Préparer la confirmation en méditant les Actes des Apôtre 1 à 9

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Converte-te e acredite no Evangelho (Edito no momento de escândalos na Igreja)

Iniciar juntos a Quaresma

(Não espero a minha amiga Rita corrigir o meu português tão ruim para partilhar)

Todos os anos, a Igreja nos oferece um momento de conversão para nos preparar para a Páscoa.

Deus escolheu chamar homens e mulheres frágeis para viver e testemunhar seu amor. Ele chamou o povo hebreu. Ele lhe revelou o seu amor, ele o chamou para ir da escravidão no Egito para a Terra Prometida. Nesta jornada, as pessoas experimentaram seu pecado, suas recriminações. Ele também experimentou a presença de Deus, seu Espírito (a nuvem luminosa), a força de sua Palavra. As pessoas se voltaram para falsos deuses, mas Deus não parou de enviar profetas. Ele até enviou o seu próprio Filho, Jesus, para nos chamar para irmos verdadeiramente da morte para a vida, da escravidão do pecado para uma vida em retidão, em comunhão com Deus, com os homens.

Se nos chamamos cristãos, é porque experimentamos esse amor infinito de Deus, de sua confiança, do chamado para testemunhar seu amor. Contudo, em nossa vida pessoal e na Igreja, sentimos muito fortemente tudo o que é morte, ferida, pecado.

Estamos num momento em que a humanidade parece viver mais fortemente esse medo de uma vida em comunhão, essa tentação de retirada, a rejeição do outro. Para dar apenas um exemplo: o sonho de uma Europa fraterna, aberto, construído com determinação após as duas guerras mundiais, não suscita mais o mesmo entusiasmo. Vemos o ressurgimento de feridas que pensávamos do passado: nacionalismo, anti-semitismo, construção de muros, valas entre os povos. Espero que muitos de vocês levem a sério as eleições europeias, para promover projetos que levem a um mundo verdadeiramente fraterno.

Poderíamos sonhar com uma Igreja que é realmente um sinal desse amor de Cristo por todos e descobrimos todos os dias que o pecado a desfigura gravemente, que alguns padres, bispos, cardeais destruíram seriamente pessoas.

Percebemos que durante anos, como em toda a sociedade, o reflexo foi negação, omerta. Não viva este momento tão doloroso como um tempo de perseguição. Vamos recebê-lo como um tempo de purificação, de conversão. O primeiro passo da conversão não é negar a realidade dos fatos, buscar o que os favoreceu, o que deve absolutamente mudar.

Também não devemos nos deixar obcecar por algo que desfigura o mundo, a Igreja. Há tantos sinais da ação do Espírito Santo que não fazem barulho e são tão reais. Vivendo no coração do bairro pobre de Bois l’Abbé, conhecendo pessoas na paróquia de Saint Saturnin, visitando pessoas doentes, especialmente no Hospital Paul d’Egine, estou maravilhado com a expectativa, a confiança que as pessoas têm em relação aos Cristãos, à Igreja, aos padres.

O filme « Grâce à Dieu »[1] termina com esta pergunta: « Você ainda acredita em Deus? « Irmãos e irmãs, neste tempo de provação perante a situação mundial, o escândalo causado por alguns membros da Igreja, entramos profundamente neste tempo da Quaresma para dizer com todas as nossas vidas, cada um pessoalmente e em conjunto » : Sim, eu acredito! Sim, Jesus está vivo e transforma nossas vidas, fazendo da Igreja o que dá sal ao mundo, um corpo feliz em dar graças à ação do Espírito Santo no coração de todos os homens, um corpo comprometido ao lado dos pobres, dos pequeninos.

Tomemos os meios propostos: oração e especialmente a meditação do Evangelho, jejum (não necessariamente comida, mas tudo o que nos obstrui e nos impede de nos abrirmos a Deus e aos outros), partilha (financeira, doação de nossa pessoa, do nosso tempo)… Vamos ser corajosos para promover a reconciliação nas famílias, com os nossos vizinhos, nossos colegas de trabalho, paróquia… não deixe que as pessoas recrimina no deserto e querem voltar para suas antigas correntes. Sejamos pessoas nutridas pela Palavra, guiadas pela nuvem luminosa, preparando-se para repetir o « sim » do seu batismo na Páscoa. Deixe que esses pessoas de fé renovem o seu « creio », não apenas pelos lábios, mas por toda a nossa vida, por nosso compromisso renovado neste tempo tempestuoso.

Padre Bruno Cadart[2]

Quarta-feira, 6 de março de 2019

[1]      Que conta o escândalo do Pe Preynat que abusou mais de 70 crianças nos anos 90 sem as autoridades eclesiais reagir coretamente, o que conduziu o Cardeal Barbarin arquebispo de Lyon a ser condenado pela justiça civil no 7/3/2019 porque não denunciou este padre à justiça (foi herança dos cardeais précédentes). O cardeal anunciou neste mesmo dia que vai renunciar a ser cardeal no dias que vêm.

[2]      Para entrar em contato comigo: cadartbruno@gmail.com e saber quem eu sou www.bruno-cadart.com

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carta aberta no meio da tempestade

Carta aberta no meio da tempestade

Recebi uma carta sobre as notícias relativas aos escândalos na Igreja em que uma paroquiana expressava o seu apoio ao bispo e aos sacerdotes. Nessa carta, entre outras observações, que eu subscrevo, ela tem as seguintes expressões que me fazem reagir :

« As nossas comunidades cristãs estão a ser confrontadas com  uma tempestade mediática de uma violência sem precedentes, e que eu nunca vi antes… »

« As reações da Associação « La Parole Libérée »[1] desacreditam as últimas palavras do Papa Francisco, na conclusão da renunião de líderes das Conferências Episcopais do mundo que acabou de acontecer em Roma. Ora, para muitos, os comentários feitos por este grupo são os únicos credíveis. Com o lançamento do livro « Sodoma » e do filme « Graças a Deus »[2] que fazem as manchetes dos media, os cristãos são constantemente interpelados e têm necessidade de orientações porque muitos estão chocados, perturbados, mesmo perdidos face a estes acontecimentos e não têm acesso a análises confiáveis, incluindo as da imprensa católica (La Croix, La Vie…) para tentarem formar uma opinião justa. A este contexto vem juntar-se a investigação em curso sobre o Núncio Apostólico Dom Luigi Ventura de Paris[3], e a falta de reação oficial da Igreja até hoje. E eu queria fazer eco de todo este mal-estar que sinto à minha volta …

Também acabei de receber um jovem muito comprometido na Igreja, questionando-se sobre como responder ao chamamento que ele próprio sente para vir a ser padre. Eu decidi dar uma resposta pública como o fiz já, no caso da menina estuprada em Recife, em Março de 2009, e retomando o final da minha carta anterior sobre o facto de se dever ou não abandonar a Igreja.

Especifíco que escrevi este texto antes de ter visto o filme sobre as freiras abusadas no Canal Arte, na terça-feira, 5 de março. Este útlimo filme só veio dar mais força ao que se segue, tanto para denunciar o que é denunciado, como para convidar à união com Cristo e para entrar na Quaresma, neste contexto, em Igreja, ao invés de se afastar dela.

Querido x,

Obrigado pelo teu correio e pela tua proximidade com o bispo, os sacerdotes e com os cristãos perturbados com as noticias da atualidade.

Eu hesitei antes de elaborar e divulgar esta resposta. É uma carta escrita por um padre, que é também médico, como o sabes, um padre que ama profundamente a sua Igreja, que se sente profundamente irmão (o que não significa concordar com tudo) dos seus responsáveis, em particular do Cardeal Barbarin, a quem deu provas repetidamente, irmão do bispo Monsenhor Santier e que acredita ser realmente necessário sair da postura de « Igreja que se pensa perseguida ». Quando concordo, abaixo, com algumas das críticas contra a declaração do papa Francisco[4], é para lamentar uma oportunidade perdida, e todos os que me conhecem sabem o meu apego ao Papa Francisco.

Sim, alguns aproveitam a revelação dos abusos sexuais para desacreditar toda a Igreja, mas nós estamos a colher o fruto de uma não tomada de consciência do sofrimento das vítimas, que, anos mais tarde, pode levar ao suicídio. Recebo muitas confidências de pessoas que foram vítimas e ainda sofrem, 50 ou mesmo 80 anos depois. Recebo em particular sacerdotes, religiosos e religiosas, homens e mulheres que testemunham ter sido abusados antes de ser ordenados ou de fazer votos (na igreja ou nas suas famílias) e para quem as feridas se reavivam hoje, com a revelação destes escândalos, de que não se falava antes, mas que existiram em todas as épocas e em toda a humanidade.

Foi necessário o trabalho dos jornalistas e de associações de vítimas como « La Parole Libérée » em Lyon, para que a Igreja e a sociedade tomassem consciência da gravidade de certas situações e das respostas inadequadas das instituições civis e religiosas. Sim, eu sou um daqueles que estão gratos à associação de vítimas « La Parole Libérée » pela sua ação e que lamentam que a resposta inadequada da Igreja durante muito tempo leve estas associações a tomarem posições nem sempre justas, o que torna muito difícil um diálogo verdadeiro. Eu gosto da maneira como o filme « Grâce à Dieu[5] » não esconde esse debate sobre o que é certo ou errado dentro da associação « La Parole Libérée ».

Saúdo igualmente o compromisso do padre Pierre Vignon, que contribuiu largamente para que as vítimas pudessem ser ouvidas e os predadores desmascarados e impedidos de continuar nesse caminho,   embora eu não concorde com tudo, nas formas de intervir[6].

Tendo acompanhado vítimas em família, tendo acompanhado vítimas de um padre, testemunhei a reação totalemente injusta dos responsáveis eclesiasticos : eles enviaram para a África um padre que abusou de várias vítimas. Reconheceram o seu erro apenas dez anos depois sob a pressão de jornalistas[7] que foram até à África para ver este padre e tornar públicos os seus crimes. Não posso esquecer do que vi no Brasil[8], do que vi em Madagascar ou em Moçambique. Creio que devemos percorrer o mesmo caminho de conversão que o Papa Francisco propôs aos presidentes das conferências episcopais: escutar as vítimas, deixar-nos tocar por seus sofrimentos, mudar radicalmente nossas maneira de apreender as coisas.

Anoto que, com o que foi dito na época e a pedido de uma das vítimas que acompanhei por causa de uma agressão, 40 anos antes, propus um encontro de pedido de « desculpas » do tipo proposto por Madame Régine Maire entre o padre Preynat e uma das vítimas[9]. Eu fiz isso por outra vítima mas hesitaria muito fazê-lo hoje por causa da complexidade deste tipo de situação. Isto, para dizer que não me sinto melhor sobre como agir com estes dramas.

Li a declaração final do Papa[10] e compreendo o sofrimento das associações das vítimas ao recebê-la. Eu não acho que ele seja hábil neste texto dizendo tão pouco sobre as nossas responsabilidades e a nossa lentidão em ouvir as vítimas e que comece a falar sobre o que está realmente acontecendo fora da Igreja, o turismo sexual, pornografia, crianças soldados, etc. Mesmo se isto é muito real e tem que ser denunciado em outro lugar. Por outro lado, penso que colocar os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo na posição de terem de ouvir o sofrimento das vítimas concretas foi um momento importante.

Eu guardo no meu coração um facto: no meio do caso Preynat, havia na recepção do Arcebispado de Lyon uma moldura colocada ali pelo séquito do Cardeal com a seguinte frase: « Bem-aventurados sois vós quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e levantarem todo tipo de calúnias contra vós….  » E eu enviei uma mensagem a Philippe Barbarin com o seguinte comentário: Se um membro de « Parole Libérée » ou um jornalista vir este quadro, ele estará na primeira página do jornal com o seguinte comentário: quem é « perseguido », quem está ferido? A Igreja ou as vítimas do padre criminoso? O que é dito é dito « falsamente » ou corresponde ao que o padre fez? É por causa de Jesus que sofremos ou por causa da fragilidade destes e da resposta inadequada da Igreja, até agora? O quadro foi retirado.

Diante da fragilidade de algumas pessoas que estão destruindo seriamente os outros e ouvindo também pessoas casadas partilharem as suas próprias dificuldades em viverem uma sexualidade correta, eu não me sinto juíz de ninguém, mas encontro-me diante das minhas próprias fragilidades.

Sinto-me também chamado à oração pelas vítimas, por aqueles que as feriram, por todos aqueles que são afetados por esses atos, pela Igreja desfigurada, pelo mundo ferido, mas guardando ainda uma forte expectativa em relação à Igreja, mesmo aqueles que habitualmente a contestam.

Quando ouço que o celibato é a causa dos problemas de alguns, quando vejo o que homens e pais casados podem fazer, mães também, não acredito nem por um minuto que o casamento dos padres resolveria os problemas. Isso não me impede de desejar que a Igreja Católica ordene homens casados e não apenas em certas partes do mundo, como já acontece.

Noto que quando experimentamos uma crise na nossa maneira de assumir nossa sexualidade, seja no celibato ou no casamento, é muito difícil saber onde pedir ajuda. Parece-me que seria necessário avançar não só para denunciar o exercício da sexualidade que destroi vítimas, vinda de padres ou de outras pessoas, mas para criar mecanismos, espaços onde as pessoas que vivenciam uma crise de sua sexualidade possam encontrar-se, comunicar, ser acompanhadas e não apenas de modo « espiritual », o que também é essencial.

Uma vez que a sentença seja pronunciada e a pena cumprida, também será necessário encontrar maneiras de acompanhar aqueles que foram predadores, sem que eles possam continuar a ser sacerdotes,  aqueles que o foram.

A sociedade não poderá continuar denunciando os desvios sexuais na Igreja, na política, no esporte, na educação, na arte e em toda parte, sem questionar os modelos de exercício da sexualidade que ela promove.

O Papa fala do clericalismo como causa central desta situação. Deixe-me dizer-lhe a minha preocupação ao ver que as vocações nascem hoje com aparências mais clericais, escondendo-se atrás de um « sagrado » e a busca de uma « separação », que são preocupantes, com mais rendas, batinas idealização da figura do sacerdote, apresentação do mistério eucarístico que desafia o Concilo Vaticano II, para não mencionar os grupos religiosos que manipulam as pessoas provocando emoções de maneira artificial.

Espero que na Igreja Católica deixemos de competir com certos grupos evangélicos que manipulam as multidões provocando emoções e prometendo curas, vendo o demónio em todos os lugares, exceto onde, infelizmente, ele também está muitas vezes, nomeadamente neste tipo de práticas.

           Espero que haja uma séria reflexão antes de deixar os jovens, demasiado jovens, entrar no seminário ou em comunidades religiosas, e que tenhamos o cuidado de deixar entrar apenas jovens com relações simples com os jovens da sua idade, tendo provado sua capacidade de integração no mundo. E, se possível, que tenham adquirido formação prévia ou tenham já trabalhado, com vista a uma maior   maturidade, liberdade de escolha e abertura ao mundo, que não restaurem uma teologia anterior ao Concílio, uma leitura literal da Bíblia sobre criação e pecado original, por exemplo. Numa ficha usada para a preparação do crisma dizia-se « que veio por hereditariedade do primeiro casal do qual todos somos descendentes ».

Espero que possamos refletir sobre a questão do discernimento das vocações que vão surgindo, sobre o que conduz a esta crise, de que modo fazer entrar no sentido do sagrado, e em todas as situações de influência sobre as pessoas, como foi o caso de Preynat, mas também de tantos fundadores e fundadoras de grupos sectários que foram valorizados na Igreja e continuam a ser valorizados « porque neles há muitas pessoas… ».

Esta evolução da Igreja preocupa-me tanto como aquilo que os media mal intencionados podem dizer de nós. No final da década de 1980 eu tinha já expressado a minha preocupação dirigindo-me ao juiz do tribunal eclesiástico de Lyon, após o que eu havia descoberto por mim próprio, nas congregações dos irmãos e das irmãs de São João[11], ou na comunicade carismática Leão de Judas (Beatitudes hoje), em outros lugares também. A história faz-me perceber que eu estava bem longe do que se estava passar, naquela época.[12]

Estou ciente de que tudo isto não é suficiente para impedir que este ou aquele possa ser criminoso sexual, mas, graças às associações de vítimas que nos forçam a mudar a nossa maneira de pensar e agir, que permitem às vítimas de serem ouvidas, podemos esperar que as reações dos líderes da Igreja e de todo o povo cristão sejam mais apropriadas. Elas já mudaram, mas há ainda muito a fazer em França. O que dizer em Madagascar, no Brasil, ou em Moçambique ? Para citar três países que eu conheço.

Se nós queremos responder ao desespero daqueles que confiam na Igreja, desespero que nos afeta profundamente, enquanto sacerdotes, que te afeta também a ti, precisamos de reconhecer a realidade, ajudar as pessoas a contemplar o mistério de Cristo, que teve a loucura de confiar em homens frágeis para revelar seu amor, comprometer-nos resolutamente a corrigir tudo o que precisa de ser corrigido. Contemplar Cristo que nos escolhe frágeis, não é de modo algum tolerar todos esses atos que se discutem  atualmente.

Pensando nesse jovem que se sente chamado a ser padre e que veio visitar-me para partilhar comigo, por um lado o chamamamento que sente, e por outro o seu desalento perante o que acontece na Igreja, retomo a final do e-mail que escrevi para uma militante de um movimento da igreja numa tempestade anterior[13]:

Devemos deixar a Igreja? Pelo contrário, é hora de se agarrar a ela, mas falar sem rodeios (como o Papa Francisco faz hoje) e acima de tudo, ler o Evangelho todos os dias, para vivê-lo. Foi isso que fez São Francisco de Assis num momento ainda pior da história da Igreja. (…) Pode ser uma oportunidade para deixar a Igreja, ou para se agarrar a Cristo, meditar na sua escolha de confiar em homens limitados, que não deixaram de traí-lo, de negá-lo, de lutar para saberem quem seria o maior, quando Ele anunciava a Cruz… Isto também significa que Ele te escolhe a ti, que Ele me escolhe a mim, com nossos próprios limites. Mantem-te firme; segura-te a Cristo e ao Evangelho e também à Igreja. (…)

O filme « Graças a Deus » termina com a pergunta de um filho ao pai, vítima do Padre Preynat: « Você ainda acredita em Deus? E é difícil não continuar com outra pergunta: « Você ainda confia na Igreja? « 

Eu também ouço a pergunta de Jesus a Pedro quando muitos começam a deixá-lo: « Também vós  quereis abandonar-me? » E peço ao Espírito Santo que faça despontar em nós a resposta: « Senhor, para quem iremos? Tu tens Palavras de vida eterna. » Peço-lhe ainda que nos ajude a passar do Pedro que nega Cristo, ao Pedro que dá a sua vida por Cristo, pelos homens.

Por mais doloroso que seja este momento na Igreja, hoje, é o momento favorável, para usar as palavras da 2ª leitura da missa de entrada na Quaresma, momento favorável para viver um verdadeiro questionamento pessoal e comunitário e renovar o nosso « sim » a Cristo, para renová-lo na Igreja.

Que o Espírito Santo dê substância à nossa resposta e nos faça comprometer numa atitude permanente para uma Igreja consciente da sua fragilidade, mas sinal sinal autêntico e credível do Amor de Cristo por todos os homens e da alegria que se encontra em segui-lo.

Unidos em oração

Padre Bruno Cadart
Quarta-feira de Cinzas, 6 de março de 2019[14]

1. Declaração final do Papa Francisco no final da reunião dos Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, domingo 24 de fevereiro de 2019

2. Os jornalistas do programa Cash Investigation foram à África, o que provocou outra maneira de reagir a esse padre.

3. Declaração final do Papa Francisco no final da reunião dos Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, domingo 24 de fevereiro de 2019

4. Foi uma violação das regras básicas de julgamento e não de abuso sexual.

5. Carta a Véronique, no seguimento do caso do aborto da rapariga violada pelo seu sogro (9 de março de 2009) http://bruno-cadart.com/lettre-a-veronique-a-propos-de-la-fillette-violee-a-recife

6. Como o Papa Francisco faz hoje

7. Para entrar em contato comigo: cadartbruno@gmail.com e saber quem eu sou www.bruno-cadart.com


[1]      Associação de Vitimas de padres

[2]      Que conta o escândalo do Pe Preynat que abusou mais de 70 crianças nos anos 90 sem as autoridades eclesiais reagirem corretamente, o que conduziu o Cardeal Barbarin arquebispo de Lyon a ser condenado pela justiça civil no 7/3/2019 porque não denunciou este padre à justiça (foi herança dos cardeais précédentes). O cardeal anunciou, neste mesmo dia, que vai renunciar a ser cardeal, nos próximos dias.

[3]      Ele foi acusado de acariciar pessoas num encontro oficial na Câmara de Paris no mês de janeiro e em outras manifestações públicas.

[4]      Declaração do Papa Francisco no final da reunião dos Presidentes das Conferências Episcopais do mundo inteiro, no domingo 24 de fevereiro de 2019.

[5]      O título deste filme vem duma expressão do Cardeal Barbarin numa conferência diante dos media. Estava tão preocupado para a Igreja não pagar nem ser condenada e tão pouco preocupado com o sofrimento das vítimas, anos depois, que ele acabou dizendo : « Graças a Deus os crimes do Pe Preynat não podem mais ser condenados porque hà prescrição ». Isso escandalizou muito.

[6]      Esse padre, juiz no tribunal eclesiastico de Lyon, ajudou muitas vítimas a defenderem-se e provocou a queda de varios padres, alguns muito famosos como o fundador dos « Points cœur », que eram criminosos. Mas não concordo com a petição que ele escreveu para pedir a demissão do Cardeal, nem com o jeito dele de falar nos media, agora.

[7]      Os jornalistas do programa Cash Investigation foram à África, o que provocou outra maneira de reagir a esse padre.

[8]      Escrevi uma carta a dois bispos sobre situações de agressões sexuais sem receber resposta justa.

[9]      No filme « Graças a Deus foi prescrito », se vê uma leiga que organizou um encontro entre o Pe Preynat, criminoso sexual, e uma vítima, para a vítima ouvrir o padre reconhecer o que ele fez, apesar da prescrição jurídica do fato que aconteceu muitos anos antes. O filme  torna-se muito crítico com esta atitude.

[10]    Declaração do Papa Francisco no final da reunião dos Presidentes das Conferências Episcopais do mundo inteiro, no domingo 24 de fevereiro de 2019

[11]    Foi uma violação das regras básicas de discernemento para admitir um candidato e não de abuso sexual.

[12]    Os fundadores daqueles grupos eram criminosos sexuais além de terem fundado grupos que tinham funcionamento de seitas.

[13]    Carta a Véronique, na sequência do caso de aborto da rapariga violada pelo seu sogro (9 de março de 2009) http://bruno-cadart.com/lettre-a-veronique-a-propos-de-la-fillette-violee-a-recife

[14]    Para me contatar cadartbruno@gmail.com ou saber quem eu sou www.bruno-cadart.com

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Edito feuille paroissiale de Saint Jean XXIII – 6 mars 2019

Convertissez-vous et croyez à l’Évangile
Entrer ensemble en carême[1]

Tous les ans, l’Église nous propose un temps fort de conversion pour nous préparer aux fêtes de Pâques.

Dieu a fait le choix d’appeler des hommes et des femmes fragiles à vivre et témoigner de son amour. Il a appelé le peuple Hébreux. Il lui a révélé son amour, il l’a appelé à passer de l’esclavage en Égypte à la Terre Promise. Dans cette traversée, le peuple a fait l’expérience de son péché, de ses récriminations. Il a aussi expérimenté la présence de Dieu, de son Esprit (la nuée lumineuse), la force de sa Parole. Le peuple s’est sans cesse tourné vers des faux dieux, mais Dieu n’a pas cessé d’envoyer des prophètes. Il a même envoyé son propre Fils, Jésus, nous appeler à passer vraiment de la mort à la vie, de l’esclavage du péché à une vie dans la justice, en communion avec Dieu, avec les hommes.

Si nous nous disons chrétien, c’est que nous avons fait l’expérience de cet amour infini de Dieu, de sa confiance, de l’appel à témoigner de son amour. Pour autant, dans notre vie personnelle et en Église, nous ressentons très fort tout ce qui est mort, blessure, péché.

Nous sommes dans un moment où l’humanité semble vivre plus fortement cette peur d’une vie en communion, cette tentation de replis, du rejet de l’autre. Pour ne prendre qu’un exemple : le rêve d’une Europe fraternelle, ouverte, construite avec détermination après les deux guerres mondiales, ne soulève plus le même enthousiasme. On voit ressurgir des plaies qu’on pensait du passé : nationalisme, antisémitisme, construction de murs, de fossés entre les peuples. J’espère que vous serez nombreux à prendre au sérieux les élections européennes, à promouvoir des projets allant dans le sens d’un monde vraiment fraternel.

Nous pourrions rêver d’une Église qui soit vraiment signe de cet amour du Christ pour tous et nous découvrons chaque jour que le péché la défigure, que quelques prêtres, évêques, cardinaux, ont détruit gravement des personnes.

Nous prenons conscience que, pendant des années, comme dans l’ensemble de la société, le réflexe a été le déni, l’omerta. Ne vivons pas ce temps très douloureux comme un temps de persécution. Recevons-le comme un temps de purification, de conversion. Le premier pas de la conversion, c’est de ne pas nier la réalité des faits, de chercher ce qui les a favorisés, ce qui doit absolument changer.

Il nous faut aussi ne pas nous laisser obnubiler par tout ce qui défigure le monde, l’Église. Il y a tant de signes de l’action de l’Esprit Saint qui ne font pas de bruit et sont si réels. En habitant au cœur du Bois l’Abbé, en rencontrant des gens à Saint Saturnin, en visitant des malades, notamment à l’hôpital Paul d’Egine, je suis témoin émerveillé de l’attente, de la confiance que des gens ont envers les chrétiens, l’Église, les prêtres.

Le film « Grâce à Dieu » termine par cette question : « Tu crois encore en Dieu ? » Frères et sœurs, que dans ce temps d’épreuve devant la situation du monde, devant le scandale provoqué par certains dans l’Église, nous entrions profondément dans ce temps de carême pour répondre avec toute notre vie, chacun personnellement et ensemble : « Oui, je crois ! » Oui, Jésus est vivant et transforme nos vies, fait de l’Église ce qui donne du sel au monde, un corps heureux de rendre grâce à l’action de l’Esprit Saint au cœur de tous les hommes, un corps engagé aux côtés des plus petits.

Prenons les moyens proposés : prière et en particulier lecture de l’Évangile, jeûne (pas forcément de nourriture mais de tout ce qui nous encombre et nous empêche de nous ouvrir à Dieu et aux autres), partage (financier, en donnant de notre personne, de notre temps)… Soyons audacieux pour favoriser des réconciliations en familles, avec nos voisins, nos collègues de travail, en paroisse… Ne soyons pas le peuple qui récrimine dans le désert et veut retourner à ses anciennes chaînes. Soyons le peuple nourri de la Parole, guidé par la nuée lumineuse, se préparant à redire le « oui » de son baptême à Pâques. Soyons ces croyants redisant « je crois », non seulement du bout des lèvres, mais par toute notre vie, par notre engagement renouvelé dans ce temps de tempête.

Père Bruno Cadart[2]

[1]      Feuille paroissiale de Saint Jean XXIII N° 137 du 10 mars 2019

[2]      Pour me joindre : cadartbruno@gmail.com www-bruno-cadart.com

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Lettre ouverte au milieu de la tempête

J’ai reçu une lettre par rapport à l’actualité concernant les scandales dans l’Église dans laquelle une paroissienne exprimait son soutien à l’évêque et aux prêtres. Dans cette lettre, au milieu d’autres propos auxquels je souscris, elle a les expressions suivantes qui me font réagir :

« Nos communautés chrétiennes sont affrontées à une tempête médiatique d’une violence inouïe que je n’avais jamais rencontrée jusqu’à présent… »

« Les réactions du collectifs « La Parole Libérée » décrédibilisent les derniers propos du Pape François, en conclusion du sommet des responsables des conférences épiscopales du monde qui vient de se tenir à Rome. Or pour beaucoup les propos émis par ce collectif sont les seuls crédibles. Avec la sortie du livre « Sodoma » et du film « Grâce à Dieu » qui font la une des médias, les chrétiens sont sans cesse interpellés et ont besoin d’être guidés car beaucoup sont désemparés voire choqués face à ces actualités et n’ont pas forcément accès à des analyses crédibles notamment celle de la presse catholique (La Croix, La Vie…) pour tenter de se faire une juste opinion. A cette actualité vient s’ajouter l’enquête en cours sur le nonce apostolique de Paris Mgr Luigi Ventura, et l’absence de réaction officielle de l’Église à ce jour. Je tenais à faire écho à ce désarroi ressenti autour de moi…

Je viens aussi de recevoir un jeune très engagé en Église, se posant la question de comment répondre à l’appel à être prêtre qu’il ressent. Je choisis de faire une réponse publique, comme je l’avais fait au moment de l’affaire de la fille violée à Recife en mars 2009 et en reprenant la finale de ma précédente lettre sur le fait de savoir s’il faut quitter ou non l’Église.

Je précise que j’ai écrit ce texte avant d’avoir vu le film sur les religieuses abusées sur Arte, mardi 5 mars. Il ne donne que plus de force à ce qui suit, aussi bien pour dénoncer ce qui est à dénoncer que pour appeler à s’accrocher au Christ et à entrer en carême dans ce contexte, en Église, plutôt que de s’éloigner.

Chère x,

merci pour ton courrier et ta proximité avec l’évêque, les prêtres et avec les chrétiens désemparés par ce qui sort dans les médias actuellement.

J’ai hésité avant de faire cette réponse et de la diffuser. Elle est le fait d’un prêtre, médecin de formation comme tu le sais, qui aime profondément son Église, qui se sent profondément frère (ce qui ne veut pas dire d’accord avec tout) de ses responsables, du Cardinal Barbarin en particulier, qui lui en a donné la preuve à plusieurs reprises, frère de son évêque le Père Santier, et qui croit qu’il faut vraiment sortir de la posture d’Église persécutée. Quand je me permets, ci-après, de faire miennes certaines des critiques contre la déclaration du Pape François[1], c’est pour regretter une occasion perdue, et tous ceux qui me connaissent savent mon attachement au Pape François.

Oui, certains profitent de la révélation d’agressions sexuelles pour discréditer toute l’Église, mais nous recueillons le fruit d’une non prise de conscience de la souffrance des victimes, qui, des années après, peuvent aller jusqu’au suicide. Je reçois nombre de confidences de personnes ayant été victimes et souffrant toujours, 50 voire 80 ans après. Je reçois en particulier nombre de confidences de prêtres, religieuses, hommes et femmes consacrées qui témoignent d’avoir été abusés avant de s’engager (en Église ou dans leur famille) et pour lesquels les choses remontent aujourd’hui avec la venue au grand jour de ce qui existe depuis longtemps dans toute l’humanité.

Il aura fallu l’action des journalistes et de collectifs comme la Parole Libérée pour que l’Eglise et la société commencent à prendre conscience de la gravité de certaines situations et de la réponse inadaptée des institutions quelles qu’elles soient. Oui, je fais partie de ceux qui sont reconnaissants à la Parole Libérée pour son action et qui regrettent que la réponse inadaptée de l’Eglise pendant trop longtemps amène ces associations à des positions pas toujours justes et ai rendu très difficile un vrai dialogue. J’aime la manière dont le film « Grâce à Dieu » n’occulte pas ce débat sur ce qui est juste ou non au sein même de l’association « La parole libérée ».

Je salue aussi l’engagement du Père Pierre Vignon qui a largement contribué à ce que des victimes puissent être entendues, des prédateurs être démasqués et mis hors d’état de nuire, même si je ne souscris pas à tout dans sa manière d’intervenir.

Ayant eu à accompagner des victimes en famille, ayant eu à accompagner des victimes d’un prêtre et été témoin de l’inadéquation de la réponse des responsables qui ont reconnu leur erreur dix ans plus tard sous la pression des journalistes[2], ayant vu ce qui se passe en France, au Brésil, à Madagascar, je crois qu’il nous faut faire le même chemin de conversion que le Pape François a proposé aux présidents des conférences épiscopales: écouter les victimes, nous laisser toucher par leur souffrance, changer radicalement notre manière d’appréhender les choses.

Au passage, je signale qu’avec ce qui se disait à l’époque, et à la demande d’une des victimes que j’ai accompagnée pour une agression 40 ans plus tôt, j’ai permis un temps de rencontre de « pardon » du type de celui qu’a proposé Madame Régine Maire entre le Père Preynat et une des victimes. Je l’ai fait pour une autre victime. J’hésiterais beaucoup aujourd’hui vue la complexité de ce type de situation. Cela pour dire que je ne me sens pas meilleur sur la manière de faire face à ces drames.

J’ai lu la déclaration finale du Pape[3] et je comprends la souffrance des associations de victimes en la recevant. Je ne pense pas qu’il soit très adroit dans ce texte de dire si peu sur nos responsabilités et notre lenteur à entendre les victimes et de commencer par parler de ce qui se passe effectivement en dehors de l’Eglise, du tourisme sexuel, de la pornographie, des enfants soldats, etc. même si c’est très réel et qu’il faut le dénoncer par ailleurs. Par contre, je pense que le fait d’avoir mis les présidents des conférences épiscopales du monde entier en situation d’écouter la souffrance de victimes concrètes a été un moment important.

Je garde dans le cœur un fait : en pleine affaire Preynat, il y avait sur la commode d’entrée de l’archevêché de Lyon un cadre posé là par l’entourage du Cardinal avec la phrase suivante : « Heureux êtes-vous si l’on vous persécute, si l’on dit faussement toutes sortes de mal contre vous à cause de moi… » Et j’avais mis un message à Philippe Barbarin avec le commentaire suivant : Si un membre de la Parole Libérée ou un journaliste voit ce cadre, il sera en première page du journal avec le commentaire suivant : qui est « persécuté », qui est blessé ? L’Eglise ou les victimes de prêtres malades ? Ce qui est dit est-il dit « faussement » ou cela correspond-il à ce qu’on fait des prêtres ? Est-ce à cause de Jésus que nous souffrons ou à cause de la fragilité de ceux-ci et de la réponse inadaptée de l’Eglise jusqu’à présent ? Le cadre a été enlevé.

Mis devant la fragilité de certaines personnes qui détruisent gravement d’autres, écoutant aussi des personnes mariées partager leurs propres difficultés à vivre une sexualité juste, je ne me retrouve pas d’abord en juge mais je suis remis devant mes propres fragilités.

Je me sens aussi appelé à la prière pour les victimes, pour ceux qui les ont blessées, pour tous ceux qui sont touchés par ces actes, pour l’Église défigurée, pour le monde blessé dans son attente pourtant si forte envers l’Église, même de la part de ceux qui la contestent habituellement.

Quand j’entends que le célibat serait la cause des troubles de certains, quand je vois ce que peuvent faire des hommes mariés et pères de famille, des mères aussi, je ne crois pas une minute que le mariage des prêtres résoudrait les problèmes. Cela ne m’empêche pas de souhaiter que l’Église catholique ordonne des hommes mariés et pas seulement dans certaines parties du monde comme elle le fait déjà.

Je note que, quand nous connaissons un moment de crise dans notre manière d’assumer notre sexualité, que ce soit dans le célibat ou dans le mariage, il est bien difficile de savoir où demander une aide. Il me semble qu’il faudra avancer non seulement pour dénoncer l’exercice de la sexualité qui détruit, venant de clercs ou d’autres personnes, mais rendre accessibles des lieux où des personnes vivant une crise de leur sexualité puissent aller se confier, être accompagnées et pas seulement de manière « spirituelle », ce qui est aussi essentiel.

Une fois leur peine accomplie, il faudra aussi trouver comment accompagner ceux qui ont été prédateurs, sans qu’ils puissent continuer à être prêtres, pour ceux qui l’étaient.

La société ne pourra pas continuer à dénoncer les déviants sexuels que ce soit en Église, dans le monde politique, du sport, de l’éducation, de l’art, et partout, sans questionner les modèles d’exercice de la sexualité qu’elle véhicule.

Au moment où le Pape pointe du doigt le cléricalisme comme cause centrale de cette situation, permets-moi de te dire mon inquiétude de voir des vocations naître sous des apparences toujours plus cléricales, s’abritant derrière un « sacré » et la recherche d’une « séparation » qui sont inquiétantes, avec toujours plus de dentelles, de soutanes, d’idéalisation de la figure du prêtre, de présentation du mystère de l’Eucharistie qui fait fi du Concile, sans parler des groupes religieux qui jouent sur l’émotionnel.

J’espère que, dans l’Église catholique, on va arrêter de faire de la concurrence à certains groupes évangéliques qui manipulent les foules en jouant sur les émotions et en promettant des guérisons, en voyant le démon partout, sauf où il est malheureusement trop souvent, à savoir dans ce type de pratiques.

J’espère que l’on va réfléchir avant de laisser des jeunes entrer trop jeunes au séminaire ou dans des communautés religieuses, et qu’on veillera à ne laisser entrer que des jeunes ayant des relations simples avec les jeunes de leur âge, ayant prouvé leur capacité à s’intégrer dans le monde en ayant si possible acquis une formation préalable voire travaillé, pour plus de maturité et de liberté, d’ouverture au monde, ne restaurant pas une théologie d’avant Concile, une lecture littérale de l’Écriture sur la création et le péché originel par exemple. Une fiche utilisée pour la préparation à la confirmation disait « qu’il était transmis par hérédité depuis le premier couple dont on est tous issus ».

J’espère que l’on va pouvoir réfléchir à cette question et au discernement des vocations qui se présentent, à ce qui amène à cette crise, à la manière de faire entrer dans le sens du sacré, à toutes les situations d’emprise sur les gens, ce qui était le cas de Preynat, mais aussi de tant de fondateurs et fondatrices de groupes sectaires ayant été valorisés dans l’Église et qui continuent à l’être « puisqu’il y a du monde… ».

Cette évolution de l’Eglise m’inquiète tout autant que ce que des médias mal intentionnés peuvent dire de nous. Dans la fin des années 1980, j’avais déjà manifesté mon inquiétude en m’adressant à l’Official de Lyon devant ce dont j’avais été directement témoin chez les frères et sœurs de Saint Jean[4], au Lion de Judas, ailleurs aussi. L’histoire m’a fait voir que j’étais très en-deçà de ce qui se passait alors.

Je n’ignore pas que ça ne suffira pas à éviter que tel ou tel puisse être prédateur, mais, notamment grâce à ces associations qui nous ont obligés à changer notre manière de voir et d’agir, qui permettent aux victimes de faire entendre leur parole, on peut espérer que les réactions aussi bien des responsables ecclésiaux que de l’ensemble du peuple chrétien seront plus adaptées. Elles ont déjà bien changé mais il reste tant à faire en France. Que dire à Madagascar ou au Brésil, pour citer deux pays que je connais ?

Si nous voulons répondre au désarroi de ceux qui font confiance à l’Eglise, désarroi qui nous touche profondément comme prêtres, qui te touche aussi, il nous faut reconnaître la réalité, aider les gens à contempler le mystère du Christ qui a la folie de s’en remettre à des hommes fragiles pour révéler son amour, nous engager résolument pour corriger tout ce qui doit l’être. Contempler le Christ qui nous choisit fragile, ce n’est en aucun cas tolérer tous ces actes dont il est question actuellement.

En pensant à ce jeune qui sent un appel à s’engager et vient de me rendre visite pour faire part à la fois de l’appel qu’il ressent et de son désarroi, je reprends la finale du courrier que j’avais écrit à une militante d’un mouvement d’Église dans une précédente tempête[5] :

Faut-il quitter l’Eglise ? C’est au contraire le moment de s’y accrocher, mais de parler sans langue de bois[6], (comme le fait le Pape François aujourd’hui) et surtout, de lire l’Evangile chaque jour, de le vivre. C’est ce qu’a fait Saint François d’Assise dans un moment encore pire de l’histoire de l’Eglise. (…) Ce peut être l’occasion de claquer la porte, ou de s’attacher au Christ vraiment, de méditer sur son choix fou de s’en remettre à des hommes limités, qui n’ont pas arrêté de le trahir, le renier, lutter pour savoir qui serait le plus grand alors qu’il annonçait la Croix, de vouloir éloigner ceux qui dérangeaient… Cela veut aussi dire qu’il te choisit, qu’il me choisit avec nos propres limites. Tiens bon, et accroche-toi au Christ à l’Evangile, à l’Eglise aussi. (…)

Le film « Grâce à Dieu » se termine par cette question d’un fils à son père victime du Père Preynat : « Tu crois encore en Dieu ? », et il est difficile de ne pas poursuivre avec une autre question : « Tu as encore confiance dans l’Église ? »

J’entends aussi la question de Jésus à Pierre quand nombreux commencent à le quitter : « Voulez-vous me quitter, vous aussi ? » et je demande à l’Esprit Saint de faire jaillir en nous la réponse : « A qui irions-nous, Seigneur, tu as les paroles de la vie éternelle ». Je lui demande de nous faire passer du Pierre qui renie le Christ, au Pierre qui donne effectivement sa vie pour le Christ, pour les hommes.

Aussi douloureux que soit ce moment que traverse l’Église aujourd’hui, c’est le moment favorable, pour reprendre les mots de la 2ème lecture de la messe d’entrée en carême, moment favorable pour vivre une vraie remise en question personnelle et communautaire et redire notre « oui » au Christ, de le redire en Église.

Que l’Esprit Saint donne corps à la réponse en nous et nous donne de nous engager toujours plus dans cette réponse pour une Église qui soit un signe authentique, conscient de sa fragilité et crédible, de cet amour du Christ pour tous les hommes et de la joie qu’il y a à se mettre à sa suite.

Unis dans la prière

Père Bruno Cadart
Mercredi des Cendres, 6 mars 2019

[1]      Déclaration finale du Pape François à l’issue de la rencontre des Présidents des Conférences Episcopales du monde entier, dimanche 24 février 2019

[2]      Les journalistes de l’émission Cash Investigation s’étaient rendus en Afrique ce qui a provoqué une autre manière réagir par rapport à ce prêtre.

[3]      Déclaration finale du Pape François à l’issue de la rencontre des Présidents des Conférences Episcopales du monde entier, dimanche 24 février 2019

[4]      Il s’agissait de non-respect des règles élémentaires de discernement et non pas d’abus sexuel.

[5]      Lettre à Véronique, suite à l’affaire de l’avortement de la fillette violée par son beau-père (9 mars 2009) http://bruno-cadart.com/lettre-a-veronique-a-propos-de-la-fillette-violee-a-recife

[6]      Comme le fait le Pape François aujourd’hui

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Déclaration d’Abou Dhabi du Pape François et du Grand Imam d’Al-Azhar Ahmad Al-Tayyeb sur la fraternité

Pape François et le Grand Imam d’Al-Azhar Ahmad Al-Tayyeb[1]
signant le déclaration d’Abou Dhabi le lundi 4 février 2019

Déclaration d’Abou Dhabi
Document sur « la fraternité humaine »
pour la paix mondiale et la coexistence commune (lundi 4 février 2019)

Pour « s’unir et travailler ensemble »

« Le document sur la Fraternité humaine que j’ai signé aujourd’hui à Abou Dhabi avec mon frère le Grand Imam d’Al-Azhar invite toutes les personnes qui portent dans le cœur la foi en Dieu et la foi dans la fraternité humaine, à s’unir et à travailler ensemble »: c’est une invitation à l’action que le pape François lance dans un tweet posté sur son compte @Pontifex_fr, ce lundi 4 février 2019. Le document dit oui à la famille et à la vie, non à la guerre et aux extrémismes et à l’utilisation du Nom de Dieu pour tuer.

Le pape venait de prononcer son discours d’Abou Dhabi pour le sommet interreligieux pour la paix qu’il a conclu par la signature d’une « Déclaration sur la Fraternité humaine pour la paix mondiale et la coexistence commune » dans laquelle il est aussi question de liberté et de la dignité de la femme et des enfants.

Avant-propos

La foi amène le croyant à voir dans l’autre un frère à soutenir et à aimer. De la foi en Dieu, qui a créé l’univers, les créatures et tous les êtres humains – égaux par Sa Miséricorde –, le croyant est appelé à exprimer cette fraternité humaine, en sauvegardant la création et tout l’univers et en soutenant chaque personne, spécialement celles qui sont le plus dans le besoin et les plus pauvres.

Partant de cette valeur transcendante, en diverses rencontres dans une atmosphère de fraternité et d’amitié, nous avons partagé les joies, les tristesses et les problèmes du monde contemporain, au niveau du progrès scientifique et technique, des conquêtes thérapeutiques, de l’époque digitale, des mass media, des communications ; au niveau de la pauvreté, des guerres et des malheurs de nombreux frères et sœurs en diverses parties du monde, à cause de la course aux armements, des injustices sociales, de la corruption, des inégalités, de la dégradation morale, du terrorisme, de la discrimination, de l’extrémisme et de tant d’autres motifs.

De ces échanges fraternels et sincères, que nous avons eus, et de la rencontre pleine d’espérance en un avenir lumineux pour tous les êtres humains, est née l’idée de ce « Document sur la Fraternité humaine ». Un document raisonné avec sincérité et sérieux pour être une déclaration commune de bonne et loyale volonté, destinée à inviter toutes les personnes qui portent dans le cœur la foi en Dieu et la foi dans la fraternité humaine, à s’unir et à travailler ensemble, afin que ce Document devienne un guide pour les nouvelles générations envers la culture du respect réciproque, dans la compréhension de la grande grâce divine qui rend frères tous les êtres humains.

Le document

Au nom de Dieu qui a créé tous les êtres humains égaux en droits, en devoirs et en dignité, et les a appelés à coexister comme des frères entre eux, pour peupler la terre et y répandre les valeurs du bien, de la charité et de la paix.

Au nom de l’âme humaine innocente que Dieu a interdit de tuer, affirmant que quiconque tue une personne est comme s’il avait tué toute l’humanité et que quiconque en sauve une est comme s’il avait sauvé l’humanité entière.

Au nom des pauvres, des personnes dans la misère, dans le besoin et des exclus que Dieu a commandé de secourir comme un devoir demandé à tous les hommes et, d’une manière particulière, à tout homme fortuné et aisé.

Au nom des orphelins, des veuves, des réfugiés et des exilés de leurs foyers et de leurs pays ; de toutes les victimes des guerres, des persécutions et des injustices ; des faibles, de ceux qui vivent dans la peur, des prisonniers de guerre et des torturés en toute partie du monde, sans aucune distinction.

Au nom des peuples qui ont perdu la sécurité, la paix et la coexistence commune, devenant victimes des destructions, des ruines et des guerres.

Au nom de la « fraternité humaine » qui embrasse tous les hommes, les unit et les rend égaux.

Au nom de cette fraternité déchirée par les politiques d’intégrisme et de division, et par les systèmes de profit effréné et par les tendances idéologiques haineuses, qui manipulent les actions et les destins des hommes.

Au nom de la liberté, que Dieu a donnée à tous les êtres humains, les créant libres et les distinguant par elle.

Au nom de la justice et de la miséricorde, fondements de la prospérité et pivots de la foi.

Au nom de toutes les personnes de bonne volonté, présentes dans toutes les régions de la terre.

Au nom de Dieu et de tout cela, Al-Azhar al-Sharif – avec les musulmans d’Orient et d’Occident –, conjointement avec l’Eglise catholique – avec les catholiques d’Orient et d’Occident –, déclarent adopter la culture du dialogue comme chemin ; la collaboration commune comme conduite ; la connaissance réciproque comme méthode et critère.

Nous – croyants en Dieu, dans la rencontre finale avec Lui et dans Son Jugement –, partant de notre responsabilité religieuse et morale, et par ce Document, nous demandons à nous-mêmes et aux Leaders du monde, aux artisans de la politique internationale et de l’économie mondiale, de s’engager sérieusement pour répandre la culture de la tolérance, de la coexistence et de la paix; d’intervenir, dès que possible, pour arrêter l’effusion de sang innocent, et de mettre fin aux guerres, aux conflits, à la dégradation environnementale et au déclin culturel et moral que le monde vit actuellement.

Nous nous adressons aux intellectuels, aux philosophes, aux hommes de religion, aux artistes, aux opérateurs des médias et aux hommes de culture en toute partie du monde, afin qu’ils retrouvent les valeurs de la paix, de la justice, du bien, de la beauté, de la fraternité humaine et de la coexistence commune, pour confirmer l’importance de ces valeurs comme ancre de salut pour tous et chercher à les répandre partout.

Cette Déclaration, partant d’une réflexion profonde sur notre réalité contemporaine, appréciant ses réussites et partageant ses souffrances, ses malheurs et ses calamités, croit fermement que parmi les causes les plus importantes de la crise du monde moderne se trouvent une conscience humaine anesthésiée et l’éloignement des valeurs religieuses, ainsi que la prépondérance de l’individualisme et des philosophies matérialistes qui divinisent l’homme et mettent les valeurs mondaines et matérielles à la place des principes suprêmes et transcendants.

Nous, reconnaissant aussi les pas positifs que notre civilisation moderne a accomplis dans les domaines de la science, de la technologie, de la médecine, de l’industrie et du bien-être, en particulier dans les pays développés, nous soulignons que, avec ces progrès historiques, grands et appréciés, se vérifient une détérioration de l’éthique, qui conditionne l’agir international, et un affaiblissement des valeurs spirituelles et du sens de la responsabilité. Tout cela contribue à répandre un sentiment général de frustration, de solitude et de désespoir, conduisant beaucoup à tomber dans le tourbillon de l’extrémisme athée et agnostique, ou bien dans l’intégrisme religieux, dans l’extrémisme et dans le fondamentalisme aveugle, poussant ainsi d’autres personnes à céder à des formes de dépendance et d’autodestruction individuelle et collective.

L’histoire affirme que l’extrémisme religieux et national, ainsi que l’intolérance, ont produit dans le monde, aussi bien en Occident qu’en Orient, ce que l’on pourrait appeler les signaux d’une « troisième guerre mondiale par morceaux », signaux qui, en diverses parties du monde et en diverses conditions tragiques, ont commencé à montrer leur visage cruel ; situations dont on ne connaît pas avec précision combien de victimes, de veuves et d’orphelins elles ont générés. En outre, il y a d’autres régions qui se préparent à devenir le théâtre de nouveaux conflits, où naissent des foyers de tension et s’accumulent des armes et des munitions, dans une situation mondiale dominée par l’incertitude, par la déception et par la peur de l’avenir et contrôlée par des intérêts économiques aveugles.

Nous affirmons aussi que les fortes crises politiques, l’injustice et l’absence d’une distribution équitable des ressources naturelles – dont bénéficie seulement une minorité de riches, au détriment de la majorité des peuples de la terre – ont provoqué, et continuent à le faire, d’énormes quantité de malades, de personnes dans le besoin et de morts, causant des crises létales dont sont victimes divers pays, malgré les richesses naturelles et les ressources des jeunes générations qui les caractérisent. A l’égard de ces crises qui laissent mourir de faim des millions d’enfants, déjà réduits à des squelettes humains – en raison de la pauvreté et de la faim –, règne un silence international inacceptable.

Il apparaît clairement à ce propos combien la famille est essentielle, en tant que noyau fondamental de la société et de l’humanité, pour donner le jour à des enfants, les élever, les éduquer, leur fournir une solide morale et la protection familiale. Attaquer l’institution familiale, en la méprisant ou en doutant de l’importance de son rôle, représente l’un des maux les plus dangereux de notre époque.

Nous témoignons aussi de l’importance du réveil du sens religieux et de la nécessité de le raviver dans les cœurs des nouvelles générations, par l’éducation saine et l’adhésion aux valeurs morales et aux justes enseignements religieux, pour faire face aux tendances individualistes, égoïstes, conflictuelles, au radicalisme et à l’extrémisme aveugle sous toutes ses formes et ses manifestations.

Le premier et le plus important objectif des religions est celui de croire en Dieu, de l’honorer et d’appeler tous les hommes à croire que cet univers dépend d’un Dieu qui le gouverne, qu’il est le Créateur qui nous a modelés avec Sa Sagesse divine et nous a accordé le don de la vie pour le préserver. Un don que personne n’a le droit d’enlever, de menacer ou de manipuler à son gré; au contraire, tous doivent préserver ce don de la vie depuis son commencement jusqu’à sa mort naturelle. C’est pourquoi nous condamnons toutes les pratiques qui menacent la vie comme les génocides, les actes terroristes, les déplacements forcés, le trafic d’organes humains, l’avortement et l’euthanasie et les politiques qui soutiennent tout cela.

De même nous déclarons – fermement – que les religions n’incitent jamais à la guerre et ne sollicitent pas des sentiments de haine, d’hostilité, d’extrémisme, ni n’invitent à la violence ou à l’effusion de sang. Ces malheurs sont le fruit de la déviation des enseignements religieux, de l’usage politique des religions et aussi des interprétations de groupes d’hommes de religion qui ont abusé – à certaines phases de l’histoire – de l’influence du sentiment religieux sur les cœurs des hommes pour les conduire à accomplir ce qui n’a rien à voir avec la vérité de la religion, à des fins politiques et économiques mondaines et aveugles. C’est pourquoi nous demandons à tous de cesser d’instrumentaliser les religions pour inciter à la haine, à la violence, à l’extrémisme et au fanatisme aveugle et de cesser d’utiliser le nom de Dieu pour justifier des actes d’homicide, d’exil, de terrorisme et d’oppression. Nous le demandons par notre foi commune en Dieu, qui n’a pas créé les hommes pour être tués ou pour s’affronter entre eux et ni non plus pour être torturés ou humiliés dans leurs vies et dans leurs existences. En effet, Dieu, le Tout-Puissant, n’a besoin d’être défendu par personne et ne veut pas que Son nom soit utilisé pour terroriser les gens.

Ce Document, en accord avec les précédents Documents Internationaux qui ont souligné l’importance du rôle des religions dans la construction de la paix mondiale, certifie ce qui suit :

–      La forte conviction que les vrais enseignements des religions invitent à demeurer ancrés dans les valeurs de la paix ; à soutenir les valeurs de la connaissance réciproque, de la fraternité humaine et de la coexistence commune ; à rétablir la sagesse, la justice et la charité et à réveiller le sens de la religiosité chez les jeunes, pour défendre les nouvelles générations de la domination de la pensée matérialiste, du danger des politiques de l’avidité du profit effréné et de l’indifférence, basée sur la loi de la force et non sur la force de la loi.

–      La liberté est un droit de toute personne : chacune jouit de la liberté de croyance, de pensée, d’expression et d’action. Le pluralisme et les diversités de religion, de couleur, de sexe, de race et de langue sont une sage volonté divine, par laquelle Dieu a créé les êtres humains. Cette Sagesse divine est l’origine dont découle le droit à la liberté de croyance et à la liberté d’être différents. C’est pourquoi on condamne le fait de contraindre les gens à adhérer à une certaine religion ou à une certaine culture, comme aussi le fait d’imposer un style de civilisation que les autres n’acceptent pas.

–      La justice basée sur la miséricorde est le chemin à parcourir pour atteindre une vie décente à laquelle a droit tout être humain.

–      Le dialogue, la compréhension, la diffusion de la culture de la tolérance, de l’acceptation de l’autre et de la coexistence entre les êtres humains contribueraient notablement à réduire de nombreux problèmes économiques, sociaux, politiques et environnementaux qui assaillent une grande partie du genre humain.

–      Le dialogue entre les croyants consiste à se rencontrer dans l’énorme espace des valeurs spirituelles, humaines et sociales communes, et à investir cela dans la diffusion des plus hautes vertus morales, réclamées par les religions ; il consiste aussi à éviter les discussions inutiles.

–      La protection des lieux de culte – temples, églises et mosquées – est un devoir garanti par les religions, par les valeurs humaines, par les lois et par les conventions internationales. Toute tentative d’attaquer les lieux de culte ou de les menacer par des attentats, des explosions ou des démolitions est une déviation des enseignements des religions, ainsi qu’une claire violation du droit international.

–      Le terrorisme détestable qui menace la sécurité des personnes, aussi bien en Orient qu’en Occident, au Nord ou au Sud, répandant panique, terreur ou pessimisme n’est pas dû à la religion – même si les terroristes l’instrumentalisent – mais est dû à l’accumulation d’interprétations erronées des textes religieux, aux politiques de faim, de pauvreté, d’injustice, d’oppression, d’arrogance ; pour cela, il est nécessaire d’interrompre le soutien aux mouvements terroristes par la fourniture d’argent, d’armes, de plans ou de justifications, ainsi que par la couverture médiatique, et de considérer tout cela comme des crimes internationaux qui menacent la sécurité et la paix mondiale. Il faut condamner ce terrorisme sous toutes ses formes et ses manifestations.

–      Le concept de citoyenneté se base sur l’égalité des droits et des devoirs à l’ombre de laquelle tous jouissent de la justice. C’est pourquoi il est nécessaire de s’engager à établir dans nos sociétés le concept de la pleine citoyenneté et à renoncer à l’usage discriminatoire du terme minorités, qui porte avec lui les germes du sentiment d’isolement et de l’infériorité ; il prépare le terrain aux hostilités et à la discorde et prive certains citoyens des conquêtes et des droits religieux et civils, en les discriminant.

–      La relation entre Occident et Orient est une indiscutable et réciproque nécessité, qui ne peut pas être substituée ni non plus délaissée, afin que tous les deux puissent s’enrichir réciproquement de la civilisation de l’autre, par l’échange et le dialogue des cultures. L’Occident pourrait trouver dans la civilisation de l’Orient des remèdes pour certaines de ses maladies spirituelles et religieuses causées par la domination du matérialisme. Et l’Orient pourrait trouver dans la civilisation de l’Occident beaucoup d’éléments qui pourraient l’aider à se sauver de la faiblesse, de la division, du conflit et du déclin scientifique, technique et culturel. Il est important de prêter attention aux différences religieuses, culturelles et historiques qui sont une composante essentielle dans la formation de la personnalité, de la culture et de la civilisation orientale ; et il est important de consolider les droits humains généraux et communs, pour contribuer à garantir une vie digne pour tous les hommes en Orient et en Occident, en évitant l’usage de la politique de la double mesure.

–      C’est une nécessité indispensable de reconnaître le droit de la femme à l’instruction, au travail, à l’exercice de ses droits politiques. En outre, on doit travailler à la libérer des pressions historiques et sociales contraires aux principes de sa foi et de sa dignité. Il est aussi nécessaire de la protéger de l’exploitation sexuelle et du fait de la traiter comme une marchandise ou un moyen de plaisir ou de profit économique. Pour cela, on doit cesser toutes les pratiques inhumaines et les coutumes courantes qui humilient la dignité de la femme et travailler à modifier les lois qui empêchent les femmes de jouir pleinement de leurs droits.

–      La défense des droits fondamentaux des enfants à grandir dans un milieu familial, à l’alimentation, à l’éducation et à l’assistance est un devoir de la famille et de la société. Ces droits doivent être garantis et préservés, afin qu’ils ne manquent pas ni ne soient refusés à aucun enfant, en aucun endroit du monde. Il faut condamner toute pratique qui viole la dignité des enfants et leurs droits. Il est aussi important de veiller aux dangers auxquels ils sont exposés – spécialement dans le domaine digital – et de considérer comme un crime le trafic de leur innocence et toute violation de leur enfance.

–      La protection des droits des personnes âgées, des faibles, des handicapés et des opprimés est une exigence religieuse et sociale qui doit être garantie et protégée par des législations rigoureuses et l’application des conventions internationales à cet égard.

A cette fin, l’Eglise catholique et Al-Azhar, par leur coopération commune, déclarent et promettent de porter ce Document aux Autorités, aux Leaders influents, aux hommes de religion du monde entier, aux organisations régionales et internationales compétentes, aux organisations de la société civile, aux institutions religieuses et aux Leaders de la pensée ; et de s’engager à la diffusion des principes de cette Déclaration à tous les niveaux régionaux et internationaux, en préconisant de les traduire en politiques, en décisions, en textes législatifs, en programmes d’étude et matériaux de communication.

Al-Azhar et l’Eglise Catholique demandent que ce Document devienne objet de recherche et de réflexion dans toutes les écoles, dans les universités et dans les instituts d’éducation et de formation, afin de contribuer à créer de nouvelles générations qui portent le bien et la paix et défendent partout le droit des opprimés et des derniers.

En conclusion nous souhaitons que :

cette Déclaration soit une invitation à la réconciliation et à la fraternité entre tous les croyants, ainsi qu’entre les croyants et les non croyants, et entre toutes les personnes de bonne volonté ;

  • soit un appel à toute conscience vivante qui rejette la violence aberrante et l’extrémisme aveugle ; appel à qui aime les valeurs de tolérance et de fraternité, promues et encouragées par les religions ;
  • soit un témoignage de la grandeur de la foi en Dieu qui unit les cœurs divisés et élève l’esprit humain ;
  • soit un symbole de l’accolade entre Orient et Occident, entre Nord et Sud, et entre tous ceux qui croient que Dieu nous a créés pour nous connaître, pour coopérer entre nous et pour vivre comme des frères qui s’aiment.

Ceci est ce que nous espérons et cherchons à réaliser, dans le but d’atteindre une paix universelle dont puissent jouir tous les hommes en cette vie.

Abou Dabi, le 4 février 2019

Sa Sainteté le Pape François et Grand Imam d’Al-Azhar Ahmad Al-Tayyeb

[1]     La mosquée Al-Azhar, fondée en 970, est une des plus anciennes mosquées du Caire et le siège de l’université al-Azhar, la plus ancienne université islamique encore active au monde après Quaraouiyine au Maroc et l’université Zitouna en Tunisie, une université de référence pour l’Islam.

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Merci aux donateurs – Points sur les dons reçus au 31 décembre 2019

Chers amis,

Je vous fais le point au 31 décembre 2019 et vous renvoie au courrier de 2017 pour comprendre comment je me suis engagé dans les soutiens ci-après, notamment grâce à votre soutien. J’ajoute à ce courrier mes coordonnées bancaires pour ceux qui veulent faire un virement. Télécharger mon relevé d’identité bancaire (RIB). Un immense merci à tous.

Vous trouverez, au bas de ce courrier, celui de 2018 qui renvoie aux courriers précédents

Mozambique

L’année 2019 a été très difficile au Mozambique, notamment avec le cyclone qui a détruit en bonne partie la maison. Mais Mertina a eu sa maîtrise de droit, et, même si nous arrêtions notre aide, tout ce qui a été investi pour ses études ne sera pas perdu. Par contre, elle n’a pas pu avoir encore d’emploi correspondant à sa nouvelle qualification et a toujours le même salaire, quand il est versé. Le plus vieux des 3 enfants encore vivants qu’elle a adoptés doit terminer sa formation  en avril et est attendu pour un emploi dans une autre ville. Il ne sera donc plus à charge. Francisco, l’aîné de ses deux enfants est en attente de ses résultats du bac et cherche à s’inscrire en faculté. Tous les autres vont bien et passent dans l’année supérieure. Je ne raconte pas toutes les autres péripéties assez inimaginables. 14 141 € cette année… J’espère que les dépenses se stabiliseront entre 6 et 8 000 € en 2020.

Les 7 jeunes en formation pour être sœurs du Prado… plus que 6 et plus que 3 à charge… 3 sont postulantes

Nirina qui était très brillante à tous points de vue et était en terminale a eu un kyste au cerveau. Le temps qu’un diagnostic clair soit posé et qu’elle soit opérée, les nerfs optiques avaient souffert. Elle est aveugle et a dû retourner chez elle…

3 sont entrées au Postulat des soeurs du Prado et vont bien. C’était impossible sans cette aide sur plusieurs années. Elles sont rentrées avec un niveau de 3ème mais sans réussir le BEPC. Elles ne sont plus à notre charge. Il en reste 3 qui étudient en 1ère et terminale et vont bien. La prise en charge sera de 2000 € l’an prochain contre 3115 € cette année.

Ainah à Antananarivo + Narovana et son enfant

Ainah, jeune professeur abandonnée de tous, tuberculeuse, est toujours en vie, malgré de multiples péripéties. Elle a une chambre qu’elle partage avec une jeune maman et son enfant qui la soigne. Apparemment, elle n’est plus contagieuse, mais reste faible. Je passe aussi sur toutes les péripéties, dont les récentes inondations qui ont envahi sa chambre et tout détruit. Ce sont donc 3 personnes qui sont à charge pour que Ainah puisse vivre. J’espère qu’elle va arriver à stabiliser les dépenses à 104,90 € par mois (1 258 € par an pour 3 personnes tout compris…) mais en 2019, je lui ai envoyé 2 498 € (208 € par mois). Elle garde le moral, et, qui sait, puisqu’elle trompe la mort sans cesse, elle pourrait retrouver des forces et se remettre à travailler comme institutrice un jour. J’espère ne pas dépasser 1 600 €

Autre personne à Befeta + sa maman et son enfant

Je ne peux pas donner tous les détails des misères qu’elle rencontre. Je pensais qu’elle arriverait à trouver une autonomie. J’ai dû aider un peu. J’espère stabiliser à 629,40 €

  7 jeunes Ainah
+2
Befeta Mozambique total donné dons reçus Bruno
2016 3 650 0 0 17 382 21032 6 462 -14570
2017 3 912 3 875 672 18 323 26783 3 817 -22966
2018 3 068 1 676 514 12 202 17 461 6003 -11 457
2019 3115 2498 734 14 141 20488 12187 -8 301

Pour faire parvenir les dons :

Par virement à l’ordre de Assoc. A.A.P.M.M.
RIB France 18206 00023 65071620632 51
IBAN ETRANGER FR76 1820 6000 2365 0716 2063 251     BIC AGRIFRPP882

ou en faisant un chèque à l’ordre de « A.A.P.M.M. » (association « Accompagner vers l’Autonomie quelques Personnes à Madagascar et au Mozambique)

en l’adressant à 
          Père Bruno Cadart,
          Paroisse Saint Jean XXIII
          9, rue Rabelais,
          94430 Chennevières-sur-Marne
          07 83 59 91 67

Un très grand merci aux donateurs !

Vous avez été 27 donateurs. Certains l’ont fait parce qu’ils connaissaient les actions évoquées ci-dessus. D’autres ont fait des dons parce que je suis prêtre. Grâce à vous, j’ai pu ne pas abandonner ces personnes et plusieurs ont franchi des caps importants. Tous ceux que j’aide vous remercient et prient pour vous. Pour ceux qui s’inquiétaient, vous voyez que l’argent que vous m’avez donné a été intégralement redonné.

Il y a des dons qui n’apparaissent pas ici: le frigidaire magique qui se remplit tout seul et qui fait que je suis pratiquement nourri… les autres dons en nature. Immense merci à vous, vous ne savez pas combien cela me touche.

Normalement, le niveau de l’argent que je verserai l’an prochain devrait baisser… J’espère arriver à limiter à 10 à 12 000 € en 2020. Sauf miracle, je ne recevrai pas, non plus, un don exceptionnel de 5 000 € comme en 2019.

Année 2018

Je vous fais le point au 31 décembre 2018 et vous renvoie au courrier de l’année dernière pour comprendre comment je me suis engagé dans les soutiens ci-après, notamment grâce à votre soutien. J’ajoute à ce courrier mes coordonnées bancaires pour ceux qui veulent faire un virement. Télécharger mon relevé d’identité bancaire (RIB)

Les 7 jeunes en formation pour être sœurs du Prado

Au départ, j’ai aidé 12 jeunes qui étaient de la paroisse de Befeta (cf. présentation dans courriers précédents). 9 ont quitté Befeta pour aller étudier à proximité de chez les sœurs. 2 ont arrêté cette année pour problèmes familiaux ou de santé. J’ai repris un peu d’aide pour une qui était restée à Befeta et n’arrivait pas à nourrir sa mère et l’enfant qu’elle a eu depuis, abandonnée par son mari et par ses frères (Marie). Je lui donne un coup de pouce de 104,90 € / 2 mois.

Les 7 qui sont avec les sœurs continuent à les émerveiller :

  • Nirina qui n’avait jamais redoublé jusque là a loupé son bac et recommence sa terminale. Elle est rejointe par Viviane.
  • Marie-Thérèse, Philippine ont eu leur BEPC du premier coup et entrent en 2nde
  • Françoise a eu son BEPC au 4ème coup et est à Tananarive avec Marie-Solange et Marie-Claire où elles suivent une formation professionnelle pour être formatrice en agriculture.

Mozambique

Je vous avais énuméré les mille difficultés rencontrées par Mertina, cette maman qui étudie le droit en cours du soir, que j’ai aidée à ne pas se retrouver à la rue et qui a pris en charge 5 enfants en plus des deux à elle. En 2017, elle a eu de multiples problèmes de santé et accident, agressions, tout en réussissant à arriver 10ème sur 160 aux examens de droit.

L’année 2018 a encore été difficile. Le salaire des fonctionnaires n’est plus versé depuis mai 2018 et les gens continuent à travailler. IsaIas, le jeune qui avait eu un 1er accident a dû être opéré du genou car il n’arrivait plus à marcher. A peine rétabli, il a été tué par un camion. Sa famille, qui l’avait totalement abandonné a fait un procès à Mertina qu’elle a gagné parce qu’elle prenait soin de cet enfant sans qu’il y ait eu un acte officiel.

Mertina a déposé 3 fois son mémoire de fin d’études qui était systématiquement refusé sans qu’on ne comprenne pourquoi. Ses collègues lui ont dit qu’elles avaient eu leur mémoire accepté quand elles ont versé l’équivalent de 8 mois de salaire… qu’elle a fini par verser et son mémoire a été accepté… Elle a été agressée une nouvelle fois.

Malgré cela, sa situation se stabilise. Sa santé est bonne depuis qu’elle a été opérée en 2017. Les 6 enfants qui restent ont réussi leurs examens et passent en classe supérieure. Ils partagent l’Évangile ensemble. Normalement, Mertina sera diplômée en mai. L’entreprise où elle a fait un stage lui proposait un travail avec un salaire 6 fois supérieur mais il fallait aller à Maputo, la capitale, laisser derrière la maison construite, trouver des prix bien plus chers. Mais cela laisse espérer une amélioration même en restant à Beira.

L’an prochain, il n’y aura plus de frais de scolarité. Déjà, malgré toutes les galères, les dépenses ont beaucoup diminué. On peut espérer arriver à une aide de 6 à 8 000 € qui permette de continuer à sauver ces 6 enfants et Mertina qui étaient à la rue.

Dernières nouvelles (31 mars 2019): le premier trimestre a été catastrophique avec 3 attaques de voleurs en un mois puis le cyclone. Cela m’amène à lancer un appel à donateurs plus large sur facebook pour une somme de 6 000 € nécessaire pour réparer la maison très abîmée, remplacer tout ce qui a été détruit et renforcer les systèmes de sécurité. Merci d’avance.

Ainah (Antananarivo)

Je vous racontais son histoire et son état tuberculeux catastrophique après avoir guéri de la peste. La femme protestante qui l’avait accueillie a contracté la tuberculose ainsi que son enfant et ils sont morts.

Après des semaines où il semblait qu’Ainah allait mourir, où elle payait quelqu’un pour prendre soin d’elle qui ne pouvait plus se lever, elle va beaucoup mieux, sans être guérie, mais elle n’a plus besoin d’aide pour faire sa cuisine, son linge, se laver. Elle est logée même si elle a été victime d’un brigand.

Je commence à espérer qu’elle retrouve des forces et puisse reprendre un travail dans l’enseignement, retrouver une indépendance financière un jour. Cependant, elle a des sortes de végétations qui poussent dans ses deux narines et qui les obstruent totalement. Elle va sans doute devoir être opérée.

En tous cas, les dépenses sont stabilisées à 104,90 € par mois.

Bilan financier :

Cette année, ce sont 13 personnes qui ont donné pour soutenir ces personnes à Madagascar (7 maintenant avec les sœurs du Prado + 3 Marie + 1 Ainah) et au Mozambique (8 maintenant). J’ai aussi reversé ce qui m’a été donné chaque fois que j’ai prêché une retraite, sachant que ceux qui m’avaient fait venir ont donné fortement dans la perspective de ce soutien. J’ai ainsi reçu 6 003,40 € en 2018. Grand merci !

Le tableau suivant vous permet de voir qu’en 2018, j’ai dépensé 17 461 € soit plus que ce que je prévoyais fin 2017 (10 200 €) mais bien moins que ce que j’avais dépensé en 2017  (26 783 €). J’arrive à aller vers un soutien qui corresponde plus à mes moyens et, grâce à vos aides, j’ai pu n’abandonner personne en route. Je peux espérer tous les voir tous grandir et aller vers une autonomie un jour. Grand, grand merci à chacun.

Pour l’année 2019, je viens de verser 4 047 € au Mozambique en espérant que cela assurera 6 voir 8 mois. J’ai reçu un don de 700 € compté sur 2019. Normalement, je devrais atteindre un niveau de partage raisonnable et que je puisse assumer grâce aux aides des uns et des autres: 13 000 €.

Tous ceux et celles que j’aide répètent sans cesse qu’elles prient pour vous. Je vous remercie aussi et continue à compter sur ceux d’entre vous qui le peuvent.

  7 jeunes Ainah Befeta Mozambique total donné dons reçus Bruno
2016 3650 0,00 0,00 17 382 21 032 6 462 -14 570,30
2017 3 912 3 875 672 18 323 26 783 3 817 -22 966
2018 3068 1 676 514 12 202 17 461 6 003 -11 457
2019 3115 2498 734 14 141 20 488 12187 -8301

Si vous étiez inquiets sur ce point, tout ce que j’ai reçu ces trois dernières années a été reversé et je ne me suis pas enrichi personnellement…

Pour faire parvenir les dons :

Par virement à l’ordre de Assoc. A.A.P.M.M.
RIB France 18206 00023 65071620632 51
IBAN ETRANGER FR76 1820 6000 2365 0716 2063 251     BIC AGRIFRPP882

ou en faisant un chèque à l’ordre de « A.A.P.M.M. » (association « Accompagner vers l’Autonomie quelques Personnes à Madagascar et au Mozambique)

en l’adressant à 
          Père Bruno Cadart,
          Paroisse Saint Jean XXIII
          9, rue Rabelais,
          94430 Chennevières-sur-Marne
          07 83 59 91 67

Un très grand merci !

Les jeunes de Madagascar et ceux du Mozambique vous remercient aussi et prient pour vous. Je vous adresse aussi tous mes remerciements et vous assure de ma prière. Très fraternellement !

Père Bruno Cadart

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feuilles paroissiales saint saturnin

Feuilles paroissiales de Saint Saturnin de Champigny sur Marne

Année 2020

29 novembre 2020 : « Si tu déchirais les cieux, si tu descendais… » (pdf)
22 novembre 2020 : Venez les bénis de mon Père… (pdf)
15 novembre 2020 : Entre dans la joie de ton Seigneur (pdf)
8 novembre 2020 : Veillez donc, car vous ne savez ni le jour, ni l’heure (pdf)
1er novembre 2020 : Toussaint (pdf)
18 octobre 2020: Missions (pdf)
11 octobre 2020: Allez aux croisées des chemins (pdf)
4 octobre 2020: Laudato si (pdf)
27 septembre: Travailler en actes à la vigne du Seigneur (pdf)
20 septembre: Allez vous aussi à ma vigne » (pdf)
13 septembre: Pardonnons comme nous sommes pardonnés (pdf)
6 septembre: « Je fais de toi un guetteur! » (pdf)

28 juin: Qui a perdu sa vie à cause de moi la gardera (pdf)
21 juin: 30 ans d’ordination (pdf)
14 juin: « Aimer comme il nous aime » (pdf)
7 juin: « Dieu Trinité d’amour » (pdf)
31 mai: « Comme le Père m’a envoyé, moi aussi, je vous envoie » (pdf)
24 mai: « O Seigneur envoie ton Esprit, qui renouvelle la face de la terre » (pdf)
17 mai: « Si vous m’aimez, vous garderez mes commandements » (pdf)
10 mai: « Approchez-vous du Seigneur Jésus… entrez dans la construction… » (pdf)
3 mai: « Pour que les hommes aient la vie en abondance » (pdf)
26 avril: « De quoi parlez-vous en chemin? » (pdf)
25 avril 2020: « Il m’est donné d’être prêtre et aide-soignant en EHPAD » (pdf)
19 avril: « Jésus vint, et il était là, au milieu d’eux » (pdf)
12 avril: Jésus, le Crucifié-Ressuscité, nous précède en Galilée (pdf)
5 avril: Vivre la semaine sainte en priant pour le monde touché par le coronavirus (pdf)
29 mars 2020: Cette maladie n’aboutira pas à la mort (feuille paroissiale) (pdf)
22 mars 2020: Feuille paroissiale coronavirus et lettre après assemblée paroissiale (pdf)
Très belle méditation d’une religieuse italienne (pdf)
« chrétien en tenue de service à l’heure du Coronavirus (pdf)
18 mars 2020: Ce qui est proposé à Jean XXIII et Saint Saturnin (pdf)
Avis autorisé sur le coronavirus (cliquer)
18 mars 2020: Communiqué évêque Créteil sur célébrations possibles ou non (pdf)
Psaume de la Mission Ouvrière pour les soignants (pdf)
15 mars 2020: Feuille paroissiale qui était prévue (les avis sont caduques) (pdf)
8 mars 2020: « Jésus prit avec lui Pierre, Jacques et Jean (pdf)
26 février 2020: « Entrer ensemble en carême » (pdf)
23 février 2020: « Soyez saints, soyez Parfaits… » (pdf)
9 février: « Ta nuit sera lumière » (pdf)
2 février: « Mes yeux ont vu le salut… » (pdf)
26 janvier: « Dimanche de la Parole » (pdf)
19 janvier: « Moi j’ai vu et je rends témoignage » (pdf)
12 janvier: « Celui-ci est mon Fils bien-aimé » (pdf)

Année 2019

24 décembre: Noël (pdf)
15 décembre: Ami, ne néglige pas de vivre (pdf)
8 décembre: Produisez un fruit digne de conversion (pdf)
1er décembre: Venez, montons à la montagne du Seigneur! (pdf)
24 novembre : Que ton règne vienne (pdf )
17 novembre: Être ici est une splendeur (pdf)
10 novembre: Pas le Dieu des morts mais des vivants (pdf)
1er, 2 et 3 novembre: Les passionistes (pdf)
13 octobre: Revenir sur nos pas en glorifiant Dieu à pleine voix (pdf)
6 octobre: Prends ta part des souffrances pour l’annonce de l’Evangile (pdf)
29 septembre: Toi, homme de Dieu, mène le bon combat (pdf)
15 et 22 septembre: Il m’a été fait miséricorde (pdf)
8 septembre: Au début d’une nouvelle année scolaire (pdf)
30 juin: Prendre la route de Jérusalem + horaires d’été (pdf)
23 juin: Fête du Corps et du Sang du Christ (pdf)
16 juin: Trinité (pdf)
9 juin: Pentecôte (pdf)
2 juin: Fraternité (pdf)
26 mai: Esprit enseignera (pdf)
19 mai: Aimer (pdf)
12 mai: Dimanche des vocations (pdf)
5 mai: M’aimes-tu? (pdf)
21 avril: Pâques (pdf) et lettre du Pape aux jeunes (pdf) (docx)
14 avril: Entrer ensemble dans la semaine sainte (pdf)
7 avril: Personne ne t’a condamnée? (pdf)
31 mars: Le fils Prodigue (pdf)
24 mars: Moïse (pdf)
17 mars: Transfiguration (pdf)
10 mars: entrée en Carême dans contexte scandales dans l’Eglise (pdf)
24 février: Règle d’or (pdf)
17 février: Béatitudes de Luc (pdf)
10 février: Appel des disciples, Déclaration d’Abu Dhabi (pdf)
3 février: Fête de la vie religieuse (pdf)
27 janvier: « Goûtons la Parole » (pdf)
20 janvier: « Appel à préparer journée santé » (pdf)
13 janvier 2019: « Voici votre Dieu » (baptême du Seigneur (pdf)
6 janvier 2019: « Allez vous aussi à ma vigne », voeux (pdf)

Année 2018

Dimanche 23 décembre et Noël: 16 Le peuple qui marchait dans les ténèbres (pdf)
Dimanche 16 décembre: 15 Joie (pdf)
Dimanche 9 décembre: 14 Préparez les chemins (pdf)
Samedi 8 décembre: « Allez vous aussi à ma vigne », récollection de secteur (pdf)
Dimanche 2 décembre: 13, Avent (pdf)
Dimanche 25 novembre: 12, Christ Roi, Centrafrique (pdf)
Dimanche 18 novembre: 11, solidarité (pdf)
Dimanche 11 novembre: 10, Temps de recueillement inter-religieux pour la paix (pdf)
Dimanche 5 novembre: 9, Tous donateurs (pdf)
Dimanche 28 octobre: 8, Toussaint (pdf)
Dimanche 21 octobre: 7, Pape François (pdf)
Dimanche 14 octobre: 6, qui êtes-vous, Père Jerald? (pdf)
Dimanche 30 septembre: 5, Tous témoins du Christ (pdf)
Dimanche 23 septembre: 4, Lettre au peuple de Dieu (pdf)
Dimanche 16 septembre: 3, Si quelqu’un veut être mon disciple (pdf)
Dimanche 9 septembre: 2, Effata, ouvre-toi! (pdf)
Dimanche 2 septembre: 1, rentrée (pdf)

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aides pour préparer célébrations

Document de base pour préparer un baptême (pdf)

Document de base pour préparer une célébration d’obsèques
– avec messe (femme / homme)
– sans messe (femme / homme)
– choix de textes pour célébration d’obsèques d’après la revue « Fêtes et saisons »

Documents de base pour préparer un livret de Mariage
avec messe
– sans messe
choix de lectures et formules pour célébration de mariage d’après la revue « Fêtes et saisons »

 

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Feuilles Paroissiales de la Paroisse Saint Jean XXIII du Bois l’Abbé

Année 2020

Flyer du Jubilé 50 ans de la présence des soeur au Bois l’Abbé et de l’église Jean XXIII (pdf)
29 novembre 2020 : « Ah, si tu déchirais les cieux, si tu descendais… » (pdf)
22 novembre 2020 : Venez, les bénis de mon Père… (pdf)
15 novembre 2020 : Entre dans la joie de ton Seigneur (pdf)
8 novembre 2020 : Veillez donc, car vous ne savez ni le jour, ni l’heure (pdf)
1er novembre: Toussaint (pdf)
18 octobre: Mission (pdf)
11 octobre: Allez aux croisées des chemins (pdf)
4 octobre: « Laudato si » (pdf)
27 septembre: « Travailler en actes à la vigne du seigneur » (pdf)
20 septembre: « Allez vous aussi à ma vigne »  (pdf)
13 septembre: Pardonnons comme nous sommes pardonnés (pdf)
6 septembre: « Au début d’une année jubilaire » (pdf)

28 juin: Qui perdra sa vie à cause de moi la gardera (pdf)
21 juin: 30 ans d’ordination (pdf)
14 juin: « Aimer comme il nous aime » (pdf)
7 juin: « Dieu Trinité d’Amour » (pdf)
31 mai: « De même que le Père m’a envoyé, moi aussi, je vous envoie » (pdf)
24 mai: « O Seigneur envoie ton Esprit, qui renouvelle la face de la terre » (pdf)
17 mai: « Si vous m’aimez, vous garderez mes commandements » (pdf)
10 mai: « Approchez-vous du Seigneur Jésus… entrez dans la construction… » (pdf)
3 mai: « Je suis venu pour que les hommes aient la vie en abondance » (pdf)
6 avril: « De quoi parlez-vous en chemin? » (pdf)
25 avril 2020: « Il m’est donné d’être prêtre et aide-soignant en EHPAD » (pdf)
19 avril: « Jésus vint, et il était là, au milieu d’eux » (pdf)
12 avril: Jésus, le Crucifié-Ressuscité, nous précède en Galilée (pdf)
5 avril: Vivre la semaine sainte en priant pour le monde touché par le coronavirus (pdf)
29 mars 2020: Feuille paroissiale « Cette maladie n’aboutira pas à la mort » (pdf)
22 mars 2020: Feuille paroissiale « A l’heure du coronavirus » (pdf)
Très belle méditation d’une religieuse italienne en période de coronavirus (pdf)
18 mars 2020: « Chrétien en tenue de service à l’heure du Coronavirus » (pdf)
18 mars 2020: Ce qui est proposé à Jean XXIII (pdf)
18 mars 2020: Communiqué évêque Créteil sur célébrations possibles ou non (pdf)
Psaume de la Mission Ouvrière pour les soignants (pdf)
15 mars 2020: Feuille paroissiale qui était prévu (les avis sont caduques) (pdf)
8 Mars 2020: Jésus prit avec lui Pierre, Jacques et Jean (pdf)
1er Mars: Lettre aux chrétiens de Jean XXIII après l’assemblée
et édito « Entrer ensemble en carême » (pdf)
23 février 2020: « Soyez saints, Soyez parfaits » (pdf)
9 février: « Ta nuit sera lumière… » (pdf)
2 février: « Mes yeux ont vu le salut… » (pdf)
26 janvier: « Dimanche de la Parole de Dieu » (pdf)
19 janvier: Moi j’ai vu et je rends témoignage (pdf)
12 janvier: Celui-ci est mon fils bien-aimé (pdf)

Année 2019

24 décembre: « Il était une fois Jésus… » Noël (pdf)
15 décembre: Ami, ne néglige pas de vivre (pdf)
8 décembre: Produisez un fruit digne de conversion (pdf)
1er décembre: Venez, montons à la montagne du Seigneur (pdf)
24 novembre: Que ton règne vienne (pdf)
17 novembre: Être ici est une splendeur (pdf)
10 novembre: Pas le Dieu des morts, mais des vivants (pdf)
1er, 2 et 3 novembre: Les passionistes (pdf)
13 octobre: Revenir sur nos pas en glorifiant Dieu à pleine voix (pdf)
6 octobre: Prends ta part des souffrances pour l’annonce de l’Evangile (pdf)
29 septembre: Toi, homme de Dieu, mène le bon combat (pdf)
15 et 22 septembre: Il m’a été fait miséricorde (pdf)
8 septembre: Au début d’une nouvelle année scolaire (pdf)
30 juin: Prendre la route de Jérusalem + horaires été (pdf)
23 juin: Fête du Corps et du Sang du Christ (pdf)
16 juin: Trinité (pdf)
9 juin: Penteôte (pdf)
2 juin: Fraternité (pdf)
26 mai: Esprit Saint vous enseignera (pdf)
19 mai: Aimer (pdf)
12 mai: Dimanche des vocations (pdf)
5 mai: M’aimes-tu? (pdf)
21 avril: Pâques (pdf)
14 avril: Entrer ensemble dans la semaine sainte (pdf)
7 avril: Personne ne t’a condamnée? (pdf)
31 mars: Fils prodigue (pdf)
24 mars: Moïse (pdf)
17 mars: transfiguration (pdf)
10 mars: Entrée en carême dans contexte de scandales dans l’Eglise (pdf)
24 février: 25 ans ordination diaconale Jean Delarue (pdf)
17 février: Béatitudes de Luc (pdf)
10 février: Appel des disciples, déclaration d’Abu Dhabi (pdf)
3 février: Fête de la vie religieuse (pdf)
27 janvier: Tous avaient les yeux fixés sur Jésus (pdf)
20 janvier: Appel à préparer la journée de la santé (pdf)
13 janvier 2019: « Voici votre Dieu » (baptême du Seigneur (pdf)
6 janvier 2019: « Allez vous aussi à ma vigne », voeux (pdf)

Année 2018

23 décembre: Peuple qui marchait dans les ténèbres (pdf)
16 décembre: Que devons-nous faire? (pdf)
9 décembre: Préparez les chemins du Seigneur (pdf)
8 décembre: Récollection de secteur, témoignages « Allez vous aussi à ma vigne (pdf)
2 décembre: Avent (pdf)
25 novembre: Christ Roi (pdf)
18 novembre: solidarité (pdf)
11 novembre: Mot d’accueil temps de recueillement inter-religieux pour la paix (pdf)
4 novembre: Aimer (pdf)
28 octobre: Tous appelés à la sainteté (à partir exhortation du Pape François) (pdf)
21 octobre: Pape François aux prêtres de Créteil et témoignage d’un « migrant » (pdf)
14 octobre: Qui êtes-vous Père Jerald (pdf)
30 septembre: Ah si le Seigneur pouvait mettre son Esprit sur eux (pdf)
23 septembre: Lettre au Peuple de Dieu – Par rapport à la pédophilie (pdf)
Lettre du Pape au Peuple de Dieu et Déclaration des évêques de France (pdf)
« Lettre à Véronique » par rapport à l’attachement à l’Eglise dans une autre tempête médiatique.
16 septembre: Si quelqu’un veut venir à ma suite (pdf)
9 septembre: Effata, ouvre-toi (pdf)
2 septembre: Rentrée (pdf)
1er juillet: du « Pourquoi la mort? » au « Par qui on peut être sauvé? » (pdf)
24 juin, à l’école de Jean Baptiste + rétrospective année + horaires été (pdf)
17 juin, Première communion de 4 jeunes membres des « amis de Cléophas » (pdf)
10 juin, Profession de foi, Voici ma mère et mes frères (pdf)
3 juin, Fête paroissiale « Goûtons la Parole » (pdf)
27 mai, Fête de la Sainte Trinité (pdf)
20 mai, Paroles de confirmands (pdf)
13 mai, Compagnons de Jésus (pdf)
6 mai, Aimez-vous les uns les autres comme je vous ai aimés (pdf)
29 avril, Lettre des jeunes du Frat au pape, aux évêques et à toute l’Eglise (pdf)
22 avril 2018, Tous appelés à la sainteté (pdf)
15 avril 2018, Dieu ne nous laisse jamais seuls (pdf)
8 avril 2018, Appelés à être croyants et non pas crédules (pdf)
1er avril 2018, Pâques… Jésus qui passe dans nos vies (pdf)
25  mars 2018, Suivre Jésus dans sa Passion (pdf)
18 mars 2018, Nous voulons voir Jésus (pdf)
11 mars 2018, Dieu nous aime (pdf)
4 mars 2018, Ne faites pas de ma maison une maison de trafic (pdf)
25 février 2018, Ecoutez-le ! (pdf)
18 février 2018, Goûtons la Parole, propositions de l’EAP (pdf)
11 février 2018, Comme le lépreux, nous approcher de Jésus (pdf)
4 février 2018, Dieu souffre avec nous (pdf)
28 janvier, Jésus parlait avec autorité + Repères pour le sacrement des malades (pdf)
21 janvier 2018, Disciples-Missionnaires sans attendre (pdf)
20 janvier 2018, Appelés et appelants (pdf)
13 janvier 2018, Chercheurs de Dieu à l’école des mages (pdf)
6 janvier 2018, Fête de la Sainte Famille à la lumière de « la joie de l’amour » (pdf)

Année 2017

24 Décembre 2017, Et le Verbe s’est fait chair, et il a habité parmi nous (pdf)
17 décembre 2017, Au milieu de vous se tient celui que vous ne connaissez pas (pdf)
10 décembre 2017, Tous donateurs (pdf) (repères sur les finances dans l’Eglise et le denier)
3 décembre 2017, C’est Toi, Seigneur, notre Père (pdf)
26 novembre 2017, Le Christ Roi de l’univers: un Roi unique et un Royaume unique (pdf)
19 novembre 2017, Avoir le regard fixé sur les pauvres (pdf)
12 novembre 2017, Voici l’Epoux: sortez à sa rencontre (pdf)
5 novembre, Vous donner non seulement l’Evangile de Dieu mais nos propres vies (pdf)
29 octobre 2017, Tous appelés à être saints (pdf)
22 octobre 2017, Ensemble osons la mission (pdf)
15 octobre 2017, Goûtons la Parole et allons aux croisées des chemins (pdf)
8 octobre 2017, Allez vous aussi à ma vigne (pdf)

Publié dans Paroisse Jean XXIII Bois l'Abbé | Laisser un commentaire