerência, e permanecer em pé?

Parece que, na primeira experiência, Antônio foi como que provado no seu amor aos pobres. Foi-lhe pedido comprovar até a última gota aquele amor que o fizera deixar tudo para se dedicar às crianças e aos jovens mais feridos daquela época de “revolução industrial”: Aqueles jovens que a sociedade não tinha mais a coragem de encarar, pois eles eram uma denúncia viva de um sistema injusto, de um progresso reservado a alguns… Mas esta decepção lhe veio da própria Igreja! Mais ainda: foi provocada por um amigo, apóstolo dos pobres como ele, que tinha dado as costas a este mundo de vaidade e de superficialidade! Por um irmão de fé e de luta que dera à sua obra o nome de “Cité do Menino Jesus”!

Na segunda e na terceira desilusão, o Padre foi provado no seu amor aos sacerdotes. Não foram padres indignos a traí-lo. Foram os seus colaboradores e depois, os seus próprios filhos espirituais: O Jaricot e o Duret, o Broche e o Farissier, o Delorme! Aqueles padres que ele mesmo tinha preparado, mimado. Aqueles filhos a quem transmitiu o leite e o mel da sua própria meditação! Ninguém poderia dizer que foram os seminários a pervertê-los. Foi ele que não soube manter viva neles a chama do entusiasmo inicial.

A vida no Prado era dura demais! A insegurança do amanhã não encontrava na motivação alegre do presente uma resposta suficiente. “O Prado assustava os padres!”, inclusive os seus próprios filhos! Os padres se revelavam indignos dos jovens da Guillotière, assim como Antônio os amava com aquela carência de Deus e de sentido. Mostravam-se incapazes de enfrentar as exigências da Missão, assim como ele a percebia. Descobriam-se insuficientes para assumir a urgência que ele considerava como “a necessidade da época e da Igreja, hoje”[46]: a evangelização dos pobres! Era o sentido mesmo do sacerdócio que estava em jogo! A visão que Antônio tinha do sacerdócio, por tê-la recebido das mãos da Igreja, estava desmoronando!

O que o Padre Chevrier devia fazer? Como devia abraçar o presente e assumir o amanhã? Será que os jovens pobres da Guillotière mereciam que ele enfrentasse esta provação? Não tinha ele o direito de pensar que tinha apostado alto demais? Que ninguém tinha condição de reverter a correnteza da história… Não tinha ele olhos para ver que as pessoas da sociedade que defendiam os pobres não se embaraçavam com uma espiritualidade tão constrangedora…?

E o sacerdócio? E as paróquias? Será que mereciam que ele sofresse tudo isso? Não podia ele deixá-las tirar sua soneca, sendo satisfeitas com a “Pastoral da Conservação” que as caracterizava?

Foi-lhe necessário dar dois “passos de gigante no escuro”: O Padre sentiu que os jovens de Lyon mereciam que lhes entregasse, de novo, tudo que ele já tinha oferecido a Jesus Cristo: seus bens, sua honra, seu sacerdócio, seu destino! Alugar e comprar a sala de baile do Prado foi a sua primeira loucura! Ela o fez trêmulo.

Perseverar na busca cotidiana de um sacerdócio vivido na penumbra do Presépio, do Calvário e da Eucaristia foi a segunda aposta: Chevrier queimou seus navios para impedir toda volta para trás! Continuou afirmando que o sacerdote devia ser um homem “despojado, crucificado, consumido” sem meio-medidas, nem alternativas! Foi uma aposta sobrehumana!

Quem poderia negar, hoje, que, naquelas três ocasiões, o Padre Chevrier “salvou” a evangelização da juventude? Que ele “salvou” o ideal sacerdotal como caminho de identificação radical a Jesus Cristo? Não ele, com certeza, mas Jesus Cristo nele!

Uma vez que a Obra foi implantada e espalhada pelo mundo, foi mais fácil compreender o quanto “era necessário” que o Prado, na pessoa do seu fundador, passasse por toda esta subida do Calvário, rumo à fecundidade futura.

O Padre Chevrier pode transmitir-nos um forte realismo sobrenatural: Ele nos ensina que formar padres habitados pela paixão por Cristo e pelos pobres. Isso ultrapassa infinitamente os raciocínios humanos. Enraíza-se numa lógica e em motivações que a razão não abraça totalmente. Conhece-se pelo “Verdadeiro Discípulo” o “santo desprezo” que ele sente diante dos “raciocinadores”: aquelas pessoas que submetem toda a sua vida a um raciocínio humano, sem deixar espaço algum para o divino!

Deixando salvas todas as diferenças, podemos aplicar em relação a essa aposta “sobre-racional” do Padre Chevrier, estas palavras que Bento XVI escreveu a respeito do amor conjugal: “La técnica não pode substituir o amadurecimento da liberdade, quando o amor está em jogo. Até, como bem sabemos, nem a razão basta: é preciso que seja o coração a enxergar. Só os olhos do coração conseguem colher as exigências próprias de um grande amor, capaz de abraçar a totalidade do ser humano.”[47]

A vida do Padre abre os nossos olhos diante o “mistério do sacerdócio”: trata-se de uma identificação com o mistério de Cristo que não se deixa avaliar apenas pelos critérios humanos comuns. Pois, responde, às vezes, mais às exigências da radicalidade do amor, do que aos critérios da razão.

Padre e formador de padres, Chevrier deixou ser conduzido por algumas etapas que a lógica humana não compreende, mas que a fé aponta como o caminho do “verdadeiro discípulo”! Deixou ser conduzido pela lógica de Cristo que nos amou, além das normas da razão, “até o fim”, fazendo-se pobre e obediente até a morte, e a morte da cruz!

Só a ressurreição prometida por Cristo, na parábola do grão de trigo que morre no chão, pode dar sentido à aceitação de algumas derrotas injustas, de tantas renúncias heróicas.

Ao amanhecer do seu ministério, no mês de maio de 1856, quando uma enchente do rio de Lyon provocou tragédias, o jovem vigário de Santo André soube escutar o chamado de Deus e do povo, para que ele ultrapassasse toda medida salvando aos infelizes do bairro alagado. Foi a mesma situação que se repetiu diferentemente cinco anos depois… Diante dos jovens do bairro da Guillotière, Antônio percebeu o mesmo clamor de Deus, querendo oferecer, através do seu padre, o testemunho do Amor de Cristo pelos pobres.

No Menino Deus do Natal, deitado na manjedoura da igreja Santo André, ele pressentiu o “desejo” divino de Se doar até a paixão, até o fim, em prol daqueles jovens amados sem medida! Só a promessa da Ressurreição pôde levar o Padre Chevrier a renunciar a tudo e a sofrer tudo até que eles também “tenham vida, e vida em plenitude”.

“Simão, tu me amas? Seja o pastor das minhas ovelhas!”

Será que deixaremos a pergunta de Cristo Ressuscitado ecoar em nós, como ecoou nos corações de Simão Pedro e do Padre Chevrier? Será que conseguiremos unificar numa só resposta coerente a nossa paixão por Cristo e a pelo rebanho que Ele nos confia?

A vida de Antônio Chevrier é o exemplo sublime de uma liberdade progressiva que se torna caridade sem limite. É a prova mais luminosa de que o próprio ministério do padre é, para ele, o lugar de sua santificação! Chevrier acreditou que não era demais preparar jovens seminaristas para esta subida, rumo à plenitude: Serem, um dia,“padres pobres para as paróquias”, padres como Cristo, “padres outros Cristos”! Ele acreditou que “os jovens não têm medo do sacrifício, temem mais a falta de sentido”[48]. Até aonde iremos, para apontar o horizonte do verdadeiro amor? “Como bem sabemos, nem a razão basta: é preciso que seja o coração a enxergar. Só os olhos do coração conseguem colher as exigências próprias de um grande amor, capaz de abraçar a totalidade do ser humano”.

Dom Dominique YOU

Bispo da Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia – PA

Traços essenciais da vida de Antônio Chevrier

Para permitir ao leitor de poder situar-se na leitura das cartas, eis aqui os traços essenciais da vida de Antônio Chevrier.

  • 1826,
  • 16 de Abril, nascimento em Lyon. O pai é um empregado de posto fiscal; a mãe trabalhadora em tecelagem de seda está à frente de um pequeno atelier. A família ainda está próxima das suas origens rurais, sobretudo pelo lado da mãe, oriunda do Dauphiné.
  • 18 de Abril, batismo na igreja de São Francisco de Sales.
  • 1840, Antônio Chevrier fazia até então os seus estudos junto dos Irmãos das Escolas Cristãs. No começo do ano letivo do mês de Outubro, torna-se aluno da escola clerical da paróquia.
  • 1843, Outubro, entra como interno no seminário de Argentière (diocese de Lyon).
  • 1846, Outubro, entrada no seminário de teologia em Lyon.
  • 1850,
  • 25 de Maio, Antônio Chevrier é ordenado padre.
  • 28 de Maio, é nomeado vigário de Santo André da Guillotière, bairro muito povoado de Lyon. Ele entrega-se sem medida neste ministério. (Em Dezembro de 1855, esgotado, deve ausentar-se para quatro meses de repouso). Desde esse período, ele mantém uma atenção privilegiada em relação aos pobres e sofre ao ver que o seu ministério não produz bastante fruto.
  • 1856,
  • 31 de Maio, inundações catastróficas na margem esquerda do Ródano, onde está situada a Guillotière. O clero da paróquia de Santo André está na primeira linha dos que prestam socorro e a reputação de dedicação do padre Chevrier aumenta.
  • Junho, Antônio Chevrier tem a oportunidade de encontrar Camilo Rambaud. Este é um jovem burguês de Lyon que se converteu e se pôs ao serviço dos pobres vivendo como eles e com eles. Camilo Rambaud está fundando a Cidade do Menino Jesus. É uma empresa simultaneamente religiosa e social. Ali se constrói habitações para os operários e nela se faz o catecismo para as crianças pobres. O padre Chevrier ficou muito impressionado com o exemplo de Rambaud.
  • Natal, a “Conversão” de Antônio Chevrier. Ele medita diante do presépio a palavra do Evangelho: O Verbo se fez carne e habitou entre nós; compreende então o apelo especial que Cristo lhe dirige a uma vida mais perfeita, mais evangélica, mais apostólica; decide-se a seguir Jesus Cristo na sua caridade infinita para com os homens, nos seus rebaixamentos, na sua humildade e no seu amor à pobreza.
  • 1857,
  • Consultas diversas, principalmente junto do Cura de Ars. É encorajado nos seus projetos. No entanto, o seu pároco e o clero que o rodeia não aprovam as suas ideias.
  • Agosto, ele deixa a paróquia e torna-se capelão assistente da Cidade do Menino Jesus. É ali que nasce o costume de chamá-lo Padre Chevrier. A sua mãe, muito autoritária, está muito descontente com esta orientação; ela não vai desarmar até à morte de seu filho. Pessoas que se chamam Irmãs dedicam-se ao serviço da Cidade. Naquele ano entra Maria Boisson, uma jovem de 22 anos, operária de tecelagem da sêda, que se tornará a primeira superiora das Irmãs do Prado, Irmã Maria. Na Cidade o padre Chevrier encontra também Pierre Louat, chamado Irmão Pedro, que será co-fundador do Prado, mas que não permanecerá.
  • 1859,
  • Janeiro, primeira estadia em Roma.
  • Nos meses seguintes, o padre Chevrier percebe claramente a divergência de orientação entre Rambaud e ele próprio. Será necessário separar-se, todavia o padre Chevrier permanece na Cidade à espera que Camilo Rambaud receba a ordenação e possa ali assegurar o ministério sacerdotal.
  • 1860, 10 de Dezembro, o padre Chevrier toma posse de um local situado na Guillotière. Era, então, uma sala de dança de má fama que se chamava o baile do Prado. Prado continuará a ser o nome da casa e da família espiritual do padre Chevrier. Neste edifício, o padre instala uma obra de catecismo para as crianças pobres. Nos anos seguintes, apresentam-se vários colaboradores. O mais entusiasmado é o padre Jaricot que será ordenado em 1869, porém, como não tem uma mente bastante sólida, o padre Chevrier não poderá apoiar-se nele.
  • 1864, Setembro, segunda viagem a Roma. O padre Chevrier quer apresentar ao Papa um pedido. Dele nos deixou o texto no Verdadeiro Discípulo[49].
  • 1865, nascimento da escola clerical do Prado. Na prática, é necessário mandar os alunos continuar os cursos na escola clerical de São Boaventura, paróquia da margem direita do Ródano.
  • 1866, Outubro, o padre Chevrier encontrou um professor para os seus alunos. A escola clerical funciona no Prado.
  • 1867, O padre Chevrier é nomeado pároco da paróquia de Moulin-à-Vent. Esta paróquia da diocese de Grenoble ficava na proximidade da diocese de Lyon e dos arredores lioneses. Estava combinado que o padre residiria habitualmente no Prado e se faria substituir na paróquia pelos padres que viviam com ele. Será, sobretudo, o padre Martinet quem se ocupará desta paróquia. Para o Padre Chevrier, é um terreno precioso de experiência para a sua finalidade principal, a Obra dos padres pobres para as paróquias[50]; mas, em Junho de 1871, sem que tivesse recebido nenhuma notificação oficial, tem conhecimento de que o padre Martinet foi nomeado pároco em seu lugar.
  • 1874,
  • Final de Março, uma doença grave exige-lhe repouso até ao fim de Maio.
  • Novembro, no campo, perto de Lyon, em Limonest, instalação de uma pequena comunidade: o Padre Jaricot, quatro Irmãs e uma vintena de crianças do catecismo.
  • 1875, Maio, terceira viagem a Roma. Nesta época, o padre Chevrier é aconselhado a organizar a sua casa como congregação religiosa. O Arcebispado de Lyon opõe-se a este projeto e o padre Chevrier não insiste.
  • 1876,
  • O padre está muito mal de saúde e o médico ordena-lhe uma temporada em Vichy (25 de Julho – 15 de Agosto).
  • Outubro, o Arcebispo autorizou o envio a Roma de quatro seminaristas do Prado. São diáconos e vão formar uma pequena comunidade autónoma para viver, na medida do possível, segundo as diretrizes do Padre Chevrier.
  • 1877,
  • 14 de Março, quarta viagem a Roma do Padre Chevrier. Durante dois meses, vai viver com os quatro seminaristas explicando-lhes o Verdadeiro Discípulo.
  • 26 de Maio, ordenação sacerdotal em São João de Latrão.
  • 20 de Junho, regresso a Lyon. O Arcebispo prometeu ao Padre deixar-lhe estes quatro novos padres.
  • 1878,
  • Na Primavera, o Padre Jaricot parte para o mosteiro e dois dos novos padres falam também em ir-se embora, enquanto o Padre Chevrier está cada vez mais doente[51]. No entanto, o Padre Jaricot volta ao Prado em Junho.
  • 31 de Outubro, o Padre Chevrier celebra missa pela última vez. Daqui por diante ficará acamado até ao final.
  • 1879,
  • 6 de Janeiro, o Padre Chevrier apresenta a sua demissão e o Padre Duret, um dos quatro padres de 1877, torna-se superior do Prado[52].
  • 2 de Outubro, no Prado, morre o Padre Chevrier. Será enterrado na capela do Prado no dia 6 de Outubro.

A numeração das cartas

Houve várias edições. As cartas são numeradas assim:

–     Primeiro número: edição francesa de 1987.

–     Segundo número entre parenteses: edição precedente.

–     Quando há cartas seguidas dirigidas à mesma pessoa, juntamos um número de ordem.

Os títulos e endereços correspondem na maioria das vezes às menções colocadas nos envelopes. Os títulos entre colchetes não se encontram nos manuscritos.

As cartas são classificadas em função das etapas da vida do Padre Chevrier e das categorias de pessoas a quem ele se dirigia.

Cartas do Padre Chevrier

colocar a paginação justa

À sua Família (1847 – 1877)

pág. 11

De Santo André e da “Cité” (1855 – 1860)

pág. 17

Aos Padres e aos Seminaristas (1864 – 1878)

pág. 41

Às Irmãs do Prado (1859 – 1879)

pág. 137

Às Senhoras Mercier e Bonnard (1860 – 1878)

pág. 187

Cartas de direção (1860 – 1878)

pág. 201

A Benfeitores e Amigos do Prado (1863 – 1878)

pág. 287

Cartas de recomendação (1857 – 1878)

pág. 313

  Cartas  à sua família  1847 – 1877

À Senhora Anita Fréchet (Tia)

À Senhora Anita Fréchet (Tia) 1 (1)

SENHORA ANITA FRÉCHET NA CASA DO SR. FERRANO, EM CHATANAY, JUNTO DA TOUR DU PIN (ISÈRE)

Seminário Maior, 31 de dezembro de 1847

Querida tia:

Ao começar o novo ano permita que lhe envie os melhores votos e desejos que merecem o afeto e as atenções que tem por mim. Quero agradecer-lhe o bom acolhimento que me dispensa sempre que tenho o prazer de visitá-la e os sinais de carinho com que sempre me honra. Não encontro melhor maneira de corresponder às suas atenções para comigo do que mostrar o meu reconhecimento com as minhas orações; oxalá elas sejam agradáveis a Deus. Peço-lhe também, querida tia, que reze por mim; como sabe, talvez este ano se decida o meu futuro; reze por mim, para que o passo que darei, a consagração que farei a Deus, lhe seja agradável. Eu, pela minha parte, não a esqueço.

Peço ao senhor e à senhora Ferrand que aceitem os meus desejos e os meus votos para o novo ano; e eu sou, com reconhecimento e carinho, querida tia,

O seu dedicado e querido sobrinho,

  1. Chevrier, Minorista

À Senhora … (Prima)

À Senhora … (Prima) 2 (2)

Seminário Maior, 22 de maio de 1850

Querida Prima,

O silêncio do Retiro que precede a minha ordenação e que exige uma profunda meditação das graças inefáveis que Deus na sua misericórdia me quer oferecer, não é muito compatível com a correspondência com o exterior. Mas poderia eu resistir ao desejo de lhe manifestar a minha gratidão, sentimento tão natural e tão justificado?

A agradável surpresa que me fez é ainda maior porque não pensava ser merecedor de tanta benevolência da sua parte. A túnica que terei a alegria de vestir no próximo domingo, será para mim motivo para a ter sempre presente no augusto Sacrifício e de rezar por todos os seus entes queridos.

Pensava ter a alegria de rezar a minha primeira Missa em S. Francisco, mas não é permitido a nenhum padre sair do Seminário. Deram-me a honra de rezar a Missa da comunidade que é às 6 horas da manhã. Se não fosse tão cedo, ousaria esperar que toda a minha família estivesse presente, mas, mesmo que os meus olhos não os vejam, estarão presentes no meu espírito e no meu coração.

Queira receber o testemunho de sincero afeto do seu dedicado primo.

Respeitosos cumprimentos para o meu primo.

  1. Chevrier

Ao Senhor Chevrier (Tio)

Ao Senhor Chevrier (Tio) 3 (3)

  1. CHEVRIER, NA CASA DO SR. DUFOURNEL RUA DES CAPUCINS, 8, LYON

Santo André, 10 de setembro de 1855

Acabo de receber uma carta de Sebastopol na qual o meu primo me pede que transmita as suas notícias ao seu pai e à sua mãe e a todos os seus familiares. Não podendo ir visitá-lo pessoalmente por causa das minhas ocupações e por estar de semana, envio-lhe dois dos meus jovens clérigos, que cumprirão o encargo que me foi confiado.

Não sei se esta carta substituirá a que recebe todas as semanas; de qualquer modo, se não a receber na próxima quarta-feira, com é habitual, não se preocupe, pois ele encontra-se bem e não sofreu qualquer ferimento. O conteúdo da carta não tem nada de extraordinário. Ele diz que recebeu a minha carta e o pequeno pacote que mandou pelo Sr. Hauvert. Parece que o Sr. Hauvert não pode entregá-lo pessoalmente, pois o fez chegar por um soldado do 42º. Lamenta vivamente nem sequer ter podido falar com esse soldado, porque não estava na sua tenda quando ele foi por lá, e agora não sabe onde o encontrar. Espero que M. Hauvert tenha ocasião de ver o meu primo e falar com ele sobre Lyon e os seus amigos. A carta tem a data de 27 de agosto e ele desconhece ainda a sua nomeação para o grau de Cavaleiro da Legião de Honra. Que alegria, que felicidade será para ele receber esta notícia! Ele fala longamente, na carta, da sua decepção, do seu pesar ao ver jovens oficiais condecorados, enquanto ele, velho soldado que, em 27 anos, nunca faltou ao seu dever, ser tratado abaixo deles em estima e honra. Há que reconhecer que é desolador e ele compreende-o melhor que ninguém. Mas se sentiria bem compensado quando receber a sua carta na qual encontrará, no “Moniteur”, a sua promoção e a sua cruz. Associo-me à sua felicidade e partilho a sua alegria justa e devidamente merecida.

Encontrarei um momento para lhe escrever uma pequena carta de felicitações, mas, se lhe escrever, diga-lhe que recebi a carta dele, que me deu muita alegria, e que já não partilho as suas tristezas, entretanto dissipadas, mas que, pelo contrário, me uno à sua felicidade.

Também me recorda na sua carta o firme propósito de ir a Nossa Senhora de Fourvière, logo que tenha a alegria de voltar a Lyon; esse dia será certamente para todos nós um grande dia de festa e espero que o bom Deus que o tem protegido até hoje, o protegerá durante toda a campanha e que voltaremos a vê-lo são e salvo; rezo a Deus todos os dias por isto.

Receba, com as minhas saudações, o meu mais sincero e vivo afeto e um beijinho para Alice.

  1. Chevrier

Ao Senhor Chevrier (Pai)

Ao Senhor Chevrier (Pai) 4 (4)

SENHOR CHEVRIER, RUA SALA, 64-1º LYON

J.M.J.       Chatanay, 16 de julho de 1862

Meu querido Pai,

Chegamos bem a Tour-du-Pin. A mãe ficará comigo até sábado à tarde, voltaremos a Lyon às seis e meia. Não te preocupes, eu escrevi àquelas senhoras do lugar que irão te ver e farão o teu almoço. Trata de cuidar do teu braço durante estes dois dias.

O tempo não está muito bom, hoje chove. Talvez amanhã esteja melhor e tu poderás dar um passeio e eu também.

Chatanay está sempre igual.

Todos te saúdam. Adeus. Teu filho

  1. Chevrier

Ao Senhor Thévenon-Peigner

Ao Senhor Thévenon-Peigner 5 (5)

SENHOR THEVENON-PEIGNER, EM LA HALLE, BOURGOIN, ISERE

15 de dezembro de1865

Senhor,

Tenho a honra de lhe comunicar que, não podendo lhe encontrar para receber a importância relativa aos lucros obtidos depois da festa de S. Martinho, lhe pedimos que os envie ou nos escreva. Tendo morrido, no mês de janeiro, o nosso Irmão mais velho, pedimos que contate o senhor Cláudio Chevrier, rua Sala, 64, em Lyon.

O seu servo

Chevrier

[Carta escrita pelo Padre Chevrier em nome do seu pai, Cláudio Chevrier]

À Senhora Chevrier (Mãe)

À Senhora Chevrier (Mãe) 6 (6) [1]

À MINHA MÃE

J.M.J.                       16 de fevereiro

Minha querida Mãe

Eu estou bem, não te preocupes. Regressarei no sábado, ao meio-dia e meia. Não te esqueças de enviar à estação de Vaise um rapaz ou dois para levar a minha bagagem.

Envio uma pequena mensagem para a Irmã Clara, em resposta à sua carta; não te esqueças de entregá-la.

Teu filho que te abraça.

  1. Chevrier

À Senhora Chevrier (Mãe) 7 (7) [2]

J.M.J.       Prado, 2 de novembro de 1870

Querida Mãe:

Alegro-me por saber que fizeste boa viagem. Faça algumas compras, que nos serão sempre úteis mais tarde.

As notícias não são boas: os Prussianos aproximam-se e é provável que dentro de dez dias cheguem às portas de Lyon. Fizeram sair de Lyon os idosos e as crianças.

Teremos a Primeira Comunhão no domingo que vem.

Vou aconselhar às senhoras do bairro que aluguem um quarto na cidade para se refugiarem em caso de necessidade e guardem algumas provisões. Fique em Chatanay, aí estarás mais segura. Eu farei o que puder.

Cuida bem de ti e compra tudo o que te for necessário. Peço ao meu primo Cláudio e às minhas primas que cuidem bem de ti e saúdo a todos.

Rezem por mim; eu não vos esqueço.

O teu filho que te abraça.

  1. Chevrier

À Senhora Chevrier (Mãe) 8 (8) [3]

SENHORA VIÚVA CHEVRIER NA PROVIDÊNCIA DO PRADO RUA CHABROL, 55 GUILLOTIERE. LYON, RHÔNE. FRANÇA

Roma, 4 de julho de 1877

Minha querida Mãe

Finalmente vamos regressar em breve ao Prado. Pensamos partir na próxima segunda-feira para chegar a Lyon na quinta-feira à tarde ou sexta-feira de manhã. Logo que souber, te farei saber o momento da chegada.

Espero que estejas bem; pelo menos as notícias que nos deu o Senhor Berne foram boas. Espero que em breve nos voltaremos a ver com boa saúde. Exceto uma pequena indisposição que tive há alguns dias, que não foi nada, eu estou bem. A Irmã Clara esteve doente, esteve mal da garganta como há algum tempo, mas está melhor, agora já sai. Veio visitar-nos ontem e hoje. Tinha a cara um pouco inchada.

Os nossos seminaristas estão bem e preparam-se com entusiasmo para vir trabalhar para o Prado.

Espero que as jovens de Monchat estejam bem e que as encontre de boa saúde. Será uma das boas visitas que farei quando regressar.

Até breve, no fim da próxima semana.

O teu filho que te abraça.

  1. Chevrier

Saudações para todos.

    Cartas  de Santo André  e da “Cite”  1855-1860

Ao Senhor Francisco Convert

Ao Senhor Francisco Convert 9 (9) [1]

Lyon, 30 de agosto de 1855

Meu caro Francisco:

Lamento muito não ter estado em casa quando veio para se despedir antes da sua longa e interessante viagem, em primeiro lugar para lhe desejar uma boa viagem e também para lhe pedir um pequeno serviço em Paris. Trata-se do seguinte:

Ir ao escritório da enciclopédia do século XIX, rua Jacob, 31, – cujo diretor é o Sr. Ange de Saint Priest – e reclamar da minha parte os dois volumes do índice da enciclopédia e o suplemento desta obra que ainda não recebi. Escrevi, há uns meses, ao Sr. Diretor, para o escritório da enciclopédia e não recebi resposta. Diga-lhe que ainda não acabei de pagar a obra e que, se não receber o que me falta, não tenho a intenção de pagar a totalidade. Convém que saiba também que pedi esta obra há três anos, por intermédio dos senhores Girard e Josserand, livreiros em Lyon, e que, se o meu nome não consta dos seus arquivos, devem encontrar o nome dos meus intermediários, senhores Girard e Josserand.

Os senhores Girard e Josserand escreveram a meu pedido, há já bastante tempo, e ainda não receberam resposta satisfatória.

Se lhe quiserem entregar os livros (o que não creio), não aceite, mas peça-lhes que os enviem aos senhores Girard e Josserand, ou então para o meu endereço, em Santo André. Ficarei muito agradecido se conseguir resolver este assunto, ou dar-me algumas informações.

Estive com a sua mãe que esperava com ansiedade uma carta sua, para saber notícias do seu querido filho e do senhor Neyrat. Ela ficou muito contente por receber a sua carta e pediu-me para lhe dizer que compre, em Metz, se passar por esta cidade, um livro de orações em alemão para a senhora Woegeli; ela quer um bom livro que seja para ela o que são para nós as horas de Lyon, contendo a Missa, as Vésperas, orações, etc. etc… Os seus pais estão bem, foram a Viena. O seu pai só ficou um dia e a sua mãe chegou ontem, quarta-feira, à tarde; estou convencido que ela regressou tão cedo para saber se tinha escrito.

Há que reconhecer, querido Francisco, que tem sorte e é feliz: dar uma volta pela França em tão agradável companhia e sem gastar nada, é algo que não está ao alcance de qualquer viajante da grande cidade. Espero que aproveite esta grande oportunidade e que o senhor Neyrat só tenha que se felicitar pelos favores que lhe faz.

As minhas saudações mais afetuosas ao Senhor Neyrat; sinto-me unido a todos os seus sucessos e a todas as suas alegrias, esperando ter o prazer de vê-lo e ouvir contar as maravilhas da sua feliz viagem.

  1. Chevrier

P.S. Se o meu pedido lhe causar transtorno ou se não tiver tempo para se ocupar disso, não se preocupe; encontrarei outras ocasiões que poderei aproveitar, em Paris.

Ao Senhor Francisco Convert 10 (10) [2]

Tour du Pin, Isère, em casa de meus pais, em Chatanay, 5 de março de 1856

Meu querido Francisco:

Há oito dias que estou no campo. Tinha prometido aos seus pais dar notícias minhas e não quero faltar à minha palavra. Gostaria de saber como está, assim como os seus pais. Embora longe da minha querida paróquia de Santo André, penso nela sempre com alegria. Contudo, a minha satisfação seria maior se pudesse desempenhar as minhas funções, em vez de me fazer de preguiçoso aqui, enquanto os meus companheiros suportam todo o esforço… Que podemos fazer? A Providência assim quis, e devemos submeter-nos à vontade daqueles que nos dirigem, tanto no temporal como no espiritual.

Talvez queira saber o que faço por aqui, como me encontro. Eu conto: Estou a uma meia hora de Tour du Pin, no alto da colina que domina esta pequena cidade. Olhando na direção de Croix-Rousse fica-se com uma ideia do lugar onde estou. Aqui o vento é forte, os nevoeiros permanecem pouco tempo, mas me incomodaram um pouco durante estes dias. Deste modo não pude sair, o que me aborreceu bastante. A minha maior distração é o passeio e, se não posso sair, o tempo parece-me muito longo. Tinha decidido voltar a Lyon se o mau tempo continuasse, mas desde ontem o sol voltou a brilhar e eu vou aproveitar estes belos dias. Não farei grandes caminhadas, porque as minhas pernas ainda não estão muito fortes e se faço um exercício um pouco mais violento, começo a tossir outra vez. Espero ficar completamente restabelecido até à Páscoa e, como o pároco é bastante bom e sei que me espera, terei a alegria de voltar a Santo André com boa saúde e recuperar, se puder, todo o tempo perdido. Para isso tomo leite fresco três vezes ao dia; é muito relaxante e espero que me faça muito bem: se estivesse de férias e se a linha de trem já estivesse pronta, convidava-o a dar um passeio até Chatanay; lhe faria bem um pouco de leite. Fica para outra ocasião… Trate bem da sua saúde; para isso obedeça à sua mãe e ao seu pai. Sobretudo não se deite muito tarde, porque não queira saber como isso é contrário à saúde; eu sei por experiência própria.

Esquecia-me de agradecer ao seu pai a bengala que me ofereceu; levo-a sempre comigo e ela é muito útil, seja para me defender dos cães, seja para me apoiar durante os meus passeios. Teve uma boa ideia ao oferecer-me esta bengala, meu caro Convert, e eu agradeço-lhe.

Os meus cumprimentos para a sua mãe; peço-lhe que não me esqueça nas suas orações. Asseguro-lhe que não a esqueço nas minhas, bem como as pessoas que me são queridas. Apresente os meus cumprimentos aos senhores de St. Bonaventure, se eles perguntarem por mim. Gostaria de lhe pedir para saudar em meu nome algumas pessoas de Santo André, mas prefiro que guarde silêncio porque, como não posso escrever a todos e se sabem que escrevi a algumas pessoas sem escrever a outras, isso pode ter inconvenientes. Peço-lhe unicamente que entregue este bilhete à Senhora Barjot, quando a encontrar; não é urgente.

Desejo que as bênçãos de Nosso Senhor e da sua divina Mãe desçam sobre todos vós.

Com muita amizade em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

Ao Senhor Francisco Convert 11 (11) [3]

Lyon, 21 de março de 1857

Meu caro Francisco:

Lembrou-se de mim no seu piedoso e tranquilo retiro; agradeço-lhe. Alegra-me saber que está bem quanto à alma e quanto ao corpo; procure conservar essas boas disposições, tão necessárias para conseguir os nobres fins que procura atingir; comece a pôr os primeiros fundamentos das virtudes sólidas de que o padre tem tanta necessidade no meio do mundo e entre tantos perigos a que está exposto todos os dias. O padre necessita de ciência. Está na fonte, beba o mais que puder, ela lhe servirá mais tarde, no ministério, se o bom Deus o chamar. Um padre que não é instruído não pode fazer todo o bem que poderia e deveria fazer; e não considere inúteis todos esses teoremas, senos e cosenos em que está agora envolvido; tudo serve e, apesar da aridez desse estudo, procure fazê-lo fecundo e agradável mesmo com os pensamentos da fé que o devem fazer entrever a glória que dará a Deus no futuro.

Mas adquira sobretudo virtudes; isso é mais necessário que todo o resto e, deste ponto de vista, posso dizer que a ciência sem virtude não serve para nada. Sempre tenho dito que padres virtuosos e humildes fazem muito mais bem no ministério do que padres sábios.

Pede a Deus que te dê o seu Espírito, a fim de que seja este espírito divino que o faça agir em tudo; que ele o guie, o inspire e lhe dê sobretudo aquele espírito de caridade cristã e sacerdotal, sem o qual o nosso ministério será nos nossos dias totalmente estéril. Atualmente, quanto mais as virtudes vão desaparecendo do nosso mundo, tanto mais necessário é que elas brilhem no padre. Ah, meu caro Francisco, como eu ficarei feliz e contente se vier a ser, um dia, um bom, um santo padre. Procure entre os seus companheiros alguns amigos verdadeiros e sinceros, verdadeiramente piedosos com os quais possa falar algumas vezes de Deus, do nobre estado a que aspira. Reuni-vos para observar algumas pequenas práticas de virtude em honra de N. S. Jesus Cristo, modelo dos padres, e de Maria, a rainha e a protetora dos jovens levitas do santuário, e estas santas conversas contribuirão muito para o vosso progresso e o vosso aperfeiçoamento na virtude.

Saúde da minha parte o seu companheiro Meunier; diga-lhe que, se as minhas orações têm algum poder junto do bom Salvador Jesus, eu não vos esquecerei, nem a ele, nem a ti, e que, pela vossa parte não esqueçais os padres que trabalham na arena. Começai a converter as almas pela oração, antes de as converter pelas vossas palavras e obras.

Diz que ainda não disse um adeus definitivo a Jerusalém. Nisto, como em tudo, é necessário consultar Deus e seguir os seus caminhos. Se um dia o bom Deus o chamar a ser missionário, aqui ou noutros lugares, será necessário partir; mas se o chama para outra parte, submeta-se à sua santa vontade. O importante é que comece já a aproveitar bem todas as graças que Deus lhe dá atualmente; estas o farão merecer, mais tarde, outras que agora talvez nem suspeita.

Não tem que me felicitar pela menção honrosa que recebi por motivo das inundações, nem se preocupe pelo fato de não ter sido recompensado dignamente; as recompensas da terra são pouca coisa. Compreendo que um carregador ou um homem do mundo, sem fé, possa correr atrás de uma cruz ou de uma medalha, mas seria muito vil um padre que pensasse nestas glórias terrestres que são apenas fumaça e que não fazem mais do que denegrir a sua glória sacerdotal. O que nos deve enobrecer são as virtudes e não as condecorações. Prefiro ouvir dizer: eis um padre caridoso, eis um padre santo, do que ouvir dizer: eis um padre condecorado.

O senhor Neyrat ainda não recebeu a mala, provavelmente perdida ou roubada. É uma tristeza para ele, porque assim se perdem todas as suas recordações de viagem. Esperemos que algum anjo protetor a encontre e assim lhe devolva tudo o que perdeu.

Recebi poderes para conceder indulgências e admitir na Confraria do Escapulário. Agradeço-lhe a fidelidade aos seus encargos. Pediram-me somente que celebre 14 Missas para pagar as despesas de gestão. Diga-me por favor se pagou alguma coisa por mim em Roma; se não deu nada, celebrarei as 14 Missas por intenção do Padre Capuchinho que me as enviou.

Não lhe dou notícias dos seus pais, a sua mãe as dará.

Adeus, meu caro Francisco, não esqueça nas suas orações aquele que conheceu em Santo André para ser seu amigo em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Chevrier

Ao Senhor Francisco Convert 12 (12) [4]

6 de junho de 1857

Meu querido Francisco:

Esteve à minha espera na semana passada e eu verdadeiramente desejava vê-lo a ti e ao nosso amigo Césaire. Mas na terça-feira tive que confessar todos os meninos da paróquia e, na quinta-feira passada o pároco foi rezar a Missa em Fourvière, e o tempo não estava muito propício para a sua viagem. É necessário prometer-lhe que o visitarei? Prefiro não dizer nada e aparecer no momento em que menos espera. Se, tendo em conta dificuldades insuperáveis que a Providência poderá colocar a tão agradável viagem, não puder ir de modo nenhum, escrever-lhe-ei de novo para lhe dizer a verdadeira razão, que de momento não lhe posso dar a conhecer.

Aconteça o que acontecer, espero-vos com impaciência, para vos fazer trabalhar os dois para a glória de Deus e a salvação das almas, na medida em que as vossas faculdades o permitam. Se os meus projetos resultarem bem, poderei ocupar-vos aos dois; espero que não fiqueis tristes, sobretudo Meunier que já participou em muitas coisas e que poderia aparecer como um sábio catequista no meio dos nossos pequenos prosélitos. Vocês são jovens, caros amigos; tendes que pensar em ocupar bem essa juventude, porque em seguida chega a idade da indiferença em que o corpo só pode as doçuras do descanso; e se não fazemos nada na juventude, que poderemos fazer na velhice? É necessário que sintais já, na medida da vossa idade e das vossas faculdades, o desejo de desempenhar as funções sacerdotais; é necessário que sintais já na alma o desejo de chegar a ser santos para poder santificar os outros, porque para santificar os outros, é preciso ser santo. É preciso que comeceis desde já a praticar as diferentes virtudes que serão mais tarde o vosso ornamento. Mas, perdoai o meu esquecimento. Faço-vos um sermão como se duvidasse da vossa boa vontade e do vosso desejo sincero de vir a ser padres santos na Igreja de Deus. Coragem, continuai a fazer o que haveis já começado tão bem.

Acabo de organizar em Santo André uma associação de jovens que cantaram todas as tardes dos domingos no exercício do mês de maio. Vós mesmos vireis edificá-los com os vossos bons exemplos e com as vossas virtudes a fim de que esta associação possa progredir sob os auspícios da Virgem Maria e de S. Luís Gonzaga, que é o seu patrono. Desejaria inscrever nela todos os jovens de Santo André, mas é praticamente impossível. Todavia, conto já com 20 que serão fiéis e que, assim espero, servirão de núcleo para os outros. Se, entre eles, houver caridade e zelo, tudo irá bem; são as bases necessárias para que qualquer obra possa caminhar bem. Sem caridade, nada; tudo será impossível. Esforçai-vos por adquiri-la e fazê-la crescer nas vossas almas e chegareis a ser apóstolos. Pedi-a para mim ao bom Jesus, para que me revista das suas divinas entranhas de bondade e de misericórdia para com toda a gente e sobretudo para com os pobres que têm tanta necessidade dela, em poucas palavras…

Alegro-me por estarem bem de saúde; cuidai-a o melhor possível, tanto quanto a vossa posição o permita. Tendes necessidade disso, porque vós os dois sois chamados a trabalhar muito e a converter muitas almas.

Vi os seus pais que estão bem, bem como os de Meunier. Esperam-vos com impaciência. Isto é próprio dos pais e das mães. Eles amam-vos muito, e há tão poucos que tenham a coragem de oferecer os filhos a Deus. Temos que ser compassivos com a sua debilidade. E se Deus vos chamar a ir para longe trabalhar em qualquer vinha selvagem, não faltarão obstáculos por causa da sua ternura. Mas em tudo cumprireis a vontade de Deus, é o melhor que podeis fazer.

Adeus, meus caros amigos; recomendo-vos ao Sagrado Coração de Jesus neste mês que lhe é consagrado, peço-lhe para vós um grande amor; que ele inflame os vossos corações com o mesmo fogo com que ele mesmo está inflamado. Pedi-lhe para mim as mesmas graças.

Adeus. Amanhã, durante a Santa Missa, estarei unido a vós em espírito e vos oferecerei a Jesus por Maria, nossa terna Mãe.

Todo vosso em Jesus e Maria.

  1. Chevrier

Ao Senhor Francisco Convert 13 (13) [5]

L.J.M.            25 de janeiro de 1858

Meu caro Francisco,

Agradeço vivamente as suas boas recordações. Sei que são sinceras e que partem do seu coração, por isso recebo-as com alegria. Se, apesar da ausência, não perde o afeto por mim, é uma boa prova a seu favor. Mas ainda me enche muito mais de alegria pensar que deve conservar muito melhor ainda esses sentimentos de reconhecimento e amor para com o seu Criador, o Deus de toda a bondade, que vela por nós em cada instante do dia, e que cuida de ti de uma maneira tão providencial. O seu afeto deve dirigir-se sobretudo para o nosso bom Jesus que deve tomar desde já por seu modelo em tudo. Deve habituar-se desde já a amar muito a Nosso Senhor e sobretudo a estudar a sua vida, as suas máximas, as suas virtudes, para poder imitá-lo; está aqui o segredo da virtude e da perfeição do sacerdote, meu caro Francisco: estudar Jesus para imitar Jesus. Todas as outras ciências não são nada… São Paulo o diz: “Eu não sei mais nada senão Jesus e não quero saber mais nada senão Jesus”. Esta é, com efeito, toda a ciência do sacerdote e, acredita, nós esquecemos muito esta grande ciência para nos aplicarmos a outras ciências menos úteis e muitas vezes prejudiciais por causa do nosso orgulho.

Portanto, meu caro amigo, o melhor conselho que lhe posso dar, é que nas suas meditações contemple a vida do nosso Salvador e que diga: Meu Salvador, Meu modelo, Vós fizestes isto, eu devo fazer outro tanto; é assim que eu trabalharei para a glória do Vosso Pai e chegarei a ser um bom sacerdote, pois me chamais a tão alta e sublime vocação.

O seu pai agora tem trabalho; o trabalho está retomando um pouco em Lyon. O bom Deus não abandona de todo os seus filhos; esperemos que esta estação seja menos má do que se pensava.

Saúde da minha parte o bom amigo Buer. Alegro-me por saber que ele está em Alix e que vocês estão juntos; assim podeis encorajar-vos mutuamente para o bem. Esse Buer deve ser um bom moço. Diz-lhe que o estimo com muita ternura e que desejo de todo o coração que ele cresça no amor do bom Jesus tal como você.

Tem também em sua casa um dos meus quase paroquianos, Sr. Michelin. Saúde-o da minha parte; diga-lhe que vi a mãe dele, que ela está bem e que quando vier de férias, quero conhecê-lo.

Que Deus e o Seu divino Filho Jesus vos ajudem e vos protejam a todos, que abram as vossas inteligências e sobretudo os vossos corações para estudar Jesus que é a verdade e a vida.

Todo seu em Nosso Senhor Jesus.

  1. Chevrier, Padre “Cité” do Menino Jesus. Brotteaux

À senhora Genoux

À senhora Genoux 14 (14)

SENHOR OU SENHORA GENOUX. RUA DO LIGRE, ENTRADA NORTE, 81, PAQUIS, GENEBRA

J.M.J.       Lyon, 27 de setembro de 1858

Senhora,

O que pensará da minha negligência? Queira perdoar-me e acredite que pensei muitas vezes nessa boa família Genoux que partiu de Lyon para um país estrangeiro onde me parece que só muito dificilmente se conseguem cumprir os deveres religiosos, e se eu não conhecesse a firmeza do vosso marido e a vossa fidelidade aos deveres, recearia pela vossa salvação e a dos vossos filhos; mas Deus seja bendito, eles encontrarão em ti este apoio necessário para contrabalançar o peso da heresia que vos rodeia.

E o meu caro Edmundo, já tem melhores sentimentos? Lamento muito não ter podido vê-lo em Lyon; fui várias vezes a casa da senhora Desoux e não o encontrei. Ele devia-me uma visita há muito tempo, mesmo antes da vossa partida, mas tememos sempre aquele que quer nos conduzir para o bem, quando não se quer seguir os seus conselhos. Diga-lhe da minha parte que faça uma pequena oração todos os dias, ainda que não seja mais do que o Pai-nosso ou a Ave-Maria. A graça de Deus tocará um dia o seu coração e o devolverá ao vosso amor.

E Anita, que sofre dos olhos, é necessário que ela diga a Deus de vez em quando: “Dai-me luz para que eu possa ver o vosso paraíso”. Eu rezarei por vós todos, pela senhora Hortense, a fim de que ela se torne uma boa professora. Esta é uma grande e bela vocação, muito próxima da do padre e é preciso ter o espírito de Deus para desempenhá-la exatamente e santamente. Que ela compreenda bem toda a sua importância e atue sempre para conduzir as almas para o bem. Também rezarei pela pequena Maria, que também era minha penitente, minha filha. Espero que ela tenha um lugar no céu, e se eu partir antes de vós, prepararei um lugar para vós, com a condição que façais tudo o que Deus pede para lá chegar.

Continuo na minha pequena cela, sempre tão feliz, confiando-me à divina Providência e pedindo as orações das almas caridosas e fervorosas, para me tornar um verdadeiro Padre, segundo o coração de Jesus que se fez pobre para nós e que se sacrificou por nós que somos tão miseráveis. Quando for à vossa bela Igreja da Imaculada Conceição, reze uma pequena oração pelo vosso devotado servo em Nosso Senhor Jesus.

Peço ao senhor Genoux que aceite os meus sinceros sentimentos de estima e afeto e, como padre, peço para todos vós uma particular bênção do céu.

  1. Chevrier Capelão da “cité” do Menino Jesus, em Brotteaux

Ao senhor Paulo du Bourg

Ao senhor Paulo du Bourg 15 (535)

J.M.J.   Roma, 7 de janeiro de 1859

Meu bom Irmão,

É chegado o momento de voltar à “Cité” do Menino Jesus. Ainda que o tempo não tenha sido longo, no entanto, fico com a impressão de há muito tempo estar afastado de vocês. Nunca ninguém se sente tão bem como quando está junto dos seus Irmãos e amigos. Apesar da beleza e do esplendor que encontro em Roma, prefiro ainda a nossa pequenina capela e a minha pequenina cela; lá encontramos melhor o Bom Jesus e o coração sente-se mais à vontade. Cada vez me convenço mais que não sou feito para as grandezas, e que nada me convém mais do que os pobres e os pequeninos, e que é aí que se encontra a maior satisfação e a alegria mais autêntica. Assisti ontem, quinta-feira, dia da Epifania, ao ofício na capela Sixtina. Imagina uma grande sala inteiramente pintada com afrescos magnificos, de cima até em baixo, incluindo o teto, representando pessoas do Novo Testamento onde mais de mil personagens figuram em tintas variadas e dando a esta capela um aspecto que não se encontra em nenhuma outra parte. Três bancos decorados nos quais se sentavam 30 cardeais vestidos de túnica e arminho; o Papa chegando com todo o seu acompanhamento de prelados, bispos e arcebispos. Há que admitir que tudo isso é imponente e que em nenhum outro lugar a religião se apresenta com tanta grandiosidade e esplendor. No entanto, eu teria preferido ver o presépio do Bom Jesus e ser pastor para ter a felicidade de estar no estábulo do bom Salvador.

Ainda não tive a felicidade de falar com o Santo Padre e não partirei sem ter a sua santa bênção. Espero conseguir amanhã autorização para me apresentar a ele, à sua passagem e pedir-lhe a sua bênção para mim, para vocês, os bons Irmãos da Obra da “Cité” do Menino Jesus. E se ele me falar, apresentar-lhe-ei o plano da obra da “Cité” que levarei comigo a fim de que ele reze pela obra.

O irmão Camilo entrou anteontem no seminário do Espírito Santo e ficará lá durante alguns meses para iniciar de uma maneira regular os seus estudos. Depois, quando já se encontrar numa fase normal, daremos os passos necessários junto de nosso Bispo, para conseguir que venha para alguma casa mais próxima de Lyon, porque, em Roma, como noutros seminários, é preciso ficar, ao menos, dois anos e meio. Espero que o Bom Deus abençoe a sua estadia em Espírito Santo, que ele consiga seguir os estudos. O Sr. Bispo pôs bastante dificuldades para aceitar. Não queria decidir sobre este assunto, e adiava sempre a decisão para um tempo indeterminado, mas, nós esperamos que, agora que está no seminário, ele aceite tudo. Rogai ao Bom Deus por ele, pois precisa muito disso.

Partirei na terça-feira próxima, 11 de janeiro, se daqui até lá puder visitar as catacumbas e pedir ao Santo Padre a sua bênção. Estou impaciente para voltar para junto de vós. Espero chegar a Lyon sábado à tarde ou domingo.

Queiram apresentar os meus sentimentos de amizade e afeição ao Irmão Pedro e ao Irmão Carlos, e não me esqueça nas suas orações ao Menino Jesus.

Com a minha cordial afeição, sou o seu dedicado em nosso Mestre e Salvador.

  1. Chevrier Palácio Valentini, Praça dos Apóstolos

Queira apresentar os meus sentimentos respeitosos ao Senhor Pároco… e dizer-lhe que não poderei levar uma indulgência para o seu altar. Quando regressar, escreverei ao Padre Afonso, capuchinho, e ele me enviará depois de lhe ter dado indicações que ainda não tenho.

Ao senhor Camilo Rambaud

Ao senhor Camilo Rambaud 16 (15) [1]

J.M.J. Lyon [“Cité”], 23 de janeiro de 1859

Prezado Irmão,

Não pude aproveitar a ocasião que me proporcionou o Irmão Paulo para lhe escrever. Agora junto a minha carta à do Irmão Pedro.

O meu regresso foi bom, apesar do enjoo que foi tão violento quanto o da ida. Estou muito agradecido ao bom Padre Aymard que foi muito carinhoso comigo e me deu o exemplo duma grande caridade no barco. Chegamos a Marselha às 4h da tarde. Fui jantar a casa dos Padres Capuchinhos aos quais entreguei os recados que tinha para Marselha. Saí às 9h da manhã de trem com o Provincial que ia também para Lyon; chegamos na terça-feira de manhã.

Senti um grande prazer ao ver de novo a nossa cidade e compreendi melhor o seu isolamento. Mas, coragem! É para Jesus e o seu divino serviço que você se encontra separado de nós e da sua obra.

Faça-me o favor de dizer às pessoas que me deram cartas e recados que fiz tudo e que tudo deve ter chegado ao seu destino. Todos receberam com gosto as suas pequenas lembranças e, sobretudo, as medalhas que usam com gosto. Encorajei os seus Irmãos que parecem todos bem dispostos para a obra. O Irmão Paulo está bastante feliz. A semana passada correu-lhe bem. Parece mesmo que o bom Deus aprovou a sua decisão porque se dignou abençoar os seus esforços, ajudando-o a encontrar dinheiro; não há, pois, motivo para se preocupar e, como diziam muito bem os Padres Capuchinhos, o Reitor do Seminário e o Senhor de Serre, se Jesus quer que você seja padre, fará que a obra da “Cité” e a Igreja continue sem você. Isso será mesmo a indicação mais certa e menos equivocada de sua vocação ao sacerdócio, da qual, no entanto, não duvido, quando se vê, sobretudo, quanto Deus precisa de padres pobres e sacrificados. Não quero dizer que nós faremos mais que outros, mas, pelo menos, o faremos pelo desejo e pelo exemplo. Oh! aprenda bem a tornar-se um bom padre, agora é isto que você tem de fazer. Torne-se bom padre pelo estudo, pela ciência necessária e pela virtude que um tão alto estado reclama. Alegro-me antecipadamente ao pensar que poderemos servir Deus juntos. Vi o seu pai que ficou feliz. Parece bem resignado e esperará com paciência. Encontra-se bem e ficou contente em saber que você está bem alojado, bem alimentado, e que voltará com uma roupa diferente daquela que trouxe. Rezamos muito por você, nas nossas orações particulares e em público, sobretudo na Santa Missa. Espero que tudo corra bem. Quando se procura só a Deus, quando não se quer mais do que Ele, à custa de si mesmo, ele só pode atender-nos. Ponho de novo mãos à obra com coragem, cuidarei exclusivamente das crianças da “Cité” e da Primeira [Comunhão]. Este é o meu trabalho principal e, dedicando-lhe todos os meus cuidados, espero que o Bom Deus me abençoe. Reze por nós. Estarei unido a ti, sobretudo quando rezar no Coliseu, lugar dos mártires.

Lembranças ao senhor abade Louis e a todos que lhe pedirem notícias sobre os seus recados.

Sou o seu dedicado servo em Jesus o nosso Salvador.

  1. Chevrier

Ao senhor Camilo Rambaud 17 (16) [2]

[AO IRMÃO CAMILO, EM ROMA]

J.M.J. [“Cité”], Fevereiro de 1859]

Meu bom Irmão,

Devo começar por um ato de fé na boa vontade de Deus para conosco, pois que se digna conceder-nos a todos tantas graças e, se os favores são um sinal da sua vontade, não nos faltarão. Que ele seja bendito em tudo e que a sua ausência da “Cité” possa contribuir mais tarde para a sua glória e para o nosso bem espiritual.

Agradeço o seu cuidado benevolente para comigo. Segui o seu conselho e o Irmão Paulo também me quis dar a cela grande, mas eu tenho vergonha, meu Irmão, de estar tão bem instalado no meio de vós. Se um padre deve ser o bom exemplo dos seus Irmãos, eu não serei isso, pois que, longe de vos edificar, serei um motivo de escândalo pelo bem-estar no qual me obrigais a viver. Enfim, que Deus seja glorificado em tudo: não fui eu que pedi todos estes melhoramentos.

Compreendo que não sou suficientemente fervoroso e puro para estar tão perto de Nosso Senhor como me tinha colocado antes. Foi necessário afastar-me.

Vai tudo bem na “Cité” do Menino Jesus. O Irmão Paulo está cheio de coragem; o Menino Jesus abençoa os seus passos; ele impõe a si mesmo quase todos os dias alguma obrigação e isto anima-o muito e faz-lhe sentir menos a sua ausência, e os trabalhos poderão continuar sem interrupção e você fica livre de muitas preocupações. Nos ajudará sobretudo com as suas orações, e a sua oração fará tanto por nós como a sua ação, e a prova é que o Irmão Paulo me dizia ontem, ao regressar da coleta: “Recebi de onde não esperava nada”. Penso, pois, que é necessário que ponha a sua confiança em Deus, que é quem conduz esta obra; é verdade que ele o conduz por caminhos obscuros, mas a luz virá, como já veio muitas vezes em circunstâncias semelhantes. A sua estadia em Roma será para nós uma fonte de bênçãos, para o presente e para o futuro.

Segui o conselho que me deu e deixo um pouco de lado todas as ocupações exteriores que, vendo bem, não servem para grande coisa. Quando nos ocupamos demais das coisas exteriores, esquecemo-nos de nós mesmos, e não se deve pôr o secundário antes do principal. Há alguns dias que venho fazendo isto: dedico as manhãs aos trabalhos de casa, ao catecismo dos meninos e das meninas, reservando para as pessoas de fora uma parte da tarde, que dedico a elas exclusivamente. Deste modo, tenho todos os meus atos organizados: a meditação da manhã, a Santa Missa, o Breviário à uma hora fixa, o catecismo às 9 h. e às 11,30. O resto da manhã dedico-o ao estudo, e a tarde a algumas voltas indispensáveis. Agindo assim, experimentei uma grande paz de espírito e uma grande alegria. Espero que Deus abençoe este novo gênero de vida e que ele seja mais frutuoso para mim e para os outros. Faço a catequese com muito gosto e agrado, porque tenho tempo de a preparar e de a meditar; a solidão em que me encontro atualmente será de grande proveito para mim. Na casa de São José, estava sobrecarregado com visitas inúteis, fastidiosas, daquele, daquela, que não chegavam a nada e eram nocivas pela perda de tempo. Aqui, estou tranquilo e feliz. Agradeço-lhe por me ter dado a possibilidade de viver um pouco melhor no meio de vocês. Não me atrevo ainda a considerar-me da sua família, mas estou feliz com o que vocês me dão.

É pena termos apenas nove crianças na preparação para a primeira comunhão, mas o Irmão Paulo pensa que Bento e José não conhecem suficientemente o que é a dedicação, e que, se insistíssemos, o fariam mais por obrigação do que por amor e zelo de Deus. Eu também o creio assim e foi essa a razão porque não aceitamos mais. Acho, no entanto, que, a rigor, poderíamos acolher mais dois ou três; assim a diferença seria menor e a obra conservaria toda a sua importância, e daqui a algum tempo, o Irmão Pedro, depois de melhorar, poderá ajudar-nos. Diga como quer que se faça antes que seja tarde demais.

Os nossos irmãozinhos precisam de muitos cuidados, sobretudo os novos que mantivemos desde a última série. Temos de cuidar um pouco mais deles, de outro modo não adquiririam um bom espírito. Estando em contato frequente com estranhos, poderiam perder mais do que ganhar e só cumpririam maquinalmente os seus deveres de casa, que temos de lhes fazer amar e apreciar. Pensei então que seria muito urgente reuni-los para lhes falar dos seus deveres, tendo chegado ao ponto em que vários já não faziam as orações da manhã e da noite, nem vinham à Missa. Para remediar isso, reuni-los-ei à noite às 9 h ½, no meu quarto, na secretaria. Os convidarei a fazer a oração em comum e assim poderei dar-lhes alguns avisos, de vez em quando, e fazer-lhes uma pequena leitura espiritual. Será, acho eu, a melhor maneira de lhes ser útil e de lhes inspirar alguns bons sentimentos religiosos. Há muito a fazer para Deus, mesmo sem sair da “Cité”. Rezai para que eu faça todo o bem que Deus pede, e que eu o faça da maneira que o bom Jesus quer, sobretudo, para que eu não ponha nada de mim mesmo, mas só dele, a fim de que só Ele seja glorificado e amado por nós e por todos.

Adeus, meu querido irmão. As minhas recomendações ao seu bom colega e amigo em Deus. Sinto-me feliz ao pensar que encontrou um coração, uma alma, que pode compreendê-lo e ir contigo para avançar no caminho do nosso bom Salvador. Agradeço de todo o coração os bons serviços que ele lhe presta. Cresça cada vez mais na ciência dos santos e na caridade d’Aquele que é todo amor para nós. Os meus sentimentos respeitosos ao Senhor Luís e aos Padres Bruno e Afonso. Recebi a carta do Padre Bruno.

Adeus.

  1. Chevrier

Ao senhor Camilo Rambaud 18 (17) [3]

AO IRMÃO CAMILO, EM ROMA

J.M.J.     [“Cité”fim de fevereiro de 1859]

A graça e a luz de Nosso Senhor Jesus esteja sempre contigo e o conduza sempre no verdadeiro caminho que o Senhor quer que você percorra, apesar de todas as dificuldades. Todas desaparecerão pelo poder daquele que tudo dirige.

Recebemos sempre as suas cartas com um verdadeiro prazer espiritual, e ficamos consolados ao pensar que Deus lhe dará sempre a coragem e a perseverança.

Agradeço a Deus por me ter feito entender um pouco esta verdade: o meu dever principal é cuidar mais particularmente das crianças da casa. Este dever é também mais importante do que qualquer outro, pois as crianças são também tão filhos de Deus quanto às outras pessoas, e o bem é mais fácil e mais real ao lado delas do que com as outras, e mais adequado, e mais apropriado ao meu caráter, ao meu espírito, do que qualquer outro bem, na realidade mais difícil e mais infecundo. Faça o favor de rezar para que eu possa agir segundo a luz e a graça de Deus. O verdadeiro zelo consiste em procurar fazer sempre o que os outros não querem ou parecem desdenhar, e estas pobres crianças são bem dignas de interesse e afeição. Amo-as mais agora que estou no meio delas e mesmo, se eu podia, deixaria todo o trabalho exterior para cuidar exclusivamente delas, se vir que Deus me pede isso.

É preciso passar pelo corpo para ir até às almas. É preciso ser o protetor, o médico do seu corpo para lhes dar a entender que amamos a sua alma. O amor do invisível manifesta-se pelo amor do visível, do sensível. Ontem à noite, bastante tarde, fiz um chá para José e Ménétrier. Compreendi que isso lhes agrada. É preciso atrair a afeição por todos os meios. Estabeleci para os doentes, a leitura espiritual, ou melhor dizendo uma conferência espiritual às 9h da noite. Aproveito para lhes dar paternalmente pequenos avisos necessários e, de manhã às 6 h ½, vou fazer a oração e algumas curtas refleções para o dia. Será preciso algum tempo para habituá-los a estes pequenos exercícios, mas espero conseguir. Não se consegue, em alguns dias, corrigir e endireitar tudo. Podemos contar com o José, Francisco e Debouchonnet. Os outros deixam muito a desejar. Bento é um bom rapaz que não tem intenção de ficar apesar de se comportar bem. Só serei severo se a negligência prolongada de alguns prejudicar gravemente a santificação dos outros. Tenho confiança que tudo correrá bem. O que é necessário é graça, tempo e paciência.

A minha saúde está bem. Preciso de alguns cuidados, mas temos de pôr a nossa confiança em Deus. Recusarei, como você diz tão bem, todos os cuidados especiais, isso é contrário à pobreza e ao espírito de mortificação.

Não fique preocupado com a saúde do seu pai. Ele está bem, a sua alma está sempre no mesmo estado. Direi, segundo o seu desejo, duas Missas por mês por sua intenção, e esperaramos que Deus o esclareça e seja misericordioso com ele. Coragem pois, meu querido irmão em Nosso Senhor. Sinto uma alegria íntima ao pensar que a vontade de Deus se há de realizar. Rezemos, rezemos sempre, e confiemos apenas nele. A Irmã Amélia está bem, assim como a Irmã Maria. Deus acabará o que começou nela. Adeus, meu irmão, todo para si e para a obra.

Chevrier

Ao senhor Camilo Rambaud 19 (18) [4]

J.M.J.    [Cité,] 5 de março de 1859

Que o Bom Jesus o ajude sempre com sua graça, e faça crescer cada vez mais as santas aptidões que colocou no seu coração. Devemos agradecer sem cessar todos os seus dons e prostar-nos a seus pés em vivo reconhecimento por tantos benefícios. Ele nos abençoa sempre cada vez mais, como o bom irmão Paulo lhe dirá.

Seus Irmãos estão um pouco preocupados em relação ao seu regresso. Esperam vê-lo de novo daqui a uns mêses, ou, pelo menos, no fim do ano, mas deverão resignar-se a vê-lo só quando a Providência o trouxer para junto de nós. Animo-os a ter paciência e a não criar falsas esperanças num regresso para breve. Devem habituar-se à ideia de não voltar a vê-lo antes de se ter comprometido com alguma ordem ou que tenha terminado tudo. Mas, isso não é o mais importante; o que interessa é que o bem continui a ser feito, mesmo sem você. Diz muito bem que Deus deixou de lado as “cabeças duras”, e é verdade que é Ele quem faz tudo e não nós.

O seu pai está bem, feliz ao pensar na boa decisão que você tomou. Passou há pouco tempo pela “cité” e vê com prazer a obra avançar. Já lhe tinha dito que rezarei duas Missas por mês na intenção dele, mas não tinha dito quando: será no dia primeiro e no dia quinze de cada mês. Você poderá unir-se à mesma intenção.

O irmão Pedro voltou para casa, e fez bem. O Bom Deus há de curá-lo aqui tão bem como em qualquer outro lugar, e a sua presença na “cité” ser-lhe-á mais útil do que em qualquer outro lugar. Trabalha ativamente o latim. É o melhor que pode fazer.

O irmão Carlos continua bondoso com as crianças como sempre. Começou a trabalhar a física e as ciências naturais. Dá uma pequena lição na segunda-feira à noite aos homens da “cité”. Nisso não há, penso eu, nem grande utilidade, nem grandes inconvenientes. Se isso o cansar, será melhor parar. Tinha-me pedido conselho, e eu tinha concordado. Mas seria bom que ele não prejudicasse os seus estudos e a sua oração.

Os nossos meninos e queridos doentes começam a entrar um pouco na regra. Fazemos regularmente a oração da manhã e uma pequena reflexão à qual todos assistem. Quando escrever, diga uma palavrinha para Júlio que anda um pouco desanimado. Isso o encorajará. Os outros estão bem.

A Irmã Amélia está sempre bem disposta. Conto muito com esta alma privilegiada do bom Mestre. Reze para que eu ensine bem o bom caminho. Uma boa terra é inútil quando não há um bom jardineiro para semear e plantar.

Encontro-me sempre muito abaixo do que devo fazer e sinto mais do que nunca a necessidade do socorro de Deus. Sinto também que conseguirei, se merecer. Peço uma só coisa: não pôr obstáculo à vontade do Senhor.

Sim, coragem, trabalhemos para a glória do nosso Mestre comum, tão desconhecido, tão ignorado, tão desprezado. O faremos conhecer por todos os meios.

Sinto-me sempre tímido e fraco para cumprir os generosos pensamentos que o Espírito Santo quer realizar. Sinto que precisaria dum chicote para me fazer andar e alguém para me chicotear.

Trabalhe também para glória de Deus e para a sua santificação com os seus bons condiscípulos. Que Jesus seja sempre o seu pensamento, a sua vida, o seu caminho, a sua luz.

Adeus, sim a Jesus. Todo seu.

  1. Chevrier

Ao senhor Camilo Rambaud 20 (19) [5]

IRMÃO CAMILO RAMBAUD

J.M.J. [“Cité”] 15 de abril de 1859

Reze por mim, meu bom irmão, porque sou muito miserável, muito indigno de Jesus, muito pobre e incapaz de cumprir o grande e sublime ministério que me foi confiado. Sinto, vejo, o que seria preciso fazer. Sinto que o Bom Jesus pede, e sou sempre negligente para lhe dar o que ele tem mil vezes o direito de exigir. O bom irmão Carlos deu-me a ler a carta que lhe envia. Se você fosse padre, também lhe teria confessado que as mesmas tentações me assaltaram e me assaltam ainda. Não pretendo mais que o lugar de engraxador ao canto da rua. Se, antes de me deixar ordenar, tivesse conhecido o que era ser padre, teria recusado esta pesada carga. Mas, hoje, tenho, por assim dizer, a obrigação de levá-la, apesar de tudo. Vejo o bem que deveria fazer e não o faço. Sinto que seria preciso ser forte para agradar ao Salvador e realizar com mais frutos este grande ministério e não faço nada. Não tenho coragem de ser um insensato para Jesus o nosso bom Salvador. Na oração, diante da Sagrada Eucaristia, quero fazer muitas coisas e, quando estou agindo, falta-me coragem. Tantas covardias e misérias! Reze pelo seu pobre capelão. Isto poderia ir melhor aqui, tanto ao nível material e sobretudo quanto ao espiritual. Os seus irmãos preocupam-se sobretudo com o futuro. O irmão Paulo está preocupado com o pagamento, mais tarde, dos juros que podem acumular-se durante três anos. Não tem bastante confiança na Providência de Deus pela qual você sempre se deixou conduzir. Não ousa, não acredita bastante, não tem esta fé que é a força de um homem que começa uma obra, empreende e persevera com vigor. Se você não os reanima um pouco, eles facilmente desanimam. Eles talvez acreditem no bom resultado da obra, talvez acreditem que tudo correrá bem. Só de ver esta bela Igreja crescendo diante dos nossos olhos basta para ter confiança na obra do Menino Jesus, mas eles gostariam de ver os meios de Deus, tocá-los com os dedos, o que Deus não quer, porque, senão, onde estaria o mérito das nossas obras se as pudéssemos compreender e agarrar? Como pode a nossa mente concebê-las? E Deus não fica rindo dos nossos pensamentos, dos nossos projetos, das nossas vistas estreitas? Uma palavra que diz na sua carta espanta o irmão Paulo. Quando diz que não devemos nos apoiar na prudência humana e que é preciso renunciar inteiramente a ela, ele não pode fazer este ato de renúncia e de abnegação completa da sua vontade e da sua inteligência. Ele gosta de reservar sempre para si alguma coisa, os pequenos meios humanos. Ensine-lhe e diga-lhe que não é com isso que devemos contar.

Parece que a senhora Auger abandonou definitivamente a “cité”. Os ricos são difíceis. Não querem ou dificilmente suportam os pobres. Não gostam de ver muito de perto os pobres e os seus defeitos. Querem que sejam perfeitos e não conseguem entender-se com eles. Será bem difícil para ti encontrar bons ricos, dispostos a realizar fielmente o plano que se propôs, porque, esta palavra de Jesus: “Ai de vós os ricos”, verifica-se muitas vezes, por todo o lado, em todas as situações. E esta outra de David muito poucas vezes se cumpre: “Feliz aquele que é compreensivo com o pobre”. Que tudo isso não o desanime. Se ficasse na “cité”, talvez remediasse este pequeno inconveniente, e compreendesse melhor a sua maneira de ver, teria feito refletir melhor e teria mais autoridade do que o irmão Paulo e nós. Não estando você aqui, eles quiseram regulamentar a “cité”. Queriam expulsar toda a gente, e o guarda, e a família Lambert, e vários outros. Acusavam esta pobre gente de vários delitos sem remissão. Eu nunca consegui obter ajuda para os pobres quando solicitava alguma coisa. Assim, não perco muito com a partida deles. Mas, o Bom Deus seja bendito em tudo.

O irmão Pedro está sempre cansado. Estuda latim com muita aplicação. Está muito feliz por ter um padre capelão na Imaculada Conceição que lhe corrige os exercícios e que é competente nos clássicos. Está cheio de coragem, mas precisa trabalhar para domar e mortificar essa inteligência dominadora que lhe atenta. A graça de Deus é que o tornará dócil e humilde. O irmão Carlos terá muito êxito. Ele é tão humilde, tão flexível. Não tenho dúvida que o Bom Deus o abençoará nas suas iniciativas. Mas aconselhe-o a não se aplicar demais, ou, de preferência, a não recomeçar as aulas de física e de ciência natural. Quid hoc ad aeternitatem?[53] Para esses pobres operários, que eles aprendam bem, sobretudo, os seus deveres de bons esposos, de bons pais, e, com certeza, não devem entender grande coisa nessas aulas. A minha opinião é que ele não recomece depois da Quaresma, como parece ser sua intenção. Veio apresentar-se uma nova irmã. Conheço-a há bastante tempo e há muito que ela pede a sua admissão. Coloquei-a à prova desde algum tempo. Se ela resistir, acreditarei que é chamada e pedirei a sua autorização para recebê-la, se ela persistir em querer entrar. É uma menina pobre, sem fortuna, sem muita formação, mas é corajosa e parece decidida a dar-se totalmente… Veremos isso mais tarde, se você estiver de acordo. Se tivermos mais uma irmã, muitas coisas poderiam ser feitas na casa, como a lavagem da roupa da Igreja, o arranjo das camisas e outras pequenas coisas de que ela se poderia ocupar.

Temos um dos rapazes com bexiga. Não há perigo para ele, por enquanto, e esperamos que tudo corra bem. Cuidaremos dele o melhor que pudermos.

Pedem-me que me apresse a entregar esta carta e a fazer chegar a pequena encomenda a casa do senhor Touvais. Escreverei uma outra vez para lhe dar mais pormenores… Queria falar-lhe dos nossos pequenos Irmãos. Eles precisam ser encorajados a crescer em ardor pelo bem. A ociosidade os mata e os matará sempre. Não são bem orientados quanto ao trabalho que devem fazer.

Que Deus o abençoe nos seus estudos e o ajude na sua santificação. Nós rezamos por isso todos os dias.

Adeus, meu caro irmão em Jesus, até eu poder chamá-lo caro colega pelo caráter sagrado de que o bom Jesus o revestirá um dia.

  1. Chevrier

Ao senhor Camilo Rambaud 21 (20) [6]

J.M.J.   [“Cité”,] 4 de maio de 1859

Quantas angústias! Quantas tribulações para o seu coração! Estou unido consigo, mais do que qualquer outro, nesta tristeza, preocupação e perplexidade, mas é preciso acima de tudo ter confiança e, como São Pedro, caminhar sobre as águas apesar da tempestade. Espero que tudo não passe de uma tempestade passageira, mas é verdade que o demônio nos sacode bem. Sabe que a Madre de Maubec diz que o demônio é o autor das tempestades nos ares; é bem certo que ele é o autor daquela que perturba hoje todos os espíritos da nossa pequena comunidade.

O senhor pede a minha opinião formal se deve voltar à “Cité”. Não tive tempo suficiente para refletir sobre uma questão tão importante. Só hoje recebi a sua carta, à uma hora, e estou já a responder, a fim de que esta carta possa seguir no correio desta noite. Mas a minha opinião atual é que fique em Roma, continuando os seus estudos e fortalecendo-se no espírito de Jesus e do nosso Pai São Francisco. Acabo de ler as duas cartas do irmão Carlos. Realmente, escreveu-lhe num momento deplorável e não percebeu a importância do conselho que lhe deu. Ficou muito ofendido ao ver os Padres Richard e Chamfray retirar-lhe as crianças, e há muito tempo que era atormentado pela ideia de ser incapaz, esta ideia acabou por desencorajá-lo. Ele deve escrever-lhe hoje e estou convencido de que escreverá em termos mais serenos e tranquilizadores. Esqueci-me de lhe dizer que, não tendo encontrado nosso Bispo, quinze dias atrás, para lhe falar um pouco de ti, encontrei o Senhor de Serre, que me pareceu ver as coisas de maneira menos escura do que os outros, o que me deu a esperança de que tudo se arranjará e que as coisas não serão tão difíceis como parece agora. E além disso, meu prezado irmão Camilo, numa obra como esta, há que pensar mais no futuro do que no presente. Se o bom Deus lhe der mais vinte anos de vida, o que são três anos sobre vinte se, aproveitando bem estes três anos, puder trabalhar mais frutuosamente na vinha de Nosso Senhor. Coragem, pois… Os seus irmãos dão demasiada importância às dificuldades que encontram. Não estão habituados a caminhar sozinhos, sobretudo o irmão Carlos. O irmão Paulo começa a caminhar e a saber agir sem depender dos outros, que é o que lhe fazia falta, mas não está decidido em abandonar os cem mil francos que tem de reserva. É o conselho que lhe dão todos os que encontra e que veem como uma grande imprudência desfazer-se dessa quantia (para ele pessoalmente e para a obra). Deste ponto de vista, não confia na sua maneira de ver, não ama a pobreza absoluta. Não se assuste pois, meu irmão, com esta tempestade. Ela vai desaparecer, fique certo, e tudo irá melhor.

O Irmão Pedro, que está no centro de várias das suas cartas, perdeu um pouco o espírito de dominação que ofendia toda a gente. Já não pede as coisas com aquele ar de autoridade que deixava todos gelados. Há dois domingos que age duma maneira totalmente diferente com todos os nossos perseverantes. Tornou-se mais amável, mais flexivel, já não bate, não fecha as portas e compreendeu que se tinha enganado. Espero, com a graça de Deus, levá-lo a um comportamento diferente, mais suave e mais conforme com o espírito de mansidão do nosso bom Salvador. Ele reza sempre muito, talvez demais, se se pode dizer assim… Mas tenho confiança que ele mudará e será mais submisso. Ele fará o que eu lhe disser em relação às crianças. O que lhe servirá de lição é que ele encontrou nelas mais fé e piedade do que nas outras. Está contente com o seu comportamento e com a sua piedade. E ele, que não fez nada para isso, descobrirá desta maneira que o meio para dar às crianças a fé e o amor do bom Deus não está na disciplina, nos regulamentos e nos gritos, mas na maneira de conviver com elas.

Quanto à organização de “pais temporários”, acho que esses senhores não quererão agir enquanto você não estiver aqui para organizar tudo. Não se atrevem a agir sozinhos, têm medo de se enganar e de estragar as coisas em vez de arranjá-las. Veja, examine, diga a sua opinião, mas duvido que eles se decidam a funcionar sem você. Todavia, decidirão agir antes do seu regresso, quer este seja próximo ou não… Se você o exigir, será fácil fazê-los compreender esta necessidade.

Coragem, pois, meu bom irmão, não se deixe engolir pela tempestade nem desgastar pelo tempo. São Pedro ficou muitos anos na cadeia. Pio VII esteve 5 anos fora de Roma, arrastado de cadeia em cadeia. São Paulo esteve muito tempo no cativeiro. Será que, por causa disso, a Igreja pereceu, ou não se fez a obra de Deus? Pelo contrário, é então que se manifesta ainda mais a mão de Deus e, por toda a parte, há mais fé, confiança e amor. Não desanime. Volte só quando a voz de Deus o obrigar e não quando os latidos do demônio lhe atormentar os ouvidos. Parece-me ver o demônio em seu redor, a gritar com todas as forças e a aturdi-lo para lhe fazer perder a paciência e a atormentá-lo. Faça-o calar. Não é na agitação que se deve agir e decidir nada. Assim, não se faz nada de bom. Olhe para o irmão Carlos. Ele é atormentado por momentos de tempestade e de tentação. Age e esquece-se logo, e lamenta imediatamente o que fez. Adeus, meu querido irmão. Que o bom Jesus o ilumine, console e fortaleça. Que Ele lhe dê todas as graças para ter êxito em tudo o que empreender. Que tudo concorra para a sua maior glória.

Adeus. Em Nosso Senhor Jesus.

  1. Chevrier

Ao senhor Camilo Rambaud 22 (21) [7]

J.M.J.          [“Cité”,] 14 de maio de 1859

Sinto-me preguiçoso para lhe responder, mas você pede-me para lhe dizer tudo. Você sabe bem que eu não sou homem que veja as coisas de maneira clara. E o meu julgamento não deve ter muita importância: posso achar que tudo vai bem quando tudo vai muito mal, ou que tudo vai mal quando tudo vai muito bem. Mas, que o bom Jesus seja bendito em tudo e que a sua obra tenha êxito. É o que peço com todo o meu coração nas minhas orações.

Parece-me que andamos um pouco melhor do que há uns tempos. O Irmão Carlos está um pouco mais animado e retomou as suas aulas com mais coragem e firmeza. É a timidez que o faz cair de vez em quando assim como a falta de energia para saber levantar-se com audácia contra o mal. O que acontece no exterior acontece também no interior. Mas o bom Deus que o ama não o abandonará nas suas aflições.

Quanto ao irmão Pedro, sobre o qual você me pede para lhe dizer se é sempre o mesmo, o seu caráter não mudou, mas ele está realmente doente e não pode, acho eu, continuar o trabalho do catecismo. Quando fala um pouco, a sua garganta, a sua voz, fica logo alterada. Mas, se não puder fazer o catecismo, talvez possa cuidar mais das crianças, por exemplo, acompanhá-las e vigiá-las no tempo do trabalho. Para isso não é necessário falar muito. Poderia ainda cuidar de Ménétrier, Debouchonnet e Francisco, corrigir-lhes os exercícios de escrita e outras coisas relacionadas com a sua formação. Assim, ficaria menos fora de casa e aliviaria o irmão Carlos dessa ocupação. O latim ocupa-o sempre muito, no entanto talvez um pouco menos do que um mês atrás. Mas, como você diz tão bem, sabe o suficiente para estudar teologia, se o bom Deus o chama ao sacerdócio. Hoje, parece um pouco menos decidido, eu diria mesmo entusiasmado, em se fazer padre. Parece mesmo decidido a abandonar este caminho para cuidar de novo das crianças, se ficar curado. É esta a sua primeira vocação. Ninguém deve querer ser padre, ou não o ser, mas procurar seguir a vontade de Deus. O seu desejo era bem compreensível, pois tinha apenas bons desejos. O Senhor Callot, o Padre Balme, não o tinham dissuadido. Pelo contrário, animavam-no. Mas, como você sabe, o Senhor Callot, fazia isso simplesmente porque pensava vir a ter nele um vigário ou um pároco. As suas conversas tendiam sobretudo a desviá-lo da casa se viesse a ser padre. Percebi isso nas suas conversas. Mas o irmão Pedro continua muito dedicado à obra das crianças e nada o poderá afastar dela. Ele ainda não retomou totalmente a sua confiança em você. É preciso esperar que Deus lhe ensine que é pela humildade e pela obediência que se chega aos graus superiores. Há algum tempo que ele reza o Breviário dos Capuchinhos. Tinha-me pedido conselho sobre este assunto e eu disse-lhe que, dada a sua piedade, se sentiria melhor. Mas acho que, se segue uma regra, é para submeter o seu desejo a essa regra. Se cada um se põe a dizer o ofício que lhe parece melhor, então só haverá desordem. Gostaria que você lhe proibisse para provar a sua obediência e a sua humildade. Ele pediu-me para o ajudar a entrar neste caminho, mas sinto-me incapaz. Mas o melhor meio que poderei utilizar é servir-me de você para lhe dar a fazer coisas que o contrariem e humilhem. Não aceita lavar a louça e outras coisas, dizendo que isso rebaixa demais os irmãos perante as crianças. Várias vezes senti a tentação de ir eu mesmo fazer para lhe dar o exemplo e acabarei por fazê-lo. Receio que o demônio o cegue e o faça ter visões. Há dias, dizia-me que estando em oração durante a noite, tinha visto algo, e que esta aparição o tinha enchido de confiança para o futuro, que iríamos entrar num novo caminho e que tudo iria correr maravilhosamente e, no entanto, dois dias antes, tinha-me dito que estava cheio de orgulho. Deus não se comunica a pessoas deste gênero (Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que revelaste estas coisas aos humildes e aos pequeninos, diz Jesus). Peça-lhe esta espécie de coisas, ou então através do irmão Paulo, a quem ele deve obedecer. Ele quer agir sempre à sua maneira, pensa que é a melhor, enquanto critica e censura a maneira de agir dos outros, que critica e censura. O bom irmão Pedro um dia melhorará, mas precisa ser humilhado sobretudo por si mesmo, e compreender que se engana muitas vezes, apesar de pensar que tem razão. Só o bom Deus lhe pode fazer ver claro.

Collomb foi expulso definitivamente. Bento ainda vem dormir, mas não tem a mesma maneira de ser de Collomb e a sua presença não é de recear do mesmo modo. É um rapaz que tem verdadeiramente gratidão por tudo o que fizemos por ele e não se portará mal como o primeiro. Creio que ele lhe tinha pedido para dormir em casa, tal como o irmão Paulo, e não há para ele o mesmo inconveniente que para Collomb.

As nossas criancinhas ou doentes e outros perdem-se à porta, seja porque não têm nada para fazer, seja por causa das relações que têm com toda espécie de gente, as conversas que têm de dia e de noite na sala de entrada. Não seria melhor colocar ali alguma pessoa sensata que trabalhasse e resolvesse todos estes inconvenientes? Tínhamos pensado no Sr. Fraissinet, rapaz que trabalha com o senhor Mouterde, que é da Ordem Terceira de São Francisco, que é coxo e no qual você tinha pensado também no passado. Acho que seria uma boa aquisição, se ele aceitar. Pelo menos, haveria sempre alguém para receber os benfeitores e outras pessoas, enquanto agora não há ninguém e aqueles que aí se encontram só podem tornar-se preguiçosos e faladores. Dê, por favor, o seu consentimento. Acho que é muito importante.

O nosso bom menino Debouchonnet teve também a bexiga. Agora está melhor. Pensávamos em transferi-lo para a “Caridade” e eu próprio fiz as diligências necessárias, mas, depois, mudei de opinião, pensando que não se devia colocar numa casa de caridade aqueles com os quais devemos praticar a caridade. Instalamo-lo no celeiro fora do contato com os outros, e agora está melhor. Tratamos bem dele. Creio que a sua ideia é de não enviar as nossas crianças para o hospital. Penso que isso é contrário a todo o sentimento de caridade que devemos ter para com elas.

O nosso bom Francisco vai muitas vezes a casa da mãe. Receio que isso o possa prejudicar e que depois não sinta mais vontade de ir. Vai cuidar dos bichos-da-seda, o que lhe ocasiona frequentes saídas durante mais de 15 dias. Não se adquire o espírito religioso com todas estas saídas. Estou de acordo que os seus pais necessitam dele, mas não seria possível resolver de outra maneira os inconvenientes destas saídas frequentes?

Vários irmãos apresentaram-se para entrar na casa, em número de 4, mas não creio que um só deles possa vir a ser religioso. Não precisamos de homens, mas de religiosos. Devemos esperar que a Providência cuide das vossas necessidades, porque precisaremos muito, seja para o irmão Carlos quando a nova casa São Paulo estiver habitada, seja para as criancinhas da Primeira Comunhão no mês de junho, se o irmão Pedro não estiver curado. Mas, o bom Deus providenciará em tudo. Há um que eu conheço, que pediu há já bastante tempo e que talvez tenha algumas disposições, embora ainda haja muito a fazer. O irmão Paulo vos falará dele e o examinará. Quanto às nossas irmãs, deixo a irmã Amélia totalmente livre para que decida por si mesma.

Reze por mim, por favor, meu bom irmão. Preciso muito disso. Preciso de me tornar menos preguiçoso, de corresponder mais à graça de Deus para receber outras. Sinto necessidade disso e sou sempre pesado como uma pedra. Vejo o bem e não o faço, vejo o mal e não o impeço. Como sou inútil no campo do Senhor, e que mau jardineiro ele tem, que não faz crescer, nem cultiva o campo do Senhor, servo inútil como nenhum. Peça ao bom Jesus que me ilumine e que eu não caia nas trevas e na preguiça. Adeus, meu bom irmão. Tenha sempre muita coragem, que as contrariedades não o abatam, que a vista da negligência dos outros inflame a sua boa vontade.

Esquecia-me de falar da carta que deve ter recebido dos seus irmãos, relativa a não sei que reforma que eles pedem. Acho que é uma carta inútil. O Padre Balme entusiasmou-os um pouco nesse sentido, creio eu, porque o irmão Pedro lhe tinha falado de alguns descontentamentos e a Senhora Auger também se tinha lamentado. Mas para quê tudo isso? Você não pode remediar tudo, nem fazer todo o bem possível. Querer ser perfeito em alguns dias, é impossível.

Procuremos tornar-nos santos e ter para o bem toda a energia que os outros põem no mal e faremos bem.

Não pense que esta carta seja sinal do desânimo dos seus irmãos. De maneira nenhuma. Depois de a terem enviado, nunca mais falaram dela. Nem mesmo pensam nisso. Não lhe dê atenção. Eles continuam a sua obra como antes.

Adeus, meu bom irmão. Rezo por ti e peço a Nosso Senhor, para ti, a sua bênção.

  1. Chevrier

Ao senhor Camilo Rambaud 23 (22)[8]

J.M.J. “Cité”, fim de junho de 1859

Meu Irmão,

Há bastante tempo que guardo o silêncio. As ocupações com a primeira comunhão são por uma parte a causa deste silêncio. Estamos contentes com a nossa primeira comunhão. Levei-os até à Crisma, quinta-feira da festa do Corpo de Deus, na igreja da Redenção onde tive a honra de ver o Senhor Cardeal e outros senhores importantes. Falamos muito da sua igreja. Todos a acharam magnífica e fazem votos para que a obra tenha êxito. O Sr. Bispo não parece decidido a que você seja ordenado padre tão cedo. Ele quer absolutamente que você tenha todo o tempo necessário para a teologia isto em França. Ficou um pouco surpreendido por você não o ter visitado durante a sua estadia em Roma. Dizia-me, rindo: “É porque o recebi tão bem na primeira vez, mas isso não o devia impedir de voltar”. Dá-lhe prazer pensar no seu regresso, a fim de que possa acabar os assuntos da sua “Cité”, e que não recomece os estudos antes que tudo esteja terminado, ou pelo menos que a sua ação material seja menos necessária. Mas, antes, há que fazer uma obra tão grande, tão importante, que só você pode acabar. Só você recebeu esse dom, só você a pode levar a bom termo. A questão de ser padre pode esperar sem prejuízo. Você há de chegar a ser padre, mas quando Deus quiser e quando achar necessário. Não falei com o Sr. Bispo sobre o seu terno. De resto, acho que o irmão Paulo já lhe disse o que o Sr. Bispo pensava sobre este assunto.

Outro assunto importante que nos preocupa e que venho meditando há muito tempo sem dizer nada, por falta de confiança em ti e em mim, mas que lhe devo dizer, porque assim o exige o meu ministério espiritual e o meu cargo pastoral: é a obra das crianças da Primeira Comunhão. Eis um fato certo: é que, desde que a “Cité” existe, a obra das crianças da Primeira Comunhão não vai bem. As crianças da Primeira Comunhão são mal preparadas e as que perseveram são cada vez mais raras. Ninguém o pode negar e só podemos nos lamentar desta triste verdade: todos os nossos esforços acabam com um fraquíssimo resultado. Deve haver um remédio para tudo isso. Deus não quer que uma obra tão bela e que deveria dar tão belos frutos, seja tão imperfeita. Falo-lhe como padre que sou e vou expor-lhe as minhas razões como alguém que tem o encargo de almas. Peço-lhe que as reflita bem diante de Deus e que dê a resposta que achar conveniente.

Digo pois que a obra da Primeira Comunhão e dos perseverantes não podem caminhar ao lado da obra da “Cité” e que elas são obstáculo uma para a outra. A “Cité” é obstáculo para a obra das nossas crianças. A grande razão, é que os irmãos não podem fazer duas coisas ao mesmo tempo. Não podem responder aos habitantes da “Cité”, receber os aluguéis, fazer a coleta e instruir as crianças. Como se pode fazer o catecismo quando se tem a cabeça cheia de preocupações, inquietudes e outros assuntos? Vejo bem o que o Irmão Paulo fez nesta última turma. Como inspirar a fé, a piedade, quando somos obrigados a viver continuamente na dissipação duma vida totalmente exterior? Diga-me o que disser, é preciso que os irmãos que estão encarregados da instrução das crianças se ocupem apenas disso, que não cuidem de mais nada, que não pensem em mais nada. Qualquer outra ocupação é incompatível. Você não vê os irmãos da Doutrina Cristã ocupar-se de outra coisa que cuidar das suas crianças. É preciso que os irmãos acompanhem as crianças quando vão à Igreja, que as acompanhem ao trabalho para criar nelas o amor ao trabalho e falar-lhes da virtude em todas as circunstâncias, em toda ocasião, em cada instante, para repreendê-las com doçura e amor quando caírem em alguma falta. Como quer que um Ménétrier, um Bento e outros, lhes inspirem o amor ao trabalho, quando, durante todo o exercício manual, as crianças vêm brincar, ler, divertir-se com outras coisas diferentes do que devem fazer? A virtude não vem desta maneira. Não, é preciso que haja irmãos que amem estas crianças, que compreendam estas crianças e tenham por elas afeição e dedicação. Se uma criança tem sede ou fome, e vá pedir um bocado de pão à cozinha, lhe respondem com um jarro de água na cara, a tratam de estúpida, a olham com desprezo ou não lhe dão atenção, como quereis que estas crianças amem a casa e voltem com prazer? E isto será assim enquanto tiverdes crianças a dirigir outras crianças. Se ao menos eles tivessem compreendido um pouco o que é a dedicação, mas esse espírito é tão difícil de adquirir e dar. Quem deve guiar, instruir as crianças, segui-las por todo o lado, hão-de ser, pois, irmãos. Irmãos que conheçam a obra e que a estimem. E não convém que estes irmãos tenham outra coisa para fazer senão cuidar das nossas queridas crianças.Vi muitas vezes todos os meus esforços paralisados num instante por tudo o que acabo de lhe dizer. Se um faz e outro desfaz, como poderemos avançar! Obstáculos nos habitantes da “Cité”: é um fato que os habitantes da “Cité” não olham para essas crianças com agrado: o barulho que fazem incomoda-os, chamam-lhes de moleques, olham-nas com desprezo. Com efeito, quando estas pobres crianças chegam todas esfarrapadas, tão más como são infelizmente, não é agradável vê-las. O Senhor Auger também não as podia ouvir e, quando se despediu, deu-me algumas garrafas de vinho para eu recuperar a saúde e adquirir forças, e disse-me: “Cuidado para não dar desse à sua quadrilha”. Pobre gente. Temos de ter dó deles por falarem assim. Mas, que quereis? É a sua mentalidade. Não veem mais longe; é a mentalidade do grande número. Eles também são repelidos, mal vistos e desprezados. Como quereis que eles venham para o meio de um mundo que os despreza e repudia?

Obstáculos da parte do guarda que as rejeita e se vê na obrigação de repreendê-las e mesmo de bater nelas. Se uma criança sobe numa pedra, ele tem que a fazer descer. O arquiteto grita. Não é culpa do guarda mas da pedra: “porque se encontra ali, isto antes era a minha casa, esta pedra tira-me a liberdade. Se uma criança vai jogar às escondidas numa casa nova, há que expulsá-la: ela estraga as paredes, os azulejos, a alvenaria. Há que expulsá-la à força. Pobres crianças. Temos de ter compaixão delas: as pedras, as casas, tomaram os seus lugares. Então, elas não voltam mais, fogem para outros lugares, apesar de nós, ou melhor dizendo, nós obrigamo-las a ir para outros lugares porque não lhes damos um lugar para estarem.

E, além disso, outra razão não menos sólida: as crianças, como toda a gente, gostam de se sentir em sua casa, gostam que façamos as coisas para elas, gostam de estar sozinhas. Ora, aqui não se pode dizer que elas estão em sua casa; não podem dizer que nos ocupamos apenas delas, quando se veem misturadas com tanta gente. Eu não posso dizer que me ocupo delas quando, a cada instante, tenho que estar com um senhor, uma senhora, com este, ou com aquela que me chama e me vejo obrigado a deixar as crianças pelos mais variados assuntos da “Cité”, ou de fora. Os irmãos não podem estar com as crianças nos seus jogos, levá-las a passear, apesar de ser tão necessário, porque eles têm que responder a mil outros pedidos que lhes cheguem a cada instante. Eu, pela minha parte, me junto às vezes aos jogos para animá-las, mas compreendo que não é decente que eu jogue à barra no meio duma cidade maldosa que se ri de tudo e que espia todos os nossos movimentos. Como pregar, celebrar a Missa, quando me viram jogar à barra com as crianças. Há que ter certas reservas em tudo. É aos irmãos que compete fazer isso e não a mim, e os irmãos não têm tempo. Insisto que será mais fácil refazer a obra das crianças noutro lugar diferente deste; é muito difícil refazer no mesmo lugar aquilo que foi desfeito. As crianças não vêm aqui com gosto; experimentem devolver-lhes a atração que perderam por este lugar; desafio quem quer que seja. Em outro lugar, pelo contrário, a novidade agrada, os novos lugares atraem e tudo faz esperar que obteríamos bons resultados noutro lugar. Uma outra razão é que você procura livrar-se de todas as tarefas temporais, tal como os seus irmãos, mas, que meio mais fácil do que estabelecer a vossa obra das crianças noutro lugar e colocar na “Cité” um gerente ou um conselho administrativo que resida na “Cité”, e você residindo à parte e vindo de vez em quando para regular as coisas? Deste modo, o odioso desapareceria pouco a pouco, mas isto é apenas uma ideia. Faça o que quiser.

Quanto à obra da “Cité”, é uma obra à parte. É uma obra para padres e não para irmãos, para ti também se vier a ser padre com a graça de Deus. Mas esta deve ser uma obra toda espiritual, dirigida exclusivamente por padres, pobres, religiosos, que deem o exemplo das virtudes sacerdotais, à medida do seu amor e do seu fervor. São estes os principais pensamentos que tinha para lhe comunicar. O que há de mais extraordinário é que estes pensamentos são os pensamentos de todos os irmãos, das irmãs, sem que ninguém os tenha influenciado. Eram os meus desde há muito tempo e, quando cada um em particular me comunicou as suas ideias, não pude deixar de ver aí a intenção manifesta da vontade de Deus; o que achei mais estranho foi que o irmão Carlos, afastado da obra das crianças, também pensou o mesmo, e que este pensamento está tão firme no seu espírito como nos outros que se ocupam delas seriamente.

Pense seriamente diante de Deus em tudo isto que acabo de dizer e diga-me quais são os seus pensamentos a este respeito, para sabermos o que fazer. Como fez a sua viagem o irmão Paulo? Apresente-lhe os meus cumprimentos.

Adeus, todo seu em Jesus.

  1. Chevrier

À Senhora… (Tour du Pin)

À Senhora… (Tour du Pin) 24 (553)

  1. M. J. 7 de fevereiro de 1860

Senhora,

Permita-me que lhe diga muito simplesmente o que penso sobre um assunto que lhe interessa.

Este bom Senhor Berjot que deve ser em breve seu genro, acaba de me convidar para assistir ao casamento da sua filha, e mesmo creio para abençoá-lo. Queira ouvir as minhas reflexões e comunicá-las ao Senhor Berjot sem lhe dizer no entanto que eu lhe escrevi. Direi em primeiro lugar que sou apenas um pobre padre, que não é nem pároco nem vigário e que não serve para grande coisa e que longe de contribuir para honrar o seu casamento com a minha presença, eu seria uma ocasião de censura porque eu não sou um homem de cerimônias nem de conveniências; nasci de pais pobres e nunca desejei estar com os ricos porque não tenho educação. Se se trata de falar, eu saio-me muito mal e não sei dizer o que agrada, de modo que me sinto deslocado nas grandes circunstâncias e sou uma fonte de embaraços e de sofrimento para aqueles que me rodeiam; acredite que lhe escrevo para vos evitar este inconveniente de estar convosco. O Senhor Berjot não me conhece e julga que sou uma pessoa diferente.

Por outro lado, é preciso compreender que seria uma ofensa ao Pároco ver um estranho abençoar um casamento na sua Igreja; se eu fosse pároco, podia ser, mas um pobre padre como eu, não é conveniente; um pároco gosta de fazer na sua paróquia os casamentos importantes e é justo; além disso um pároco tem as graças para isso e obterá mais graças do que qualquer outro, ah! Se me conhecessem bem não me pediriam para abençoá-los; compreenda bem tudo isto e sobretudo a delicadeza a ter para com o pároco e faça compreender isto ao senhor Berjot a fim de não causar desgosto ao vosso bom pároco que ficará feliz em vos abençoar. Se fizerem assim, todos ficarão contentes e não vos arrependereis de ter seguido o meu conselho. Tudo se pode arranjar facilmente, digam simplesmente ao senhor Berjot que é melhor que seja o Pároco a abençoar-vos; ele não contrariará o vosso desejo e tudo irá bem.

E já que o senhor B. quer que eu assista ao seu casamento, eu irei, mas não me deis atenção; deem-me somente um cobertor e um colchão de palha para dormir durante a noite e, no dia seguinte, rezarei a Santa Missa para agradecer a vossa hospitalidade e pelos novos esposos e procurem esquecer-me porque quero ir ver uma pobre tia a Chatanay e voltar a Lyon à noite para não estar ausente mais que um dia, porque eu não sou bom senão no meio das minhas pobres crianças pedintes, às quais eu devo muitas vezes dar pão. Tudo o que lhe digo é verdade, repito. Sigam o meu conselho e acreditem que tudo vai correr bem e que o nosso bom Senhor Jesus será muito mais glorificado porque tudo o que fazemos deve contribuir para a sua glória.

Sinto-me honrado por estar à vossa disposição

em Jesus nosso Mestre.

  1. Chevrier padre na “Cité” do Menino Jesus

 Cartas  aos padres  e aos seminaristas  1864-1876


Ao Padre Freyd, Reitor do Seminário Francês, em Roma

Ao Padre Freyd, Reitor do Seminário Francês, em Roma, 25 (555)

9 de julho de 1864

Senhor Reitor,

Um jovem que foi Irmão da Doutrina Cristã e que atualmente trabalha na formação de crianças pobres na minha Providência, em Lyon, deseja continuar os seus estudos eclesiásticos em Roma, no Seminário do Espírito Santo. Ele é da diocese de Grenoble Isère, foi durante 15 anos religioso com os Irmãos e tem o consentimento dos seus superiores para estudar.

Ele pede ao Senhor Reitor que lhe diga quais são os documentos que deve apresentar para entrar no seu Seminário, qual é o preço da pensão e quando começam as aulas.

Ele prefere ir para Roma porque tem já uma certa idade e porque, sendo sua intenção consagrar-se à nossa obra da providência, espera poder entrar mais facilmente.

Tenho a honra de ser, com um profundo respeito, Senhor Reitor, seu muito humilde servo.

  1. Chevrier diretor da Providência do Prado, Guillotière, Lyon Rhône

Ao Senhor Padre Bernerd

Ao Senhor Padre Bernerd 26 (23) [1]

SENHOR PADRE BERNERD, NO PRADO, EM LYON

  1. M. J. [1864]

Prezado Senhor e caro Colega,

Agradeço a carta que me escreveu e estou contente com as boas notícias que me dá.

Espero que a minha saúde melhore nos próximos dias; alimento-me bem e o corpo não está mal. Agradeço à Providência por tê-lo enviado ao Prado para me substituir e não duvido que Deus abençoará os seus trabalhos. Queira agradecer também ao Senhor e Senhora Laforest os cuidados que tiveram comigo, assim como à Senhora Catarina.

Diga às minhas crianças que o escutem bem, que sejam obedientes e bem comportadas na Igreja, a fim de que me possa dizer, no meu regresso, que está contente com elas e que elas se preparam para uma boa Primeira Comunhão.

Regressarei o mais cedo possível, apesar da necessidade que tenho de descansar um pouco; o tempo torna-se longo quando não estamos no nosso trabalho e onde o bom Deus nos quer.

Recomendo ao Senhor Martinet a doçura e a paciência em todas as coisas, a exemplo de Nosso Senhor Jesus; ao Senhor Chériot, a coragem, a resignação e o abandono nas mãos da bondosa Providência que cuida das suas crianças quando elas se põem em suas mãos e procuram em tudo a sua santa vontade; ao Senhor Boyet, a coragem para fazer o que o Espírito Santo lhe aconselha e o espírito de dedicação e sacrifício para se dar inteiramente a Deus; ao Senhor Suchet, a humildade e a exatidão, o conhecimento de si mesmo e a tranquilidade de espírito de quem trabalha para os outros. Peça a Deus para mim o bom espírito em todas as coisas e que, livre de tantas misérias e debilidades que me atingem, eu seja um ministro segundo o seu coração, humilde e pobre de espírito e de coração.

Receio que o pátio se torne um foco de doenças por causa das imundícies que lá foram despejadas; conviria jogá-las fora.

Cuide bem de tudo e não sofra. Se tiver necessidade de qualquer coisa peça à Irmã Maria.

Recomendo-me às suas orações para que peça a Deus para mim uma sincera conversão.

Todo seu em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 27 (24) [2]

  1. M. J. [Primavera de 1866]

Meu caro e venerado Colega

Chegamos ontem à noite, às 8 h. a Tour du Pin. Dormimos em casa da boa família Chalon e dispomo-nos a subir a Chatanay muito em breve. A minha mãe não está mal e apresenta-lhe os seus respeitos.

Vou dedicar estes dias a descansar e a fazer provisão de saúde, e sobretudo a jogar fora este peso na cabeça, para poder retomar o meu trabalho. Tenho vergonha de o ver sobrecarregado com todo o trabalho, pois também tem necessidade de descanso, mas espero não ser sempre tão preguiçoso. Recomendo-me às suas orações.

Saudações ao Senhor Boulanchon, aos Irmãos, Irmãs e a todas as nossas crianças.

Se achar que oito dias seriam úteis para as crianças e que isso se poderia conseguir com os Padres Capuchinhos para o Retiro e para a Crisma, será de fazê-lo, para conservar sempre boas relações com estes Padres que tanto nos ajudam.

Deixo isso ao seu cuidado e, se quiser, combine com o Senhor Boulachon.

As minhas saudações e o meu reconhecimento ao Senhor e Senhora Laforest.

Com sincero afeto e sempre à sua disposição, seu companheiro em Nosso Senhor.

  1. Chevrier Caminho de Chatanay, em casa da Senhora Claudia Fréchet, na Tour du Pin, Isère

Ao Senhor Padre Bernerd 28 (25) [3]

  1. M. J. [Primavera de 1866]

Meu caro Colega

Estávamos todos preocupados contigo quando chegou a sua primeira carta, tranquïlizando-nos a seu respeito e da sua boa companhia. Mesmo que a viagem lhe seja favorável, espero que não vá para o meio dos Comanches, é muito longe e o bom Deus não o pede.

Quando vamos para Roma, ficamos assombrados, deslumbrados, felizes ao mesmo tempo de ver tantas belas recordações cristãs que nos lembram a fé e, como padres, celebramos com alegria os Santos Mistérios nessas grutas abençoadas onde os santos passaram antes de nós. Alegro-me por vê-lo feliz, partilho a minha alegria contigo e peço-te que diga uma pequena palavra por nós quando passar por esses lugares, para que o amor a Jesus Cristo se reavive um pouco mais em nós…

Muitas pessoas me perguntam por ti e pelo seu regresso; dou-lhes a esperança de que estará em breve entre nós e que teremos a alegria de vê-lo de novo.

Diz-me que pensa muito no Prado; vou dar-lhe algumas notícias para sua satisfação.

As nossas crianças estão bastante bem, exceto uma menina que teve bexiga. O Senhor Fauconnet encarregou-se de cuidar dela e já está melhor. Lhe dei a Primeira Comunhão enquanto estava acamada, ela está recuperando.

Roberto teve uma febre muito alta e foi para casa dos seus pais; espero que não seja nada. As outras crianças estão bem e enviam-lhe uma saudação respeitosa; esperam que, quando voltar, lhes traga uma pequena recordação da sua viagem. O Senhor Teodoro volta sempre a cair nos seus hábitos; ficou cerca de 8 dias num estado de incapacidade que me põe doente; há dois dias que está melhor. A cabeça do Senhor Francisco é sempre a mesma. Eles têm necessidade de ti para se manterem em forma. O Senhor Tiago, nosso bom porteiro, voltou, não o quiseram na Cartuxa; trouxe a sua bagagem hoje; estou muito contente. O Senhor Suchet, sempre o mesmo. Auzon não vai mal de todo. Os nossos pobres estudantes estão bastante simpáticos, exceto Pertoud que voltou para casa dos pais; é muito jovem, veremos mais tarde. Reze muito a São Pedro e a São Paulo pelos nossos pequenos apóstolos, para que consigam bons resultados; é neles que podemos ter alguma esperança; todos, Irmãos, Irmãs e crianças enviam as suas saudações, pedem as suas orações e querem que volte quanto antes.

Quanto ao Senhor Martinet, veja bem se ele pode trabalhar para as nossas crianças; creio que é dedicado à obra; gosta deste trabalho. Não lhe poderíamos confiar o cuidado das crianças? Ele é forte. O Senhor Teodoro está cansado. Reze por isto e examine-o, por favor, diante de Deus; há que ter em conta que o sacerdócio traz contigo uma graça e que talvez ele se torne mais afável. Se nos pomos à espera de gente perfeita, onde os encontraremos? Enfim, recomendo-o a Deus e à sua sabedoria.

Quanto ao Senhor Fourvielle, faça o que quiser; já não posso esperar nada dele, e não o voltarei a receber no Prado, pois nunca teríamos paz em casa. Todos os dias peço a Deus que me envie um bom sacerdote para guiar os nossos jovens alunos. Não sei se devemos contar com o Senhor Tiago enquanto não está no Prado; não há nada seguro. Quando você vier talvez possa tomar uma decisão. Penso com frequência em ti e no que vale a sua companhia. Se tiver ocasião de falar do Prado a Dom Dubuis, renove-lhe o meu testemunho mais sincero de respeito e agradecimento pela sua grata visita. Cumprimentos à Senhora Catherine, minha mãezinha, e à nossa irmãzinha Maria, que deve estar muito feliz por estar em Roma. Que ela não se esqueça do seu segundo diário, que será, sem dúvida, tão interessante como o primeiro, por causa das belas festas a que tendes assistido. Penso que na Rosette continuam a dar a boa “mastingance” e bons “polastons”, se não mudaram de “trattoria”.

Parece-me perceber que está na nossa antiga vivenda do Padre Cassandra; você não diz, mas eu calculo. Dê os meus cumprimentos afetuosos a essa boa gente que nos acolheu tão bem e que foi tão simpática durante a nossa estadia em Roma.

Agradeço-lhe muito as suas cartas, que tanto gosto nos alegraram.

Nós não o esquecemos. Pense em nós junto dos Santos Mártires e peça por nós uma pequena bênção ao Santo Padre.

Feliz de ser seu devotado e sincero colega.

  1. Chevrier

Peço-lhe encarecidamente que não me esqueça junto dos Senhor e Senhora Picoli e assegure-lhes o meu vivo reconhecimento pelas graças espirituais que nos obtiveram e em particular da Porciúncula, e o bom Sr. d’Achilée sempre tão bom, tão complacente.

Todo seu. A. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 29 (26) [4]

  1. M. J. 13 de janeiro de 1867

Querido e venerado colega:

Todos os dias pedimos no Santo Sacrifício pelo seu querido tio e por ti, pela sua saúde e pelas suas intenções particulares. Tome o tempo que for necessário. Ontem escrevi ao Pároco de Santo André para lhe comunicar que você não poderá ir celebrar a Missa à sua paróquia e que o Senhor Boulachon deve ficar ao meio-dia em Santa Blandine. Assim ele deve ter procurado alguém para hoje.

O senhor Jacquier continua na mesma, sofrendo umas vezes mais e outras menos. Não sabemos o que pensar; só Deus sabe se no-lo deixará.

O senhor Martinet escreveu-me ontem; está em Salaize desde anteontem. Quis passar por Assis antes de regressar a Lyon, e quarta-feira já o teremos conosco. Parece bem disposto e envia-lhe muitas saudações. A minha mãe está melhor e envia-lhe recomendações. A casa continua como sempre. Cuide de ti e que Deus o ajude.

Com sincero afeto, seu devotado servo e Irmão em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 30 (27) [5]

  1. M. J. Chatanay, 6 de agosto de 1867

Querido e venerado colega,

Minha mãe e eu estamos muito gratos por tudo o que fez para o enterro da minha tia Chevrier. Há muito tempo que esta pobre mulher sofria e que, por assim dizer, não era deste mundo; que Deus a receba na sua misericórdia; uma oração por ela no Santo Sacrifício.

Estou melhor, mas a minha cabeça continua um pouco cansada. Agora estou em Chatanay, aqui faz bom tempo; espero que o ar e o descanso me ajudarão a recuperar; faz-se longo o tempo passado longe do meu pequeno rebanho, mas não me preocupo, porque sei que está bem guardado. Cuide bem de ti para não ficar doente.

Tudo o que fizer, está bem feito; antes de decidir com Mons. Charbonnel de levar as crianças para o Seminário Maior, talvez fosse bom esperar a chegada de Dom Dubuis para saber se estará em Lyon no dia 22 ou 23. Talvez incomode esses senhores do Seminário Maior deixar as meninas entrar na sua capela; não creio que eles o permitam, mas temos tempo de tratar disso.

A minha mãe e eu enviamos-lhe as nossas saudações e o nosso reconhecimento. Os meus cumprimentos para toda a casa.

Faça o favor de entregar este pequeno bilhete ao Irmão José para lhe dar um pouco mais de coragem.

Antes de partir pareceu-me que o jardineiro não estava contente; não queria ocupar-se da roupa das crianças. Há que comprometê-lo no exercício da caridade e dizer-lhe que a prática desta virtude vale mais que tudo o resto.

Todo seu em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 31 (28) [6]

  1. M. J. [Outubro de 1867]

Querido e venerado colega,

Estou melhor, caminho sem cajado e já há uns dias que não me dói a cabeça. Penso regressar na quarta-feira à tarde. Os latinistas devem entrar amanhã. Me reunirei com eles no dia seguinte para lhes dar alguns avisos.

Agradeço toda a sua bondade.

Minha mãe e eu o saudamos com todo o respeito.

Receba as saudações mais sinceras deste seu servo em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 32 (29) [7]

  1. M. J. [1868]

Caro Colega

A Irmã Clara regressa de la Salette. Aproveito a ocasião para lhe dizer que segunda-feira tomo uma purga. Se pudesse adiar a sua visita para terça-feira, eu estaria mais livre.

Fixamos a segunda-feira para estar mais bem disposto para o regresso.

Diga ao Irmão José que me copie o Ordo para os três dias: quarta, quinta, sexta-feira.

Queira aceitar as minhas saudações respeitosas e amigas.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 33 (30) [8]

  1. M. J. 20 de julho de 1868

Querido colega

Sofreu bastante na sua viagem! Pediremos a Deus que as águas lhe façam bem e que este momento de sofrimentos não anule o benefício das águas. Todos nos alegraremos por tê-lo de novo entre nós, para trabalharmos juntos para glória de Deus.

A casa continua na mesma. O senhor Teodoro continua com o seu trabalho; não sei verdadeiramente o que fazer! Espero por ti, tenho muita necessidade de ti!

Envio-lhe duas cartas que encontrei na caixa do correio; há outra para o Sr. Bispo.

Faça o favor de apresentar os meus humildes respeitos ao Sr. Bispo. Recomendamo-nos todos às suas boas orações.

O senhor Boulachon apresenta-lhe as suas saudações.

Receba, com o respeito da nossa casa, o testemunho da minha amizade mais sincera.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 34 (31) [9]

  1. M. J. St. Jean de Soudain [Quaresma de 1869]

Caríssimo e venerado colega

Comecei a falar melhor desde ontem e espero dentro de alguns dias recuperar por completo a minha voz; o tempo torna-se longo, longe de vós e de todo o meu pequeno mundo, mas espero que o bom Deus não me mantenha separado por muito tempo.

Cuide bem de ti durante estes dias a fim de que o trabalho não o canse demais, e apresente a todos os meus cumprimentos. Preste atenção ao Senhor Salignat que fala muito. Creio que não se devia deixá-lo jejuar; notei que ele está muito pálido desde há alguns dias. E o Senhor Sellier, como vai? Esteve muito cansado. Se necessário, ponham aquecimento no seu quarto.

E as nossas crianças, penso que elas se comportam bem; diga-lhes que rezo para que façam uma boa Primeira Comunhão e que se preparem pela oração e pela obediência.

Antes de partir, queria dizer ao Senhor Jorge que não deixe os latinistas sem o lanche; essas pobres crianças têm necessidade de alimento. Esqueci-me de lhe dizer, queira remediar o meu esquecimento.

Se continuar com a intenção de vir na quinta-feira, o Sr. Pároco e eu, o acolheremos com gosto.

Os meus cumprimentos reconhecidos ao Senhor e Senhora Laforest.

A minha mãe não está mal.

Com sincero afeto e gratidão, seu devotado colega e servo em Jesus Cristo.

  1. Chevrier em casa do Pároco de St. Jean de Soudain, em Tour du Pin, Isère

Junto um pequeno bilhete para a Irmã Clara que continua adoentada. Entregue-lhe, sem que as outras Irmãs o vejam, para evitar a inveja que não é uma pequena coisa entre elas.

Ao Senhor Padre Bernerd 35 (32)[10]

  1. M. J. St. Jean de Soudain, 16 de abril de 1869

Caríssimo e venerado Colega

Peço-lhe perdão por todos os incômodos que lhe dou, mas espero que Deus o recompensará por tudo a que faz por nós.

Chegamos anteontem à noite; o tempo estava ótimo, mas ontem choveu, o que torna os campos ainda mais belos. Ainda não saí de casa, porque fico rouco, mas daqui a alguns dias isto irá melhor.

Como vai? E as nossas crianças já partiram? O Senhor Francisco encontrou lugar para todas? Desta vez não faltavam lugares; se elas são boas isto será uma Providência para nós.

Diga ao Senhor Francisco que não envie ao Pároco de S. João o recibo da encadernação dos dois missais dele. Nós podemos pagar esta pequena despesa; ele é muito útil para nós neste momento.

Diga-lhe também que me envie os Evangelhos logo que estejam encadernados; tenho necessidade deles para a história dos Mistérios e da Via-Sacra.

É preciso que o Senhor Suchet não se esqueça de ir buscar a batina do Irmão José que talvez chegue na próxima semana, a fim de que ele a possa usar ao chegar.

O Senhor Laforest provavelmente ficou triste por você não ter ido a Roanne tratar do assunto dele, mas parece-me que não convém muito que nós padres nos metamos muito em assuntos de justiça, a menos que sejamos chamados. Ele deve esperar com paciência e o Senhor Laforest é um bom advogado; saberá defender a sua causa melhor que ninguém.

Apresente as minhas homenagens respeitosas ao Senhor Jaillet, e peça ao Senhor Alexandre que lhe abra a porta de passagem que pediu.

Seria necessário encorajar o Senhor Guerre que está sempre pensando em ir-se embora; antes da minha partida, disse-me para procurar outro roupeiro, que se iria embora dentro de quinze dias, não sei por que razões; seria pena, porque é um homem seguro e cuida bem da roupa.

Escreva-me e quando tiver algum tempo na próxima semana, venha nos ver; isso nos fará bem. Os meus cumprimentos a todos os nossos professores e a todos os nossos latinistas.

Recomendo-me às suas orações e receba o sincero testemunho do meu reconhecimento e respeito.

  1. Chevrier Em casa do Pároco de S. João, perto da Tour du Pin, Isère

Ao Senhor Padre Bernerd 36 (33) [11]

  1. M. J. 3 de maio de 1869

Meu querido colega

Estou de acordo com a Senhora Melánia para que passe alguns dias em Ars para descansar um pouco e fazer um pequeno Retiro e que, a partir daí, procuraremos fazê-la entrar nas Trapistas.

Diga à Irmã Antônia que por enquanto cuide da cozinha, pois está acostumada a nossa casa, e a Irmã Catarina a substituirá.

Desta maneira, talvez tenhamos um pouco mais de paz e de tranquilidade.

Dê-me notícias suas e dos nossos latinistas.

Seu devotado colega.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 37 (34) [12]

  1. M. J. 3 de maio [1869)

Meu querido colega

Esta manhã esqueci-me de enviar à Melánia duas cartas, uma das quais contém uma ordem de pagamento de 10 francos que o Senhor Suchet deve pegar no correio e a outra é de uma mãe chamada Lúcia, chamando de volta a sua filha que fez a Primeira Comunhão da última vez e que as Irmãs colocaram numa casa de família; leve-a às Irmãs para que a devolvam à sua mãe.

Estou impaciente por voltar para junto de vós e acredite que é um grande sacrifício para mim permanecer afastado.

Todo seu em Jesus Cristo.

Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 38 (35) [13]

  1. M. J. 16 de julho de [1869]

Querido e venerado colega

Estávamos preocupados contigo, não sabíamos como estava e se continuava em Vichy; a sua carta veio informar-nos de tudo. Lamentamos que não esteja melhor, e que as águas não lhe tenham feito bem; esperamos que a estadia em Saint Germain Laval lhe seja mais favorável e repare um pouco o mal das águas.

Tome o tempo necessário para se restabelecer e cuide bem de ti. Os companheiros não estão mal e apresentam-lhe as suas homenagens. O Irmão José prepara a sua prova; eu ajudo-o a preparar-se quase todos os dias. O Senhor Salignat espera a entrevista com o Sr. Cardeal e com Dom Dubuis para tomar uma decisão.

Alegro-me por ter esta oportunidade para apresentar à Senhora Irmã Santo Edmundo as minhas saudações respeitosas e o meu reconhecimento por tudo o que ela já fez pela nossa Providência.

Não o esquecemos no Santo Sacrifício; pense também em nós e em todos os nossos.

O Senhor Jaillet e toda a gente, assim como minha mãe, apresentam-lhe saudações respeitosas.

Digne-se receber o testemunho do meu afeto mais sincero.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 39 (36)[14]

  1. M. J. Lyon, 24 de agosto de 1869

Meu querido e venerado colega

As notícias sobre a sua saúde deixaram-nos inquietos; descanse o mais possível e verá que irá melhor; esperamos que a sua próxima carta nos tranquilize e nos diga que está melhor.

Agradeça á sua Excelência o interesse que manifesta para com a nossa casa e diga-lhe que rezamos pela sua saúde e pelo sucesso das suas obras.

O Senhor Salignat está de férias por alguns dias e prepara-se para a ordenação no mês de outubro.

Em casa tudo vai mais ou menos na mesma. O Senhor Jaillet tem a boca um pouco doente, a sua dentadura o faz sofrer de vez em quando, os dentes dos outros não valem mais que os nossos; ele envia cumprimentos.

Os nossos latinistas estão de férias, exceto quatro que ficaram e ocupam-se dos trabalhos da casa ao mesmo tempo que têm um pouco de férias.

O Senhor Jaricot dá o catecismo e estuda. As crianças não estão mal e preparam-se para ir ver a imperatriz esta tarde.

A minha mãe está bastante bem e apresenta-lhe as suas homenagens.

Envio a minha carta para a mesma casa que a primeira vez, pensando que não mudou, porque não pôs endereço na sua e foi isto que atrasou um pouco a minha resposta.

Com sincero afeto, seu devotado colega.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 40 (37) [15]

  1. M. J. [1869]

Querido e venerado colega

Acabo de receber as suas duas cartas ao mesmo tempo. Obrigado pelas suas boas intenções e por se ter lembrado de nós; também o recordamos com carinho.

Falei há alguns dias com o Sr. Jourde, o nosso vizinho, que conhece; está decidido a dar-se à nossa obra e deve chegar na próxima semana. Penso que fará o nosso pequeno serviço e será ligeiramente menos brusco que o Sr. Francisco. É honesto e bem educado; fará tudo o que lhe pedirem; entra na casa pelo bom Deus.

Como este assunto tinha sido decidido há alguns dias, não pude voltar atrás e ele deve ter feito alguns acordos com a sociedade de S. Vicente de Paulo da qual é secretário.

A casa continua do mesmo modo; começamos esta semana a fazer pequenas reuniões para a unidade de ação na casa; espero-o para me ajudar. Temos muita necessidade de nos entendermos e de vivermos todos uma mesma vida para a perseverança da obra e santificação de todos.

Reze, por favor, por nós; eu não o esqueço.

Receba ao mesmo tempo as mais sinceras saudações do seu servo.

  1. Chevrier

A minha mãe agradece as suas saudações; ela não está mal; os companheiros conservam boas recordações a seu respeito e todos o esperamos.

Até breve…

Ao Senhor Padre Bernerd 41 (38) [16]

  1. BERNERD, PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA CHABROL, 55, LYON-GUILLOTIÈRE
  2. M. J. [Chalamont, 14 de junho de 1870]

Caro e venerado Colega

Obrigado pelas suas informações e pelo trabalho que teve para visitar todas estas pessoas; os benfeitores não se substituem por nada.

Como não sabia se estava no Prado, juntei à carta que escrevi ao Senhor Jaricot um pequeno bilhete para ti, para lhe pedir que celebre duas vezes hoje se for necessário, a fim de que haja três Missas no Prado. Espero que tudo tenha corrido bem.

Estou melhorando; o descanso e a boa alimentação devolvem-me pouco a pouco as forças; todavia, peço-lhe para ficar ainda alguns dias até à festa. O tempo que me falta para voltar ao Prado torna-se longo. Mas eu tinha necessidade de um pouco de descanso para trabalhar depois.

Tendo encarregado o Padre Jaricot do interior da Casa, ocupe-se você de tudo o que diz respeito ao exterior, como as visitas, as coletas, os pagamentos de fora e as compras necessárias para a casa; encarregando cada um de uma coisa, a casa caminhará melhor e cada um saberá melhor o que tem a fazer.

Temos muita necessidade da graça de Deus para poder chegar a qualquer coisa válida e duradoura, mas é necessário ter esperança em Deus.

Cuide de ti e reze pelo seu pobre servo que não o esquece junto de Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Os meus respeitos para a sua querida família.

Ao Senhor Padre Bernerd 42 (39) [17]

  1. M. J. [Outubro de 1870]

Caro e venerado Colega

Não o animo a vir já para Lyon, a não ser que se queira alistar na guarda nacional. Esta manhã recebemos a ordem de fazer parte da guarda, sob pena de multa e de prisão e não somente nós, mas também os párocos e vigários. Acabo de chegar do arcebispado. O Senhor Pagnon diz que os padres estão isentos por lei, mas hoje já não há lei. Espero que isto não seja mais que uma pequena tempestade e uma contrariedade feita à batina. Mesmo assim, não é uma coisa muito agradável.

Não nos têm contrariado muito até hoje.

Os companheiros não estão mal e enviam-lhe saudações respeitosas. Ainda não fizemos a Primeira Comunhão. Mandei embora mais ou menos metade das crianças, os menos bem dispostos, porque não recebemos esmolas suficientes. Pensamos fazê-la dentro de quinze dias, se tivermos tempo. Esperamos qualquer dia um golpe militar. Há disputas entre a bandeira vermelha e a tricolor. Sábado tentaram substituir a vermelha pela tricolor, mas foi impossível; teria havido guerra civil e provavelmente recuaram. Enfim, a posição é difícil. Reze por nós.

Apresente os meus respeitos profundos e sinceros a Dom Dubuis, os meus cumprimentos de antigo condiscípulo a Mons. Bariccand. Com amizade e afeto, seu muito dedicado.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 43 (40) [18]

  1. M. J. 30 de agosto de 1871

Querido e venerado Padre

Agradeço as boas notícias que nos dá. Desejamos que as águas lhe façam bem e o façam regressar com boa saúde no meio de nós.

Nós vamos todos bem.

O assunto do Senhor Dutel ainda não está esclarecido, ele ainda não falou comigo e eu não ouso perguntar-lhe qual a solução.

A minha mãe está em Tour du Pin. Penso ir buscá-la amanhã e trazer o Senhor Joanny e os outros dois no sábado.

Não fiquei aborrecido ao ver que a viagem para América não se realizou, porque não é um homem em quem se possa confiar muito; podemos encontrar outro meio para fazer voltar Auzon, se o bom Deus o chama para o meio de nós. Cuide de ti e pensem em nós no Santo Sacrifício.

Todos os companheiros lhe enviam respeitosos cumprimentos, assim como as nossas crianças.

Receba o testemunho da minha sincera amizade.

  1. Chevrier

A Irmã Antônia ainda não sabe quando partirá, precisa de tempo para se decidir.

A minha coleta de sexta-feira não passou de 35 francos.

Todo seu.

Ao Senhor Padre Bernerd 44 (41) [19]

  1. M. J. [Setembro de 1873]

Querido e venerado Colega

Obrigado pela sua amigável carta. Enviei ontem pelo correio o breviário (parte outonal) que provavelmente chegará a tempo de se servir dele no momento apropriado. Cuide bem de ti, aproveite o verão e volte com boa saúde.

Nada de especial no Prado a não ser que todos desejamos que o Sr. Bispo possa vir para o Santo Rosário, no dia da Primeira Comunhão. Rezaremos para que possa organizar os seus trabalhos de modo que fique livre nesse dia.

O Padre Régis veio ontem visitar o Padre Jaillet e, de passagem, veio cumprimentar-nos e prometeu vir pregar o Retiro das crianças.

O Senhor Isidoro voltou da Trapa, procurou trabalho e encontrou num tintureiro, em Vaise.

E o bom Senhor Joanny? É lamentável que tenham começado tão tarde os cuidados tão necessários à sua saúde. Ele sempre me pareceu bastante doente e sem recursos. Se o bom Mestre o quiser conservar ainda, é o Mestre dele. Não o esquecemos nas nossas orações.

Todas as crianças lhe apresentam as suas saudações, bem como os nossos jovens seminaristas.

Todos os Companheiros o convidam a aproveitar bem o verão e a regressar depressa.

Apresente a Sua Excelência os mais sinceros agradecimentos de todos nós, bem como as nossas saudações muito respeitosas e o nosso pedido para a Primeira Comunhão.

Receba o testemunho do nosso afeto mais sincero.

  1. Chevrier

Quando passar de novo por Roanne, apresente os nossos agradecimentos e as nossas saudações respeitosas a todas essas boas famílias que nos ajudam e particularmente ao Senhor e Senhora Jannet.

Ao Senhor Padre Bernerd 45 (42) [20]

  1. M. J. [Prado,] 15 de setembro de 1873

Querido e venerado Colega

Recebi ontem a sua carta a apresso-me a responder para lhe dizer o seguinte:

O Senhor Dutel e o Senhor Jaricot têm a intenção de participar da peregrinação a Lourdes, que parte no dia 29; por conseguinte nós fomos obrigados a antecipar a Primeira Comunhão de 8 dias. Será, portanto, no dia 28 do corrente. Escrevi a Dom Dubuis, em St. Just D’Avray, para lhe perguntar se poderia vir, no dia 29, confirmar as nossas crianças e recebi esta manhã uma resposta do Padre Jaillet que me anuncia que o Sr. Bispo virá ao Prado no dia 29 de manhã para confirmar as nossas crianças, e que, à tarde, partirá para Lourdes. Eis as notícias que dizem respeito à Primeira Comunhão. Se puder vir rapidamente, nos dará uma grande alegria.

Enquanto esperamos pelo seu regresso, já confessamos as suas crianças. O Senhor Dutel encarregou-se do Retiro da Primeira Comunhão.

As notícias que me dá do Senhor Joanny enchem-me de alegria. A Senhora Laforest, que visitei há dias, pareceu-me muito triste a respeito dele.

Os Companheiros não estão mal e apresentam-lhe cumprimentos respeitosos. Minha mãe une-se a mim para lhe desejar uma boa saúde e um bom regresso.

Aceite o testemunho mais sincero do meu respeito e afeto.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 46 (43) [21]

  1. M. J. 1874

Meu venerado Colega e Padre

Ouvi dizer que Cucuat tinha feito barulho no dormitório e escandalizado toda a gente com as suas palavras. É necessário castigar essa gente como se fossem crianças. É triste de dever chegar até este ponto. Entregue-lhe ou mande entregar-lhe a carta que lhe envio e faça-o de maneira que toda a gente fique sabendo a fim de que todos saibam que não podemos suportar sempre as loucuras dele.

Leia a minha carta e entregue-lha publicamente esta tarde ou amanhã de manhã.

Como todo o afeto.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 47 (44) [22]

  1. M. J. 27 de julho [1874]

Querido e venerado Colega

Ouvi dizer com agrado que o nosso caro Blettery foi aprovado. Apresente-lhe as minhas felicitações e cumprimentos.

Escrevo-lhe também para dar notícias a ti e à minha mãe que pode estar preocupada. Eu estou bem. Fez frio nestes últimos dias, mas estes Padres são muito bons e deram-me tudo o que era necessário. Eu estou muito bem. Espero estar de regresso no fim da semana. Reze por mim. Estou muito contente neste meu pequeno Retiro.

Apresente as minhas saudações respeitosas aos Companheiros, Senhor Dutel, Jaillet e aos outros Companheiros.

Cumprimentos a todas as minhas crianças e uma saudação a todas as Irmãs.

Recomendo-me às suas orações e sou para sempre seu dedicado companheiro e irmão.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 48 (45) [23]

  1. M. J. 20 de agosto de 1874

Querido e venerado Colega

Esperei alguns dias para lhe poder enviar a direção do meu primo Lacand, de Vichy, e vendo que a minha afilhada não vem, decido-me a escrever-lhe para responder à sua carta.

Estou contente em saber que está na boa companhia da sua irmã que cuidará bem de ti e esperamos que a indisposição dos primeiros dias não será nada e que voltará das águas com boa saúde.

Fizemos uma pequena peregrinação a Ars, depois da prova dos latinistas; partimos terça-feira e já estamos de volta. As nossas crianças partem de férias e espero que a maior parte volte mais bem disposta e que o próximo ano será melhor no aspecto da piedade.

Estamos todos bastante bem.

Todos os Companheiros, bem como a minha mãe, apresentam-lhe as suas saudações respeitosas e amigas, e esperamos vê-lo em breve.

Sou, com sentimentos de sincera amizade, seu devotado colega em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 49 (46) [24]

  1. M. J. 5 de julho de 1875

Querido e venerado Colega

Obrigado pelas suas notícias.

Gostaria ter cumprido o que me pediu para com Dom Dubuis, mas não sei onde o encontrar; não está em Lyon e não sei onde está. O Senhor Laforest também não tem notícias dele. Vamos almoçar hoje com o Senhor Jaillet; ele lamenta que você não esteja conosco. Mons. Charbonnel estará presente.

Os nossos alunos do Seminário maior estão de férias desde ontem; encarregam-me de lhe apresentar as suas respeitosas homenagens.

Minha mãe e os Companheiros encarregam-me de lhe enviar os seus sentimentos de afeto sincero e respeitoso e esperamos todos que as águas lhe façam bem. Logo que esteja com o Sr. Bispo transmitir-lhe-ei o convite em seu nome.

Receba as saudações muito sinceras e afetuosas do seu devotado colega,

Chevrier. no Prado

Ao Senhor Padre Bernerd 50 (47) [25]

  1. M. J. [St. Fons,] 19 de julho de 1875

Querido e venerado colega :

Foi com pena que eu e os meus companheiros soubemos que tinha sido mordido por um cão. Pensamos que isso não será nada e que possa voltar de boa saúde para junto de nós.

Rezamos a Deus para que as águas lhe façam bem.

No Prado estamos reduzidos ao mínimo. Eu estou em St. Fons, o Senhor Jaillet prega o jubileu em Mouche e o Senhor Dutel na Rua Rave.

Temos o Senhor Chandy que vem nos dar uma ajuda. Não temos notícias de Dom Dubuis, ninguém sabe onde se encontra. Recebi uma carta do Padre Franchesco que me diz que todas as pesquisas que fez para encontrar as atas do Batismo que você lhe tinha pedido foram inúteis; são necessárias indicações mais exatas. Os documentos de Mons. estão em Coutouvres. Se passar em Coutouvres poderia trazer os que se referem à Casa, se puder.

A petição que eu tinha feito foi remetida à Congregação dos Bispos e Religiosos; teremos que esperar.

Esperamos todos que a sua saúde melhore e enviamos-lhe os nossos cumprimentos muito sinceros e respeitosos.

Com sincero afeto, seu muito devotado colega.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Bernerd 51 (48) [46]

  1. M. J. [Verão] de 1876

Querido e venerado colega :

Passei esta última semana em St. Fons e demorei em lhe responder porque não tinha envelope nem papel de carta.

Obrigado pelas suas recordações, somente não diz como está e se as águas lhe fizeram bem.

Quanto a esses dois jovens, os receberei de bom grado, seguindo a sua recomendação.

Diga-lhes que venham ao Prado, no dia 7 de outubro próximo e, se a vocação deles for provável, faremos tudo o que pudermos para favorecê-la.

Cuide-se bem e volte com boa saúde.

Reze por mim, por favor, porque preciso muito.

Esperando ter a alegria de vê-lo, aceite os meus sentimentos muito sinceros de respeito e afeto.

  1. Chevrier

Ao Padre Gourdon

Padre Gourdon 52 (49) [1]

  1. M. J. [1865]

Meu caro Colega

Li com agrado a sua carta. O belo mistério da Encarnação que tocou o seu coração é verdadeiramente o fundamento do nosso zelo, das nossas ações e um grande motivo para nos humilharmos diante de Deus. Foi este mistério que me levou a pedir a Deus a pobreza e a humildade e que me fez deixar o ministério para praticar a santa pobreza de Nosso Senhor.

Desejo e peço todos os dias a Deus que encha os padres do espírito de Jesus Cristo e que nos assemelhemos cada vez mais a Jesus nosso divino Modelo, o grande modelo dos padres. Oh! Se nos parecêssemos com Jesus Cristo nosso Salvador, quanto bem, quantas boas obras se fariam na Santa Igreja de Deus.

Convertamo-nos, meu bom Irmão; ajude-me a me converter e rezemos juntos para nos tornarmos dignos representantes de Jesus Cristo na terra e dispensadores das suas graças.

O padre é um outro Jesus Cristo; isto é tão belo. Reze para que eu o venha a ser de verdade. Sinto que estou tão longe deste belo modelo que às vezes perco a coragem; tão longe da sua pobreza, tão longe da sua morte, tão longe da sua caridade. Reze e peçamos juntos para que nos tornemos semelhantes ao nosso belo Modelo.

Quanto à obra de que me fala, faça o que Nosso Senhor lhe inspirar, mas deixe-se conduzir pelas circunstâncias e não por si mesmo. Deixemos que o bom Deus faça; dei-me conta de que, quando somos nós a fazer, é preciso sempre desfazer e que, quando é o bom Deus que faz as coisas, tudo sai bem. Assim, se for capaz de dar-lhe um conselho, empreenda a sua obra com a maior humildade; o começo de toda a obra de Deus está no Presépio; as coisas exteriores significam muito pouco; faça o que tem relação com a salvação dos outros, com a glória de Deus antes de tudo. Dê-lhes como único regulamento amar o próximo e sofrer; a primeira regra é a caridade. Comece com pouca gente, uma só pessoa que tenha o espírito de Deus vale mais que cem que constituem somente entraves.

Perdoe-me todas estas coisas; eu não passo de um pobre mendigo de corpo e de espírito; envio-lhe um pequeno impresso sobre a pobreza de Nosso Senhor; vi muitas pessoas que ficariam muito felizes se a vissem realizada entre os padres.

Reze por mim.

Seu colega em Nosso Senhor Jesus Cristo.

  1. Chevrier Capelão do Prado, na Guillotière

Ao Padre Gourdon 53 (50) [2]

  1. M. J. 28 de agosto de 1865

É preciso não desanimar com as obras, mas há que ir com prudência e humildade. Sirva-se dos meios que o bom Deus vos dá presentemente, santifiquem-se uns aos outros e Deus se servirá de vós desde que estejais maduros para Ele.

Como o bom Deus tem necessidade de bons padres pobres! É isto o que eu sonho e desejo ardentemente há mais de 10 anos, que haja bons padres nas paróquias, está tudo nisto. O bom padre traz com ele todas as reformas, todas as conversões, tudo o que é necessário para as almas. Dedique-se a este fim principal de ter bons companheiros, padres pobres segundo Deus, e terá tudo o que é necessário, o resto não é nada.

Diz-me que queria ter um buraco para se retirar durante alguns dias, oh! ofereço-lhe de boa vontade o meu pequeno buraco do Prado. Venha, o verei com muito gosto e, como Deus lhe deu a atração pela pobreza, já estamos unidos em espírito a Nosso Senhor. Venha alguns dias, se puder, nos ajudaremos mutuamente a amar Jesus e a segui-lo, pois o nosso lema deve ser de tornar-nos outros Jesus Cristo sobre a terra.

Reze por mim, eu não o esqueço.

  1. Chevrier Providência do Prado, rua Chabrol 55, Guillotière

Ao Padre Gourdon 54 (51) [3]

  1. M. J. 7 de novembro de 1865

Meu querido irmão

Que a santa vontade de Deus se cumpra em todas as coisas, em nós como em todos os homens da terra. Se o bom Deus o permitir, me sentirei feliz em poder contribuir para uma obra que me é cara e que tanto desejo há anos.

A Providência parece facilitar esta reunião e mesmo pedi-la. Tenho no Prado um lugar para alojar aqueles que quiserem trabalhar na obra, tanto mais que tenho quatro alunos que sou obrigado a enviar a uma escola clerical de Lyon, porque não tenho professor aqui, e como seria feliz de tê-los continuamente em casa para lhes dar este espírito de simplicidade e de pobreza que deve ser o nosso fim principal.

Se tiver alunos, pode trazê-los; posso oferecer-lhe alojamento para 8 ou 10 alunos.

O que me faz desejar isto, é que o Senhor Magaud me escreveu, algumas horas antes de receber a sua carta, dizendo que não podia continuar esta obra dos estudantes pobres, porque os seus recursos não lhe permitiam, que só tinha 4 e que estes 4 lhe pagavam uma pensão. Não me parece que Nosso Senhor queira deixar morrer uma obra tão agradável que Ele começou; talvez queira que sejam padres pobres a fazê-la; por mim, estou totalmente disposto a continuar com a ajuda de um bom companheiro; temos aqui o começo, os alunos e o local e os recursos da Providência já bem visíveis para não nos deixar dúvidas; portanto tenha confiança, a bênção de Sua Santidade que me abençoou e a ti também, pois ele a deu a todos os padres que aceitassem a santa pobreza de Jesus Cristo. Venha, eu me sentirei feliz de recebê-lo; obtenha o acordo de Sua Eminência e nós começaremos; quanto às pessoas que formou para a pobreza, continue a dirigi-las nesse caminho de Nosso Senhor e mais tarde elas serão muito úteis quando nos derem algumas paróquias pobres para servir, se o bom Deus quiser.

Oh! Fiquei muito feliz com a leitura da sua carta, vi que já não estava sozinho; tenho dois ou três companheiros que veem as coisas do mesmo modo, mas, você sabe, há alguns em relação aos quais o Espírito Santo nos inclina mais. Rezemos a Deus durante estes dias, peçamos que se cumpra a sua vontade e que os obstáculos humanos desapareçam; prometo-lhe que terei presente este assunto no Santo Sacrifício durante todos estes dias.

Aceite as saudações muito sinceras e respeitosas deste seu servo e irmão em Nosso Senhor Jesus Cristo.

  1. Chevrier Rua Chabrol 55, Guillotière

Ao Padre Gourdon 55 (52) [4]

PADRE GOURDON, VIGÁRIO EM MILLERY, RHÔNE

  1. M. J. [Vénissieux,] 5 de dezembro de 1865

Meu caro colega e amigo

Esteve sem dúvida à minha espera, mas não pude cumprir a minha promessa. Estou atualmente em Vénissieux para o jubileu desta paróquia; aceitei este encargo como vindo de Deus e podendo servir mais tarde para a glória de Nosso Senhor, porque é nesta paróquia que temos o nosso pequeno lugar de Retiro e que há duas novas paróquias sem pastor que o Pároco acaba de me oferecer, e pergunta se eu lhe poderia encontrar dois padres; como vê, Deus parece favorecer as nossas boas intenções. Rezemos para que tudo seja para sua maior glória. Não poderei ir visitá-lo de imediato, pois as minhas ausências do Prado são prejudiciais à minha casa e prometi não me ausentar senão por razões graves.

Ainda não consegui visitar Sua Eminência para lhe apresentar a sua petição; só o poderei ver na próxima semana.

Reze por mim e pela conversão dos pecadores.

Todo seu em Nosso Senhor.

  1. Chevrier, no Prado, Rua Chabrol 55, Lyon

Ao Padre Gourdon 56 (53)[5]

  1. M. J. 22 de janeiro de 1866

Meu caro Colega

Visitei, há três dias, Mons. de Serres e o Senhor Pagnon. Falei-lhes da sua resolução. Eles não recusaram, mas disseram que isso não se poderia resolver antes da Trindade, por causa da falta de padres e pelas dificuldades que criaria a Sua Eminência. Eles já o sabem, não põem dificuldades; esperemos e ponhamos a nossa confiança em Deus. Rezemos e peça a Deus a minha conversão; Deus nos concederá essa graça.

Muito desejava fazer-lhe uma pequena visita de colega e de amigo, mas não sei quando poderei dispor de tempo.

Quando estivermos juntos, me ensinará um pouco a amar o nosso bom Mestre e sobretudo a imitá-lo. O assunto das minhas reflexões contínuas é este Sacerdos alter Christus que devemos reproduzir em toda a nossa vida a de Jesus Cristo, nosso Modelo, ser pobre como ele no presépio, ser crucificado como ele na cruz para a salvação dos pecadores e ser consumido como ele no sacramento da Eucaristia; o padre é como Jesus Cristo um homem despojado, um homem crucificado, um homem consumido, mas para ser consumido pelos fiéis, é preciso ser um bom pão bem cozido pela morte a si mesmo, bem cozido na pobreza, no sofrimento e na morte como o Salvador nosso modelo, e então tudo em nós servirá de alimento aos fiéis, as nossas palavras, os nossos exemplos e nós nos consumiremos como uma mãe se consome para alimentar os seus pequenos filhos. Venha, meditaremos em conjunto estas coisas e as poremos em prática. Sinto que tenho necessidade de alguém que compreenda o bom Salvador e que o ame. Oh! Não, como dizia na sua carta, não continuaremos sozinhos, seremos dois e Jesus será o nosso mestre; com ele tudo se pode compreender, nele tudo se pode unir, ele é o laço forte e inseparável que une os corações verdadeiramente desejosos de segui-lo. Tomemo-lo conosco, que ele seja o nosso Guia, o nosso Chefe, o nosso Modelo na pobreza, no sacrifício e na caridade.

Reunamo-nos com este pensamento: Sacerdos alter Christus e façamos tudo o que pudermos para compreendê-lo e seguir. Reze por mim.

Seu dedicado e muito íntimo colega em Jesus Cristo, nosso Modelo.

  1. Chevrier

Ao Padre Gourdon 57 (54) [6]

  1. M. J. 3 de junho de 1866

Meu caro Colega

Se somos obrigados a continuar afastados de corpo, continuemos unidos de espírito e pratiquemos cada um no que está ao nosso alcance a santa pobreza de Nosso Senhor. Devemos respeitar esta decisão do Conselho, ainda que nos pareça estranha, e submeter-nos humildemente. Estes senhores não podem adivinhar o motivo que nos faz agir e não veem tão pouco a necessidade de um novo padre no Prado. Somente por uma circunstância providencial poderemos viver juntos, mas poderá acontecer. Deus é sempre o nosso Mestre, ele saberá encontrar o meio de reunir tudo quando achar bem.

Escrevi ao Senhor Padre Merle e não sei o que é feito dele, não voltei a ver o Senhor Lainé; estes frutos ainda não estão maduros; creio que o Prado os assustou um pouco; com efeito, não é fácil ver em que se apoiar nesta pobre casinha; na verdade, só o bom Deus a mantém de pé, e a ele ninguém o vê, apenas se vê um pobre miserável que representa muito mal o lugar de Deus de tal modo que as pessoas são mais tentadas a afastar-se do que a vir.

Ponhamos portanto a nossa confiança em Deus somente; por mim, não me atrevo a comprometer ninguém a vir; às vezes tenho tanta vergonha, tanto medo, que nada garante que eu me salve. Ainda ontem, senti-me fortemente tentado a fechar-me no meu pequeno quarto e não mais voltar a aparecer; reze por mim, por favor, porque sou muito pobre, muito miserável, não em dinheiro, não penso nisso, mas em virtudes; uma pequena palavra no Santo Sacrifício.

Como tenho necessidade de um bom companheiro para me apoiar, me fazer cumprir os meus deveres. Se não mudo, perecerei sem remédio.

Se não se importa, lhe enviarei o meu regulamento diário e dar-me-á uma grande penitência quando não o cumprir.

Todo seu em Nosso Senhor.

Chevrier

Ao Senhor…

Ao Senhor… 58 (539)

20 de janeiro de 1866

Oração e humildade,

Entre pela porta como diz J. C. e não pela janela, pois pressionando, ficando impaciente, forçando seus Superiores, entrará pela janela, o que seria muito mau para si.

Coragem, meu bom Irmão… espero que o bom Deus o reúna conosco, mas gostaria de o ver mais humilde e mais afável.

Estude muito Nosso Senhor seu Modelo e lembre-se sempre deste lema que deve ser o seu como é meu Sacerdos alter Christus.

Seu dedicado amigo e irmão.

  1. Chevrier

Ao Senhor…

Ao Senhor… 59 (540) [1]

  1. M. J. [1886]

Meu caro irmão e amigo

Enviei-lhe há 4 dias suas cartas para tonsura e ordens menores. Dirigi-as a Mons. Mansi, Rua dos Vettari. Se elas não chegarem, reclame-as nos correios, bem como todos os outros papéis: se faltar alguma coisa, escreva-me, e eu enviar-lhe-ei tudo rapidamente. As suas cartas de tonsura e de ordens menores] estão datadas do mesmo dia para que todas possam servir.

Sinto-me feliz ao pensar que será ordenado em breve, porque tenho muita necessidade de ti; o trabalho é muito, e eu estou quase sempre sozinho. Se o bom Deus o permitir a casa crescerá um pouco: vou acrescentar a obra dos estudantes pobres, coloco as meninas pequenas em frente da capela e o lugar delas será ocupado pelos estudantes; formar padres jovens para a vida religiosa desde cedo, será uma obra agradável a Deus, mas precisamos de operários… Venha quanto antes, temos muito que fazer.

Pede-me um certificado de bom comportamento; pensei que o do Pároco de Salaise era suficiente. Se for absolutamente necessário, o enviarei em seguida; foi Mons. Guiffier quem fez o seu certificado de estudos; ele envia-lhe cumprimentos e felicita-o pelo seu sucesso.

Rezemos ao bom Deus por tudo o que diz respeito à Santa Igreja e a nós mesmos.

  1. Chevrier

O Senhor Berne está ausente; foi a Vichy com Dom Dubuis, chegará amanhã de manhã. Lhe entregarei as suas cartas que recebi hoje para ele.

Ao Senhor… 60 (541) [2]

  1. M. J. [1866]

Meu caro irmão e amigo

Estou muito preocupado a seu respeito. Lhe escrevi três cartas e não recebi resposta!

Enviei há 3 semanas suas cartas de tonsura e ordens menores, dirigidas a Mons. Mansi. Escrevi-lhe duas vezes pedindo notícias suas, e nada de resposta. Não sei a quem me dirigir.

Responda-me, por favor, o mais cedo possível.

Seu muito dedicado.

  1. Chevrier no Prado, Guillotière, Lyon

A João Cláudio Jaricot (Seminarista)

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 61 (64) [1]

SENHOR JARICOT, ALUNO DO SEMINÁRIO MAIOR, LYON

  1. M. J. Prado, 21 de março de 1866

Meu querido amigo

Encheu-me de alegria a notícia da sua entrada no Seminário Maior. Coragem, São José o protegerá. Talvez não chegue a ser um grande sábio, mas faça o que puder; o bom Deus ama as almas de boa vontade; ofereça ao bom Deus todas as humilhações causadas pela falta de ciência, em expiação pelos seus pecados e para adquirir a verdadeira humildade, lembrando-se que temos apenas aquilo que o bom Deus nos deu; se temos pouco, o bom Deus nos pedirá pouco; se temos muito, Deus nos pedirá muito. Deus deu-lhe pouco, não tinha capacidade para receber muito; faça somente frutificar bem o pouco que Deus lhe deu, e ele não lhe pedirá mais. Aprenda, sobretudo a fazer bem a sua oração; nela aprendemos mais do que nos livros; se souber fazer, o Espírito Santo lhe ensinará muito. Aprenda sobretudo a ser pobre, mortificado e caridoso. O Presépio, o Calvário, o Sacrário, eis onde é preciso ir todos os dias para aprender a tornar-se um bom padre, um bom catequista.

Estou sempre disponível para recebê-lo no Prado, quando aqui vier, como padre ou como catequista.

Reze por mim; também não o esquecerei no Santo Sacrifício.

Os meus cumprimentos ao Senhor Merle, diácono. Logo que possa, irei ao Seminário para visitá-lo. Que Jesus o abençoe.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 62 (65) [2]

AO SENHOR JARICOT, ROMA

  1. M. J. [Lyon,] 12 de janeiro de [1868]

Meu caro irmão

Acho muito bem que esteja hospedado na casa dos Padres Lazaristas. Coragem, estude muito, torne-se sábio, e tudo irá bem. Não se aborreça com nada, pois sabe que as dificuldades são a nossa herança e que, suportando-as, ganhamos o céu. Trabalhe cada vez mais para vir a ser um bom padre.

Se tiver necessidade de alguma coisa, escreva-me; sabe que estou ao seu serviço, e que, como uma criança, deve dizer-me as suas pequenas misérias, para que as possamos aliviar, se for possível.

Ao seu serviço.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 63 (66) [3]

EM ROMA

  1. M. J. Lyon, 1868

Obrigado, querido irmão e amigo pelas suas boas cartas, que recebo sempre com muito gosto.

O Senhor Bernard chegou com boa saúde na sexta-feira passada. Está atualmente com a sua família; está bem e apresenta-lhe cumprimentos.

Aproveite bem o tempo para a sua santificação, peça a Deus uma consciência reta e bem esclarecida, um julgamento seguro, para estar à altura de julgar bem os outros, quando o bom Deus o chamar ao Santo Ministério. É na oração que Deus o esclarecerá; para isso recite todos os dias o Veni Creator. Aprenda a recitar bem o Rosário e a fazer a Via-Sacra; sabe que devemos encontrar tudo nestas duas devoções, para nós e para os outros. Diga-me de vez em quando os principais pensamentos que mais o tocam na sua oração e a atração que Deus lhe dá, e tenha uma grande confiança em Deus, e tudo irá bem.

Não se preocupe demais com a Ordem Terceira; o bom Deus fará bem as coisas; Ele conduziu-nos tão bem até agora, e continuará bem a sua obra; não apressemos a hora da Providência: ao querer fazer as coisas por nós mesmos, às vezes estragamos as obras de Deus, e sei por experiência que mais vale esperar do que apressar-se. O bom Padre Bruno vai a Roma dentro de alguns dias; ele quer encarregar-se deste assunto junto do Geral e junto do Papa. Vou fazer uma pequena petição ao Sr. Cardeal de Lyon e, se tiver a sua aprovação, tudo se fará rapidamente; reze, é tudo o que lhe peço, e não faça nenhuma diligência sem que eu lhe diga.

Como gosta sempre do Prado, gostará também de receber notícias dele: tudo vai mais ou menos como de costume; estamos instalados no refeitório grande; isto vai muito bem. Organizei grupos de oito e um dos nossos latinistas é chefe de grupo; eles aprenderão assim a começar a exercer a humildade e a caridade; eles estão bem. Os bons continuam a ser Duret, Delorme, Blettery, Béal, Proriol e Monot. Todos lhe enviam cumprimentos e desejariam ir contigo; uma carta sua lhes daria muita alegria.

Escrevi ao Senhor Bernerd uma carta que continha outra para ti, quando ele ainda estava em Roma; parece que partiu antes de recebê-la; se puder ir buscá-la a casa da Senhora Cassandra, vá.

Minha mãe envia-lhe cumprimentos, tal como todos os companheiros, o Senhor Salignat e todos os outros. O Senhor Varlop partiu; fui eu que lhe pedi para se retirar; ele só nos podia prejudicar pelo seu caráter e pelas suas maneiras.

Reze por mim, que eu não o esqueço. Na minha próxima carta enviarei um pouco de dinheiro.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 64 (67) [4]

  1. M. J. Lyon, 20 de maio de 1868

Meu caríssimo irmão e amigo

Estou atualmente na casa dos padres Carmelitas, para rezar um pouco ao bom Deus e estudar a pobreza de Nosso Senhor. Leio o Santo Evangelho. Como tudo o que disse Nosso Senhor foi bem dito, e como devemos procurar pô-lo em prática. Oh! meu caro irmão, estudemos sempre este belo livro, e não paremos de o ler para praticar o que lá encontramos; isto será a nossa regra, como sabe; o Presépio, o Calvário, o Sacrário, são as nossas três estações para chegar à perfeição da nossa vocação. Quando vejo o atraso em que me encontro, gemo diante do nosso Mestre e peço-lhe perdão por ter perdido tanto tempo; mas, coragem, com a graça de Nosso Senhor, caminharemos no seu seguimento na perfeita pobreza, na morte e na caridade.

Fala-me das suas orações; conhece o nosso método muito simples: o Rosário e a Via-Sacra, a Santa Missa. Aprenda bem estas três coisas e saberá tudo. Como sabe, S. Tomás e S. Boaventura não tiveram outro livro. O Presépio, o Calvário, o Sacrário, eis as três estações onde desejo deixar-vos sempre. Que os mistérios de Nosso Senhor sejam tão familiares para ti que possa falar deles como de coisa própria, familiar, como as pessoas sabem falar do seu estado, do seu vestuário, dos seus negócios; ao ler, tome por fundamento das suas orações a história do mistério e estude cada palavra, cada ação, cada virtude, e procure impregnar com ela o seu espírito, o seu coração e também a sua maneira de agir. Note as coisas que mais lhe chamam a atenção; assim as lembrará melhor e, mais tarde, lhe serão úteis. É assim que nos formaremos. Sabe que não devemos pretender chegar a ser grandes sábios e grandes oradores, mas somente bons catequistas. Continue a fazer a Via-Sacra; quando a fizer, não se precipite com o desejo de chegar ao fim, mas se alguma estação lhe agradar, porque o Espírito Santo o ilumina sobre algum aspecto dessa estação, pare aí e saboreie a graça de Deus; aceite a luz que lhe vem; não devemos negligenciar as luzes e as graças do momento, quando elas chegam; se não chegar ao fim, não faz mal: é necessário, antes de tudo, procurar a graça e a luz, e não o grande número de orações.

Logo que eu consiga cópias dos mistérios do Rosário que tenho de um Padre Dominicano, lhe enviarei; este trabalho é bastante completo, e ajuda muito para meditar e instruir.

A sua mãe enviou-lhe algum dinheiro pela Páscoa. Se tiver ocasião também lhe enviarei alguma coisa. Sabe bem que está sempre conosco, mesmo longe, e que nós pensamos sempre em ti, bem como toda a casa.

Por aqui está tudo do mesmo jeito. O irmão do Senhor Gourdon está no Prado. Mons. de Serres prometeu enviar-me o Senhor Gourdon pela Trindade, porque nessa altura haverá padres para substituir os lugares vagos; desde um mês, temos também um novo padre em Geneva; ele parece bem, mas não sei se se fixará. Ainda não decidi nada em relação ao Senhor Salignat; não sei se ele decidirá ir a Roma; veremos isso no decorrer do ano. O padre Layné está bem, escreveu-me recentemente, envia-vos a todos os seus cumprimentos; as coisas correm-lhe bem.

Enfim, reze a Deus por nós todos junto dos santos Apóstolos para que nos tornemos verdadeiros apóstolos e que, mais tarde, estejamos todos unidos pelo laço da caridade, da pobreza, do sacrifício.

A minha mãe está bastante bem, as Irmãs também. Nós vos saudamos a todos no Coração de Jesus Nosso Mestre e peçamos a Deus para que venha a ser um padre segundo o seu coração. Tenha confiança em Deus.

Todo seu.

  1. Chevrier

O Senhor Berne vai-lhe escrever dentro de alguns dias; ele esteve um pouco cansado, mas agora está melhor.

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 65 (68) [5]

  1. M. J. [Prado,] 12 de junho de 1868

Caro irmão e amigo

Deve estar pensando que já não há tinta nem papel no Prado; perdoe a minha negligência e, mesmo se não lhe escrevi, creia que penso sempre no nosso bom irmão José.

Vi a sua mãe anteontem. Ela queria enviar-lhe um pouco de dinheiro; penso que pela festa de São Pedro talvez encontraremos uma ocasião para o enviar, para pagar a sua viagem de regresso para férias. Numa das suas cartas diz que as despesas são mais ou menos as mesmas, quer fique em Roma, quer venha, e eu não vejo qualquer inconveniente em que venha passar algum tempo conosco.

O Senhor Boulanchon disse-me que se pedir à Embaixada poderia obter a sua passagem grátis por mar; veja se isso é possível.

O Senhor Gourdon entra definitivamente no Prado, na próxima semana. Agradeço a Deus por isso; será uma boa ajuda, para tudo e para os nossos caros latinistas.

Temos também, desde há quatro meses, um padre de Genova que nos ajuda no catecismo; conhecerá-lo quando vier.

O Senhor Sagne veio passar duas semanas pela Páscoa e já voltou para Nancy, para a sua escola; penso que ele voltará em julho e terminará os seus estudos em casa.

Quanto às suas dificuldades nos estudos, veremos, quando vier, como resolver tudo isso. Tenhamos confiança em tudo, o tempo ensina-nos, e cada coisa deve ser feita quando o bom Deus quiser.

Mandei fazer alguns concertos no Prado: uma pequena tribuna por cima da porta da capela para os nossos jovens seminaristas e, de cada lado, haverá quartos e um grande corredor; é aí que poderemos fazer o nosso pequeno noviciado, se o bom Deus o permitir. O Prado está a uma altura de dois metros ao longo da rua Dumoulin, e os quartos ficam no espaço que resta entre o dormitório e a rua. Podemos alojar aí uma vintena de noviços. Que Deus o faça, se for a sua vontade.

Continue a fazer bem a sua oração, a sua Via-Sacra e o seu Rosário. Coragem, meu caro irmão, coragem. Quanto à sua vocação, não se deixe levar pelo desalento; como sabe, numa casa temos necessidade de tudo e, como diz São Paulo, há recipientes para todas as circunstâncias, e tudo é útil. Trabalhemos para vir a ser santos, isso é o essencial, adquiramos a ciência necessária; e depois trabalharemos sobre as coisas pequenas, se não pudermos trabalhar sobre as grandes; há sempre pobres, ignorantes para instruir e edificar. Tenho toda a confiança que um dia será um bom padre do Senhor. Corrija-se dos pequenos defeitos que lhe assinalei, dessas pequenas maneiras infantis, dessa precipitação de espírito e de julgamento algumas vezes, adquira uma compostura séria, sem ser triste e enfadonho. Pense muitas vezes em Nosso Senhor contigo, agindo, falando; e pergunte-lhe como é que Ele faria se estivesse no seu lugar; e, nas suas comunhões, peça a Jesus Cristo que se una de tal maneira a ti que seja um com Ele em tudo o que fizer.

Todos lhe enviamos as nossas saudações, a minha mãe, o Senhor Berne e todos os outros companheiros. Nos veremos todos com alegria nas férias.

Todo seu.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 66 (69) [6]

  1. M. J. [Fim de 1868]

Caro Irmão e amigo,

Penso que as nossas duas cartas se cruzaram no caminho e que recebeu a minha, porque eu recebi a sua; escrevi ao mesmo tempo ao Padre Juste, para lhe falar de ti.

Penso muitas vezes em ti e rezo para que o bom Mestre o instrua e ilumine, e que em breve eu possa ter uma ajuda de que tenho tanta necessidade, pois não me atrevo a empreender nem fazer nada, porque me sinto só; sobretudo para os nossos caros latinistas, que têm necessidade de um diretor que lhes inspire o bom espírito; estes senhores farão bem o que se refere à ciência, mas, não posso esperar que lhes deem a humildade, a caridade, a simplicidade.

O Padre Jaillet está no Moulin à Vent, fazendo a missão; penso que obterá bom resultado, e que haverá ainda algumas conversões, reze por isso.

Quanto aos seus pais, penso que a sua mãe dificilmente se habituará a Paris, e que devemos deixar que as coisas caminhem como Deus quer, e que ela, pela relação que tem contigo, preferirá ficar. Se ela for para Paris, ficará longe de ti, o que muito a contrariará; o bom Deus fará o que for melhor.

Nós vamos bastante bem; a minha mãe continua um pouco doente; os companheiros enviam-lhe cumprimentos.

As minhas saudações para o Padre Juste e para o Padre Gardien.

Seu dedicado irmão e amigo em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 67 (70) [7]

AO SENHOR JARICOT, NO NOVICIADO DOS PADRES CAPUCHINHOS EM CARCASSONNE

  1. M. J. [Saint-Fons,] 26 de novembro de 1868

Caro irmão e amigo

Refugiei-me desde anteontem em Saint-Fons, para me retirar um pouco e trabalhar um pouco; tenho necessidade de passar aqui pelo menos um mês para pensar um pouco nos nossos assuntos e, sobretudo aprender a rezar bem o nosso Rosário e as nossas Vias-Sacras.

Sinto-me muito bem nesta pequena solidão e, quando tiver a felicidade de tê-lo comigo, iremos de vez em quando, para procurar paz, luz e força.

Encontra-se bem em Carcassonne, e eu estou feliz por isso; aproveite bem o tempo para aprender a amar Nosso Senhor e aprofundar os seus divinos mistérios do Presépio e da cruz; beba o espírito de pobreza e de caridade na fonte desses bons Padres, a fim de que nos possa instruir quando voltar. A nossa vida deve ser decalcada na dos Padres franciscanos, exceto o serviço do ministério que deve caracterizar-nos; note bem os pequenos usos que nos poderão ser muito úteis e que se poderão adaptar ao nosso gênero de vida e fazer-nos crescer na humildade, na caridade e na santa Pobreza.

Cuide da sua saúde, não faça coisas a que não esteja obrigado, tais como levantar-se durante a noite, o que não pode ser observado entre nós por causa do nosso ministério, e outros exercícios que são próprios dos religiosos de clausura.

Quando voltar, seremos três: o Senhor Martinet, você e eu; alegro-me pelo fato de podermos começar a viver uma vida religiosa e útil a nós todos, pondo-nos de acordo sobre os principais artigos que devem fazer de nós todos um só. Depois da Páscoa espero poder tirar ainda alguns dias de retiro, e desejo muito ir junto de ti.

No Prado vai tudo mais ou menos na mesma. Os companheiros não estão mal. O Senhor Grim está sempre em casa. O Senhor Berne está bastante bem. O Padre Jaillet está definitivamente alojado perto de nós e vem nos ajudar um pouco aos domingos; ele vai pregar o retiro em Moulin à Vent, como no ano passado, pelo Natal.

A minha mãe continua um pouco cansada; a Senhora Christin não está melhor. Os nossos latinistas continuam a caminhar, e pedimos a todos que rezem por nós; nós não vos esquecemos.

Na sua próxima carta, conte um pouco como vai a sua vida no noviciado.

Apresente os meus respeitos e o meu reconhecimento a todos esses bons Padres.

Que Jesus o abençoe e lhe dê a santidade ao mesmo tempo que a ciência.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 68 (71) [8]

  1. M. J. 15 de janeiro de 1869

Caro irmão e amigo,

Peço perdão por não ter escrito mais cedo, que o nosso bom Mestre lhe dê um feliz ano, um ano de graça e de saúde para ti e para os outros; se, este ano, for elevado ao sacerdócio, será um ano memorável para ti, que contará na sua vida para o tempo e para a eternidade. Creio sinceramente que é Deus que o chama e que a graça do Espírito Santo, elevando-o a essa dignidade, o fará tal como deve ser. Eu rezo por ti e peço isso para ti com ardor e felicidade, pensando que um dia terei em ti uma ajuda, um amigo, um irmão verdadeiro. Coragem portanto, e paciência e perseverança.

Recebi uma carta dos nossos pequenos missionários de Galveston; eles estão bem, Chandy será talvez subdiácono pela Páscoa, Auzon estuda e Monin não está mal; Dom Dubuis partirá depois da Páscoa; estará aqui durante o mês de maio; daqui até lá trataremos do assunto das suas ordenações; prepare bem a teologia, a fim de que em breve seja dos nossos, porque, confesso-o francamente, tenho muita necessidade de alguém e nunca poderemos fazer qualquer coisa que valha a pena, sem a graça do bom Deus em primeiro lugar e sem ter homens saídos da casa; o Padre Jaillet pregou o Retiro do Advento, que resultou bem; ao terminar erigimos uma magnífica imagem da Sta. Virgem ao lado da casa Charvet; os nossos latinistas não estão muito mal; podiam ir melhor se tivessem alguém para lhes dar vida; o Senhor Bento acaba de se empregar numa fábrica para ganhar um pouco de dinheiro para a sua mãe. O Senhor Sagne está sempre em casa tal como o Senhor Salignat e o Senhor Cellier. O Senhor Grim está sempre aqui, mas não creio que nos convenha. O Senhor Berne está atualmente na sua terra, virá provavelmente amanhã; a minha mãe está doente, ela vai para Tour du Pin por algum tempo. O Senhor Coquey vendeu-me definitivamente o seu terreno incendiado, que servirá mais tarde para o nosso noviciado; num destes dias devo ir ao cartório assinar a venda; servirá de pátio enquanto esperamos.

Duret, Delorme, Proriol, Génond e alguns outros não estão mal. Reze a Deus por eles, a fim de que perseverem e se tornem bons soldados. Depois da Páscoa, irei ter contigo para passar alguns dias e mergulhar um pouco no amor de Deus. Estou fazendo obras em S. Fons; o carpinteiro e o gesseiro estão fazendo o dormitório e a arrumar tudo um pouco. A última vez que estive lá, fiquei com dores de ouvidos.

Rezemos a Nosso Senhor. Que faça de nós bons padres, pobres, crucificados, consumidos, e que tenha em nós bons e fiéis servos.

Seu irmão e amigo muito dedicado em Nosso Senhor.

Peço-lhe que lhe dê a sua bênção.

  1. Chevrier

Montaigu envia-lhe uma pequena palavra em nome de todos os seus amigos.

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 69 (72) [9]

  1. M. J. [Fevereiro de 1869]

Caro Irmão e amigo,

O que faz? Continua sempre ajuizado? Aprenda pelo menos a vir a sê-lo? Estou desejoso de voltá-lo a ver. O Padre Bruno aconselha-me a ir contigo, já que praticamente terminou a teologia e o noviciado. Será necessário que eu vá e o traga para o Prado? Escreva-me, eu irei à próxima semana e voltará comigo; ficará com o Padre Arcângelo e me ajudará um pouco.

O Senhor Grim partiu há dias; está na Igreja da Redenção como padre sacristão, com um bom alojamento e boa retribuição.

Por outro lado, sinto que os meus pequenos latinistas têm necessidade de alguém para dirigi-los e entusiasmar, e o nosso pequeno noviciado só poderá começar com alguém e quando chegar o tempo da Providência. Rezemos para que a vontade de Deus se faça em todas as coisas.

Estou preparando o terreno do Senhor Coquay para fazer um pátio e uma reunião de catequistas ao domingo para todas as crianças do bairro. Os nossos latinistas maiores, Duret, Proriol, Delorme, já o fazem a todas estas crianças. Penso que o bom Deus abençoará esta obra, e que os nossos noviços serão bem formados para a vida sacerdotal.

Diga-me se quer que eu vá a Carcassonne para trazê-lo para o Prado; o Padre Bruno acolherá esta ideia favoravelmente.

St. Fons está pronto; podemos ir lá passar o mês de abril e trabalhar para pedir ao bom Deus seu espírito e o seu amor.

Seu amigo e irmão dedicado.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 70 (73) [10]

  1. M. J. 8 de março de 1869

Meu caro irmão e amigo,

Continue tranquilamente os seus estudos e os seus exercícios até à Páscoa, e ajude esses bons Padres que nos foram muito úteis ao recebê-lo em sua casa; seria muito ingrato da sua parte vir-se embora num momento em que lhes poderia prestar alguns pequenos serviços. Forme-se bem na virtude e volte bem formado; e durante o mês de abril eu irei buscá-lo.

No Prado vai tudo mais ou menos na mesma. Reze por nós todos, quando estiver junto de Nosso Senhor.

Seu dedicado servo em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 71 (74) [11]

  1. M. J. [Prado,] 3 de abril de 1869

Caro irmão e amigo,

Atrasei a Primeira Comunhão de oito dias porque estive um pouco indisposto há quinze dias, e também porque o Padre Arcângelo só estará de volta na segunda-feira, tendo pregado a Quaresma em Roanne; ele manifestou o desejo de pregar o Retiro às nossas crianças.

Deste modo, só poderei sair daqui a uma quinzena de dias, na segunda-feira 19. Creio que o Senhor Berne deve ir à Pacaudière por um assunto de família; se eu puder ir aí, escreverei.

Recebi a sua batina; creio que será melhor mandar fazer outra, pois o verão está próximo; o nosso tecido pode se adaptar melhor para o inverno e para o verão. Escreva-me se quiser.

Dom Dubuis deve vir durante o mês de maio; deve estar em viagem depois da Páscoa. Será necessário portanto preparar-se para receber o diaconato brevemente e ao vir traga os certificados de capacidade e de comportamento dos nossos bons Padres Capuchinhos de Carcassonne.

Vejo com alegria chegar o momento de voltar de novo ao Prado para não mais nos deixar e nos ajudar a continuar a obra que o bom Mestre nos confiou. Se eu não puder ir buscá-lo, enviarei dinheiro para a viagem, quinze dias antes.

A crisma se realizará na terça-feira, 13 de abril.

Reze pelas nossas crianças, a fim de que se preparem para receber dignamente estes grandes sacramentos.

Os meus respeitos e o meu reconhecimento aos Padres.

Para ti a minha amizade sincera.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Seminarista) 72 (75) [12]

  1. M. J. [Abril de 1869]

Caro irmão e amigo,

Recebi o seu convite e o dos Padres, mas uma extinção de voz que me veio há quinze dias obriga-me a um repouso completo. Dei um jeito para ir para a Tour du Pin por quinze dias; uma viagem tão longa prejudicar-me-ia.

O Padre Arcângelo está pronto para recebê-lo; ele deseja ver o noviciado do Prado começar.

Encomendei uma batina preta para ti; estará pronta na próxima semana.

Estamos desejosos que venha. Se vier antes do meu regresso, venha me visitar a Tour du Pin; assim, serei eu a ir buscá-lo, em vez de você.

A sua mãe está bem; vi-a há três dias; ficou aflita com a perda da sua filha; quando vier, há de consolá-la.

Seu querido irmão e amigo.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot (Na Providência do Prado ) 73 (76) [13]

PADRE JARICOT, NA PROVIDÊNCIA DO PRADO

  1. M. J. [Maio de 1869]

Meu caro irmão e amigo,

Obrigado pela sua carta; tive muito gosto em recebê-la, porque me deu boas notícias da minha pobre casa e dos meus latinistas. Cuide bem deles, dê aos que estão doentes vinho e carne várias vezes ao dia, tanto quanto for necessário. Não admitimos as crianças para fazê-las sofrer e é um pecado não dar o necessário àqueles de quem estamos encarregados; o bom Deus pedir-nos-á contas disso. Há que reparar a avareza de Melánia.

Não me diz quem é o professor do quinto ano. O Senhor Cellier voltará? Eu escrevi-lhe; não sei se ele deu notícias e se quer voltar a dar as suas aulas. Se não houver professor, será necessário procurar alguém; fale disso com o Senhor Boulanchon. Talvez seja melhor ter um professor de fora que venha uma vez por dia e que não se ocupe da casa.

O atraso do Sr. Bispo lhe dará tempo para se preparar melhor. Tenha sempre confiança em Deus; é preciso rezar e fazer a vontade de Deus em todas as coisas e procurar conhecê-la bem; dois meses para se preparar para vir a ser um bom padre, não é muito.

Vamos, coragem, e rezemos para que tudo caminhe segundo a vontade de Deus.

Não sei se a carta que dirigi ao Senhor Chevalier produziu algum efeito e qual será o resultado. Paciência em tudo; é longo o tempo que falta para ir para junto de todos vós.

Eu não estou muito melhor, mas não devemos perder tempo quando há ainda muitas coisas para fazer. Não o esqueço e penso em ti todos os dias.

Não me esqueça diante de Deus.

Seu dedicado.

  1. Chevrier

Transmiti o seu recado ao Pároco de São João.

Ao Senhor Padre Martinet

Ao Senhor Padre Martinet 74 (59)

  1. M. J. [10 de maio de 1869]

Caro Colega

Eis a resposta à carta que dirigi a Grenoble para poder celebrar duas missas no mesmo dia e as outras respostas que tinha pedido.

Começo a estar um pouco melhor. Penso voltar quinta ou sexta-feira.

Todo seu.

  1. Chevrier

Cumprimentos a toda a gente.

Ao Senhor Padre Dutel

Ao Senhor Padre Dutel 75 (55) [1]

  1. M. J. [Outubro de 1869]

Querido e venerado Colega

A sua carta deu-me uma grande alegria, ao pensar que Deus talvez me dê um amigo e um irmão com o qual poderei servir a Deus e edificar-me com os seus conselhos e os seus exemplos.

Imitar Nosso Senhor, seguir Jesus Cristo, chegar a ser um outro Jesus Cristo sobre a terra, eis o fim que me propus desde o princípio. Se o Espírito Santo o inspirar para vir nos ajudar a realizar este trabalho e a viver em conjunto esta vida, venha e eu bendirei o Senhor contigo; contudo que se faça a santa Vontade de Deus, porque sem o cumprimento desta Vontade não poderemos fazer nada. É por isso que eu não procuro ninguém, não comprometo ninguém a vir aqui; espero que o bom Deus os envie, e vejo por experiência que aqueles que vêm aqui, conduzidos pelo seu espírito próprio, ou para encontrar um trabalho, não fazem nada e são entraves em vez de ajudas.

Mas, como o conheço há muito tempo, tenho todos os motivos para acreditar que é um pensamento de Nosso Senhor.

Eis em resumo o objetivo da nossa casa:

Preparar para a Primeira Comunhão os jovens e as jovens que não o podem fazer nas suas paróquias.

A esta obra, a Providência juntou outra, a de preparar para o sacerdócio alguns jovens que não podem ir para o Seminário, para fazer deles padres pobres, crucificados, segundo Nosso Senhor, e aplicá-los em obras de zelo, e também, se o bom Deus o permitir, o que lhe peço há muito tempo, fazê-los levar uma vida religiosa no exercício do ministério paroquial. Eis o nosso objetivo e, como vê, temos muito que fazer, porque um padre não pode empregar melhor a sua vida do que a formar bons padres para a Igreja.

Talvez seja um pecado de presunção, mas parece-me que é hoje o que necessita a Igreja e que nunca será demais o que fizermos para consegui-lo.

Recomendo-me às suas orações e peço a Nosso Senhor do profundo do meu coração para que a sua santa vontade se cumpra e que Ele realize o seu bom desejo.

O seu muito dedicado e respeitador colega e amigo.

  1. Chevrier Rua Chabrol 55, Lyon

Ao Senhor Padre Dutel 76 (56) [2]

  1. M. J. [Prado,] 10 de novembro de [1869]

Caro e venerado colega

Não conhecendo a decisão da entrevista que teve com o Senhor Pagnon, permito-me escrever-lhe para lhe perguntar se a entrevista foi favorável às suas boas intenções, ou não. Tenho um pequeno concerto a fazer no quarto que lhe está destinado, e mandarei fazê-lo imediatamente, dado que teremos a alegria da sua presença muito em breve. Confio em que Nosso Senhor nos concederá esta graça e que poderemos trabalhar em conjunto para sua glória e nossa salvação.

Com sentimentos de respeito e dedicação, seu servo em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Chevrier

Ao grupo dos quatro seminaristas: Broche, Delorme, Duret, Farissier

A Cláudio Farissier 77 (111)

[A CLÁUDIO FARISSIER]

  1. M. J. [Lyon,] 1 de março de 1871

Caro filho

Esperávamos a tua carta; com efeito, estávamos um pouco preocupados, mas a tua carta tranquilizou-nos sobre a tua saúde e a tua situação.

O caminho em que estás agora é um caminho totalmente cristão, cheio de generosidade e de coragem. Para cumpri-lo santamente, é preciso boa vontade, dedicação e a ajuda de Deus. Coragem, pois, meu caro amigo, creio bem que vais caminhando com boa disposição para o sacerdócio, e se saíres daí com valentia e boa conduta e sem te deixares vencer pela debilidade, serás um bom padre e um bom soldado de Jesus Cristo.

Para isso, procura agradar aos teus chefes, ser obediente, nunca responder com descortesia: seja honesto, atento, piedoso, humilde, nunca procurando as honras nem os bons lugares, não te queixes de nada, pedindo somente o que é necessário para viver, e sabendo sofrer algumas vezes, porque o soldado nem sempre tem aquilo que lhe faz falta; corajoso nas dificuldades e nos perigos, e sobretudo cristão em tudo.

Não descuides a oração; lembra-te que és cristão e mais do que isso, discípulo de Jesus Cristo, tendo abraçado a regra de S. Francisco; não descuides o Ofício de todos os dias; podemos dizê-lo em qualquer momento, trabalhando, de dia, de noite, durante a guarda, na caserna, no trabalho, como na Igreja. Deus ouve-nos em qualquer lugar e ama-nos sempre.

Aproxima-te dos sacramentos regularmente todos os domingos e não permaneças em estado de pecado. Somos fracos e podemos pecar a cada momento, temos um remédio nos sacramentos; volta bem formado e muito dedicado à causa de Deus e da sua Igreja.

Ficamos contentes ao pensar que temos bons filhos do Prado que se entregam e se formam para a vida de caridade e de sacrifício a fim de fazer mais tarde pela Igreja o que fazem agora pela Pátria.

Todos os teus camaradas estão bem; devem escrever-te por estes dias.

Se a paz for assinada, como esperamos, poderás voltar muito em breve para junto de nós, e continuaremos a nossa caminhada normal.

A tua mãe está bem; vi-a há poucos dias. Todos os companheiros te enviam cumprimentos e rezamos por ti. Se tiveres necessidade de qualquer coisa, escreve-nos, e eu te enviarei o que for necessário.

Trata de te pôr em contato com o Senhor Dorier, sargento-mor nos Voluntários, mas não sei de que companhia; é o filho de um dos nossos benfeitores, que já combateu em Roma e que é um jovem muito santo. Dá cumprimentos da minha parte ao Senhor Gaudin, ao Senhor Assada e aos outros nossos conhecidos, e procura comportar-te bem.

Rezo por ti e te abençoo.

  1. Chevrier

A Cláudio Farissier 78 (112)

[A CLÁUDIO FARISSIER]

  1. M. J [Prado,] 11 de março [de 1871]

Meu caro Farissier

Escrevi-te há uma dezena de dias em resposta à tua carta; penso que a recebeste depois da tua última; dirigi-a a Rennes, e talvez tenha feito um trajeto maior do que o necessário.

Enfim, nesta última, dizes que talvez tenhas umas férias ou uma licença de 15 dias; se puderes vir, nós trataremos disso. Creio também que, terminado o teu compromisso, poderás voltar no Prado, até que acontecimentos mais graves te chamem ao teu dever.

Rezo por ti.

  1. Chevrier

A Nicolau Delorme 79 (124)

A NICOLAU DELORME

  1. M. J. [Prado, dezembro de 1871

Meu caro filho

Acabo de ler com grande alegria a tua última carta. Ela produziu em mim o mesmo efeito que a primeira. Acredito na sinceridade dos bons sentimentos que elas exprimem e o que me dá esta convicção é a linha de conduta que traçaste e que realizas com fé e amor.

Sim, continua, meu caro filho, a viver esse caminho de oração e de elevação para o Senhor desde a manhã até à noite. É na oração que encontramos a vida espiritual e que saímos desta lama infecta do mundo para nos alimentarmos com o alimento celeste.

Como sou feliz ao pensar que tenho filhos que rezam, que amam a Deus e nada mais procuram senão a sua glória e o seu amor. Há que fazer com que as nossas faltas nos levem a amar mais a Deus, porque o pecador recebeu mais misericórdia e por isso deve ter mais amor. Senti o meu coração encher-se de uma maior afeição e de um maior amor por ti ao ver que tinhas estreitado mais as tuas relações com Deus, e pensei que, visto que o Senhor te ama mais, visto que Ele te deu uma graça maior de oração e de fervor, também eu terei a seus olhos uma maior parte de caridade e de bondade. Sim, meu caro filho, eu esqueci tudo, digo-o para consolação do teu coração, e que não haja no teu coração mais nenhum sentimento de tristeza a meu respeito; não somente esqueci, mas dediquei-te uma maior afeição, e alegro-me ao pensar que tudo isto servirá para tornar os nossos laços mais fortes, mais íntimos, mais sentidos e mais duradouros. Uma mãe não ama mais o filho da sua dor? As lágrimas servem muitas vezes para fecundar o terreno da caridade.

Coragem portanto e confiança, caro filho, e não cessemos de agradecer a Deus todos os dias a sua imensa caridade por todos nós, pobres miseráveis que abusamos tanto da sua bondade, e que nos trata apesar disso com tanto amor e paciência. Alegremo-nos em conjunto ao ver chegar esta bela festa de Natal onde vemos o Filho de Deus escolher o humilde estábulo para nascer, a fim de nos mostrar o desprendimento de todas as coisas exteriores para nos unirmos só a Ele. Quanto mais o amor de Deus enche a nossa alma, mais nos desembaraçamos das coisas exteriores: bens, família, pais, amigos, ou antes os amamos mais porque o laço que nos une a eles é mais verdadeiro, mais sólido e mais duradouro. Peçamos todos juntos este perfeito desprendimento que nos leva ao verdadeiro zelo do Apóstolo de Jesus Cristo e nos dá o verdadeiro amor. Adeus, meu querido filho, desejo-te o verdadeiro amor de Deus que encontrarás no estudo de Nosso Senhor Jesus nosso Mestre e nosso Modelo, e eu amo-te por causa d’Ele, por Ele e n’Ele. Que unidos a Ele possamos fazer as obras do seu amor para glória de seu Pai e salvação das almas dos nossos irmãos os pecadores. Eu te abraço e abençoo na sinceridade do meu coração.

Chevrier

Amanhã ou sábado, mandaremos colocar no carro do Senhor Vissot a tua batina e os sapatos de Farissier.

A tua pequena irmã está muito bem, ela é uma das mais bem comportadas.

A Francisco Duret 80 (100)

[A FRANCISCO DURET]

  1. M. J. [Prado,] 3 de janeiro de 1872

Obrigado, meus caros filhos, pelos votos de feliz ano. Que o nosso bom Mestre os aceite e lhe sejam agradáveis!

Por mim, os aceito de boa vontade, porque sei que eles saem de corações sinceros e ainda porque os formulastes mais junto dos altares do que no papel.

Eu também vos desejei um feliz ano quando celebrei o Santo Sacrifício da Missa pela primeira vez, e não vos esqueci, vós sobretudo que sois a melhor parte do meu rebanho ou que eu olho como tal, porque deve ser assim, quem muito recebeu deve certamente ter mais.

Pedi a Nosso Senhor, e continuo a pedir-lhe todos os dias, que vos encha do seu espírito, que o estudo de Jesus Cristo seja um estudo caro aos vossos corações, que todo o vosso desejo seja conformar a vossa vida à do Mestre. Que o Espírito Santo encha a vossa alma de luz, de alegria e de esperança e que a sua divina luz vos ilumine nos vossos estudos e vos leve a descobrir a verdade que é o maior dom que o homem pode receber do seu Deus sobre a terra. Jesus Cristo veio para nos trazer a verdade, ego sum veritas: o estudo da filosofia e da eloquência é uma pequena luz que vos deve conduzir a esta grande luz, que encontrareis nos estudos ainda mais sérios da teologia.

Coragem, portanto, caros filhos, crescei na virtude e na sabedoria, tornai-vos bons padres. Preparai-vos bem para os grandes combates do Senhor, porque eles serão grandes para vós se chegardes a ser padres um dia, tanto maiores quanto o mundo é pior e a tibieza e a indiferença se infiltram cada vez mais entre nós.

Rezai e rezai muito, não esqueçais os pequenos exercícios que vos recomendei; vivei bem a vossa semana, seguindo assim em cada semana a vida de Nosso Senhor; aí encontrareis força e sabedoria e o hábito de pensar em Jesus Cristo nosso Mestre vos dará força e coragem para O seguir, e segui-lo o mais perto possível, como vos disse muitas vezes.

Não sejamos preguiçosos nos nossos deveres; temos um Mestre que saberá pagar-nos bem os mais pequenos sacrifícios que fizermos por Ele.

Torna-se longa a espera para estar convosco na nossa pequena solidão, para nos ocuparmos em conjunto do nosso bom Salvador, e procurar os meios para lhe ser o mais agradável possível, e trabalhar para converter este mundo que cai na ruína.

Penso muitas vezes em vocês, caros filhos, e rezo muitas vezes a Nosso Senhor por vocês, a fim de que Ele vos santifique, vos ajude, vos console, vos fortifique nos vossos combates e nas vossas dificuldades e nas lutas bem grandes que o demônio trava muitas vezes contra vocês para vos tentar, vos desencorajar.

Tende confiança, força e perseverança; sede humildes em tudo, submissos aos vossos mestres, muito caridosos para com todos os vossos camaradas, suportando tudo, não vos queixando de nada, cheios de caridade e de doçura e começando cedo a praticar as virtudes que será necessário praticar mais tarde duma maneira ainda mais perfeita.

Adeus, caros filhos, as minhas respeitosas homenagens aos vossos bons professores e mestres, agradecei-lhes os cuidados que eles têm convosco, sede reconhecidos por todos os cuidados que eles têm convosco.

Por aqui vamos bastante bem.

A minha mãe agradece as vossas recordações; as pequenas palavras que enviastes para ela deram-lhe prazer. O Senhor Dutel e o Senhor Lagier irão ver-vos no fim do mês.

Todos os companheiros ficaram contentes com o testemunho de reconhecimento e de afeto que lhes enviastes nas vossas cartas; é assim que se deve fazer, e fazê-lo sobretudo com bom coração, e fazê-lo com vistas em Deus e para Deus.

Adeus, caros filhos.

Eu vos abençoo de todo o coração e vos recomendo ao nosso bom Mestre, a fim de que Ele vos proteja e vos dê o seu amor.

  1. Chevrier

Para o Senhor Delorme 81 (125)

PARA O SENHOR DELORME

  1. M. [Prado,] 3 de janeiro de 1872

Meu caro Delorme,

Trabalhe cada vez mais para vencer essa pequena negligência que o segue por todo o lado; é preciso, meu caro filho, que o amor de Nosso Senhor cresça em ti a um alto grau para que o sustenha nos combates e nas lutas que tem que travar para dominar o espírito e o corpo; há em ti bons momentos, boas aspirações para o bem, mas é preciso que a lei e o amor de Nosso Senhor as façam perseverar, e encontrará tudo isso na oração e na meditação; tenha frequentemente presente Nosso Senhor Jesus Cristo no seu espírito, que Ele seja a meta e o fim de tudo o que faz, dos estudos, das orações; quando a fé e o amor possuem um coração, então ele é capaz de tudo, e eu não duvido que o seu seja capaz de sentimentos generosos e grandes, se se deixar dominar pela beleza de Jesus Cristo nosso bom Mestre; leia com frequência o Santo Evangelho e tire dele este fundo de generosidade e de zelo que lhe faz falta para chegar a vencer as suas inclinações e trabalhar utilmente para a salvação dos outros. Recomendo-lhe o silêncio e a pontualidade; são estes os pontos em que falta mais vezes. Pois bem, é necessário por amor à obediência que Jesus Cristo praticou sobre a terra, guardar o silêncio e cumprir fielmente as regras. Jesus Cristo disse que não deixaria passar um iota sem que se cumprisse; assim nós, não deixemos passar a menor coisa sem a cumprir; não há nada pequeno no serviço de Deus; tudo engrandesce, e as coisas menores conduzem-nos a graças ainda maiores.

Viva bem a sua semana, e que a vida de Nosso Senhor seja a sua ocupação importante a fim de que o amor de Jesus Cristo cresça cada vez mais no seu coração.

Adeus, caro filho, abençoo-o de todo o coração e peço para ti a fé, o amor, o silêncio e a obediência.

  1. Chevrier

Aos quatro seminarista, em Alix 82 (538)

[AOS QUATRO SEMINARISTAS, EM ALIX]

  1. M. J. 24 de janeiro de 1872

Meus caros filhos,

Recebi com alegria os vossos votos de Boas Festas, e estou convencido que rezastes por mim nesse dia, porque é ao pé dos altares que se encontram os melhores votos, e que é sobretudo aí que eles podem ter alguma esperança de realização: Deus é o único Mestre, e só Ele pode dar ou retirar conforme lhe agrada.

Meus caros filhos, é preciso que nos tornemos santos, hoje mais que nunca, só os santos podem trabalhar utilmente para a conversão dos pecadores, para a glória de Deus e para o triunfo da nossa santa Igreja. Oh! Como os santos faziam belas coisas na terra! Como eram agradáveis a Deus e úteis ao próximo!!

Os santos são a glória de Deus sobre a terra! Eles são a expressão viva da divindade cá em baixo! São a alegria dos anjos e a felicidade dos homens!

Um santo é um homem que está unido a Deus, que faz uma só coisa com Ele! Que pede a Deus! Que fala a Deus! E a quem Deus obedece! É um homem que tem todos os poderes de Deus na sua mão! É um homem que move o universo inteiro quando está bem unido ao Mestre que governa todas as coisas. Os santos são os homens mais poderosos da terra! Atraem tudo a eles, porque têm a caridade e a luz de Deus, e a fecundidade do Espírito Santo. Eles têm a riqueza de Deus que distribuem a cada criatura! São os ecônomos do bom Deus na terra! E é preciso, meus caros filhos, que vos torneis santos! É preciso que vos torneis luzes para conduzir os homens no bom caminho! Fogo para aquecer os frios e os gelados! Imagens vivas de Deus sobre a terra para servir de modelo a todos os cristãos!

Oh! Caros filhos, trabalhai para vos tornardes santos! Não se chega lá logo; para isso é preciso trabalhar muito tempo, e desde o princípio da vida; é uma grande tarefa para cumprir, uma meta muito alta para atingir! Mas é preciso chegar lá para virdes a ser bons padres! Um padre que não é santo faz pouca coisa, pouco bem às almas! E é preciso que, sobretudo vós, trabalheis cada vez mais para serdes santos! E como, meus filhos? Sobretudo rezando, pedindo-o todos os dias ao grande Santo por excelência que é Jesus Cristo nosso modelo, e que foi santo na terra para nos ensinar a ser santos!

Comecem a tornar-se pequenos santos em Alix, permanecendo bem unidos a Deus pela oração, cumprindo bem o vosso regulamento, guardando com rigor o silêncio, exercendo sobretudo a caridade, esta bela virtude que é o caráter particular dos santos! Caridade para com os vossos mestres, superiores e professores, empregados e todos, exercendo também a mansidão, a bondade que era o caráter distintivo de Jesus Cristo!

Obediência nas coisas menores, lembrando-vos que o nosso Mestre foi obediente até à morte e até à morte de cruz! Se começardes cedo a praticar estas coisas, começareis desse modo a caminhar no caminho da santidade, que deve ser o vosso. Coragem, caros filhos! Possam as minhas palavras atingir as vossas almas, e fazer nascer nelas alguns sentimentos de amor por Nosso Senhor Jesus Cristo, e um santo desejo de imitá-lo.

Eu vos abraço e abençoo.

  1. Chevrier

A João Broche, Alix 83 (89)

[A JOÃO BROCHE, ALIX]

  1. M. J. [Prado, março de 1872]

Meus queridos filhos

Na vossa última carta, mostrastes tristeza, por causa do meu longo silêncio, mas desculpar-me-eis, porque sabeis como estou ocupado com o Prado e como tenho tão pouco tempo à minha disposição.

Portanto, se me atraso algumas vezes a escrever-vos, isso não significa que vos esqueço, oh não! mas é o tempo que me persegue continuamente.

Dizeis uma coisa que me deu muita alegria: são estas pequenas conferências que fazeis em conjunto nos dias de passeio. Estes pequenos exercícios serão para vós de uma grande ajuda para vos conservar na piedade e no amor a Nosso Senhor e vos formar também para virdes a ser bons catequistas, porque é este, como sabeis, o fim da nossa obra: instruir os pobres ignorantes, e eles são tão numerosos, estes pobres ignorantes, instruí-los de uma forma simples, falar-lhes de Deus, de Jesus Cristo, da sua alma, da sua eternidade. Quantas pessoas se condenam infelizmente por causa da sua ignorância e porque não apareceu um padre para lhes ensinar as primeiras verdades.

Como os santos compreendiam esta necessidade da instrução quando percorriam as ruas das suas cidades, como S. Francisco de Sales e S. Francisco de Assis, para instruí-los e ensinando em toda parte quando a ocasião se apresentava, a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo que pregava em toda parte onde encontrava almas para escutá-lo.

Formai-vos portanto desde cedo a falar de Deus, de Jesus Cristo, com as vossas pequenas conferências semanais sobre o Rosário e a Via-Sacra. Atrairão muitas graças sobre vós e vos preparareis para a grande missão que o Senhor vos confiou de instruir os outros.

Coragem, portanto, paciência, trabalho. Vivam bem as vossas pequenas semanas, encontrareis aí a graça para bem vos conduzirdes e vos tornardes bons discípulos de Jesus Cristo vosso Mestre e vosso Modelo.

Envio-vos sapatos, um pouco de chocolate para o vosso estômago; não há muito, partilhai como bons irmãos.

Não poderei ir ver-vos antes da Páscoa. Enviei ao Senhor Broche 20 francos para as vossas necessidades.

Se tiverdes necessidade de qualquer coisa, dizei-me; enviarei tudo o que me pedirdes.

Adeus, todo vosso.

  1. Chevrier

A Nicolau Delorme 84 (126)

[A NICOLAU DELORME]

  1. M. J. [Quaresma de 1872]

Meu caro filho

A nossa Primeira Comunhão só terá lugar no domingo de Quasimodo. Nós teremos o prazer de tê-lo conosco, e você o de estar conosco.

Estamos muito contentes com esta menina, ela é uma das mais aplicadas. Fará certamente uma boa Primeira Comunhão e a companhia e as palavras do irmão a ajudará a ser mais fervorosa.

Aproxima-se a grande Semana Santa; unamo-nos à Santa Vítima que sofreu por nós.

Jesus sofreu a morte por ter trabalhado para a glória de seu Pai; deu testemunho da verdade, como disse diante de Pilatos; e este testemunho tão belo, que deu da verdade diante dos homens, custou-lhe a morte às mãos dos perversos, e Ele ofereceu esta morte santa e pura a Deus seu Pai pela salvação de todos aqueles que acreditassem n’Ele, e obteve a nossa salvação.

A nós que estamos unidos a Ele pela fé, pelo amor, pela esperança e pela prática das suas obras, imitemos este divino Modelo; compete-nos também trabalhar para a glória de Deus Pai; fazer triunfar a verdade no mundo pela nossa palavra, pelos nossos exemplos, pela nossa firmeza e pela nossa coragem; compete-nos fazer triunfar a verdade até à morte. Primeiro em nós, praticando nós mesmos estas virtudes cristãs e perfeitas das quais Cristo nos deu o exemplo, morrendo para o nosso corpo e para tudo o que é terrestre e sensual para fazer viver Jesus Cristo em nós, isto é, a sua vida, as suas máximas, os seus exemplos.

Com Jesus, façamos morrer tudo o que é terrestre e carnal.

Despojai-vos do velho homem, diz São Paulo, e revesti-vos do homem novo; deixemos a primeira natureza de Adão, que está manchada, corrompida, deteriorada, para nos revestirmos da segunda natureza que está em Jesus Cristo que é o homem novo, novus homo.

Coragem pois, meu caro filho, que Jesus Cristo seja a meta para a qual devemos tender sempre e com todo o ardor da nossa alma, a fim de nos unirmos a Ele, que vivamos d’Ele e o difundamos por toda a terra, porque só Ele é a verdade, a luz, a caridade, a felicidade, a paz, a vida, o repouso, a alegria e a vida eterna.

Rezai por mim, rezai pelas crianças da Primeira Comunhão.

Eu vos abençoo e vos amo em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

Se tiverdes necessidade de qualquer coisa para as vossas férias da Páscoa, dizei-me, eu lhe enviarei em seguida.

A João Broche 85 (90)

[A JOÃO BROCHE]

  1. M. J. [Prado, maio de 1872]

Meu caro Broche,

Envio pelo Senhor Broche, que teve a bondade de aceitar este encargo, um frasco de xarope de bofe de vitela e pastas de malvaísco, para o bom amigo Delorme. Cuidem bem dele e façam tudo o que for necessário para curá-lo. Compre nas Irmãs tudo o que for necessário.

Se for possível fazê-lo tomar todas as manhãs dois ovos frescos e um pouco de vinho, seria bom para os seus brônquios tão delicados.

Falem disso ao Senhor Diretor a quem já disse uma palavra.

As nossas festas passaram-se bem.

Pedimos sempre por vós. Portem-se sempre bem.

A próxima carta será mais longa; esta noite já é muito tarde. Saudação.

  1. Chevrier

A Cláudio Farissier 86 (113)

[A CLÁUDIO FARISSIER]

  1. M. J. [St Fons, junho de 1872]

Meus queridos filhos,

Estou em St. Fons há algum tempo. Aqui, rezo e aprendo a conhecer o nosso divino Salvador, nosso Mestre, nosso Modelo. Penso muitas vezes em vós, porque é por vós em particular que ofereço a Deus as minhas orações, os meus pensamentos e as minhas ações. Possa este lugar bendito tornar-se, para vós todos, um lugar de santificação, de alegria e de bênçãos celestes, e vos faça um dia padres dignos d’Aquele que foi o primeiro padre, e que deu a vida para glória do seu Pai e salvação de todos aqueles que têm fé n’Ele e que esperam na sua ressurreição.

São Paulo punha a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo acima de todos os conhecimentos, e gloriava-se de nada saber senão Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado; é este, com efeito, o conhecimento que está acima de todos os outros e que é o único que pode fazer de nós padres verdadeiros e dignos d’Ele; para pregar Jesus Cristo não é necessário conhecê-l’O? Para imitar Jesus Cristo não é necessário conhecê-l’O? E como poderemos conhecê-l’O se não O estudamos?

É muito importante para um jovem estudante estudar Nosso Senhor, que ele deve pregar mais tarde, e que ele deve imitar sobretudo na sua maneira de proceder para ser o Modelo dos povos como dizia São Paulo: imitatores mei, estote sicut et ego Christi, sendo o padre a forma do rebanho, como dizia São Pedro, forma gregis, a forma do rebanho, o modelo do rebanho, a forma que o rebanho deve olhar e reproduzir.

O tempo é breve, meus filhos, é preciso começar cedo. Como lamento tanto tempo perdido. Se eu tivesse começado cedo, se não tivesse sido tão descuidado, tão negligente, tão preguiçoso, quantas coisas eu saberia que não sei, e como poderia produzir mais frutos nas almas. Como fazemos poucas coisas relativamente àquilo que temos para fazer! Quão poucos se convertem! Quão poucos conservam a fé, o amor de Deus, porque nós mesmos somos frouxos e falamos muito pouco do nosso Mestre, e não sabemos fazer passar para as almas o amor d’Aquele que pregamos. Oh! caros filhos, trabalhai pois com ardor para serdes bons padres; e isso, não para vós, para vossa glória, para dar gosto aos vossos pais, etc…, mas somente para glória de Jesus Cristo nosso Deus e nosso Salvador. Purificai os vossos pensamentos e os afetos do vosso coração nos vossos estudos, sem buscar outra coisa senão a glória do único Mestre, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Dissestes-me que o nosso amigo Delorme está um pouco melhor; que Deus seja louvado. Cuidai bem dele e não tenhais receio de fazer as despesas necessárias para a sua saúde; e quando houver alguém doente entre vós, mostrai-vos cheios de bondade e de caridade para lhe serdes úteis, fazei todas as despesas necessárias para conservar a saúde necessária para trabalhar com coragem para a glória de Deus; um bom operário deve ter uma boa saúde, embora aconteça por vezes que os doentes glorificam Deus tanto como os outros, pela oferenda que fazem todos os dias dos seus sofrimentos.

Durante as férias, trabalharemos para restabelecer essas saúdes, um pouco alteradas talvez pelo calor e pelos estudos. Temos Limonest, Chatanay, St. Fons. Tudo para Deus, tudo para a sua glória: o trabalho, os recreios, as férias, tudo para Deus e para a salvação das almas.

Dissestes que três se apresentam ao concurso público; pois bem! meus filhos, não fiqueis vaidosos, porque tudo é para o Senhor. Queria ver-vos os mais sábios do Seminário e do mundo; se isso reverter para a glória de Deus, tanto melhor; mas se isso não reverter para a glória de Deus mas para a vossa, direi: tanto pior, porque o que não serve a Deus é inteiramente inútil.

Durante as férias, ireis visitar os vossos pais; em seguida, depois de terdes passado algum tempo com os vossos pais, vireis nos ver e nós organizaremos um trabalho para nós mesmos ou para as nossas crianças, para o tempo das férias.

Quanto a usar a batina, falei disso com o Superior de Alix, durante a minha última visita. Ele não está muito de acordo em deixar partir os alunos de batina, e os nossos companheiros do Prado pensam que é muito cedo para aparecerdes em batina no exterior. Quanto a mim, interiormente, desejaria ver-vos sempre de batina, pois que é o sinal da vossa renúncia ao mundo e da vossa adesão a Jesus Cristo, mas esperaremos até às férias seguintes; a graça do bom Deus terá trabalhado mais em vós e vós a usareis mais dignamente aos olhos do mundo, e compreendereis melhor também a dignidade de um hábito que lembra a separação, a renúncia e o discípulo de Jesus Cristo.

Abraço-vos de todo o coração e rezo por vós, enquanto espero a alegria de vos ver.

  1. Chevrier

Todos os companheiros vos enviam cumprimentos, e teremos todos uma grande alegria de vos ver.

A Francisco Duret 87 (101)

[A FRANCISCO DURET]

  1. M. J. [Prado,] 11 de agosto de 1872

Meu caro Duret,

A nossa Primeira Comunhão foi adiada para o dia 25 deste mês, a fim de ter tempo para prepará-la melhor. É um assunto tão grave e tão importante que somos tentados de preferência a adiá-la do que a apressá-la.

Como consequência, a prova dos latinistas será no dia seguinte. Portanto, se não houver impedimento para que possas vir nessa altura, prepara-se, meu caro amigo, para fazer a tua mala e vir aumentar o nosso pequeno rebanho. Nós vamos todos bem, fora uma forte gripe que me atingiu há alguns dias.

Delorme e Farissier vão às sortes no dia 20 deste mês.

Cumprimentos de nós todos. Escreve a Blettery o que te digo acima, para que ele também possa vir.

Coragem, caro amigo, e perseverança na vocação. Deus, que te escolheu, te dará também as graças para levar a sua obra até ao fim. A boa vontade que pões a trabalhar sinceramente na tua santificação será uma garantia segura do teu chamado para a conversão do próximo.

Que Nosso Senhor te abençoe.

Apresenta os meus cumprimentos aos teus pais e os meus respeitos ao Pároco.

  1. Chevrier

A João Broche 88 (91)

[A JOÃO BROCHE]

  1. M. J. [Prado,] 9 de dezembro de [1872]

Meu caro Broche,

Fez bem em me informar da doença do seu irmão Duret. Rezaremos a Deus por ele, sobretudo amanhã, dia da nossa Primeira Comunhão, a fim de que Deus o conserve e o cure depressa, se tal for da sua santa vontade.

Me informe do seu estado. Se se tornar mais grave, irei vê-lo.

Não duvido que tenha todos os cuidados necessários, e agradeça a todos os companheiros e às Irmãs por tudo o que fazem por vós e por ele.

Coragem, oração e perseverança, e Deus nos ajudará.

Façam uma pequena oração pelas minhas crianças que conhecem e às quais deram o catecismo.

Na terça-feira seguinte iremos receber a crisma do Sr. Bispo.

Que o Santo Espírito venha sobre todos, meus filhos, e não se esqueçam de invocá-lo todos os dias, tal como recomendei. É Ele que dá a piedade e a ciência do padre.

Nós vamos todos bem.

Todos os companheiros ficaram contentes com o bom testemunho que lhes demos a vosso respeito.

Perseverem e cresçam na virtude, na humildade e na caridade, na obediência e na pureza de espírito e de coração.

Preparem-se para a festa de Natal e peçam ao divino menino a humildade e a pobreza.

Que Jesus vos abençoe a todos e ao nosso amigo doente.

  1. Chevrier

A Cláudio Farissier 89 (114)

[A CLÁUDIO FARISSIER]

  1. M. J. [Prado, dezembro de 1872]

Meu caro amigo,

O nosso pequeno sapateiro ainda não acabou os teus sapatos; lamento muito não poder os enviar antes do fim-de-semana. Penso que poderei enviá-los quinta ou sexta-feira para a casa do Senhor Tissot, cais de Bondy, para o endereço que me deu para as encomendas. Juntarei peças de pano para remendar as vossas batinas. A Irmã Domingas já preparou a sua encomenda.

O Senhor Broche inscreveu o seu filho para o sorteio; pediram-lhe, ao que parece, o certificado de isenção do Seminário. O Superior sabe bem quando os deve enviar, não nos devemos perturbar.

O número de Farissier foi excelente, parece, segundo o que me foi dito por um colega do sorteio, Montégu, que me encarrega de vos apresentar os seus sinceros cumprimentos.

Tivemos em Lyon, no dia 8, uma festa muito solene; a iluminação foi esplêndida e completa, no dizer de toda a gente. O que foi edificante, sobretudo, foram as duas procissões que subiram até Fourvière; a primeira, de mulheres, composta de perto de 20.000 pessoas, e a dos homens, de 3.000, sem contar os que subiram a Fourvière isoladamente, em grupos ou em família. Este testemunho de fé e de reconhecimento toca o coração de Deus e preserva a nossa pobre França de novas infelicidades. Continuem a rezar, caros amigos, pela Igreja, pela França e pela nossa cidade, a fim de que o reino de Deus chegue até nós.

No dia 10 de dezembro, tivemos a nossa festa particular, a adoração perpétua do Santíssimo Sacramento. Fizemos coincidir esta festa com o dia da nossa tomada de posse do Prado. Há 12 anos, num dia semelhante, tomei posse deste lugar; era o dia da solenidade da Imaculada Conceição e, ao mesmo tempo, o dia de Nossa Senhora de Loreto. Não tendo outro recurso e outro apoio senão a confiança em Deus, convencido de que se desse o pão espiritual às almas, Deus nos daria o pão material; eu tremia todo naquele dia. Deus escondeu-me muitas coisas neste lugar, algumas almas converteram-se, era este todo o meu desejo; trabalhamos muito para isso e pouca obra fizemos.

Todavia, no meio de tudo isto, sempre pedi a Deus que fizesse nascer um núcleo de padres, pobres e dedicados, que não tenham outros pensamentos e outros desejos a não ser dar-se para a salvação das almas, para a glória de Deus, vivendo na pobreza e no sacrifício.

No último dia 10, pensei muito em vocês, caros filhos, e pedi por vocês a Nosso Senhor presente no altar que fossem os primeiros desta oferta que eu lhe fazia da casa, das nossas pessoas e destas pedras espirituais que devem servir de espírito e de coração.

Deus enviou-nos o pão material até este dia, mas isto não é nada; peço-lhe almas dedicadas, almas generosas, pedras vivas, santos. Sede, caros amigos, estas pedras, estes santos, estas almas generosas que devem trabalhar por Jesus Cristo, com Jesus Cristo, para continuar na terra a sua vida de sacrifício, de doação e de caridade; tornai-vos outros Jesus Cristo, estudai-O, é o vosso modelo. Visitai muitas vezes em espírito o Presépio, o Calvário e o Sacrário, para daí retirar o espírito e a vida que vos devem animar para sempre. Acreditai que nas minhas orações e nos meus sacrifícios vocês têm sempre a maior parte. Eu também vos peço uma boa parte nas vossas.

  1. Chevrier

Envio-vos 20 francos.

O Senhor Jaricot irá visitar-vos em breve. Adeus, eu vos abençoo.

A Nicolau Delorme 90 (127)

[A NICOLAU DELORME]

  1. M. J. [St. Léonard, fim de janeiro de 1873]

Meus queridos filhos

Um pequeno momento com os meus meninos de Alix; há já bastante tempo que não vos digo nada.

Estou atualmente em St. Léonard, em casa do Senhor Padre Villion que está doente, e eu retirei-me alguns dias para trabalhar um pouco.

Em primeiro lugar, agradeço as vossas cartas, tanto do Ano Novo, como da minha festa; abençoo todos os bons sentimentos que Deus colocou na vossa alma e peço-lhe que os faça crescer numa caridade perfeita e no amor a Nosso Senhor, porque é n’Ele e para Ele que tudo deve reverter.

Os desejos e os votos que faço para vós, caros filhos, é que cresçais cada vez mais no conhecimento e no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo que é o autor de todo o bem em nós, e que é o único que pode produzir em nós as obras perfeitas.

Tudo o que fazeis, diz-nos São Paulo, fazei-o para glória de Nosso Senhor; vede-O como o fundamento de todas as coisas; que seja como a única meta de todo o vosso trabalho e de toda a vossa vocação. Conhecer Jesus Cristo, trabalhar para Jesus Cristo, morrer para Jesus Cristo, eis o nosso único lema e toda a nossa vida.

Deixemos o mundo trabalhar para conquistar nome, glória, honras, fortuna, estima do mundo, loucura! Tudo isso passa; uma única coisa permanece, aquilo que se fundamenta no Mestre eterno que veio à terra para nos instruir e nos conduzir. Que o vosso espírito se fixe bem nisto; quando se é jovem, o esplendor do mundo impressiona às vezes e algumas ideias bem terrestres vêm infelizmente misturar-se com os nossos bons pensamentos; as ideias de família, de bem-estar, de posição, de vida honrosa, que sei eu? Tudo isso que passa no nosso espírito. Oh! queridos filhos, elevai o vosso coração bem alto sursum corda e que todo o vosso pensamento, todo o vosso desejo seja para honrar e imitar o vosso Mestre que é o único digno da vosso atenção e do vosso amor; é assim que merecereis o meu afeto, a minha estima e o meu amor verdadeiro. Oh! nada mais desejo do que ver-vos dignos do vosso divino Mestre, seguir os seus passos e copiá-lO fielmente; então acreditarei que o meu tempo não foi perdido, que as esmolas de Deus foram bem utilizadas e que vós respondeis às esperanças do meu coração. Sinto-me feliz quando leio as vossas cartas e percebo nelas um pouco de amor a Deus, um pouco deste sentimento sobrenatural que tende para Deus e que vos deve tornar dignos apóstolos de Jesus Cristo.

Sim, as vossas cartas consolaram-me muito e eu sinto-me feliz ao pensar em vós, e não vos esqueço todos os dias, caros filhos; não se passa um só dia e diria mesmo uma só hora sem que os meus pensamentos se dirijam espontaneamente para Deus para pedir que vos torneis padres segundo o seu coração, porque vós sois a minha esperança, a minha consolação e o meu apoio; e aonde quer que a divina Providência vos chame, poderei sempre dizer: meu Deus, dei-vos verdadeiros discípulos; se eu não fiz nada na terra, ao menos outros trabalharão por mim e farão o que eu não pude fazer. Eu vos abençoo, caros filhos, rezo por vós e peço para as vossas almas que me são queridas todas as bênçãos celestes; não desanimeis nas tentações que podem vir; caminhai com coragem, não parando de rezar e rezando sem cessar, como São Paulo, para obter o amor de Nosso Senhor, a fim de que possais estendê-lo mais tarde sobre a terra.

Perdoai-me de vos escrever assim sem estilo, sem frases, escrevo como penso; escrevo-vos com o meu coração; amo-vos como meus filhos. Sede todos para Deus, todos para Jesus Cristo e todos para a Igreja, e assim estaremos todos unidos pelos laços mais suaves, os mais fortes e os mais duráveis, porque só esses se mantêm para o tempo e para a eternidade. Rezai por mim e pelos meus filhos, os vossos irmãos do Prado.

Vosso Pai que vos ama e vos abençoa.

  1. Chevrier

Vou enviar os sapatos ao nosso bom amigo Delorme. Se tiverdes necessidade de qualquer coisa, dizei-o nas vossas cartas e não espereis que tudo esteja muito gasto.

A Francisco Duret 91 (102)

[A FRANCISCO DURET]

  1. M. J. [Lyon, 20 de março de 1873]

Caros filhos

Concedo o que me pedis nas vossas últimas cartas, ir a Ars; rezareis muito sobre o túmulo desse santo pároco, a fim de que imiteis as suas virtudes de humildade, de modéstia, e a graça de serdes bons catequistas, porque é nisto que ele sobressaía, esse bom padre. Ah! Catequizar os homens, é a grande missão do padre hoje; é preciso instruir, não com grandes discursos que não tocam o fundo do coração dos ignorantes, mas com instruções muito simples ao alcance do povo.

Nos tempos que correm deveríamos ir catequizar por todo o lado, falar simplesmente e dizer aos homens que há um Deus, porque é necessário voltar às primeiras instruções, dizer aos homens que há um Deus e ensiná-los a amá-lO e a servi-lO. Como é triste hoje ver a raiva dos ímpios, o trabalho que fazem todos os dias para destruir nos homens toda a noção de Deus, da sua dignidade e da sua grandeza. Atualmente organizam-se em Lyon conferências públicas no palácio de São Pedro, em Alcazar, e nas grandes salas, para provar aos homens que eles são apenas máquinas, que já não há Deus, que os homens vêm do macaco e de outros animais; é terrível ver a persistência da autoridade atual para desmoralizar o mundo, para materializar as pessoas; onde poderemos chegar se caminharmos sempre por este caminho terrível da incredulidade, da impiedade e da imoralidade. Ah! rezemos, caros filhos, trabalhai, na oração e na humildade, para serdes padres segundo o Senhor, cheios de zelo, de fé e de amor pelos homens…

Não poderemos vencer esta geração incrédula e perversa senão com grandes atos de virtude; é preciso surpreender o mundo de hoje com atos de virtude opostos aos vícios dos nossos dias; possa o Senhor fazer de nós santos, e que sintais desde já no vosso coração estes santos desejos de catequizar o mundo, de instruir os ignorantes, de doação e de sacrifício.

Penso às vezes na permissão que me pedistes para usar a batina durante as férias. Se o vosso desejo fosse de ir fazer o catecismo ao Hospital e à “Caridade”, que realmente tivésseis o desejo de dar a conhecer Deus a esta pobre gente que sofre, porque é ainda nestas almas que sofrem que mais facilmente se pode fazer o bem; se fosse esta a vossa intenção, eu o permitiria nas férias grandes anuais, não nas férias da Páscoa, mas nas férias grandes, a fim de que possais começar a exercer o ministério da palavra que vos será dado exercer mais tarde sobre as multidões. Sim, caros filhos, trabalhai, trabalhemos muito, e rezemos sobretudo, porque é pela oração e pelo trabalho que atingiremos a meta que Deus se propôs fazendo-nos chegar ao sacerdócio.

Penso às vezes nas vossas pequenas conferências em Alix; estou muito feliz por isso. Se, nas vossas cartas, me désseis o tema e os pequenos resumos, ficaria muito contente. Estou unido a vós e fico feliz com tudo o que fazeis, e sobretudo com aquilo que deve um dia contribuir para a glória de Deus.

Adeus, caros amigos; ontem rezei a São José por vós, para que desempenheis, junto das almas, o mesmo ofício que ele desempenhou em relação ao Menino Jesus.

Que o Santo Espírito se comunique a vós, que a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo vos fortifique. Peço para o meu caro Blettery a luz e a perseverança; para o meu caro Broche, a fé e a força; para o meu caro Duret, a doçura e a amabilidade; para o meu caro Delorme, a confiança e o temor; para o meu caro Farissier, o espírito de oração e de constância; e para todos, um grande amor a Deus e ao próximo, e o espírito de doação que vos leve a esquecer-vos de vós mesmos para só pensardes em Deus e nos outros.

Abraço-vos de todo o coração.

  1. Chevrier

A Francisco Duret 92 (103)

[A FRANCISCO DURET]

  1. M. J. [Prado,] 28 de março de 1873

Meu caro Duret

Envio-te o certificado de isenção; foi necessário levá-lo a assinar à Prefeitura, só hoje o pude enviar.

Só estás isento do serviço militar para te tornares soldado de Jesus Cristo. Pensa portanto nesta grande honra de ser não somente soldado de Jesus Cristo, mas seu ministro. Atualmente estás na escola onde se aprende a servir o grande Rei, a combater os seus inimigos, a levar as suas armas. Trabalha portanto com coragem para vires a ser um digno soldado do grande Mestre do céu e da terra.

Os meus cumprimentos a todos os teus camaradas.

Rezai por mim que nunca vos esqueço.

  1. Chevrier

A João Broche 93 (92)

(A JOÃO BROCHE)

  1. M. J. [Prado,] 6 de junho de [1873]

Meus caros filhos

Não deixarei passar esta bela semana do Pentecostes sem vos dizer uma pequena palavra. É a semana do Espírito Santo e vós sabeis como temos necessidade deste Espírito para viver da vida de Deus.

O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do espírito é espírito, e Nosso Senhor diz-nos ainda que quem não renascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no Reino dos Céus. É preciso portanto receber esta nova vida, tomar esta nova vida e operar em nós este segundo nascimento do espírito, o único que nos aproximará de Deus; o que nasceu da carne é carne, e sim, nós temos este primeiro homem de Adão com todas as suas ambições, os seus defeitos, as suas misérias, as suas fugas funestas; tudo isto existe em nós como consequência do pecado; é o Espírito Santo que vem destruir esta primeira natureza, este velho homem, pela sua graça e pelo seu poder, e dar-nos esta vida espiritual e divina que nos faz semelhantes ao nosso Criador; fomos feitos à sua imagem e à sua semelhança. É o Espírito Santo que restabelecerá esta imagem e esta semelhança apagada infelizmente pelo pecado. Oh! rezemos portanto muito ao Espírito Santo, é necessário. Para nos fazer compreender esta necessidade, Jesus Cristo dizia: É necessário que eu vá para vos enviar o Espírito Santo. As três Pessoas divinas têm uma operação a fazer em nós, para fazer de nós homens perfeitos: o Pai cria-nos, o Filho mostra-nos a verdade, o caminho, é a nossa luz, mas o Espírito Santo dá-nos o amor, faz-nos amá-lo; e quem ama compreende, quem ama sente, quem ama pode agir. O Espírito Santo acaba portanto o que Jesus Cristo começou. O Pai dá a existência, o Filho revela-se a nós e mostra-nos Deus e o caminho, e o Espírito Santo faz-nos compreendê-lo e amá-lo. Estas três operações da Santíssima Trindade realizam-se em nós e são todas igualmente necessárias tanto umas como as outras; mas a operação do Espírito Santo é por assim dizer a mais necessária, porque, de que serve ver se não se compreende aquilo que se vê? De que serve ouvir, se não se compreende aquilo que se ouve? De que serve ainda compreender se não se ama? Que possais vós compreender bem esta operação do Espírito Santo em nós, a fim de que lhe possais pedir que aja em vós e não pôr nenhum obstáculo à sua ação.

Que o Espírito Santo seja portanto a vossa luz e o vosso amor, que vos faça compreender e amar o Pai e o Filho, e então vós sereis verdadeiramente filhos de Deus que não nasceram da carne nem do sangue, mas que nasceram de Deus pelo Espírito, ex Deo nati sunt.

Se o nosso amigo Duret está sempre cansado, não descureis nada para lhe dar os cuidados necessários. Fazei-lhe tomar qualquer coisa de manhã e durante o dia também; eu pagarei as despesas quando vos for ver.

Cucuat ainda não fez os sapatos do Sr. Blettey, eles estão talhados desde há quinze dias. Se houver um sapateiro em Alix, mandai-os fazer para que ele não caminhe descalço.

A casa está sempre mais ou menos, eu é que sou um mau mestre, como tenho necessidade do Espírito de Deus. Penso ir em breve à minha célula, e gostaria de me fixar lá para sempre, porque vejo bem que não sou bom para nada. Apenas peço ao bom Deus uma coisa, que Ele me ensine a fazer bem o meu catecismo, a instruir bem os pobres e as crianças. Como é belo, meus amigos, saber falar de Deus.

Adeus, eu vos saúdo e abençoo.

  1. Chevrier.

A Francisco Duret 94 (104)

[A FRANCISCO DURET]

[Prado, 6 de junho de 1873]

Acabo de receber a carta do nosso amigo Duret, e volto a abrir a minha carta, escrita desde ontem, para lhe responder. Rezaremos a Deus pelo seu irmão que fará a sua Primeira Comunhão domingo; é preciso rezar muito pelas pobres crianças.

O nosso amigo Révérend deve receber a Tonsura esta tarde às 4 h.; eu vou assistir; é no Seminário Maior. É uma grande alegria para mim ver já um dos nossos meninos começar a fazer a sua entrada na milícia celeste. Oh! sim, estou feliz, e mais feliz ainda quando o vir a ti entrar também. Com quanta alegria lhe cortarei o cabelo para lhe dar este espírito de renúncia e de separação do mundo. Possa ele vir depressa, ou antes possam vir depressa as virtudes que fazem os soldados de Jesus Cristo.

Meu caro Duret, se está obrigado ao repouso, é preciso pedir autorização para vi-lo passar aqui ou em Limonest; cuidaremos bem de ti. Peça e faremos tudo o que é necessário e ficará bom rapidamente. Não deve esperar muito; se é necessário, venha. Se puder, irei vê-lo na segunda-feira.

Adeus, caro filho, que Deus o abençoe.

Não sei se vai conseguir ler a minha carta; não tive tempo de relê-la.

Senhores Broche, Farissier, Delorme 95 (93)

[SENHORES BROCHE, FARISSIER, DELORME, NO PRADO]

  1. M. J. [Limonest, julho de 1873]

Caros amigos,

Amanhã irei ao Prado. A minha escola clerical não está bem, os professores não são dignos de dirigir as minhas pobres criancinhas. Lhes pedirei que tomem conta delas até ao fim do ano escolar e que as preparem para a prova, e que reparem todas as más impressões que estes professores lhes deixaram.

Que Deus esteja convosco.

Até amanhã à tarde.

  1. Chevrier

Ao Senhor Duret 96 (104 bis)

[AO SENHOR DURET, EM CHARLIEU]

  1. M. J. 13 de agosto de [1873]

Meu caro amigo e irmão em Nosso Senhor,

Parece que o Senhor Jacquet está decidido, os companheiros também. Farissier chega, agora, de St. Etienne e diz-me que também está decidido a partir; assim, pode vir na segunda-feira à tarde.

É preciso que esteja de volta no dia 12 de setembro para que possamos começar o Retiro das férias, temos todos muita necessidade dele.

Tudo para glória de Nosso Senhor e salvação do próximo.

Não o esqueço junto de Nosso Senhor e recomendo-me também às suas orações.

Os meus cumprimentos aos seus pais e ao seu irmãozinho.

  1. Chevrier

A Nicolau Delorme 97 (128)

[A NICOLAU DELORME]

  1. M. J. [Prado, fim de setembro de 1873]

Caros filhos

Ao chegar a Lourdes, ireis logo junto da Sta. Virgem e direis: Eis-nos aqui!

Caminhamos muito, viemos de muito longe, estamos bem aqui, olhai para nós, por favor. E ficareis lá na presença de Deus e de Maria Imaculada que honrou esse lugar com a sua presença.

Em seguida, vos humilhareis muito, muito, muito diante de Deus e da Santa Mãe, pedindo humildemente perdão dos pecados da vossa vida e daqueles que cometestes durante a viagem; durante a viagem, terá havido palavras inúteis, movimentos de amor-próprio, presunção, demasiada confiança em vós próprios, nas vossas ações, nas vossas dificuldades, satisfação convosco e aceitação de pequenos louvores que recebestes durante a viagem; muitas vezes fostes bem recebidos, a caridade dos outros foi muitas vezes maior que a vossa e tendes muito de que vos humilhar da falta de sentido sobrenatural que terá havido na vossa conduta. Oh! caros filhos, como é necessário purificar a nossa alma para receber todas as graças de Deus com abundância; purificai-vos, humilhai-vos muito e Deus olhará para vós; e se Ele vir qualquer coisa de natural em vós, Ele não poderá olhar para vós. Humilhai-vos e fazei penitência pelos vossos pecados a fim de que Deus vos olhe e a sua muito [Santa] Mãe, Virgem Imaculada; dizeis bem que sois apenas servos inúteis e que todos os benefícios de Deus vêm apenas da sua bondade infinita e que se Ele olhasse para os nossos pecados só mereceríamos o inferno.

São estes os sentimentos que deveis ter ao apresentar-vos diante da Virgem Imaculada.

Depois disto ireis confessar-vos, ireis satisfazer as necessidades do vosso pobre corpo, e voltareis ainda para chorar e pedir insistentemente a vossa conversão e a cura do vosso pobre doente, ficareis lá até que Deus e a sua Santa Mãe se dignem escutar-vos. Coragem, paciência, perseverança.

Podeis talvez obter um começo de graça; mas lembrem-se de que para obter uma graça extraordinária, é preciso fazer crescer a fé e o amor pela oração até um grau heróico; sereis capazes disso sem um dom particular de Deus? Não.

Coragem pois, oração e perseverança. Todavia, se Deus na sua misericórdia vos der a graça que lhe pedis, ah! é então nessa circunstância que é preciso ser ainda mais humilde e evitar orgulhar-se seja do que for, não se vangloriar de nada e acreditar sobretudo que por alguma razão merecestes isso do Salvador, e lembrar-se do que Jesus Cristo dizia aos doentes curados: “Não digais nada a ninguém”, de tal modo Nosso Senhor temia o orgulho dos pobres doentes curados.

A humildade, a oração, a perseverança, usar os meios naturais indicados pela Santíssima Virgem.

Rezamos por todos vós e desejamos para vós uma grande pureza de coração, de espírito e de corpo.

O vosso Pai que reza por vós e vos abençoa.

Até breve.

  1. Chevrier

A Nicolau Delorme 98 (129)

[A NICOLAU DELORME]

Caro filho,

Ontem, ao levar as vossas cartas para serem assinadas, notei que o formato das cartas não era conveniente.

Envio de novo estas duas folhas a fim de que copieis de novo estas duas cartas.

Voltai a enviá-las de seguida para mim, mandarei buscá-las à portaria esta tarde, a fim de que as leve amanhã à Câmara e ao Arcebispado, para serem assinadas.

Adeus, coragem e confiança.

  1. Chevrier

A Nicolau Delorme 99 (130)

[A NICOLAU DELORME]

Creio que é necessário enviar os papéis ao seu pai que os levará ao Senhor Broglie para assiná-los.

Não foi possível encontrar por estes dias o Senhor adjunto da Câmara; por isso é necessário esperar.

Todo seu.

  1. Chevrier

A João Broche 100 (94)

[A JOÃO BROCHE]

  1. M. J. [Prado,] 20 de novembro de [1873]

Caros filhos,

Para a Escritura Santa fareis da seguinte maneira. Cada um tomará uma virtude que estudará em primeiro lugar no Novo Testamento:

Irmão Pedro, a caridade.

Irmão Agostinho, a humildade.

Irmão Paulo, a pobreza.

Irmão Farissier, a obediência.

Irmão Révérend, a pureza.

Procurareis em primeiro lugar no Novo Testamento o que tem relação com esta virtude e fareis em seguida o vosso trabalho, de modo que no fim do ano cada um tenha sobre a virtude designada todos os materiais e vos torneis apóstolos da vossa virtude.

Quanto às vossas conferências das quartas-feiras, tomareis os mistérios do Rosário, a Via-Sacra e o Espírito Santo, o que dará cinco temas, um assunto para cada um. Mistérios gozosos, mistérios dolorosos, mistérios gloriosos, Via-Sacra e Espírito Santo, a cada um o seu, eis os vossos temas. Mando copiar as pequenas alterações que fiz aos mistérios e as enviárei logo que estejam prontas.

São estes os temas para o primeiro ano do Seminário; para o próximo ano indicarei outros. Para as conferências, leiam primeiro o tema e depois façam a explicação oral, simplesmente e na forma de catequese.

Recomendo-vos também os sete atos preparatórios para a oração, quando os puderdes fazer, atos de fé, de adoração, de louvor, de reconhecimento, de amor, de oferta, de pedido; recomendo-vos também o silêncio no quarto e a caridade entre vós e em relação a todos; que o Irmão Pedro, vosso chefe, vos repreenda quando for necessário e, se fizer falta, vos imponha uma penitência. Tudo isto para glória de Deus, nossa santificação e edificação do próximo.

Oh! trabalhemos para sermos santos pela prática das virtudes cristãs.

Adeus, caros filhos, sou todo vosso no coração de Jesus nosso Mestre.

  1. Chevrier

Façam como vos digo nesta carta.

A Nicolau Delorme 101 (115)

[A NICOLAU DELORME]

  1. M. J. [Prado, novembro de 1873]

Meus caros filhos

Dou-vos permissão para aprenderdes o hebraico. Gostaria muito que também houvesse um ou dois que aprendessem também o grego. O latim, o grego e o hebraico são as três línguas que estavam na cruz.

Devendo viver juntos, devemo-nos completar uns aos outros e entreajudarmo-nos também, no temporal como no espiritual, para o saber e para a sabedoria.

Tudo para Deus e para o nosso Salvador Jesus.

  1. Chevrier

A Cláudio Farissier 102 (115)

[A CLÁUDIO FARISSIER]

  1. M. J. [Prado, janeiro de 1874]

Caros filhos,

Envio 500 francos para pagar a vossa pensão no Seminário Maior.

Rezem pelos vossos benfeitores e por mim.

Apresentem as minhas saudações respeitosas e os meus votos sinceros ao Senhor Ecônomo.

Sede prudentes e dai graças a Deus prometendo servi-lo como verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.

  1. Chevrier

A Francisco Duret 103 (105)

[A FRANCISCO DURET]

  1. M. J. [Prado,] 9 de fevereiro de 1874

Meu caro Duret

Não podendo ir ainda ao Seminário, como era meu desejo, respondo à sua carta.

Não me oponho de maneira nenhuma a que vos junteis a esses bons jovens camaradas, que começaram a reunir-se para buscar juntos a maneira de trabalhar para a salvação dos jovens nas paróquias; será que nos podemos opor àquilo que pode contribuir para a glória de Deus e para a salvação das almas? Essas pequenas reuniões contribuem para desenvolver em nós o zelo e o amor a Nosso Senhor; mas lembre-se de que o grande meio é ser santo e estar cheio do Espírito Santo; se o Espírito Santo está conosco, teremos bons resultados em tudo o que fizermos. Procurem, na vossa reunião, examinar como fez Nosso Senhor e, imitando-o, não vos enganareis e caminhareis pelo bom caminho.

Atualmente temos, ao domingo, perto de 150 crianças que vêm ao Prado, e eu desejo algumas vezes ter-vos para trabalhar com estas jovens almas, a fim de lhes ensinar a conhecer Deus e Jesus seu Filho. Como é belo saber falar de Deus e de Nosso Senhor ah! aprendei, meditai muito, a fim de que possais adquirir, no retiro e no estudo, as graças necessárias para mais tarde trabalhar utilmente na sua obra.

Coragem, caro amigo, tenho toda a esperança que o bom Mestre abençoará a vossa boa vontade e fará de todos vós bons operários, porque é para todos vós que o bom Deus guarda a sua obra.

Uni-vos, pois, a estes bons jovens, e fazei florescer no seu coração os mistérios da vida de Nosso Senhor; ponde neles a devoção ao Espírito Santo, ao Rosário e à Via-Sacra; e dizei-lhes que, pondo nas almas o amor a Nosso Senhor, convertemo-las e ganhamo-las para Deus.

No que diz respeito aos pequenos pontos do regulamento que não podeis cumprir com exatidão, supri-os por outros pequenos exercícios, e sabei que o amor de Deus supre tudo, e que há no decorrer do dia mil ocasiões para fazer pequenas penitências que são muito agradáveis a Deus tais como o silêncio, a obediência, a caridade, suportar o próximo. Todos estes atos de virtude aproximam-nos muito de Nosso Senhor nosso divino modelo.

Sede fiéis à vossa pequena semana. Aprovo a vossa resolução de reler todos os meses o vosso compromisso. Estes pequenos meios lembram-nos a nossa meta e os meios para lá chegar; é preciso muitas vezes levantar-se de novo no que diz respeito ao espiritual; caímos facilmente, e somos tão terrenos que não devemos negligenciar os meios úteis para nos levantarmos de novo.

Quanto a esse bom pai que quer casar a sua filha, é preciso que ele saiba que, quando se casam os filhos, se perdem os direitos sobre eles, e que, na lei se diz que a esposa deixará o seu pai e a sua mãe para se ligar ao seu marido, e que normalmente mais vale fazer dois lares do que um só, porque é difícil que dois casais se ponham de acordo em tudo; se o medo do futuro pesar tanto nas nossas determinações, nunca faremos nada; é preciso agir sempre na confiança e na esperança em Deus. Se um jovem é prudente, se não pertence a alguma má sociedade, se vai à Missa, ao menos algumas vezes, se cumpre a Páscoa, se cuida do seu pai e da sua mãe, se não tem dívidas, ela pode aceitá-lo e esperar que a graça de Deus os ajudará a ser felizes em conjunto.

Adeus, caro filho, que a bênção de Deus venha sobre ti e o conduza ao bem.

Encontrei quarta-feira passada o caro amigo Blettery. Fui a Alix; ele está bem, trabalha bem, os companheiros estão contentes. Ele envia-lhe os seus cumprimentos e reza por ti e pede também as suas orações.

Sou todo seu em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

A João Broche 104 (95)

[A JOÃO BROCHE]

  1. M. J. [Prado, 15 de agosto de 1874]

Caro irmão e amigo

A gratidão é uma virtude tão bela que não devemos deixar de pô-la em prática todas as vezes que se proporcionar a ocasião. Há que prestar a esse jovem todos os serviços de que seja capaz no que se refere à ciência e à piedade, e ficar aí até ao fim do mês, até ao dia 30.

As Senhoras Dussignes, sempre tão boas para nós e para ti, compraram dois bilhetes para a peregrinação de Nossa Senhora de Lourdes, para ti e para o Senhor Blettery. Elas querem que vocês tenham a mesma oportunidade que os outros irmãos e que nos tragam algumas graças da piedosa gruta de Lourdes. O trem parte a 30 de agosto, às seis da tarde; será preciso, pois, vir de véspera, pelo menos, para preparar a bagagem.

Pensamos ir a Ars na terça-feira em peregrinação, com alguns latinistas e com os nossos companheiros.

Unidos na oração. Tudo está bastante bem, a prova será segunda-feira. Reze por nós.

Saudações da parte de todos os condiscípulos.

  1. Chevrier

Assunção de Maria

A Nicolau Delorme 105 (132)

[A NICOLAU DELORME]

  1. M. J. [Prado,] 2 de janeiro de 1875

Caros filhos

Li com muito gosto a carta que me enviastes pelo Ano Novo; o que me consola e me alegra em Nosso Senhor, são os sentimentos de virtude que ela exprime e os desejos de praticar as virtudes de Nosso Senhor. Oh! sim, caros filhos, tudo terá valido a pena se vir despontar em vós alguma coisa de Deus, alguns sentimentos elevados, grandes, verdadeiramente cristãos e dignos do estado sublime a que o Mestre vos chama.

Escutai com frequência nas vossas orações, nas vossas meditações, no vosso recolhimento estas palavras do Mestre: sequere me, sequere me. Estas palavras levaram Pedro, Tiago, Filipe e os outros a seguí-lO, e fizeram deles apóstolos que caminharam tão corajosamente e tão decididamente no caminho da pobreza, do sofrimento e do amor.

Rezo por vós, caros filhos, vocês são a minha consolação nos meus sofrimentos e a minha esperança nas minhas dificuldades.

Quando penso que um dia catequizareis os pobres, que um dia vos entregareis ao serviço do bom Mestre, que fareis o que eu próprio não pude fazer, que chegareis a ser santos, porque trabalhais para chegar a ser outros Jesus Cristo, que a caridade abrasará os vossos corações e vos fará dar bons frutos que permaneçam para sempre, sinto-me feliz.

Oh! sede santos! É este o vosso trabalho de todos os dias. Crescei no amor de Deus, crescei para consegui-lo no conhecimento de Jesus Cristo porque esta é a chave de tudo. Conhecer Deus e o seu Cristo: nisto consiste todo o ser do homem, do padre, do santo; oxalá possais lá chegar.

Rezai por mim, eu também rezo por vós. E sou, com um afeto muito paternal, vosso Pai e vosso amigo em Jesus Cristo nosso Mestre.

  1. Chevrier

Aos Quatro Seminaristas 106 (537)

[AOS QUATRO SEMINARISTAS]

St. Fons, 21 de janeiro de 1875

Caros filhos

Obrigado pela vossa carta de Boas Festas; aceito de bom grado os vossos bons desejos, os vossos votos e as vossas orações por mim, pela nossa pobre casa e pelas nossas crianças e por vós também pois devemos estar unidos como se fôssemos um só.

Perdão, caros amigos, pelo descuido nestes últimos tempos com respeito à vossa roupa; não sei como isso aconteceu que as crianças se tenham esquecido disso. Hoje, as Irmãs e as meninas vieram visitar-me em St. Fons onde estou desde segunda-feira para substituir o Pároco ausente e dei ordens à Irmã Dominique para remediar este esquecimento a partir de amanhã.

Pobres filhos, fazem-vos praticar a virtude à força; podiam ter-me escrito mais cedo.

Há dias fui ao cemitério para acompanhar a Senhora Boulachon, falecida, e ao regressar às 11 h. ½ entrei no Seminário Maior para vos fazer uma pequena visita de pai e de amigo, mas a aula de Sagrada Escritura impediu-me de vos abraçar e de vos apresentar os meus desejos de viva voz, embora já o tivesse feito por carta.

Mas logo que puder o farei e me darão conta da semana.

Talvez irei mais cedo do que pensava.

Disse à Irmã Dominique que envie pano para a batina do Senhor…

Aqui, trabalho no meu catecismo e, quanto mais avanço, mais vejo que esta é a maneira mais útil de instruir e a mais frutuosa para os fiéis e para toda a gente.

Quanto bem fariam às almas os bons catequistas!

Alguns grandes sermões são necessários, mas a catequese é muito mais necessária. As pequenas explicações simples e fáceis vão mais ao coração e instruem melhor do que os grandes discursos.

Rezo para que sejais bons catequistas.

Adeus, caros amigos, que o bom Mestre vos abençoe e ao seu pobre servo.

  1. Chevrier

Senhor Delorme 107 (133)

[SENHOR DELORME, ALUNO DO SEMINÁRIO MAIOR DE LYON]

  1. M. J. [Lyon,] 11 de dezembro de 1875]

Meu querido filho

Envio-lhe seis mil francos para o seu título de clérigo.

Se a sua intenção é de se dedicar ao serviço do Prado, aceite-o, dou-lhe de coração.

Deposite-o na Casa do Prado, e eu comprometo-me a dar-lhe todos os anos 300 francos de renda, quer dizer, a cobrir todas a suas necessidades, como um bom pai deve fazer aos seus filhos.

Se não é esta a sua intenção, devolva-me simplesmente o dinheiro, dizendo-me que prefere assinar o compromisso com a caixa eclesiástica.

Seu Pai dedicado que o ama em Nosso Senhor Jesus Cristo.

  1. Chevrier

A um dos quatro seminaristas 108 (156)

[A UM DOS QUATRO SEMINARISTAS]

  1. M. J. 11 de dezembro de 1875

Meu querido filho

Envio-lhe o seu título de clérigo: 6.000 francos.

Se a sua intenção é de se dedicar ao serviço do Prado, aceite-o, dou-lhe de coração.

Deposite-o na Casa do Prado, e eu comprometo-me a dar-lhe todos os anos 300 francos de renda, quer dizer, a cobrir todas a suas necessidades, como um bom pai deve fazer aos seus filhos.

Se não é esta a sua intenção, devolva-me simplesmente o dinheiro, dizendo-me que prefere assinar o compromisso com a caixa eclesiástica.

Seu Pai dedicado que o ama em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

A Nicolau Delorme 109 (134)

[A NICOLAU DELORME]

Prado, 15 de dezembro de 1875

Certifico que dei ao Senhor Nicolau Delorme um direito de seis mil francos sobre a casa do Prado, na Guillotière, constituindo o seu título de clérigo.

E por esta quantia, comprometo-me a lhe dar todos os anos uma renda de trezentos francos, se ele ficar ligado à obra do Prado.

Feita em Lyon, 15 de dezembro de 1875.

  1. Chevrier

A Nicolau Delorme 110 (135)

[A NICOLAU DELORME]

  1. M. J.

Caro filho

Só agora recebi a sua carta da semana passada na qual me pedia para vir passar a semana a St. Fons.

Estou aborrecido com o atraso desta carta e com o descuido do Senhor Suchet. Procuraremos compensá-lo noutra ocasião, se for possível.

Regressarei esta tarde; o Pároco chegou.

Gostaria muito que passasse umas boas férias e restabelecesse a saúde corporal e espiritual.

Adeus, até breve.

  1. Chevrier

A Nicolau Delorme 111 (136)

[A NICOLAU DELORME]

  1. M. J.

Meu caro filho

Ontem, fui ao Seminário, mas era muito tarde, não o pude ver; queria vê-lo, a ti em particular, para consolar um pouco o seu pobre coração de irmão e de filho que deve estar sofrendo muito; mas o que não pude fazer de viva voz, faço-o com esta breve carta. Luisa é muito descuidada e muito frívola, chega a uma idade difícil, isso está na sua natureza e caráter; mas creio que com a graça de Deus ela cairá em si e Deus falará ao seu coração e a lembrança das suas primeiras instruções, dos bons exemplos que teve e a voz de Deus a conduzirá ao bem. Hoje, como sempre, é difícil praticar a virtude no meio do mundo. Infelizmente herdamos de Adão esta infeliz concupiscência que nos arrasta para as coisas exteriores da vida e nos leva a gozar da maneira que não é permitido; há que chorar a nossa pobre sorte e pedir ao Deus de misericórdia que não nos abandone. Creio que esta pobre menina poderá cometer alguns erros mas voltará ao bom Deus e será uma boa filha e em seguida será salva.

Coragem pois, caro amigo, e que as aflições não nos abatam mas nos ajudem a servir Deus com mais fidelidade e amor. Quanto deve ter sofrido Jesus nosso bom Mestre na sua Paixão quando viu todas as nossas iniquidades e, querendo aliviá-las, não o pôde fazer como queria por causa da nossa má vontade; imitemos o seu exemplo, rezemos, gemamos, soframos, ofereçamos aos pecadores os meios de salvação que estão à nossa disposição e esperemos que o Deus de misericórdia tenha piedade deles no tempo oportuno.

A contrição apagará mais tarde as faltas que esta juventude ignorante e volátil comete.

Não devemos pensar que o mal está no seu apogeu; não o creio. Rezaremos a Deus por todos.

Quanto ao cilício, é preciso ser muito reservado, porque estas penitências exteriores são às vezes prejudiciais à saúde; permito que o use uma vez por semana e somente metade de um dia à sua escolha.

Adeus, caro amigo.

Cumprimentos a todos os meus outros filhos que também amo muito. Penso em todos vós e desejo ver crescer em vós as virtudes do grande Mestre a fim de que vos torneis um dia seus perfeitos discípulos.

  1. Chevrier

A Nicolau Delorme 112 (137)

[A NICOLAU DELORME]

  1. M. J. [Lantigné, 26 de junho de 1876]

Meu caro amigo

Apenas ontem, 24 de junho, [recebi] a sua carta datada de 14, que me comunica a felicidade imensa que recebeu ao tornar-se diácono. Lamento vivamente, como vós todos, o fato de não estar presente mas rezei por ti. Ao subir nas Ordens, é preciso também subir na caridade como lhe dizia na carta de Pentecostes.

Como ficaria feliz de vos ver maduros, como ficaria feliz de vos ver um dia padres santos; quando aparecer diante de Deus, se não tiver outra coisa, terei ao menos esta oferta para lhe fazer: preparei-vos, Senhor, corações de padres que vos amam sinceramente, dedicados à vossa glória, dedicados à vossa Igreja, cheios de caridade pelo próximo; e por vós, talvez que eu próprio possa ser salvo e salvar outros, é tão belo um padre santo! Estive estudando isto nestes dias, mas é tão belo, tão grande, tão elevado! Quem quiser viver segundo o Evangelho de Jesus Cristo, será muito grande e fará muito bem; coragem, caros filhos, que o bom Mestre vos dê a sua graça, que o bom Mestre vos tome nos seus braços e faça de vós novos apóstolos que inflamem as almas com a caridade divina na Sta. pobreza de Nosso Senhor.

Mandarei preparar tudo o que me pedem; estou muito contente de vos ver todos reunidos durante estes últimos dias de férias para fazer os vossos pequenos exercícios e vos fortalecer no bom espírito de Jesus Cristo, porque ele é tão raro nos nossos dias.

Quanto ao [que] me pede, caro amigo, há muito tempo que penso nisso; se o puder realizar, será uma grande alegria para mim e para ti também; falaremos disso e veremos.

Reze por mim. Há uns vinte dias que me sinto cansado, por causa de uma ingestão de ervas amargas que quis comer. Tive vômitos tão violentos que me desarranjaram totalmente.

Hoje, isto vai um pouco melhor; comecei a comer um pouco e espero que dentro de alguns dias poderei ir para Limonest onde nos veremos no princípio das férias.

Adeus, caros amigos e irmãos em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Apresente as minhas saudações muito respeitosas ao Senhor Reitor e aos Sacerdotes da casa.

Cumprimentos ao caro amigo Bletery; desde o seu regresso não voltei a ter notícias dele; como vai ele?

Pergunte ao Senhor Ecônomo quanto lhe devo ainda.

A João Broche 113 (96)

[A JOÃO BROCHE]

  1. M. J. [Prado, fim de outubro de 1876]

Caros filhos

Alegramo-nos com a vossa feliz viagem. Que o bom Mestre vos abençoe a todos e vos faça aproveitar o tempo que ides passar em Roma para a vossa santificação e para a vossa ciência.

Seguireis regularmente os cursos que vos foram indicados; matriculai-vos no Apolinário para o curso de teologia, a fim de que possais ser examinados e receber o título de bacharelato em teologia, se for possível, antes de regressar.

Quanto ao traje, se é necessário, levem a capa; sigam nisso a regra do Seminário francês. Se os vossos colegas do Seminário francês usam a capa, usem-na, eu autorizo.

Façam-se notar sobretudo pela modéstia, pela calma e pela sabedoria, mais do que pelo hábito, porque, habitus non facit monachum. Não voltei a ver o Sr. Bispo, mas creio que é melhor cumprir a sua vontade simplesmente, sem procurar querer fazer a nossa. Se, portanto, eu não disser nada, o Padre Jaricot poderá voltar na última quinzena de novembro, quando já estareis bem instalados e tudo caminhará bem. Comprem os livros que o Padre Vadon encomendou ao Padre Bernerd, e tragam-nos ao regressar.

Todos me pedem que vos saúde afetuosamente.

Não se esqueçam de me escrever todas as semanas e de pôr em prática o vosso pequeno regulamento.

A nossa casa tem muita gente, nunca esteve tão cheia. Precisamos de bons operários. Como seria belo evangelizar todo este pequeno mundo de dentro e de fora, e estender-nos a seguir aos campos e às aldeias, como Nosso Senhor e os seus apóstolos, para anunciar a palavra de Deus aos pequenos e aos pobres. O faremos, assim o espero, com a graça de Deus. Crescei muito no amor de Deus e na fé, para vos preparardes para dar muito aos outros, porque Deus deu-vos muito, e Ele pedirá muito àquele que recebeu muito.

Abraço-vos a todos e desejo a todos a fé, o amor de Deus e o seu espírito.

Todo vosso em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

Os meus cumprimentos ao Padre Francesco, aos dois Padres Francesco.

A João Broche 114 (97)

[A JOÃO BROCHE]

  1. M. J. [Novembro de 1876]

Caros filhos,

Estou feliz por saber que tivestes a alegria de ver o nosso Sto. Padre o Papa Pio IX, e que ele vos abençoou, e que em vós abençoou os pobres, os pobres que vocês devem evangelizar, instruir, e que em vós todos nós fomos abençoados por ele: Benedictio pauperibus. Como a palavra do Vigário de Jesus Cristo está de acordo com a do Mestre: “Bem-aventurados os pobres”. Sim, sejamos sempre os pobres do bom Deus, permaneçamos sempre pobres, trabalhemos com os pobres, que a pobreza e a simplicidade sejam sempre o caráter distintivo da nossa vida, e teremos a bênção de Deus e do nosso Pai. Como é bom trabalhar com os pobres, sentimos que eles são os amigos de Deus e que não trabalhamos em vão quando trabalhamos nas suas almas; amai portanto muito os pobres, os pequenos; não trabalheis para vos engrandecer e elevar, mas trabalhai para vos fazerdes pequenos e diminuir de tal modo que sejais iguais aos pobres, para estar com eles, viver com eles, morrer com eles; e não tenhamos medo das censuras que os Judeus faziam a Nosso Senhor: o vosso Mestre anda sempre com os pobres, os publicanos e as pessoas de má vida; é uma censura que nos deve honrar em lugar de nos envergonhar. Nosso Senhor veio procurar os pobres: Misit me evangelizare pauperibus. Aprendei portanto a amar muito os pobres e que esta bênção de Pio IX, nosso chefe visível e verdadeiro representante de Jesus Cristo, vos seja de bom augúrio e vos faça amar os pobres e permanecer sempre na santa pobreza.

O Padre Jaricot provavelmente já partiu; se não partiu, digam-lhe que lhe permito o que me pede.

Quanto aos diferentes graus de que me falais, parece-me um pouco difícil por causa do tempo que seria necessário permanecer em Roma; entretanto, se um de vós se quiser sacrificar para obter o título de doutor, eu o permitirei, com a condição de que permaneça sempre pequeno e não o use senão para servir os pequenos e os pobres. Consultarei e refletirei nisso e vos enviarei uma resposta definitiva sobre este assunto dentro de alguns dias, se ainda der tempo.

Rezai ao bom Deus por nós, ou melhor continuai a rezar. Permanecei unidos na oração, de coração, e de espírito, fortalecendo-vos cada vez mais no amor a Nosso Senhor.

Desejaria ir em breve ter convosco, não sei se poderei, espero que a Providência me dê, mais tarde, os meios para isso.

Vamos todos bastante bem. Em nossa casa somos muito numerosos, esperamos novos braços para trabalhar e ampliar o trabalho. Quantas almas para salvar e instruir!! Aplicai-vos bem na oração e a fundamentar a vossa bela vocação de catequizar os pobres, porque é a mais bela de todas e a mais digna de ser desejada.

Rezo muito por vós. Saudações de todos.

Recebam os meus abraços muito afetuosos no coração de Jesus Cristo nosso verdadeiro Mestre.

  1. Chevrier

A Francisco Duret 115 (106)

[A FRANCISCO DURET]

  1. M. J. Prado, fim de novembro

Caros irmãos e amigos

Em relação aos vossos graus tomamos a seguinte decisão: pensamos que, para este ano, seria um pouco difícil ocupar-vos deste assunto, visto que tendes a teologia para estudar seriamente para a vossa ordenação. A preocupação poderia apoderar-se do vosso espírito e prejudicar a piedade e, se eu puder vos visitar, teremos muito de que nos ocupar acerca do catecismo e da piedade, para nos prepararmos para a vida evangélica que devemos levar no Prado. Se, dentro de um ano, acharmos que isso é necessário, veremos e tomaremos a nossa decisão; por enquanto há que pensar em voltar ao Prado e trabalhar em catequizar os pobres e os pequenos.

É este também o pensamento do Senhor Reitor que vi há dois dias.

O Senhor Reitor crê que vocês os quatro poderiam assistir ao curso de direito canônico e ao curso de liturgia; isto não iria contra a intenção do Sr. Bispo. Ele vai escrever-vos sobre isto.

O Padre Jaricot chegou com boa saúde e fez uma boa viagem.

O Sr. Bispo deve ir a Roma no próximo mês, depois do Natal. Vimo-lo anteontem com o Padre Jaricot; ficou contente com as informações que lhe demos a vosso respeito.

Durante a sua estadia em Roma, o vereis certamente; podereis manifestar-lhe o desejo de eu estar junto de vós, a fim de que, quando lhe pedir autorização para vos visitar, ele conheça e compreenda um pouco a vossa necessidade.

Não sei se sentis essa necessidade; sinto que tenho muitas coisas para vos dizer; tenho muitas coisas para falar convosco sobre Nosso Senhor Jesus Cristo e fazer-vos compreender o que é um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, a fim de que caminheis por esta via verdadeira que glorifica o Mestre. A glória de meu Pai é que vos torneis meus discípulos e que deis muito fruto. Não se dá realmente fruto senão quando se está cheio da vida de Jesus Cristo, que é a caridade.

Rezai muito, caros filhos; a oração, o crucifixo, o Presépio instruem mais do que os livros; e a ciência, que aprendemos aos pés do Crucifixo ou do Sacrário, é muito mais sólida e mais verdadeira e melhor em relação conosco mesmos do que aquela que aprendemos nos livros.

Rezai por mim, eu rezo por vós. Que a bênção do Sto. Padre esteja sobre vós e sobre todos nós; seremos abençoados por Deus na medida em que formos seus bons pequenos pobres.

No dia 10 de dezembro, festa do nosso aniversário, estai unidos conosco, e nós não vos esqueceremos, mesmo afastados.

Nós vos saudamos a todos no coração do nosso bom Mestre.

Vosso dedicado servo e Pai.

  1. Chevrier

Escrevei-me todos os domingos para me dardes conta em particular de vós mesmo e em geral de todos. Recebi o vosso regulamento de vida; tratai de lhe ser fiel, ou modificai-o segunda a necessidade e que a caridade seja a vossa grande regra.

A Francisco Duret 116 (107)

[A FRANCISCO DURET]

  1. M. J. [Prado,] 26 de dezembro de 1876

Caros filhos

Permito que vão a Ostia, mas sejam poupados, sabem que o vosso dinheiro é o dinheiro dos pobres e que devemos nos servir dele com moderação e nunca para nosso próprio prazer; o pobre não pode satisfazer todos os prazeres que deseja.

Nos enviareis as imagens de São Pedro, quando forem benzidas pelo nosso Santo Padre o Papa.

Felicito-vos por terdes tido a ocasião de carregar um santo cardeal; que a recordação deste homem santo fique gravada na vossa memória e que ele vos ajude do alto do céu a praticar as virtudes de caridade e de pobreza que ele praticou durante a vida; vede como a pobreza e a caridade vão sempre juntas e como são admiráveis.

Mandem fazer as vossas murças em Roma; escolham um tecido, tanto quanto possível, de acordo com as nossas batinas. Encontrei o volume dos estatutos sinodais deixado pelo padre Broche na sacristia; estava na posse do Senhor Cusset.

Sede fiéis ao vosso pequeno regulamento; se houver artigos que não possais cumprir num dia ou num determinado momento, mudai-os, mas que o espírito de Deus esteja em vós, e lembrai-vos que não é a casca, mas sim o espírito que vivifica. Caro non prodest quidquam spiritus est qui vivificat.

Quanto a deitar-vos tarde, não o façam senão quando for muito necessário e em alguns casos particulares, porque o trabalho prolongado durante a noite é mais prejudicial do que útil; continuem a fazer as vossas pequenas conferências espirituais, é nestas pequenas conferências espirituais que descansamos e nos fortalecemos no conhecimento de Nosso Senhor; sei como tendes necessidade de orações, de união, de força e de coragem, mas tende confiança. Estou convosco em espírito. Trabalho e rezo por vós e só desejo uma coisa, que sejais todos padres santos, verdadeiros discípulos de Jesus Cristo. Aproveitai tudo para vos firmardes nas vossas boas resoluções, nos vossos bons pensamentos; sede fiéis à graça que nunca vos faltará, se a pedirdes.

Nestes dias consagrados a honrar a santa infância de Nosso Senhor, pedi muito esta pequenez, esta humildade e esta pobreza que é o caráter do pequeno Menino Jesus. Haveis de reconhecê-lo por este sinal, diziam os anjos: encontrareis um menino deitado numa manjedoura. A pobreza é o caráter distintivo do Mestre; que seja também o nosso caráter distintivo; quanto mais permanecermos na pobreza, na simplicidade e na humildade, mais seremos os filhos e os discípulos de Jesus Cristo.

O Sr. Bispo parte amanhã para Roma; penso que tereis ocasião de o ver; deveis apresentar-vos a ele e contar-lhe um pouco a vossa vida, e aproveitai as vossas visitas para conseguir que eu me vá reunir convosco em breve.

Perdemos o menino doente; morreu há cerca de quinze dias, muito santamente, muito tranquilamente; teremos dois protetores no céu para a nossa escola e para a nossa casa. O Padre Delorme não nos deixou a relação da morte do pequeno Pégon; penso que se esqueceu; o bom Deus sabe tudo, é verdade, mas as belas palavras deste bom pequeno teriam podido, talvez, ser úteis a algumas almas débeis e fracas e levá-las ao bem.

O Senhor Isidoro partiu há alguns dias, bruscamente, como é do seu caráter. O Senhor Bernard substitui-o; estou bastante contente com ele. O Senhor Jacquier é sempre o mesmo. Os companheiros e os Padres do Prado estão todos mais ou menos na mesma e enviam-vos todos os seus cumprimentos e têm desejo de vos ver. As nossas Irmãs fazem o que podem, e nós rezamos todos por vós.

Como presente de ano novo, pedirei a Nosso Senhor para vós, no Santo Sacrifício, que O conheçais bem e que O ameis até O seguir de muito perto; e se amais Nosso Senhor, sereis em breve perfeitos, porque quanto mais amamos alguém, mais nos conformamos com ele.

Abraço-vos a todos e sou todo vosso.

Chevrier

Apresentem aos dois bons irmãos Francesco e ao padre Lazarista os meus sentimentos de reconhecimento e os meus desejos muito sinceros de Feliz ano, e se pensais que alguma coisa lhes pode ser agradável, dizei-me, eu sentir-me-ei feliz de lhes ser útil.

Esta pequena estampa é para a vossa Signora.

A Cláudio Farissier 117 (116)

[A CLÁUDIO FARISSIER]

  1. M. J. [Lyon, fim de janeiro de 1877]

Caros amigos

Recebi as vossas cartas, os vossos votos e todos os vossos bons desejos, obrigado por tudo. Que o bom Mestre os ouça e acolha favoravelmente.

Recebemos também, ontem, as estátuas de São Pedro; chegaram sem problemas. Não se quebrou nada, embora a caixa estivesse partida em duas. Não encontramos os papéis que serviam de modelo para a cadeira; se puderem nos enviar a forma exata, em papel, poderemos mais facilmente encarregar o carpinteiro de fazê-la, embora, em rigor, ele poderá copiar as outras cadeiras de São Pedro que temos à nossa disposição. As estátuas são muito bonitas; vocês souberam escolher bem. Enviem-nos os breves, logo que possível, para pedirmos ao Ordinário que os aprove e os expormos nas nossas capelas. Deo gratias.

Conseguiram do Sr. Bispo a permissão para que eu vos visite; estou muito contente; rezai a Deus para que eu vos possa visitar. Penso que não será antes do fim de fevereiro; se todavia puder ir antes, irei de boa vontade, porque tenho muitas coisas para fazer; temos ainda que rezar muito, falta-nos muito para receber o espírito de Deus. Oh! não pareis nunca de pedir para mim o espírito de Deus, isso é tudo. Se tivermos o espírito de Deus, teremos tudo; se eu próprio o puder adquirir um pouco, para comunicá-lo a vocês, como serei feliz, porque terei acabado a minha obra.

Peçamo-lo uns para os outros; não deixemos de recitar todos os dias em conjunto o Veni Creator, para que o possamos receber em abundância e para que eu o possa comunicar a vocês. Agradecei a esses bons Padres que vos instruem e vos dão bons conselhos. Sejam agradecidos para com todos os que vos fazem bem, não só por palavras mas também por ações, prestando-lhes todos os serviços que puderdes e segundo as vossas possibilidades. Sejam muito unidos uns com os outros num mesmo espírito e num mesmo coração, lembrando-vos que são irmãos, que sois os filhos privilegiados do bom Mestre e que vos deveis amar em Deus e por Deus.

Evitai as contestações inúteis, respeitai-vos uns aos outros, pensando que sois diáconos e em breve padres, e que, participando assim nas dignidades da Igreja, vos deveis respeitar e obter dos outros o respeito devido ao vosso caráter, conservando todavia sempre a humildade, que é a base de toda a virtude… dai bom exemplo a toda a gente pela vossa modéstia, pelo vosso porte e pela vossa seriedade, em toda a parte onde fordes, nos vossos passeios, nas vossas aulas, na igreja e em todo o lugar.

Rezo por vós e peço a Deus todos os dias o bom espírito, e que sejais, para todos e para a nossa casa, um motivo de edificação e de bom exemplo, e de bons catequistas sobretudo, porque é essa a nossa grande missão.

Todos os companheiros estão bem e enviam-vos cumprimentos. Que Nosso Senhor vos abençoe e vos dê o seu espírito; pedi-o para mim, a fim de que eu vo-lo possa dar pelas minhas palavras.

Saudamo-vos a todos e abraçamo-vos na alegria do Senhor.

Rezai pelo vosso muito dedicado,

  1. Chevrier

A Francisco Duret 118 (108)

[A FRANCISCO DURET]

  1. M. J. [Limonest,] 28 de fevereiro de 1877

Meus queridos filhos

Ontem vi o Sr. Bispo; confirmou a permissão que vos tinha dado.

Partirei, portanto, na terça-feira, 13 de março, de Lyon, para chegar, penso eu, quinta-feira de manhã a Roma. Partirei com um senhor, antigo professor, que está na nossa casa de Limonest desde algum tempo.

Enfim, os nossos desejos estão realizados: estarei convosco algum tempo; era este todo o meu desejo. Rezai de todo o coração, para que eu cumpra em tudo a santa vontade do Bom Mestre e para que vos dê o espírito de Deus; tudo está aqui. Rezai para que eu próprio o encontre e faça, durante estes dias, provisão de graças e de luzes, para vos dar aquilo de que tendes necessidade para virdes a ser verdadeiros discípulos de Jesus Cristo; é isto todo o meu desejo. Retirei-me em Limonest durante estes dias, para rezar e trabalhar um pouco e adquirir tantas graças que me são necessárias.

Quando vejo como a Providência é admirável e como conduz todas as coisas com sabedoria, só posso admirar a sua bondade e acreditar que a nossa obra lhe é agradável, e que o nosso pobre Prado é um lugar abençoado onde Ele lança um olhar de bondade e de amor; respondamos bem, caros filhos, aos desígnios da divina Providência sobre nós, e esforcemo-nos por entrar nos seus desígnios e de nos tornarmos padres segundo o seu coração e conforme com o regulamento que Ele próprio nos ditou no seu Santo Evangelho; oxalá o compreendais bem e trabalheis de todo o vosso coração para seguir este bom Mestre, não de longe, mas de perto, como Ele deseja, a fim de que deis frutos e frutos abundantes.

Até breve; estudaremos Jesus Cristo nosso Mestre e nosso Modelo, e esforçar-nos-emos todos para avançar com coragem pelos caminhos tão belos que Ele nos mostrou.

Escrevam-me e digam o que vos devo levar. Deveis ter recebido a gramática italiana. Levarei um chapéu para o amigo Delorme, terços, medalhas para serem indulgenciadas, tal como me pedistes; vocês dirão o resto.

Até breve.

Lamento não poder partir mais cedo para ver Dom Thibaudier, mas não posso ir mais cedo.

Que Nosso Senhor Jesus vos abençoe.

Rezai por mim que nunca vos esqueço.

  1. Chevrier

A João Broche 119 (98)

[A JOÃO BROCHE]

  1. M. J. [Prado, março de 1877]

Meus caros amigos

Para vos visitar tomarei o caminho de Marselha; receio o frio da passagem pelos Alpes por causa dos meus pulmões não muito fortes.

Assim, não sei qual será o dia da minha chegada a Roma; avisarei quando estiver em Livorno. Até breve. Rezai por mim.

A gente enviará a gramática italiana de Paris na próxima sexta-feira.

  1. Chevrier

A João Broche 120 (99)

[A JOÃO BROCHE]

  1. M. J. [Marselha, 15 de março de 1877]

Meus caros filhos

Estou em Marselha desde ontem à tarde, quarta-feira; vou ficar aqui um dia ou dois para descansar e me curar de um forte resfriado que apanhei domingo no locutório do Prado.

Estou com pressa de chegar, e sinto-me envergonhado de ser obrigado a tomar precauções por causa deste pobre corpo para que ele possa servir ainda um pouco e para que eu possa terminar a obra que o bom Deus me confiou.

Se não puder partir amanhã, terei que fazer uma parada no domingo em Genova, porque não queria viajar no domingo. Portanto, se não chegar no sábado no trem das 2h15 horas, chegarei seguramente na segunda-feira, no mesmo trem.

Rezem por mim e pelo meu companheiro de viagem, enquanto espero poder ver-vos e abraçar-vos.

Todo vosso.

  1. Chevrier

A Cláudio Farissier 121 (117)

[A CLÁUDIO FARISSIER]

  1. M. J. [Roma, 22 de maio de 1877]

Caros amigos

O altar que me designastes em São Pedro está reservado para um cardeal que deve celebrar o dia da Santíssima Trindade; creio que será muito mais conveniente seguir o primeiro pensamento que é de celebrar a vossa primeira Missa na “Missão”; estareis muito mais tranquilos e, tendo todas as permissões dos Padres, sereis tratados como filhos da casa, enquanto que no outro lado seríeis sempre estranhos, e depois, regnum Dei intra vos est. Quando temos Jesus Cristo, isso é tudo. Tereis mais com Jesus Cristo se O possuís realmente, do que com tudo o resto. Não procuremos nenhuma satisfação na terra. Pio IX quis rezar a sua primeira Missa num hospital. Procuremos, nós também, o que há de menor, de mais humilde, de mais escondido; esse é o nosso quinhão. Se tivermos conosco Jesus Cristo e o seu espírito, isso é tudo o que devemos procurar.

Nos dias seguintes podeis satisfazer as vossas pequenas devoções, mas na primeira vez o pensamento de Nosso Senhor deve absorver todo o vosso coração e todo o vosso espírito. Adeus, a Jesus Cristo. Como sereis grandes quando forem padres, mas é preciso ser pequenos ao mesmo tempo para ser verdadeiramente novos Jesus Cristo sobre a terra; lembrai-vos que deveis representar o Presépio, o Calvário e o Sacrário, que estes três sinais devem ser como estigmas que deveis levar continuamente convosco; os últimos sobre a terra, os servos de todos, os escravos dos outros pela caridade, os últimos de todos pela humildade. Como é belo, mas como é difícil. Só o Espírito Santo no-lo pode fazer compreender. Oxalá o recebam com abundância; tereis tudo se o receberdes na vossa ordenação, e eu terei realmente feito uma obra agradável a Deus fazendo-vos padres, e terei ao menos filhos que rezarão por mim e que pedirão graça e misericórdia quando o bom Deus me chamar para Ele, e terei filhos que continuarão a sua obra sobre a terra, a obra da evangelização dos pobres que era a grande missão de Jesus Cristo sobre a terra: Misit me Evangelizare pauperibus. Oxalá o possais compreender bem e não vos desviardes desta bela missão; era a de S.Vicente de Paulo, o apóstolo da caridade.

Confiança, coragem, amor, alegria, paz e consolação neste belo dia que deverá fazer de vós os anjos da terra, os Mensageiros do Altíssimo, os advogados dos pecadores, os ecônomos e os dispensadores dos dons de Deus, os verdadeiros amigos de Deus e dos homens, novos Pedro, novos Paulo, novos apóstolos no mundo, quam pulchri sunt pedes. Se os pés são belos, como serão belos os corações, as mãos, a cabeça e tudo o resto que não toca a terra.

Rezo por vós e reservo para mim a vossa primeira bênção.

Todo vosso. Amanhã seremos verdadeiramente irmãos.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Ardaine

Ao Senhor Padre Ardaine 122 (57)

  1. M. J. 20 de novembro de 1873

Caro Colega e amigo,

Estou voltando da casa do Sr. Bispo. Disse-me que o seu assunto vai resolver-se e que você será em breve dos nossos.

Agradeço ao bom Deus a graça que nos concede de nos dar um bom companheiro, muito dedicado, muito zeloso; porque acredito que é realmente para trabalhar para a glória do nosso comum Mestre e para a salvação das almas, que se vem juntar a nós. Traga a sua boa vontade e uma boa submissão e tudo ocorrerá bem.

Chegando ao Prado, encontrará muitos padres, cinco; mas poucos se ocupam da casa e das nossas crianças; ocupam-se muito do exterior. Para mim, faz-me falta um bom padre que se ocupe do interior, que não ande de um lado para o outro. Temos tanto trabalho no interior! A nossa escola clerical, as nossas Primeiras Comunhões, meninas e meninos, as catequeses de todas as noites, os perseverantes, as confissões; o trabalho é imenso para quem tem um pouco de zelo e quer trabalhar.

Assim, portanto, venha com o seu bom coração, com boas intenções e ficaremos felizes de tê-lo conosco.

Começará simplesmente, sem ruído, sem ter a aparência de quem quer fazer, dizendo que pediu autorização ao Sr. Bispo e que ele concordou. Lhe darei um trabalho e tudo irá bem.

Vamos, estou muito contente e agradeço ao bom Mestre; espero que tudo seja para sua glória e felicidade de nós todos e sobretudo dos nossos pequenos clérigos.

Adeus; espero que receberá em breve uma carta do Arcebispado.

Os meus cumprimentos sinceros.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre…

Ao Senhor Padre… 123 (536)

  1. M. J. 21 de novembro de 1873

Muito venerado colega

Parece-me que enquanto não houver na casa uma forma de vida regular com a qual nos deveremos conformar aceitando-a de bom coração para a glória de Deus e a salvação do próximo,

não devo ceder a ninguém uma autoridade completa e independente para a direção da obra ou de uma parte da obra deixando assim a outro a liberdade de dar uma direção que eu não aprovaria ou que me contrariaria.

Nem associar-me a ninguém no que diz respeito aos interesses materiais.

Parece-me que o primeiro laço é o do espírito e do coração e unir-se sem este primeiro laço é tornar-se infeliz e prender-se com correntes.

Todavia, no caso de morte imprevista, a minha intenção é deixar-vos em testamento os meus direitos sobre a casa, a menos que entretanto me cheguem outros padres que me convenham mais.

É isto o que acreditei ter compreendido diante de Deus e o que os meus superiores me aconselharam.

Com uma sincera veneração,

seu todo dedicado em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ao Senhor Padre Favier

Ao Senhor Padre Favier 124 (155)

SENHOR PADRE FAVIER, VIGÁRIO DE MAROLS, LOIRE

  1. M. J. [Lyon,] 27 de janeiro de 1874

Senhor padre

São estas as condições que impomos aos jovens que se apresentam para estudar e que têm mais de 16 anos. Recebemo-los como irmãos durante um ano; durante este ano examinamos a sua vocação e depois admitimo-los ao latim, ou então mantemo-los como irmãos ou voltam para as suas famílias, segundo a decisão deles.

Se este jovem quer entrar nestas condições poderá entrar depois da Páscoa ou talvez antes se eu tiver um emprego para lhe dar.

Receba as minhas saudações afetuosas em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

A Maurício Daspres e Leão Ferrat, Seminaristas

A Maurício Daspres 125 (139)

[A MAURÍCIO DASPRES]

  1. M. J. [Prado, 26 de dezembro de 1875]

Querido filho,

Recebi as tuas duas cartas nas quais vejo, com alegria, que fazes esforços para perseverar nas tuas boas resoluções; coragem e perseverança: no caminho da virtude é preciso retomar a coragem todos os dias e, como diz o nosso divino Mestre, é preciso tomar a cruz todos os dias.

A bela festa do Natal que celebramos ontem lembra-nos as belas virtudes da pobreza e da humildade das quais gostava de lhe falar e que são o fundamento da vida cristã e sobretudo da vida sacerdotal, porque essa é a meta da nossa vida: a simplicidade, a pobreza, imitar Nosso Senhor sendo ele mesmo pobre e trabalhando para evangelizar os pobres, Misit me evangelizare pauperibus.

Não deixes passar estas belas festas sem entrar no espírito de pobreza e humildade; tenho para te anunciar a boa notícia que todos os nossos companheiros do Seminário Maior receberam o Subdiaconato pelo Natal; eu assisti à ordenação; o Senhor Blettery entrou no Seminário Maior.

A nossa pequena escola clerical aumentou muito; conta 40 alunos; se eles forem todos santos mais tarde, mas um bom número ficará para trás; todos os antigos te enviam cumprimentos, assim como as Irmãs, e a tua lembrança está muitas vezes presente no seu espírito.

Continua a trabalhar com coragem e ardor, seja muito fiel ao teu pequeno Ofício e ao teu Rosário e à Via-Sacra todas as semanas; é preciso também escrever de vez em quando aos companheiros do Seminário Maior para alimentar as boas relações que fortalecem e mantêm a alma na piedade e no amor aos bons amigos.

Adeus, meu caro filho. Apresenta os meus cumprimentos ao Senhor Reitor, ao teu professor atual e ao do ano passado.

Reza de vez em quando por nós.

Receberei sempre com prazer notícias da tua parte. Se tiveres necessidade de qualquer coisa, faz-me saber.

Todo em Nosso Senhor e por amor a Ele.

  1. Chevrier

A Maurício Daspres 126 (140)

[A MAURÍCIO DASPRES]

  1. M. J. [Prado,] 16 de fevereiro de 1876

Caro filho

Proponho-me sempre te visitar assim como a esses bons companheiros do Seminário, e há sempre qualquer coisa que me impede; sabes o trabalho que tenho nesta pobre casa.

Recebi o boletim dos teus postos e notas das aulas; coragem, caro filho, paciência, perseverança, continua a trabalhar muito e a rezar. Não esqueças os pequenos exercícios de um bom seminarista e de um bom terciário de S. Francisco: o Ofício de Nossa Senhora, o Rosário, a Via Sacra todas as semanas. Irei ver-te em breve e reservarei um dia apesar de tudo.

Indica-me o caminho e o meio de partir de manhã e regressar à tarde ao Prado.

Tudo vai bastante bem em casa; os companheiros do Seminário também não estão mal. Todos te enviam cumprimentos e [eu] desejo-te mil bênçãos do bom Deus.

  1. Chevrier

Diz-me o que é preciso levar, se tens necessidade de alguma coisa.

A Leão Ferrat 127 (148)

[A LEON FERRAT]

  1. M. J. [Vichy, agosto de 1876]

Caro Leão

Estou instalado em Vichy há doze dias.

Nos últimos dias estou um pouco melhor mas continuo a sentir uma grande fraqueza e o estômago ainda não está restabelecido o suficiente para digerir todo tipo de alimentos; mas isto vai um pouco melhor e espero voltar depois da Assunção.

E você, como vai? Tem estudado bem? As coisas estão arranjadas para que possa ficar durante as férias?

Faça provisão de ciência, de piedade e de boa saúde, para fazer uma boa filosofia e não ficar atrás do seu bom predecessor Daspres.

Se o Senhor e a Senhora Chanuet estiverem em “Toussaint”, apresente-lhe as minhas homenagens e agradecimentos muito sinceros por tudo o que fazem por ti e por mim.

Cumprimentos ao seu professor. Saudações respeitosas ao pároco assim como ao Senhor e à Senhora Place.

Não esqueça as boas Irmãs do Santíssimo Sacramento de quem conservo uma boa recordação.

Sou no coração de Jesus nosso Mestre, vosso dedicado padre.

  1. Chevrier

em Vichy, em casa do Senhor Desgouthes, Chefe de Alfândega Municipal, rua de Paris. Allier

A Maurício Daspres 128 (141)

[A MAURÍCIO DASPRES]

  1. M. J. 30 de setembro de [1876]

Caros pequenos irmãos e amigos

Recebi com gosto as vossas notícias. Desejo de todo o coração que cresçais na ciência e na sabedoria; são as duas glórias do padre e sem estas duas condições ele só pode servir pela metade o bom Mestre.

Trabalhai com ardor para crescer cada vez mais na vossa santificação. Não descuideis a meditação de cada dia, o Ofício, a devoção ao Espírito Santo, o Rosário e a Via-Sacra. É na prática destas devoções que encontrareis o conhecimento de Jesus Cristo, vosso Mestre. Recordai de vez em quando o que vos disse sobre a pobreza, porque esta virtude é a base da nossa vida e foi por ela que Nosso Senhor começou a sua vida na terra.

Escrevam-me todos os meses e cada um por sua vez para me darem conta da vossa conduta e do cumprimento dos vossos diferentes exercícios de piedade; repreendei-vos uns aos outros dos vossos defeitos, é uma boa maneira de os corrigir e, repreendendo-se assim, exerce-se um grande ato de caridade para com os irmãos e aquele que recebe a observação faz um ato de humildade agradável a Deus e útil à sua alma. Sede fiéis a todas estas coisas e respondereis aos desígnios do bom Deus sobre vós e aos sacrifícios que nos impomos pela vossa vocação; temos muito que fazer para nos tornarmos santos; é preciso começar cedo este grande trabalho; não devemos esperar ser padres para adquirir as virtudes sacerdotais, é preciso começar desde a infância e praticá-las. Coragem e confiança. Não esqueçais os exercícios de piedade e dai-me conta disso todos os meses; é o que exijo de vós.

Os meus respeitos ao Senhor Reitor e uma saudação afetuosa e reconhecida aos vossos bons professores.

Se tendes necessidade de qualquer coisa, dizei-me.

Vosso muito dedicado servo e pai em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

A Maurício Daspres 129 (142)

[A MAURÍCIO DASPRES]

  1. M. J. 15 de fevereiro de [1877]

Caros amigos

Recebi o vosso boletim trimestral; vi com alegria que estudam bem e que se esforçam por obter um bom resultado; façam o mesmo também no que diz respeito à sabedoria e sejam sempre fiéis aos pequenos exercícios de piedade, ao Rosário, à Via-Sacra, ao Ofício.

Oh! como é necessário rezar, caros filhos, para aprender alguma coisa; como um padre deve conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho; está tudo aqui. Estudai bem o Evangelho e conformai a vossa vida à de Jesus Cristo, é isso o padre; escutai bem as instruções que vos são dadas pelos vossos mestres, a fim de avançardes ao mesmo tempo na virtude e na ciência.

Rezo por vós todos os dias. Rezem também por mim para que eu cumpra bem a grande tarefa que Deus me confiou e que eu faça de todos vós santos, padres segundo o coração de Deus.

Deem-me notícias de vez em quando. Mesmo quando não lhes respondo logo em seguida, gosto de receber as vossas cartas e saber o que fazem e como vão. O nosso irmão Leão esteve um pouco doente mas espero que não seja grave; Maurício deve cuidar dele, porque é enfermeiro. O padre Dutel deve ir ver-vos em breve.

Comportem-se sempre bem.

Os meus respeitos aos vossos bons professores e ao Senhor Reitor e sou seu muito dedicado.

  1. Chevrier

A Maurício Daspres 130 (143)

[A MAURÍCIO DASPRES]

  1. M. J. Roma, 25 de abril de [1877]

Queridos amigos

Há um mês que estou em Roma para preparar os vossos quatro irmãos mais velhos para o sacerdócio e para a grande missão de catequistas que o bom Deus nos confiou; oxalá possamos preparar-nos bem; todo o meu desejo é preparar bons catequistas para a Igreja e formar uma associação de padres que trabalhem com este objetivo; esta era a grande missão de Nosso Senhor: Misit me evangelizare pauperibus. Oxalá que possais crescer nestes pensamentos e vir a ser padres zelosos, dispostos a ir por toda a parte evangelizar os pobres.

Estou muito contente com os detalhes que me destes sobre as vossas provas; vejo que trabalhais bem, que aproveitais bem o tempo e que os vossos mestres estão contentes. Peçam ao Senhor Reitor que me envie o vosso boletim para esta direção: Via d’ell orazione e morte, 92. Roma.

Poderei ver o resultado do trimestre porque não o enviariam de Lyon.

Coragem pois, caros filhos, não se aborreçam com as pequenas contrariedades que podem vir, é preciso habituarem-se a isso; as humilhações e os sofrimentos é que fazem homens verdadeiros; um homem que não sofreu nada e que não resistiu nada não sabe nada e não é bom para nada. Os que são sempre lisonjeados e venerados, não são mais que massas moles; quanto mais fordes desprezados, esbofeteados, injuriados, humilhados, mais sereis grandes, fortes e bons para o serviço de Deus.

Não descuideis os vossos exercícios piedosos: o Rosário, a Via-Sacra, o Ofício e as pequenas correções fraternas quando for preciso.

Sede submissos aos vossos mestres, bons e caritativos para com os vossos irmãos, não tenhais medo de lhes prestar todos os serviços possíveis e de tudo suportar sem vos queixardes; tornai-vos homens fortes e corajosos; que o bom Deus vos dê a saúde da alma e do corpo, e que volteis cheios de força para o bem, para em breve trabalhardes para converter o mundo e serdes bons pequenos missionários de bom Deus.

Rezai por nós, eu sei que o fazeis.

Os nossos diáconos, vossos irmãos, saúdam-vos; eles passaram a prova para a ordenação e dentro de um mês subirão ao altar, e mais tarde será a vossa vez.

Que o bom Mestre vos conceda a mesma graça que a eles.

As minhas saudações muito respeitosas ao Senhor Reitor. As minhas saudações afetuosas e reconhecidas aos vossos professores de filosofia e de retórica.

Para vós os meus cumprimentos e o meu sincero afeto.

Que o bom Jesus vos abençoe.

  1. Chevrier

A Maurício Daspres 131 (144)

[A MAURÍCIO DASPRES]

  1. M. J. [Férias de 1877]

Caro amigo

Autorizo que acompanhe Leão à Grande Cartuxa se isso lhe puder fazer bem.

Mas gostaria mais que viessem os três em conjunto passar três dias aqui, porque todos têm necessidade de descanso

e Nosso Senhor levava os seus apóstolos com Ele.

Estou muito contente com o vosso trabalho e espero que o bom Mestre abençoe os vossos esforços e que eles deem bons frutos.

Vosso muito dedicado.

  1. Chevrier

A Maurício Daspres 132 (145)

[A MAURÍCIO DASPRES]

  1. M. J. [Prado,] 10 de dezembro de [1877]

Caro amigo

Vejo com alegria que estás muito contente no Seminário Maior e espero que esta estadia seja para ti um aumento de fé, de piedade e de amor para com Nosso Senhor. Quanto mais nos aproximamos do fim, mais é necessário ter coragem e crescer nas virtudes que preparam para o sacerdócio, pois o Seminário Maior é para preparar especialmente para este grande ministério; recomendo-te particularmente a oração que é a base de todas as graças espirituais; aquele que reza obtém tudo de Deus, e como é difícil tornar-se um bom padre, é preciso rezar muito para obter essa graça; sabes quais são as orações habituais da nossa casa: o Rosário, a Via-Sacra; assim, pois, recitando com muita exatidão o Rosário e fazendo muito fielmente a Via-Sacra, aprenderás a conhecer Nosso Senhor, a amá-lo e a imitá-lo. Não esqueças o Ofício, penso que o podes recitar todos os dias junto com os teus irmãos.

Celebramos hoje a nossa festa de 10 de dezembro, 17º aniversário da fundação da nossa casa; recebemos 8 pequenos alunos do cordão de S. Francisco e demos-lhes autorização para usarem o hábito do coro; a nossa escola clerical está muito cheia; oxalá saiam dela padres segundo Jesus Cristo, nosso divino Modelo, e serem como Ele animados do seu espírito de pobreza e de sacrifício para serem úteis às almas.

O Senhor Leão está em Limonest, está muito contente, é prefeito de estudos, e o Senhor Jaillet ajuda-o a repetir a filosofia e o latim, de modo que não perca o seu tempo e espero que no próximo ano ele esteja mais forte e possa seguir melhor [os estudos].

Dentro de alguns dias, enviaremos a sobrepeliz que pedes.

A minha saúde está sempre muito frágil, não retomo as forças e tusso sempre muito, não sei quando poderei te ver.

Apresenta ao Senhor Reitor os meus agradecimentos muito sinceros por todas as atenções que teve para contigo e procura tornar-te digno dos seus cuidados pela tua boa conduta, pela tua piedade e pelo teu trabalho. Sê muito humilde e procura corrigir-te um pouco desse aspecto forçado, dessa espécie de timidez exterior que tens quando te apresentas diante de alguém ou quando lhes falas; o atrevimento não vale nada, mas uma timidez muito grande que vai até te fazer tremer ou balancear também não vale nada; há que caminhar com simplicidade, com franqueza e deixar tudo o que pareça infantil demais, e adquire um pouco este equilíbrio que vem da sabedoria e da convicção da fé e da força do amor de Deus.

Vamos, coragem, caro filho, todos os companheiros te enviam cumprimentos e te abraçam de todo o coração, falamos muitas vezes de ti e gostamos muito de ti.

A minha mãe está um pouco melhor.

Reza por nós; nós não te esquecemos. Se tiveres necessidade de qualquer coisa, faz-nos saber, nós te enviaremos.

Todo teu em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

A Maurício Daspres 133 (146)

[A MAURÍCIO DASPRES]

  1. M. J. [Prado,] 1 de março de [1878]

Querido amigo

Respondo um pouco atrasado às cartas que me dirigiu por ocasião da minha festa e do Ano Novo; mas, se não lhe escrevo com frequência, penso muitas vezes em ti diante de Nosso Senhor e também não o esquecemos nas nossas pequenas conversas com os companheiros. Alegramo-nos de poder ter mais tarde em ti um bom operário do bom Deus que nos ajudará a realizar a obra tão grande e tão bela de evangelizar os pequenos e os pobres. Prepare-se bem para esta grande missão instruindo-se bem no estudo e sobretudo na oração, porque aprendemos muito na oração, e é ao pé do crucifixo que descobrimos os insondáveis mistérios do bom Deus; era aí que os santos iam beber os grandes ensinamentos que depois davam ao mundo, porque Jesus Cristo é a Verdade e é junto dele que encontramos esta verdade que ilumina e que aquece a alma.

Seja sempre muito fiel, caro filho, aos seus pequenos exercícios de piedade: o Rosário, a Via-Sacra, o Ofício, um pouco de Hora Santa quando puder, a fim de viver em união conosco pelo pensamento e pelo coração.

Sua Eminência o Cardeal teve a bondade de nos visitar antes da sua partida para Roma e foi muito benévolo para com aquilo que nos diz respeito; trouxe-me o pequeno regulamento de vida com uma pequena nota de seu punho pela qual nos aprova e nos abençoa. Agora só temos que continuar e seguir o pequeno regulamento de vida que nos foi prescrito, e tornarmo-nos sobretudo bons catequistas porque é esta a nossa meta a fim de que possamos em seguida ir ensinar e catequizar por todo lado onde houver necessidade. Reze sempre para que a causa de Deus cresça e triunfe sobre o mal e que pela instrução possamos fazer prevalecer o bem sobre o mal que é tão grande no mundo.

Todos os companheiros estão bem e enviam-lhe cumprimentos afetuosos; a minha saúde não está forte, mas estou melhor após alguns dias de descanso.

Será um verdadeiro prazer ir vê-lo daqui a algum tempo e ver também o Senhor Reitor, tão bom para si, e agradecer-lhe todos os seus favores.

Não o esqueço junto do bom Mestre, reze também por nós, e creia sempre no afeto do seu dedicado em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

A Maurício Daspres 134 (147)

[A MAURÍCIO DASPRES]

  1. M. J. [Prado,] 8 de junho de [1878]

Querido filho em Nosso Senhor

Soube com alegria que foi chamado à Tonsura pelos seus Superiores; é uma grande honra ser chamado a levar esta coroa espiritual que nos lembra que somos os escolhidos por Deus e que compartilhamos a coroa que Ele levou na terra e que nós teremos parte naquela que Ele possui no céu.

Ao receber a Tonsura, converte-se especialmente em súbdito deste rei divino que foi coroado de espinhos e que, por esta coroa, adquiriu os reinos da terra. Entre portanto com alegria nesta santa milícia dos verdadeiros soldados de Jesus Cristo; lembre-se que se separa do mundo e que deixa o supérfluo, todas as vaidades da terra representadas nestes cabelos que tantas vezes pedem cuidados exagerados e que é preciso deixar para se unir ao divino Mestre, porque aquele que se prende ainda às coisas da terra não pode ser de Jesus Cristo. Aquele que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo, diz-nos Ele no seu Evangelho.

A renúncia às coisas da terra, às vaidades do mundo e ao mundo, é a primeira coisa a fazer para pertencer realmente a Jesus Cristo; seja generoso, caro filho, nesta circunstância e renuncie a tudo para se dar a Jesus Cristo; quanto menos guardamos para nós, mais somos de Jesus Cristo e como é preciso que seja todo para Ele, é preciso que não guarde nada para ti.

Gostaria muito de assistir à sua primeira tonsura, mas a minha saúde continua débil, não posso fazer nenhum trabalho e de vez em quando tenho que passar alguns dias na cama como consequência de vômitos que me vêm.

Rezaremos a Deus por ti na véspera da Santíssima Trindade. Rezaremos a Missa por ti e o veremos chegar com muita alegria no meio de nós; como está mais perto da casa dos seus pais pode ir vê-los ao sair do Seminário e vir aqui em seguida.

Diga-me quanto devemos ainda ao Seminário a fim de que lhe envie o dinheiro necessário; você também deve ter necessidade de um pouco de dinheiro.

Se tiver necessidade de uma batina para sábado e de uma sobrepeliz, enviaremos para ti.

Adeus, caro amigo, que Deus o abençoe, que o Espírito Santo o encha dos seus dons durante esta semana e o transforme como transformou os apóstolos e faça de ti um verdadeiro santo. É isto que peço a Deus para ti pela intercessão da Sta. Virgem Maria.

As minhas saudações mais sinceras ao Senhor Reitor.

  1. Chevrier

A Leão Ferrat 135 (149)

[A LEÃO FERRAT]

  1. M. J. 22 de julho de [1878]

Querido Senhor Leão

Alegra-me saber que está desempenhando bem o seu cargo; continue assim, cuide bem das minhas crianças, continue a estudar quando for necessário, não se preocupe com as palavras de uns e de outros; há alguns com muito más intenções, que só se ocupam em falar mal de uns e de outros. Seja firme e assista regularmente aos exercícios religiosos.

Coragem e perseverança. Que Deus o abençoe.

  1. Chevrier

A Wilhelm Antoni

A Wilhelm Antoni 136 (150) [1]

AO MEU PEQUENO WILHELM, NO PRADO

  1. M. J. [Roma,] 16 de abril de [1877]

Meu pequeno amigo

Recebi a pequena carta que me escreveste por ocasião do meu aniversário de nascimento.

Fiquei muito contente com os sentimentos que ela contém. O meu grande desejo é ser útil a todos vós; estou na terra somente para fazer a vontade do bom Deus e, se o bom Deus quer que por meu intermédio vos torneis bons padres, ficarei muito feliz e ficarei muito contente se fizer do meu pequeno Wilhelm um pequeno santo; mas para isso é necessário que eu o seja também; há que rezar muito a Deus por mim, a fim de que possa cumprir a tarefa que Deus me confiou e que todos nós sirvamos o bom Deus na humildade e na caridade.

Porta-te sempre bem, caro filho,

cuida de ti por causa das dores de cabeça, elas passarão pouco a pouco.

Os companheiros enviam-te cumprimentos e pedem que rezes pela sua ordenação.

Adeus, caro filho, que o bom Deus te abençoe.

  1. Chevrier

Ao Wilhelm Antoni 137 (151) [2]

AO SENHOR WILHELM ANTONI

  1. M. J. 5 de outubro de 1878

Querido filho

Junto uma pequena palavra à carta da Senhora Grivet. Espero que passe umas boas férias e que volte em breve com boa saúde e em boa forma; estou seguro de que o tempo para voltar se torna longo, como é longo também para nós para o ver de novo, assim como para todas as nossas crianças. Os alunos de retórica vão partir em breve para Alix. Se quiser vê-los antes da partida, seria necessário voltar antes de 15 deste mês. Reze ao bom Deus para que se tornem dignos do chamamento de Nosso Senhor e, que indo à vossa frente no caminho do sacerdócio, mostrem a todos também o caminho da virtude e da sabedoria.

Apresente as minhas saudações afetuosas aos seus bons pais. Os meus respeitos ao Pároco.

A minha saúde continua muito frágil, não posso tomar alimento, o corpo vai-se embora, mas é preciso que o bom Deus nos ajude a terminar o que Ele começou.

Não descuide as suas orações, o Rosário, a Via-Sacra, o Ofício e a Santa Comunhão e volte em breve e em forma.

Vosso muito dedicado Pai em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

A Wilhelm Antoni 138 (152) [3]

A WILHELM ANTONI

Deus é infinitamente bom, infinitamente justo, infinitamente perfeito, tudo o que faz é muito bem feito, não devemos nos preocupar com nada. Quando o bom Deus coloca alguém num lugar, ele deve estar bem aí, porque está aí pela vontade de Deus que é infinitamente justo e infinitamente bom.

Ao Senhor Padre Marcoux

Ao Senhor Padre Marcoux 139 (157)

AO SENHOR PADRE MARCOUX, VIGÁRIO DE COUTOUVRES

  1. M. J. Prado, 3 de dezembro de 1877

Senhor padre

A saúde de Planus não lhe permite continuar conosco. Lamento-o sinceramente, porque é um aluno de quem gostamos muito e que cumpre seriamente o seu dever. Espero que depois do inverno e com os cuidados da sua família, possa voltar mais forte na primavera. Permita-me que o recomende à sua caridade e peço que, de vez em quando, corrija alguns dos trabalhos que lhe enviaremos. Ele ficará feliz ao pensar que o ano não ficará inteiramente perdido para ele no que diz respeito aos estudos.

Queira receber as saudações muito sinceras do seu dedicado servo.

  1. Chevrier

A… Seminarista

A… Seminarista 140 (158)

O Padre Chevrier encarrega-me de te dizer que recebeu com muito agrado a carta que lhe escreveste durante as férias

e que o início das aulas será na segunda-feira, 19 de outubro corrente.

O teu amigo.

A…

A… 141 (153)

Caro filho

Pensamos dar-lhe uma pequena explicação sobre o Rosário, a Via-Sacra, a Missa e os Mandamentos de Deus porque estas são orações de religião que o cristão pratica quase todos os dias ou uma vez por semana e é importante conhecer bem estes atos para podê-los praticar bem; o Terço e o Rosário, não há cristão que não os reze de vez em quando; a Via-Sacra está estabelecida em todas as igrejas e é uma das devoções mais antigas e mais úteis; para a Missa, todo cristão é obrigado a ouvi-la todos os domingos.

É preciso conhecer os Mandamentos de Deus para examinar a consciência e confessar-se bem.

O estudo destas coisas é portanto muito útil, é preciso que nós mesmos as saibamos para vo-las ensinar e é preciso que você as saiba para as praticar.

Nós as oferecemos a você com muita simplicidade. Oxalá lhe possam ser úteis.

A João Cláudio Jaricot Padre

A João Cláudio Jaricot Padre 142 (77) [1]

[A JOÃO CLÁUDIO JARICOT]

  1. M. J. [Vichy, agosto de 1876]

Querido irmão e amigo

Li com muito prazer a bela carta que me escreveu há alguns dias, e que exprimia todos os sentimentos de afeto e adesão que contém o seu coração por nós e pela nossa obra. Bendigo ao Senhor por isso e peço-lhe que faça crescer em vós os bons sentimentos de pobreza, de amor pelos pobres e vivo interesse pela catequese aos ignorantes, porque é essa a nossa meta; e se o bom Deus fizer crescer a nossa obra, que nos dê a graça de cumprir todos os encargos e obrigações; mas não são tanto as obras que devemos ambicionar, mas a nossa santificação. Devemos procurar e ter acima de tudo o espírito de Nosso Senhor e a sabedoria, porque sem ela, nunca poderemos nem saberemos fazer nada, e aquele que não tem sabedoria, mais do que edificar, põe a perder as obras de Deus. Procuremo-la portanto com alegria, com diligência.

Que Deus seja bendito em todas as coisas. Eu estou bastante melhor: o descanso, os banhos, a boa alimentação têm-me fortalecido; o meu estômago ainda não está completamente restabelecido, porque não posso suportar toda espécie de comida, e joga-a fora quando tomo certos alimentos; mas, fora disso, estou muito melhor; espero que o bom Deus me dê ainda tempo para terminar a obra que me confiou, que possa ir a St. Fons trabalhar algum tempo, para mergulhar na oração e no estudo de Nosso Senhor para comunicar a todos esta vida divina e sobrenatural que nos é tão necessária para sermos úteis à Igreja. Sinto que é este o meu trabalho e que devo me entregar a ele; o que me dá confiança é que tenho comigo bons operários, muito dedicados e unidos, que o bom Deus seja bendito.

Pede-me duas coisas na sua carta.

Quanto ao assunto da Senhora de Marguerie, não o podemos aceitar senão na medida em que, mais tarde, poderemos estabelecer uma obra nesses países; se pensa que isso é possível, avance, mas se não temos esperança, não devemos nos encarregar inutilmente de uma casa.

Quanto à Senhora Teresa, é preciso ir com calma; como sabe, a nossa casa deve ser vista como o refúgio dos infelizes, dos desesperados, a casa daqueles que não têm nada e daqueles que são rejeitados por todos. Considerando que nós próprios não somos nada, seres que são o refugo do mundo e que não merecem ter um abrigo, devemos estar cheios de compaixão e de caridade para com os outros. Se esta jovem é prejudicial às jovens postulantes, deve-se separá-la das outras, e seria mesmo ainda melhor colocá-la junto da Irmã Verônica, recomendando-a, e explicando-lhe as razões que temos para não a manter em Limonest, e evitar quanto possível as suas relações com as outras, fazer-lhe compreender os seus defeitos e os seus erros, e aprender com isto a não confiar senão quando se conhecem bem as pessoas, e é preciso tempo para conhecer as pessoas; se, depois de empregar todos os meios, não lhe podermos ser úteis, será necessário mandá-la embora.

Para evitar de imediato o mau efeito causado pelas suas ações e palavras, mais vale enviá-la já à Irmã Verônica e dizer à Irmã Verônica que a jovem não tenha outros contatos fora dela.

Coragem, caro Irmão, as misérias do mundo são grandes, mesmo na religião; é a consequência do pecado, compete-nos a evitá-lo.

As minhas saudações a todas as Irmãs.

Rezemos todos uns pelos outros.

Seu dedicado.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot Padre 143 (78) [2]

[A JOÃO CLÁUDIO JARICOT]

  1. M. J. [Prado, fim de outubro de 1876]

Querido Padre e amigo

Aqui tem a carta que o Sr. Bispo me enviou esta tarde para os nossos padres. Como o Sr. Bispo não estava ontem à tarde, escrevi-lhe uma carta cuja resposta lhe envio agora. A entregará logo ao Padre Eschbach, reitor do Seminário francês, que resolverá as coisas.

Falei com o Senhor Richoud sobre a sua estadia em Roma; disse-me que pode ficar aí o tempo que for necessário. Assim, pois, uma vez que os nossos jovens estejam definitivamente instalados, que tudo funcione normalmente, e que você julgue que a sua presença já não será necessária, poderá regressar.

Escreva-me dentro de alguns dias contando como vão as coisas. Rezamos todos ao bom Deus por todos vós, a fim de que aproveiteis bem de tudo para crescer na fé e no amor ao bom Deus.

Nós vamos todos bastante bem. Eu agora estou bastante melhor. Espero em breve retomar todo o meu trabalho. Todos os companheiros lhe enviam cumprimentos.

Acabo de chegar de Limonest. Toda a gente vai bastante bem e deseja o seu regresso.

Adeus, cumprimentos a todas as minhas crianças. Dê-me notícias de vez em quando. Recebi a última carta do Senhor Broche.

Que Deus vos abençoe a todos.

Reze por mim que não o esqueço.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot Padre 144 (79) [3]

[A JOÃO CLÁUDIO JARICOT]

  1. M. J. [Roma, 19 de março de 1877]

Caro irmão e amigo

Obrigado pela sua carta que encontrei ao chegar, porque só cheguei a Roma hoje, segunda-feira, às 2 horas. Passei dois dias em Marselha, e o domingo em Genova, para me curar do resfriado e descansar. Estou melhor; a tosse está menos forte, e tenho apenas uma rouquidão que também passará.

Encontrei os meus quatro clérigos em boa forma e muito felizes; só desejo uma coisa, que a minha estadia aqui seja útil para eles e para mim também. Recomendo-me para isso às suas orações, porque tenho muita necessidade delas.

Alegra-me saber que a Irmã Maria-Bernardina recebeu os sacramentos e que está melhor; esperemos que Deus a conserve. Diga-lhe da minha parte que a sua doença será muito útil, tornando-a mais humilde, mais submissa e mais centrada na obra de Deus. Tenha coragem e seja muito humilde e muito obediente, e tudo irá bem. Rezo por ela, e ela que reze um pouco por mim.

Apresente as minhas saudações paternais a todas as Irmãs de Limonest, à Irmã Maria e às outras, ao irmão Tiago e ao irmão José; cumprimentos a todos.

E para ti os meus cumprimentos muito afetuosos e muito sinceros. Faz bem em evitar que as multidões se dirijam a Santo André por causa das aparições, porque as aparições de papel não o merecem. Ficamos rindo muito disso.

Reze por mim.

Todo seu.

  1. Chevrier

Os Padres daqui enviam saudações respeitosas.

A João Cláudio Jaricot Padre 145 (80) [4]

AO R. P. JARICOT, CAPELÃO DA PROVIDÊNCIA DE SANTO ANDRE EM LIMONEST, RHÔNE, FRANÇA

  1. M. J. Roma, 26 de março de 1877

Caro irmão e amigo

Os seus pensamentos sobre o sacerdócio são muito verdadeiros. Quantas vezes eu também pensei que faria bem em ir para as esquinas das ruas engraxar sapatos, e que isso seria muito melhor para a minha salvação, e que não me condenaria, nem talvez os outros.

Mas, meu bom amigo, estando onde estamos, já não é tempo de recuar, é preciso forçar o bom Deus para que nos dê o que nos falta; e depois, o bom Deus tem tanta necessidade de operários que os vai buscar onde pode, e nem sempre os encontra como queria; a sua vinha é grande; e depois, há tanta diversidade de trabalhos no seu campo! Contentemo-nos com o menor, e estaremos sempre mais tranquilos com a nossa sorte e com a daqueles com quem trabalhamos. Tenhamos sempre coragem; se um dia formar uma sociedade de engraxadores, o tomarei comigo, não trabalharemos mal juntos, somente eu quase não posso correr, porque transpiro muito, mas ficarei na esquina para guardar a caixa, enquanto você fará o trabalho; entretanto, continuemos a nossa pequena missão.

Alegro-me em saber que a Irmã Maria-Bernardina está melhor, que o bom Deus seja bendito; espero que esta filha nos ajudará, e que a doença a terá ligado mais às Irmãs e à obra.

Envie-me, logo que possa, a lista completa dos nomes dos que fazem parte da Ordem Terceira, a fim de poder nos filiar nos ramos da Ordem dos Conventuais: nome dos padres, clérigos, irmãos, irmãs, estranhos, professos e noviços.

Não sei o nome de religião do Senhor Leão em Santo André; se não está inscrito, talvez seja bom lhe perguntar nas férias da Páscoa, quando ele vier.

Peço-lhe que reze muito por mim e pelos meus jovens clérigos. Não sei bem o que poderei fazer; penso que só a graça de Deus os poderá fazer entrar num caminho de pobreza e de renúncia que eles talvez vislumbrem; vou devagar, porque eu próprio tenho grande necessidade de luz. Se a Providência o conduzir aqui, ficarei muito contente. O Senhor Fayard, antes de partir, pediu-me para ir passar algum tempo a Limonest, para descansar; se ele o puder substituir durante algum tempo, e você vir-me ajudar, bendirei o bom Deus por isso.

Reze por mim que nunca o esqueço. O padre Francesco, a mãe Úrsula enviam-lhe cumprimentos.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot Padre 146 (81) [5]

AO R. P. JARICOT CAPELÃO DA PROVIDÊNCIA SANTO ANDRE, LIMONEST

  1. M. J. [Roma, 10 de abril de 1877]

Caro irmão e amigo

Já que o Senhor Richoud permitiu que venha com a peregrinação, deve vir por este meio, porque não se deve pedir privilégios. E como lhe foi concedida permissão é preciso simplesmente ir encontrar o Senhor Pagnon para obter as permissões do Senhor Fayard.

Penso, todavia, que a sua ausência não será muito prejudicial ao Prado. Se não houver senão uma Missa no Prado, por causa da ausência do Senhor Dutel, não será preciso vir.

Terei muito prazer em vê-lo aqui. Poderemos rezar em conjunto e trabalhar um pouco. Teremos apenas uma quinzena para passar juntos; mas que o bom Deus seja bendito em tudo, e que procuremos somente a sua glória e o bom espírito de Deus.

Até breve, se o bom Deus o permitir.

A quem perguntar, diga que pagamos a sua viagem, e que tudo se faça sem ruído e sem barulho.

Seu muito dedicado em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Traga-me notícias de minha mãe e das senhoras de Montchat. A Senhora Marguerie chega amanhã de manhã quarta-feira.

A João Cláudio Jaricot Padre 147 (82) [6]

[A JOÃO CLÁUDIO JARICOT]

  1. M. J. [Roma, abril de 1877]

Caro colega e amigo

Provavelmente será difícil para ti vir a Roma, compreendo-o; haveria dificuldades, seja da parte do Sr. Cardeal, seja da parte do Prado, a quem isso pareceria estranho; esperemos pela festa da Santíssima Trindade.

Eis como pensei arranjar as coisas, se for possível.

Antes de partir de Roma, desejaria obter do Santo Padre uma bênção particular para a nossa obra; então enviarei uma súplica ao Senhor Cardeal, que lhe pedirei de apostilar. Nesta súplica incluirei alguns pontos particulares do nosso regulamento, e você o apresentará ao Sr. Cardeal; e se puder obter a sua assinatura, traga-a, e nós iremos junto do Santo Padre pedir a sua bênção e a sua aprovação. Talvez consigamos, mas isto não é o importante; o importante é fazer bem o nosso catecismo e fazer alguma coisa, o resto virá por acréscimo.

Tinha-lhe pedido os nomes de todos os Terciários da casa, padres, irmãos, irmãs professos, noviços e estranhos, para apresentá-los ao Padre Geral Conventual. Envie-os o mais cedo possível.

Diga ao Senhor Fayard que pode ir a Limonest, mas que você não pensa ausentar-se tão cedo.

Diga à Irmã Maria-Catarina que diga a essas pessoas de Savoia que podem ir para a sua terra, se isso lhes agrada, que o bom Deus as ama sempre, em qualquer lugar onde estiverem, e que não se preocupem.

Quanto à Senhora de Marguerye, o apartamento que ocupam o Senhor Bernerd e essas senhoras, ao nosso lado, só ficará livre dentro de um mês, e que o apartamento da Senhora Brígida tem cinco quartos e também não está livre.

Quanto aos nossos jovens clérigos, sinto que a minha autoridade é muito pequena. Duret e Delorme parece que entram melhor nos nossos pensamentos e compreendem melhor a pobreza e a vida do Prado. Broche e Farissier discutem demais, sobretudo Broche não diz nada e parece ter outras ideias escondidas, discute, é sábio; a autoridade dos Senhores Jaillet, Dutel, e do Seminário, tem peso sobre eles.

É preciso rezar.

Recebi notícias de Santo André. Também eu me alegro com todas as suas crianças, e diga-lhes mil coisas da minha parte. Saúde todas as Irmãs também; cuide da Irmã Fr. Xavier que está doente.

E continuemos a rezar para que tudo se faça para a sua glória e a nossa salvação.

Saudações para toda a gente, para o irmão Tiago, irmão José e outros.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot Padre 148 (83) [7]

[A JOÃO CLÁUDIO JARICOT]

  1. M. J. [Roma, fim de abril de 1877]

Meu bom irmão e amigo

Recebi a sua carta e os nomes de todos os nossos irmãos e irmãs da Ordem Terceira.

Vou tratar de me encontrar com o Padre Geral para filiar a nossa capela na Ordem Terceira e obter as indulgências vinculadas à Ordem.

Estou de acordo com as suas apreciações um tanto severas sobre certos abusos que de nenhuma maneira são do meu gosto e que não ficam bem a padres. Como seria desejável ver padres religiosos e animados deste espírito de pobreza e de sacrifício que deve existir em toda a vida do padre!

Como é fácil habituar-se à vida burguesa, e como é difícil sair de lá uma vez que se lhe tomou o gosto e se entrou nela.

Sinto hoje como será difícil destruir tudo o que entrou na cabeça dos nossos jovens padres e das nossas crianças. Sinto toda a dificuldade e, por outro lado, sinto toda a minha debilidade. Nunca compreendi tão bem como é necessário ser santo para consolidar qualquer coisa; para comunicar aos outros um pouco de vida espiritual, é preciso estar cheio dela. Gemo por causa da minha pobre miséria, covardia e ignorância. Sinto que teria de começar por mim próprio, e santificar-me antes de santificar os outros.

Reze por mim. Obrigado pelas Missas que celebra por mim.

Trabalho no meu Verdadeiro Discípulo, explico-o todos os dias, vamos começar a ver a prática, é aí que haverá provavelmente algumas dificuldades.

Duret e Delorme parecem-me dispostos, ao menos um pouco melhor. Delorme dizia ontem que não queria conservar o seu relógio, que era suficiente ter um em comum. Farissier e Broche não estavam de acordo. Amanhã vamos começar a tratar da comunidade de bens entre os irmãos. Verei o que isto dá, se cada um fará o sacrifício das suas pequenas bolsas particulares. Terei necessidade de ti para me ajudar e apoiar um pouco sobre o desprendimento.

Eis como penso fazer: acabar o meu pequeno trabalho sobre o Verdadeiro Discípulo e fazê-lo examinar por padres sérios e caminhar com a sua aprovação. E se o Sr. Bispo vier a Roma, lhe mostrarei, e seguiremos esta regra.

Envie este pequeno bilhete à Irmã Maria, onde lhe recomendo que cuide das suas Irmãs e que lhes dê de comer suficientemente.

Cumprimentos a todos. As minhas saudações.

  1. Chevrier

As Irmãs gostariam muito que lhes desse catecismo duas vezes por semana; veja se pode.

A João Cláudio Jaricot Padre 149 (84) [8]

[AO R. P. JARICOT, NA PROVIDÊNCIA DO PRADO, LYON, FRANÇA]

  1. M. J. [Roma,] 4 de junho de [1877]

Querido Irmão e amigo

Recebi as suas duas cartas. Há que contar com contradições e oposições. Se as coisas caminhassem por si, seria belo demais. O que me consola é fazer a vontade de Deus; o bom Deus tem-nos protegido sempre até ao presente, e penso que teremos sempre a sua proteção; as oposições do Senhor Richoud não farão mais do que tornar a vocação dos nossos jovens padres mais sólida; se os querem separar e eles se mantém ligados à obra, é uma prova de que eles estão verdadeiramente conosco; que o bom Deus nos ajude e nos dê a sua graça.

Alegra-me muito que tenha retomado os trabalhos do catecismo, continue; é um belo trabalho quando o fazemos com o espírito de Deus.

Pensamos partir segunda-feira próxima para chegar sexta-feira de manhã, ou então quinta-feira à tarde, se pudermos; passaremos por Assis e Loreto, não quero privá-los deste favor, visto que as despesas não são muito diferentes.

Parece que o Consistório é no dia 25 deste mês; chegando no dia 14 ou 15, penso que teremos tempo de ver o Sr. Cardeal antes da sua partida.

Coragem. Rezemos ao bom Deus e submetamo-nos em tudo à sua santa vontade.

Cumprimentos a todas as Irmãs, as minhas saudações a todos os companheiros.

Os nossos encontram-se bem e enviam-vos saudações.

E eu sou vosso muito dedicado.

  1. Chevrier

Penso que o Senhor Bernerd partiu; não lhe escrevo, escrevi-lhe na semana passada. Não sei se a casa Millet foi vendida, e a quem.

A João Cláudio Jaricot Padre 150 (85) [9]

AO REV. PADRE JARICOT, NA PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA CHABROL 55, GUILLOTIERE, LYON, RHÔNE

  1. M. J [Roma, junho de 1877]

Caro Irmão e amigo

Ficamos até à chegada do Senhor Cardeal. Talvez que a nossa visita seja mais feliz para nós, ou menos feliz, tudo está nas mãos de Deus; reze uma Missa por esta intenção, para que esta visita seja útil à nossa obra e que comecemos seriamente uma vida verdadeiramente apostólica e evangélica.

Os nossos novos companheiros parecem bem dispostos e muito dedicados, e farão todo o possível para continuar unidos e ligados à obra.

Dei a cada um o seu trabalho e creio que farão o possível para realizá-lo bem; é no trabalho que se conhece o operário, é portanto no trabalho que veremos os operários.

Recebi uma carta da Irmã Verônica que continha várias cartas das Irmãs jovens; vou-lhes responder com uma pequena palavra.

Escrevi ao Senhor Bernerd, há três dias, para lhe agradecer a notícia que me deu da partida do Sr. Cardeal, e pedi-lhe para advertir minha mãe que atrasei a minha viagem 8 dias, por causa da chegada do Sr. Bispo. Advirta a minha mãe e diga-lhe que estou bem, embora faça muito calor, mas que chegaremos 8 dias mais tarde; partiremos logo que pudermos ver Sua Eminência.

Continue a dar o Catecismo. Ainda não escrevi ao Senhor Fayard; ainda não sei como nos organizaremos, tudo vai depender das intenções do Sr. Bispo.

O pequeno irmão Francesco fez algumas diligências para ti; talvez não possamos levar a dispensa conosco, mas ele a enviará em seguida.

Cumprimentos para toda a gente.

Seu muito dedicado.

  1. Chevrier

A Senhora de Marguerye partiu de Roma há 8 dias; não nos deu notícias, apesar de nos ter prometido. Creio que a nuvem ainda não estava inteiramente dissipada. Se a vir, apresente-lhe os meus respeitos.

A João Cláudio Jaricot Padre 151 (86) [10]

AO R. P. JARICOT, NA PROVIDÊNCIA DO PARDO, RUA CHABROL, 55, GUILLOTIERE, LYON, FRANÇA

  1. M. J. [Roma, 19 de junho de 1877]

Caro irmão e amigo

Estivemos esta tarde com o Sr. Cardeal, que nos recebeu bem, e disse que não nos criaria problemas.

Partimos de Roma esta tarde, terça-feira, e chegaremos provavelmente sábado à tarde a Lyon.

Reze pelos viajantes.

Neste instante acabo de receber o seu telegrama.

Peça os 6.000 francos à minha mãe, há dinheiro no meu genuflexório, ou então ela encontrará em casa das senhoras de Montchat.

Chegaremos provavelmente no sábado ao meio-dia e meia, ou então no da tarde, se não chegarmos no do meio-dia.

Cumprimentos a toda a gente. Reze por nós.

Seu muito dedicado.

  1. Chevrier

Ao R. P. Jaricot 152 (87) [11]

  1. M. J. [Lyon,] 4 de abril de 1878

Caro companheiro e amigo

Só ontem pude ver a sua mãe; é por isso que não pude responder mais cedo à sua carta. A sua mãe ficou muito triste com a sua partida, tal como toda a gente; mas espera, assim como todos aqueles que deixou, que a Providência o trará de novo para o meio de nós, e que este tempo o fará mais sábio, mais fervoroso e mais apto para a obra dos padres pobres, que você sempre amou e para a qual foi ordenado. Por mim, rezo a Deus para que ilumine os seus superiores, e a ti também, e que Deus encontre em tudo a sua maior glória e a salvação das almas. Deus e as almas, eis tudo; o resto não é nada. Então reze por nós, caro amigo, no meio do seu santo retiro e obtenha a nossa conversão e a felicidade de fazer bem o nosso catecismo, de saber instruir bem os pobres, os ignorantes e os abandonados de toda a gente.

As nossas obras continuam mais ou menos na mesma, salvo o vazio que a sua ausência deixou no meio de nós.

Todos os companheiros estão bastante bem e continuam com entusiasmo o trabalho da instrução.

Reze, por favor, por mim. Sabe melhor que ninguém como tenho necessidade disso no meio de todo este caos de afazeres em que me encontro; seriam necessários muitos operários para podermos chegar a tudo.

As suas Irmãs de Limonest rezam muito pelo seu Padre Jaricot, elas encontram-se bem na solidão e no abandono.

O Senhor Cusset é professor em S. Bonaventure.

Fala-me, na sua carta, de uma obra de padres pobres na Alemanha. Se me puder dar alguns pormenores, os receberei de boa vontade; para nós, não poderemos começar realmente a obra das paróquias senão com as crianças das nossas escolas; e espero que, com a graça do bom Deus, obteremos bons resultados: o tempo, a graça, a paciência e sobretudo a sabedoria conseguirão que tudo vá pelo melhor.

Recomendo-me às suas orações. Conheço bastante bem o seu bom coração para saber que não nos esquece.

Toda a gente lhe envia saudações muito sinceras e muito afetuosas: todos os companheiros, minha mãe, as crianças e as Irmãs. Não o esquecemos e esperamos voltar a vê-lo, para nos ajudar ainda mais do que antes.

Receba portanto, caro Irmão e amigo, as nossas saudações muito afetuosas em Jesus Cristo.

Apresente os nossos profundos respeitos ao muito Reverendo Padre Abade.

Recomendamo-nos todos às suas orações e às da comunidade.

Seu todo dedicado em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

A João Cláudio Jaricot Padre 153 (88) [12]

[A JOÃO CLÁUDIO JARICOT]

  1. M. J. [Prado,] 9 de abril de 1878

Caro Irmão e amigo

O seu exemplo produz efeitos admiráveis!

O Pe. Duret, desde alguns dias, diz-me que não é capaz de fazer o catecismo, que é preciso tratar da sua salvação antes de tudo, que um homem não faz falta a uma obra tão bela, que Deus saberá substituí-lo, que Deus não me abandonará, que sente necessidade de se retirar e de trabalhar, que deve ir para a Grande Cartuxa, que teria feito melhor permanecer como Irmão e dedicar-se à Obra sem assumir a responsabilidade de padre, que esta responsabilidade lhe dá medo e que tem medo do julgamento de Deus, que, depois de passar alguns anos na Grande Cartuxa, voltará mais forte e mais seguro da sua vocação, que todavia a vocação do Prado é muito bela, que não escolheria outra, mas que deve partir. Não sei se depois de tudo isto ele se irá embora.

O Pe. Farissier continua com o desejo de ser missionário e, de vez em quando, insiste no desejo de ir para a China.

O Pe. Broche prefere Limonest ao Prado e ficará, penso, com o Senhor Jaillet.

O Pe. Delorme não tem saúde e não poderá trabalhar sozinho, apesar da sua coragem; tem necessidade de passar alguns meses no campo, e a partida dos seus companheiros não vai animá-lo em nada.

Se as coisas forem assim, pedirei aos latinistas que vão para o Seminário e não poderei receber as crianças da Primeira Comunhão. Não tenho saúde, nem coragem para fazer como antes. O bom Deus tinha-me dado ajudantes, bons coadjutores; Ele toma-os de novo, que o seu santo nome seja bendito. O bom Deus provará, de uma forma evidente, que não tem necessidade de ninguém para fazer a sua obra; vocês dizem todos que o bom Deus não tem necessidade de ninguém, que fará tudo bem sem nós, é evidente; penso que depois de nós o bom Deus enviará outros que farão melhor que nós; é a minha única consolação e a minha única esperança, porque experimentarei mesmo assim uma certa pena de ver o Prado deserto e sem crianças, enquanto que, durante dezoito anos, foi o lugar de tantos suores, trabalhos e conversões.

Ide todos rezar e fazer penitência nos claustros; lamento não poder ir também, porque tenho mais necessidade do que vocês, sendo mais velho e por consequência tendo muito mais pecados do que vocês; mas, se não vou aí, irei talvez para Saint-Fons, e terei a consolação de ter feito trapistas e cartuxos e missionários, se não consegui fazer catequistas, embora, parece-me, esta é hoje a necessidade da época e da Igreja.

Adeus, meu caro amigo, reze por nós, e sobretudo por mim que pensava ter feito alguma coisa, uma obra, e vejo que não fiz nada. Oxalá esta humilhação me possa ensinar e espiar todos os meus pecados de orgulho e outros da minha vida.

Seu irmão em Jesus Cristo abandonado na cruz.

  1. Chevrier

Aos quatro primeiros Padres do Prado : Broche, Delorme, Duret, Farissier

A Cláudio Farissier 154 (118)

SENHOR PADRE FARISSIER, PRADO, LYON

  1. M. J. [Limonest, maio de 1978]

Caro irmão e amigo

A Irmã Maria-Catarina foi ontem ao Perron levar a forte Paulina, que tem 45 anos, e que está conosco há 7 anos. Tendo feito a sua Primeira Comunhão, é necessário encontrar um lugar para ela, dado que o nosso objetivo foi atingido.

Foi dito à Irmã que o momento era favorável, uma vez que iria ser inaugurado no Perron um novo edifício e que, provavelmente, iriam alojar ali pessoas deste tipo, ainda que fizesse falta a proteção de um administrador, por ex. o senhor Monteynard, um dos principais. Será preciso, pois, que você tenha a bondade de ir vê-lo antes da Ascensão, visto que é nesse dia que os administradores reúnem em conselho para a admissão de pessoas e pedir-lhes que aceitem aquela.

Não será preciso dizer que ela está em Limonest, mas simplesmente que está integrada na nossa obra e que, feita a Primeira Comunhão, não poderemos conservá-la por mais tempo. Que o bom Deus abençoe as vossas diligências.

Terá de conseguir um atestado médico, declarando que ela não é normal, e outro do comissariado atestando que é indigente e que nós a temos na nossa obra já há sete anos.

Tome cuidado contigo, para trabalhar sempre com zelo pela glória de Deus. Até quarta-feira. Todo para vós.

  1. Chevrier

Junto uma carta para o senhor Monteynard, pedindo-lhe que receba a nossa filha.

A Cláudio Farissier 155 (119)

[A CLÁUDIO FARISSIER]

J.M.J.                                    [1878]

Caro irmão e amigo

Que a Senhora Grivet siga os exercícios que lhe dei nos anos anteriores, que tome para leitura a renúncia a si mesmo de Monsenhor de Ségur; ela deve ter comprado muitos para os estudantes de latim; diga-lhe que quero um para mim.

O Evangelho diz: Fazei o bem sem nada esperar. É o momento de fazer disso a aplicação e uma lição para vós de nunca aceitardes jantar em casa das pessoas às quais prestamos serviço, porque, normalmente, é assim que elas nos pagam; ora, este pagamento é coisa demasiada pouca para o aceitarmos. Tenha isto em conta.

Trate, o mais breve possível, de achar um lugar para a Irmã Inês e a Senhora Teresa, sem faltar, todavia, à caridade.

Todo para ti e saudações em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

A Cláudio Farissier 156 (120)

SENHOR PADRE FARISSIER, ASSISTENTE DA PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA CHABROL, 55, LYON – GUILLOTIÈRRE

J.M.J.          [Vichy, 14 de junho de 1878]

Caro irmão e amigo

Chegamos esta tarde a Vichy, às quatro horas. Alojamo-nos na rua da Chaume, em casa do senhor Corré-Busson. O nosso estado de saúde é mais ou menos o mesmo.

Queira ter a gentileza de me enviar o meu Celebret, a fim de que eu possa celebrar a Santa Missa ao menos no Domingo.

Reze por mim e peça o dom da Sabedoria.

Saudações a todos os Irmãos no Sacerdócio em Nosso Senhor. E saudações a todas as nossas crianças.

Que a paz do bom Deus esteja contigo.

  1. Chevrier

A Francisco Duret 157 (109)

[A FRANCISCO DURET]

J.M.J.              16 de junho de 1878

Caro irmão e amigo

Envio-vos a carta de M. Thibaudier, nosso vizinho, que nos pede a admissão de um garoto de 11 anos. Queira responder-lhe, dizendo que esta criança é muito jovem. Eu não creio que tenha lugar para ela; todavia, veja e tente descobrir na sua sabedoria e caridade, formas de admiti-la, mas nunca à custa dos mais infelizes e mais velhos que ela. Tenha coragem! Os pobres e os deserdados, os ignorantes e os pecadores são o nosso quinhão, e a nossa parte não é a menor! Permita Deus que sejamos capazes de levar a cabo esta tarefa.

Recebi o meu Celebret, que o amigo Delorme me enviou, obrigado! Pude assim celebrar hoje a Santa Missa e pedi por todos vós, a fim de que tenhais todos o espírito de Deus. Não cessemos de pedi-lo todos os dias e de procurá-lo na vida, nos exemplos e palavras de Nosso Senhor. Quanto à nossa vida material, continua praticamente na mesma. Vou começar, amanhã segunda-feira e de forma regular, o tratamento nas Termas. Se as águas da terra pudessem transformar-se em águas de graça, ficaríamos completamente saciados, uma vez que chove constantemente.

Faz pensar como as pessoas procuram preservar a vida do corpo: quantos cuidados, quantos remédios, quantas precauções para preservar esta vida material. Se fizéssemos o mesmo para preservar a vida espiritual, o mesmo para alimentá-la e conservar, como teríamos uma excelente saúde! Trabalhemos por adquirir a vida da alma que não morre e rezai para que eu cresça sobretudo nesta saúde espiritual, infinitamente mais útil que a do corpo, que há de acabar, ao contrário da outra que não acaba.

Minha mãe está mais ou menos. A Irmã Antônia parece passar um pouco melhor; o repouso faz-lhe bem.

Dê-me notícias do Prado. Se o bom Deus me der um pouco mais de saúde, a empregarei passando algum tempo em S. Fons, a fim de estar ao serviço da obra e conseguir o espírito de Deus, o qual me parece dever existir em nós.

Dai as minhas afetuosas saudações aos Padres Jaillet, Dutel e Jacquier. Não acredito que o Padre Bernard tenha chegado; mas, se porventura já chegou, peço que não me esqueça junto dele.

Saudações a todos os irmãos, a todas as nossas crianças, sejam da primeira comunhão, sejam da escola clerical.

Saudações a todas as Irmãs que trabalham para Deus e nos ajudam na Obra. Igualmente para todas as nossas filhinhas e quantos nos são queridos em Nosso Senhor.

Um “bom dia” afetuoso a M. Chamba e aos nossos prefeitos.

Rezemos para que a obra de Deus cresça e se multiplique através de vós e que cresçais também na pequenez e na humildade, para que esta obra estabilize e que aprendais cada vez melhor a catequizar os pobres, a instruir os ignorantes e a vos consagrardes aos infelizes.

Rezai por mim, pois eu rezo sem cessar por vós.

Que o espírito do Senhor se encontre em todos nós e nos ajude a dar bons frutos.

  1. Chevrier

Rua de Chaume, Casa Corré Busson, Vichy, Allier.

A Cláudio Farissier 158 (121)

SENHOR PADRE FARISSIER, ASSISTENTE DA PROVIDÊNCIA DO PRADO, LYON. GUILLOTIÈRE

  1. M. J.

Caro irmão e amigo

Respondo a todas as pequenas questões que me apresentou nas suas últimas cartas.

Queira enviar um vale do correio de 120 francos a Maurício Daspres, Seminário de Grenoble. Quanto à Senhora Marmoiton, é preciso deixar a família entender-se com a comunidade a respeito da pensão, não é problema nosso. Se a comunidade não está segura do que deve fazer, como você diz, então diga-lhe para se colocar noutro lugar.

Em relação ao Senhor Padre Clerc, ponha-o ao serviço dos rapazinhos, como já fez; trata-se de uma obra excelente, e é necessário fazer sempre as boas obras; a nossa casa deve ser o refúgio dos desgraçados, dos aflitos e daqueles que o mundo não quer. Vinde a mim, vós todos que andais aflitos, e eu vos aliviarei. Ante omnia charitatem mutuam habentes et continuam. Se o vosso irmão cair em alguma falta, levantai-o com humildade, pensando que se vos tivésseis encontrado numa situação semelhante, teríeis feito o mesmo. Que seria de nós se o bom Deus não nos sustivesse com as suas mãos! A nossa casa é o refúgio do pecador, quem quer que ele seja, e sintamo-nos felizes de recebê-los e de lhes prestar serviço. Oh! Sim, é um belo presente que vos dou, pois que vos proporciona a ocasião de praticar a humildade e a caridade; que importa o que o mundo diga, contanto que façamos o bem”.

Quanto a dar dinheiro à Irmã Madalena, já enviei ao Senhor Dutel, que lhe peça; mas não faça despesas sem autorização dos seus superiores; não se deve fazer mais do que aquilo que se pode.

Recebi uma carta de Perrichon, que enviarei ao Padre Delorme.

A respeito de sua visita a Vichy, teria muito prazer em vê-lo, mas antes de satisfazer este gosto, é preciso verificar a necessidade; é que nós temos de agir pobremente em tudo; estou infeliz por ter agido como rico outra vez, vindo aqui, porque este não é o lugar de um pobre!

Queira informar-me se as Senhoras Dussigne estão em Lyon e, caso estejam, apresente-lhes os meus cumprimentos e os meus sentimentos de gratidão, e dê-me notícias delas.

No sábado, vi o Padre Bernerd que veio visitar-me a Vichy e deve voltar hoje a Lyon. Apresente-lhe os meus cumprimentos e sentimentos afetuosos. Faça-me chegar uma folinha de exame de consciência; me será útil, uma vez que estou copiando o catecismo.

Procure um pintor e encomende-lhe dois exemplares dos pequenos quadros que estão na capela particular: o Presépio e o Sacrário, a fim de que os possa colocar em St. Fons e no novo locutório; que os faça da mesma dimensão.

Diga como estão as coisas em relação à aquisição do terreno por detrás da cozinha. Mande colocar o pavimento do novo locutório, desde que esteja bem seco, para que as pessoas possam se servir dele. Os caixilhos devem ser pintados da mesma cor que a porta grande. Estou convencido que foi o Senhor Francisco que pintou esta porta.

Mande limpar St. Fons, a fim de que as (Irmãs) Terceiras possam brevemente fazer lá o seu Retiro. Eram mais ou menos estes os recados que tinha para lhe dar.

Vou escrever às Irmãs, aos Padres Jaillet e Jaricot. Sinto-me envergonhado de viver na ociosidade enquanto vós trabalhais, e é com dificuldade que conseguis fazê-lo. Estou copiando novamente o meu catecismo, que deve ser para nós coisa importante. Reze a Deus por mim; eu não o esqueço dia nenhum. Estou bem; reze sobretudo pela cura da alma, para que eu possa terminar a obra de Deus; isso é o essencial, o resto é nada.

Saudações a toda a gente, em geral e em particular; eu não vos esqueço e estou sempre convosco, em união com Nosso Senhor, o nosso Mestre.

  1. Chevrier

A Francisco Duret 159 (110)

[A FRANCISCO DURET]

  1. M. J. [Vichy, inícios de julho de1878]

Caro irmão e amigo

Obrigado pela sua linda carta; se os marotos dos irmãos o impedirem de escrever na sua vez, compensou bem escrevendo uma longa carta.

Seja sempre alegre e afável, pois é uma das qualidades de um servidor do bom Deus. A estação avança e começa a ser longa a demora em regressar para junto de vós que sois a minha verdadeira família; começa a ser longo o tempo passado longe das crianças e do pequeno rebanho; vou, pois, voltar para o meio de vós, um pouco mais forte e com melhor saúde do que quando vim par cá, sem, todavia, me encontrar totalmente restabelecido, já que muitas coisas não são fáceis de digerir, o que obriga sempre a escolher; mas isso não impede que esteja melhor. Vou chegar, pois, na segunda-feira, às 3 horas e vinte da tarde. Partiremos pelo trem das 9,30 de Vichy, para tomar o de Paris, em St. Germain-des-Fossés.

A Irmã Antônia está bastante melhor, minha mãe também não está mal e a Senhora Jenny está na mesma; enfim, louvado seja Deus, o corpo está melhor. Se a alma também estivesse melhor… porque é aí que está a verdadeira vida.

Será, pois, com prazer que veremos novamente o nosso pobre Prado e, sobretudo, os que nele habitam.

Queira dizer ao Senhor Suchet para vir à estação, com a sua pequena viatura, para levar a nossa pouca bagagem. Será necessário lembrar-lhe alguns dias antes, não aconteça que só lá esteja no dia seguinte; trata-se de um homem bom, este Padre Suchet, e pode bem acontecer que vá primeiro que nós para o Paraíso. Talvez ele corra mais rapidamente no caminho espiritual do que no caminho temporal.

Tenho um monte de cartas sobre a mesa, pelo menos uma vintena; diga a essa boa gente que, na próxima semana, lhes darei resposta de viva voz.

Um obrigado ao bom amigo Broche pela sua carta, a qual me dá muitos pormenores acerca da escola e de outras pessoas que me interessam. Apresente as minhas homenagens ao Padre Jaillet e eu penso que ele recuperará ânimo pela perda da excelente vaca que nos dava a todos tão bom leite. Temos de estar agradecidos ao bom Deus por todos os seus benefícios e, principalmente, pelos bons animais que nos deu para nos ajudar e alimentar quando precisamos.

Responderei ao amigo Farissier acerca das pequenas questões que me apresenta na sua última carta.

Os meus cumprimentos ao Padre Dutel e a minha amizade ao Padre Jacquier.

Uma saudação a todos, na expectativa de poder vos abraçar cordialmente, a fim de trabalharmos em conjunto na nossa conversão e santificação.

Saudações às Irmãs e a todas as nossas crianças.

Reze por nós, ou antes, obrigado pelas vossas boas orações.

O seu muito dedicado irmão em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

Eu sei que o Padre Berne está em Roanne.

A Cláudio Farissier 160 (122)

SENHOR PADRE FARISSIER, ASSISTENTE DA PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA CHABROL, 75, LYON – GUILLOTIÈRE

  1. M. J. [Vichy,] 6 de julho de 1878

Caro irmão e amigo

Queira dizer à senhora Mioche que não posso ir a Lamothe, que não devo ausentar-me de casa por muito tempo e que, segunda-feira à noite, depois de amanhã, 8 de julho, regressarei ao Prado, no trem das três e meia.

Agradeço-lhe muito o seu amável convite; mas, não poderei prestar-lhe nenhum serviço, uma vez que, antes de tudo, tenho o trabalho do bom Deus para fazer: a cada um o seu trabalho.

Saudações a toda a gente

e que a bênção de Deus esteja com todos vós.

  1. Chevrier

A Cláudio Farissier 161 (123)

SENHOR PADRE FARISSIER, PROVIDÊNCIA DO PRADO, LYON

17 de setembro de 1878

Caro irmão e amigo

Estou muito contente por você ter resolvido as coisas com a Senhora Chapuis. Penso que tudo agora irá melhor; uma pequena visita dá sempre mais resultado do que o resto.

Quanto ao pedreiro, é preciso passar pela casa do Senhor Jutton, para depositar os entulhos, é o que está combinado. Está também combinado que iremos construir a meia um muro de vedação de três metros de altura e de 50 cm. de largura. Tenha o cuidado de ver o limite fixado pelo geômetra, e de ocupar 25 cm. do lado do vizinho e outros 25 cm. do nosso lado.

O muro ficará a expensas dos dois proprietários; convém que seja feito em pedra como o resto das vedações vizinhas.

Obrigado pelos seus serviços bem feitos.

Saudações e lembranças a todos.

  1. Chevrier

Sem envelope. Sem lacre.

A Nicolau Delorme 162 (138)

[A NICOLAU DELORME]

As penitências corporais são muito úteis, mas as espirituais o são ainda mais e é preciso saber fazer umas com moderação e prudência e aceitar as outras com alegria e amor para nossa santificação. Gostaria muito de vê-lo aceitar penitências humilhantes, que contrariassem a sua vontade, a ti que é por natureza obstinado e independente, pouco ordenado na sua vida; é necessário que as nossas penitências nos tornem santos e bons para com o próximo.

Ficaria contente se você tomasse como penitência rezar o Breviário como deve ser: Matinas, de véspera; de manhã, Horas Menores. Que não saísse sem permissão; que fizesse todos os esforços para cumprir as suas obrigações e que fosse certinho nos deveres escolares.

E que, quando falhasse em qualquer obrigação, se acusasse e pedisse uma penitência.

Quanto às penitências de ordem corporal, não posso permitir-lhe todas aquelas de que fala. Sabe bem como acabamos por perder o pobre Génon: ele quis praticar excessos desse gênero, e isso sem nossa permissão e contra a nossa vontade, e morreu um pouco por sua culpa. Julgo, pois, as suas penitências verdadeiramente exageradas; deve reduzi-las como aconselhei acima.

Peçamos cada dia o espírito de Deus, a fim de que nos conduza e nos faça caminhar por este belo caminho de humildade, de penitência, de pobreza e de caridade que nos faz santos.

Que o Senhor, nosso bom Mestre, o abençoe e faça dar bons frutos.

Chevrier

Às autoridades eclesiásticas

Ao Padre Bruno, capuchinho 163 (58)

AO PADRE BRUNO, CAPUCHINHO

  1. M. J.

Meu Reverendo Padre,

Recebi há já algum tempo estas licenças de Ara Coeli; posso servir-me delas? Eu não tinha dado a devida atenção à última linha que encerra uma condição ubi fratres… e benzi muitas cruzes para as indulgências da Via-Sacra. Que fazer?

Tenho a honra de ser com um profundo respeito

seu dedicado servo e irmão em Jesus Cristo!

  1. Chevrier

A Monsenhor Orcel, Vigário Geral 164 (60)

[A MONSENHOR ORCEL, VIGÁRIO GERAL]

  1. M. J. [24 de fevereiro de 1870]

Senhor Vigário Geral:

Os Padres Carmelitas de Lyon vêm, de vez em quando, pregar na nossa pequena paróquia de Moulin à Vent. Eles teriam uma boa ocasião de confessar se tivessem os devidos poderes.

Quereria ter a bondade de lhes conceder quando vierem visitar-nos? Isso nos prestaria um serviço, e aos nossos paroquianos também.

Tenho a honra de ser, com um profundo respeito, seu muito humilde e respeitador servo.

  1. Chevrier

Carta De Monsenhor Orcel 165 (524)

[CARTA DE MONSENHOR ORCEL, COPIADA PELO PADRE CHEVRIER]

Moulin à Vent, por Vénissieux, 2 de abril de 1873

Venerado Padre Chevrier

Chegou-nos ao conhecimento que teria sido estabelecida publicamente uma Ordem Terceira de Franciscanos e que o hábito lhes terá sido imposto na Igreja de Moulin-à-Vent, sem qualquer autorização do Bispado. A notícia fez muito barulho nas redondezas.

Sem dúvida, isso não tem validade aos olhos de Deus nem frente às leis da Igreja. Há quem diga que até terá havido quem incorresse em censuras, o que eu não creio.

Nós não queremos humilhar o padre que agiu dessa forma, tornando-o ciente da nulidade do ato, mas pedimos-lhe, Reverendo Padre, que lhe recomende um pouco mais de desconfiança em si mesmo e de respeito pelas regras da Igreja. Nós estamos reconhecidos, Reverendo Padre, pelos serviços que tem prestado, aqui e noutros lugares, e pedimos que aceite os nossos respeitosos cumprimentos.

Orcel, Vigário Geral

A Monsenhor Vigário Geral 166 (534)

[A MONSENHOR VIGÁRIO GERAL]

  1. M. J.

Senhor Vigário Geral

Temos na nossa paróquia de Moulin-à-Vent (perto de Vénissieux), uma mulher negra, doméstica em casa de um dos nossos bons habitantes, de quarenta anos. Conseguimos ensinar-lhe as principais verdades da religião, e pensamos que pode ser batizada.

Quereria o Senhor ter a bondade de nos autorizar a administrar-lhe o santo Batismo, para que ela não fique privada por mais tempo deste Sacramento?

Tenho a honra de ser, com um profundo respeito, Senhor Vigário Geral, vosso muito humilde e obediente servo.

  1. Chevrier em Moulin-à-Vent

A Monsenhor Pagnon, Vigário Geral 167 (61)

[A MONSENHOR PAGNON, VIGÁRIO GERAL]

  1. M. J. [Novembro de 1873]

Senhor Vigário Geral

Poderia ter a bondade de me conceder o poder de absolver as pessoas que caíram em faltas que produzem impedimento ao uso do matrimônio (pelo menos para alguns casos)? Lhe ficaria imensamente reconhecido, pensando nos pecadores.

Tenho a honra de ser, com um profundo respeito, seu muito humilde e devoto servidor.

  1. Chevrier

Seria indiscreto demais perguntar se teremos a felicidade de ter conosco o senhor Ardaine, para nos auxiliar no Prado e, em vista disso, se podemos preparar-lhe um quarto?

A Dom Thibaudier, Bispo de Sidonia 168 (62)

A Dom THIBAUDIER, BISPO DE SIDONIA, EM LYON

  1. M. J. Lyon, 8 de novembro de 1875

Senhor Bispo,

No fim de maio deste ano, Vossa Excelência teve a bondade de apoiar, com a sua benévola recomendação, uma súplica, através da qual nós pedíamos humildemente ao nosso Santo Padre o Papa o favor de viver em comunidade, sob a regra da Ordem Terceira de S. Francisco, aprovada por Leão X. O Santo Padre dignou-se conceder-nos a sua Paternal Bênção, e enviar o nosso pedido à Sagrada Congregação dos Bispos e Religiosos.

Permita-nos, sua Excelência, que vos supliquemos que faça o favor de continuar a dar-nos o seu apoio junto da Santa Sé, a fim de que possamos viver em comunidade, para o bem da nossa obra e a salvação das nossas almas.

Digne-se aceitar a homenagem do mais profundo respeito pelo qual eu sou, Monsenhor, de Vossa Excelência, o mais humilde e leal servo.

  1. Chevrier, da Ordem Terceira de S. Francisco, Assistente do Prado, Lyon

Cópia da carta de Dom Thibaudier 169 (63)

CÓPIA DA CARTA DE DOM THIBAUDIER, POR OCASIÃO DO NOSSO PEDIDO A ROMA

9 de novembro de 1875

Caro Padre Chevrier

Sabe quanto a autoridade diocesana de Lyon aprecia as suas diferentes obras. Já o testemunhei numa das suas petições à Santa Sé. Declaro com muito gosto e afeto que, embora a sua piedosa associação não nos pareça ainda, aliás como a ti, ter um caráter suficientemente definido e sólido para receber de Roma a consagração de uma Congregação Religiosa, no sentido dado em França a este nome, o Senhor Arcebispo e todos os membros da sua administração ficarão felizes pelas graças e indulgências que conforme o seu pedido, será do agrado do Santo Padre conceder-lhe a ti e às pessoas que vivem piedosamente em sociedade contigo.

Odon, Bispo de Sidónia, Auxiliar do Senhor Arcebispo


   Cartas  às Irmãs do Prado  1859-1879

À Irmã Maria

À Irmã Maria 170 (159) [1]

  1. M. J. 29 de junho de [1869]

Minhas queridas Irmãs em Nosso Senhor,

Agradeço-vos muito as orações que fazeis pela minha saúde; penso que o bom Deus vos ouvirá, estou melhor. Eu só quero a saúde para acabar a obra que o bom Deus me deu a fazer. Tudo o que desejo é andar melhor para trabalhar nesta obra espiritual e vos dar seguidamente o espírito de Nosso Senhor, a fim de trabalhardes vós mesmas na obra de Deus. É preciso ter a coragem de confessá-lo: estais bem longe de possuir este espírito de Deus que vos é necessário para serem verdadeiras filhas de Jesus Cristo; estais muito longe ainda desta renúncia completa que nos pede para Lhe pertencer inteiramente e O seguir na sua caridade, na sua humildade, na sua doçura e na sua entrega. A culpa não é inteiramente vossa, porque, que podeis vós saber se ninguém vos ensina? É a mim que compete instruir-vos. Enquanto não tivermos, várias vezes por semana, conferências espirituais, continuaremos a ser sempre pobres criaturas, vivendo por assim dizer como gente boa do mundo; enquanto eu mesmo não vos der o exemplo de todas as virtudes, não seremos grande coisa diante de Deus.

Será necessário avançar seriamente por esse caminho, e trabalhar com todo o nosso coração para nos tornarmos santos, seguindo as pegadas de Nosso Senhor. Rezai a Deus para que eu possa trabalhar na minha e na vossa santificação, pois eu sofro no mais profundo da minha alma por nos vermos todos num estado tão triste e tão frouxo, nós que deveríamos ser tão humildes, tão fervorosos, tão caridosos, tão dedicados e pobres, segundo o espírito de Deus. Rezemos, porque temos necessidade de tantas graças para nos convertermos todos, e sobretudo, temos necessidade de alguém que nos dê o impulso santo que nos deve conduzir a Deus.

É isto que devemos pedir a Deus acima de tudo; o resto não é nada. Eu sei que, entre vós, muitas têm boa vontade e estão fortemente decididas a amar Nosso Senhor. Tornai-vos fortes, portanto, nestas boas resoluções e trabalhai por adquirir, além desta renúncia a si mesmo, que é a primeira graça de Deus para chegar a ser sábio e avançar nos caminhos de Deus.

Até breve. Que Nosso Senhor vos abençoe e dê a todas a sua paz.

  1. Chevrier

À Irmã Maria 171 (100) [2]

IRMÃ MARIA

[1870]

Querida filha,

Em questões de trabalho, faça com que o dever passe sempre antes do conselho.

Quanto ao isolamento, é preciso saber encontrá-lo mesmo no meio do mundo, no nosso próprio coração.

A melhor preparação para a absolvição, é o amor de Deus e a humildade.

Proibi a Irmã Clara de jejuar e não a deixe trabalhar demais.

Que a caridade reine sempre entre vós.

  1. Chevrier

À Irmã Maria 172 (161) [3]

[1875]

Querida filha

Aceite o que a Cecília pede.

Precisaria de uma grande graça para ficar.

Trate-a com muita caridade e bondade, a fim de que, ao sair, só guarde boas recordações de vós e possa regressar mais tarde.

Mande embora a sua grande Maria, porque era o que estava combinado com os pais. A gente trará uma esta semana.

Que o bom Deus a abençoe e ajude.

  1. Chevrier

À Irmã Maria 173 (162) [4]

[1875]

A Irmã Filomena abandonou a casa, não querendo fazer o seu trabalho nem suportar as pequenas contrariedades da Irmã Antônia, embora eu lhe tivesse dito que tivesse paciência até que passe a Primeira Comunhão; então eu veria.

Portanto, não tem nada que se ocupar dela, trate-a exatamente como uma estranha, até porque ela foi a Limonest sem permissão minha nem da Irmã Teresa.

Que Deus a abençoe.

Não temos ninguém para auxiliar a Irmã Antônia.

  1. Chevrier

À Irmã Maria 174 (163) [5]

[1877]

Minha querida filha

É preciso viver em união com Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, pois é aí que se encontra a paz, a alegria e o contentamento. Faça bem todas as suas ações para agradar ao nosso bom Mestre, o qual, por nós, quer habitar sempre conosco.

Pense que tem algumas almas nas quais é necessário fazer reviver Nosso Senhor pela graça e refazer a imagem de Deus que foi apagada, e encha-se de coragem para bem cumprir o seu dever.

Coragem, confiança e amor a Jesus Cristo, que é o nosso Mestre, o nosso Salvador e a união dos nossos corações.

Eu a abençoo e rezo por ti.

  1. Chevrier

À Irmã Maria 175 (164) [6]

À NOSSA IRMÃ MARIA, EM SANTO ANDRÉ

  1. M. J. [Abril de 1877]

Recebi com prazer a pequena carta que continha as suas flores e bons pensamentos espirituais; que o bom Mestre, divino Jardineiro, faça crescer em ti as piedosas sementes de virtude que ele aí lançou, seja no Batismo, seja na Santa Comunhão. Regai diariamente essas flores espirituais da sua alma por meio da oração e de súplicas, e crescerá no amor de Nosso Senhor, tornando-se assim verdadeiramente o jardim do bom Deus. Não deixe crescer as ervas daninhas, arranque-as e coloque outra em seu lugar.

Força, coragem e perseverança! Reze por mim, que eu rezo também por ti e peço a Nosso Senhor que lhe dê a sua paz e o seu amor.

Eu a abençoo. Seja sempre muito sensata.

  1. Chevrier

À Irmã Maria 176 (165) [7]

[Roma, março-junho de 1877]

Acabou-se o papel e nada disse às minhas boas Irmãs de Limonest e às minhas filhinhas que vão fazer a sua Primeira Comunhão; dê a todas, por mim, uma grande saudação e diga-lhes que as saúdo com muito amor no coração do bom Deus; seja de longe seja de perto, estou sempre unido a todas, para rezar por vós, e recomendo-me às vossas orações.

Envio-lhe uma folha de oliveira do meu ramo, e que esta folha enviada de Roma lhe transmita a paz do bom Deus, a alegria e a esperança, como outrora a pomba a Noé.

As vossas saúdes não estão muito bem, mas sofrer é a condição do corpo; apenas devemos ajudar-nos uns aos outros a saber sofrer e a tornar os sofrimentos meritórios através da paciência e da caridade. Pois então, que Deus vos ajude a todas e vos conforte nos vossos trabalhos, penas e sofrimentos, tendo bem presente que a paciência que exercitamos na terra nos obterá uma grande glória no céu.

Recomendo-me às vossas orações, a fim de que, em tudo, eu faça a santa vontade de Deus e para que Ele me dê o seu espírito. Pedi para nós as bênçãos do céu e eu as peço para vós. Vosso muito dedicado e feliz servo em Jesus Cristo nosso Mestre.

  1. Chevrier

À Irmã Maria 177 (166) [8]

[Maio de 1870]

Querida Irmã Maria

Diga à esta pessoa que venha passar alguns dias a nossa casa e então veremos se ela se adapta. Fale ao Pároco, para termos mais dados sobre ela: a sua piedade, o seu caráter, a sua saúde.

Envio-lhe 200 francos para as suas despesas.

Diga à Sra. Maria Rampignon que venha segunda-feira fazer o seu teste sobre o Rosário, sobre a Via-Sacra e os mandamentos. Diga também à minha Irmã F. Xavier que celebrarei a Missa por ela amanhã.

Saudações.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica

À Irmã Verônica 178 (228) [1]

[1878]

Querida filha

Está vendo que há dois caminhos claramente definidos e sabe o que disse Nosso Senhor: Toda casa dividida em si mesma cairá em ruína.

É preciso, pois, ver-se livre destes espíritos de oposição, que só servem para prejudicar gravemente as casas; e já que a Irmã Francisca preparou a mala para partir, é necessário que ela se decida,

porque estes estados de indecisão não prestam para nada e são muito prejudiciais para os outros.

Quanto àquelas que são de mau humor, procure ver de que lado estão. Se estão do lado mau, é preciso ser firme e obrigá-las a submeter-se ou a partir; por outro lado seja boa para as outras.

Quando chegar a Irmã Agostinha, faça-a expiar as palavras indiscretas e mentirosas que disse ao entrar no Prado depois da sua nomeação – dizendo que sabia – e lhe fará cumprir a penitência em público.

Reze muito, não faça outras penitências além das ordinárias, e confie na misericórdia do bom Deus. O resto está bem.

À Irmã Verônica 179 (229) [2]

A Irmã Verônica é fraca demais para repreender as suas Irmãs.

Igualmente pouco atenta para vigiar e para ver tudo.

É necessário mais atividade para fazer o bem.

Repreender e destruir o pecado em si e nos outros, eis uma forma de servir os interesses de Deus.

À Irmã Verônica 180 (230) [3]

[1872]

Queria filha

Procure obter do bom Mestre, através da penitência, a graça de que tem necessidade.

É preciso renunciar ao seu corpo, para estar mais livre e subir até Deus. Não somos capazes de nos elevar para o alto porque estamos cheios demais de preocupações. Tire de si tudo o que é supérfluo e tudo irá melhor. Não deixe jejuar Maria Rampignon.

Coragem, esforcemo-nos por nos santificarmos, a fim de darmos mais glória a Nosso Senhor.

As nossas crianças estão melhor, tanto melhor, que Deus seja bendito.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 181 (231) [4]

IRMÃ VERÔNICA

  1. M. J. 30 de junho de1873

Minha boa Irmã Verônica,

Eu só peço a Nosso Senhor para ti e para todos os da casa a atração espiritual para fazer bem o catecismo, o amor da pobreza e a caridade. Nós teremos ganhado tudo se pudermos crescer nesta atração e neste amor por Nosso Senhor.

Como é triste ver toda esta gente ocupar-se apenas de coisas estranhas àquelas a que nos deveríamos consagrar inteiramente. Não estamos aqui para isto e para isto somente: conhecer Jesus Cristo e seu Pai e dá-lo a conhecer aos outros? Não é isto tão belo e não temos aqui de que nos ocupar toda a vida sem ir procurar noutro lado com que ocupar o nosso espírito? Todo o meu desejo é ter Irmãos e Irmãs catequistas. Eu próprio trabalho nesse sentido com alegria e felicidade; a nossa vida e o nosso amor está em saber falar de Deus e dá-lo a conhecer aos pobres e aos ignorantes.

Trabalhe portanto, cara Irmã, para conseguir este objetivo que deve ser o nosso, o resto não é nada; e se eu puder colocar em ti toda esta atração, eu terei ganho tudo. Procurar converter os outros, corrigi-los, reformá-los, é perder tempo e tomar um caminho penoso e difícil e raramente conseguimos chegar a tudo, mas coloquemos em primeiro lugar o amor a Nosso Senhor, a atração para trabalhar no sentido que nos propusemos; quem não sente esta atração e não se quer dar a isso não é para nós; o que me agrada em ti, é esta atração que o bom Mestre lhe deu. Vamos, caminhemos em direção a este objetivo e olhemo-lo como um assunto importante, essencial e o bom Deus nos abençoará.

Não se aborreça demais com todos esses pequenos desacordos, que o amor a Nosso Senhor a ajude e a console, coloque-se acima de todas essas pequenas misérias e caminhe; se um viajante parasse diante de todas as pedras ou espinhos que encontra no caminho, jamais chegaria ao seu destino; assim nós, tenhamos um objetivo, caminhemos para esse objetivo, caminhemos apesar de tudo, e então seremos os verdadeiros discípulos e operários de Nosso Senhor. Olhe para Nosso Senhor: Ele não caminhava apesar dos fariseus, apesar dos seus apóstolos que muitas vezes eram entrave? Pois, é a minha resolução para mais tarde, ir, caminhar, catequizar. Aqueles que querem, caminhem conosco, e os outros fiquem no caminho se não querem caminhar.

Coragem pois, pobre filha.

Rezemos e caminhemos para o nosso objetivo com todo o nosso coração e o bom Deus não nos abandonará.

Reze por mim e faça como lhe digo.

Que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 182 (232) [5]

  1. M. J.

Querida filha

Pode ficar ainda toda a semana e aproveitar o convite que Nosso Senhor fazia aos seus apóstolos : vinde para um lugar isolado e descansai um pouco.

Que todo o vosso ser, alma e corpo, se fortaleçam no repouso do Senhor.

Eu vos dou a minha bênção.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 183 (233) [6]

À NOSSA IRMÃ VERÔNICA

[St. Fons, 1874]

Querida filha

Acrescente à carta que lhe envio o nome e o endereço do doente que tem necessidade deste fortalecimento. Se vier amanhã antes das 6 horas da tarde, eu estarei na minha montanha.

Não terá mais nada a fazer senão divertir-se pelos campos que estão à volta, e eu irei te encontrar. Não permito a ninguém que venha perturbar o meu isolamento.

Se vier depois das 6 horas, estarei em St. Fons.

Que o Senhor a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 184 (234) [7]

[Limonest, 1875]

Querida filha

Eu não tenho intenção de receber esta Irmã de Condrieux; se ela voltar ao Prado, pode dizer-lhe, da minha parte, que procure uma outra casa; quanto a Eleonora, é muito jovem de cabeça e de coração,

tem necessidade de grandes cuidados e será muito difícil conseguir alguma coisa.

Entretanto, não a desencoraje, e ajude-a a reconhecer os seus defeitos, tentando obter dela tudo o que puder para sua correção.

Chame de novo a Irmã Luisa.

Noto, com efeito, que ela continua criança e que tem necessidade de uma direção sólida e firme.

Diga à Irmã Clara que lhe chame a atenção para as faltas cometidas na escola

e não a poupe.

Coragem, eleve bem alto o seu coração, cara filha; que as misérias dos outros não a desanimem, mas, em vez disso, trabalhemos como bons soldados e ocupemo-nos sobretudo em fazer todo o bem que pudermos. Temos muito que fazer, mas espero que, com a graça de Deus, o conseguiremos, porque estamos ocupados na obra de Deus, o qual nos tem amado tanto até agora que não nos vai abandonar.

Que Jesus Cristo a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 185 (235) [8]

À NOSSA IRMÃ VERÔNICA EM SANTO ANDRÉ, LIMONEST

Minha querida filha

Faça um bom pequeno retiro; lhe será proveitoso para a alma e para o corpo. Agradeça a Deus o dar-lhe um pouco de repouso, a fim de que tudo em ti fique mais fortalecido.

Não deixe de contar as suas pequenas preocupações; quando se guardam no coração, aumentam, e só fazem mal à alma.

Rezo para que cresça no amor ao bom Deus e se encha de vigor para o bem e se torne uma boa catequista.

Não se preocupe, mas coloque tudo aos pés do bom Deus.

Reze por mim que eu também rezo por ti.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 186 (236) [9]

À NOSSA IRMÃ VERÔNICA, NO PRADO

  1. M. J. [Vichy, agosto de 1876]

Queridas Irmãs

Penso que o bom Deus me permitirá regressar depressa ao seio da minha família, depois de tanto tempo de ausência; estou melhor, embora não com muitas forças. Espero encontrar-vos muito ajuizadas e de boa saúde.

Soube notícias vossas, através do Padre Berne, assim como das nossas crianças; mas em breve poderei, pessoalmente, tomar conhecimento direto de tudo e recomeçar com calma o meu trabalho, se não no todo, pelo menos em parte.

Transmita as minhas saudações muito fraternas a todas as Irmãs: às grandes, às antigas, às pequenas e às mais novas.

Desejo ver-vos de novo, sensatas e fervorosas; e que todos em conjunto possamos celebrar a linda festa da Assunção, na expectativa de podermos a celebrar no céu.

Que a paz do bom Deus esteja convosco.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 187 (237) [10]

À IRMÃ VERÔNICA, NO PRADO

Limonest, 7 de março de1877

Querida filha

Não fique antecipadamente desolada. O bom Deus providenciará em tudo, porque, quando Ele quer uma coisa, sabe como proceder para que tudo corra pelo melhor; continue a ocupar-se da casa; veja como toda essa gente tem necessidade de uma mão para conduzi-la, de um olho para a vigiar, e de não permitir que estas jovens contraiam maus hábitos. A Irmã Luisa é muito criança, e por isso será preciso tirar-lhe a direção das crianças e dar-lhe uma ocupação onde esteja sob a chefia de alguém, e não a deixe continuar como mestra. Conviria fazê-lo quanto antes. Se a Irmã Madalena não aceita a Irmã Teresa como é, forme-a você para ir visitar os doentes, ou então a confie à Irmã Hyacinthe para as duas irem juntas visitá-los.

Não gosto das pessoas que querem dominar e impor a sua vontade. Tenho uma boa razão para que a Irmã Maria-Teresa não seja colocada, já e inteiramente, junto da Irmã Madalena, senão, depressa faria pior que a Irmã Luisa. Esta gente não está formada e não tem o espírito de Deus. Temos que trabalhar muito para pôr o espírito de Deus nestas cabeças. Será que conseguiremos?

Reze, cara filha. Se me retiro é para isso. Espero bem que o bom Deus terá piedade de nós e que, possivelmente, encontrarei algumas ajudas da parte dos meus jovens padres para trabalhar na obra de Deus.

Se entregue sempre muito às boas obras, porque isso é a vontade de Deus: que trabalhemos na salvação do próximo; façamo-lo de todo o nosso coração. Rezemos muito por isso; não ponha de lado a oração e peça todos os dias o espírito de Deus: para ti, para mim e para os outros.

Adeus, cara filha. Até sexta-feira à noite.

Que o Senhor a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 188 (238) [11]

  1. M. J. [Roma, 16 de abril de 1877]

Minha boa Irmã Verônica

Tive a alegria de receber as notícias que me dá da pequena comunidade de Irmãs do Prado. Em Roma como em Lyon, estou sempre unido a todos vós; se diria até que, quanto mais longe se está, mais se pensa.

Continue a dar bem o seu pequeno catecismo, à quinta-feira e ao domingo; esta é a nossa missão e eu só ficarei contente quando vir todos os meus Irmãos e Irmãs fazendo esse trabalho em favor das crianças e dos pobres; é esta a nossa missão. Quando tivermos ensinado aos outros a conhecer a Deus e a amá-lo, teremos cumprido o nosso dever. Oh! Como estamos ainda longe desta bela missão que o Senhor nos confiou e como a cumprimos mal.

Trabalhemos, pois, por nos aperfeiçoarmos na arte de ensinar aos outros a conhecer e amar a Deus e, para isso, façamos, através da oração e do estudo, por conhecê-lo e amá-lo nós mesmos.

Nós vamos trabalhar aqui com os nossos jovens seminaristas, a fim de que aprendam a dar bem o catecismo, a rezar o Rosário, a orientar a Via-Sacra e a celebrar a Santa Missa. Mesmo que só soubéssemos bem isto, já poderíamos fazer muito bem. Sinto-o cada vez mais: como temos necessidade de oração! Por essa razão, não tenhais acanhamento de rezar por todos, e por mim em particular; eu não vim aqui para procurar aprovações, fazer constituições, mas vim aqui para pôr, tanto quanto puder, o Espírito de Jesus Cristo nos nossos corações. Quando tivermos o espírito de Deus, as coisas irão bem; quando não o tivermos, as aprovações não nos faltarão, mas, se não tivermos o espírito de Deus, para que nos serviriam elas? Para nada, a não ser para nossa vergonha e condenação. Peçamos, pois, antes de mais, o espírito de Deus; que esse espírito nos comunique a sua caridade e, sobretudo, a sua humildade, a sua doçura e o seu zelo, e tudo correrá bem; mas, sem isso, não seremos nada nem faremos nada. O espírito de Deus, oh! peçamo-lo sempre e todos os dias; não cessemos de o pedir; eis a recomendação que vos faço a todos e a todas; esforcemo-nos por adquirir este espírito e tudo correrá bem.

De onde vem que, entre nós, haja tantas pequenas misérias, suscetibilidades, inveja, maldade, negligência? É porque o espírito de Deus não está presente; ao contrário, quando tivermos esse espírito, então haverá união, caridade, amor, zelo e renúncia a si mesmo; peça-o você mesma e que todas entre vós o peçam para todos. Faça bem cada dia, com fé e humildade, a devoção ao Espírito Santo, a fim de que venha a nós o espírito de Deus.

Apresente as minhas saudações a todas as Irmãs mais velhas, e que elas cresçam na fidelidade, na oração, na caridade e no bom exemplo; que os vossos cargos sejam bem desempenhados, as orações bem feitas, e que entre vós todas haja união, caridade, silêncio e regularidade; que não sejais apenas Irmãs de nome, mas Irmãs de fato pela prática de virtudes sólidas.

Recomendo às Irmãs jovens a oração, o silêncio e a humildade, a submissão às mais velhas, sobretudo às que estão encarregadas delas pelo seu ofício, lembrando-se muitas vezes da nossa bela vocação que é ensinar aos outros a amar a Deus e conhecê-lo, já que aqueles e aquelas que não estão unidos a Nosso Senhor não podem fazer nada. Sem mim não podeis fazer nada, diz Jesus Cristo. Portanto, se queremos fazer alguma coisa é preciso estarmos unidos a Cristo nosso Mestre.

Peço à Irmã Verônica que se ocupe de todas as Irmãs, do corpo e da alma, que repreenda, quando alguma coisa não correr bem, porque é necessário repreender; os maus hábitos alastram porque não se repreende, e depois, fazem tanto mal no campo do Pai de família.

É preciso, cada noite, confessar humildemente as suas faltas, repreenderem-se umas às outras e sentirem-se felizes por isso, a fim de se corrigirem e se tornarem mais agradáveis a Deus e mais úteis ao próximo.

Tomo conhecimento, com agrado que os vossos doentes estão melhor.

Rezo por vós todas, a fim de que Deus vos conserve a saúde da alma e do corpo; quanta a mim, estou melhor, antes de mais porque não sou importunado todo o dia, como no Prado, e a nossa vida é mais regular. Eu quereria, se essa for a vontade de Deus, fazer uma grande reserva de saúde em Roma, para regressar com melhor disposição e poder retomar o ensino do catecismo, bem como praticar os exercícios de religião necessários, e assim nos tornarmos, em conjunto, verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.

Saudações à Irmã Teresa; peço a Deus que lhe dê saúde, para que se torne uma boa farmacêutica no Prado.

As minhas saudações à Irmã Clara, a fim de que tenha todos os cuidados com as nossas meninas e assim venham a fazer uma boa Primeira Comunhão.

À Irmã Dominique, a fim de que tenha paciência no meio dos seus trabalhos e possa dar a cada um o que lhe convém.

Às Irmãs Antônia e Francisca, para que saibam controlar-se na execução dos trabalhos penosos e deem testemunho de doçura e de paciência.

À Irmã Isabel, coragem e humildade ao subir as escadas.

À Irmã Hyacinthe, que encontre no Santíssimo Sacramento, onde vai muitas vezes, o amor de Deus e a amabilidade para com o próximo.

À Irmã Inês, o silêncio, a discrição e a solidão da alma.

À Irmã Luisa, que cresça e não confie demais em si mesma.

À Irmã Gabriela, que tenha coragem e confiança em Deus, e que se fortaleça no amor de Nosso Senhor; saudações à sua mãe e aos seus irmãos.

À Irmã Stanislas, que cresça também e se movimente um pouco para fazer desaparecer a doença.

À Irmã Maria-Bernardina, saúde, humildade e submissão em tudo à vontade de Deus.

À Irmã Maria-Teresa, renúncia à família e ao mundo, e espírito de oração e à Sra. Claudina, paciência na doença. Pode-se ter muito mérito sofrendo.

Que o bom Mestre vos abençoe a todas.

Eu rezo por vós, rezai por mim.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 189 (239) [12]

À NOSSA IRMÃ VERÔNICA, PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA DUMOULIN, 14, LYON-GUILLOTIÈRE, RHÔNE, FRANÇA

[Roma, maio de 1877]

Querida filha

É muito necessário tomar um pouco de repouso depois do trabalho e tentar arranjar isso para toda a gente, você incluída. Não desanime, eu sei melhor do que ninguém quanto é difícil fazer a obra de Deus, e nunca como hoje compreendi como é preciso ser Santo para conseguir fazer algo. Reze para que eu me torne um pouco mais santo, que me encha do espírito de Deus. Oh! como eu tenho necessidade dele para mim e para vós todos. Vede se conseguis ter uma grande e justa ideia da vossa sublime vocação: transmitir a fé aos outros e comunicar-lhes um pouco do amor do bom Deus; é muito belo, e nada nos deve desencorajar no seguimento deste caminho. Hoje, no Evangelho, diz Nosso Senhor: Eu sou o bom Pastor e dou a minha vida pelas minhas ovelhas. Se nós não damos a nossa vida de uma vez só, dêmo-la um bocadinho cada dia, e assim nos tornaremos em imagens do verdadeiro Pastor.

Fez bem em deixar ir a Irmã Gabriela a casa da mãe, porque quando é a caridade que está em causa, há que estar sempre de acordo. Diga-lhe que transmita as minhas saudações a esta boa mãe e que não desanime em relação aos seus filhos; eles irão bem. A bênção de Deus está com ela e com os seus filhos.

Continue a reunir as crianças e leve-as a fazer pequenos exercícios, isso lhes fará bem.

Coragem! Abençoo-a e não a esqueço. Reze por mim, que tenho muita necessidade, uma vez que me vejo tão pobre que até tenho vergonha de mim mesmo.

Seu pai,

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 190 (240) [13]

À NOSSA IRMÃ VERÔNICA, PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA DUMOULIN, 14, GUILLOTIÈRE, LYON, RHÔNE, FRANÇA

  1. M. J. [Roma, maio de 1877]

Querida Irmã

Li com prazer a sua carta, assim como as das nossas jovens Irmãs do Prado. Obrigado pela vossa simpática lembrança e boas orações. Começo a sentir muito a demora de regressar para o meio do rebanho. Retardamos o nosso regresso para encontrar o Sr. Cardeal de Lyon, que deve chegar esta semana a Roma, uma vez que não poderíamos vê-lo em Lyon, à nossa chegada. É esta de fato a razão da nossa demora, caso contrário, seríamos nós a chegar aí em vez da carta. Reze para que esta entrevista nos seja útil e que o Sr. Bispo acabe por consentir que eu fique com os meus novos colaboradores, mas, que se faça em tudo a vontade de Deus. Se for preciso sofrer, é necessário saber fazê-lo até ao fim. Os nossos jovens padres estão bem e regressarão com todo o gosto, se Deus quiser. Penso muito, e sempre, em vocês todas e nas nossas crianças. Logo que chegue, tratarei de dar o catecismo; que o bom Deus abençoe a nossa obra, tão bela aos seus olhos, na condição de ser bem feita.

Saudações a todas as Irmãs mais velhas: que o bom Deus lhes dê o espírito de oração e de caridade.

Saudações também às mais jovens: que o bom Mestre conceda a todas o amor do Senhor, o dom da entrega, a doçura, a caridade. Levo comigo a imagem da vossa padroeira, benzida pelo Santo Padre… e envio uma folha de hera colhida nos jardins do Santo Padre a fim de que vos ligueis mais a Jesus Cristo e à sua Igreja, do mesmo modo que a hera se agarra à árvore da qual vive.

Coragem, pois, queridas filhas.

Trabalhemos por Deus, instruamos os pobres, é esta a nossa parte; mas façamo-lo bem, com perseverança. Renovemo-nos nesta santa vocação e tornemo-nos santos, sobretudo através do amor de Jesus Cristo, porque tudo está no amor de Deus; aquele que tem o amor de Jesus tem tudo o que é necessário; e pode tudo, não teme nada. Procuremos, pois, crescer no amor de Jesus Cristo e seremos felizes.

Saudações e bênçãos a todas as nossas Irmãs do Prado.

Saudações a todas as nossas crianças, as quais veremos em breve, com alegria, para continuarmos a nossa tarefa.

Chegaremos provavelmente no fim da próxima semana.

A Irmã Clara parte hoje de Roma e pensa chegar dentro de alguns dias, a menos que pare em casa da Sra. Chalon, na Tour du Pin.

Uma saudação para a minha mãe, outra para a Irmã Antônia.

Que Nosso Senhor Jesus Cristo vos abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Verônica 191 (241) [14]

À NOSSA IRMÃ VERÔNICA, PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA DUMOULIN, 14, GUILLOTIÈRE, LYON, RHÔNE, FRANÇA

  1. M. J. [Vichy,] 6 de julho de 1878

Querida filha

Não quero partir sem responder à sua breve carta, e mostrar-lhe a estima que tenho por uma antiga Irmã do Prado que trabalha na obra das crianças. Sim, procure merecer este título de Irmã das crianças. O Senhor amava os pequeninos e chamava-os para junto de Si; continue, então, a trabalhar com coragem e perseverança na sua pequena obra e, se bem que os sucessos não sejam sempre muito brilhantes, acabarão por dar frutos mais tarde. Não se veem os frutos da semente todos os dias, mas no fim do ano, por altura das colheitas; é então que eles se colhem. É também no dia da colheita que vereis os frutos que o bom Deus vos permitirá conhecer.

Ame muito o catecismo, entregue-se toda e de todo o coração. Eis uma bela obra e, ao fazê-lo, esteja segura de ser agradável ao bom Deus e de me dar prazer.

Coragem deixo-lhe a minha bênção; e no meu regresso, irei ver esses pequeninos do bom Deus.

Saudações às Irmãs Madalena e Felicidade.

Reze por mim; eu não a esqueço diante do bom Deus.

Volto na segunda-feira e terei o prazer de vê-las a todas.

Vosso muito dedicado em Nosso Senhor,

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun

À Irmã Teresa Brun 192 (167) [1]

SENHORA BRUN, SÃO MAURÍCIO, “CITE” DO MENINO JESUS

  1. M. J. [“Cité”,] 25 de agosto de 1859

Senhora,

Envio-lhe a sanfona que agora se encontra em bom estado, e peço que retome as suas funções conforme o costume; não é quando se está desanimado que se deve pedir a demissão. A demissão que me pede é apenas o sinal de um orgulho idiota, que foi talvez um pouco humilhado em alguma circunstância. Se não conseguiu alcançar o sucesso como queria, não se deve estranhar; há que atribuí-lo ao seu pouco espírito de oração e esperar o sucesso do bom Deus; portanto, não aceito a sua demissão. É preciso ter mais coragem, mais energia e mais confiança em Deus, e depois tudo irá melhor.

Seu muito dedicado em Nosso Senhor Jesus Cristo,

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 193 (167 bis) [2]

À NOSSA IRMÃ TERESA BRUN, NOS CARTUXOS, LYON

  1. M. J. [Prado,] 19 M. 1865

Minha querida Irmã

Tire umas pequenas férias e aproveite, reconhecida, os bons cuidados que estas boas Irmãs lhe querem prestar. Não seja tão rude, e não tenha vergonha de se mostrar, o que não é fácil, mostre-se tal como é, não tenha medo.

Não lhe dou o conselho de fazer uma confissão geral, não tem a cabeça serena para fazer uma coisa tão grave; caminhe com confiança, peça a Deus que lhe dê a graça de se converter; é isso o que de melhor pedimos para ti.

Coragem, não se preocupe com as tentações que sente em relação a mim; eu não sou, em relação a ti, mais severo num tempo do que noutro; se se trata de um defeito meu, de não andar sempre com um humor igual, esforçar-me-ei por me corrigir, mas deve compreender que não é a única que tenho de atender, e que as pessoas simples que continuamente me procuram nem sempre me trazem rosas. Suporte-me; eu procuro suportar todos.

Reze por mim no seu silêncio.

Eu rezo por ti.

Que o Senhor a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 194 (168) [3]

À NOSSA IRMÃ TERESA, IRMÃS DA ADORAÇÃO RUA DA INFÂNCIA, CROIX-ROUSSE

[1871]

Querida filha

Permito-lhe que prolongue as suas férias, uma vez que não poderei ir vê-la por estar em Retiro com os meus seminaristas.

Restabeleça-se bem e reze muito a Nosso Senhor pela Santa Igreja e pelo seu pobre servo.

Que Deus a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 195 (169) [4]

À NOSSA IRMÃ TERESA

  1. M. J. St. Fons, [1872]

Minha boa Irmã Teresa

Parti de Lyon sem responder à sua carta; sabe que em Lyon muitas vezes nem sei onde pôr a cabeça e deixo de fazer muitas coisas, às vezes bastante importantes.

Não se aborreça, cara filha; coragem no meio das suas misérias espirituais e temporais.

Não ponha de lado, sobretudo, os seus exercícios de piedade, a leitura e a comunhão.

Recupere bem depressa, porque tenho trabalho para ti logo que voltar.

Não se deixe cair na tristeza. Procure no Rosário e na Via-Sacra a força e a paciência necessárias para tirar partido da sua miséria, e fique ciente de que será com muito prazer que a veremos regressar.

Igualmente não fique pensando que estás dando muitos gastos à casa ou que atrapalha a nossa vida; de maneira nenhuma. Bem pelo contrário, nos é muito útil, a mim sobretudo: é a minha pequena secretária. Vamos, coragem, paciência, confiança em Deus e Ele a abençoará. Rezo por ti e abençoo-a.

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 196 (170) [5]

À IRMÃ TERESA

[1873]

Irmã Teresa

Quando lhe pedir bens de uso pessoal para as crianças ou outras pessoas, colocarei ao lado do objeto pedido a letra a quando isso for para os domingos; a letra b quando for de categoria média; a letra c quando for para todos os dias.

Calças b.

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 197 (171) [6]

À NOSSA IRMÃ TERESA , NO PRADO

  1. M. J. [1873]

Querida Irmã Teresa

Quando tiver copiado os dois papéis que lhe dei, ou seja, a oração e o terço, copie os mistérios gozosos e acrescente a cada mistério o exame das virtudes que lhe envio.

Eis a ordem a seguir ao copiar cada artigo por mistério:

O fato evangélico.

A análise ou resumo do Mistério.

A divisão do Mistério.

As personagens.

O exame das virtudes.

A oração.

Aí está a ordem que deve usar quando copiar cada artigo.

Antes de tudo, arranje um caderno onde possa escrever todos os mistérios gozosos.

Na Encarnação, poderá incluir o que diz respeito ao precursor.

Não sei se poderá entender bem o que escrevo. Se for preciso, peça ajuda à Irmã Clara.

Peço a Deus uma boa saúde para ti.

Que o Senhor a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 198 (172) [7]

À IRMÃ TERESA, NO PRADO

  1. M. J. [1874]

Querida Irmã Teresa

Envio-lhe um pequeno escrito para completar os mistérios dolorosos. Copie-os da mesma forma e ordem que lhe indiquei para os gozosos, como segue:

Relato evangélico.

Resumo.

Divisão e explicação das personagens.

Exame das virtudes.

Oração e prática.

Não dê nada a copiar.

Mais tarde direi o que é preciso fazer.

Copie a Agonia como tem nos pequenos cadernos: não é preciso copiar os comentários; organize um caderno à parte para os mistérios dolorosos, embora semelhante ao primeiro.

Que Deus a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 199 (173) [8]

À NOSSA IRMÃ TERESA, NO PRADO

[1875]

Querida filha

Assista tanto quanto puder aos Exercícios e quando houver algum tempo; peça desculpa de não poder assistir aos outros.

Reze muito e peça a Deus a sua luz e a sua graça.

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 200 (174) [9]

À NOSSA IRMÃ TERESA, NO PRADO

  1. M. J. [1875]

Querida Irmã Teresa

Há já muito tempo que não tenho notícias suas e tive saudade de ti nestes dias. Não se esqueça de fazer todos os tratamentos exigidos pela sua saúde, porque é uma das nossas antigas e é preciso cuidar bem dos velhos.

Ofereça os seus sofrimentos a Deus, em união com os de Nosso Senhor; eles lhe serão muito proveitosos.

Sinto-me um pouco melhor e vou regressar na segunda-feira à noite, para a festa; e então voltarei a ver esse pobre Prado que já não vejo há muito tempo.

Esperando vê-la em breve, aceite as minhas saudações paternais em Nosso Senhor Jesus Cristo.

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 201 (175) [10]

À NOSSA IRMÃ TERESA, PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA DUMOULIN, 14, LYON, GUILLOTIERE

  1. M. J. [Lantignié, 9 de julho de 1876]

Querida Irmã,

Soube por M. Berne que está muito cansada.

O sofrimento é um tempo difícil de passar… é uma provação que devemos viver com submissão à vontade de Deus.

Aceite-o com a fé de uma boa cristã e mesmo de uma perfeita cristã. O sofrimento permite-nos expiar muitos pecados e prepara-nos para o céu; é um tempo que o bom Deus nos dá normalmente para nos tornar aptos para ir até Ele e nos tornar dignos de nos apresentarmos diante dele. O sofrimento abre-nos o céu e faz-nos expiar mil pequenas e grandes faltas da vida, tornando-se um tempo de misericórdia e de bondade da parte de Deus. Ajuda-nos a fazer o sacrifício de nós mesmos, a desprender-nos de nós e de todas as criaturas. Sem ele, teríamos imensa dificuldade em consegui-lo.

Vamos, coragem. Aceite essa provação e acredite que ela é para seu bem. Ofereça a Deus os seus sofrimentos: para o bem da obra, para atrair as bênçãos de Deus sobre todos e para que reine entre nós a humildade e a caridade. No seu estado, está alcançando para nós grandes méritos e obtém para nós o que não obteríamos de outro modo.

De vez em quando comungue para obter a paz, a submissão e o amor de Deus. Escreva-me, pessoalmente ou por Irmã Verônica, para me dizer como está passando e como vai toda a gente, se se portam bem, as Irmãs maiores, as Irmãs pequenas, as Irmãs novas e as aspirantes; dê-me notícias de todas; eu as receberei com muito prazer, e das nossas meninas também.

Peço a Deus para todas o bom espírito de que tendes tanta necessidade. Peça-o para mim, porque se temos o espírito de Deus, temos tudo o que é preciso para sermos sábios e agradáveis a Deus e úteis ao próximo.

Que Deus a abençoe.

  1. Chevrier

Em Lantigné, perto de Beaujeu, em casa de M. Chanuet, Rhône

À Irmã Teresa Brun 202 (176) [11]

À NOSSA IRMÃ TERESA, PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA DUMOULIN, 14, LYON, GUILLOTIERE, RHÔNE, FRANÇA

  1. M. J. Roma, 25 de abril de 1877

Minha pobre Irmã Teresa

Como está? Como vão os seus joelhos, a sua cabeça, os seus membros? Quando parti estava muito cansada; está melhor agora? Será que em breve, poderá voltar ao serviço como nossa enfermeira? Vamos, coragem! O bom Deus, assim o esperamos, há de dar-lhe ainda tempo para trabalhar e continuar a ajudar-nos; faça, ao seu redor, todo o bem que possa no meio daqueles que a servem: as Sras. Clotilde e Claudina. Apresente-lhes as minhas saudações e diga-lhes que oferece ao bom Deus todos os seus sofrimentos pela glória de Deus e o sucesso da nossa obra, mas, em primeiro lugar pela nossa conversão.

Aqui rezamos a Deus por todos vós.

Se a Irmã Clara já regressou de Crémieu ou de Bourgoin, diga-lhe que as Irmãs da casa onde vou rezar a Missa todos os dias lhe reservarão um pequeno quarto, para ela e para a Sra. Châlon que a deve acompanhar. Mande-me notícias das Irmãs: como está a Irmã Maria-Bernardina? Continua em casa dos pais? Está melhor? E todas as outras? A Anita?

Reze a Deus por nós. Eu bem sei que o faz, mas peça sobretudo a nossa conversão; que a nossa estadia em Roma seja útil a todos, a fim de que nos tornemos bons catequistas. Esta é a graça que eu peço a Deus por intermédio de São Pedro e São Paulo.

Saudações a todas em Nosso Senhor. Saudações às nossas meninas que vêm ao domingo; saudações aos nossos meninos do domingo e da quinta-feira. Dê-me notícias do Pe. Dutel que está muito doente.

Rezo por vocês todas e abençoo-vos.

  1. Chevrier

Dê as pequenas imagens às Sras. Clotilde e Claudina; a grande é para ti. Foram bentas pelo Papa.

À Irmã Teresa Brun 203 (177) [12]

À NOSSA IRMÃ TERESA, NO PRADO

[1887]

Minha boa Irmã

Creio que seria mais honesto ir você mesma visitar a senhora Franchet, na casa dela, situada na Rua do Plat, 2. Eu tinha prometido ir visitá-la, mas depois digo-lhe francamente, não fui, seja por medo de a incomodar, seja por explicações que não me agradam.

Apresente-lhe os meus cumprimentos respeitosos, bem como o meu sincero reconhecimento por tudo o que nos fez.

Em breve lhe enviarei um pequeno trabalho sobre o Espírito Santo que terá a bondade de fazer.

Recomende à Irmã Catarina que procure ser sempre muito sensata e que não ande aborrecida; se o desejar, que peça para ir visitar o Sr. Chapuis.

Seu muito dedicado

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 204 (178) [13]

À NOSSA IRMÃ TERESA

  1. M. J. [1878]

Minha cara Irmã

Soube, com muita pena, a triste notícia da morte de sua mãe.

Mas esta morte é, afinal, uma graça do bom Deus. No caso dela, a previsão da morte deve ter sido mais terrível que a morte em si mesma, por causa das apreensões naturais; assim, reconheça mesmo neste acontecimento um efeito da sua misericórdia; e também, ela estava bem preparada.

Por isso, não esteja preocupada por causa dela.

Já rezei por ela; sexta-feira, vou oferecer o Santo Sacrifício especialmente por sua intenção.

O Sr. Picollet pede para lhe enviar os livros dele; queira mandar entregá-los o mais cedo possível.

Como a sua saúde continua fraca, tenha coragem e paciência, confie em Deus e trabalhemos para a sua glória e para a nossa santificação.

Reze por mim e receba a minha bênção.

  1. Chevrier

À Irmã Teresa Brun 205 (179) [14]

À NOSSA IRMÃ TERESA, PROVIDÊNCIA DO PRADO DE SANTO ANDRÉ, LIMONEST

[Hospital homeopático, 3 de janeiro de 1879]

Cara filha

Obrigado pelos seus votos, bem como pelos das suas Irmãs de Limonest.

Continue a sua pequena obra e faça o que puder para que tenha sucesso e levar a todos os corações a paz, a união, a caridade e a alegria.

Desejo para todas o amor de Nosso Senhor e a perseverança na vocação e abençoo-vos de todo e meu coração.

  1. Chevrier

À Irmã Clara

À Irmã Clara 206 (180) [1]

  1. M. J. 24 de agosto de 1867

Cara filha

O demônio faz-lhe sempre a guerra. Quando chegará o dia em que terá uma boa vitória sobre ele e deixe de acreditar em todas as suas más inspirações? Vamos, portanto, não tem a fazer mais nada senão caminhar para chegar até Deus; só há obstáculos na sua imaginação, o que faz as coisas sempre muito maiores do que são na realidade.

Ficou perturbada por lhe ter dito que não fará nada de sua vida enquanto andar neste estado de apreensão, de perturbação. Que quer fazer? Está presa, sem liberdade, sem luz; liberte-se de todos estes laços diabólicos e então poderá cumprir melhor a vontade de Deus. Tem tudo o que é preciso para ser uma boa religiosa, uma boa pequena Irmã do Prado, mas comece por agir com mais liberdade e amor de Deus. O medo faz escravos, o amor faz filhos de Deus. O medo aprisiona as almas, o amor liberta-as e faz voar para os céus. Coragem, pois, querida filha, ame o bom Deus; suba até Ele pelo amor que nos manifestou ao vir a este mundo e não tenha tanto medo de Deus. Pelo contrário, ame-o e tudo correrá bem.

Traga esta menina de Crémieux e que o Senhor a abençoe e lhe dê a sua graça.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 207 (181) [2]

4 de setembro de 1867

Deve esforçar-se por renunciar às criaturas, não as amar senão por Deus e em Deus, evitando dar sinais exteriores de afeição sem razões graves e permitidas pelos superiores. Não se prenda a ninguém em particular.

Renuncie a si mesma, através da mortificação dos sentidos e pela obediência completa, quer do espírito quer do coração.

Levar a cruz cada dia e seguir Jesus, eis a forma de entrar no caminho da perfeição.

Que o Senhor a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 208 (182) [3]

[1868]

Minha boa Irmã

Desculpe por não lhe ter respondido imediatamente. Quanto ao seu pedido, julgo-o verdadeiramente inútil, tendo em conta que lhe disse para deixar em testamento 15000 francos à sua família.

Mas, para sua satisfação pessoal, permito-lhe ir por lá, num dia em que não roube muito tempo às suas crianças.

Seja sensata e prepare-se bem para a confissão, a fim de poder comungar mais vezes.

Dou-lhe a minha bênção. Coragem, confiança.

  1. C.

À Irmã Clara 209 (183) [4]

  1. M. J. [1868]

Querida filha

A Irmã Maria escreveu-lhe, e eu juntei uma pequena palavra para ti. Respondo à que me enviou ontem.

Senti uma grande pena ao ver que já não faz as suas Comunhões. Se não recebe o bom Deus, o que poderá fazer? Que será de ti?

Portanto, não se deixe levar por todos os seus temores; procure, sobretudo, ser e viver como filha de Deus, deixe de ser sua escrava. Sirva-O com alegria e verá que tudo correrá bem.

Se tivesse feito as suas comunhões e cumprido os seus exercícios, lhe teria permitido, com muito gosto, que ficasse com a senhora Sto. Coração de José, que foi tão boa para ti, mas não tenho a coragem de o permitir por muito tempo, a não ser que se decida a reconciliar-se junto de algum padre de Bourgoin ou de outro lugar. E depois, chegando a Primeira Comunhão, a Irmã Maria precisa de ti por causa das crianças.

Por agora, querida filha, ame a Deus acima de tudo, e tudo irá bem. Eu já estou um pouco melhor, começo a andar. Minha mãe envia-lhe a garantia da sua amizade.

Que Jesus a abençoe. Todo para ti em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 210 (184) [5]

IRMÃ CLARA

[Moulin à Vent]

Querida filha,

Eis a lista de todos os capítulos que copiou: humildade, pobreza, obediência, caridade, doçura, renúncia, pureza, o homem espiritual, perfeição cristã, família, fé, sofrimento, superiores, apóstolos. Os outros não foram copiados, tal como os que refere.

Quanto às suas comunhões, faça-as; o que se diz ou faz por inadvertência ou sem má vontade, nunca é grave.

Em relação ao caderno dos mistérios gozosos e gloriosos, não lhes emprestarei senão na quinta-feira, no Prado, porque tenho necessidade dele todos os dias.

Coragem, estou contente contigo e com as suas disposições; toda a nossa felicidade neste mundo está no estudo e no conhecimento de Jesus Cristo.

O seu devotado pai em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 211 (185) [6]

  1. M. J. [1868]

Querida filha

Estou convencido que o demônio faz tudo o que pode para criar a divisão e o ódio; estou desolado e sinto muita pena e, se conhecesse o remédio, o empregaria certamente. Nestes maus momentos, o que há a recear, é que as menores coisas se tornam enormes e parecem autênticos monstros; a gente recorda tudo o que causou dor e alimentam-se velhas antipatias. Isso não é o espírito de Deus.

Permita-me que lhe explique duas coisas que a fizeram sofrer e das quais parece acusar a Irmã Madalena e Irmã Maria. Em primeiro lugar a sua Profissão. Eu nunca admiti ninguém à Profissão ao fim do primeiro ano; todas as Irmãs que a precederam esperaram dois ou três anos antes de professarem. Eu fiz isso por delicadeza para com as outras, a fim de que, interiormente, ninguém pensasse que tive preferências. Foi este o único motivo que me fez agir assim, em relação a ti; de modo algum, levado por qualquer censura que tenham feito a seu respeito. Posso assegurar-lhe que as ditas Irmãs não me disseram absolutamente nada que me levasse a não permitir a sua Profissão mais cedo.

Quanto à nomeação de Superiora, estou convencido de que você não quer e que isso constituiria para ti uma ocasião de dor e de preocupação constantes. Eis a razão que me obrigou a dizer-lhe que não aceitasse um cargo que, neste momento, lhe seria prejudicial. Se já estivesse na casa há muitos anos e a sua consciência bem formada, talvez eu tivesse procedido de outra maneira, mas por agora, julguei ser meu dever ter em conta os seus interesses. Garanto-lhe que, em tudo isto, estou falando a verdade.

Em relação ao que pensa sobre a sua incapacidade, sinceramente, não sei nada. O que sei e do que estou certo, é que todas as Irmãs a amam e estimam, e que não devemos interpretar mal algumas ações ou palavras que, porventura, tenham sido feitas ou ditas no ar e sem má intenção.

Por mim, acredito que tudo o que se está passando vem do mau espírito; de resto, sabe bem quanto a amam as crianças e as Irmãs suas companheiras. Por mim, sempre acreditei que foi o bom Deus que a trouxe aqui, a fim de seguir a inclinação que Ele pôs no seu coração de instruir os pobres e viver com os pobres, e que em tudo o que se passa não há nada que a possa fazer mudar de vocação.

Até agora, sempre tomou os meus avisos e conselhos como vindos de Deus; penso que ainda sou o mesmo para ti.

Peço-lhe que reze a Deus por mim e acredite na minha amizade sincera.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 212 (186) [7]

  1. M. J.

Querida filha,

Quero conservar a sua carta como testemunho dos seus bons desejos e boas resoluções. Sei bem que não é má e tem boa vontade. Disso nunca duvidei e acredite que o demônio faz aumentar para lá dos limites tudo o que pode ter ouvido dizer e que lhe vieram contar. Por mim, não estou convencido que haja alguma má intenção em qualquer das minhas crianças; creio que todas vós tendes boa vontade, e que, se houvesse um pouco mais de humildade e de caridade, as coisas correriam melhor. Assim, não se deixe levar pelas tentações, creia firmemente que está a cumprir a vontade de Deus fazendo o seu humilde trabalho e que toda a gente procura proceder da mesma maneira; que a caridade introduz no nosso espírito bons pensamentos a respeito dos outros e isso ajudará à paz, à alegria e à felicidade.

Vamos, coragem. Faça bem a sua oração, não esqueça o trabalho simples que lhe dei a fazer sobre as Estações, procurando que sobressaiam as virtudes e os vícios de cada personagem das Estações, fazendo luz sobre o comportamento de Jesus Cristo no meio de toda a gente; nada nos dará mais força do que isso.

E depois irei visitá-la assim como às suas meninas.

Faça as suas comunhões como lhe indiquei.

Abençoo-a de todo o meu coração.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 213 (187) [8]

Retiro de Fourvière

Assistirá às instruções do Sr. Capelão das Irmãs.

Nos três primeiros dias, peça a Deus, pela intercessão da Santa Virgem e de S. Francisco, a paz da alma e a calma necessária para fazer um bom retiro.

Para isso, convém fazer algumas práticas de penitência, pequenos jejuns, alguma disciplina, atos de humildade, para obter a graça de Deus e a sua luz, fazendo humildemente a confissão das suas culpas e preparando-se para delas receber o perdão.

Descobrirá, à luz de Deus e na calma, que este mal-estar da sua alma, este estado penoso em que se encontra, procede de um amor próprio excessivo que existe em ti, de uma busca contínua de si mesma, do desejo de ser amada, da apreensão constante em que se encontra de acreditar que os outros têm alguma coisa contra ti, e de mil outras coisas, tais como suscetibilidades ou melindres, pequenos rancores, ódio[54], azedumes, juízos temerários, afeições menos ordenadas; tantas e tantas coisas que amarram a sua alma, destroem em ti a liberdade dos filhos de Deus e a levam a faltar ao seu dever. Aqui estão, de um ponto de vista genérico, os principais defeitos que tem de combater. É preciso começar por pedir a Deus a verdadeira humildade, o desprezo de si mesma, e rezar muito para que se faça a luz dentro de ti.

Prometo-lhe que vou rezar a Deus por ti, porque, no meio de todos estes defeitos, há excelentes qualidades que poderiam ser utilizadas se entrasse, por pouco que fosse no caminho de Deus.

O seu pai que a abençoa.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 214 (188) [9]

  1. M. J. [1868]

Querida filha

Estou à vontade para pensar que está decidida a fazer a Santa Comunhão domingo. Não esqueça o bom Deus e volte com mais juízo; todos estes desânimos vêm do demônio, o qual só quer afastá-la dos seus bons propósitos. Coragem.

A minha saúde está melhor, já começo a andar; a minha cabeça, porém, anda sempre cansada, e por isso, vou passar alguns dias em Tour du Pin.

O senhor Guinand não se encontra em Lyon, de modo que não pode esperar resposta dele; se não puder pagar já a pensão dessa menina, as boas Irmãs aguardarão alguns dias.

Vamos, seja mais lúcida e sensata; não abandone as suas orações o seu ofício e comunhões, e tudo irá bem.

Que Deus a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 215 (189) [10]

NOSSA IRMÃ CLARA

[1869]

Pobre filha

Sempre a ver montanhas onde há apenas grãos de areia!

Afinal, quando saberá distinguir uma formiga de um elefante? Caminhe, pois, mas vá direito, sem se embaraçar com todos os espinhos que o demônio coloca no seu caminho; com essa consciência escrupulosa, nunca mais avançará no amor de Deus. Proíbo-a de se preocupar com tudo isso, de se confessar disso e até de pensar nisso.

Totalmente disponível para ti.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 216 (190) [11]

IRMÃ CLARA

  1. M. J. [1870]

Você é como esses pobres doentes que não querem tomar os remédios receitados pelo médico. Só desprezando as suas tentações e escrúpulos é que poderá corrigir-se. Já lhe disse: quando disser coisas que têm a ver com a sua santificação ou a educação das suas crianças, a ouvirei; mas, quanto a todas essas coisas de que me fala há já dois anos, não lhe darei atenção nenhuma.

Tem escrito o seu pequeno caderno e feito a sua meditação? Continua o meu pequeno trabalho? Estas são coisas importantes; quanto ao resto, é inútil falar disso.

Reze, e despreze todas essas ideias que lhe passam pela cabeça. Não quero ocupar-me senão de coisas úteis à sua alma e à dos outros.

Que o Senhor a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 217 (191) [12]

  1. M. J. [1870]

Querida filha

Tudo o que me diz na sua carta não passa de escrúpulo, preocupação sem fundamento real. Faça as suas comunhões e procure libertar-se de toda essa acumulação de coisas inúteis, que não significam nada, que não passam de simples imperfeições ou, quando muito, de pequenos pecados veniais. Vou dirigir-me ao confessionário, pois a minha dor abrandou.

Seja sábia e sensata, e depois, tenha paciência e coragem no meio das suas tentações e do abandono da sua família.

Seu muito dedicado Pai espiritual.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 218 (192) [13]

À NOSSA IRMÃ CLARA

  1. M. J. [1870]

Minha querida filha

Mas por que atormentar-se dessa forma? Já lhe disse várias vezes que estou contente contigo e que, desde que se ocupe bem do seu catecismo e continue como tem feito desde há uns tempos vai tudo muito bem. Deixe falar. Tudo o que ouve dizer não vem de Deus, mas do demônio para atormentá-la e desencorajá-la. Não preste atenção a tudo isto e trabalhe com ardor, aproveitando tudo para sua santificação e aprenda a morrer a todas as suas suscetibilidades; as palavras dos homens são vãs, diz o Espírito Santo; por isso, que elas nunca a perturbem. Quando nos deixamos perturbar por tão pouca coisa, é uma prova de que ainda não nos entregamos totalmente a Deus. Vamos, coragem; não se deixe levar pelas tentações a meu respeito.

Por mim, estou plenamente esperançado que há de vir a ser uma boa Irmã catequista, sabe bem que é isso que eu mais peço, e quando soubermos instruir bem as nossas crianças, tudo correrá bem, Deus estará contente. É só isto que faz falta.

Que Deus a abençoe.

Não descuide as suas comunhões.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 219 (193) [14]

  1. M. J. St. Fons, 1871

Querida filha

Nota que as crianças precisam da sua presença no Prado; todavia, permito-lhe que fique até quarta-feira, no caso de a sua saúde ir melhor, uma vez que não me fala disso. Cuide bem de ti, e proceda de modo a deixar em Limonest, não só a tosse, mas também o seu mau aspecto, para ser forte.

Quanto à sua propriedade que está defronte desse senhor que quer portar-se como um idiota, creio que decidiu bem como diz; sabe que eu não gosto de dar conselhos em matéria de interesses materiais. Se ele quer fazer a obra, que a faça sozinho, pois não julgo que nos devamos juntar a ele, pois, para isso, seria necessário entrar na casa do senhor Reuil e fazer parte da sua congregação.

Eis o que me parece: se esse senhor comprar a propriedade Guy para a obra das meninas deficientes mentais e que a vossa lhe seja inteiramente necessária para os rapazes deficientes, venda-lhe a propriedade. É melhor sofrer alguma coisa do que impedir que haja uma obra tão útil. Mas, se não a comprar, deixe ficar como está. Pode ser que, mais tarde, a possamos talvez usar para o mesmo fim. Aqui está o que me parece razoável e conforme à vontade de Deus.

Não se fatigue demais ao escrever; tome tempo de repouso. Igualmente não se aborreça, nem deixe os seus exercícios, muito menos a comunhão.

Que o bom Mestre a ajude e abençoe.

Muito dedicado em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 220 (194) [15]

IRMÃ CLARA, EM LIMONEST

  1. M. J. [1871]

Querida filha

Não se trata de maneira nenhuma de colocar a rouparia do lado dos rapazes, nunca pensei nisso e jamais o permitiria; talvez tenha apanhado no ar uma palavra de minha mãe como se fosse uma decisão.

Penso que M. Guerrier não poderá ir a Limonest porque o seu filhinho está doente, por aquilo que ouvi dizer há pouco.

Tive sempre confiança em ti, o que fiz prova-lo.

Não desejo senão uma coisa de ti: é que consiga corrigir-se deste trabalho contínuo do espírito que atua sempre do lado mau, quando afinal, é só a imaginação que age.

Tem necessidade de uma grande dose de humildade, de renúncia a si mesma; esforce-se por conseguir as virtudes da humildade, da obediência e da caridade, através da prática da oração e da Santa Comunhão. Se se tornar humilde e obediente, como seria útil à nossa obra e uma boa operária do bom Deus.

Corrija-se, querida filha, e torne-se uma boa Irmãzinha do Prado.

Inteiramente dedicado a ti,

seu Pai.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 221 (195) [16]

Proíbo-a de se ocupar da sua consciência.

Deve obedecer-me e ficar tranquila sobre todas estas coisas, porque lhe digo.

Faça as suas comunhões.

Ame a Deus e não se inquiete com mais nada.

À Irmã Clara 222 (196) [17]

Querida filha

Respondo a todos os seus pedidos.

Fez muito bem em não se preocupar esta manhã com a sua gota de água; é assim que deve fazer sempre; lave a boca na véspera para ficar livre deste incômodo.

–     O bom Deus pede-lhe uma virtude grande e nobre, sem a qual ficará sempre infeliz; não hesite, pois, e lhe prometo a felicidade com esta condição. Obedeça a essa voz interior que a impele para a virtude e para a obediência.

–     Quanto à penitência de humildade que lhe recomendei, faça-a por pouco tempo, alguns minutos, talvez uns cinco, humilhando-se de verdade, de espírito e de coração, não se afligindo absolutamente nada com qualquer coisa que lhe possa passar pela imaginação.

–     Constituirá para ti um ato de virtude o privar-se dessas pequenas satisfações do coração, mas não se trata de pecado grave. Desconfie muito de todas as suas imaginações.

–     É necessário dizer tudo, tudo, sem medo algum, ou antes, não dizer senão o que eu lhe permita dizer.

–     Conheço-a muito melhor do que pensa; tenha confiança e confie inteiramente em mim. Não volte, nunca mais, às suas confissões passadas. Deixe-se repousar numa total confiança em Deus para toda a sua vida, pois Ele a ama e não quer, de modo algum, abandoná-la.

–     Espero bem que, a partir de agora, me dê tanta satisfação como incômodo e tristeza me deu até hoje.

Seu Pai que a abençoa.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 223 (197) [17]

Nesta manhã pensei que, para se corrigir e conseguir chegar a um bom resultado, seria necessário que fizesse a Comunhão todos os dias até ao momento em que se sentisse bem. Assim, ordeno-lhe que faça a Comunhão diariamente e a faça para obter um novo espírito. Proíbo-a de se preocupar com a sua consciência, a não ser durante um simples quarto de hora antes da sua confissão.

Seu Pai.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 224 (198) [19]

IRMÃ CLARA, NO PRADO

Cara filha

Fique tranquila sobre todas as suas confissões passadas, proíbo-a de fazê-las de novo. Não é disto que se deve ocupar.

Deve-se ocupar seriamente da obediência e da humildade; os juízos temerários estão incluídos nos pensamentos.

Não se preocupe com a sua confissão, faça-a de 8 em 8 dias e faça regularmente as suas comunhões sem medo, animada de uma boa, mas boa vontade; isso basta, porque é absolutamente necessário sair desse lamaçal. Pobre filha, como tem perdido tempo e como tem sido infeliz; levante-se e caminhe!

Por obediência, copie o pequeno regulamento que lhe dei antes de partir e, de dois em dois dias, dê conta à Irmã Verônica do seu cumprimento e peça-lhe uma pequena penitência pelas faltas. É este o primeiro passo que dará na humildade e na obediência que atrairá para ti mais graças do que todas as práticas extraordinárias a que se poderá dedicar e que não são, no fundo, mais do que satisfações do amor próprio e uma armadilha do diabo. Seja exata em tudo isto: confissão de 8 em 8 dias, comunhão 3 vezes por semana e ao domingo, dar conta do seu regulamento e Deus estará contigo.

Foi a mim que prometeu obediência e é a mim que a deve para glória de Deus e sua salvação.

Ficarei muito feliz se ganhar a sua alma para Deus.

Tenha boa vontade e tudo irá bem.

Seu Pai. Eu a abençoo.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 225 (199) [20]

[1872]

Jesus foi obediente até à morte e morte de cruz.

Comprometo-me por voto a cumprir este pequeno regulamento por um mês e a obedecer ao meu confessor nos pontos que dizem respeito à direção da minha alma.

4h ½ Levantar. Arrumar a cama. 1h ½ Terço.
5h Orações. Meditação. 2h Trabalho.
6h Estudo do catecismo. 4h ½ Visita ao S. Sacramento.
7h Missa da comunidade. 5h Catecismo.
8h Café da manhã. 6h História Sagrada.
9h Catecismo. 6h ½ …………….
10h Aula às crianças. 7h ½ Exercício na capela.
11h ½ Catecismo, mandamentos. 8h ½ Deitar as crianças.
12 Almoço, recreio.        Exame.
1h ½ Ofício – semana. 9h ½ Deitar, silêncio.

Todas as vezes que faltarei a este regulamento, me acusarei ao meu confessor ou à minha Superiora e pedirei uma penitência.

Confissão na segunda-feira e direção na quinta-feira.

Comunhão 3 vezes por semana e ao domingo.

Submissão às práticas de humildade impostas pelo meu confessor.

Renovarei todos os meses o meu voto até 10 de dezembro.

Aprovado pelo confessor.

  1. Chevrier

Domingo

7h Catecismo e café da manhã.

11h Explicação do Rosário.

5h da tarde… Coral.

6h …………. Exercício na capela.

Pontos de direção

Evitar a busca de si mesma.

Não resistir à graça.

Não se ocupar da sua consciência mais de um quarto de hora antes da confissão, e o tempo do exame de consciência cada dia.

Que Jesus a ajude… e a abençoe.

À Irmã Clara 226 (200) [21]

À NOSSA IRMÃ CLARA, NO PRADO

  1. M. J. [1872]

Cara filha

Uma vez confessada e perdoada, não se deve ocupar mais dos seus pecados, passados, esquecidos, mal ditos ou não ditos, deixe tudo isso de lado. Sabe que tem na sua consciência um inimigo a vencer; é preciso lutar contra todas essas dúvidas, essas perplexidades, esses aborrecimentos, essas penas, de outro modo nunca mais avançará na virtude; esforce-se na prática das virtudes de humildade, de caridade, de obediência e não deixe de comungar por qualquer perturbação de consciência, porque não se deve deixar Deus por bagatelas e por sombras.

Permaneça serena e obediente.

  1. Chevrier

Envie-me por Suchet os meus cadernos das profecias.

De novo, não se preocupe com a sua consciência; vá a Ars e faça as suas comunhões.

São João Batista faz parte da segunda parte e copia-se antes da Encarnação.

À Irmã Clara 227 (201) [22]

À IRMÃ CLARA, NO PRADO

  1. M. J. [1872]

Cara filha

Envio-lhe a carta da Senhora Pract e do Senhor Guy. Encerre este assunto e peça 5 anos para pagar os 43 mil francos.

Todo seu em Nosso [Senhor].

  1. Chevrier

À Irmã Clara 228 (202) [23]

Cara filha

Confirmo a decisão que lhe dei ontem e nos anos anteriores, que é a seguinte: proíbo-a de voltar ao passado. Proíbo-a de fazer uma confissão geral; fez mais do que é preciso para satisfazer a integridade da confissão, acusando-se como fez e acusando-se em geral como lhe disse para fazer e tendo a intenção de incluir nessas confissões gerais todas as faltas da sua vida.

O que lhe peço e que o bom Deus lhe pede também, é uma vontade séria de trabalhar na sua perfeição, na prática das virtudes sólidas e não perder o seu tempo com a sua consciência.

A contrição do passado, a boa vontade face ao futuro e a prática das virtudes sérias todos os dias, e com tudo isto fique segura do perdão e da sua salvação.

O seu Pai.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 229 (203) [24]

Proíbo-a de se ocupar da sua consciência e ordeno-lhe que faça as suas comunhões. Obediência.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 230 (204) [25]

Não se preocupe com nada, querida filha, tenha confiança; fez um grande ato de humildade e de confiança confessando as suas loucuras de imaginação; que o bom Deus a ajude, a abençoe; estou muito contente por se ter desembaraçado de tudo isso, mas, em todo o caso, não havia falta porque tudo se passava na sua imaginação. Faça as suas comunhões, não se preocupe com nada.

Comece a ser sensata e confiante.

Faça as suas comunhões três vezes por semana.

Eu a abençoo.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 231 (205) [26]

Cara filha

Não se preocupe com os textos que não encontra, continue o seu pequeno trabalho. Há os textos que se referem ao sacerdócio de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Lhe darei o catecismo quando puder. Continue a rezar a Deus pelo seu pobre em Jesus Cristo.

Chevrier

À Irmã Clara 232 (206) [27]

Proíbo-lhe de se preocupar com todas essas coisas de consciência e obedeça exatamente. A obediência antes de tudo.

Receberá a comunhão amanhã para pedir a Nosso Senhor a paz de espírito.

Faça bem os meus pequenos cadernos, é um grande serviço para mim e também para a casa.

  1. C.

À Irmã Clara 233 (207) [28]

IRMÃ CLARA

Querida filha

A sua carta deu-me muita alegria; quando vejo a sua boa vontade para morrer a ti mesma e a aceitação dos sofrimentos, das humilhações, nada é mais agradável a Deus e ao seu confessor.

Persevere, pois, e trabalhe nessa direção, ela a conduzirá ao céu.

Aceite tudo com uma humilde submissão a Deus, não se perturbe por causa da sua consciência, vá com confiança e que ela seja maior que o medo; saia, saia da infância e cresça.

Seu Pai.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 234 (208) [29]

[21 de novembro de 1872]

Cara filha

Considere bem a importância do ato que vai fazer hoje, para ti e para mim, e para a Obra, e as consequências que daí resultarão.

Para ti, dando-se assim, contrai a obrigação de obedecer inteiramente ao seu Superior atual e àquele que nomearei depois de mim.

Obediência completa para a sua alma, para a sua consciência, sem raciocínios e sem reservas.

Obrigação de trabalhar seriamente para corrigir as suas invejas, suscetibilidades e procura de si mesma e aceitar humildemente todas as correções, humilhações que lhe serão necessárias para chegar à sua conversão.

Obrigação de viver com as Irmãs, de amá-las e de trabalhar com todas as suas forças para conseguir essa união perfeita que deve existir entre Irmãs que trabalham para o mesmo fim.

Obrigação de ficar com as crianças pobres, de instruí-las e não ter outro objetivo na vida senão fazer o catecismo aos pobres e de se dar às obras da nossa casa.

Obrigação de empregar os seus bens ou ao menos a sua propriedade de Limonest para a obra e de juntar aos bens da comunidade os bens dessas senhoras.

Obrigação de desapegar o seu coração de tudo para ligá-lo somente à nossa obra e às pessoas que nela trabalham. Por mim, assumo a obrigação de tê-la sempre conosco.

Obrigação para mim de orientá-la e de fazê-la caminhar pela via mais perfeita dos conselhos evangélicos,

empregar alguns dos meios mais duros e penosos para corrigir os seus defeitos, como o médico que corta e queima, para o seu maior bem e salvação da sua alma,

de a fazer crescer por todos os meios possíveis,

de a fazer sofrer muitas vezes apesar do afeto que possa ter por ti, e isso para o bem da sua alma.

Compreenda bem tudo isto e peça a Deus que a ilumine.

Quanto mais sacrifícios fazemos por Deus, mais felizes somos.

Se quiser caminhar verdadeiramente pelo caminho de Deus e ser feliz na terra e na outra vida, não tenha medo do sacrifício e da renúncia.

Que Deus a ajude, tenha confiança na sua graça e proteção, e na da Santíssima Virgem Maria.

Que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 235 (209) [30]

  1. M. J. 21 de novembro de 1872

Hoje, 21 de novembro de 1872

Dia da Apresentação da Santíssima Virgem.

Eu, Irmã Clara, da Ordem Terceira de S. Francisco de Assis, entrada no Prado há cinco anos para obedecer à atração que o bom Deus me tinha dado de me consagrar ao serviço e à instrução dos pobres, persuadida e convencida de que tal era a vontade de Deus a meu respeito.

Tomo hoje a resolução solene de me consagrar por toda a vida à obra do Prado que tem por objetivo instruir os pobres e os ignorantes. Entrego-me a ela inteiramente e consagrarei o meu tempo, a minha vida e os bens que o bom Deus me deu. Consagro-me sob a direção do Superior atual e daqueles que virão depois dele.

Prometo-lhe obediência absoluta, deixando-me dirigir e conduzir como ele entender, segundo a vontade de Deus, obedecendo-lhe inteiramente no que diz respeito à minha consciência, ao meu espírito e ao meu coração.

Prometo, além disso, fazer todos os meus esforços para viver em boa união com as Irmãs, dando-lhes o meu afeto para trabalharmos juntas para a glória de Deus e a salvação das almas, reconhecendo a autoridade da Superiora estabelecida pedindo-lhe as permissões com submissão de coração e de espírito.

E aceitando todos os trabalhos que me serão confiados por ela e pelo meu Superior espiritual.

Peço a Deus que me conceda a graça de ser fiel a estas resoluções e peço à Santíssima Virgem que as apresente ao meu Senhor e Mestre, a fim de que Ele me alcance a fidelidade e a perseverança.

Irmã Clara

À Irmã Clara 236 (209 bis) [31]

10 de dezembro de 1872

Aceito o donativo da minha Irmã Clara, e peço a Deus que lhe conceda a graça e a força de cumprir fielmente as suas promessas, e que pela sua fidelidade, obtenha a felicidade eterna.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 237 (210) [32]

  1. M. J. 21 de janeiro de [1873]

Minha querida filha

Não tenho de maneira nenhuma a intenção de mandá-la embora, pelo contrário, quero que fique e que fique para sempre, e se não tivesse a intenção de guardá-la conosco, não teria feito o que fiz por ti.

Nos será muito útil para a instrução das novas Irmãs se o bom Deus nos enviar algumas.

Desejo de todo o coração que se corrija dos seus defeitos.

Sabe que o seu maior e principal defeito é deixar trabalhar o seu espírito que é uma máquina a vapor da qual deve desconfiar e que, infelizmente, tudo o que toca no seu amor próprio toma imediatamente proporções gigantescas; deixe também de lado todas essas pequenas misérias, suposições, julgamentos; o que é tudo isso? Nada; ofereça isso ao bom Deus e tudo irá bem depois; seja razoável. Seja humilde, seja indiferente a muitas coisas e tudo o resto irá bem.

Recebi as suas pequenas pastelarias e o resto; obrigado, cara filha, por todos os seus bons pequenos cuidados.

Seja amável sempre para com todos, segundo a graça que Deus lhe concedeu para isso e faça-o por um motivo de caridade sobrenatural.

Vá encontrar simplesmente o Senhor Jaillet, ele a receberá bem, é um bom Pai, mas somente na minha ausência; quando regressar, voltaremos a ver-nos e me dará contas de tudo; quando confessar em St. Fons, a avisarei e lhe permitirei vir, mas o Pároco de St. Fons não parte ainda, e só tenho poderes na sua ausência.

Quanto à sua peregrinação à Paray, não a proíbo; fico muito contente em que vá, mas não gostaria de vê-la ir com a Irmã Inês, pois a relação contínua que tendes sempre pode não ser muito bem vista pelas outras; enfim, se não puder evitar ir com ela, vá; rezará ao bom Deus por mim e pela nossa pobre casa.

Quanto às cartas, não vejo nenhuma razão para que sejam abertas por ninguém senão por mim.

Está autorizada a receber as suas cartas fechadas, só tem que me dizer quando as receber; não é necessário que as Irmãs conheçam os seus assuntos espirituais e temporais.

Quanto aos seus pecados passados, proíbo-a absolutamente de falar deles; se falar deles, desobedece-me. Deixe de lado todas essas tentações do passado, ocupe-se do presente, que já é bastante; não entre em pormenores, mesmo quando pense que nunca os confessou, fique tranquila; caminhe com uma grande confiança, força; o Padre Jaillet lhe dirá tudo o que é necessário; é um bom diretor.

Adeus, cara filha, trabalhe para se corrigir, seja sensata, humilde e obediente; não deixe trabalhar o seu espírito.

Siga os conselhos que lhe dei no que diz respeito a…

Não desanime, tenha confiança, caminhe, não pense em todas essas coisas. Eleve a sua alma, dilate o seu coração, alargue-o para Deus; é muito pequena, muito estreita para o bom Deus; é por isso que não caminha.

Vamos, tenha boa vontade, proceda com boas intenções e não se preocupe com o resto.

Adeus, deixo-a no coração de Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Quando tiver ocasião, envie-me papel mata-borrão; não tem pressa.

À Irmã Clara 238 (211) [33]

[1873]

Cara filha

A sua carta está certa.

O café não rompe o jejum. Pode tomar quanto quiser por necessidade.

Não lhe permito usar instrumentos de penitência.

A penitência mais agradável a Deus, acredite em mim, é aquela que a faça praticar a humildade; gostaria mais de vê-la comer frango todos os dias e praticar alguns grãos de humildade do que vê-la fazer grandes penitências e conservar o seu espírito de orgulho e de desobediência; um ato de submissão do seu espírito a Deus e ao seu confessor vale mil vezes mais que todos os seus jejuns e macerações.

E a prova é que lhe custa mais obedecer do que jejuar.

O próprio Espírito Santo o diz: Melior est obedientia quam victimae. A obediência é melhor que o sacrifício.

Assim, pois, obediência. Obediência, submissão de espírito em tudo o que diz respeito à sua consciência, ao seu espírito. Humildade, obediência, eis o caminho da sua salvação e da sua felicidade.

Quando quiser entrar realmente neste caminho, diga-me e caminharemos.

Quanto ao seu testamento, não me ocupei dele esta manhã.

Eis o que penso:

agora que o assunto do Senhor Guy está encerrado, ponha a sua propriedade em nome da comunidade.

Essas mulheres poderão então alojar-se em sua casa; será melhor do que no outro lado, por causa dos rapazes que espero colocar lá mais tarde.

Depois, comprará o terreno que está em frente.

Ou então, construir-se-á a capela e a casa das nossas mães temporárias no seu terreno.

Eis o meu pensamento, creio que é admissível e razoável.

Adeus, todo seu, minha filha e mãe das nossas crianças.

À Irmã Clara 239 (212) [34]

IRMÃ CLARA, NO PRADO

  1. M. J. [1873]

Cara filha

Comuniquei à minha mãe o seu desejo; ela talvez irá vê-la no sábado à tarde.

Ainda não falei disso à Senhora de Marguerye, mas penso que ela aceitará, somente por um dia ou dois.

Tem razão ao dizer que estou pesaroso por ver tão pouca caridade na nossa casa; mas espero, tenho esperança e penso que o bom Deus iluminará essas almas estreitas, egoístas, invejosas, que enchem o Prado. Reze para que tudo se arranje e que o Espírito Santo ilumine um pouco as almas.

Continue, cara filha, a caminhar pelo caminho da humildade, da renúncia a si mesma.

Aquele que me segue não anda nas trevas; quem segue Nosso Senhor não se engana; ora, nunca seremos tão pequenos como Ele, tão humildes, tão pobres, tão humilhados, tão caridosos.

Coragem, pobre pequena Irmã, não tenha medo; que Jesus esteja contigo e eu estarei sempre contente contigo.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 240 (212 bis) [35]

Cara filha

Faça as suas Comunhões, apesar dos seus escrúpulos, e faça-as todas as vezes que tiver esse desejo. Despreze as tentações, se quiser avançar na virtude.

Seu Pai.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 241 (213) [36]

À NOSSA IRMÃ CLARA

  1. M. J. [Janeiro de 1873]

Querida filha

Enviei-lhe uma carta muito severa esta manhã. Acabava de enviá-la quando recebi a sua. Obrigado pelo que fez em casa do Senhor Guinand.

Fez bem em lhe pedir os 30.000 francos da Senhora Girardot. Com isso poderemos pagar os 25.000 e devemos bendizer o bom Deus por nos ter ajudado deste modo.

Deus abençoa-nos nas coisas temporais, é uma graça certamente, mas eu pedirei, sobretudo as graças espirituais, principalmente aquelas que a deverão converter e fixar em Deus; para mim é uma tristeza ver em ti uma alma tão inquieta, tão atormentada, deixando-se levar por todos os caprichos da sua imaginação; só há um meio, que é de se fixar em Deus e no seu diretor. De outro modo, que quer chegar a ser? Saia da sua rotina, do seu lodaçal, um ato de confiança em Deus. Quando lhe asseguro da parte de Deus que tudo isso é apenas o efeito da sua louca imaginação, porque não acredita em mim? Porque escuta o mau espírito? Não vê que o demônio é o nosso inimigo e que ele procura desviá-la da obra, de mim, para prejudicar a nossa obra retirando-lhe um apoio, porque verdadeiramente você pode ser um apoio da nossa obra. Seja portanto mais generosa e caminhe na via da humildade, da obediência.

Desejo sinceramente mantê-la conosco e ligá-la à obra; dei-lhe uma grande prova disso entregando-lhe o que tinha para assegurar o futuro temporal da obra. Agora lhe toca ser razoável, não escutar a sua cabeça e caminhar decididamente na via da humildade e da obediência trabalhando para converter as almas instruindo-as, e ligando-se a nós sinceramente pelo coração e pelo trabalho.

Rezo por ti; escreva-me ainda esta semana para me dizer como está.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 242 (213 bis) [37]

1 de janeiro de 1874

Que Jesus lhe conceda a fidelidade e a perseverança.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 243 (214) [38]

À NOSSA IRMÃ CLARA

  1. M. J. [1874]

Repito-lhe, cara filha, que o seu coração e o seu espírito se encham de tal modo do catecismo, das crianças, que não tenha tempo para se ocupar de outra coisa.

Quando o seu coração estiver cheio de Deus e das crianças, verá que essas pequenas misérias desaparecem e que desprezará tudo o que a aborrece.

Não percamos o nosso tempo com essas ninharias, com todas essas palavras, com essas maneiras, com esses gestos, com aquilo que podem dizer ou fazer contra nós; que é tudo isso para o pensamento de Deus?

O demônio procura fazer-nos perder o nosso tempo, desviar-nos do caminho, fazer-nos perder a nossa vocação; é tudo o que ele faz; livre-se de escutá-lo. Quanto às suas confissões, não se perturbe.

Dirija-se ao bom Deus com confiança e faça tudo por amor a Nosso Senhor.

Seu Pai que a abençoa.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 244 (215) [39]

À NOSSA IRMÃ CLARA

  1. M. J. [1875]

Não deixe o seu espírito trabalhar em ninharias. Veja bem como imagina toda a espécie de coisas. Calma no espírito, no coração; o espírito e o coração por inteiro nos seu trabalho, no seu dever; nada mais do que isto e o bom Deus ficará contente e você também.

Rejeite tudo o resto como grandes tentações que só prejudicam a sua consciência e tudo o resto.

Estarei em St. Fons domingo à tarde até às 4h. ½. Se puder vir confessar-se, venha, e fique calma e não se perturbe com nada.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 245 (216) [40]

[1875]

Minha pobre filha

Se escutasse o que lhe dizem e se soubesse pô-lo em prática, não estaria preocupada, mas só escuta os seus pensamentos; por mais que lhe diga, lhe repita 100 vezes a mesma coisa, é como se cantasse, de tal modo que acabamos por nos cansar. Não me escuta em nada, não faz nada do que lhe dizem, é sempre a mesma história, vem se confessar 4 ou 5 vezes para receber a absolvição e continua a ter preocupações e imaginações. O que quer que eu faça?

Por mim, lhe digo francamente, faz-me sofrer muito, muito. Gostaria de fazê-la sair de tudo isso, mas não consigo; é da sua responsabilidade trabalhar seriamente para ser humilde e obediente; não há outro meio de salvação para ti senão este.

Se não se torna humilde e obediente, eu não respondo por ti de maneira nenhuma; já o [disse] 100 vezes, mas contigo é preciso repetir sempre a mesma coisa.

Se quiser obedecer, venha e submeta-se; se não sente força para obedecer, mais vale procurar um outro confessor que tenha sobre ti mais ascendente do que eu.

Reze e reze muito.

Rezo por ti e peço para ti humildade e obediência.

Todo seu em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 246 (217) [41]

[1876]

Cara filha

Pode comungar, mas tinha uma razão suficiente para dizer à Senhora Grager que não podia ficar mais tempo com ela.

Continue as suas meditações; faça-as sobre: Despedida de Nosso Senhor aos seus apóstolos, depois da Ceia.

Até quinta-feira, os meus cadernos e seja sempre sensata.

Seu Pai.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 247 (218) [42]

[1876]

Cara filha,

Não se atormente, peço-lhe, tenha confiança; venha amanhã de manhã antes da Missa.

Estou muito contente com o seu trabalho; somente, não se canse tanto; receio que fique doente.

Seu Pai que a abençoa.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 248 (219) [43]

À NOSSA IRMÃ CLARA, NO PRADO

9 de junho [1876]

Cara filha

Recebi a sua pequena encomenda sábado passado. Obrigado pelo seu pequeno trabalho, corresponde bem.

Quanto a vir aqui, verei dentro de quinze dias se pode ser, ou então se, de preferência irei eu a Limonest para lhe pedir de escrever o que terei para transcrever. Examinaremos isso.

Entretanto, seja prudente, cuide das suas crianças e reze; não se descuide de receber algumas vezes a Santa Comunhão. Confesse-se; não tenha medo, é preciso sair desse estado de infância e de imaginação.

Vá procurar o Padre Jaillet ou o Padre Giraud, mas não fique sem comunhão; não descuide a sua oração e os pequenos exercícios que lhe prescrevi; está tudo aí.

Cuide bem das suas crianças e trabalhe para se tornar mais serena, mais disciplinada e mais obediente.

Eu tenho muita necessidade da graça do bom Deus; reze por mim, eu rezo por ti.

Eu a abençoo e sou em Jesus Cristo muito dedicado.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 249 (220) [44]

  1. M. J. [1877]

Minha boa Irmã

Gostei muito das suas duas últimas cartas; gosto quando escreve com alegria e confiança, então, tudo vai bem; desfaça-se de uma vez de todas essas tristezas, dessas obscuridades que a assaltam e fazem vacilar. Com confiança em Deus, tudo irá sempre bem.

Organizou a sua viagem para la Salette, tanto melhor; espero que a Santa Virgem torne firme a sua vocação e lhe dê a confiança e a humildade de que tem tanta necessidade.

Lembre-se também de que para construir uma casa com bases sólidas, é preciso dar golpes de picareta e cavar fundo, senão ela desaba. Deixe dar golpes de picareta e quando me vier dizer: recebi hoje dois, três golpes de picareta sem dizer nada, ficarei muito contente; vamos, tudo pelo bom Deus que sofreu muito e estude o mais que possa para as nossas crianças.

Espero-a no sábado com a Senhora de Marguerye; a minha mãe ficará muito contente de vos ver. Se recebeu o seu dinheiro, pode entregá-lo às senhoras da prefeitura; sabe em que é que o empregaremos.

Adeus, que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 250 (221) [45]

  1. M. J. 1877

Eis uma nova tempestade, pobre filha; ontem, anteontem, tudo ia bem; não deveria estar contente de ver as suas criancinhas cheias da graça do bom Deus, e não deveria pensar em fazer frutificar os dons de Deus nelas? Mas o demônio vem sempre desviá-la e fazê-la ver outra coisa. Pensa que sou indiferente a seu respeito. Mas, não fui visitá-la em primeiro lugar? O que faço às crianças, não é por ti que o faço? A alegria que sinto ao ver estes pequeninos não recai sobre ti que cuidou deles? Será necessário repetir a cada instante e diante de toda a gente que estou contente contigo? Sabe muito bem que esta não é a minha maneira de proceder; sim, digo-o francamente, fiquei contente com as suas crianças e por consequência contigo também; sobretudo nos últimos meses, disse-o não sei quantas vezes, e não sei como continuar a repetir. Não seja assim, pobre filha, seja adulta e não se deixe atormentar pelo tentador.

Passe umas boas férias. Não quero que vá com a Irmã Luisa. Quem não é por mim é contra mim, diz Jesus Cristo. Ora, a Irmã Luisa separou-se completamente de nós: não a considero mais como da casa.

Reze um pouco mais e verá que tudo vai melhorar. Não se descuide das suas comunhões, vá-se encontrar com o Senhor Boulachon que a conhece. Se for encontrar-se com um padre que não a conhece, isso a perturbará.

Seu Pai dedicado.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 251 (222) [46]

À NOSSA IRMÃ CLARA, NO PRADO

  1. M. J. [Roma, fim de abril de1877]

Minha querida filha

Dei-lhe autorização para vir em peregrinação a Roma. Fiz isto com gosto e não volto atrás. Venha, pois. Adiantaram a partida, por isso chegará mais cedo. Venha com a Sra. Chalon e procure também trazer minha mãe e a Sra. Mercier, se isso lhes agradar e não as cansar demais. Quanto ao quarto, não se pode reservar um quarto com tanta antecedência.

Procurarei encontrar qualquer coisa no princípio de maio; me diga quantas serão. Creio que ficarão todo o mês de maio em Roma; é tudo muito caro, é preciso trazer 500 francos para pagar todas as despesas.

Fico muito contente com as boas disposições que manifesta na sua carta. Sim, a sua missão é bela, e se a desempenhar bem, ganhará muitas almas para o bom Deus. Renove essas disposições sérias e não desperdice mais o seu tempo como fazia antes; tenha boa vontade e esqueça o resto; todas essas preocupações, esses escrúpulos de consciência, tudo isso não serve para nada; boa vontade e depois coragem e virtude, e tudo irá bem. Faça um bom Retiro, se puder. Se for a Crémieux, apresente os [meus] respeitos à Irmã Sto. Coração de José. Quanto à Irmã Luisa, dê-lhe um pequeno trabalho e não a deixe completamente livre na sua tarefa, como já fez, porque seria uma filha perdida e que não teria de maneira nenhuma o espírito de submissão e de obediência; eu queimo as suas cartas, não se preocupe.

É absolutamente necessário que dê a volta para cima e que repare as suas faltas passadas por uma grande assiduidade ao trabalho. Uma vida de disciplina e de obediência vale mais para ti do que cem confissões.

Estou muito contente com … que me fez sobre o comportamento das suas pequenas filhas. Cuide bem delas.

Fique tranquila.

Eu a abençoo e fico à sua espera na peregrinação.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 252 (223) [47]

À NOSSA IRMÃ CLARA, NA PROVIDÊNCIA DO PRADO, RUA DUMOULIN, 14 GUILLOTIERE, LYON, RHÔNE, FRANÇA

  1. M. J. [Roma, 4 de maio de1877]

Querida filha

Reservamos um quarto para ti e para a Sra. Chalon; é tudo muito caro em Roma por causa da grande afluência de pessoas; o quarto e a alimentação com tudo incluído custará 4,50 por dia; é barato, tendo em conta a época e as circunstâncias; diga-nos a hora da vossa chegada, a fim de vos buscar, sobretudo se for tarde; desejamos uma boa viagem a todas; traga-nos boas notícias de toda a gente. Se não puder nos dizer a hora exata da vossa chegada por carta na segunda-feira, envie um telegrama de Pisa ou da última estação onde pararem, a fim de vos esperar.

Saudações a todas, boa viagem e que o vosso bom anjo as acompanhe.

  1. Chevrier Via d’ell’orazione e morte, 92. Roma

Se vos derem bilhetes circulares, talvez possam não parar tanto tempo no caminho, e chegar mais cedo, se puderem. Façam o que vos parecer melhor.

Encha bem a vossa carteira.

À Irmã Clara 253 (224) [48]

  1. M. J. [Novembro de 1877]

Minha pobre filha

Disse-lhe no confessionário para comungar hoje, domingo, e ainda outra vez, três vezes e para não se ocupar com as suas imaginações; faça todas as suas comunhões sem se confessar de novo. Faça um ato de contrição seriamente antes de comungar e renove o seu ato de boa vontade para com Nosso Senhor. Escreva todos os dias o assunto da sua meditação e duas ou três reflexões e a resolução e peça cada dia à Irmã Hyacinthe uma penitência para as suas faltas à disciplina. Não quero que me volte a falar das suas confissões nem dos seus pecados, nem das suas loucas imaginações; ocupe-se da Obra de Deus, é tudo.

O seu Pai

  1. Chevrier

À Irmã Clara 254 (225) [49]

  1. M. J.

Peço-lhe, minha pobre filha, que ponha de lado todos os seus escrúpulos; tenha confiança.

Enquanto se deixar levar por todas as desordens da sua imaginação, não servirá para nada.

Deixe tudo isso de lado e caminhe direito e obedeça. Caminhe como se tivesse a certeza de estar em estado de graça e tenha confiança em Deus. Deus nunca abandona uma alma que o quer amar e que tem confiança na sua misericórdia.

As suas imaginações a matam, os seus escrúpulos a impedem de ser de Deus; se soubesse quanto faz sofrer Deus por vê-la tão inquieta, tão atormentada e como contenta o demônio que a tem sempre presa.

Se não quer me obedecer e escutar quando lhe digo para ficar tranquila, me verei forçado a abandoná-la porque realmente este estado de coisas não pode continuar; está seguindo um caminho muito mau, caminho de obstinação, caminho de escrúpulo, caminho falso, caminho que, se fosse verdadeiro, levaria a abandonar tudo, a religião e o resto, caminho que leva ao desespero.

Se continuar a caminhar por esse caminho, cairá no desespero e no abandono de todos os deveres; lembre bem o que lhe digo: é preciso abandonar esse caminho de perdição, de imaginação, de escrúpulo, de loucura, de desespero para entrar no caminho seguro da obediência. Deve assumir o comando de si própria, não escutar as suas imaginações, nem a sua consciência falsa, errada, obstinada, para só obedecer a quem tem o direito de orientá-la.

Sem isso, renunciarei completamente a orientá-la.

Se não tem confiança na minha palavra, procure um outro padre, mas não volte mais, porque é preciso de uma vez por todas acabar com estas tergiversações e avançar pelo caminho de Deus e da obediência; quando lhe digo para avançar, não deve de maneira nenhuma escutar a sua cabeça como infelizmente tem feito sempre.

Adeus, eu a abençoo e rezo por ti.

Permito que faça o que me pede, mas proíbo-a de omitir as suas comunhões sob qualquer pretexto, de outro modo, separação.

À Irmã Clara 255 (226) [50]

Minha querida filha,

Obedeça, eu assumo tudo; ame o bom Deus e não se preocupe com nada; ultrapasse todas essas tentações; está vendo que é o demônio que a arrasta. Tenha pois confiança e acredite que eu sou o seu Pai e que a considero como filha.

  1. Chevrier

À Irmã Clara 256 (227) [51]

  1. M. J.

Cara filha

Escrevo às senhoras de Monchat para lhes dizer quanto fiquei triste por causa da sua indisposição e convido-as a vir quando puderem; entregue-lhes a carta.

Não se preocupe com a sua consciência, faça as suas comunhões. Como está apegada às suas ideias! Está saindo do confessionário, lhe digo de não mais se preocupar com sua consciência, e ainda me escreve dois minutos depois para me explicar os seus pecados. Quando terminará isto, pobre filha? Caminhe de vez, e não se ocupe nem de si, nem dos seus pecados; veja bem que é o demônio que a entretém e a vai fazer passar deste modo uma vida inútil para ti e para os outros.

Obedeça pois e decida-se, e que eu não me veja obrigado a repetir-lhe todos os dias a mesma coisa.

  1. Chevrier

À Irmã Gabriela

À Irmã Gabriela 257 (242) [1]

À NOSSA IRMÃZINHA MARIA-TERESA DO SANTO SACREMENTO, MARIA MATHIEU

  1. M. J. [1873]

Minha boa Irmãzinha

É preciso pensar mais em Nosso Senhor do que em nós e nas nossas misérias; se um pintor olhasse sempre para si mesmo em vez de olhar para o seu modelo, nunca mais conseguiria copiá-lo; é o que tem de fazer, cara filha, olhe muito mais para Nosso Senhor e não olhe demais para si mesma, então terá mais vida; procure imitar Nosso Senhor, e isso sem angústia, sem sofrimento; olhe-o com amor e com o desejo de o imitar, isto é tudo. As suas faltas, as suas misérias, deixe-as no oceano da sua misericórdia; quando amamos Jesus não nos devemos preocupar com o resto.

O conselho que lhe dou é este: quando estamos num jardim não nos fixamos no estrume que aí se encontra, mas nas flores; assim Nosso Senhor é o jardim cheio de flores e você é o estrume que deve servir para fazê-las crescer; jogar fora o estrume e não volte a pensar nele.

Entre na Ordem Terceira, faça a profissão, não devemos recusar as graças de Deus; e ao fazer a profissão esforce-se por se conformar cada vez mais com o seu divino Mestre, a imitá-lo, a praticar sobretudo a pobreza e o sofrimento. Faça da catequese a sua obra de predileção.

Faça crescer Jesus nessas pequenas almas; que consolação para nós ver essas jovens almas amar Deus, lançar no seu espírito um raio da fé que as salvará, um sentimento de amor que as fortalecerá. Coragem, cara filha, trabalhe nesta obra e persevere até que o bom Mestre a chame para ele.

Que o Senhor nosso Mestre a abençoe e lhe conceda a sua paz e a perseverança.

  1. Chevrier

À Irmã Gabriela 258 (243) [2]

IRMÃ GABRIELA NO PRADO

  1. M. J. [1877]

Cara filha

Anime-se e tenha confiança em Deus; uma só coisa é necessária: amar a Deus ser útil ao próximo; que Jesus só lhe baste. Deixemos dizer e façamos bem.

O tempo passa, a eternidade aproxima-se.

Eu a abençoo.

  1. Chevrier

À Irmã Gabriela 259 (244) [3]

À NOSSA IRMÃ GABRIELA, NO PRADO

[1878]

Minha querida filha

Ame Nosso Senhor acima de tudo e que só ele encha o seu coração; permito que se encontre com o Senhor Farissier; precisa de um apoio nos seus sofrimentos; o encontrará nele; ele conhece já um pouco as suas misérias.

Coragem e confiança, não descuide a sua meditação e reze; peça para comungar com frequência e ao receber Nosso Senhor peça-lhe muito o seu amor. Quanto a dar o catecismo ao domingo, pergunte à Irmã Maria se o permite; a mim parece-me bem.

Coragem, querida filha, seja sensata e não perca a sua vocação mas pelo contrário fortaleça-se através das pequenas provas que o bom Deus lhe reservou.

Seu Pai.

À Irmã Gabriela 260 (245) [4]

  1. M. J. [1879]

Cara filha

Siga firmemente os conselhos do seu diretor, confessor, porque só ele, mais do que qualquer outro tem a graça de conduzi-la e dirigi-la de uma maneira verdadeiramente espiritual; seguindo os seus conselhos segue o caminho do Espírito Santo; o que vem de outra parte está quase sempre misturado com pequenos sentimentos naturais que provém do afeto ou da inveja; lembre-se de que, outrora, o seu coração a fez cometer pequenas loucuras; tem razão em não querer expor-se de novo; seja forte e firme neste ponto e lembre-se de que sempre, ou quase sempre, se é odiado e detestado por aqueles que mais se amou; é um castigo do bom Deus, que o permite assim para nos ensinar que os afetos terrenos são efêmeros e prejudiciais à nossa alma.

E Nosso Senhor disse: Felizes de vós quando vos odiarem. Ai de vós quando vos lisonjearem, quando vos louvarem. Agradeça a Deus por tê-la conduzido por esse caminho para fazê-la crescer um pouco e fortalecer na virtude.

Coragem, a minha bênção.

Não seja criança mas seja grande e forte.

  1. Chevrier

À Irmã Gabriela 261 (246) [5]

À IRMÃ GABRIELA

Fidelidade à graça do bom Deus e força na alma e no corpo.

  1. Chevrier

Peça ao seu bom anjo que lhe dê luz e força para se libertar.

Escute simplesmente mais uma vez a regra de Nosso Senhor:

Sede mansos como cordeiros, prudentes como serpentes e simples como pombas.

Que o Espírito Santo a instrua e a torne cada vez mais prudente.

Continue a meditar estas três palavras e que elas sejam a regra geral da nossa conduta… (tudo por Jesus Cristo).

Não devemos falar no plural, é apenas para ti que faz a sua meditação; diria que está pregando.

Perdoo-lhe e abençoo-a e desejo que persevere.

Continue a rezar muito, cara filha, e verá quantas misérias havia em ti; não se admire. Mas tenha confiança em Nosso Senhor nosso grande médico; ele se encarregará de curá-la.

Coragem, continue a rezar muito e a estudar Nosso Senhor e verá que ele a instrui e você o amará. Eu a abençoo e rezo para que morra para todas as coisas.

Não pense mais em tudo isso, tudo está esquecido; é preciso pensar somente em glorificar Nosso Senhor através de uma boa conduta e procurar dá-lo a conhecer.

Ai de vós quando os homens vos louvarem.

Felizes sereis quando vos perseguirem. Reproduza em ti o mais possível todos os traços da vida de Jesus Cristo seu Mestre.

Pensa demais em ti e nos outros; é preciso pensar apenas em Jesus Cristo seu Modelo e seu Mestre; ponha de lado tudo isso e não se detenha com todas essas ninharias; veja como o diabo se diverte contigo e a faz acreditar em tudo o que ele quer. Saia, pois, desse miserável estado. Coragem,

rezo a Deus por ti.

  1. Chevrier

À Irmã Isabel

À Irmã Isabel 262 (247)

SENHORA VALMY, RUA DE LYON, 67 LYON, RHÔNE, FRANÇA PARA ENTREGAR À IRMÃ ISABEL

  1. M J. Roma, 25 de abril de 1877

Minha boa Irmã Isabel,

Recebi a sua carta; obrigado por todas as notícias que me dá e saúda de minha parte todos os que perguntarem por mim, em particular à Sra. Valmy, à Sra. Clauselle; rezaremos ao bom Deus pelo filho doente.

Há só miséria sobre a terra; temos que mudar os nossos males em bem pela fé e pelo amor.

Entregue este pequeno bilhete à Sra. Perraud; essa boa senhora será muito amada pelo bom Deus. Rezo por ela. Escreverei às Sras. Dussigne. Quanto a S. Bento Labre, será difícil de encontrá-lo em estátua; encontra-se mais facilmente em pintura; há as muito bem feitas.

Se quer um quadro, poderei comprá-lo, mas em estátua seria necessário mandá-la fazer e isso seria muito caro, a não ser que se compre de tamanho pequeno.

Continue o seu pequeno trabalho e que o bom Deus abençoe os seus passos.

Nós vamos bem, rezamos e trabalhamos. Os companheiros fizeram os seus exames presbiterais e serão padres dentro de um mês. Rezemos muito a Deus por eles a fim de que possam trabalhar bem na obra de Deus.

O nosso Santo [Padre] o Papa abençoou a nossa Casa e todos os benfeitores.

Que o bom Deus a abençoe. Saudações a todos os nossos Irmãos e Irmãs em Jesus Cristo e a todos os nossos benfeitores.

  1. Chevrier

À Irmã Hyacinthe

À Irmã Hyacinthe 263 (248)

À NOSSA IRMÃ HYACINTHE, NO PRADO

Roma 1877

Minha boa Irmã,

Que Nosso Senhor a abençoe, lhe dê o seu amor e o desprendimento completo de si mesma para que não viva senão para ele.

Que nada nos perturbe nem nos pare no caminho. Jesus Cristo é a única meta da nossa vida, o resto não é nada; contanto que amemos Jesus Cristo e caminhemos para ele, o resto pouco importa. Aprenda a sacrificar a Nosso Senhor todos os seus sofrimentos de espírito e de coração. A terra não é nada, o mundo não é nada, Jesus Cristo é tudo e sobretudo para uma alma que se entregou a Ele.

Dê recordações minhas à Sra. Grand; diga-lhe que pedirei uma bênção para ela, duas, e para a sua sociedade de vigilantes, mas não é fácil conseguir qualquer coisa do Santo Padre.

Saudações ao Sr. Belmont e felicitações pelo sucesso da sua menina; o bom Deus está com esta boa família.

Uma pequena imagem para a Sra. Paulina Miland, padeiro da casa; ela sabe o que isto quer dizer; diga-lhe que encomendarei tudo ao bom Deus.

Cumprimentos para o Sr. a Sra. Miland.

Reze por nós junto de Nosso Senhor; que ele me dê o bom espírito, tenho tanta necessidade dele.

Os meus respeitos para o bom Padre Juste. Que o bom Deus o cure para continuar o bem sobre a terra.

Eu a abençoo e sou o seu Pai.

  1. Chevrier

Uma pequena imagem para a Irmã Maria-Bernardina. Diga-lhe que peço a Deus por ela e que ela seja sempre prudente e que o bom Deus a cure depressa.

Á Senhora Maria Tripier

Para a Senhora Maria Tripier 264 (249)

SENHORA MARIA TRIPIER, EM RUY, POR BOURGOIN, ISERE

  1. M. J. [Prado,] 20 de julho de (1868]

Minha querida filha

Respondo um pouco atrasado à sua carta, mas sabe como sou solicitado de todas as partes.

Quando se decidir a vir, a receberei com alegria acreditando que é o bom Mestre que a chama para junto de nós, para trabalhar na nossa obra ou antes na Obra de Deus; venha com simplicidade e boa vontade.

Coragem, reze muito e Deus a ajudará a vencer as dificuldades que poderão vir.

Eu a abençoo e espero por ti.

Que Jesus lhe conceda a paz.

  1. Chevrier

Às meninas da Primeira Comunhão

Às meninas da Primeira Comunhão 265 (250)

  1. M. J. [Roma, 1877]

Minhas boas filinhas

Foram muito boas ao escrever-me uma tão bonita carta antes da vossa Primeira Comunhão; li-a duas vezes e vou guardá-la muito bem como uma recordação vossa, e se não tenho a alegria de vos dar a Santa Comunhão, prometo que pensarei em vós e rezarei a Santa Missa por vós, para que façais todas uma boa Primeira Comunhão.

Pensai bem na grande felicidade que tereis domingo próximo e tende uma vontade séria de fazer uma boa Comunhão e dizei: Sim, eu quero de verdade ser boa, quero purificar o meu coração para bem receber Jesus Cristo, quero fazer uma boa confissão, dizer todos os meus pecados sem medo e ter contrição.

Oh! o bom Deus ama muito as crianças e recebe-as com muito amor quando elas têm boa vontade. Não tenham medo, minhas filhas, o bom Deus ama-vos muito e quer perdoar-vos se disserdes as vossas faltas e quer vir a vós para vos ajudar a ser boas.

Continuareis a vir de vez em quando ao Prado visitar as Irmãs e quando eu regressar vireis todas visitar-me e eu terei muito gosto em vos dar a todas uma pequena recordação de Roma.

Sejam muito boas e façam um bom Retiro e eu ficarei muito contente em saber na próxima semana que se portaram muito bem e que a graça do bom Deus foi bem visível nos vossos rostos, na alegria e na paz que reinavam em vós.

Peço ao bom Deus por vós; rezem por mim também e pelos quatro diáconos que vão em breve ser padres e que darão mais tarde o catecismo às crianças e a vós também quando voltardes. Eu vos abençoo de todo o meu coração e pedirei esta semana uma bênção para vós ao nosso Santo Padre o Papa se o pudermos ver.

Adeus, minhas filhas, que a graça do bom Deus esteja nos vossos corações para sempre.

O vosso Pai.

  1. Chevrier

  Cartas  às Senhoras  Mercier e Bonard  1860-1878

Ás Senhoras Bonnard Mercier 266 (251) [1]

SENHORAS BONNARD MERCIER, PRAÇA DA MAIRIE, 5, GUILLOTIERE

  1. M. J. 6 de fevereiro de 1860

Senhoras

Eu refleti e pensei que, se me permitem, eu próprio escolherei o tecido da minha batina junto do fornecedor; fazendo-o eu, não terei de que me arrepender, e vocês farão um ato de obediência, e o vosso ato de caridade será mais agradável a Deus. É por isso que vos envio logo de manhã o meu mensageiro; quero que façais este ato de submissão.

O vosso muito humilde e dedicado em Nosso Senhor Jesus.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 267 (252) [2]

SENHORAS MERCIER BONNARD, PRAÇA DU PONT DE LA GUILLOTIERE, 12 CASA MILLIAT, LYON, RHÔNE

  1. M. J. Chatanay, [7 de outubro de 1860]

Senhoras e caras irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo,

Acabo de receber a vossa caixa que chegou intacta e sem acidente; agradeço-vos de todo o coração, mas quantas coisas me enviais. Não será um pecado ter tantos cuidados com este miserável corpo… Bastam poucas coisas e encontro sempre mais do que o necessário. Acreditai, eu tenho mais do que é preciso e até ao presente não tive necessidade de cozinhar; tomo o café da manhã na casa do bom pároco de S. João onde digo a Santa Missa, a meia hora do meu retiro; almocei com este bom pároco duas vezes, e uma vez na Tour-du-Pin. À noite, encontro a minha sopa na casa de uma prima que mora ao meu lado, de modo que posso dizer que o bom Deus sempre me alimentou até hoje; para a próxima semana, a Providência envia-me a vossa caixa… Vede como Deus é bom, Ele trata-me verdadeiramente melhor do que mereço; há tantos infelizes que mereciam estar melhor do que eu e que entretanto não têm o necessário. Que direito tenho eu de ser melhor tratado do que eles? Acreditai, eu não mereço nada e enquanto tiver um pouco de pão e de água, terei ainda mais do que devo ter. Rezarei a Deus para que Ele vos pague um pouco tudo o [que] fazeis pelo seu miserável padre.

Levarei em conta os vossos conselhos.

Quanto ao que me pedis, para me enviar todas as semanas alguma coisa, seria demais trabalhoso; eu posso mandar vir da Tour du Pin a carne e o pão que me possam ser necessários. Há pessoas de boa vontade que os trarão e eu apenas terei o incômodo de os cozinhar.

Eu estou muito bem na minha solidão. Trabalho durante o dia a estudar o Evangelho e a santa lei de Deus, a fim de o ensinar mais tarde aos outros duma maneira mais perfeita.

Só peço uma coisa ao bom Deus, que Ele me dê o seu espírito e que me converta completamente.

Estou muito tranquilo; não sei quanto tempo ficarei; estou bastante bem; depressa recuperarei as minhas forças. Há dois dias que o tempo está bom, esperamos que continue; os pobres camponeses queixam-se muito das chuvas, não podem lavrar, nem semear; é verdadeiramente um castigo de Deus; ofendem-no por todo o lado e Deus tem o direito de se irritar contra o seu povo; rezem para que a vontade de Deus se faça em tudo e que ele encontre a sua glória nos castigos que quer infligir ao mundo que tem muita necessidade de reconhecer o seu Mestre que não cessa de ofender. Conservem sempre o bom espírito de Nosso Senhor que é um espírito de caridade, de esperança e de amor; o mundo é muito mau e nunca deixa de criticar o que há de santo e justo na terra, mas conservem a fé no meio de tanta impiedade, desvergonha e divisão. Uni-vos cada vez mais a Nosso Senhor; é nele só que devemos estar, a Ele só devemos amar, n’Ele só devemos crer, a Ele só devemos obedecer e à sua santa Igreja que o mundo persegue atualmente. Coragem, amemos muito Jesus nosso bom Salvador; procuremos imitá-lo. Rezem muito e não descuidem a Santa Comunhão; nela está a vida e a felicidade do cristão. Quantos tesouros encerrados neste belo Sacramento e quanto perdemos quando nos afastamos dele.

Adeus, minhas boas Irmãs, rezem por mim.

Penso em vós no Santo Sacrifício da Missa.

Todo vosso em Nosso Senhor Jesus Cristo.

  1. Chevrier

Na Tour du Pin, sítio de Chatanay.

Ás Senhoras Bonnard Mercier 268 (253) [3]

SENHORAS MERCIER BONNARD, PRAÇA DU PONT DE LA GUILLOTIERE, 12 CASA MILLIAT, LYON

  1. M. J. 17 de outubro de 1860

Minhas boas Irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo,

A minha luta avança. Aproveitei bem o meu tempo e o bom Deus, na sua Providência, deu-me mais do que era preciso para viver no meu retiro. Nosso Senhor não quer que eu sofra nada, é um Mestre tão bom, dá mesmo aos que não o merecem.

O meu retiro já não é um retiro porque sou obrigado de almoçar na casa de um e outro e não posso trabalhar como queria; no entanto tenho ainda muita necessidade de tempo para rezar e estudar, porque para chegar a conhecer bem Deus é um estudo tão grande, tão extenso e ao mesmo tempo tão suave que nunca será demais o tempo que lhe dedicamos. Apesar disso, tenho que me decidir a partir… e sábado, penso chegar a Lyon. Se chegar no trem da manhã, irei dar-vos o bom dia e agradecer-vos todas as vossas atenções; se chegar à tarde, ficará para outro dia.

Que faz o bom Irmão Pedro? Preocupa-me sempre este pobre jovem; gostaria de lhe ser útil, ele é tão generoso para com o bom Deus, mas tem demasiada confiança em mim; está sempre dependente de mim, espera sempre que eu tome alguma iniciativa, mas eu não tenho suficiente confiança em mim para ousar fazer coisas que o bom Deus talvez não aprove; para o livrar de algum embaraço, não vou eu próprio meter-me, não gosto muito do que provoca oposição, contrariedades da parte da autoridade; não sinto os meus ombros bastante fortes para levar um peso tão grande; de resto os acontecimentos têm um tão mau aspecto, a minha saúde não está muito robusta e acima de tudo não tenho o espírito bastante esclarecido e engenhoso para tomar a meu cuidado tais preocupações; a minha vocação é de preferência estar num pequeno canto desconhecido, ignorado e fazer o trabalho que se apresenta sem ir muito longe.

Em cada caminho, em cada vocação há sofrimento, inquietações, cuidados. Só devemos pedir ao bom Deus uma coisa: amá-lo muito, amá-lo simplesmente e que a sua santa vontade se faça em tudo.

Que Nosso Senhor Jesus vos dê a sua santa bênção, assim como ao seu indigno ministro que vos escreve.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 269 (254) [4]

SENHORAS MERCIER-BONNARD, LYON

Tenham a bondade de enviar ao Senhor Suchet os sapatos que deixei; há um dos meus rapazes que não tem sapatos.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 270 (255) [5]

SENHORAS MERCIER BONNARD, PRAÇA DA MAIRIE, 13, LYON

  1. M. J. [1861]

Senhoras e caras Irmãs

Podiam-me enviar pelo Senhor Suchet uma ou duas camisas e uma cueca.

Esperando poder agradecer-vos de viva voz, recebam as minhas saudações muito sinceras.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 271 (256) [6]

SENHORAS MERCIER-BONNARD, PRAÇA DU PONT DE LA GUILLOTIERE, 13 CASA MILLIAT, LYON, RHÔNE

  1. M. J. Chatanay, 16 de julho de 1862

Senhoras e caras Imãs em N. S. J. C.

Encontro-me na Tour du Pin. Tudo está bem; o meu pequeno ermitério não mudou de aspecto.

Estarei aqui até sábado; penso chegar durante o dia. Não posso ficar muito tempo ausente, o pastor deve estar no meio do seu rebanho, o bom Deus cuidará da minha saúde.

Peço que me desculpem por não ter ido visitar-vos na segunda-feira como tinha prometido à Senhora Pierrette, mas o Senhor Boulachon levou-me a sua casa e reteve-me para almoçar. Foi isto que me impediu de vos visitar como tinha prometido.

Se virem o meu pai, digam-lhe que não se preocupe, nos-encontraremos no sábado.

Fareis o seu almoço de amanhã, pois sabeis que ele não é bom cozinheiro e não sabe cuidar dele.

Se eu não conhecesse toda a vossa caridade e a vossa dedicação por nós, não ousaria lhes pedir estas coisas, mas conheço-vos e é por isso que não me preocupo.

Não tenho necessidade de grandes provisões visto que só fico mais três dias. Como depois de amanhã é sexta-feira, só necessitaria de qualquer coisa para sábado; enviem-me o que quiserem. As partidas são às 5 h. da manhã, 8 h. ½, uma hora, e 5 h. da tarde. A minha mãe junta-se a mim para vos agradecer e vos apresentar o seu afetuoso reconhecimento.

O meu endereço é: Sr. padre Chevrier, Tour du Pin, em casa do Senhor Ferrand, caminho de Chatanay, Isère.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 272 (257) [7]

SENHORAS MERCIER BONNARD, MERCIERES, PRAÇA DU PONT DE LA GUILLOTIERE, CASA MILLIAT, 13, LYON

  1. M. J. Chatanay, 23 de abril de [1863]

Senhoras e caras Irmãs em Nosso Senhor,

Chegamos ontem à tarde sem acidente a Tour du Pin. Eu não piorei, ao contrário parece que a minha voz está um pouco melhor; estou virando preguiçoso, durmo e como, pelo tempo passado e futuro. A minha mãe cuida de mim e com ela não me falta nada.

Vocês têm muito trabalho conosco, peço ao bom Deus que vos recompense e vos dê uma grande submissão a todas as suas adoráveis vontades.

Digam-me como está o meu pai, se o tempo se torna longo para ele; se souberem algumas notícias do Prado, digam-me. Penso que haverá uma Missa no domingo.

O meu endereço continua o mesmo: Tour du Pin, caminho de Chatanay, casa Fréchet, Isère. Disse ao carteiro para nos trazer tudo o que nos for endereçado, de modo que podem enviar-nos tudo o que quiserem, tudo nos chegará prontamente.

Recebam os nossos sentimentos de um afetuoso reconhecimento.

A minha mãe pede que recebam os seus cumprimentos e respeitos muito sinceros.

Digam ao meu pai que nós vamos bem; escrevi-lhe ao mesmo tempo que a vós.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 273 (258) [8]

SENHORAS BONNARD MERCIER, PRAÇA DU PONT DE LA GUILLOTIERE, 13 CASA MILLIAT, LYON

  1. M. J. [Tour du Pin, 28 de abril de 1863]

Senhoras e caras Irmãs em Nosso Senhor,

O campo me foi favorável, a minha voz está completamente recuperada graças a Deus e poderei em breve retomar as minhas ocupações.

O tempo torna-se longo quando não se faz nada e quando se leva uma vida tão ociosa como a que sou obrigado a levar. Penso regressar na quinta-feira à tarde para a abertura do mês de Maria; penso que a Senhora Bourchanin preparará o altar da Santa Virgem como no ano passado; como quem não diz nada, tentem fazer-lhe compreender isso.

Minha mãe e eu agradecemos os cuidados que tiver com o meu bom pai. Deus vos pagará tudo, e a vossa bondade não ficará sem recompensa pois Deus recompensa um copo de água fria.

O pároco vem-me visitar, termino.

Não me enviem mais nada, por favor.

Minha mãe envia-vos os seus cumprimentos.

Todo vosso em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 274 (259) [9]

SENHORAS MERCIER-BONNARD, MERCIERES, PRAÇA DU PONT DE LA GUILLOTIERE, CASA MILLIAT, 12, LYON, FRANÇA

  1. M. J. Roma, 29 de setembro de 1864

Senhoras e caras Irmãs em Nosso Senhor, fico mais tempo em viagem do que pensava; um mês, é muito tempo para mim, para a minha casa, mas não fazemos como queremos e não poderíamos tratar dos nossos assuntos em menos tempo.

Estou bem, a minha saúde fortaleceu-se; quando não se faz nada, quando não se faz mais nada do que passear, só nos podemos sentir bem.

A minha viagem não foi inútil: levo indulgências para a minha capela e poderes para a Ordem Terceira de que tinha necessidade para a minha casa e para os fiéis; em resumo, estou muito contente com a minha viagem, penso mesmo obter a assinatura do Santo Padre para a obra dos padres pobres; um bom padre jesuíta encarregou-se disso e na próxima audiência que ele tiver com o Papa, ele a obterá e enviará para Lyon; era sobretudo isto que eu desejava; com isto, caminharei com mais audácia.

Partimos de Roma amanhã de manhã para ir a Loreto e a Assis; são duas belas peregrinações que vou fazer com muito gosto; visitar o túmulo de S. Francisco para obter a sua pobreza e o seu amor a Deus; gostaria muito trazer alguma coisa das suas virtudes.

Embarcaremos sexta-feira próxima 7 em Genova por Marselha e chegaremos a Lyon, domingo ou segunda-feira. Será com muito gosto que voltarei a ver Lyon, os meus pais, os meus amigos e conhecidos, a minha pobre barraca e recomeçar a minha pequena tarefa. Espero encontrar-vos com boa saúde; não vos esqueço nas minhas orações e no Santo Sacrifício.

Console um pouco os meus pais pela minha longa ausência e diga-lhes que os poucos dias que ainda faltam se passarão bem.

Todo vosso em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 275 (260) [10]

SENHORAS MERCIER BONNARD, PRAÇA DU PONT DE LA GUILLOTIERE, 12, LYON

  1. M. J. Tour du Pin, 7 de setembro de 1867

Senhoras e caras Irmãs em Nosso Senhor,

Chegamos a Chatanay anteontem, o bom ar e o repouso farão que recupere rápido, assim como espero também a ajuda das vossas orações; caminho melhor, a cabeça continua um pouco pesada, comecei a tomar os medicamentos do Senhor Emery; esta noite transpirei menos da cabeça, mas transpirei dos pés e das mãos, o que não me acontecia desde 20 anos; não sei se isto vai continuar, seria um bom resultado destes remédios; seja o que Deus quiser. Só desejo uma coisa, que é melhorar depressa e voltar para o meu pequeno mundo.

A minha mãe não está mal, ela desfruta bastante da terra quando não está só; envia-vos cumprimentos e pede que nos deem notícias. Você estava muito cansada quando partimos; tinha muita necessidade de descanso, ainda mais do que eu, e fico cheio de vergonha quando vejo os outros trabalhar e eu a ficar na preguiça… mas sofra com fé e paciência e o bom Deus que não deixa nada sem recompensa não esquecerá os seus trabalhos, a sua submissão às limitações que lhe impõe o mundo, e no céu teremos tempo de descansar; todavia, esperemos que antes de lá chegar o bom Deus lhe dará alguns dias para descansar neste mundo.

Minha mãe e eu esperamos notícias vossas e nós enviamo-vos as nossas saudações muito sinceras.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 276 (261) [11]

SENHORAS MERCIER BONNARD, EM MONCHAT, AVENIDA DO CHATEAU, 24

  1. M. J. [Lyon,] 19 de novembro [de 1872]

Senhoras e caras Irmãs em Nosso Senhor,

A Irmã Francisca trouxe esta manhã uma carta de Limonest que vos é dirigida. Envio-a pelo Senhor Suchet; escrevi esta manhã ao Sr. Bispo que nos autorizou a celebrar a Santa Missa em Limonest e a estabelecer lá a nossa obra.

O dia da Apresentação da Santa Virgem, que é quinta-feira, é um bom dia para atrair sobre a casa a bênção de Deus.

Faremos isso sem barulho e sem trombetas: irei rezar a Missa na segunda-feira de manhã e rezaremos a Deus para que tudo vá pelo melhor, para sua glória e salvação das almas.

Venha amanhã à tarde; o Senhor Jaricot irá preparar a capela e faremos tudo o melhor possível.

Sou em Nosso Senhor, vosso muito dedicado e reconhecido.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 277 (262) [12]

SENHORAS MERCIER BONNARD, PRAÇA DU PONT, GUILLOTIERE, LYON

  1. M. J. 15 de novembro de [1873]

Minhas boas Irmãs em Nosso Senhor Jesus,

Começo uma novena esta noite, unam-se às minhas intenções.

Sabemos que foi pela cruz que fomos salvos, é também pela cruz que eu me curarei, porque os pensamentos de Deus são muito mais elevados do que os dos homens; para obedecer às inspirações da graça, vou passar estes nove dias na oração, na solidão e na penitência, contentando-me para a alimentação com o que me fizerem em casa.

Ponho toda a minha confiança em Deus e sei que Deus é todo poderoso e que um bocado de pão que ele abençoe vale mais que todos os remédios do mundo.

Se portanto eu não sair durante estes dias, não vos admireis; atribuam-no somente ao desejo que tenho de fazer a vontade de Deus e seguir as inspirações da sua graça, e acreditai na estima e no afeto muito sinceros que tenho por vós, minhas boas Irmãs, que amo em Jesus Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 278 (263) [13]

SENHORA MERCIER, EM MONCHAT, LYON

  1. M. J. [Limonest, abril de 1874]

Senhora e cara Irmã em Nosso Senhor,

A Irmã Isabel vem felizmente esta manhã para lhe levar a minha carta.

Senti esta manhã uma grande pena quando me disseram que você partiu.

Não podendo atribuir a sua partida senão a algum sofrimento que terá experimentado, venho pedir-lhe que não se entristeça nem desanime na sua obra de caridade no que me diz respeito; as boas obras têm sempre contratempos e são tanto mais agradáveis a Deus quanto experimentam contrariedades. A minha mãe parece bem disposta para fazer o que você quiser.

Agora estou muito só, só no meu quarto, só para passear; espero que os meus oficiais não me deixem completamente só.

Se encontrar o Senhor Levrat, pergunte-lhe o que haveria a fazer para cortar esta febre que me aflige constantemente e que me impede de retomar as minhas forças.

Rezo a Deus por ti a fim de que a sua saúde se fortaleça e que o bom Mestre lhe dê as suas bênçãos.

Adeus, receba as minhas saudações muito afetuosas.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Mercier Bonnard 279 (264) [14]

  1. M. J. 12 de maio de [1874]

Senhoras e caras Irmãs em Nosso Senhor,

Ouvi dizer que estavam doentes; não é de admirar depois dos trabalhos que tivestes comigo; passar mais de um mês sem se deitar nem descansar e o trabalho que tivestes. Jamais poderei pagar tudo o que fizestes por mim, não somente durante esta doença, mas desde que tenho a alegria de vos conhecer; gostava de poder fazer alguma coisa por vós; acreditai que tudo o que tenho e tudo aquilo de que posso dispor está ao vosso serviço, e peço que as usem como se vos pertencessem.

Se tiverdes necessidade das nossas Irmãs para algum recado ou trabalho interior, elas terão prazer em vos prestar serviço.

Não se preocupem em nada conosco, estamos à vossa disposição como vocês estiveram à nossa, porque devemos formar uma só família diante de Deus.

Quanto a mim, estou cada vez melhor. Se continuar a fazer frio, poderei estar ainda melhor porque ficarei privado de sair para o exterior.

Penso poder começar a celebrar a Santa Missa quinta-feira, dia da Ascensão; há muito tempo que estou privado desta felicidade; se não fosse tão longe e se não estivésseis tão cansadas, eu vos convidaria.

Tivemos o nosso grande dia de férias na quinta-feira passada, onde tive todos os meus latinistas e os companheiros, fora do Senhor Dutel e do Senhor Jaricot.

Ontem segunda-feira, o pároco de Limonest veio celebrar a Missa na capela de Santo André; havia uma procissão na paróquia.

Há muitas circunstâncias em que vós deveríeis aparecer como donas destes lugares; e eu gostaria muito que tivessem um alojamento conveniente na casa a fim de que pudessem aparecer como donas e que se saiba onde vos encontrar e que se possa dizer: estas senhoras estão aqui, elas moram aqui. Haverá que preparar isto e não será difícil.

A minha mãe não está mal mesmo que tenha um olho inchado e a cabeça um pouco cansada durante alguns dias.

Adeus, até breve se puderem, até que eu próprio possa ir visitar-vos.

Recebam as minhas saudações muito afetuosas e muito reconhecidas.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 280 (265) [15]

  1. M. J. 2 de novembro de [1874]

Senhoras e caras Irmãs em Nosso…

Penso que desta vez vamos começar a nossa pequena obra de Limonest e gostaria muito que fossem là para que a inauguração ficasse completa. Eis o que pensamos fazer.

Amanhã à tarde, terça-feira, subirão a Limonest a Irmã Josefina, a Irmã Maria, a Irmã Francisca e a Irmã Catarina, acompanhadas de duas novas e de duas meninas gordas da nossa casa.

Quarta-feira de manhã, celebrarei a Missa para atrair as bênçãos de Deus sobre este pequeno começo e o senhor Jaricot que está em retiro presentemente e chegará no fim da semana para ficar e fazer os exercícios religiosos que tem a fazer.

Escrevi anteontem ao Pároco para o prevenir e convidei-o para nos vir visitar quarta-feira, durante a manhã; prometeu vir abençoar-nos; provavelmente aceitará uma pequena refeição ao meio-dia, se quiser ficar.

Conto pois com você para que assuma o cargo de dona da casa.

Teremos muita necessidade da graça e da proteção de Deus para que tudo corra pelo melhor; cuide da sua saúde e que a graça de Deus esteja contigo.

Aceite as minhas saudações sinceras e afetuosas.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 281 (266) [16]

  1. M. J. [1875]

Senhoras e caras Irmãs em Nosso…

Ouvi dizer que o Senhor Bertholier devia ir amanhã a Villefranche comprar um burro; nós também precisávamos de um para transportar a roupa para a lavandaria, sobretudo no inverno, quando os caminhos são maus. Se estiver de acordo, daremos ordem a este vizinho para comprar um para nosso uso.

Se não tivesse de pregar o Retiro esta semana, iria visitar-vos, mas é-impossível eu sair.

A minha mãe partiu ontem para Tour du Pin visitar a sua irmã.

Coragem e paciência.

Seu muito dedicado em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 282 (267) [17]

SENHORAS MERCIER-BONNARD, AVENUE DU CHATEAU EM MONTCHAT, PERTO DE LYON, RHÔNE

  1. M. J. [Lantigné,] 9 de junho de [1876]

Senhoras e caras Irmãs

Venho dar-lhes algumas notícias minhas.

Estou retirado em Lantigné, na casa do Senhor Chanuet, Rhône.

Aqui estou bem. Aproveito a solidão, o tempo para trabalhar e uma pequena capela para celebrar a Missa.

A família Chanuet não está; só virá no fim do mês, de modo que estou muito tranquilo; agora só tenho necessidade das luzes do bom Deus para me iluminarem e fazer bem o pequeno trabalho que penso que devo fazer para o bem de todos; que o bom Deus me dê as suas graças e as suas luzes.

Estou bastante melhor do que quando parti e espero fortalecer-me cada vez mais.

Deem-me notícias suas, como estão; a minha mãe partiu para Donjon com a família Crouzier; tive notícias dela; está melhor, serve-se do braço sem dificuldade.

Não sei quanto tempo ficarei em Lantigné, farei o que puder para voltar o mais cedo possível.

Reze por mim; eu não a esqueço junto do bom Deus.

Seu muito dedicado.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 283 (268) [18]

  1. M. J. [Outubro de 1876]

Senhoras e caras Irmãs

Estamos em Retiro em Limonest desde segunda-feira. Parece que as briguinhas melhoraram; a presença de vocês seria muito necessária para ajudar nesta situação.

Venham pois, por favor; se minha mãe puder vir, isso me agradaria.

Seu muito dedicado.

  1. Chevrier

Enviarei o carro amanhã de manhã.

Ás Senhoras Bonnard Mercier 284 (269) [19]

  1. M. J. [Roma, 28 de março de1877]

Senhoras e caras Irmãs

Espero notícias vossas e de minha mãe; penso que estão todas bem.

Não há nada de novo em Roma; as nossas saúdes estão bem; estive um pouco gripado durante dois dias, porque saí, mas desde ontem, desapareceu.

Temos uma excelente senhora para o nosso serviço; não é de maneira nenhuma como nos hotéis; ela procura verdadeiramente agradar-nos e dar-nos aquilo de que nós gostamos; cozinha com manteiga e faz para mim a cada refeição pequenos pratos especiais: miolos, bifes; estamos verdadeiramente bem.

Temos também junto de nós um seminarista doente, de Lachassagne; mandou vir um garrafão de vinho da região dele e vai-me enviar 20 garrafas; é um vinho de Lachassagne de 19 anos que é muito bom, de maneira que me sinto totalmente na França e espero que o descanso me dará cada vez mais forças e que a minha estadia em Roma não será prejudicial para mim; diga à minha mãe que fique muito tranquila.

Eu quase não saio, o tempo não está bom desde alguns dias, chove; trabalho no meu quarto e estou com os meus jovens.

Reze por mim para que consiga obter um bom resultado com eles e que eles possam me ajudar mais tarde.

Abrace minha mãe por mim e diga-lhe que a amo muito.

Envio este pequeno bilhete à Imã Clara que me escreveu; envie-lhe e acredite no meu sincero afeto.

  1. Chevrier

Via dell’orazione e morte, 92, Roma, Itália

Ás Senhoras Bonnard Mercier 285 (270) [20]

SENHORAS MERCIER-BONNARD, EM MONTCHAT, PERTO DE LYON

  1. M. J. [St. Fons,] 23 de junho de [1877]

Queridas senhoras e Irmãs em N. S. J.

Retirei-me para St. Fons por alguns dias a fim de trabalhar e rezar tranquilo; mesmo na minha solidão não deixarei passar as vossas festas de S. João e de São Pedro sem vos enviar uma pequena palavra de recordação, juntando-lhe uma pequena flor da montanha de St. Fons.

Rezo a Deus para que vos dê uma boa saúde, que nos permita terminar a obra que Ele começou por nós e que fundeis a associação das nossas mães para apoio às nossas obras do Prado.

Se tiverem qualquer coisa para me dizer podeis escrever ao Pároco de St. Fons para enviar ao padre Chevrier, por Venissieux.

Recomendo-me às vossas orações e não vos esqueço nas minhas.

Esperando ter a alegria de vê-las, recebam os meus sentimentos muito sinceros de gratidão e afeto em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 286 (271) [21]

30 de abril de [1878]

Senhoras e caras Irmãs em Nosso Senhor

Dou um feriado aos nossos alunos na próxima terça-feira; os companheiros virão também e eu continuarei em Limonest com a minha mãe até segunda ou terça-feira seguinte; venham e passaremos alguns dias juntos; digam-me o dia; eu enviarei para vos trazer a equipe modelo; se puderem vir na terça-feira, iremos esperar-vos antes das 9h., ou então digam o dia.

Aceitem as minhas saudações muito afetuosas e sinceras.

  1. Chevrier

Ás Senhoras Bonnard Mercier 287 (272) [22]

  1. M. J. [Vichy,] 29 de junho de 1878

Senhora e cara Irmã em Nosso Senhor

Hoje é a festa de São Pedro, seu patrono. Lhe parabenizei, celebrando a Missa para você e pedi a São Pedro que lhe dê a fé e o amor dele para Nosso Senhor; não tinha melhores flores para lhe oferecer.

Estamos todos bastante bem; a senhora Jenny continua na mesma; vai todos os dias beber água à fonte e eu também; passamos o tempo a passear, a comer e a conversar; é verdadeiramente uma vida de preguiçosos, torna-se longo o tempo de regressar para trabalhar um pouco; estou melhor, mas o meu estômago ainda não está completamente restabelecido pois que ainda não pode suportar as batatas de que gosto muito; a minha mãe não está mal, tem bom apetite e não pode esperar o almoço sem comer; a Irmã Antônia está muito melhor.

Esperamos que está bem e que em breve nos encontraremos com boa saúde; desejamos-lhe uma boa festa; que possamos um dia celebrá-la todos no céu.

Receba as nossas saudações muito afetuosas e os meus agradecimentos em particular por nos ter cedido a senhora Mercier.

Que o bom Deus a ajude e lhe dê a sua paz.

  1. Chevrier

  Cartas  de direção espiritual  1862-1878

À Família Velly

Ao Senhor Velly 288 (435)

AO SENHOR VELLY

[1862]

Tenha mais confiança em Deus; a falta de confiança o faz sofrer ainda mais.

Se reza com fé, Deus o livrará da surdez e verá que Deus não o abandona, somente é necessário merecê-lo pela confiança. Diga por esta intenção com todo o ardor, 9 Pai Nossos e Ave Marias, durante 9 dias. Estaremos unidos à sua intenção e é preciso ter muita confiança em Jesus, Nosso Senhor que disse: Tudo o que pedirdes a meu Pai em meu [nome] vos será concedido. Deus não abandona aqueles que o amam e esperam nele.

Acredite que a sua doença servirá muito para a sua conversão e santificação e que mais tarde se sentirá feliz por ter sofrido alguma coisa para a expiação dos seus pecados e da sua salvação.

Que Jesus o abençoe.

Senhora Velly (Irmã Santo André) 289 (436)

SENHORA VELLY (IRMÃ SAINT ANDRE)

  1. M. J. 16 de julho de 1871

Minha cara Irmã,

Comete um grande erro ao ocupar-se da Irmã Valentin; o bom Deus não lhe pedirá contas da alma dela, mas só da sua. Assim, reze a Deus para que lhe dê a verdadeira caridade. Deus morreu por todos nós e perdemos o nosso tempo quando pensamos nos defeitos dos outros. Não se descuide da oração, estude Nosso Senhor, a sua bondade, a sua caridade pelos homens e encontrará desse modo a maneira de acalmar todo o seu nervosismo.

Que Deus a abençoe.

  1. Chevrier

Irmã Maria Santo André 290 (437)

IRMÃ MARIA SANTO ANDRÉ

  1. M. J. [1873]

Cara Irmã em Nosso Senhor Jesus Cristo,

Não compreendeu bem a passagem do Padre de Saint-Jure; tudo pode ser referido a Deus: tudo na terra nos representa Deus e tudo nos deve levar a Deus. Tão pouco é necessário estar pensando em Deus continuamente, sempre; basta oferecer a Deus pela manhã todos os pensamentos e enquanto não se faça ato contrário, a intenção habitual basta. Coragem, pois, e não se assuste; Deus é bom e não abandona os seus filhos. Deus a ama e lhe dará a graça para perseverar. Abra o seu coração a uma boa companheira, não fique sozinha, isto é tão triste; confie-se a alguma boa alma e encontrará alívio para a sua miséria espiritual.

Que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet

À Senhora Franchet 291 (273) [1]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43. LYON

  1. M. J. Quarta-feira de Cinzas [1873]

Senhora e cara Irmã em Nosso Senhor Jesus Cristo

Ao aceitar todos os sofrimentos por amor a Nosso Senhor e para praticar a humildade, a paciência e a caridade é certamente agradável a Nosso Senhor e eu creio que o bom Mestre nos vê com gosto quando nós crescemos no seu amor, e as tribulações e as cruzes são os meios mais rápidos, mais seguros para nos fazer chegar à perfeição da caridade.

Seja fiel à sua oração, aproxime-se da Sta. Mesa e se Nosso Senhor a conduz ainda para junto de mim procurarei ser-lhe útil ou antes deixarei Deus fazer porque Ele saberá fazer melhor do que eu.

Reze por um pobre e indigno Padre de Jesus Cristo.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 292 (274) [2]

  1. M. J. [Prado,] 3 de dezembro de [1873]

Senhora e cara Irmã em Nosso Senhor

Pensava que lhe dava uma grande honra convidando-a a vir pentear os meus pequenos pobres. Nosso Senhor disse que quando servimos um pobre O servimos a Ele mesmo; portanto recusou a Nosso Senhor este pequeno serviço que Ele lhe pedia, e privou-se de uma grande graça; eu o fiz no seu lugar e senti-me muito feliz por fazer este pequeno ato de caridade, e no futuro não cederei o meu lugar a mais ninguém, porque o bom Mestre sabe pagar generosamente os pequenos serviços que lhe prestamos; somente, para participar nesta boa obra peço-lhe que me traga um pente um pouco melhor do que o meu, na próxima vez que vier. Peço a Deus por ti para que tenha um pouco mais de generosidade ao seu serviço.

Se pensa que Deus dorme e não a ouve, acorde-o como os apóstolos gritando mais alto pela oração e atraindo as bênçãos de Deus sobre ti com atos de misericórdia; sei há muito tempo que é mais fácil pentear as cabeças do que pentear os espíritos, lavar os pés do que lavar as almas; antes de me visitar reze a Deus por mim a fim de que eu encontre um remédio saudável para ti.

Lembre-se também que tudo o que nos acontece só acontece porque Deus o permite e que os caminhos de Deus são desconhecidos dos homens. Tenha mais calma nos seus sofrimentos e diga como o seu bom Mestre: Que se faça a vossa vontade e não a minha, e esta humilde submissão tornará muito meritório o sacrifício que fará a Deus de tudo o que lhe é tão caro, o que é justo de fato. Mas nada deve nos ser mais caro do que a santa vontade do nosso bom Mestre, que deseja seguir e amar.

Que Nosso Senhor Jesus e a sua boa Mãe a abençoe, a ti, ao seu querido filho e ao seu bom marido.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 293 (275) [3]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON, FRANÇA

  1. M. J. [Roma, 20 de setembro de1864]

Cumpro a promessa que fiz de lhe escrever, minha querida Irmã. Cumpriu a sua de ser bem comportada durante a minha ausência? Fez as suas Comunhões, a sua oração? Foi constante nas suas boas resoluções? Espero que sim. Se não o foi inteiramente encha-se de coragem e ponha-se a servir a Deus de todo o coração; ele sabe ser generoso algumas vezes; o Salvador sabe amar quando está bem disposto. Faça que todos os dias sejam cheios de alegria e amor.

Como é feliz aquele que tem fé! Não tem necessidade de viajar para ver belas coisas, tem tudo na Santa Eucaristia, encontra-se no Presépio, no Calvário e no Sacrário; as pessoas viajam para visitar as grandes relíquias dos santos e das santas e o nosso bom Salvador deixou-nos a bela e preciosa relíquia do seu corpo e do seu sangue.

Como somos felizes por ter tantas riquezas e isto de todo lado, de modo que o pobre camponês pode, sem viajar e sem gastar um centavo, fazer todas as belas peregrinações do mundo, não é verdade? E em São Luis, na sua paróquia, pode fazer as grandes peregrinações a Roma e a Jerusalém; vá portanto com fé e com amor ao Presépio e ao Calvário do nosso bom Salvador.

Reze-lhe muito, ame-o muito por ti e por mim que não o amo bastante; sou tão pobre, tão miserável, tenho tanta vergonha de me encontrar no mundo e em presença do mundo que me esconderia todo inteiro num pequenino buraco; entretanto, talvez veja o Santo Padre, vou fazer-lhe um pedido. Reze, por favor, para que se faça a vontade de Deus em mim e nos outros e que a resposta seja a do Nosso Salvador. Como serei feliz de poder contribuir para a glória de Jesus pela pobreza e pelo sacrifício; que haja outros Jesus Cristo sobre a terra nos seus padres e que nós possamos renovar na terra o Presépio, o Calvário e o Sacrário pela prática das virtudes de que ele nos dá tão belos exemplos; reze um pouco por mim e por todos os que o Senhor chama à santa Pobreza do seu Cristo.

Ame a Deus! Ame-o por todas as criaturas que não o amam, ame-o por mim; que eu o ame também por ti e por todas as criaturas da terra; está aqui tudo o que podemos pedir e desejar na terra e no céu.

Que Jesus a abençoe e à sua família.

  1. Chevrier

Via d’ella Minerva, 53, Roma

À Senhora Franchet 294 (276) [4]

  1. M. J. [S. João de Deus,] 15 de março de1865

Minha querida Irmã em Nosso Senhor Jesus Cristo,

Estou em São João de Deus por alguns dias, recebi agora a sua carta e respondo como a minha consciência me inspira, e digo-lhe francamente a verdade. Quando veio se encontrar comigo para a direção da sua consciência veio atraída por não sei que rumor de uma falsa reputação de ciência e de santidade que me foi atribuída não sei porquê nem como e pela qual me sinto às vezes muito humilhado, porque muitas pessoas esperam encontrar algo em mim e, depois de me terem visto durante algum tempo, compreendem a sua ilusão e o seu erro e ficam muito decepcionadas, como você por exemplo; o bom Deus permite isto para me humilhar e me fazer compreender que tudo o que se faz é Ele e não quem o faz e eu agradeço-lhe de todo o coração; muitas pessoas instruídas e mesmo do clero dizem que a Obra do Prado não se poderá manter porque eu sou demais ignorante; eles têm razão e a verdade é que se a nossa Obra obtém resultados não serei eu que o consigo mas sim o bom Deus; há apenas uma coisa que me espanta verdadeiramente, é ver pessoas boas que me vêm pedir conselhos e até confessar-se; às vezes penso que o demônio deve ter algo a ver com isso a fim de fazê-los cair no erro pela minha incapacidade e depois fazer-me responsável das faltas em que elas caiam.

Assim pois o melhor conselho que posso lhe dar, e dou-lhe com toda a verdade e de consciência segura, é que faria muito bem em procurar um outro padre para a dirigir; o mais pequeno noviço dos religiosos poderá dar-lhe melhores conselhos do que eu e a sua alma estará em maior segurança entre as suas mãos do que entre as minhas.

Peço-lhe e suplico-lhe que reze por mim porque sou muito infeliz; um pesado fardo sobre os meus ombros, toda esta pobre casa para dirigir, todas estas crianças para converter; às vezes sinto que os meus ombros dobram e procuro alguém para me ajudar a levar este peso, procuro e não encontro quase ninguém. Como são raros os bons operários e como nós estragamos, pois a obra de Deus; em vez de construir muitas vezes destruimos; como a minha preguiça me faz sofrer; como sou pobre diante de Deus. Reze por este pobre que antes deveria ficar onde está do que retomar a obra para não fazer nada.

Adeus, minha cara Irmã, ao menos não me esqueça nas suas orações e quando poderá me dar esmola, faça-o por favor, eu ficarei sempre agradecido.

Diga-me se posso lhe enviar o pequeno caderno de contribuição.

Que Jesus a abençoe, a ti e ao seu filho e também ao seu marido que deve amar por amor de Jesus.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 295 (277) [5]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. [1865]

Querida filha,

Obrigado pela sua boa carta, a verdade agrada sempre, vejo tão bem a verdade de tudo o que me diz que gostaria vê-lo realizar-se em seguida, porque esta desordem, esta falta de regra que reina na Casa é como um grande peso que pesa sobre mim e gostaria de poder libertar-me dele; e por outro lado sinto de tal modo a minha impotência, a minha incapacidade que digo muitas vezes ao bom Deus: Meu Deus será que não se enganou colocando à frente de uma grande Obra um pobre ser tão débil como eu; eu sou tão pobre, tão pecador, tão ignorante que verdadeiramente se o bom Deus não envia alguém para fazer a sua obra ela só pode perecer. Quantas qualidades, quantas virtudes são necessárias para estabelecer qualquer coisa, para fazer bem como deve ser a obra de Deus; eu sei bem que Deus escolhe aqueles que quer e muitas vezes os mais pequenos e os mais pobres para manifestar a sua glória e o seu poder e que toda gente possa dizer: foi Deus que fez isto, mas é necessário também que este pobre ser corresponda bem à graça, é preciso que ele seja um homem de oração e de sacrifícios e eu sinto que resisto sempre à santa vontade de Deus, que atraso a sua Obra; faz-me falta alguém aqui, constantemente a meu lado que me empurre e me lembre o que devo fazer; como sou infeliz, como sou digno de compaixão; se não faço o que o bom Deus quer, que responsabilidade, que julgamento, que condenação para mim. Durante muitos anos eu dizia ao bom Deus: Meu Deus, se tendes necessidade de um pobre, eis-me aqui, se tendes necessidade de um louco, eis-me aqui, e eu sentia que tinha a graça para fazer tudo o que o bom Deus esperava de mim, e agora que seria necessário agir sou preguiçoso, sou covarde. Oh! se não houver almas que rezem por mim, que me empurrem, estou perdido; se o bom Deus me enviasse um bom companheiro, que compreendesse bem a Obra de Deus, então eu teria mais coragem, mais força, mas sozinho, sempre sozinho, sinto que não tenho força ou que seria necessária uma graça extraordinária que eu ainda não mereci porque as graças de Deus, é preciso comprá-las, e para comprar as graças de Deus nunca faremos o bastante, sobretudo quando elas devem contribuir para a salvação das almas e para a glória da Igreja.

Perdão, cara filha, se lhe falo tão abertamente e lhe descubro um pouco a tristeza da minha alma, mas é para que possa encontrar em ti uma alma que reze e me ajude a realizar a santa vontade de Deus, porque se Deus fez o Prado não foi certamente para me dar uma propriedade de cem mil francos: que fazer com ela? Dei tudo a Deus e só lhe pedi a Santa Pobreza por herança; trata-se portanto de outra coisa. Pois bem! Ajude-me a fazer o que o bom Deus pede, sobretudo esta Obra de padres pobres para as paróquias. O Padre, oh! só o Padre pode fazer qualquer coisa. O Padre é tudo… É Jesus Cristo na terra; é preciso que eu seja um outro Jesus Cristo na terra a fim de que aqueles que vierem aqui possam ser também eles mesmos outros Jesus Cristo vivo; só isto pode converter as almas.

O seu filho faz belas estátuas, mas as estátuas de marfim, de mármore, não converterão as almas; se ele pudesse fazer dele mesmo uma bela estátua viva de Jesus Cristo, ah! como ele faria uma obra muito mais agradável a Nosso Senhor e mais útil à Igreja.

Rezemos pois; que a Sta. vontade de Deus se cumpra em cada um de nós, e que não façamos fracassar a Obra de Deus com a nossa preguiça e a nossa negligência.

Não vale a pena falar-lhe de mim; entretanto, já que pergunta, direi que estou melhor: caminho, a minha cabeça está livre, tomo regularmente os medicamentos do Senhor Emery.

Volto para o Prado na quarta-feira à tarde para recomeçar o meu trabalho; que Deus a abençoe e que eu cumpra bem a sua santa vontade e você também.

Que Jesus a abençoe a ti e à sua família.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 296 (278) [6]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. 20 de março de [1866]

Senhora e cara Irmã em Nosso Senhor,

Escrevo-lhe para me recomendar às suas orações durante esta semana; tenho necessidade de me recolher para rezar a Deus, para me converter e obter as graças e as luzes que tanta falta me fazem para cumprir os meus deveres de padre e os outros deveres.

Agradeço-lhe também que tenha pensado em nós e nas nossas crianças. As nossas meninas têm necessidade de vestidos; os que têm já estão muito gastos; nos agradaria muito se nos oferecer o tecido.

Quanto à coroa de luzes, a nossa capela, segundo creio, não pode ter objetos que deem a impressão de luxo e de grandeza. Se em lugar deste objeto pudesse aceitar a manutenção da lâmpada do Santíssimo Sacramento enquanto fosse viva, eu preferiria, e creio que atingiria o mesmo objetivo.

Peço-lhe que me perdoe todos os sofrimentos que lhe tenha causado e também todas as faltas que tenha notado em mim, e peça a Deus que use de misericórdia comigo e que eu não deixe perecer aqueles que me confiou.

Rezando por mim e pela minha conversão torna-me mais agradável a Deus e mais digno de rezar pelos outros, por ti e pela sua família.

Sou, nos Corações de Jesus e de Maria, seu muito dedicado e reconhecido servo.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 297 (279) [7]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. [1866]

Cara Irmã e filha em Nosso Senhor,

Santa Catarina queixava-se um dia a Jesus pela cruz pesada que a fazia levar e Nosso Senhor respondeu-lhe: Como gosto de te ver sob o peso da cruz; glorificas-me mais num momento de sofrimento comigo do que em muitos anos de alegria e consolação. Cara filha, é mil vezes mais agradável a Jesus nestes dias de tribulação e de provação do que o foi antes em todos os seus momentos de alegria e de felicidade; console-se, Jesus realizou os seus desejos; desejou ser toda para Ele; Ele mesmo se encarrega de realizar esses desejos; a pobre natureza revolta-se, é verdade; é tão duro abandonar-se por inteiro, mas é necessário e nunca será d’Ele se Ele não a separar de tudo na terra; sabe quanto o natural age em você, pois, para destruí-lo, precisa de tempo, precisa de muitas marteladas; deixe que Jesus as dê, Ele encarrega-se de tudo. Veja como Ele começou bem e como é um bom operário; deixe-O fazer, Ele talhará bem e retirará tudo o que há de sobra em ti.

Aceite tudo com submissão; os seus sofrimentos me entristecem, mas não posso deixar de agradecer ao bom Deus por fazer tão bem o seu trabalho e peço que Ele lhe conceda a graça de O compreender e de não se opor à obra de Deus em ti.

Que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

Venha trabalhar no Prado como de costume, mesmo se pensa que toda o pessoal a acha horrorosa.

Tudo por amor a Jesus.

À Senhora Franchet 298 (280) [8]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. Prado, 15 de maio de 1867

Querida filha

Ofereça a Deus o pequeno sacrifício que lhe pedi e o desprendimento de si mesma lhe dará as graças de que tem necessidade nas grandes tempestades que o demônio desencadeia contra a sua pobre alma.

Olhe para Jesus na cruz; não há mais ninguém senão a sua Mãe, e Ele entrega-a aos pecadores, a si e a mim.

Morrer para tudo, morrer para si mesma, isso é a verdadeira felicidade.

Seu Pai dedicado a abençoa e reza pela sua alma.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 299 (281) [9]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. Prado, 13 de agosto de 1867

Minha querida filha

Recebi a visita do Senhor Emery que me deu muito prazer. É uma alegria encontrar homens que têm fé e que agem segundo os princípios dessa fé; então tudo se torna grande e muitas coisas se explicam.

Quanto a ti, cara filha, não se perturbe como costuma fazer; a rocha não se move no meio das vagas do mar; seja firme e, nos seus combates, lembre-se que eu rezo por ti.

Que Jesus a abençoe e ajude. Até quarta-feira.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 300 (282) [10]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. 11 h. da noite, 29 de setembro de 1867

Querida filha,

Saio amanhã de manhã para fazer um pequeno retiro; reze por mim para que Deus me ilumine, me converta e me dê força e perseverança nas minhas resoluções; voltarei no sábado.

Se não puder comungar, vá-se reconciliar, é obrigatório; sabe bem como tem necessidade do bom Mestre. Seja prudente e não se opõe as bondades de Jesus.

Rezarei por ti, pense em mim… Eu a abençoo.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 301 (283) [11]

  1. M. J. Prado, 24 de dezembro de 1867

Cara filha

Recebi com alegria as suas notícias. Seja prudente, reze por nós; venha quinta-feira; eu estarei aqui.

Que Jesus a abençoe assim como ao seu muito querido Carlos e ao seu marido.

Chevrier

Vá receber o Menino Jesus esta noite e ame-o de todo o coração.

À Senhora Franchet 302 (284) [12]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. Prado, 23 de janeiro de 1868

Querida Irmã em Nosso Senhor,

Pensei ir visitá-la ontem para lhe agradecer, a ti e ao seu filho a cortesia que tiveram em me advertir sobre esta viagem a casa do Senhor X… Dois doentes impediram-me de ir a sua casa.

Não tinha nenhuma tarefa para cumprir; a mãe desta criança não parece muito disposta e creio que mais tarde isto seria um motivo de discórdia; mais vale abster-se, e deixá-la fazer.

Aprenda a morrer e deixe Deus realizar essa morte tão desejável. Tomai a vossa cruz e segui-me, diz Jesus Cristo; é preciso que o grão morra para se reproduzir.

Que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 303 (285) [13]

  1. M. J. [Moulin-à-Vent 1868]

Querida Irmã e filha em Nosso Senhor,

Se quiser aproveitar o tempo que passo em Moulin à Vent para fazer o seu retiro, pode fazê-lo; não haverá dificuldade senão para o alojamento, a menos que aceite o das Irmãs que é pouco confortável; venha e poderemos entender-nos sobre isso.

Obrigado pelo lindo cibório; é muito prático e muito bonito (ia dizer que tudo o que oferece tem sempre um selo de bom gosto, de graça particular, mas não é preciso dizê-lo, você sabe).

Alegro-me em saber que o seu filho ficou contente com o que viveu pela manhã; peço a Deus por ti e por ele, que a sua graça vos ilumine e vos conduza em todas as vossas pequenas ações; rezem também por mim.

Seu dedicado Pai.

  1. Chevrier

O trem de Vénissieux até à casa de S. João de Deus, volte à esquerda e encontrará o Moulin à Vent.

À Senhora Franchet 304 (286) [14]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. [1868]

Devolvo-lhe as palavras que me escreveu[55]. Se as puser em prática fará o que Deus pede de ti e o que eu desejo também para ti. É difícil mas lembre-se que São Paulo dizia: tudo posso naquele que me conforta.

É o espírito que eu gostaria ver nascer no Prado.

Não exijo de maneira nenhuma que se abstenha de toda a queixa, dizer os seus sofrimentos a quem tem o direito de os escutar não é um pecado.

Renove o seu voto de obediência.

Morrer para si mesmo para por em seu lugar a vida de Jesus Cristo.

Que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 305 (287) [15]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. [La Tour du Pin, 8 de maio de 1868]

Cara Irmã e filha

Queria escrever-lhe antes de partir e tanta gente, tantos assuntos me impediram totalmente de ter um momento para fazê-lo; estou chegando a Tour du Pin por 5 dias até sábado onde vou descansar um pouco a cabeça; sou muito preguiçoso e gosto de viver com comodidade mas é verdade que tenho um pouco necessidade disso e dou à minha mãe o gosto de tirar uns dias; seja prudente e não se deixe vencer pelo diabo; rezarei por ti e sou seu dedicado.

  1. Chevrier

na casa de seus pais, em Tour du Pin, caminho de Chatanay, Isère

À Senhora Franchet 306 (288) [16]

[1868]

Cara filha

Quem fará a coleta na Caridade é o Senhor Berne.

A Primeira Comunhão acontecerá domingo no Prado.

Reze por estas pobres crianças. Temos também o jubileu de St. Fons para pregar na próxima semana.

Muitas complicações e dificuldades dentro e fora.

Que Deus seja bendito em todas as coisas e que eu saiba aceitar tudo em expiação dos meus pecados.

Seu dedicado,

  1. Chevrier

Se puder vir amanhã durante o dia, venha, porque na próxima semana estarei em St. Fons.

À Senhora Franchet 307 (289) [17]

  1. M. J. Moulin à Vent, 24 de setembro de 1868

Cara filha,

Estou em Moulin à Vent desde ontem à tarde até sábado.

Venha apesar da distância e não fique nesse triste estado.

Que Jesus a abençoe e lhe dê a sua força.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 308 (290) [18]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. Tour du Pin, 20 de abril de 1869

Querida filha,

Estou muito contente com a sua última carta que me conta a graça particular do bom São José a seu respeito. Creio que lhe falava deste bom Santo na minha última carta e pedia para ti essa calma, essa paz que tão bem ele praticou em circunstâncias bem difíceis da sua vida; oxalá pudesse imitá-lo ou melhor ter a graça que a torne capaz de imitar este grande santo.

Coragem, paciência em tudo; aceite tudo o que acontece como vindo de Deus que orienta para nossa perfeição as coisas que nos contrariam e nos fazem sofrer; posto que Jesus Cristo converteu para nós o mal em bem, saibamos também transformar para nossa perfeição o mal das criaturas ou o mal que pensamos encontrar nelas.

Respondo à sua primeira carta; nestes últimos dias estive totalmente ocupado com os Mistérios de Nosso Senhor e, ao copiá-los, encontrei belos ensinamentos práticos para todos nós.

1°   Voto de obediência até à morte e à morte de cruz; quero dizer que como Nosso Senhor a praticou, assim devemos procurar imitá-lo e sobretudo praticá-la em todos os seus pequenos detalhes da vida que nos vem de Deus ou das criaturas, renovando-a de vez em quando diante do confessor.

2°   O mal-estar que experimenta indo para casa das Irmãs é uma imperfeição, não um pecado. Peça a graça para vencer.

3°   Quando lhe ordeno qualquer coisa não deve replicar; esta maneira que tem de dizer sempre alguma coisa está longe da perfeita obediência.

4°   Vir uma vez por semana ao Prado; por enquanto deve ser suficiente.

5°   A simplicidade consiste em não raciocinar no seu coração e no seu espírito sobre as coisas que nos acontecem ou que vemos; peça a São José; para certas almas ela é difícil de adquirir.

6°   Quando tiver sido má peça uma penitência, sim.

7°   Para morrer bem, a aceitação daquilo que nos acontece é já um grande ponto; Deus encarrega-se normalmente de nos fornecer os meios para isso e você deve encontrá-los em cada instante no seu caráter, no seu espírito, no seu coração.

8°   É uma grande imperfeição não dizer nada quando se está perturbado ou aborrecido; é amuar. Ora o amuo é sempre filho do orgulho e da nossa vida natural ainda muito viva.

9°   A perturbação que experimenta depois das confissões vem de não encontrar o que deseja; contente-se com as pequenas migalhas quando não tem mais e não deixe a Comunhão por isso.

10° O abandono completo entre as mãos de Deus é um ato perfeito; deve ser o amor puro e verdadeiro que nos guia; sempre afável, sempre bondosa para com toda a gente e que o caminho de Jesus Cristo esteja em ti em cada instante pela Sagrada Comunhão que recebe todos os dias…

Rezemos muito pela Sta. Igreja, pelos Padres do Senhor; que tenhamos o seu espírito, pois somos homens; não se deveria ver em nós senão anjos; como é falsa a opinião do mundo: no trem eu estava com vários Padres; os mais estimados eram aqueles que tinham construído uma bela igreja, um belo presbitério. Pobre gente, não é triste ver hoje este furor de construir, de fazer igrejas, casas; passa-se o tempo com isso e o bom Mestre fica só, não se pensa nele; passa-se o tempo a procurar dinheiro e a correr atrás das pessoas e o edifício espiritual está em ruínas. Oh! quem levantará o edifício espiritual do bom Deus? Quem talhará estas pedras? Quem as preservará da demolição e reparará as danos do tempo e dos golpes dos seus inimigos? É este o nosso trabalho.

Adeus, cara filha do bom Deus; reze por nós todos e peça-lhe sempre que eu lhe possa formar alguns bons padres segundo o seu coração.

Há dois dias que estou um pouco melhor, mas não posso sair quando faz frio sem ficar rouco. Esta semana terei muita gente: o Senhor Berne, o Irmão José que chegou, e talvez mesmo uma Irmã ou duas, de modo que não lhe peço para vir esta semana, mas segunda-feira da próxima semana. Não poderei ajudá-la a fazer o seu retiro, porque não tenho poderes; será simplesmente uma breve visita.

Adeus. Que Jesus a abençoe, a ti e à sua família.

  1. Chevrier

Será necessário usar óculos para me ler; perdão, é a minha mão que vai muito depressa.

À Senhora Franchet 309 (291) [19]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. Tour du Pin, 3 de maio de 1869

Querida filha,

Ainda não agradeci a sua visita e a do seu marido; me agradaram muito. Desculpe o meu atraso e aceite a minha sincera gratidão; a minha mãe e o Pároco encarregaram-me há vários dias de lhe apresentar as suas saudações respeitosas. Não pense que as suas cartas me fazem sofrer; não, ao contrário, agrada-me a sua franqueza e há sempre nelas alguma coisa de bom; sabe bem que mesmo nas piores terras se podem colher algumas flores; assim pois não se preocupe com tudo o que me possa dizer, eu recebo-o como vindo de uma boa alma que tem o desejo de ver Jesus glorificado e amado pelas criaturas.

Sim, permito que comungue todos os dias durante o mês de maio.

E que compre os seus dois vestidos.

Quanto à minha indisposição provavelmente foi Deus que me escutou; tinha-lhe pedido há muito tempo que me enviasse alguma doença que me forçasse a retirar do mundo para poder trabalhar mais seriamente na Obra de Deus; se o bom Mestre me ouviu, como espero, devo ver nesta indisposição a vontade de Jesus que me retira da minha Casa, das minhas crianças; mas acho-me tão pobre, tão incapaz, tão pequeno que tenho muita vergonha e se não soubesse que devo encontrar tudo no S.to Evangelho e nas epístolas de São Paulo, não ousaria começar este trabalho porque sou muito ignorante; li pouco, não conheço os autores que trataram as grandes questões de vida religiosa, sacerdotal; você não faz uma ideia da minha ignorância de tudo o que me afeta e me diz respeito; mas com o Sto. Evangelho parece-me que sou mais forte, que posso esperar porque afinal não sou eu mas é Jesus Cristo e com Ele não nos enganamos, com Ele temos autoridade, com Ele somos mais fortes e ninguém tem nada a dizer. É portanto nele que me apoiarei e em quem esperarei. Reze pois para que eu empregue bem todo o tempo que o bom Deus me dá para trabalhar bem; foi assim que eu compreendi a coisa porque pedi muitas vezes ao bom Deus que me forçasse a trabalhar para Ele retirando-me de toda esta preocupação que, afinal, não me ajuda a avançar para o fim que me proponho.

Como vai o assunto do seu filho? Como me havia pedido, rezei muito por ele no sábado; é necessário submeter-se a Deus em todas as coisas; ele fará a sua salvação por todos os lados, glorificará Jesus por todos os lados; que a vontade de Deus se realize em todas as criaturas, nas mais pequenas como nas maiores e não desanimemos se não vemos os nossos desejos realizados; eu não condeno as belas igrejas, não; uma bela igreja leva a Deus mas não gosto desse tempo perdido para as almas e geralmente quando nos ocupamos tanto com as pedras esquecemos o edifício espiritual que é muito mais agradável a Deus. Vejo Santos que construíram igrejas mas nos seus trabalhos trabalhavam também para Deus e como seria necessário ser Santos, como eles sabiam fazer bem, os Santos, como sabiam fazer que todas as coisas servissem para a glória de Deus, as coisas mais terrestres; peço a Deus que vos torneis Santos, você, o seu filho e o seu marido.

Reze também para que o bom Deus tenha piedade da minha miséria, que me tire do lixo do pecado e me dê a sua luz e a sua graça a fim de que eu viva da sua vida e a dê abundantemente a todos os que me rodeiam e a quem eu sou devedor desta vida espiritual de que fala Jesus Cristo: Eu sou a vida, eu dou a vida ao mundo; é preciso que o padre dê esta vida e entretanto sinto que estou morto, que não espalho bastante esta vida, mas sinto que tenho muita necessidade de oração e de estudo do bom Deus e que só aí encontramos esta luz e esta vida que nos é tanto necessária.

Adeus, rezo por ti. Quando tiver um momento livre, bem como o seu filho, venha agora que sabe o caminho; isso talvez lhe sirva de recreio, nessas festas em que não terá o que fazer. As minhas saudações respeitosas e afetuosas ao seu marido e ao seu filho que amo muito, mesmo quando não o vejo.

Seu dedicado Pai que a abençoa.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 310 (292) [20]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. Tour du Pin, 13 de maio de 1869

Minha querida filha,

Há já alguns dias que escrevi este título esperando o resto, enfim, aqui estou.

Estou melhor, desde oito dias; volto sexta-feira à tarde, e poderei retomar o meu trabalho, pelo menos uma parte.

Gostaria muito de terminar os meus pequenos trabalhos que devem servir o meu pequeno mundo; o pequeno trabalho que faço não é a regra da casa mas é o fundamento da instrução que devemos fazer para instruir as crianças e também lhes dar a piedade.

O Rosário, a Via-Sacra, a Sta. Missa, são as três pedras fundamentais da nossa instrução pessoal, das quais devem decorrer a fé e a piedade que devemos dar aos outros; gostaria que todos os que estão comigo tivessem uma cópia deste trabalho e que lessem todos os dias algumas linhas para penetrarem nele e de lá retirassem todos os tesouros que aí se encontram encerrados; acredite que não há nada tão belo, tão poderoso, tão rico como as palavras e as ações de Nosso Senhor. Nosso Senhor dizia: As minhas palavras são espírito e vida, e isto é a verdade.

Para ensinar a todos a encontrar a virtude e a vida nestes mistérios, todos os dias, antes do Terço e da Via-Sacra explicarei às crianças e às pessoas grandes algumas coisas; assim poderei instruí-los e ensiná-los a instruir os outros; é assim que compreendo a instrução que devo dar a todos e que eles devem receber para os outros. É este o meu primeiro trabalho que o Senhor me fez compreender que eu devia fazer para sua glória e utilidade das almas. Tenho ainda muito trabalho a fazer; espero que o bom Deus me dará tempo e me comunicará um pouco o seu espírito porque tenho muita necessidade dele.

Não descuide as suas comunhões de cada…; um doente não deve parar de tomar o seu remédio e aquele que ama não deve parar de testemunhar o seu amor.

O que me diz sobre a obediência é verdade, mas como conciliar o seu dever de esposa e de mãe com esta perfeição do Evangelho? Creio que no mundo não se pode alcançar esta perfeição exterior que pode existir numa comunidade, mas quando não se pode praticar a perfeição exterior pode-se chegar à perfeição interior pela indiferença da alma para com todas as coisas; é muito mais difícil porque se tem a pobreza diante dos olhos com o seu sofrimento e as suas privações; pode-se mais facilmente imitar Nosso Senhor e beijar estes muros toscos e este chão destroçado que nos mostra o estábulo de Belém; ali, não se ama mais nada senão Jesus porque só Ele se apresenta diante dos nossos olhos e não há nada que os possa distrair. Oh! sim, como a pobreza é digna de ser amada, e quanto mais uma casa se parece com o estábulo melhor nos sentimos lá; o amor faz amar tudo. Oh! se os homens conhecessem este tesouro não se sacrificariam tanto para se mobilar, se instalar e se arranjar. Tudo passa.

A vida sobrenatural só se encontra no conhecimento de Jesus, o estudo das suas palavras e das suas ações; uma palavra e Jesus eleva a alma, uma ação de Nosso Senhor faz mais que tudo o resto; peço que Ele lhe comunique o seu espírito nesta festa de Pentecostes a fim de que O possa conhecer bem.

Rezo também pelo seu caro filho, a fim de que ele adquira a santa liberdade de coração e de espírito, que é o verdadeiro privilégio dos filhos de Deus.

Que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 311 (293) [21]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. [Prado, 12 de junho de 1869]

Minha querida Irmã em Nosso Senhor

O caderno que lhe dei é a continuação do primeiro porque contém em parte os mistérios do Rosário, exceto a Flagelação, da qual o Evangelho fala muito pouco e que lhe darei depois para o copiar no fim, como um apêndice.

Lhe-darei em seguida os mistérios gloriosos.

Se lhe fosse possível copiar quanto antes o caderno da Via-Sacra, ficaria muito agradecido porque tenho necessidade dele para o catecismo.

Não deve arriscar a sua salvação nem permanecer voluntariamente sob a direção de alguém que não a conduza ao céu.

É preciso tomar a sua cruz e seguir Jesus Cristo; qualquer que seja a cruz que Ele nos dá, ela será sempre útil.

Que o Espírito Santo lhe dê a sua luz e o seu amor.

Seu muito dedicado em Nosso Senhor.

Chevrier

1°           a sua tinta é muito branca.

2°           a sua escrita não é bastante grossa.

3°           omitiu o sumário do mistério que está no fim de cada mistério.

O resto está bem.

Obrigado. Seu dedicado em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 312 (294) [22]

  1. M. J. Chalamont,13 de junho de 1869

Minha querida filha

As suas cartas contêm sempre coisas boas e tudo o que me diz prova o seu interesse por nós e pela nossa obra, mas o que é difícil é a execução e é preciso uma grande graça de Deus para executar e conhecer a sua santa vontade; reze pois por mim a fim de que faça em tudo a vontade do Mestre; por tudo isto faz falta ter uma grande vida e também entregá-la, difundi-la à sua volta; há que a possuir e ter em grande abundância e só a podemos adquirir pela oração e pela meditação. Para poder agir é necessário uma grande união íntima com Nosso Senhor, uma grande graça do Espírito Santo e eu sinto-me tão fraco, tão pobre que verdadeiramente por vezes não ouso fazer nada.

É preciso que seja mais prudente, mais forte nas tentações do demônio para resistir aos seus assaltos tão grandes a que a submete de vez em quando: fez bem em confessar-se para não descuidar as suas comunhões.

Penso regressar para a festa, quinta-feira; recomendo-me às suas orações e não a esqueço.

Todo seu em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 313 (295) [23]

  1. M. J. [Prado, 8 de julho de 1869]

Minha querida filha

Esperava-a esta manhã… provavelmente não pode vir. Se me permitir irei amanhã, (depois) da coleta da [igreja chamada] Caridade, saber notícias suas e pedir-lhe um pequeno pedaço de pão.

Que o espírito de força e de sabedoria a sustenha, a ilumine.

Amanhã, na Missa, pedirei ao seu bom Anjo que a conduza e não a abandone.

Seu muito dedicado.

  1. Chevrier

Quinta-feira 5 h.

À Senhora Franchet 314 (296) [24]

  1. M. J. [1869]

Minha querida filha

Amanhã de manhã vou a Chalamont com o Senhor Boulachon.

A oferta que me deu agradou-me muito e não a recuso, mais tarde pode ser-me necessária; mas só por necessidade porque os banhos, parece-me, são remédio só para os grandes do mundo.

Aconselho-a a ir confessar-se a fim de não ficar sem comungar; tem necessidade da Sta. Eucaristia, é a sua vida e sem esta ajuda não pode nada; diga-me que foi comungar e ficarei contente.

Recomendo-me às suas orações, e eu não a esqueço.

Seu dedicado em Nosso Senhor Jesus Cristo.

  1. Chevrier

Em Chalamont, em casa do Senhor Boulachon, Ain

À Senhora Franchet 315 (297) [25]

  1. M. J. [29 de julho de 1869]

Minha querida Irmã

Esperei-a esta semana; amanhã não poderei ir visitá-la porque quem fará a coleta é o Senhor Berne. Se a sua saúde lhe permite ir comungar não a omita e ofereça-se a Nosso Senhor em reparação de todos os crimes do mundo e pedindo para nós todas as graças que nos são necessárias.

Sábado de manhã às 7 h. Dom Dubuis ordenará padre o Irmão José na nossa capela do Prado e domingo às 9 h. rezará a sua primeira Missa. Se puder assistir a uma destas festas, será uma alegria para nós, e beneficiará das graças que normalmente vêm em mais abundância nestes dias sobre aqueles que nelas participam.

Escrevo um pequeno bilhete ao seu filho para lhe anunciar e lhe pedir para assistir.

Reze por nós, eu não a esqueço. Que Jesus a abençoe e lhe dê paciência e amor.

  1. Chevrier.

À Senhora Franchet 316 (298) [26]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. Prado, 6 de agosto de 1869

Cara filha

Pode vir amanhã sábado durante o dia para começar o seu retiro; invoque o Espírito Santo para que sejam uns dias bem preenchidos.

Seu dedicado em Jesus Cristo.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 317 (299) [27]

  1. M. J. 16 de agosto de 1869

Querida filha,

O demônio está continuando lhe fazendo a guerra; poderia lhe resistir muito melhor, e conhecer as suas armadilhas.

Posso assegurar-lhe que ninguém quis nem quer fazê-la sofrer, e eu muito menos. Nestes últimos dias não pude confessar por causa de um resfriamento que apanhei no dia em que fomos a Fourvière com as minhas crianças. Penso que amanhã poderei retomar o meu pequeno trabalho, e ouvir a sua confissão.

Que Jesus a abençoe e à sua família.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 318 (300) [28]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. Prado, 14 de setembro de 1869

Minha querida Irmã,

Li a sua carta, não há nela nada que me desagrade, diz a verdade, agradeço-lhe, tudo o que diz é segundo o espírito de Deus e prometo-lhe fazer o que puder para conformar a minha vida com isso; mas creia que não é fácil atuar como queremos, não podemos levar as almas a um completo desprendimento de um momento para o outro como pode ver por si mesma, e muitas vezes somos condenados e julgados por coisas que nos fazem sofrer muito e que somos obrigados a suportar por amor a Nosso Senhor e pelo bem das almas; peço perdão a todos aqueles que tenha escandalizado e muitas vezes, antes de rezar a S.ta Missa, sou levado a pôr-me de joelhos no meio da Igreja para me humilhar e pedir a todos perdão por tudo o que tenha feito e tenha escandalizado ou ofendido; sinto que há coisas que ofendem os outros, mas, que fazer? Será que não devemos ser bons? Ou devemos mostrar-nos maus para com aqueles que Deus nos envia, para satisfazer aquelas almas talvez invejosas e que têm sempre algo a dizer contra os outros?

Oh! como é difícil ser bastante prudente, bastante caridoso; como é difícil impedir os outros de julgar e de pensar; e creia que o compreendo bem e que não há uma ação em que Nosso Senhor não me faça conhecê-lo, mas que estando sempre inclinado para o lado da doçura e da bondade procuro atrair as pessoas por este meio; assim perdoe-me e peça ao bom Mestre que me perdoe os meus numerosos pecados.

Estou verdadeiramente feliz por ter encontrado uma alma generosa que compreende e me diz tão bem o que Jesus quer.

Obrigado e que Jesus a abençoe e toda a sua casa.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 319 (301) [29]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT, 43, LYON

  1. M. J. Prado, 26 de abril de 1870

Cara filha

Pode vir a St. Fons quarta-feira, amanhã, das 2 às 3 h. Reze por mim e pelos nossos habitantes de St. Fons, e pelo nosso pobre Génon que vamos levar ao cemitério dentro de um instante.

Seu dedicado.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 320 (302) [30]

SENHORA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.          St. Fons, 5ª feira, 19 de maio de 1870

Minha cara filha,

Só hoje, quinta-feira ao meio-dia recebi a sua carta do dia 16 que o Sr. Suchet me trouxe a St. Fons onde me encontro retirado desde segunda-feira.

Tenho muito medo nessa casa do Prado: tanta gente, tanta diversidade de sentimentos, tanta oposição…

Eu fugi e peço a Deus a luz e a força para continuar a obra de Deus ou, antes, começá-la de uma maneira que seja útil à glória de Deus e à salvação do próximo.

Se puder vir até St. Fons, tome um carro e venha confessar-se.

Vou ficar aqui provavelmente até à Ascensão. Tem muita necessidade de Deus, cara filha. Venha ou, se de maneira nenhuma puder vir, vá encontrar um padre qualquer que vos dê a absolvição e poderá voltar a comungar.

Reze pelo pobre exilado de St. Fons.

  1. Chevrier

Diga-me o dia e a hora pelo Sr. Suchet. Estarei na Igreja.

À Senhora Franchet 321 (303) [31]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.   Lyon, 14 de agosto de 1870

Caríssima filha,

Como Deus castiga a nossa pobre França e como lhe faz expiar as suas impiedades e a sua libertinagem. Não há nenhuma família que não tenha chorado; e a justiça de Deus irá até ti? Oh não! Assim o espero e rezarei muito a Deus por isso. Isaac não recebeu o golpe mortal embora estivesse destinado a isso. Esperemos em Deus e sobretudo não percamos o mérito dos sacrifícios que Deus nos pede. Saibamos ser generosos e Deus estará conosco.

Apresente ao seu caríssimo filho os meus sentimentos de afeição e de oração e esteja certa que não me esqueço de ti junto de Nosso Senhor no Santo Sacrifício.

A.Chevrier

Sábado à noite. Logo que tenha um momento livre irei visitá-la.

À Senhora Franchet 322 (304) [32]

J.M.J.                19 de abril de 1871

Minha Senhora e cara Irmã em Nosso Senhor,

Recebemos o tecido que teve a bondade de nos enviar para as nossas meninas. A escolha e a qualidade agradaram a todas e agradecemos-lhe sinceramente em especial eu próprio.

A nossa Primeira Comunhão só será daqui a um mês, no dia da Ascensão. Não deixe de rezar um pouco pelas nossas crianças a fim de que este dia seja um dia bonito para todos, para eles e para nós.

Não a esquecemos nas nossas orações bem como o seu querido filho e o seu marido.

É verdade que as coisas têm mudado muito desde há algum tempo. Atribuo isso ao fato de os nossos papeis terem mudado de há um ou dois anos para cá: já não é uma penitente e eu já não sou o seu confessor. Tinha sempre críticas e acusações a fazer-me mesmo no confessionário, o que não era muito conveniente, creio eu. Todas as minhas ações eram censuradas e as minhas intenções mal interpretadas. Uma tal maneira de proceder certamente que não podia durar nem agradar a Deus. Da minha parte, perdia a minha autoridade e já não sabia o que lhe dizer pois que esperava sempre uma reprimenda sua. Sentia a minha boca fechada e, assim, tornava-se impossível qualquer direção.

Penso que um penitente deve ser um penitente e um confessor, confessor e que o penitente deve apresentar-se com submissão e humildade. Tem que moderar os impulsos do seu espírito e conter a sua imaginação nos limites de uma justa moderação para poder caminhar no bom caminho. Reze, pois, e invoque o Espírito Santo a fim de que ele a ilumine e lhe dê a caridade de espírito como a tem no coração.

Que Jesus a abençoe e a encha de graças e de luz.

Profundamente grato, em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 323 (305) [33]

SRA. FRANCHET, EM EVIAN-LES-BAINS, HOTEL DE FRANCE

J.M.J.               14 de julho de 1872

Caríssima filha,

A sua primeira carta anunciava-me que o seu querido filho ia um pouco melhor e fazia esperar o regresso da saúde. Esteja certa que agradeci à Providência e que todos os dias pensei em ti e rezei por vocês (os dois) e é com prazer que verei o seu regresso. Como diz, estes lugares para banhos não são para padres e só aceitarei uma tal situação em caso extremo. Vou muito melhor e retomei as minhas diversas atividades menos o braço direito que esteve imobilizado durante 4 dias por causa de uma forte dor no ombro, mas está curado, o que foi uma das razões pelas quais não pude escrever imediatamente.

Reze e peça a Deus que nos envie o seu espírito para fazer bem a santa vontade de Deus em todas as coisas. Não desanime nos difíceis caminhos da perfeição. Perfeito é aquele que sabe aceitar tudo e em tudo vê a santa vontade de Deus para a expiação dos nossos pecados ou para o nosso progresso espiritual.

Ao fazer a Via-Sacra domingo, eu dizia na 11ª estação que Jesus Cristo via a vontade do seu Pai nos carrascos que o perseguiam e o pregavam e que ele obedecia a estes homens cruéis como obedeceria ao seu Pai se o tivesse visivelmente ordenado. Se isto é verdade em Jesus Cristo, porque é que não é verdade para nós e não vemos em todas as coisas a santa vontade de Deus que tudo permite em vista da nossa santificação e salvação?

O mundo está cheio de iniquidade e de ignorância. Rezemos para que o Pai de família envie bons operários e que estes possam cultivar as plantas que secam por falta de cultivo.

Reze por mim e pela minha conversão.

Cumprimentos respeitosos e afetuosos para o seu querido filho.

Rezo por ele e por ti. Com amizade em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 324 (306) [34]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.

Respostas às suas dificuldades.

1°   É para ti difícil aceitar o nada e o abandono porque sempre esteve habituada a procurar-se a si própria. Diga como os Apóstolos: eu sou um servo inútil, após ter trabalhado bem.

2°   Esta inquietação em ti vem de uma grande atividade do espírito que precisa de ser regulado mas que é preciso não apagar.

3°   É mais conforme à simplicidade e à obediência falar disso ao seu diretor e assim se submeter à obediência.

4°   Mais vale nada prever e saber, como São Paulo, ter fome quando nada se possui e saber ser rico quando se possui.

5°   Deve dispor-se a fazer o seu retiro por obediência e por necessidade.

6°   É preciso amá-los em Deus e por Deus. É preciso ter um apego puramente espiritual e libertar-se de todo o apego natural. Sabe-se que um apego é natural quando se pensa muitas vezes neles, quando nos inquietamos demais por eles e quando se age para lhes agradar e ganhar o seu afeto; procurar a sua própria satisfação.

7°   Não, quando este prazer é purificado pelo amor de Deus e se está disposto a nada fazer que desagrade a Deus e a abster-se de tudo para agradar a Deus.

8°   Na meditação e na comunhão esqueça todas as criaturas para só pensar em Deus e esqueça mesmo aqueles que a podem conduzir a Deus.

9°   Muito agradável a Deus.

10° Sim. É uma ilusão porque, agindo dessa maneira, só se faz a sua própria vontade e se conduz sozinho. É preciso que submeta os seus pensamentos e os seus desejos à vontade daqueles que nos dirigem.

11° É preciso que faça de maneira regular o seu exame de consciência de cada dia e se imponha uma pequena penitência pelas faltas ou pedi-la.

12° Ilusão. Não preste nenhuma atenção a este prazer e procure, ao contrário, esquecê-lo.

13° Mais vale dizer as suas mortificações do que escondê-las. Ao escondê-las só faz diminuir o seu mérito.

Não se deixe ficar parada no caminho do amor de Deus. Avance. Tem o que é necessário para chegar ao termo.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 325 (307) [35]

SRA. FRANCHET, QUAI ST. VINCENT 43, LYON

J.M.J.

Cara filha,

Aquilo que disse a esses senhores está conforme com o espírito de Nosso Senhor pois é o que Ele próprio fez durante a sua paixão. Nosso Senhor dá-lhe a beber o seu cálice. Não o recuse. Quando bebemos uma gota dele parece-me que isso lhe deve dar gosto por encontrar alguém que a possa ajudar a beber o seu.

Eis aqui a resposta aos vários pontos de que me falou:

1°   Não voltando à casa das Irmãs talvez esteja cedendo a um pequeno sentimento de susceptibilidade e de amor próprio.

2°   Na provação, é preciso rezar e pedir. O Samaritano lá estava para cuidar do pobre ferido.

3°   É um trabalho de morte a si mesma.

4°   Sim, mas fazer as coisas com simplicidade e com mais calma.

5°   Sim. Faz uma boa ação e meritória para ti.

6°   Sim. Agrada muito a Deus.

7°   Isso é o caminho da perfeição.

8°   Como no 4º ponto.

9°   Quando se trabalha pela santificação pessoal e quando se procura glorificar a Deus morrendo para si mesmo não se é inútil e a nossa vida é agradável a Deus.

No céu veremos e compreenderemos tudo isso.

O seu pai.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 326 (308) [36]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VICENT 43, LYON

J.M.J.

Minha caríssima filha,

Obrigado por todas as ofertas que, como sei, vêm do seu bom coração. Estou certo de que o Deus da caridade lhe recompensará muito por tudo quanto quer fazer por um pobre homem como eu.

Tenho uma rouquidão que me dá algumas vezes e que ainda me aconteceu nestes dias. Mas terei necessidade da minha voz para falar durante estes dias de Quaresma e de confissões, mas, o bom Deus a tira, porque, com certeza, faço mal a sua obra. Bendito seja o seu nome e seja feita a sua vontade.

Vou aproveitar este tempo para estudar um pouco a paixão de Nosso Senhor. Não será um tempo perdido pois há coisas tão belas nesta paixão do Salvador.

Como vai? Há muito tempo que não tem comungado. Se as suas forças e o tempo o permitirem, venha à tarde, logo que possa. Aí pelas 3 ou 4 horas poderei confessá-la sem barulho e assim poderá voltar a comungar pois o tempo deve parecer-lhe muito longo.

Ao seu serviço, o humilde padre

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 327 (309) [37]

J.M.J.

Peço-lhe, caríssima Irmã, que diga às Irmãs da Visitação que nos enviem esse jovem de quem nos falam a fim de que possamos vê-lo e apreciar as suas disposições.

Se tiver um tempo bom, iremos amanhã a Ars (toda a casa). Por isso, se puder vir, não escolha estes dois dias porque provavelmente não estarei aqui. Venha, antes, hoje, se puder.

Ao seu serviço no Senhor.

Que Deus a abençoe.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 328 (310) [38]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.

Deste algum tempo, cara filha, o bom Mestre está provando você bastante: provações por parte do mundo, da sua família e provações da minha parte. As suas últimas cartas causaram-me muita pena e compaixão por você no meu coração. Entretanto, espero que, com o auxílio da graça de Jesus Cristo, vença estes diferentes assaltos do demônio, pois em tudo isso só vejo um violento ataque do espírito maligno que está irritado por ver a generosidade com que se pôs ao serviço de Nosso Senhor e a renúncia completa a si mesma. Mas deve desprezar os assaltos do demônio por maiores que sejam e continuar a caminhar com coragem no caminho do despojamento e da renúncia a si mesma. Tenha, pois, confiança e esteja convencida de que Deus não a abandonará. Continue a comungar e a rezar em união com Jesus Cristo frente aos vexames do mundo e dos seus. Coragem e perseverança. Rezei e continuo a rezar por ti.

Esta tarde vou buscar minha mãe a Tour du Pin. Amanhã não estarei aqui. Para não a fazer vir duas vezes, venha sábado de manhã.

Com muita amizade em Nosso Senhor. Que Ele a abençoe.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 329 (311) [39]

J.M.J.

Cara filha,

Não creio que as suas faltas sejam tais que a impeçam de comungar. Humilhe-se bastante. Aceite com humilde submissão de coração as penas e as contrariedades que lhe acontecem. Tudo isso deve servir para a nossa perfeição. Foi na sua paixão que Nosso Senhor foi o mais belo e o mais perfeito. Coragem, pois. Ofereça-se a Deus e todos os seus.

Rezarei a Deus para que O ame sempre cada vez mais e para que a sua santa vontade se realize em ti e nos seus.

Obrigado pelas suas boas cartas. Sábado vou reunir toda a nossa gente e dizer-lhes aquilo que me parece que Deus quer de nós.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 330 (312) [40]

J.M.J.

Se não puder vir até ao Prado peço-lhe que diga ao Sr. Suchet. Eu vou à Caridade. Pode lá ir às 3 horas e aí me encontrará e poderá confessar-se.

Ao vosso dispor em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 331 (313) [41]

J.M.J.

Caríssima Irmã,

Ontem cheguei às 3 horas para a confessar mas tinha ido embora. Lamento este contratempo. Sei que tem necessidade de Jesus. Não perca a coragem. Deus ama-a sempre a pesar de suas misérias. O sacrifício das nossas pessoas é agradável a Deus.

Com amizade em Jesus vítima de amor pelos pecadores. Que Jesus a abençoe.

A.Chevrier

À Senhora Franchet 332 (314) [42]

SRA. FRANCHET

J.M.J.

Não esperava por ti com este mau tempo. Desde alguns dias ando cansado.

Não posso deixá-la subir até ao meu quarto porque não é permitido.

Proíbem-me de descer por causa de um remédio que tomei esta manhã.

Se quiser confessar-se, pode fazê-lo por esta vez com o Sr. Jaricot.

Reze pelo seu pobre que não se esquece de ti diante de Deus.

A.Chevrier

À Senhora Franchet 333 (315) [43]

J.M.J.

Caríssima Irmã,

Não vou à Trapa. Pediram-me para atrasar a minha visita. No entanto estarei ausente dois ou três dias para agradecer a alguns benfeitores da nossa Casa. É uma penitência, mas penso que é necessário.

Peço a Deus a sabedoria e o seu amor e sinto-me disposto a fazer tudo para alcançá-lo. Reze para que eu o obtenha. É preciso ser muito humilde, muito desapegado e despojado de tudo como um pobre mendigo. Quando será que me verei bastante desprezível aos meus olhos e aos olhos de todos para que a luz de Deus me esclareça e me conduza?

Está sofrendo, cara filha, mas se a alma se purifica, que importa! É preciso que o espírito cresça quando o corpo diminui.

Se não puder receber Jesus, deseje-o e faça com que Ele venha ao seu coração por um ardente amor.

Peça a Jesus por… a santa e verdadeira Pobreza e também uma viva luz para conhecer a santa vontade de Deus.

Que Jesus a abençoe, a ti e à sua boa família.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 334 (316) [44]

SRA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43

J.M.J.

Sinto-me triste ao ler a sua carta mas não deve perder a coragem. Continue a comungar por obediência e ame sempre o nosso bom Salvador.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 335 (317) [45]

J.M.J.

Minha cara filha,

Ontem deu-me uma dor num joelho que não me deixa andar. Não irei pedir esmola hoje e, por conseguinte, não poderei ter o gosto de ir à sua casa. Peço-lhe desculpa.

Seja fiel aos seus exercícios, às orações e à comunhão e a graça de Deus estará sempre contigo.

Ao seu dispor.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 336 (318) [46]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.

Caríssima filha,

Como é pesada a sua cruz e quanto deve sofrer na sua alma com esse trabalho interior da graça e com essa luta com a pobre natureza. Terá um grande mérito, que há de reconhecer mais tarde, e será a sua glória no céu, sendo sempre forte e pondo a sua confiança naquele que nos conforta.

Escreveu-me: Quero morrer! Sim, é preciso e, com a graça de Deus, poderá conseguí-lo. Sirva-se de tudo quanto lhe acontece para realizar esta morte sobrenatural que é tão agradável a Deus e que faz de nós uma vítima de agradável odor.

Rezo por ti e entrego-a a Jesus, hóstia viva e perpétua que todos os dias morre por amor pelos pecadores e por ti.

Com a bênção de Nosso Senhor.

  1. Chevrier

Se puder vir amanhã, venha para não ficar tanto tempo sem comungar.

Hoje não poderei ir vê-la.

À Senhora Franchet 337 (319) [47]

SRA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.                           26 de agosto

Caríssima Irmã,

Amanhã, sexta-feira, irei visitá-la à uma hora da tarde se nada houver em contrário. Assim verei como vai o seu retiro.

Que Nosso Senhor lhe dê a sua paz, a sua alegria e que tenha compaixão da sua alma.

Ao seu dispor.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 338 (320) [48]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.

Minha caríssima filha,

Retirei-me por alguns dias na minha pequena cela de St. Fons para que o bom Mestre me dê luz e força na oração e no estudo da sua divina palavra.

Encomendo-me às suas orações e rezo também por ti e pelos seus.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 339 (321) [49]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.

Envio-lhe algumas linhas do que me escreveu a fim de que possa meditá-las muitas vezes. São lições do divino Mestre que é preciso não esquecer.

Como Jesus é bom! Como a sua palavra é verdadeira quando ele nos instrui. É aí que está toda a sua perfeição e fico admirado como o bom Mestre se serve de tudo para fazer com que chegue à perfeição. Não perca nenhuma ocasião para caminhar pelo caminho que Ele lhe apresenta. Caminhe! Caminhe! O bom Mestre não a abandonará.

  1. Chevrier

(Quando o sofrimento tiver destruído tudo o que em ti é natural, quando a calma estiver na tua alma, não de passagem ou em trânsito mas de maneira estável e permanente; quando souberes dominar-te bem para que a tempestade passe sem causar prejuízos aparentes; quando a tua união comigo for bastante íntima para te fazer esquecer tudo e tudo aceitar, eis para onde é necessário tender. Foi isto o que me foi dito claramente! Compreendi: é preciso dar-se só a Deus mas estar ao serviço de todos para glória de Deus sem apego e sem procurar o próprio interesse…)

À Senhora Franchet 340 (322) [50]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.

Caríssima filha,

Amanhã é a minha vez de fazer um pequeno retiro para me renovar um pouco e converter-me se for possível.

Por isso, durante esta semana continue a fazer os seus exercícios e sobretudo a comungar.

Recomendo-me às suas orações e não a esquecerei diante de Deus a fim de que o bom grão possa crescer em ti.

Que Jesus a abençoe assim como o seu caro filho.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 341 (323) [51]

J.M.J.

Tenho que sair esta manhã mas amanhã estarei aqui.

Reze pelas nossas crianças da Primeira Comunhão que vai acontecer domingo. Conto com 6 dúzias de crucifixos.

Ao vosso dispor em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 342 (324) [51]

Caríssima filha,

Agradeço-lhe o cordão que fica muito bem.

Está sofrendo, pobre filha, e não tem Jesus para a consolar mas tenho a doce confiança de que está em estado de graça. Por isso, se puder sair por estes dias, vá receber o seu Salvador e que a ensine a sofrer pelo seu amor e pela salvação dos pecadores de cujo número faço parte.

Do seu pai.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 343 (325) [53]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.

Minha caríssima filha,

Tenho que me ausentar ainda por alguns dias. Começo a ir melhor e espero que, com a ajuda de Deus e com os bons ares do campo, me restabeleça rapidamente. Estou contente por me retirar um pouco para trabalhar porque tenho necessidade disso.

Vá encontrar um padre até que eu volte a fim de não negligenciar a comunhão.

Escreva-me algumas linhas. Levo a sua carta para responder. Venha, se puder vir sem incômodo.

Reze pelo seu pai que a abençoa.

  1. Chevrier

Em casa do Pároco de St. Jean de Soudain pela Tour du Pin, Isère

À Senhora Franchet 344 (326) [54]

SRA FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.               (Terça-feira à noite)

Caríssima Irmã,

Comecei o retiro esta manhã e acabo de ler a sua carta que estava no meu breviário.

A purificação da sua alma está na aceitação de todas as penas, aridez ou privações que lhe acontecem. Não limite a oferta das suas penas a Deus por uma só pessoa. Ponha nas mãos da Santa Virgem Maria que é a grande Distribuidora das graças de Deus e, se tiver alguma coisa que possa ser útil, ofereça-a pela Igreja e pelos sacerdotes e peça a Deus a santidade dos padres a fim de que, pelos nossos pecados, não levantemos obstáculos à salvação das almas e à efusão das graças sobre os fiéis.

Rezo por ti e peço que a sua alma se liberte cada vez mais a fim de que ela se torne em ouro puro digno de ser oferecido a Deus. Foi Deus que a lançou no fogo para purificá-la. Ele percebe disso melhor que nós. Deixemo-lo agir. Tudo conduz à sua glória. Não deixe de corresponder à sua graça e às suas boas inspirações. Elas não vos faltarão.

Reze para que Deus me converta e para que adquira bem esta humildade e esta caridade e esta força que me são necessárias para realizar a sua vontade.

Ao seu serviço em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 345 (327) [55]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

Não estarei aqui quarta-feira mas venha amanhã, se a sua saúde lhe permitir.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 346 (328) [56]

SRA. FRANCHET, QUAI SAINT VINCENT 43, LYON

J.M.J.                            21 de junho

Cara filha,

Obrigado pelas suas duas boas cartinhas. A dor que tive não teve consequências. Tive frio nos joelhos e nas pernas.

Por favor, dê-me duas ceroulas e assim poderei evitar este inconveniente.

Irei vê-la amanhã, terça-feira, mas não para almoçar pois tenho que estar em casa para a oração da noite.

Quanto ao que me diz a respeito do seu filho, deixe agir a graça. Amanhã escreverei uma palavrinha e lhe darei um santinho. Seja sempre fiel e Deus abençoará a todos.

  1. Chevrier

À Senhora Franchet 347 (329) [57]

Outubro de 1873

1°   É muito difícil para mim multiplicar os pedidos para ser obediente porque muitas vezes não consigo fazê-lo e fico perturbada. Não obstante tudo, é preciso pedir?

– Sim, se isso vale a pena.

2°   Será necessário tirar do nosso espírito mesmo os pensamentos inúteis para chegar à união íntima com Deus?

– Sim, quando nos damos conta disso.

3°   Posso rezar à vontade pela alma que tem a caridade de me dirigir sem procurar o meu próprio interesse?

– Sem dúvida.

4°   Quando uma coisa dá prazer é necessário pô-la imediatamente de lado?

– Nem sempre.

Ou então fazê-la sem se referir a Deus?

– Sim em geral, a coisa é boa e razoável.

5°   Para praticar a modéstia, será necessário renunciar nas ruas de todo o olhar? É muito difícil chegar a ter sempre os olhos baixos mas pode-se tentar.

– É preciso habituar-se a fazer como S. Francisco de Sales: ver sem estar olhando.

6°   Não é verdade que, por causa da saúde, nada nos pode obrigar a tomar remédios não muito convenientes?

– Para não se enganar neste caso é prudente fazer aquilo que julgamos razoável aconselhar a outros.

7°   O sofrimento físico eleva e purifica a alma, não é verdade? Eu, que não faço falta a ninguém, não devo fazer nada para o atenuar.

– Não. Isso pode levar a exageros. Siga o conselho dado acima.

8°   Vou ser boa para com o meu filho sem fazer alusão a nada. Se me dão crianças, cuidarei muito bem delas. Se nada me disserem, farei como antes. Se não têm deferências para comigo, seja tudo para Deus, se me causam pesar seja pelas almas, será assim?

– SIM, MUITO BEM.

9°   Sobre qual defeito devo fazer o meu exame de consciência?

– Sempre falei a este propósito?

10° Posso fazer o voto de castidade para o resto da minha vida?

– Não vejo necessidade.

11° Tomar sempre uma frase da Imitação para a minha meditação?

– Uma ou várias.

12° E se fizesse o sacrifício de me privar de fruta?

– Nada disso pois que seria notado e mais vale esconder-se.

13° Quando se está só, é preciso privar-se dum bom aquecimento e das pequenas coisas confortáveis da vida?

– O que é preciso é tomar o que é necessário ou útil com toda a simplicidade.

14° Normalmente rezo o terço à noite com o meu marido mas quando o rezo sozinha pego na mão da Virgem Santa e, em espírito, vou passeando com ela. Estará bem?

– Pode-se fazer mas sem ligar muita importância.

15° Será necessário que na comunhão do último dia de retiro me ofereça de novo a Jesus como vítima? Não me senti atraída para o fazer.

– Siga a atração do momento.

16° Padre, é sempre o senhor que abre as suas cartas e não o seu secretário?

– Sim, sim e destruo-as. Esteja tranquila.

17° Há alguns dias, numa reunião da Ordem Terceira dos Maristas, o padre pregador disse-nos: “Rezai todos os dias à Virgem Santa para obter a graça de ela vos aparecer antes de morrer”. Parece-me que sou muito miserável para pedir um tal favor…

– Peça sempre porque nunca se é temerário junto de Maria!!!

18° Tenho vontade de me aplicar de uma maneira muito especial a ser muito boa e muito compassiva. Parece-me que está aí a virtude das mulheres idosas, o espírito apaga-se mas a bondade pode crescer. Que pensa disto?

– Aprovo de maneira muito forte.

19° Diga-me, por favor, umas palavras sobre o abandono das coisas deste mundo. Como se deve fazer?

– Como se tivesse de morrer no dia de amanhã.

Sendo sábado o Dia de Todos os Santos, venha sexta-feira à capela por volta de 1 hora e meia.

À Senhora Franchet 348 (330) [58]

1°   Será necessário aceitar esta penúria espiritual em que pareceis deixar-me, sem nada dizer, sem nada desejar, mesmo sem dar a impressão que me dou conta? O amor-próprio não encontrará aí o seu alimento? – Aceite

2°   Ainda estou talvez demais apegada às criaturas. O prazer que tenho em oferecer-lhe pequenas coisas é prova disso. Se quiser, quando tiver necessidade de alguma coisa faça a caridade de me dizer com toda a simplicidade e assim terei o mérito da obediência… mas é preciso que me prometa que não se incomoda. Caso contrário, continuarei a ser a mesma. Terá mérito com isso, eu também o terei para Deus e tudo será aproveitado.

– Sim.

3°   Será procurar o bem eu escrever-lhe o que penso? É preciso renunciar a isso?

– Não.

4°   Quando sofri uma humilhação, quando pratiquei alguns atos de virtude, quando me fizeram sofrer, não será uma satisfação dizer-lhe, por vezes o amor próprio mistura-se. Devo privar-me disso?

– Em alguns casos, sim; noutros, não.

5°   Quando não posso pedir-lhe nada, mas pela sua caridade, me concede uma pequena consolação, posso alegrar-me interiormente agradecendo a Deus?

– Que tudo seja bem espiritual.

6°   Como tirar o maior proveito das humilhações?

– Não se lamentando.

7°   Quando sofro muito na oração e tenho medo de ofender a Deus, devo mesmo assim ficar todo o tempo previsto?

– Certamente que sim.

8°   Das 11 para a meia-noite continuo sofrendo muito. Talvez Jesus queira forçar-me a fazer a hora santa. Que pensa?

– 2 vezes por semana.

9°   Não posso prever nenhum ato de virtude. Será isto uma esquisitice do meu caráter? É preciso esforçar-me ou tomar aqueles que encontro no meu caminho?

– É preciso fazer as duas coisas.

10° Desde há algum tempo o meu marido não me presta nenhuma atenção, e mal me responde quando lhe falo. Será preciso mudar a minha maneira de proceder com ele ou simplesmente aceitá-lo?

– Cada vez melhor e tomar a iniciativa.

11° Talvez Jesus queira que eu faça alguma coisa para me reconciliar com o p. de J. Será que lhe ponho esta questão por orgulho? Sei que ele diz mal de mim sem qualquer dificuldade e isso humilha-me. Só quero fazer o que me disser e nada mais.

– Vê-lo uma vez.

12° Padre, a que é que chamais visitas inúteis? Um dia perguntou-me se as tinha feito. Respondi que não. Mas, refletindo, vi que nenhuma tinha sido útil para a alma, mas enquanto boa educação e boas relações foram úteis. Será suficiente?

– Sim.

13° Para ser uma vítima segundo o coração de Deus, será necessário nunca parar, qualquer que seja o sofrimento que Ele nos envia, nunca deixar de comungar por maior medo que se tenha de o não fazer bem, nunca se lamentar de nada nem de ninguém? Será necessário procurar chegar até esse ponto?

– É preciso saber “morrer” bem.

14° Sinto-me muito inclinada para me aceitar e acalmar-me perante as minhas misérias e vê-las em Deus como objeto de humilhação e, depois, de amor. Será isto uma tentação de orgulho?

– NÃO.

15° Para morrer a tudo não bastará deixar-se morrer esforçando-se só por não contrariar a ação da graça em nós pelas nossas revoltas e pela nossa falta de generosidade?

– DIFÍCIL.

16° Será necessário esforçar-me por apagar esta grande vivacidade? – Sim.

Será um defeito? – Algumas vezes.

Não será uma fonte de imperfeições? – Sim

Será prejudicial ao recolhimento interior? – Sim.

Será um obstáculo ao domínio de si mesmo? – Sim.

Uma palavrinha sobre isto, por favor.

– É preciso apagar a má natureza e dominar ou dirigir a boa. É difícil.

17° Tenho necessidade de uma pequena direção. Sinto-me mais calma. Será egoísmo pedi-la? – Não

18° Já não sinto nenhuma atração pelas mortificações exteriores. Será uma covardia? É preciso fazê-las mesmo assim?

– Ofereça aquelas que Deus lhe envia. Isto bastará por algum tempo.

Que Deus a abençoe.

À Senhora Franchet 349 (331) [59]

Aprovo a sua regra de vida e rezarei para que Deus a ajude a cumpri-la.

  1. Chevrier

Será necessário prometer buscar sempre, pela vontade, (na medida das minhas luzes) aquilo que há de mais perfeito e fazê-lo, pelo coração, todas as vezes que apareça uma oportunidade? – SEM COMPROMISSO.

Quando decidi dizer-lhe alguma coisa e o senhor parece indiferente, é uma imperfeição se eu for embora sem fazê-lo? – SIM.

É talvez por um orgulho ferido que deixei de lhe dizer para vir a minha casa, que prefiro deixar de comungar do que voltar a contar-lhe as minhas preocupações antes do tempo marcado, que já não lhe falo do meu retiro, que já não lhe pergunto nada acerca daquilo que lhe interessa, que fico para trás em tudo, que me custa tanto ir a casa das Irmãs? Uma palavra, por favor. – Sim.

À Senhora Maria…

À Senhora Maria… 350 (545)

J.M.J.              9 de janeiro de 1865

Agrada-me a sua franqueza, minha pequena Maria, e estou convencido de que, com a sua boa vontade, se tornará agradável ao Nosso bom Salvador e à Santa Virgem Maria, sua Mãe muito amada.

Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração, dizia Nosso Senhor aos seus apóstolos. Estas são as duas virtudes que deve procurar adquirir e praticar. Estas duas virtudes são Irmãs, e praticando uma possuirá a outra. Para isso tenha sempre Nosso Senhor diante dos olhos, a sua doçura e a sua humildade, no seu Presépio e na sua Paixão; imite-o e faça morrer em ti esse pequeno sentimento de auto-complacência e esses pequenos arranques de amor próprio que tendem sempre a apoderar-se de ti.

Nunca responda quando lhe fizerem alguma observação; aceite sem desprezo e sem fazer teatro; pense que todos têm direito a repreendê-la por causa dos seus defeitos e que deve agradecer quando alguém lhe faz notar algum defeito.

Os seus esforços passados são uma boa garantia para o futuro e tenho total confiança que tudo irá bem. Queira apresentar os meus cumprimentos à sua Superiora e às suas Mestras, sobretudo à Irmã Santa Genoveva.

Não me esqueça nas suas orações. Penso em ti no Santo Sacrifício.

Que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

À Irmã Serafina, Religiosa da Visitação

À Irmã Serafina, Religiosa da Visitação 351 (438) [1]

À NOSSA IRMÃ SERAFINA, NO CONVENTO DA VISITAÇÃO, LYON

J.M.J.

Minha querida Irmã em Nosso Senhor,

Lamento que o seu Irmão não tenha podido ver o Padre Magnan, mas enviei-lhe a carta logo que a recebi e não tive para contigo essa impaciência que me atribui.

Quanto ao Padre Magnan, ele falou com o Sr. Dutel que me substitui em casa. Recebi uma carta deste bom Padre na qual me fala de um projeto que você me deve enviar. Este bom Padre tem uma opinião demais elevada a meu respeito; não creio que lhe possa dar grande conselho. Dado que não consigo obter grandes resultados e não posso converter os que me são confiados, como poderei ser útil aos outros?

Reze por mim, por favor. Pedi as cartas ao seu irmão, espero-as para as juntar às minhas. Que Nosso Senhor Jesus Cristo a abençoe e lhe conceda as suas luzes e as suas graças.

  1. Chevrier

À Irmã Serafina, Religiosa da Visitação 352 (439) [2]

À NOSSA IRMÃ SERAFINA MARIA JULIA, CONVENTO DA VISITAÇÃO, LYON

J.M.J.                  31 de março 1867

Querida Irmã em Nosso Senhor,

Pensava levar-lhe eu mesmo as cartas com a resposta. Mas isso é impossível. Aceite as minhas desculpas. Estou contente com o seu irmão, o guardamos com alegria. Se ele tiver algum problema, não deixe de nos dizer; isso nos daria prazer. Tentaremos dar-lhe remédio. Ele parece contente.

Reze por nós todos que temos grande necessidade.

O seu dedicado servo.

  1. Chevrier

À Irmã Serafina, Religiosa da Visitação 353 (440) [3]

J.M.J.                       16 de fevereiro

Querida Irmã em Nosso Senhor,

Obrigado por me ter enviado alguns objetos do seu irmão.

Gostaria de ter notícias do seu pobre irmão, se estiver melhor.

Continue a ser boa e a perseverar na sua bonita vocação. Peço a Deus esta graça para ti.

Que Jesus a abençoe e toda a sua família. Reze pelo seu pobre servo.

  1. Chevrier

À Irmã Serafina, Religiosa da Visitação 354 (441) [4]

J.M.J.

Querida filha,

Não deve decidir nada sem o conselho da sua reverenda Madre, a única que tem o poder de lhe permitir que vá para uma outra casa.

Levante bem alto a sua alma para que as coisas terrestres não a atinjam: ofereça-se todos os dias em sacrifício ao bom Deus e não deseje retomar o que lhe tiver dado; não somos nada e o nosso pobre corpo não é mais do que um pouco de estrume que deve servir para dar vida à árvore da Igreja; se o bom Deus quer servir-se dele, não o recuse.

Obrigado pela sua boa lembrança e o pelo seu reconhecimento por tão pouca coisa.

O seu irmão ama a Deus e o bom Deus ama-o. Acredite que Ele o protegerá.

Que Jesus a abençoe e reze pelo seu pobre servo.

  1. Chevrier

À Irmã Serafina, Religiosa da Visitação 355 (442) [5]

À NOSSA IRMÃ SERAFINA, NA VISITAÇÃO, LYON

J.M.J.

Querida Irmã

Continuaremos a rezar por todas as suas boas intenções; ponha ao pé da Cruz todas as suas preocupações e apreensões, e Deus que é o nosso Pai cuidará de ti.

Calma, confiança e paciência no Coração de Jesus que nos abençoa.

  1. Chevrier

À Irmã Serafina, Religiosa da Visitação 356 (443) [6]

À NOSSA IRMÃ M. SERAFINA, NO CONVENTO DA VISITAÇÃO, SAINT MARCELLIN, ISERE

J.M.J.                6 de março de 1871

Minha querida Irmã

Dado que o seu corpo e sobretudo a sua alma se dão melhor em St. Marcellin, creio que fará bem em permanecer lá enquanto puder, se tiver permissão da sua Reverenda Madre.

A salvação antes de tudo, e a tranquilidade da alma é um meio potente para lá chegar.

Comunicarei os seus desejos ao seu irmão, e espero que seja sensato, não está mal.

É necessário rezar pelo seu pai, para que consiga a sua salvação.

Havia duas cartas do seu pai dentro da sua, diga-me o que devo fazer.

Que Jesus a abençoe e receba a sua boa vontade.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud

À Senhora Perraud 357 (415) [1]

28 de abril de 1869

… na sua misericórdia. Nada do que sofremos fica perdido se o suportamos com fé e amor.

Reflita algumas vezes sobre as estações da Via-Sacra; os sofrimentos de Nosso Senhor ajudam-nos e fortalecem-nos. Coragem pois. No fim desta vida encontraremos outra melhor e veremos Jesus Cristo o nosso Salvador. Acredite que Deus a ama muito.

Que Jesus a abençoe. Reze por mim.

O seu servo em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud 358 (416) [2]

Minha boa Irmã

Continua sempre com os seus cuidados e preocupações, mas veja bem todo o mérito que adquire cuidando do seu marido.

É bem triste assistir todos os dias à deterioração daqueles que amamos, mas tal é vontade de Deus em relação ao nosso corpo; é necessário que este primeiro corpo seja destruído e que em seguida seja reconstruído segundo o modelo do Nosso Senhor Jesus Cristo. Tenha por conseguinte fé e submissão à santa vontade de Deus, olhando esta destruição como a justa punição do pecado; no céu não haverá mais doença, sofrimento nem separação; que o bom Deus lhe dê a sua graça e a suave paciência e eu a abençoo.

Os meus cumprimentos para o seu marido.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud 359 (417) [3]

  1. M. J.

Querida Irmã

Rezaremos a Deus para que os seus problemas se resolvam o mais cedo possível e o melhor possível; e depois deve fazer uma peregrinação a Ars para obter do Santo cura d’Ars um pouco de tranquilidade de espírito.

E quando puder, venha ver-nos ao Prado; sabe bem que estamos sempre dispostos a ser-lhe útil; tenha pois confiança e não se aflija; o bom Deus não a abandonará.

Coragem, eu a abençoo e continuo a ser muito dedicado.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud 360 (418) [4]

  1. M. J.

Querida Irmã em Nosso Senhor,

Não se deixe vencer pelo desânimo no meio dos seus sofrimentos e tribulações. Há que levar a cruz com fé e submissão. O céu será um dia a nossa pátria e nós seremos completamente livres das penas que tivemos que sofrer na terra. Paciência, faça todos os dias a Via-Sacra e obterá neste exercício força e coragem para agir bem e sofrer com proveito.

Eu a abençoo e rezo por ti.

Que o bom Mestre abençoe também o seu marido e lhe dê a sua paz.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud 361 (419) [5]

Querida Irmã em N. S.

Permito que continue com as suas comunhões … habitualmente até ao meu regresso, no fim do mês.

Continue com os seus pequenos exercícios e seja sempre prudente.

Rezo por ti e peço a Nosso Senhor a Sua Bênção.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud 362 (420) [6]

SENHORA PERRAUD, EM LYON

Minha boa irmã em Jesus Cristo,

Retirei-me por algum tempo na casa de um senhor que tem uma capela; estou aqui para trabalhar e rezar.

Reze um pouco por mim também; eu não a esqueço no Santo Sacrifício da Missa.

Continue com as suas comunhões e orações até que eu volte, dentro de quinze dias, talvez.

Não se angustie; diga muitas vezes: Meu Deus, que se faça a vossa vontade e não a minha. Persevere nos seus exercícios, na paciência e no amor de Deus; não se preocupe com o resto.

Rezo por ti e peço ao bom Deus que a ajude e console em todos os seus sofrimentos de espírito e de corpo.

Seu muito dedicado em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud 363 (421) [7]

  1. M. J.

Minha boa Irmã

Obrigado por todo o bem que nos faz.

Recomendo a Deus todas as suas intenções, assim como a saúde do seu marido e a sua e peço a Deus sobretudo sabedoria para que aproveite tudo para sua salvação.

Coragem, pois, boa senhora, e convença-se que tudo irá pelo melhor.

Abençoo-a em nome do bom Deus.

Sou seu muito dedicado servo.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud 364 (422) [8]

Roma, 25 de abril de [1877]

Minha boa Senhora, e cara Irmã em Nosso Senhor Jesus Cristo

Recebi notícias suas e do seu marido pela Irmã Isabel. Peço-lhe que se console em Nosso Senhor e que não se atormente; sabe que este é o seu defeito.

Tenha confiança em Deus e continue a avançar ao seu passo como de costume. Uma alma que tem boa vontade não deve temer nada e deve caminhar com confiança. Continue com os seus pequenos exercícios, com as suas comunhões e convença-se que é uma filha mimada por Deus; que um dia a sua coroa será muito bela no céu porque o bom Deus ama muito as almas caridosas.

Rezo por ti em Roma e peço para ti confiança, esperança e abandono completo nas suas mãos.

O nosso Santo Padre o Papa abençoou todos os benfeitores e a ti também porque faz parte deles.

Tenha sempre confiança em Deus e que Deus a abençoe. As minhas saudações muito respeitosas ao Senhor Perraud.

Todo seu em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud 365 (423) [9]

  1. M. J. 3 de fevereiro de 1878

Minha boa Irmã

Coragem no meio de todas as provas que lhe chegam. Há que as aceitar humildemente e com submissão; o mal vem do pecado, tal como o sofrimento e a morte. Aqueles que sabem aceitar os sofrimentos como deve ser, isto é, cristãmente, têm muito mérito e obtem grandes graças para o tempo e para a eternidade.

Rezo a Deus pelo seu marido e por ti a fim de que tudo o que lhe acontece aproveite à sua salvação.

Tenha uma grande confiança em Deus e não se perturbe com nada.

Eu a abençoo e peço-lhe que me creia seu muito dedicado servo e padre.

  1. Chevrier

À Senhora Perraud 366 (424) [10]

  1. M. J. 6 de fevereiro de 1878

Minha boa Irmã

Resigne-se à Sta. vontade do bom Deus, chame o Padre Vincent para a confessar de novo e lhe dar a Santa Comunhão e tenha confiança em Deus para a sua salvação; é um sacrifício que o bom Deus lhe pede, há que o fazer com submissão e terá todo o mérito.

Vou enviar alguém para chamar o Padre Vincent; tenha confiança e coragem.

Rezo e faço rezar por ti e pelo seu querido doente e abençoo-a de todo o coração.

Seu muito dedicado.

  1. Chevrier


À Senhora Grivet

À Senhora Grivet 367 (363) [1]

SENHORA LUISA GRIVET, NAS AGUAS D’URIAGE, G. HOTEL DES BAINS, ISERE

  1. M. J. Lyon, 8 de setembro de 1872

Minha querida filha

Veja como muitas vezes ficamos desiludidos nas nossas esperanças; vamos procurar a saúde e encontramos a doença. Como deve sofrer, cara filha, ao ver a sua pobre mãe doente. Cuide bem dela; na realidade não tenho necessidade de o recomendar; o seu coração é bastante bom para o fazer como uma verdadeira filha cristã o deve fazer. Apresente à sua mãe os meus sentimentos de pesar, e diga-lhe que rezo a Deus por ela e pelo seu restabelecimento.

Cumpra este dever de piedade filial com amor, prontidão e obediência, conserve sempre a calma e a presença de Deus; quando perdemos a serenidade e nos precipitamos, como você faz habitualmente, pegamos fogo à casa, e é difícil de o apagar em seguida sem queimar os dedos; calma e prudência em tudo, mesmo na devoção, e verá que tudo irá melhor. Não esqueça a oração no meio das suas ocupações, e respire o bom ar das montanhas, sempre que puder. Faça uma boa provisão dele, para depois não ter medo do ar da Guillotière.

Não se atormente por causa do pequeno trabalho que lhe dei; faça-o pouco a pouco; tem necessidade de descanso, faça-o quando puder. Seja sempre prudente e Deus providenciará em tudo.

Teve um grande desgosto por causa da Marta; não terá sido um pouco por sua culpa? Porque dá nomes que as pessoas do mundo não podem compreender nem admitir! Essa pobre criança deve ter sido muito humilhada perante a sua família depois da leitura da carta. Evite fazer-se chamar assim, porque tudo isso não leva a nada, não põe nas almas dignidade nem grandeza, e favorece demais os sentimentos do coração. Obtenha dos seus alunos uma afeição forte e sólida, que nasce do reconhecimento dos serviços que lhes presta.

Que tudo sirva para nos instruir e nos corrigir e nos elevar para o único Mestre que está no céu, o único digno de louvor e de amor.

Adeus, cara filha, que Jesus a abençoe e à sua boa mãe e que a saúde da alma e do corpo floresça de novo em ti.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 368 (364) [2]

AO SENHOR JARICOT PARA A SENHORA GRIVET

  1. M. J. [Junho de 1873]

Minha cara filha

Permito a Marta somente duas comunhões durante a senana da oitava do Corpo de Deus; há que trabalhar mais na sua santificação para a receber mais vezes.

E você, minha pobre filha, cai muito; esse coração faz-lhe sempre guerra. Pede-me perdão. Oh! querida filha, eu perdoo-lhe, e perdoo-lhe tudo; as suas ofensas não são grandes a meus olhos. É sobretudo a Deus que deve pedir perdão da sua pouca constância e do pouco esforço que faz para se vencer. Coragem, e não insista tanto em corrigir Marta, sobretudo por bagatelas, tais como pequenas tranças ou cabelo; isso cairá por si, quando o bom Mestre tiver ocupado um pouco de espaço no seu coração. Seja perseverante nas suas boas resoluções.

A meditação, o exame de consciência, a comunhão e a serenidade do coração e do espírito.

Adeus, cara filha, seja prudente. Eu a abençoo.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 369 (365) [3]

22 de janeiro de 1874

Minha pobre filha! quantas misérias. Vê como a vida natural a leva, e como a vida sobrenatural se torna difícil, porque negligencia a sua oração; não se esqueça que a oração é a base fundamental da vida cristã e seriamente cristã, e que enquanto não fizer regularmente a sua meditação, continuará caminhando errado, deixando-se levar pela sua natureza, fazendo apenas o que lhe dá prazer, e deixando o que lhe custa. Vamos, levante-se, retome a vida de Nosso Senhor, estude as suas virtudes, e conforme-se com o seu divino Mestre; obrigo-a à sua meia hora de meditação todas as manhãs, a levantar-se às 5 h ½ ou 6 h, até ao fim deste mês.

Por humildade irá confessar-se esta tarde a um padre que escolha e entregue-se sinceramente à obra da sua santificação.

Que Jesus a abençoe. Espero que seja mais prudente.

O seu Pai

  1. C.

À Senhora Grivet 370 (366) [4]

SENHORA LUISA GRIVET, LYON

  1. M. J. 15 de maio de 1874

Cara filha

Seja mais corajosa para fazer um ato de humildade indo confessar humildemente as suas faltas ao padre, que é sempre o representante do bom Mestre. Não se deixe conduzir tanto pelo coração; é o seu defeito, é preciso que o amor a Nosso Senhor seja o móbil e o princípio de todas as nossas ações, e sobretudo quando se trata de cumprir um dever tão doce, tão importante como o da Santa Comunhão; coragem pois, filinha, cresça no amor a Jesus e na força do Espírito Santo.

Estamos perto da festa de Pentecostes; faça uma grande novena para pedir o espírito de força para crescer e fortalecer-se nas práticas espirituais e saber praticar o abandono e o despojamento.

Cresça, cresça, deixe de ser menina; porque as crianças não servem para nada. É preciso estar sempre a mimá-las, acarinhá-las, louvá-las, sem nunca as fazer trabalhar; é esta a virtude que deve praticar. Comungue com a intenção de receber o Espírito Santo, de que Nosso Senhor está cheio, e quer comunicá-lo a ti.

Que a paz do bom Deus esteja contigo; que Ele a faça crescer no seu amor e lhe dê a calma de espírito e de coração.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 371 (367) [5]

SENHORA LUISA GRIVET, NO PRADO

  1. M. J. 25 de maio de 1874

Minha querida filha

Continua a ser uma criança, e o que é mais lamentável é que não quer crescer. Quando se torna grande, trabalha-se; quando se torna grande, sustenta-se o pai e a mãe; quando se torna grande, é útil a todos; quando se torna grande, não é inútil, não se chora, não se tem necessidade de ser sempre levado ao colo, de ser acarinhado.

As crianças têm o seu lado bom, mas também têm o seu lado mau. Há que fazer desaparecer o lado mau e conservar o bom. Vamos, menina, cresça. Puxarei de tal modo pela sua cabeça e pelos seus pés que a farei crescer à força. Tem que limpar o seu quarto ao menos uma vez por semana. O mesmo com a nossa alma, é preciso limpá-la ao menos uma vez por semana; assim, confesse-se com simplicidade, com qualidade todas as semanas, e comungue todos os dias, menos um.

Estou sempre um pouco fraco e a febre não me deixa; mas isto não é nada, se eu for agradável a Deus e puder cumprir a sua santa vontade.

Diga à sua querida irmã Cristina que receberemos o seu pequeno protegido quando ele souber o francês e esteja em condições de fazer o exame de leitura, de escrita e de gramática francesa. As crianças que sabem bem o francês têm sempre melhores resultados em latim e vêm a ser mais tarde bons alunos.

Que Jesus abençoe as duas e lhes dê a humildade, a caridade e uma santa paz.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 372 (368) [6]

SENHORA GRIVET, GUILLOTIERE

  1. M. J. [7 de setembro de 1874]

Cara filha

Tomem boas férias, tem necessidade delas.

Quando for ao Retiro das professoras, aproveite a ocasião para visitar a Senhora de Marguerye.

Quanto às aulas às minhas crianças, não é possível dá-las; poderá somente dar-lhes problemas que elas resolverão e lhe enviarão as cópias por Wilhelm.

O menino Zenfant está comigo; começa a compreender o suficiente e dentro de um ano poderá seguir as aulas; poderemos admiti-lo um pouco antes.

Que Jesus a abençoe.

  1. Chevrier

Envie por Wilhelm problemas para resolver.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 373 (369) [7]

SENHORA L. GRIVET, COURS DE BROSSE, 4, LYON

7 de setembro de 1874

Cara filha

Queira ter a caridade de copiar as folhas de indicação que lhe dei e mande-me-as em seguida; tenho necessidade delas para o pequeno trabalho que tenho que fazer.

Obrigado pelo seu trabalho. Que Deus a abençoe.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 374 (370) [8]

SENHORA L. GRIVET, COURS DE BROSSE, 4, LYON, GUILLOTIERE

  1. M. J. 9 de junho de 1876

Cara filha

Que o bom Mestre lhe dê as suas graças e as suas bênçãos, a fim de que trabalhe todos os dias para o amar sinceramente e de todo o coração.

Obrigado pelos seus bons desejos e orações. Tenho grande necessidade do socorro do alto e de força para realizar o que o bom Mestre me pede.

Peço ao bom Deus por ti, para que caminhe com mais coragem no despojamento de si mesma, pois a sua vida cristã está travada pelos obstáculos do espírito, do coração. Esta sensibilidade lhe prejudica… Trabalhe, portanto, com toda a sua coragem para ultrapassar estas misérias naturais. Peça ao Espírito Santo que lhe dê a calma, a segurança que é o cimento duma virtude séria e perseverante. Deve encontrar na Santa Comunhão a graça para isso.

Pede-me para comungar todos os dias; concordo, contanto que aproveite essa graça imensa para se corrigir desse grande defeito. E a inveja, e a susceptibilidade que existe em ti! Esta é muitas vezes a causa do seu mau humor. Vamos, procure o bom Deus, peça a sabedoria; ela é tão bela, tão grande, tão sublime, tão verdadeira, que se deveria comprá-la a qualquer preço.

Escreva a essa boa gente que perdeu os seus pais; faça o seu pequeno Retiro; penso que já foi feito. Não esqueça a sua meditação, estude Nosso Senhor Jesus Cristo; tudo está aí, e lembre-se todos os dias de uma das suas palavras ou de uma das suas ações para as pôr em prática, ou ao menos saborear a sua doçura e o seu gosto.

Os meus cumprimentos respeitosos à sua boa mãe; não a faça sofrer, console-a, honre-a e obedeça-lhe; que o bom Deus vos abençoe a todos e vos torne prudentes.

Faça uma pequena penitência e um ato de caridade enviando este pequeno bilhete à Irmã Hyacinthe.

Seu pai em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 375 (371) [9]

SENHORA L. GRIVET, COURS DE BROSSE, 4, LYON

  1. M. J. 16 de julho de [1876]

Cara Filha,

São Paulo diz-nos que o demônio se transforma em anjo de luz para nos enganar, quer dizer que ele se faz passar por um anjo ou por um santo ou uma santa, como quer, e nós somos tão tontos e tão orgulhosos que acreditamos estar perante um anjo ou um santo, e na verdade estamos perante o demônio. Quanto ao pecado, o demônio tem uma grande influência em nós, e sobretudo naqueles que são dados ao orgulho e que gostam das coisas extraordinárias; o demônio aproveita-se disso para os tentar e magnetizar com a sua influência diabólica. É tão raro ver as almas conduzidas verdadeiramente pelo espírito de Deus!

Uma das grandes [marcas] para conhecer se uma alma é conduzida pelo espírito de Deus é o sofrimento e a provação; uma alma que não foi provada, contrariada, que não sofreu contradição e que não experimentou provação, não pode ser conduzida pelo espírito de Deus; a esta pessoa só podemos dizer: “Quem vos inspira é o demônio” e veremos a cara que ela faz e, deste modo, ficaremos sabendo que é o demônio que a conduz, ou então apenas a sua imaginação. Se é o bom Deus que a conduz, ela desconfiará de si mesma, terá medo de ser vítima da ilusão, suspeitará das coisas extraordinárias e pedirá a Deus que a livre delas, e não falará a ninguém dessas coisas, com medo de se enganar ou de perder a humildade.

Como estamos sujeitos ao erro! E como devemos tremer perante tantos perigos e inimigos!

Seja prudente, cara filha, permaneça na humildade.

Acalme a sua cabeça e sobretudo o seu coração; faça a sua pequena meditação todos os dias, e aprenda no estudo de Nosso Senhor como se deve conduzir e como deve amar a Deus e ao próximo.

Eu estou um pouco melhor, mas o médico quer que eu vá a Vichy, o que me desagrada muito, e só irei verdadeiramente à pulso.

Apresente as minhas saudações sinceras à sua boa mãe.

Que o bom Deus a abençoe e lhe dê a sua graça e o seu amor.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 376 (372) [10]

SENHORA L. GRIVET, COURS DE BROSSE, 4, LYON, GUILLOTIERE, RHÔNE, FRANÇA

  1. M. J. Roma, 18 de abril de 1877

Querida filha,

Não quero brigar contigo por tudo o que me diz na sua última carta; não era você que a escrevia. Apenas constato uma coisa que é verdadeira, é que, quando o coração está muito pesado, explode, e transforma-se em fel e vinagre. Os dois extremos tocam-se e devemos guardar o justo meio termo que vem do Espírito Santo, e que é calma, doçura, paciência e verdadeira caridade. Há muito tempo que lhe digo e que lhe faço observar, mas a natureza é sempre a mesma, é difícil mudar, é um trabalho longo e laborioso.

Mas não desanimo; continuarei a chamar a atenção para tudo o que há de mau em ti, para glória de Deus e seu bem particular. Já que me escolheu como pai, devo cumprir o meu dever, não mimando-a com cartas doces, suaves, mas com correções sérias e úteis. Pois bem! Faltou ao seu dever, deixa-se levar pelo rancor, pela animosidade, pela acidez, quando não respondem imediatamente aos pedidos; não sabe sofrer nada, tolerar nada e despreza toda a gente; gostaria que toda a gente fosse tão exaltada como você; não sabe pôr freio nem à sua imaginação, nem ao seu coração, nem sequer aos seus membros; é preciso que tudo funcione, que tudo caminhe; ponha-se aos pés de Nosso Senhor e peça-lhe que acalme um pouco essa natureza.

Já basta para isto!

Obrigado, cara filha, pelos seus bons desejos e pela sua lembrança pelo dia do meu nascimento. Há já 51 anos que estou no mundo e ainda não vejo o que fiz. Reze por mim, a fim de que a minha vida não seja inútil, para que eu leve a bom termo esta obra que o bom Deus me confiou; é uma grande tarefa e eu sinto toda a minha fraqueza para a cumprir. Mais do que nunca compreendo que é preciso ser santo para fazer qualquer coisa de útil, de durável e de bom. Procuro a sabedoria e a santidade, sei bem onde ela está, mas tenho tanta dificuldade em praticá-la; sou um pouco como você, gostaria de ser santo e não posso lá chegar; vamos rezar ambos pela nossa conversão e o primeiro que chegar a ser santo ajudará o outro a lá chegar.

As minhas saudações muito sinceras à Senhora sua mãe; diga-lhe da minha parte que tenha paciência com uma tão má filha, e que o bom Deus a recompensará por ter cuidado tão bem de ti.

Cuide bem da sua mãe, seja prudente, não se descuide das suas comunhões, da sua oração e que o Senhor a abençoe.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 377 (373) [11]

SENHORA GRIVET, COURS DE BROSSE, 4, LYON, GUILLOTIERE, RHÔNE, FRANÇA

  1. M. J. Roma, 19 de maio de 1877

Querida filha

Há que sacrificar a viagem a Roma.

Não pode deixar os seus alunos e não há nenhuma necessidade, mas somente uma satisfação; pode ir lá durante as férias.

Quanto ao seu casamento, não ouso dar-lhe nenhum conselho definitivo; se esse senhor fosse religioso, se lhe agradasse muito e se tivesse alguma atração pelo casamento, eu não a desencorajaria, porque o seu espírito e o seu coração têm necessidade de se fixar, e ser-lhe-á necessária uma grande virtude para permanecer prudente no meio do mundo; necessitará de muita energia para resistir aos desencorajamentos, aos despresos do mundo e a essa solidão que a espera; reze muito.

Se, quando estou ausente, fica tão angustiada e não encontra confessor a seu gosto, que será quando tivermos de nos separar completamente, a menos que Deus a chame primeiro que a mim; é preciso ter mais liberdade de alma e de consciência.

Reflita muito seriamente antes de recusar completamente.

Quanto a nós, vamos bem, a minha saúde mantém-se, de uma maneira geral estou melhor do que em Lyon; penso regressar a Lyon dentro de um mês.

Reze por nós e pelos nossos jovens diáconos que vão em breve ser padres.

As minhas saudações à sua boa mãe. Que Deus a abençoe.

Seu Pai espiritual.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 378 (374) [12]

[Agosto de 1877]

Aproveite bem a sua estadia na Salette para fazer provisão de saúde espiritual e corporal e deixe junto da Santa Virgem todas as suas susceptibilidades, os seus maus humores e os seus rancores; deixe toda a sua vida natural, a fim de voltar toda espiritual e toda celeste; aprenda a morrer.

Reze por nós todos, eu rezo por ti e pela sua santificação.

Coragem e paciência. Seu muito dedicado pai.

  1. Chevrier

As minhas saudações à sua boa mãe e à família Vallet.

À Senhora Grivet 379 (375) [13]

SENHORA GRIVET, EM LYON

  1. M. J. [Setembro de 1877]

Minha querida filha,

Santifique os seus sofrimentos e as suas privações.

O bom Deus, que é um bom Mestre, envia a cada um o que precisa para fazer penitência.

Saber sofrer é toda a perfeição.

Saiba mesmo fazer o sacrifício das Comunhões quando for preciso para agradar a Deus e Deus lhe dará na comunhão espiritual as graças que lhe são necessárias.

Eu a abençoo e sou o seu pai espiritual.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 380 (376) [14]

SENHORA GRIVET, COURS DE BROSSE, 4, GUILLOTIERE, LYON

  1. M. J. 17 de novembro de 1877

Minha querida filha em Jesus Cristo,

Volto amanhã para o Prado. Pode vir confessar-se à tarde, um pouco antes de anoitecer, ou no domingo durante o dia. Não se deixe levar pelo inquietação nem por qualquer sentimento contrário à caridade; devemos aceitar tudo o que nos vem para nossa santificação e para nos fazer praticar a humildade, a discrição e a obediência.

Entreguemo-nos completamente a Deus; só Ele merece o nosso coração; as criaturas não são nada; só nos podem fazer sofrer, pois não há na terra duas criaturas, por muito unidas que sejam, que não tenham de se suportar uma à outra e Deus permite-o assim para nos fazer sentir que só Ele é o nosso único bem, o único bem das nossas almas e que só n’Ele se encontra a paz e a felicidade.

Seu muito dedicado em Nosso Senhor.

  1. Ch.

À Senhora Grivet 381 (377) [15]

SENHORA L. GRIVET, COURS DE BROSSE, 4, LYON

  1. M. J. [20 de dezembro de 1877]

Querida filha

Devolvo-lhe uma folha da sua carta, aquela em que me fala da Senhora Margot. Estas coisas são tão verdadeiras, que quero que as leia de novo com atenção e que as compreenda bem, pois nada desejo menos na direção espiritual que esses elogios e essa questão de sentimentos. A experiência mostra-me todos os dias como estas maneiras de fazer são prejudiciais às almas e muitas vezes as perdem, e nós, os confessores, que recebemos muita gente, vemos isso com muita frequência. Se alguma vez eu for bom demais para ti e se o sentimento natural dominar as nossas relações, deixe-me imediatamente. Jesus Cristo antes de tudo, só Ele é digno do nosso amor e só devemos vê-lo a Ele em tudo. Assim, no seu caso, que é uma pessoa muito expansiva e muito dada ao amor, se tivesse encontrado um diretor com a mesma forma de ser, ter-se-iam perdido os dois.

Viva de sacrifícios, e quando houver que fazer algum sacrifício do coração, não hesite em fazê-lo imediatamente, por amor a Jesus, nosso único Mestre.

Eu talvez não possa confessar por muito mais tempo, continuo fraco da voz e dos pulmões, e a tosse quase não diminui. Creio que poderá procurar o Senhor Farissier; é um sacerdote muito dedicado, e que ama Nosso Senhor.

Aceite a sua solidão, e tenha confiança, porque no momento sério de tristeza o bom Deus enviará alguém para a ajudar.

Não descuide a oração e não deixe de comungar; é a vida e a força da vida.

Rezemos juntos para que o Reino de Deus chegue à terra e às nossas almas, e que ele nos chegue também depois da nossa morte; é o melhor desejo que podemos ter.

Adeus, cara filha; que o bom Mestre a ajude e a abençõe, e seja sempre prudente.

Seja forte e generosa, e que a fé seja a regra de todas as suas ações, orientadas por um verdadeiro sentimento de caridade.

Seu dedicado pai.

  1. C.

À Senhora Grivet 382 (378) [16]

SENHORA L. GRIVET, LYON

[Dezembro de 1877]

Cara filha em Nosso Senhor,

Permito-lhe que aprenda a desenhar, contanto que isso não a canse.

Empregue o seu tempo sobretudo a estudar Nosso Senhor.

Pode pedir à Irmã Maria Catarina um volume da vida de Nosso Senhor, onde encontrará lindos desenhos que lhe darão boas inspirações.

Seu pai sempre.

À Senhora Grivet 383 (379) [17]

SENHORA L. GRIVET, COURS DE BROSSE, 4, LYON

  1. M. J. [8 de janeiro de 1878]

Minha cara filha em Nosso Senhor,

Agradeço-lhe os votos de Feliz Ano Novo. A sinceridade do seu coração e da sua fé leva a esperar que Deus os ouvirá. Peça para mim sobretudo a sabedoria, é o essencial, ela vale mais do que a saúde e todas as riquezas.

Vejo que continua a ser ávida de ciência, de aprender tudo, de saber tudo; isso é muito belo, mas nunca chegará a aprender tudo na terra; no céu, saberemos tudo e Deus será a nossa luz.

Creio que faria melhor limitar-se a uma coisa, e não rodopiar assim por toda a espécie de ciências. Tinha começado a pintura, se conseguir obter bons resultados nessa arte, será útil… a nós e aos outros. Aprenda a fazer grandes Vias-Sacras, grandes rosários, grandes quadros de catecismo. Se tiver bons resultados, isso nos ajudará muito na instrução das nossas crianças. Só os ricos compram porcelanas, e vasos de porcelana numa chaminé não pode dar grande fruto; o que entra no luxo não conduz ao bom Deus. Os quadros de Wilhelm são ótimos para as nossas crianças.

Eu a abençoo e continuo a ser seu pai.

  1. Chevrier

À Senhora Grivet 384 (380) [18]

[12 de janeiro de 1878]

Cara filha,

Não recebo ninguém no meu quarto, e não posso ir à sacristia, será necessário esperar alguns dias.

Continua a ser muito impaciente em tudo, e seria necessário uma pipa de óleo para suavizá-la e fazê-la mais paciente.

Que o bom Deus lhe dê a sua graça.

Seu pai apesar de tudo, e mais ainda seu diretor; é preciso não confundir estes dois títulos.

  1. Chevrier

As minhas saudações para a sua mãe.

À Senhora Grivet 385 (381) [19]

[Janeiro de 1878]

Resposta.

Emprestei os mistérios dolorosos; quando serão devolvidos, lhe emprestarei.

Atue com simplicidade em todas as coisas, mesmo com o seu novo confessor. Não passe tempo demais no domingo com a sua pintura.

Eu estou um pouco melhor.

Que Jesus a abençoe e lhe dê a sua paz.

À Senhora Grivet 386 (382) [20]

SENHORA L. GRIVET, COURS DE BROSSE, 4, GUILLOTIERE, LYON, RHÔNE

  1. M. J. Vichy, 4 de julho de 1878

Cara filha,

Estou muito contente por ver os santos impulsos do seu coração para o bem, para a conversão das almas e do mundo inteiro. Que o bom Mestre recompense esses bons desejos e os possa realizar um dia. Só é boa para ir evangelizar os selvagens da África e da Ásia, e se eu um dia tivesse uma missão a realizar nesses lados, enviaria você com boa vontade. Reze a Deus para que possamos evangelizar o mundo, mas, atenção! o círculo do nosso bem será sempre restrito.

Reze a Deus para que envie operários para a sua messe.

Não se perturbe com nada, cada coisa chegará a seu tempo: se não pode ter Wilhelm agora, você o terá um pouco mais tarde; mas quer sempre beber tudo de uma só vez, isso não é possível; durante as férias será possível fazer algum bem a Wilhelm.

Quanto aos seus alunos, não se atormente demais; sabe bem que tudo aquilo que quer, tudo aquilo que deseja, nem sempre é o melhor; pretende o mais perfeito, e o quer imediatamente, logo em seguida; não sabe esperar, não tem paciência; e entretanto é preciso esperar com toda a gente, e conosco também, porque nem sempre vamos tão rápido como Deus quer; portanto, paciência e coragem.

Rezo a Deus por ti, pela sua boa mãe e pelos seus alunos. Continue a ser prudente, a rezar, a comungar, e espere em Deus seu Pai e sua força.

Quanto e essa aluna livre-pensadora, reze por ela, e procure apoiar-se nas grandes verdades: há um Deus; Deus falou aos homens por Jesus Cristo, seu Filho; quando a fizer fazer estes dois primeiros atos de fé sobre estas grandes verdades, irá mais longe; mas enquanto não puser estas duas primeiras bases de todo o edifício espiritual, não terá feito nada. Reze a Deus para que Ele abençoe as suas palavras e as suas intenções.

Estou melhor e regressarei em breve ao Prado.

Que Jesus a abençoe. Todo seu em Nosso Senhor.

Chevrier

À Senhora Grivet 387 (383) [21]

SENHORA L. GRIVET, EM CASA DA SENHORA SUA MÃE EM LYON COURS DE BROSSE, 4, GUILLOTIERE

  1. M. J. [Setembro de 1878]

Creio que nas disposições de espírito em que se encontra, o melhor para ti será de fazer o seu Retiro a Fourvière, na casa das “senhoras do retiro”.

Siga os mesmos exercícios que lhe dei.

Peça ao Espírito Santo que lhe dê a calma de alma e de coração, a fim de que tudo se faça na paz do bom Deus e na santificação da sua alma.

Provavelmente só regressarei no próximo sábado. Se o Senhor Mermillod vier a Lyon, peça a um dos companheiros que o leve ao meu pequeno canto; mas não poderei responder a tudo o que disse de mim, sem dúvida, porque sabe muito bem que eu sou apenas um pobre homem, que só é bom, visto de longe e não de perto.

Rezo a Deus pela sua boa mãe e por ti, e sou seu muito dedicado pai em Nosso Senhor.

Chevrier

À Senhora Grivet 388 (384) [22]

SENHORA L. GRIVET, EM LYON

  1. M. J. [Setembro de 1878]

Cara filha

Atormenta-se sempre com pouca coisa. Deve tornar-se calma e tranquila, receber a graça que lhe é dada e contentar-se com aquela que nos é dada para o momento. Os tempos não são todos iguais, nem os anos são sempre os mesmos, nem tão abundantes em frutos e em produções. É preciso saber contentar-se com aquilo que Deus nos dá, e recebê-lo sempre com muito reconhecimento, porque o pouco que Ele nos dá, é sempre muito mais do que merecemos. Está sempre ávida de bons pedaços e de pedaços que lhe convenham e que sejam segundo os seus desejos. Contente-se com pouco quando tem pouco e aceite sempre com reconhecimento aquilo que lhe dão.

Quanto aos seus pedidos, permito que comungue todos os dias, mas apresentará três vezes seu pedido de desculpa ao Senhor Farissier por o ter enganado.

A disciplina, 3 vezes por semana, e cilícios todos os dias, mas de manhã.

A meditação sobre a renúncia a si mesma será o fundo das suas meditações, e é sobre isto que tomará as suas resoluções.

Exame de consciência sobre tudo o que o bom Deus reprovar nas suas orações.

Nos três primeiros dias, penitências para obter a graça.

Lembre-se também que o melhor diretor é o Espírito Santo; Nosso Senhor é o maior diretor das nossas almas; se o consultar ele lhe …mais do que eu e muitas outras; aprenda a contentar-se com ele, e ele lhe reprovará mais faltas no silêncio da oração do que eu poderia fazer em todos os discursos que lhe poderia fazer.

Eu a abençoo e sou seu pai.

Chevrier

À Senhora Grivet 389 (385) [23]

SENHORA L. GRIVET, EM CASA DA SENHORA SUA MÃE EM LYON COURS DE BROSSE, 4, GUILLOTIERE

[Novembro de 1878]

Que Nosso Senhor Jesus a abençoe e lhe dê o espírito de sacrifício, para tudo sofrer segundo a vontade de Deus.

Chevrier

À Senhora Grivet 390 (386) [24]

[St. Luc, 22 de dezembro de 1878]

Cara filha,

Não desanime assim, e seja mais razoável em tudo, coragem e paciência; que o bom Deus a ajude em todas as suas tribulações e sofrimentos interiores; pensei em permitir-lhe que venha com a sua mãe, quando ela puder, por ocasião das festas.

Eu continuo mais ou menos na mesma, ainda que um pouco melhor. Rezo por ti para que se torne prudente e a abençoo.

Chevrier

À Senhora Grivet 391 (387) [25]

  1. M. J. 17 de janeiro de 1879

Não se inquiete, querida filha, com todas essas imaginações que lhe vêm ao espírito, isso não é nada; quanto mais lhes der atenção, mais elas a molestarão. Não faça caso disso.

Quanto a vir, sinto-me mais cansado desde há alguns dias, voltaram os vômitos, e eu estou reduzido ao silêncio e à solidão.

Eu a abençoo; obrigado pelos seus lindos presentes de festa.

C.

À Senhora Grivet 392 (388) [26]

[Fevereiro de 1879]

É muito feio e mesmo culpável não se querer incomodar quando temos ao nosso lado uma pobre pessoa doente… Onde está a sua caridade?…

É nas circunstâncias que conhecemos o que somos e o que valemos. Entretanto, a caridade é a primeira de todas as virtudes cristãs.

À Senhora Grivet 393 (389) [27]

[Fevereiro de 1879]

Como não está encarregada da Senhora Luquin, não se deve ocupar dela nem da sua direção; se ela lhe pedir algum conselho, pode-lhe dar, de contrário deixe-a em paz; não se deixe envolver pelas suas loucuras e injustiças, e acredite que tudo isso um dia lhe cairá em cima, porque tarde ou cedo se fará luz: não há nada oculto que não se venha a revelar.

Pela sua parte, seja sempre justa e verdadeira, e Deus estará do seu lado. A injustiça e o mal podem brilhar durante algum tempo, mas acabam sempre por se apagar e cair nos seus próprios laços.

À Senhora Grivet 394 (390) [28]

Atos de virtude que deve praticar.

Ó Divino Jesus, que vos esquecestes de vós mesmo até consentir em ser humilhado e desprezado por todos, ser julgado e condenado pelos homens e morrer ignominiosamente na Cruz.

Eu, que quero ser vossa discípula e que prometi seguir-vos, como posso ter uma conduta tão diferente e tão oposta à vossa, buscar-me sempre a mim mesma, ocupar-me apenas de mim e procurar-me em todas as minhas ações, como posso ser tão susceptível, tão invejosa, tão pouco disposta a suportar os pequenos defeitos dos outros enquanto eu mesma estou cheia deles. Como tenho vergonha, ó meu Deus, de estar tão longe de vós e de viver de uma forma tão pouco conforme às vossas máximas e aos vossos exemplos. Concedei-me, ó Jesus, por intercessão da Virgem Santa Maria, tão humilde e tão pequena aos seus olhos, que não me busque em nada, que aceite tudo com humildade e caridade, que me esqueça de mim mesma, que nunca fale de mim, que não me ocupe de mim, que não dê atenção ao que possam pensar ou dizer de mim, que ponha em vós toda a minha confiança, que procure agradar-vos em tudo sem me preocupar com os juízos do mundo, calando em mim todos os pensamentos interiores contrários à caridade e à humildade cristã.

Tomo hoje esta resolução aos vossos pés, ó meu Divino Mestre e meu Modelo, que espero cumprir com a ajuda da vossa graça e a proteção da Santíssima Virgem Maria, minha mãe e minha advogada junto de vós.

Prometo obediência ao meu confessor, não vendo na sua conduta para comigo senão meios para me corrigir dos meus defeitos e me fazer crescer e praticar a virtude.

Não quero continuar a ser uma criança que está sempre a chorar, mas uma verdadeira discípula de Jesus Cristo.

À Senhora Grivet 395 (391) [29]

Rosário, Via-Sacra; Comunhão todos os dias.

Via dell’orazione e morte 92.

Susceptível, invejosa. Sofrer tudo e não fazer sofrer nada.

À Senhora Grivet 396 (392) [30]

Pequenos conselhos.

Felizes os mansos, porque possuirão os corações.

[Amar as Irmãs] mas sem demasiadas relações.

Contar apenas com Deus, e amar toda a gente.

Eles têm a palavra de Deus, podem praticá-la.

Humildade, humilhação. [Comunhões] exceto um dia.

Calma, discrição, prudência. Moderação no espírito, no coração e no corpo.

É necessário a sabedoria e a moderação em tudo.

As nossas faltas devem ser para nós boas instruções.

Para todas estas recomendações, remeto-me inteiramente para as decisões do Padre Farissier. Humildade, obediência e renúncia a tudo.

Eu a abençoo. Seu pai.

Ch.

Não dê crédito a todos esses louvores mentirosos.

Aceitar bem a direção do Senhor Padre Farissier.

[Pode-me encontrar] amanhã depois da Missa.

Calma de espírito e de coração.

É muito exagerada.

Reserva e prudência. Pouca direção com os seus alunos.

Que Jesus a abençoe e lhe dê a calma de espírito e de coração.

Ch.

À Senhora Grivet 397 (393) [31]

Ainda não é tempo de pensar na sua vocação. Reze e seja obediente aos seus pais e Deus lhe dará as graças de que tem necessidade mais tarde.

Tenho que voltar a ler o caderno antes de lhe dar, para tirar o que o copista pôs a mais.

À Senhora Grivet 398 (394) [32]

Creio que esta obra está no índice (história do povo de Deus, por Berruyer).

À Senhora Grivet 399 (395) [33]

  1. M. J.

Não quero escrever-lhe, minha querida filha, porque ficaria contente demais, e uma carta em tais circunstâncias poderia parecer um pouco extraordinária.

Que Jesus a abençoe.

Chevrier

À Senhora Grivet 400 (396) [34]

Faltou à prudência ao dizer que ia a casa do Senhor Aubin.

Não falte à caridade nem à prudência cristã e proceda de modo a não ferir ninguém.

Fale de coisas em geral.

À Senhora Grivet 401 (397) [35]

Para lutar contra essas tentações, faça como se tivesse fé, não fazendo caso dos pensamentos que lhe chegam, e diga muitas vezes: Meu Deus, que me criastes tal como tudo o que existe, tende piedade de mim.

Que Jesus a abençoe.

Chevrier

À Senhora Grivet 402 (398) [36]

Permito-lhe renovar o seu voto até à Páscoa somente.

Seja sempre prudente e que Deus a abençoe.

Ch.

À Senhora Tamisier

À Senhora Tamisier 403 (445) [1]

  1. M. J. [1872]

Minha querida Irmã

Porque se espanta com aquilo que era completamente natural? Pensou que a Senhora M. ia instalar-se em sua casa e honrá-la com a sua presença em toda a povoação de Ars. Era uma ideia muito orgulhosa que não podia resultar bem, e você teria feito o mesmo.

Não se deixe embalar com essas ilusões. Continue muito pequena aos olhos de Deus e de toda a gente. Um pequeno grão de humildade lhe fará muito bem à alma e ao coração.

Essas inquietações, essas preocupações, altos e baixos, o que é tudo isso senão orgulho, amor próprio? Jogue fora tudo isso, e ficará feliz e contente. Nunca o conseguirá com essas paixões.

O que lhe falta é viver cristãmente, morrer para si mesma; assim tudo irá melhor. Deixe o mundo tranquilo, não se ocupe dele. Pense na sua salvação, na sua perfeição, se for capaz, e mais nada.

Que Jesus a abençoe e lhe dê um pouco de humildade e de verdadeira caridade.

Chevrier

À Senhora Tamisier 404 (446) [2]

[22 de junho de 1873]

Querida filha,

Escolheu um meio gigantesco. Duvido muito que esses Senhores queiram tomar tal medida: pedir a adoração perpétua em todas as igrejas.

As obras de Deus começam mais humildemente. O Presépio, o Calvário, eis o começo de todas as obras de Deus. O que começa de outro modo não continua ou não dá bons resultados.

Reze, espere com paciência, adore e comece como deseja; será mais fácil obter bons resultados na simplicidade e na humildade.

Adeus, reze por mim, eu rezo por ti.

Chevrier

À Senhora Tamisier 405 (447) [3]

[22 de setembro de 1873]

Viva na humildade, na penitência e no esquecimento de si mesma; não tente tomar o mundo a seu cuidado.

Chevrier

À Senhora Tamisier 406 (448) [4]

[Prado, 16 de outubro de 1873]

Senhora,

As suas intenções são muito boas. Peço a Nosso Senhor que a ajude a pô-las em prática.

Chevrier

À Senhora Tamisier 407 (449) [5]

28 de outubro de 1873]

Senhora,

As suas intenções são muito boas e muito louváveis e parecem-me conforme ao desejo de Nosso Senhor. Por isso, peço a Jesus, nosso bom Mestre, que a ajude a pô-las em prática.

Chevrier

À Senhora Tamisier 408 (450) [6]

  1. M. J. [1873]

Peço a Deus que a abençoe e que lhe envie o seu divino Espírito, a fim de que, pelo seu conselho tão puro, caminhe pela via que possa glorificar mais Nosso Senhor.

Maria Madalena aos pés de Nosso Senhor tinha tomado a melhor parte.

Gostaria mais de vê-la fazer a sua oração junto do Mestre do que correr pelo mundo para não fazer nada.

Seja abençoada.

Ch

À Senhora Tamisier 409 (451) [7]

[1873]

Senhora,

Ame Nosso Senhor nas cruzes e nos abandonos.

Chevrier à Senhora T.

À Senhora Tamisier 410 (452) [8]

[Lyon, 16 de março de 1874]

Soube pelo Senhor Bridet que os seus assuntos com Deus iam bem. Coragem e que Nosso Senhor a ajude, e lhe dê sobretudo humildade, espírito de penitência e paz.

Chevrier

À Senhora Tamisier 411 (453) [9]

  1. M. J. [Julho de 1875]

Dirá o Veni Creator todos os dias para que o Espírito Santo decida a seu respeito o que é mais vantajoso para a sua salvação.

Chevrier

À Senhora Tamisier 412 (454) [10]

  1. M. J. [Julho de 1875]

Quando as coissas vêm por si mesmas, há que pensar que elas vêm da parte de Deus.

Já que, de um lado a expulsam e, do outro, lhe dão uma habitação, não há que hesitar, é de aceitar e vir ver se esta habitação lhe pode convir sob outros aspectos.

Que Deus a abençoe.

  1. Chevrier

À Senhora Tamisier 413 (455) [11]

[23 de março de 1876]

Quando a Senhora Tamisier for visitar o senhor de Cissey, peço-lhe que faça junto deste bom Senhor tudo o que puder para obter a graça que este pobre pai pede para o seu filho. Conheço o jovem, ele esteve muito tempo na nossa casa. É um jovem honesto, gentil, cristão, e os pais também merecem que se lhes preste este serviço.

Ficarei muito agradecido e o pagarei com uma boa recomendação junto do bom Deus para ti e para o nosso bom senhor de Cissey. Que o bom Deus a ajude, a fortaleça e a abençoe.

Chevrier, no Prado

À Senhora Tamisier 414 (456) [12]

[1876]

Senhora e cara Irmã,

Esta é a mãe do jovem; tem a intenção de ir a Besançon, com autorização do marido, que trabalha na empresa do trem.

Ela poderia levar a sua carta e a minha para a Senhora Carmejane fazer naquele lugar o que puder pelo seu filho.

Que Deus a abençoe; eu rezarei pelas suas intenções.

Chevrier

À Senhora Tamisier 415 (457) [13]

  1. M. J. [15 de abril de 1876]

Senhora e cara Irmã em Nosso Senhor,

O pequeno protegido acaba de escrever aos seus pais dizendo que o major se ocupou da sua mudança e que seria necessário encontrar em Besançon um coronel ou um oficial que o queira integrar no seu regimento.

Parece-me que me falou da Senhora Carmejane como sendo a mulher de um oficial. Se pudéssemos obter por seu intermédio o que ele pede, o assunto ficaria resolvido depressa.

Queira portanto ter a bondade de dizer ao Senhor Suchet se este assunto se pode resolver deste modo e aceite as minhas saudações muito sinceras em Nosso Senhor.

Chevrier, no Prado

Junto a carta do jovem.

À Senhora Tamisier 416 (458) [14]

  1. M. J. [1876]

Minha cara Irmã em Nosso Senhor,

Não faça caso da carta da Senhora Jacquemin; ela quer casar o seu filho com uma jovem mais velha e mais rica do que Maria. Escreve assim para a afastar das suas intenções de casamento. Não se meta nisso. Quanto a ti, reze e seja paciente nos seus sofrimentos e se a recebem em Lantignié, fique apenas algum tempo. Coragem, confiança, ame sempre a Deus.

Chevrier

À Senhora Tamisier 417 (459) [15]

  1. M. J. 9 de dezembro de 1876

Senhora e cara Irmã,

Recebi com pena a notícia do estado de saúde da sua pobre sobrinha; esperemos que esta doença seja para ela um bem fazendo-lhe compreender que para entrar no estado de casada é preciso ter boas disposições.

Que Deus a ajude e a ilumine e lhe dê a sua graça. Reze por ela, console os seus pais, e esperemos que tudo reverterá para glória de Deus e para sua salvação.

Reze por mim e pela minha pequena obra.

Que Deus a abençoe e toda a sua família.

  1. Chevrier

À Senhora Tamisier 418 (460) [16]

Somos tão pouca coisa que não devemos estranhar de nada.

Seu muito dedicado em Nosso Senhor.

Chevrier

À Senhora Tamisier 419 (461) [17]

QUESTIONÁRIO A ENVIAR À SENHORA E. T.

[1876]

1°   As orações do bom Pai pelo nosso querido doente, a fim de que Deus apresse o seu regresso e preserve o seu futuro. – Sim.

2°   Orações para que a vontade de Deus se manifeste para a partida para África ou uma permuta? O que se deve esperar? – Submissão.

3°   Orações pela união de uma família muito dividida e pelo apoio mútuo de caractéres difíceis. – Apoio mútuo.

4°   Posso esperar do médico a minha cura? – Alívio.

5°   Tenho razões para prolongar a minha estadia em Tours? – Não.

6°   Devo procurar trabalhar aqui nas obras do Santíssimo Sacramento? – Não.

7°   Ao deixar Tours, devo procurar ocupar-me da peregrinção de Favernay (Besançon) decidida pelo congresso de Lille para ser o centro do movimento Eucarístico de 1877?

– Sim.

Os RR. Padres do Santíssimo Sacramento e outros tomaram conta desta obra; pode ser útil que eu me meta nisso? Não será uma maneira de estragar tudo? – Prudência.

O Senhor de Cissey pressiona-me para não fazer nada do meu lado e deixar-lhe a direção de tudo, com o nome de “Reparação nacional”. Obra que cresce e vai se estabelecer por todo o lado para resumir, com o tempo, todas as obras de oração? – Sim.

À Senhora Tamisier 420 (462) [18]

[1876]

A Senhora Tamisier oferece os seus respeitos e filiais homenagens ao bom Padre Chevrier. Pergunta:

1°   Suas notícias – Melhor.

2°   Se recebeu os papéis oficiais para o regresso a França do soldado Jacquemin, protegido do bom Padre. – Remetidos.

3°   Preparam-se as festas de Avignon, apesar de tudo. O Padre encoraja-me a ir lá? A sua opinião é muito importante para mim. – Não sei.

4°   Peço as orações do bom Padre por todas as minhas intenções. – Sim

Peço-lhe que aceite o meu profundo respeito.

  1. Tamisier

Coragem, que o bom Deus a ajude e lhe dê a sua graça e a sua proteção. Obrigado por todas as suas diligências e pelo resto. Eu a abençoo.

  1. Chevrier

À Senhora de Marguerie

À Senhora de Marguerie 421 (332) [1]

  1. M. J. [1872]

Querida filha

Peço a Deus por ti, para que Ele lhe dê uma graça tão abundante que lhe permita aceitar a sua santa vontade em todas as coisas e que se a morte é o único meio de a salvar que Ele a faça chegar a ti por este meio.

Que Jesus a abençoe. Não esqueça as suas comunhões.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 422 (333) [2]

  1. M. J. [1873]

Querida filha

Eu tenho desejos que nem sempre posso realizar. Quando faço uma promessa tenho sempre a vontade de a cumprir, mas depois aparecem mil obstáculos que me impedem de agir; tenha um pouco mais de confiança e Deus virá em sua ajuda.

Penso muitas vezes na sua miséria e peço a Deus que a alivie.

Coragem. Estou um pouco cansado, mas tenho necessidade de trabalhar; amanhã subirei a Limonest para trabalhar e estar em silêncio. Coragem, que Deus a abençoe e ajude.

  1. Chevrier

À Senhora de Marguerie 423 (334) [3]

  1. M. J. [1873]

Cara filha e Irmã em Nosso Senhor

Esta é a pessoa de que lhe falei na igreja há alguns dias.

Faça o favor de a ajudar a sair do triste estado em que se encontra com o seu filho.

Que o bom Deus a abençoe e a ajude.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 424 (335) [4]

  1. M. J. [St. Fons, julho de 1873]

Querida filha,

Se sente coragem e força para ir a Paray, faz bem em ir visitar esta boa santa que nos revelou os segredos do coração de Nosso Senhor e nos ensinou a prática da humildade e da obediência.

Alguns dias de descanso em Paray lhe darão luzes maiores do amor de Jesus Cristo por nós e lhe darão a conhecer um pouco a prática destas virtudes tão difíceis para ti e no entanto tão meritórias quando sabe praticar alguns pequenos atos delas.

Recomendo-me também às suas boas orações. Não a esqueço na minha pequena solidão onde peço a Nosso Senhor que me dê coragem para perseverar se essa for a sua vontade.

Se estiver em Paray no próximo domingo, é provável que aí nos encontremos com os meus jovens de Alix; alguém nos deu facilidades para isso.

Que Jesus a abençoe.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 425 (336) [5]

  1. M. J. 24 de setembro de [1873]

Querida filha

Parece-me que por reconhecimento devia ir a Lourdes, para agradecer à Santíssima Virgem e lhe pedir que faça pela sua alma o que fez pelo seu corpo; isso seria muito úitil para ti.

Sou o seu dedicado pai que a abençoa.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 426 (337) [6]

  1. M. J. [1874]

Querida filha em Nosso Senhor,

Obrigado pela sua caridade. Que o bom Mestre lhe dê a sua graça e a sua vida espiritual que conduz rapidamente à vida eterna.

Farei tudo o que puder para ir vê-la na quinta-feira e participar na sua reunião tão venerável.

Penso que terei a honra de a ver antes de quinta-feira.

Seu muito dedicado servo e pai.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 427 (338) [7]

  1. M. J. [1874]

Querida filha,

Volto ao Prado amanhã de manhã, sábado; pode vir na segunda-feira; eu estarei lá, e poderá pôr a consciência em ordem, se for necessário.

Tudo o que acontece, não nos acontece sem a permissão de Deus, ou para nos punir dos nossos pecados, ou para nos fazer praticar a virtude.

Ponhamos portanto a nossa maior confiança em Deus nosso Pai e saibamos glorificá-lo em tudo, tanto no bem como no mal. Deus não faz o mal, somos nós que o fazemos e é o mal, isto é, o pecado, que é a causa de todos os males do mundo; portanto só temos que aceitar as consequências das causas que nós próprios colocamos.

Seja prudente e aproveite o que lhe resta de vida para servir bem o bom Deus e amá-lo para ir para o céu.

Que Nosso Senhor a abençoe e a ajude em todas as suas tribulações.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 428 (339) [8]

8 de dezembro de 1874

Não a esqueço diante do bom Deus e rezo para que faça uma boa viagem, que derrame a bênção de Deus sobre os seus como a Santíssima Virgem a derramou na casa de Santa Isabel.

Desminta o provérbio: pedra que rola não apanha musgo; rolando e viajando aprenda a conhecer o mundo, a sua pequenez, o seu nada, a sua vaidade e a sua curta duração e aprenda que por todo o lado sobre a terra só há misérias, sofrimentos e aflições.

Rezo por ti e peço a Deus que lhe dê esta morte espiritual que dá a felicidade sobre a terra; e que, se Deus lhe der a morte temporal que deseja, seja para se reunir em breve com Jesus Cristo nosso Mestre.

Há apenas uma coisa desejável sobre a terra: conhecer Nosso Senhor Jesus Cristo, amá-lo e segui-lo, o resto não é nada; feliz aquele que o compreende e o põe em prática.

Não esqueça as suas orações, os seus pequenos exercícios de oração e de comunhão; deve ter necessidade de Deus, não o abandone nunca.

Obrigado pela sua recordação e pelas suas boas intenções para conosco.

Que Jesus a abençoe e a toda a sua família.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 429 (340) [9]

  1. M. J. [Janeiro de 1875]

Querida filha,

Obrigado pelos seus presentes; que o Menino Jesus os receba e lhe retribua o cêntuplo em graças espirituais.

Desejo-lhe a humildade e a caridade perfeita.

Desejo que vá em breve para o céu; compreendo os seus sofrimentos, as suas penas, o seu mal-estar, o seu isolamento; peço a Nosso Senhor que troque tudo isso por uma vida melhor colocando-a junto de si.

Como a terra é pobre e miserável! Estamos em penitência, é preciso comprar o céu pelo sofrimento. Pense que está participando amplamente no sofrimento e que por conseguinte terá uma boa parte na recompensa.

Amanhã rezarei a Santa Missa por ti e retribuirei os seus presentes. Ao receber a Santa Comunhão receberá as riquezas da graça.

Que Jesus a abençoe e lhe conceda o que lhe peço para ti.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 430 (341) [10]

  1. M. J. [Janeiro de 1875]

Querida filha,

Eu não sou dono do meu tempo, nem da minha vida.

Gostaria de lhe poder obedecer; seria para mim um prazer, e para ti também, eu sei. Peça a Deus que me dê tempo para isso e eu ficarei feliz ao ir saudar a Santa Virgem nossa Mãe, ao ir visitar a sua querida filha.

Que Jesus a abençoe.

Chevrier

Volto a abrir o meu pequeno bilhete para lhe desejar um feliz ano e a sabedoria para ser feliz segundo Deus.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 431 (342) [11]

  1. M. J. [1875]

Minha querida filha,

Escreveu-me há dias uma carta não muito bonita; se tivesse tempo teria ido vê-la, mas estou sempre muito ocupado.

Sinto pena ao vê-la nesse triste estado e contínuos desejos de morte; vamos, levante essa pobre alma.

Não fique aí no seu canto; venha de vez em quando, sempre lhe dedicarei alguns momentos.

Como está infeliz; rezo por ti e peço ao bom Mestre que lhe dê mais coragem e que tire proveito espiritual de todas as suas misérias.

Eu a abençoo.

Na próxima semana talvez vá a St. Fons substituir o pároco ausente. Se não fôr, irei vê-la.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 432 (343) [12]

[Falta uma página]… ela não sabe o que contém a carta, mas eu a recomendarei.

Recebi a sua resposta à minha última carta e li-a com gosto, pois temia que esta última circunstância a tivesse deixado sofrendo, mas vejo que suporta essa prova com coragem. Espero que tudo se resolva bem para glória de Deus e bem da nossa obra.

Recomendo-me às suas orações e não a esqueço diante de Deus.

Dê-me notícias suas.

Seu muito dedicado Padre Chevrier.

Chevrier

À Senhora de Marguerie 433 (344) [13]

  1. M. J. [Saint-Fons,] 25 de junho de [1875]

Minha querida filha,

Aqui estou por algum tempo no meu pequeno ermitério de St. Fons. Reze para que o bom Mestre me ajude, me ilumine, me converta e me fortaleça; tenho muita [necessidade] da sua graça e do dom do seu Espírito que invoco acima de tudo. Ofereça a Deus Nosso Senhor algumas das suas orações e dos seus sofrimentos pela conversão dos pecadores de que faço parte, pela Santa Igreja e seus padres de que faço parte. É difícil ser santo, além da graça de Deus é necessário a correspondência a esta graça o que exige muitos esforços e exige almas fortes e generosas para morrer constantemente cada dia. Estou espantado com o meu caminho e com a minha pouca correspondência às graças de Deus e com o pouco bem que faço e com o mal que faço ou que deixo fazer.

Reze para que eu aprenda a amar a Deus como deve ser, a fim de que ensine aos outros e a ti a amar mais. Peço para ti a humildade e a humildade profunda e sinceramente verdadeira, que se esquece de si mesma, que se despreza a si mesma, não só em pensamento, mas sobretudo em atos: humilde diante de Deus, humilde em relação ao próximo e humilde dentro de si mesma. Como será agradável a Nosso Senhor se praticar esta bela virtude! A causa de muitos dos seus sofrimentos e tristezas e aflições na vida foi muitas vezes a falta desta bela virtude. Aproveite sempre os seus sofrimentos, é o tesouro do bom Mestre; Ele põe-na na cruz para a conformar com Ele; Ele a faz sofrer para fazer de ti uma pedra que deve entrar, como diz São Pedro, na estrutura do seu edifício espiritual e celeste. Portanto, deixe-se talhar bem. Há tanto que tirar dessa pedra e não duvide porque é verdade.

No sofrimento pratica a humildade, a paciência, a caridade, a submissão a Deus e tudo isso purifica, limpa e aperfeiçoa; coragem! Deixe trabalhar o bom operário celeste; ele sabe bem onde é preciso bater e agarra bem a parte que é preciso retirar. Você sabe bem como algumas pedras têm necessidade de ser trabalhadas mais que as outras. Você é uma dessas pedras; aceite e deixe fazer.

Peço para ti a humildade, a paciência e a humilde aceitação de tudo o que Deus quiser para glória dele e sua salvação.

Que Nosso Senhor Jesus lhe dê a sua paz, a sua graça e a sua bênção.

Seu muito dedicado e miserável e mau padre.

Chevrier

em casa do Pároco de St. Fons, por Venissieux

À Senhora de Marguerie 434 (345) [14]

  1. M. J. 19 de julho de [1875]

Querida filha,

Creio que as águas da graça valem mais do que as águas da terra.

Em consequência, partirei terça ou quarta-feira, o mais tardar, para S. Francisco Régis, onde encontrarei bons padres que me ajudarão a converter, e a água de S. Francisco Régis produzirá melhor efeito do que as águas da terra.

Reze por mim que não valho nada e peça a Deus que faça um bom retiro.

O seu muito reconhecido pai.

  1. Chevrier

À Senhora de Marguerie 435 (346) [15]

  1. M. J. 29 de agosto de 1875

Minha querida filha em Jesus Cristo

Que a bênção do bom Deus esteja contigo e com todos os seus. É este o primeiro desejo do meu coração porque sei que é disso que tem grande necessidade para atravessar este tempo da sua vida tão difícil para ti, e que será ao mesmo tempo tão meritório se souber aproveitá-lo bem.

Tenhamos bem presente no nosso pensamento que a vida é breve, que o tempo presente é uma prova que é preciso atravessar, que tudo o que nos acontece pode tornar-se um bem para nós e que os mais pequenos atos de virtude feitos com fé e amor nos farão merecer uma grande glória no céu. Oh! como é bela a fé e como ela nos consola nos sofrimentos e aflições! Faça que todas as suas tribulações e todos os seus males se transformem em bem pela fé e pelo amor de Deus. Deseja sempre morrer, mas a morte é uma penitência e não se transforma em bem senão quando nos aproxima de Deus e nos leva à posse de Deus. Gostaria que ela fosse para ti este meio de chegar até Deus tão seguramente como pede. Mas para isso é preciso que o amor de Deus prevaleça acima de todos os pensamentos terrestres e humanos; isso seria o amor perfeito, embora eu ache que um ato de submissão à santa vontade de Deus é mais importante do que o desejo da morte.

Pedirei a Deus para ti o que me pede, mas gostaria mais de vê-la viver para glorificar a Deus e trabalhar na salvação do próximo do que morrer, porque há tão poucas almas que trabalhem para que Deus seja amado sobre a terra que ficamos felizes por encontrar alguém desempenhar esta bela tarefa. Coragem, pois, querida filha, Deus lhe dará uma graça, porque a oração é sempre ouvida.

Se encontrar o seu bom irmão, Senhor Evrard, transmita-lhe os meus sentimentos de respeitoso afeto. Diga-lhe que rezo por ele.

E você, querida filha, paciência e cresça no amor a Nosso Senhor e no perfeito desapego de si mesma.

Eu lhe darei uma ocupação quando voltar.

Se encontrar um pouco de sabedoria na sua viagem traga-me uma boa provisão pois tenho muita necessidade para mim e para os outros e não perca a caixa pelo caminho.

Rezemos muito para a obter.

Abençoo-a de novo e que o seu bom anjo a acompanhe no seu regresso.

Seu muito dedicado em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora de Marguerie 436 (347) [16]

J.M.J. [              Novembro de 1875]

Cara filha do bom Deus,

A minha indisposição foi apenas passageira, provocada pelo cheiro duma pintura de Cristo que está atrás do altar. Um pouco de ar puro e algumas horas foram suficientes para curar o mal-estar.

Peço para ti que viva desta vida espiritual de Jesus Cristo que é a verdadeira morte e que nos dê a vida eterna. Se a morte do corpo é necessária para chegar a esta vida, que o bom Deus lhe a conceda. Peço-lhe de todo o coração.

Que Jesus a abençoe e lhe conceda a sua graça, a sua luz e o seu amor.

Viva e morra para Deus.

  1. Chevrier

À Senhora de Marguerie 437 (348) [17]

J.M.J.                    [Março de 1876]

Minha querida filha em Nosso Senhor,

Permito-lhe de boa vontade que tome café em vez de chocolate, porque lhe faz mal, mas sem leite com um pouco de pão somente. O Sr. Bispo devia nos receber segunda-feira; estava provavelmente cansado; não fomos recebidos; voltaremos uma outra vez.

Seja muito humilde; é a maior graça que Deus nos pode dar nesta terra; é por esta virtude que será salva, e é quando tiver esta virtude um pouco que obterá todas as graças.

Rezo sempre por ti e peço que para seu grande bem se torne humilde e caritativa para ter uma boa morte.

Seu muito dedicado em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora de Marguerie 438 (349) [18]

J.M.J.                                    [1876]

Minha querida filha em Nosso Senhor,

Permita-me que lhe envie uma pessoa que tem necessidade de alguém para a ajudar e a apoiar na situação em que se encontra. Nasceu católica e, mais tarde, fez-se protestante. Sente-se infeliz e tem necessidade de encontrar um bom lugar para ganhar a sua vida.

Conversando com ela, verá que é franca, aberta, e que, ajudando-a um pouco, talvez a possamos aproximar de Deus.

Há já alguns dias que não a vejo, como está? Rezo por ti, para que o bom Deus a ajude nos seus sofrimentos e aflições.

Que o bom Mestre a ajude e a abençoe.

Seu muito dedicado.

  1. Chevrier

À Senhora de Marguerie 439 (350) [19]

J.M.J.                                    [1876]

Cara filha,

Não me será possível ir ao meio dia a Fourvière; terei muita dificuldade para combinar todos os meus assuntos com esta visita.

Se puder, irei vê-la quando regressar; mas não prepare nada porque a minha vida não depende de mim, mas pertenço a Deus e ao meu dever.

Que Deus lhe dê fé, confiança e abençoe todos os seus sofrimentos.

Seu muito dedicado Pai em Nosso Senhor.

  1. Chevrier

À Senhora de Marguerie 440 (351) [20]

J.M.J.     [Lantigné, junho de 1876]

Minha caríssima filha

Penso sempre na sua pobre alma e peço a Deus todos os dias para ti a graça duma boa vida e duma boa morte.

Se compreendesse o valor dos seus sofrimentos não rejeitaria tudo como faz e teria um grande proveito para o dia em que o bom Deus a chamará para junto de ti. Quando chegar o grande dia, a grande luz, então verá e compreenderá a maneira de agir de Deus e todos os seus desígnios a seu respeito, como a respeito das outras criaturas. Deus é infinitamernte justo e bom e tudo o que nos acontece é para nosso maior bem e deve contribuir para a nossa felicidade.

Fico muito contente ao pensar que vai visitar de vez em quando o bom Padre Wamy. Gosto muito das cartas que ele lhe escreveu; é uma alma muito elevada e muito próxima de Deus. Veja como ele sofreu e como é corajoso na sua vida; ele a ensinará a fazer o que ele próprio fez e a colocará no bom caminho.

Disse-me que eu não acredito na sua perseverança. Oh! eu acredito e estou convencido que, se empregar os meios que Deus nos dá – a oração, a Santa comunhão – perseverará com o apoio que o bom Deus lhe deu; coragem, pois, e verá que caminha bem e que verá em breve o bom Deus no céu.

Pergunta-me se encontro a sabedoria; quando temos Jesus Cristo, temos a sabedoria, e aquele que conhece Jesus Cristo, conhece a sabedoria. Encontrei-a um pouco no estudo das palavras de Nosso Senhor, mas ela é tão bela, tão alta, tão sublime, que devemos contentar-nos em olhá-la sem poder pô-la completamente em prática; pôr em prática a sabedoria como Jesus Cristo a dá nas suas palavras divinas que saíram da sua boca e que os apóstolos recolheram para nos transmitir, seria viver como os anjos, seria um reino celeste na terra; e entretanto pensar que não há quase ninguém que atinja este objetivo tão belo, tão sublime. Que pena! Eu vejo a sabedoria, um pouco, e gostaria de a possuir e de a praticar, mas é preciso ter coragem, energia e um grande amor; seria necessário ter asas muito fortes para voar tão alto e não parar.

A sabedoria está no despojamento de si mesmo, de toda a criatura e de todas as coisas terrestres. Quando adquirimos este despojamento completo, então podemos elevar-nos com Jesus Cristo até às regiões superiores do seu amor; então não temos nada de nós, nada terrestre, nada nos entristece, nada nos abate, nada nos perturba, porque tudo o que é terrestre é aniquilado e vivemos com Jesus Cristo; e então seguimo-lo por todo o lado, em todas as regiões superiores da caridade, do zelo, do sofrimento e da morte.

Como é belo um homem, um padre que tomou este caminho, e quando ele o segue com Jesus Cristo, quantas coisas pode fazer e como é grande no meio deste mundo tão pequeno, tão pobre, tão vil. São Paulo tinha a sabedoria. Como são belas as suas cartas e como são cheias de sabedoria em cada palavra.

Peça sempre para mim a sabedoria porque tenho tão grande necessidade dela; que não a veja somente, mas que a pratique, o que é muito difícil.

Adeus, cara filha; que o bom Mestre lhe dê um pouco de sabedoria, e que cresça em sabedoria no meio da sua família e que comunique um pouco do que tem àqueles que a rodeiam.

Os meus cumprimentos ao seu bom irmão Evrard.

Todo seu em Jesus Cristo.

Chevrier

em casa do Senhor Chanuet, Lantigné, perto de Beaujeu

À Senhora de Marguerie 441 (352) [21]

J.M.J.        Limonest, julho de 1876

Minha caríssima filha,

Já venho um pouco tarde para lhe desejar uma boa festa. Se ainda não o fiz por escrito, o fiz com o coração diante de Deus. Que São Camilo, esse grande santo que amava tanto os agonizantes e os conduzia para o céu com as suas orações e consolações, lhe conceda as mesmas graças. Que, por sua intercessão, venha a ter uma boa e santa morte e que se prepare para ela com uma vida santa de abandono nas mãos da divina Providência.

Estou um pouco melhor. Começo a comer um pouco de peixe e de carne branca. O médico quer que eu vá a Vichy para curar o estômago e livrar-me dum resto de amarelão que ainda tenho. Por isso, parto na próxima semana, segunda ou terça-feira, 24 ou 25 de julho e lá ficarei uns quinze dias.

Aproveito a autorização que me deu para utilizar as suas economias para me ajudar a fazer a minha viagem. Algumas pessoas já me enviaram alguma coisa e com os 100 francos tirados das nossas economias terei o suficiente para as minhas despesas pessoais. Obrigado pela sua caridade.

Reze por mim a fim de que me santifique nestes lugares profanos para onde vou contra a minha vontade, porque estes remédios são remédios do mundo dos grandes e eu estive sempre no mundo dos pequeninos.

Espero que a sua alma não desfaleça e que, junto do bom Padre Wamy, encontre força e coragem.

Quando chegar a Vichy mandarei o meu endereço para poder receber notícias suas e dar-lhe as minhas.

Peça a Deus por mim.

  1. Chevrier.

À Senhora de Marguerie 442 (353) [22]

J.M.J.     Limonest, 16 de setembro de 1876

Minha caríssima filha,

Obrigado pelo interesse que manifesta a minha pobre pessoa.

Estou melhor e penso que poderei restabelecer-me não para continuar o trabalho passado mas ao menos para fazer uma parte dele.

Encontro-me em Limonest há uns dez dias. O descanso e o bom ar têm fortalecido o meu estômago para digerir um pouco melhor os alimentos. Bendito seja Deus em tudo, é a oração que habitualmente faço: meu Deus, se ainda sou útil para a vossa obra, guardai-me, se não, levai-me.

Dê-me também notícias suas. Fortaleça-se bastante a acumular graças na sua solidão para poder sentir-se bem em Lyon. Que as lições e as boas palavras do Padre Wamy sejam para ti a regra do seu comportamento e o alimento do seu coração. Aproveitemos a nossa vida para amar Jesus Cristo nosso Salvador e nosso Mestre a fim de que, por Ele, possamos conhecer a alegria de Deus no céu. Em breve chegaremos ao fim da vida e será então que compreenderemos bem o valor da vida e das nossas ações.

Rezo sempre por ti e esta manhã rezei a Santa Missa por ti como está combinado.

Pedi ao Sr. Boulachon para escrever para Roma a fim de saber onde será preciso colocar os nossos jovens diáconos, mas ainda não recebi resposta.

Na próxima semana penso ir ver o Sr. de Serres e o Sr. Bispo para falar deste assunto e saber, de uma vez para sempre, com que podemos contar. Os nossos jovens parecem sempre bem dispostos, mas o ar de Roma será melhor que o ar de Lyon. E, partindo, se o Sr. Bispo o permitir, eles serão mais nossos e inteiramente nossos.

Reze a Deus por nós a fim de que, se tal for a vontade do Mestre supremo, tudo se arranje segundo o seu bom desejo e a sua santa vontade, pois que os nossos pensamentos nem sempre são conforme aos Seus. Se conseguir a